Diante de um cenário de mudanças climáticas, inflação e conflitos armados, o sistema energético global passa por transformações e enfrenta questionamentos. Segundo as Nações Unidas, os edifícios devem ser aquecidos, iluminados e eletrificados por meio de fontes de energia limpas, acessíveis, viáveis, sustentáveis e confiáveis. A arquitetura e o planejamento urbano podem contribuir tanto para expandir o acesso à energia quanto para explorar diferentes formas de armazenamento. A startup Civic Grid, sediada em Toronto, projeta e constrói sistemas de armazenamento de energia com o objetivo de transformar a relação das comunidades com a eletricidade que move o cotidiano. Sua primeira bateria arquitetônica foi concebida como uma obra de arquitetura pública pelos/as arquitetos/as Jack Self e Josh Harskamp, em colaboração com o designer industrial Max Fine. O protótipo é a evolução de um sistema de energia implantável desenvolvido em parceria com a Proteção Civil de Lisboa para a Trienal de Arquitetura de Lisboa 2025, ainda em funcionamento, e é acompanhado por uma maquete física.
Na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu as costas do Pacífico e do Caribe da Colômbia. Embora o evento sísmico tenha afetado levemente a fronteira sul do Panamá e a fronteira norte do Equador, a Colômbia declarou estado de emergência nacional. O terremoto causou 111 mortes, de acordo com relatórios oficiais, e a expectativa é de que esse número aumente à medida que os esforços de busca e resgate continuam. Segundo o Servicio Geológico Colombiano (SGC), o epicentro foi localizado a 96 quilômetros de profundidade, próximo a San José del Palmar, uma área rural no noroeste da província de Chocó. Os danos à infraestrutura se estendem a cidades densamente povoadas, incluindo Cali, Pereira, Manizales e Armenia, afetando uma área com uma população de cerca de 3,5 milhões de pessoas. Este evento sísmico ocorre logo após outros quatro ocorridos há menos de dois meses no Japão, nos Estados Unidos e na Venezuela, somando-se aos esforços de reconstrução já em andamento em todo o mundo.
Desde 1994, a cada ano no dia 9 de agosto, a UNESCO comemora o Dia Internacional dos Povos Indígenas. As Nações Unidas ainda não adotaram uma definição oficial para o termo "povos indígenas", mas consideram, para fins de reconhecimento social, os grupos não dominantes da sociedade que se autoidentificam como tais, com língua, cultura e crenças distintas, organizados em sistemas sociais, econômicos e políticos próprios. Sob uma perspectiva territorial, a ONU compreende o termo a partir da continuidade histórica com sociedades pré-coloniais ou pré-colonizadoras, além dos fortes laços desses grupos com seus territórios e recursos naturais circundantes. A persistência em manter e reproduzir ambientes e sistemas ancestrais também é reconhecida como um elemento de identidade, englobando outras denominações como primeiros povos/nações, aborígenes ou grupos étnicos. Alinhando-se ao objetivo da data de conscientizar o público, apresentamos neste artigo reflexões contemporâneas, casos regionais e entrevistas sobre o conhecimento construtivo ancestral e seu potencial para moldar o futuro.
O título de Capital Mundial da Arquitetura UNESCO-UIA é uma iniciativa criada em conjunto pela UNESCO e pela União Internacional de Arquitetos (UIA). Em 5 de agosto de 2026, Pequim foi nomeada Capital Mundial da Arquitetura para 2029, um título concedido a cada três anos a uma cidade que sedia um ano de programação voltada à arquitetura, coincidindo com o Congresso Mundial de Arquitetos/as da UIA. A indicação foi feita sob recomendação do Comitê Conjunto para a Capital Mundial da Arquitetura, presidido pelo/a arquiteto/a Dominique Perrault. A nomeação ocorre após o recente encerramento do Congresso Mundial de Arquitetos/as da UIA 2026 em Barcelona, atual Capital Mundial da Arquitetura, e se apoia nas experiências anteriores do Rio de Janeiro e de Copenhague.
O projeto Grand Paris Express consiste em 200 quilômetros de novas linhas de metrô totalmente automatizadas, 68 novas estações e quatro novas linhas perimetrais (15, 16, 17 e 18), além da extensão da Linha 14. A rede está sendo entregue em etapas entre 2024 e 2031: as 8 estações da Linha 14 estão totalmente operacionais após sua extensão em 2024; a Linha 18 é a mais avançada das novas linhas, com testes em andamento antes de sua primeira inauguração; e a engenharia civil está praticamente concluída em muitos trechos, com trilhos, sistemas, acabamento arquitetônico e testes avançando estação por estação. Cada uma das 68 estações foi atribuída a um/a arquiteto/a ou equipe de arquitetura específica, por vezes em colaboração com arquitetos/as paisagistas para os elementos de superfície.
O projeto do pavilhão de exposições e do parque da Shenzhen Bay Culture Square, desenvolvido pelo escritório MAD, de Ma Yansong, teve início em 2018, com a etapa de projeto finalizada em 2020. O edifício de 188.000 m² ocupa um terreno de aproximadamente 51,000 m² à beira-mar, no coração de Houhai, no distrito de Nanshan — polo corporativo da Greater Bay Area de Shenzhen. O plano diretor da área, que inclui o Pavilhão de Design Criativo, o Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen e uma ampla área verde pública, foi anunciado pelo MAD em 2020 com previsão de conclusão para 2023. Após oito anos de trabalho, a obra, liderada por Ma Yansong, Dang Qun e Yosuke Hayano, está concluída e servirá como um equipamento cultural voltado ao design e ao intercâmbio cultural.
A ideia de uma "Grande Muralha Verde" designa uma iniciativa de reflorestamento em larga escala realizada especificamente para conter a desertificação. Em andamento na África para evitar o avanço do Deserto do Saara e na China no entorno do Deserto de Gobi, trata-se de um projeto de desenvolvimento paisagístico, agrícola, econômico e social surgido em resposta ao aumento das temperaturas globais, à superexploração agrícola e ao manejo inadequado da terra. Ambas as iniciativas, atualmente em execução, são projetos interseccionais que envolvem governos de diferentes países, organizações da sociedade civil, além de voluntários/as individuais e grupos organizados, orientados pela proposta de uma resposta unificada aos problemas ambientais globais por meio da restauração da fauna e da flora. Trata-se de uma aplicação infraestrutural em larga escala do conceito de 'corredor verde' ou 'corredor ecológico': uma faixa linear de vegetação ou paisagem natural que conecta ecossistemas fragmentados e populações de vida selvagem separadas pelo desenvolvimento humano em escala continental.
Exposição Parlour Gardens no Jardim Botânico de Barcelona. Junho a outubro de 2026. Imagem cortesia de Marina Cervera
Como parte da programação oficial de Barcelona como Capital Mundial da Arquitetura UNESCO-UIA de 2026, o Jardí Botànic de Barcelona recebe a exposição "Parlour Gardens: Dreams from the Rooftop", uma mostra de instalações cerâmicas que propõe um percurso pela arquitetura de paisagem. Com curadoria de Marina Cervera (Bienal Internacional de Paisagem de Barcelona, CEO da NablaBCN), James Hayter (ex-presidente da IFLA, Oxigen) e José Luis Cortés (ex-presidente da UIA), a exposição marca o centenário da criação dos jardinets de saló (jardins de salão) em 1926: universos paisagísticos de cerâmica em miniatura concebidos originalmente por Nicolau M. Rubió i Tudurí, Llorenç Artigas e Raoul Dufy. Instalações desenvolvidas por 14 arquitetos/as paisagistas do cenário internacional estarão distribuídas pelo jardim botânico, agrupadas por zonas homoclimáticas para associar cada proposta à vegetação regional correspondente, permanecendo em cartaz até 4 de outubro de 2026.
A arquitetura residencial contemporânea enfrenta as demandas urgentes do déficit habitacional global e do crescimento das populações urbanas. Na prática profissional, observa-se uma experimentação recorrente com novas formas de habitação coletiva, assumindo a tarefa de oferecer espaços para o desenvolvimento pessoal, familiar e comunitário. Os seis projetos não construídos apresentados aqui revelam diferentes facetas da decisão de adensar: a relação com a natureza preexistente e planejada, a disponibilidade de terrenos urbanos ou suburbanos, o desenvolvimento de espaços intermediários complementares que apoiam a vida coletiva e atenuam a experiência da densidade, a replicabilidade dos modelos de adensamento e a relação com o entorno que acolhe o crescimento populacional.
Esta semana foi marcada por reconhecimentos e grandes anúncios para o setor cultural. Em meio a relatórios internacionais de destruição tanto deliberada quanto natural, a UNESCO incluiu 25 novos locais de Valor Universal Excepcional em sua Lista do Patrimônio Mundial, protegendo uma gama diversificada de locais que abrange desde paisagens funerárias a obras emblemáticas da arquitetura moderna. Além do patrimônio, a prática arquitetônica contemporânea também recebeu novo reconhecimento por meio de Alejandro Aravena e Smiljan Radić, enquanto novos desenvolvimentos foram anunciados para projetos culturais nos Emirados Árabes Unidos, Equador, China, Índia e Estados Unidos. As atualizações recentes incluem a restauração de um cinema histórico em Los Angeles, um novo museu dedicado à inovação e ao empreendedorismo em Bengaluru e a conclusão da estrutura de uma torre de madeira híbrida de 39 andares em Sydney.
Na segunda-feira, 27 de julho, a lista de finalistas do Prêmio Nacional de Arquitetura de 2026 foi apresentada em uma sessão extraordinária da Diretoria Nacional do Colegio de Arquitectos de Chile. Representando a instituição, os cinco membros da diretoria concederam o prêmio conjuntamente aos arquitetos Alejandro Aravena Mori e Smiljan Radić Clarke, em reconhecimento às suas contribuições para o posicionamento da arquitetura chilena no cenário internacional. Ambos foram laureados com o Prêmio Pritzker de Arquitetura: Aravena em 2016 por seu trabalho com o ELEMENTAL, e Smiljan Radić Clarke este ano. A instituição também destacou a qualidade de suas obras e a contribuição de ambos os profissionais para o desenvolvimento local da disciplina, consolidando-os como duas das principais figuras da arquitetura a partir do contexto de um pequeno país no extremo sul do mundo.
O Centro Cultural Europeu Itália anunciou os/as finalistas do ECC Awards, apresentados como parte da Personal Structures – Confluences, a oitava edição de sua exposição contemporânea internacional, que acontece paralelamente à Bienal de Arte de Veneza. Em cartaz em Veneza de 9 de maio a 22 de novembro de 2026, no Palazzo Bembo, no Palazzo Mora e nos Jardins da Marinaressa, a exposição serve de cenário para a premiação, que celebra práticas artísticas que dialogam com o tema da mostra, Confluences, por meio de pesquisa, interdisciplinaridade e diálogo com o lugar. Os/as vencedores/as serão anunciados/as em 22 de novembro de 2026, durante o evento de encerramento da exposição.
A lei 21st Century ROAD to Housing Act, um projeto de lei bipartidário sobre habitação do Senado dos Estados Unidos, tornou-se lei de forma automática em 11 de julho de 2026. Oficialmente denominada "Renewing Opportunity in the American Dream (ROAD) to Housing Act", a medida tem sido descrita como a iniciativa habitacional mais significativa no país desde a Lei Nacional de Habitação de Interesse Social (National Affordable Housing Act) de 1990, e "a legislação de habitação mais abrangente em décadas". Diante de uma crise global de moradia, o texto revisa programas habitacionais federais, expande as opções de financiamento disponíveis, oferece subsídios para comunidades, foca em exigências regulatórias para a construção civil e enfrenta a concentração da propriedade imobiliária. Essa legislação soma-se a iniciativas globais por moradias dignas, tais como limites para aluguéis de curta temporada, a tributação de unidades residenciais desocupadas e o reaproveitamento e adaptação de estruturas existentes, com o duplo objetivo de aumentar o número de unidades residenciais e disponibilizar os imóveis já existentes.
O Clark Art Institute, uma importante instituição de arte localizada na região de Berkshires, no oeste de Massachusetts, nos Estados Unidos, revelou imagens do projeto de ampliação de suas instalações atuais. Inaugurada em 1955, a instituição funciona tanto como museu de arte quanto como centro de pesquisa, debate crítico e ensino superior em artes visuais. A nova ala, encomendada ao escritório Selldorf Architects em outubro de 2024, expandirá o espaço atual de galeria e armazenamento de arte, conectando o Edifício do Museu ao Manton Research Center, ambos reformados anteriormente pela mesma firma. O novo edifício será complementado pelo projeto paisagístico desenvolvido por Reed Hilderbrand, reforçando a experiência que integra arquitetura, arte e a paisagem circundante de Berkshires.
Desde agosto de 2025, intensificou-se o debate em Dallas, nos Estados Unidos, sobre o futuro de um de seus marcos modernos: a Prefeitura de Dallas, projetada por I.M. Pei & Partners. Este mês, o Conselho Municipal de Dallas continuará avaliando se deve reformar, vender ou demolir o edifício de 47 anos, após crescentes preocupações com a manutenção postergada por anos e com a necessidade de grandes investimentos. No final de outubro, membros do conselho iniciaram audiências públicas e reuniões de comissões para colher a opinião de moradores/as. Preservacionistas e alguns/as integrantes do conselho defenderam um estudo completo sobre as opções de reparo e o tombamento histórico do edifício, ao passo que outros/as enfatizaram preocupações fiscais e operacionais.
Defensores/as da preservação destacam a relevância cívica e arquitetônica do edifício, ao passo que os/as defensores/as da demolição apontam os altos custos de manutenção e o potencial de redesenvolvimento do terreno central. Uma petição para "Salvar a Prefeitura de Dallas", que pede aos/às membros do conselho para interromper os planos de demolição e encomendar um estudo de renovação transparente, continua aberta para assinaturas. Enquanto isso, o prefeito declarou que deseja analisar todos os fatos antes de se posicionar sobre a transferência da sede municipal ou o investimento em reformas. O caso se soma à crescente lista de ícones modernistas em todo o mundo que enfrentam futuros incertos, desencadeando debates culturais mais amplos sobre patrimônio cívico e infraestrutura pública.
No dia 13 de julho de 2026, a Prefeitura de Tbilisi emitiu uma licença para desmantelar o Teatro de Música e Sala de Exposições em formato de tubo do Parque Rike. O complexo, projetado pelo escritório italiano Studio Fuksas, nunca foi inaugurado oficialmente desde sua conclusão em 2012, aproximadamente na mesma época que o Centro de Serviços Públicos de Tbilisi, do mesmo escritório. O projeto tem sido fonte de controvérsia entre as autoridades e a população desde sua encomenda em 2011. Construído durante o governo do Movimento Nacional Unido (UNM), o projeto teve suas obras suspensas após a mudança de governo em 2012. As duas estruturas, frequentemente chamadas de "Tubos de Rike", foram originalmente projetadas para abrigar um teatro musical e um espaço de exposições, mas permanecem até hoje sem qualquer uso oficial.