"A beleza em si é perigosa": Xu Tiantian fala sobre ir além da "starchitecture" em entrevista ao Louisiana Channel

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Xu Tiantian é a arquiteta fundadora do DnA_Design and Architecture, um escritório interdisciplinar que aborda tanto as dimensões físicas quanto as sociais do ambiente habitado contemporâneo, em diferentes escalas. Nascida em 1975 em Fujian, na China, ela obteve o título de mestra em Arquitetura em Design Urbano pela Harvard Graduate School of Design e o diploma de bacharel em arquitetura pela Universidade Tsinghua, em Pequim. Seu trabalho recente foca na revitalização rural por meio de uma estratégia que ela descreve como "acupuntura arquitetônica", compreendida como intervenções de pequena escala e específicas para cada local, projetadas para ativar a cultura, a agricultura e o turismo locais. Essas intervenções, concentradas principalmente nas regiões rurais da China, foram reconhecidas pelo ONU-Habitat como um modelo global de integração urbano-rural. Nesta entrevista ao Louisiana Channel, ela reflete sobre o papel do/a arquiteto/a, questiona a própria arquitetura e o conceito de beleza, explica sua metodologia de trabalho e enfatiza a dimensão espacial da natureza.

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Pedreiras de Jinyun / DnA. Imagem © Wang Ziling

"A arquitetura é para as pessoas, não é?" é a frase de abertura da entrevista, que define o tom da crítica de Xu Tiantian à cultura arquitetônica convencional e à antiga aspiração ao fenômeno do "starchitecture" (arquitetos-estrela). Ela reflete sobre como sua percepção inicial da disciplina foi moldada pela ideia de produzir edifícios monumentais, valorizados primordialmente por sua presença física e expressão formal, o que frequentemente resultava no que ela descreve como construções deslocadas de seu contexto. Em contrapartida, sua compreensão atual desvia o foco da arquitetura como um fim em si mesma, direcionando-o para sua capacidade de gerar um impacto significativo.

Trata-se do que a arquitetura pode fazer, e não do que eu deveria criar

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Espaço de Chá Huiming / DnA. Imagem © Wang Ziling

Em um contexto definido por desafios globais como a desigualdade e as mudanças climáticas, ela argumenta que a arquitetura deve evoluir, sobretudo para as gerações mais jovens, para uma prática menos preocupada com o que se pode criar e mais focada no que a arquitetura pode realizar. Essa mudança exige deixar de lado abordagens projetuais movidas pelo ego e começar, em vez disso, com um diagnóstico cuidadoso das condições existentes, identificando complexidades, reconhecendo potenciais latentes e trabalhando com o que já está presente, em vez de introduzir novos volumes. Essa reorientação leva a uma conclusão clara: não estamos mais na era do "starchitecture", mas sim em um momento de responsabilidade, engajamento e transformação.

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Frames da entrevista para o Louisiana Channel. Louisiana Museum of Modern Art, 2026. Imagem © Louisiana Channel
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Frames da entrevista para o Louisiana Channel. Louisiana Museum of Modern Art, 2026. Imagem © Louisiana Channel

Aprofundando esse posicionamento, a arquiteta descreve sua metodologia de "acupuntura arquitetônica", uma estratégia fundamentada na precisão, na moderação e em uma profunda consciência contextual. Em vez de buscar intervenções em grande escala, essa abordagem prioriza trabalhar com as necessidades, os materiais e as estruturas culturais locais, dialogando diretamente com a malha existente de um lugar. Assim como a prática terapêutica na qual se inspira, a acupuntura arquitetônica busca ativar energias latentes por meio de intervenções mínimas e cirúrgicas, capazes de catalisar uma regeneração social e espacial mais ampla.

Tudo pode potencialmente se tornar arquitetura

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Frames da entrevista para o Louisiana Channel. Louisiana Museum of Modern Art, 2026. Imagem © Louisiana Channel

Em contextos rurais, isso significa conceber projetos que pareçam integrados à comunidade, em vez de impostos a ela, promovendo um sentimento de pertencimento entre a população local e estimulando transformações contínuas. O objetivo não é a produção de um objeto arquitetônico singular, mas o início de processos que estimulem novas atividades, oportunidades econômicas e a autoconfiança coletiva. Sob essa perspectiva, ela reconsidera a noção de beleza, questionando seu status como objetivo primordial. Em vez disso, ela localiza a beleza na inteligência das práticas vernaculares, em que praticidade, sustentabilidade e continuidade cultural convergem, argumentando que o que é verdadeiramente belo na arquitetura é aquilo que apoia a vida de forma significativa.

Existe uma conexão entre beleza e simplicidade?

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Frames da entrevista para o Louisiana Channel. Louisiana Museum of Modern Art, 2026. Imagem © Louisiana Channel

Este ano também trouxe outras entrevistas que exploram a relação da arquitetura com o ofício, a arte e a observação. As arquitetas franco-marroquinas e irmãs gêmeas Salwa e Selma Mikou conversaram com o Louisiana Channel sobre a influência da arquitetura marroquina em seu trabalho, seu processo colaborativo e o interesse em colocar as tecnologias contemporâneas de construção em diálogo com as tradições artesanais. O escultor mexicano Pedro Reyes discutiu a influência da arquitetura em sua prática artística, o conceito de "escultura social" e a importância de preservar as tradições artesanais em um mundo cada vez mais automatizado. O artista, diretor e produtor australiano Liam Young compartilhou suas visões de futuro, desde a consolidação da arquitetura como uma indústria boutique até a necessidade de um novo tipo de "punk planetário" na escala da crise climática. E o arquiteto japonês Tsuyoshi Tane refletiu sobre a arquitetura como uma disciplina de observação e pensamento, defendendo que o projeto significativo surge da leitura atenta dos vestígios deixados em um local.

Nota da redação: Este artigo foi publicado originalmente em 1º de maio de 2026. 

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Sobre este autor
Cita: Antonia Piñeiro. ""A beleza em si é perigosa": Xu Tiantian fala sobre ir além da "starchitecture" em entrevista ao Louisiana Channel" ["Beauty in Itself Is Dangerous:" Xu Tiantian on Moving Beyond Starchitecture in Louisiana Channel Interview] 02 Out 2026. ArchDaily em Português. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/pt/1093461/a-beleza-em-si-e-perigosa-xu-tiantian-sobre-ir-alem-do-starchitecture-em-entrevista-ao-louisiana-channel> ISSN 0719-8906

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