Entre 2005 e 2021, os/as fotógrafos/as franceses/as Yves Marchand e Romain Meffre desenvolveram um projeto de longo prazo intitulado Theaters. Recentemente exposta na KYOTOGRAPHIE 2026, a obra documenta um fenômeno que segue se desdobrando gradualmente ao redor do mundo: o declínio de infraestruturas originalmente projetadas para o entretenimento público no início do século XX. Teatros, cinemas e casas de espetáculo que outrora acompanharam a modernização das cidades estão sendo cada vez mais abandonados, reaproveitados ou "deixados em suspensão como ruínas híbridas." Esse processo é frequentemente associado à crescente individualização do consumo cultural — desde a popularização da televisão até a ascensão da indústria de streaming —, bem como ao impacto da pandemia de COVID-19 nas instituições culturais. Abaixo, três casos localizados na Inglaterra, no Chile e no Japão ilustram diferentes etapas dessa transformação, ao mesmo tempo em que destacam os esforços liderados pela comunidade para preservar o patrimônio cultural moderno.
Esta semana foi marcada pela destruição deliberada, desenfreada e injusta decorrente da guerra no Sudoeste Asiático. Como uma das manifestações mais prejudiciais do abuso de poder humano, testemunhamos a destruição de lugares que guardam memórias e sustentam a cultura, bem como a perda e os danos irreparáveis às vidas humanas que lhes conferem identidade. Na expectativa de oferecer cenários mais promissores e construtivos para o futuro, apresentamos, em contraposição a essa realidade, um panorama de avanços em relação à disparidade de gênero que caracteriza a arquitetura e os caminhos a seguir, um conjunto de projetos emblemáticos de interesse público e comunitário que avançam da Turquia ao México, além de três grandes projetos de infraestrutura de transporte multimodal que buscam melhorar a forma como circulamos e habitamos o espaço público na Europa e nos Estados Unidos.
O escritório Lacaton & Vassal anunciou a transformação de um antigo centro administrativo em um edifício de uso misto, residencial e de escritórios, em Vannes, uma cidade medieval na Bretanha, no noroeste da França. O projeto faz parte de uma política governamental para mobilizar terrenos públicos para habitação. Em 2023, o Estado francês lançou uma chamada de manifestação de interesse para um projeto no antigo complexo administrativo, que abrigava diversos serviços públicos, em consulta com a prefeitura de Vannes. A proposta vencedora é fruto de uma parceria entre a GReeStone Immobilier e a Grand Ouest Immobilier, com uma equipe de arquitetura formada pelo escritório de Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal, laureados com o Prêmio Pritzker de 2021, em parceria com a arquiteta Emmanuelle Delage. Segundo a prefeitura, a proposta foi escolhida com o objetivo de promover a resiliência e reduzir a pegada de carbono por meio da renovação, em vez da demolição.
O compilado de notícias desta semana reúne discussões atuais sobre espaço público e coletivo, infraestrutura cultural e transformação urbana de longo prazo em diversos contextos geográficos. Desde modelos de gestão compartilhada que redefinem a propriedade do espaço público em cidades como Paris e Nova York, até iniciativas de grande escala impulsionadas por eventos vinculadas a Milano Cortina 2026 e ao Fórum Urbano Mundial em Baku, os projetos e iniciativas selecionados destacam a interseção entre governança, cultura e infraestrutura na prática contemporânea. Esses temas são aprofundados por meio de uma combinação de processos de planejamento estratégico, incluindo esforços internacionais de planejamento experimental no norte de Lviv, e projetos construídos nas áreas de educação, cultura e arquitetura temporária — desde uma nova instalação de ensino odontológico em Blantyre, no Malawi, até espaços culturais restaurados e recém-inaugurados nos Estados Unidos e em Taiwan, além de intervenções de reutilização adaptativa apresentadas na Bienal de Arquitetura de Chicago. Os exemplos internacionais delineiam um panorama arquitetônico moldado pelo reuso, pelo engajamento público e pelo papel em evolução do design na resposta a estruturas sociais, culturais e institucionais.
O escritório de arquitetura ORGA, sediado nos Países Baixos e inspirado na natureza, concluiu o projeto de um bairro de carbono negativo em Marknesse, um vilarejo na província holandesa de Flevoland. O projeto é composto por 12 moradias de aluguel acessível construídas com uma alta porcentagem de materiais de base biológica. Seu principal objetivo é desenvolver soluções habitacionais escaláveis que minimizem as emissões de CO₂ e reduzam a dependência de recursos fósseis. O projeto reinterpreta a tradicional casa de tijolos holandesa, conhecida pela tipologia "Vermelho de Delft" (Delft Red), caracterizada por fachadas de tijolos vermelhos e telhas vermelho-alaranjadas, ao mesmo tempo em que introduz chaminés de madeira que também funcionam como habitats para morcegos. Encomendado pela associação de habitação Mercatus, o protótipo foi construído no primeiro semestre de 2025 e é destinado a compradores/as do primeiro imóvel e famílias de baixa renda.
O UIA 2026, 29ª edição do evento internacional trienal de debate arquitetônico organizado pela União Internacional de Arquitetos, abriu suas portas no domingo, 28 de junho, com um evento inaugural realizado em Three Chimneys, uma antiga usina termoelétrica em Sant Adrià de Besòs. Cada edição do congresso foca em um tema urgente e relevante para a profissão, articulado por meio de um eixo central. O tema de 2026 é "Becoming. Arquiteturas para um Planeta em Transição", propondo uma visão ampla e crítica sobre os futuros possíveis da arquitetura. O evento acontece até 2 de julho de 2026, de forma distribuída por diversas sedes e contextos urbanos. Com uma abordagem multidisciplinar, Barcelona, Capital Mundial da Arquitetura UNESCO 2026, deve se tornar um laboratório e polo global para debater as próximas transições ecológicas, sociais, materiais e culturais.
Três décadas após sediar o evento pela primeira vez, Barcelona volta a ser o palco do debate global da disciplina. O Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026 em Barcelona pretende reunir 10.000 profissionais, estudantes e representantes institucionais de mais de 130 países. Os debates abordam temas como a emergência climática, a crise habitacional, a circularidade e sustentabilidade dos materiais, e a evolução do espaço público em grande e pequena escala, bem como tópicos mais específicos, como o papel e a responsabilidade futura das premiações de arquitetura ou conferências dedicadas às inundações causadas pelo fenômeno DANA em Valência. A programação diária será marcada por duas sessões plenárias por dia, no início (09h00) e no encerramento (16h45).
O Sanatório de Paimio, de Aino e Alvar Aalto, é um exemplo reconhecido de arquitetura moderna voltada à cura, representando uma abordagem higienista centrada no paciente que tratava o próprio edifício como um instrumento médico. Construído entre 1929 e 1933, foi projetado como um sanatório de tuberculose voltado para a natureza, posteriormente utilizado como hospital, e hoje funciona como uma atração turística. A propriedade compreende o edifício principal juntamente com quatorze estruturas adicionais, tombadas na Finlândia em 1993 sob a Lei de Proteção de Edifícios finlandesa. O complexo foi incluído na lista indicativa da UNESCO em 2004 e faz parte da candidatura "Aalto Works", com decisão prevista para julho de 2026. O escritório Snøhetta desenvolveu um plano diretor que apresenta uma nova visão para o complexo modernista, reimaginando-o como um destino que combina hospitalidade, bem-estar, espaços culturais e áreas de debate internacional.
O dia 26 de janeiro marca o Dia Internacional da Energia Limpa, uma iniciativa voltada a conscientizar e mobilizar ações para uma transição inclusiva dos combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural, para sistemas de geração de energia com menores emissões de gases de efeito estufa e menos poluentes. O termo "limpa" sinaliza uma mudança fundamental de fontes de energia extrativas, finitas e esgotáveis em direção a sistemas baseados em recursos renováveis ou na captura de energia integrada a processos naturais. Em um mundo que enfrenta a crise climática, a energia limpa desempenha um papel fundamental na redução de emissões e na ampliação do acesso a uma energia confiável. Contudo, o rótulo de "limpa" não isenta esses sistemas dos impactos associados à sua produção, implantação e comercialização. Nesse contexto, o conhecimento arquitetônico relacionado ao espaço, à materialidade e à habitação torna-se relevante para apoiar uma transição rumo a sistemas de energia que sejam sustentáveis ao longo do tempo. Como afirmam as Nações Unidas, a ciência é clara: para limitar as mudanças climáticas, a dependência dos combustíveis fósseis deve acabar, e as edificações devem ser aquecidas, iluminadas e eletrificadas por meio de fontes de energia limpas, acessíveis, economicamente viáveis, sustentáveis e confiáveis.
A crise habitacional atual é um fenômeno global que pode ser amplamente dividido em dois grandes problemas: a escassez de edifícios residenciais e as barreiras de acesso aos que já existem. O déficit é real e concreto no que diz respeito ao que a ONU chama de "moradia adequada para todas as pessoas". Segundo o ONU-Habitat, estima-se que 96.000 novas unidades habitacionais precisariam ser construídas por dia para atender às necessidades da população até 2030. As mudanças climáticas e as migrações forçadas estão ampliando essa lacuna. No entanto, 2,8 bilhões de pessoas em todo o mundo — o que representa quase 40% da população global — não têm acesso a um abrigo estável, terra segura e serviços básicos de saneamento, não apenas pela subprodução, mas também devido a uma barreira econômica: uma crise de acessibilidade financeira. À medida que a demanda cresce e os preços sobem, a moradia, que hoje funciona cada vez mais como uma forma de seguridade social, torna-se alvo de renda de aluguel e especulação imobiliária. Sendo a moradia adequada um direito humano, cresce em todo o mundo a pressão sobre governos e entidades privadas para limitar a especulação e garantir o acesso justo às habitações existentes. A seguir, apresentamos quatro exemplos de iniciativas na Espanha, Austrália, França e Estados Unidos que buscam ampliar com urgência o acesso à moradia e, ao mesmo tempo, conter a especulação.
Xu Tiantian é a sócia-fundadora do DnA_Design and Architecture, um escritório interdisciplinar que aborda as dimensões física e social do ambiente habitado contemporâneo em diversas escalas. Nascida em 1975 em Fujian, na China, ela obteve o título de mestre em Arquitetura em Design Urbano pela Harvard Graduate School of Design e o diploma de bacharel em arquitetura pela Universidade Tsinghua, em Pequim. Seu trabalho recente se concentra na revitalização rural por meio de uma estratégia descrita por ela como "acupuntura arquitetônica", compreendida como intervenções de pequena escala e específicas para cada local, projetadas para ativar a cultura, a agricultura e o turismo locais. Essas intervenções, concentradas principalmente nas regiões rurais da China, foram reconhecidas pela ONU-Habitat como um modelo global para a integração urbano-rural. Nesta entrevista ao Louisiana Channel, ela reflete sobre o papel do/a arquiteto/a, questiona a própria arquitetura e o conceito de beleza, explica sua metodologia de trabalho e enfatiza a dimensão espacial da natureza.
Campo agrícola Waru Waru. Imagem via World Monuments Fund
O Dia Internacional da Mãe Terra da Organização das Nações Unidas, celebrado anualmente em 22 de abril, tem como objetivo "promover a harmonia com a natureza e com a Terra". Diante da urgência imposta pelas mudanças climáticas, a data busca conscientizar sobre os desafios de preservar todas as formas de vida sustentadas pelo planeta. Trata-se de um chamado à comunidade global para salvaguardar a biodiversidade, buscando equilibrar os sistemas econômicos, sociais e ecológicos. Crimes contra a biodiversidade incluem práticas de grande escala, como desmatamento, mudança no uso do solo, agricultura intensiva, pecuária e comércio ilegal de animais silvestres, todos considerados pela ONU como fatores aceleradores da destruição do planeta.
O MVRDV e o OODA revelaram um novo plano diretor para a regeneração de uma área desocupada de 28 hectares entre Marvila e Beato, na frente ribeirinha de Lisboa. Recentemente aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa, o projeto foi desenvolvido em colaboração com o LOLA Landscape Architects e a Thornton Tomasetti para transformar a região em um distrito urbano pautado pelo paisagismo. Intitulada "The Marvila Masterplan", a proposta estabelece as diretrizes para a introdução de 1.400 moradias, além de equipamentos públicos, espaços comerciais e de serviços em um território fragmentado e amplamente abandonado. Trata-se de uma iniciativa privada liderada pelo proprietário majoritário do terreno, desenvolvida em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa e a Infraestruturas de Portugal.
Ooooh, that's EpiQ! Por Ricardo Orts Ulises. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily presentes em Milão
Celebrado anualmente em 22 de abril, o Dia Internacional da Mãe Terra pauta o debate arquitetônico desta semana por meio de um apelo urgente para repensar a relação entre o ambiente construído e os sistemas naturais, destacando temas como o rewilding urbano, a restauração de ecossistemas aquáticos e a integração de saberes ancestrais nas práticas de projeto contemporâneas. Por outro lado, a abertura do Salone del Mobile.Milano 2026 e da Milan Design Week 2026 busca reforçar a relevância global do design como plataforma de intercâmbio e experimentação, movimentando a cidade de Milão com uma rede de exposições e instalações voltadas tanto para o setor quanto para o público geral. Entre os anúncios de projetos premiados nesta semana, o concurso House of No Waste (HØW), promovido pelas Nações Unidas, destaca respostas arquitetônicas emergentes aos desafios climáticos e de recursos. Os projetos premiados demonstram estratégias escaláveis para reduzir o desperdício de materiais e o carbono incorporado, ao mesmo tempo em que promovem uma infraestrutura pública adaptável, socialmente responsiva e consciente do uso de recursos.
A fase inicial do projeto de renovação completa do Museu Histórico Nacional em Tirana está próxima de ser concluída. O projeto foi encomendado pelo Ministério da Economia, Cultura e Inovação da Albânia e pelo UNOPS, sendo financiado pela Comissão Europeia por meio do programa "EU for Culture" (EU4C) na Albânia. A restauração completa dos 21.400 metros quadrados do museu está planejada em duas fases, lideradas pelo escritório de Roterdã Casanova + Hernandez Architects em colaboração com o parceiro local iRI. A primeira fase consiste na restauração do edifício existente na Praça Skanderbeg e deve ser concluída este ano, permitindo o início imediato da segunda fase, focada na implementação do novo projeto para todos os espaços internos, o pátio e a cobertura.
Em fevereiro de 2022, teve início a construção do Goethe-Institut em Dakar, projetado pelo escritório Kéré Architecture. Presente no Senegal desde 1978, o Goethe-Institut alcança um marco no fortalecimento dos laços culturais entre a Alemanha, o Senegal e a África Ocidental com este novo edifício. Sendo a primeira sede do Goethe-Institut construída especificamente para este fim no continente africano, a obra simboliza um compromisso de longo prazo em apoiar as indústrias criativas e fomentar o intercâmbio intelectual. De 16 a 18 de abril de 2026, o Goethe-Institut sediará uma série de eventos para marcar a inauguração de sua nova sede.
O recém-inaugurado Limbo Museum em Acra, Gana, apresentou no dia 12 de março uma instalação arquitetônica em duas partes realizada pelo TAELON7, liderada pelo/a arquiteto/a Juergen Benson-Strohmayer. A instalação foi encomendada pelo museu em parceria com o Art Omi, um centro de artes sem fins lucrativos no Hudson Valley, em Nova York. O projeto é a primeira comissão de uma colaboração entre as duas instituições e será instalado em ambos os locais, Acra e Nova York. Titulada Limbo Engawa, a estrutura modular e leve dialoga com o edifício brutalista anteriormente abandonado que abriga o museu, transformando sua estrutura de concreto esquelética e o terreno ao redor em espaços de uso, cuidado e encontro. O projeto propõe uma reflexão sobre os limites entre a arquitetura urbana inacabada e a paisagem, destacando o trabalho e a gestão muitas vezes invisíveis nos contextos urbano e institucional, e afirmando que mesmo locais incompletos ou negligenciados são repletos de possibilidades cívicas.
O Festival Concéntrico 2026 acontecerá em Logroño, Espanha, de 18 a 23 de junho, transformando a cidade em um laboratório em grande escala para a arquitetura, o design e a experimentação urbana. Ao longo de seis dias, mais de vinte intervenções serão distribuídas por praças, terrenos baldios, ruas, pontes e espaços emblemáticos de toda a cidade, reunindo importantes escritórios, pesquisadores/as e criadores do cenário internacional, incluindo o arquiteto chileno Smiljan Radić, o coletivo raumlabor, Matilde Cassani, AAU Anastas e Sahra Hersi, entre outros/as. Esta edição apresenta uma transição em direção a práticas mais coletivas, festivas e performáticas no espaço público, com forte ênfase em experiências sonoras e projetos vinculados à acessibilidade, inclusão e transformação urbana. A programação se estrutura em torno de três eixos temáticos: Identidade e Ficção, Ecologias Urbanas e Agentes Efêmeros, abrangendo desde arquiteturas que compreendem o espaço público como ritual ou celebração até abordagens experimentais que exploram materiais, som e processos de reutilização.
O escritório MVRDV , sediado em Roterdã, anunciou um novo marco no desenvolvimento das suas Torres Tour & Taxis, um projeto de uso misto em Bruxelas, Bélgica. O projeto foi encomendado pela investidora e incorporadora imobiliária Nextensa em 2021, no âmbito de um masterplan de zoneamento específico também desenvolvido pelo MVRDV. O projeto de duas torres combina escritórios, habitação e comodidades públicas em uma área de 58.000 m², consolidando-se como um marco no bairro e atingindo 126 metros de altura em seu ponto mais alto. Com a licença de construção recém-concedida, a proposta foi concebida para reduzir o carbono incorporado por meio do uso de uma estrutura híbrida e elementos leves de fachada, com o objetivo de minimizar o uso de concreto tanto na estrutura quanto nas fundações. Desde as etapas iniciais, a equipe de arquitetura utilizou seu software CarbonSpace para orientar essas decisões.