Durante o mês de julho e até 19 de agosto, a galeria Aedes – Architecture and Space em Berlim apresentará a exposição "A Structure of Feeling: On a New Generation of Architects in China". Fundada em 1980, a Aedes é uma instituição cultural sem fins lucrativos. Com foco nas interseções entre arquitetura, cidade e sociedade, sua programação pública contínua já apresentou cerca de 600 exposições ao longo de mais de quatro décadas de atuação. Em 2001, o espaço apresentou TUMU, uma exposição que chamou a atenção internacional para uma geração de jovens arquitetos/as chineses/as independentes. Vinte e cinco anos depois, "A Structure of Feeling" exibe o trabalho de uma nova geração que atua sob condições distintas. Nove escritórios estão representados por meio de doze projetos que transformam a malha urbana existente, o desenvolvimento rural e as formas contemporâneas de produção espacial.
O Studio Libeskind, em colaboração com a HJ Design Partners e o escritório de Seul SAMOO Architects & Engineers, projetou um novo empreendimento residencial de alta densidade em Seul, Coreia do Sul. O Projeto de Redesenvolvimento Daechi Ssangyong 1 substitui um complexo existente de cinco edifícios e 630 unidades em Daechi-dong, Gangnam-gu, por seis novas torres residenciais com até 49 andares e quase 1.000 unidades habitacionais. O empreendimento está sendo desenvolvido para a Daechi Ssangyong 1 Redevelopment Union pela Samsung C&T, com previsão de início das obras em 2027 e conclusão em 2030.
Vista aérea sul da Ilha Al Maha, 2026. Render. Imagem cortesia de Herzog & de Meuron
A Ilha Al Maha é uma ilha artificial de 230.000 m² localizada na costa de Lusail, no Catar. Desenvolvida como um destino de lazer e entretenimento ao norte de Doha, ela foi inaugurada em 2022, pouco antes da Copa do Mundo da FIFA. Em 2024, a Qatar Museums divulgou as primeiras renderizações do futuro Museu de Lusail, projetado pelo escritório de arquitetura suíço Herzog & de Meuron e situado na ponta sul da ilha. Recentemente, a empresa revelou imagens atualizadas do plano diretor da ilha e do projeto exterior do museu. O novo Museu de Lusail abrigará uma coleção de arte orientalista, explorando o movimento de pessoas e ideias pelo mundo, no passado e no presente, além de oferecer oportunidades de estudo e debate sobre questões globais contemporâneas. Espera-se que o edifício se torne a âncora cultural de Lusail City, em uma estrutura concebida por Jacques Herzog como "um souk estratificado verticalmente, ou uma cidade em miniatura contida em um único edifício".
Em junho de 2026, o reformado Teatro Mauri reabriu suas portas no Cerro Bellavista, em Valparaíso, que já foi o principal porto do Chile. O edifício faz parte do legado modernista da América Latina e fica ao lado de La Sebastiana, uma das renomadas residências do poeta Pablo Neruda. O projeto foi concebido pelo arquiteto Alfredo Vargas Stoller, autor de outros ícones da arquitetura moderna em Valparaíso, como o Edificio Cooperativa Vitalicia e o Conjunto de Viviendas Vargas em Viña del Mar. O Teatro Mauri foi inaugurado em 1951 como um espaço para espetáculos e cinema. Após um incêndio no início dos anos 1990, o edifício entrou em declínio, servindo apenas esporadicamente como espaço para festas e eventos locais. Em 2015, foi adquirido pela Sociedad Chilena de Autores e Intérpretes (SCD), que encomendou sua restauração aos/às arquitetos/as Laura Garrido e Gregorio Garretón.
O conceito de museu historicamente suscita reflexões sobre identidade, representação e estruturas institucionais. Atualmente, os museus são concebidos como espaços cada vez mais complexos, que combinam áreas de exposição com outras funções culturais e educativas, estimulando o engajamento cívico, a experimentação artística e a responsabilidade arquivística. Ao longo deste ano, inúmeros projetos de museus foram anunciados e avançaram em várias regiões do mundo, com cronogramas de conclusão que se estendem, em sua maioria, de 2026 a 2030. A essa variedade soma-se a ampla gama de conceitos desenvolvidos no campo das ideias, propostas e especulações. É nesse território que se insere esta seleção de projetos enviados pela comunidade de leitores do ArchDaily: propostas cujos desenhos expandem os limites da nossa imaginação.
Esta semana foi dedicada às artes, com a arquitetura cultural dominando as manchetes em todo o mundo. Edifícios emblemáticos de grandes instituições alcançaram marcos importantes de construção e projeto, desde a Ópera de Xangai até o novo centro de artes cênicas de Abu Dhabi, ao mesmo tempo em que duas novas encomendas de museus foram anunciadas após concursos internacionais. A arquitetura também assumiu o papel de protagonista como tema de exposição em si mesma, com a Trienal de Arquitetura de Sharjah revelando sua lista de participantes e a Áustria apresentando sua proposta para a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2027. Além dessas novidades, o compilado de notícias desta semana inclui três futuros projetos de desenho urbano: em Seul, Coreia do Sul, um novo bairro à beira-rio no distrito de Apgujeong integra torres residenciais a áreas de parque que conectam a cidade ao Rio Han; em Cardiff, País de Gales, uma ponte de pedestres e ciclistas sobre o Rio Taff conecta bairros costeiros a novas habitações à beira-mar; e em Bengaluru, no sul da Índia, o Museu de Arte e Fotografia está expandindo seu campus público, adicionando novas instalações cívicas e culturais, além de um grande parque de esculturas localizado em uma Reserva da Biosfera da UNESCO em Tamil Nadu.
Um novo espaço dedicado à arte contemporânea na Île Seguin, na região metropolitana de Paris, será inaugurado em outubro de 2026. A nova instituição cultural, batizada de "Large", será abrigada em um edifício projetado pela equipe de arquitetura catalã e vencedora do Prêmio Pritzker RCR Arquitectes, marcando o primeiro projeto do escritório em Paris. O complexo está situado na La Pointe des Arts, uma grande reconfiguração da antiga área industrial da Île Seguin em um empreendimento de uso misto com mais de 53.000 m², focado em arte e cultura. A volumetria arquitetônica do projeto segue o conceito de estratificação definido no plano diretor do escritório Ateliers Jean Nouvel. A instituição abrirá as portas com a exposição "Imaginary Engine: From Masterpieces of the Collection Renault to Artists of Today", que reunirá 55 artistas de 23 países para explorar a relação entre a humanidade e as máquinas, em uma homenagem à história industrial do local e à colaboração de décadas da Renault com artistas.
"Mapear o Novo Mundo" é o lema do Projeto PLATEAU, liderado pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão (MLIT), para desenvolver e expandir o acesso a modelos 3D que representam a diversidade das cidades de todo o país. O Japão é composto por um total de 744 cidades, incluindo 14 com populações que superam um milhão de habitantes, 190 com população entre 100 mil e um milhão, e 540 com populações entre 10 mil e 100 mil habitantes. Até o momento, modelos 3D de mais de 250 cidades foram disponibilizados como dados abertos por meio do Centro de Informações G-Espaciais público do país, podendo também ser acessados através de um visualizador online no navegador. Segundo as autoridades públicas, o projeto visa fortalecer a resiliência urbana ao fornecer à sociedade novas ferramentas para enfrentar desafios locais. Isso envolve não apenas a modelagem do espaço urbano, mas também a colaboração com governos locais, empresas privadas e comunidades de tecnologia. O projeto inclui ainda uma reconstrução digital do local da recém-encerrada Expo Mundial de Osaka.
O espaço público é frequentemente compreendido como um local que não pertence a ninguém em particular — coletivamente acessível, porém mantido por instituições. No entanto, um número crescente de iniciativas vem desafiando essa premissa ao testar modelos de gestão compartilhada e propriedade distribuída. Em Paris, o projeto Adoptez un banc introduz uma abordagem baseada em patrocínio, permitindo que pessoas e grupos apoiem financeiramente e assumam, de forma temporária e simbólica, a responsabilidade por mobiliários públicos históricos, sem comprometer seu uso coletivo. Em outros pontos da cidade, hortas comunitárias que operam sob a estrutura do programa Main Verte demonstram um modelo de autogestão, no qual proprietários de terras públicos e privados mantêm a titularidade dos terrenos, mas delegam o controle cotidiano a associações de cidadãos/ãs para produção de alimentos e uso compartilhado. Em Nova York, o projeto Common Corner representa um terceiro caminho, fundamentado na colaboração institucional e no design participativo, em que agências públicas, organizações sem fins lucrativos, designers e moradores/as coproduzem o espaço público no contexto da habitação social. Juntos, esses três casos sugerem que o cuidado, a autoria e a responsabilidade podem ser distribuídos entre cidadãos/ãs e instituições, gerando ambientes urbanos mais resilientes e conectados à realidade local.
"A equidade de gênero continua sendo um problema persistente na arquitetura. As arquitetas representam cerca de um terço ou menos da profissão em todo o mundo." Esta é a declaração de abertura do documentário Transnational Narratives: A Documentary Celebrating South Asian Women in Architecture, fruto da 4ª Bolsa Lilly Reich para a Igualdade na Arquitetura. A bolsa, uma iniciativa da Fundació Mies van der Rohe, promove a igualdade de acesso a oportunidades na prática arquitetônica e apoia o estudo e a disseminação de contribuições para a arquitetura que foram injustamente invisibilizadas. Nesse contexto, o documentário, concebido pela Dra. Igea Troiani, pela Dra. Mamuna Iqbal, pela artista e pesquisadora Paula Roush e pela cineasta Rime Tsujino, traz visibilidade às experiências de seis arquitetas de origem sul-asiática: Sumita Singha, Chitra Vishwanath, Sara Khan, Fauzia Qureshi, Sajida Vandal e Neelum Naz, cujas trajetórias profissionais abrangem a Índia, o Paquistão e o Reino Unido.
Projeto Dar al Funoon Abu Dhabi por Frank Gehry. Imagem cortesia do Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi
O Dar al Funoon Abu Dhabi, a nova instituição de artes performáticas projetada pelo falecido arquiteto Frank Gehry, está entre suas obras finais. Com nome que se traduz como "Casa das Artes", o edifício de destaque, encomendado pelo Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi, foi projetado para ser um polo global de artes performáticas e tem previsão de inauguração para 2030. O projeto se soma ao portfólio de Gehry no emirado, que também inclui o futuro Guggenheim Abu Dhabi, e dá sequência à nomeação da cidade como Cidade Criativa da Música pela UNESCO em 2021.
O projeto desenvolvido por CRA-Carlo Ratti Associati, Park Associati, Politecnica Building for Humans, Openfabric, DOTDOTDOT, Studio Mattioli e Eckersley O'Callaghan foi selecionado para projetar o novo Hospital Geral e o Hospital Infantil em Brescia, na Itália. O mandato do concurso internacional previa a requalificação de um hospital existente, preservando e ampliando a planta radial concebida pelo engenheiro Angelo Bordoni no início do século XX. O complexo de saúde existente, Spedali Civili di Brescia, segue um plano diretor hexagonal e uma disposição radial que orientam o novo desenho das instalações. A geometria é reinterpretada para atualizar o campus voltado a futuros modelos de assistência à saúde, desenhando em seu entorno um novo anel de serviços (CareRing) que conecta pessoas, natureza e saúde por meio dos princípios da "One Health" (Saúde Única) — a ideia de que a saúde humana, a saúde ambiental e o bem-estar social são indissociáveis.
A 15ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (BIAsp), programada para ocorrer em setembro e outubro de 2027, anunciou a dupla de profissionais da arquitetura Gabriela de Matos e Pedro Rossi na curadoria-geral do evento. Dando continuidade à edição anterior, sob o tema Extremos: Arquiteturas para um mundo quente, espera-se que a dupla traga perspectivas críticas sobre arquitetura, cultura e cidade para o tema Arquitetura, Cultura e Soberania. O papel de ambos/as será coordenar o desenvolvimento conceitual da Bienal, definir a equipe de curadoria e realizar uma chamada pública para co-curadores/as.
Dallas City Hall, Texas. Imagem via World Monuments Fund
Por ocasião do 250º aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos, o World Monuments Fund anunciou uma nova lista de dez locais históricos que representam a história do país. A iniciativa especial, intitulada "Irreplaceable America" (América Insubstituível), reconhece locais históricos em todo o país cuja preservação é considerada "essencial para a riqueza e a complexidade da história americana", destacando necessidades urgentes de conservação. Do jardim botânico mais antigo do país ao modernista Dallas City Hall, de I.M. Pei, os locais selecionados testemunham o patrimônio indígena, a experimentação artística e a história colonial, da saúde pública e da população negra.
Os escritórios internacionais Studio Gang e Henning Larsen concluíram o One Milestone, da incorporadora Breakthrough Properties. O empreendimento voltado para as ciências da vida faz parte da primeira fase do Enterprise Research Campus (ERC) — desenvolvido pela Tishman Speyer e pela Harvard Allston Land Company —, um distrito de uso misto de 14 acres (cerca de 5,6 hectares) no bairro de Allston, em Boston. Localizado na extremidade sudoeste do ERC, o One Milestone foi concebido como um centro de criatividade, ciência e empreendedorismo. Seu recém-inaugurado complexo de dois edifícios, que soma 47.380 m², foi projetado para atender à comunidade científica da Grande Boston. Os dois escritórios começaram a colaborar no projeto em 2019, com o codesenho de um plano diretor estratégico, iniciando as obras do One Milestone em 2023.
O UIA 2026, 29ª edição do evento internacional trienal de debate arquitetônico organizado pela União Internacional de Arquitetos, abriu suas portas no domingo, 28 de junho, com um evento inaugural realizado em Three Chimneys, uma antiga usina termoelétrica em Sant Adrià de Besòs. Cada edição do congresso foca em um tema urgente e relevante para a profissão, articulado por meio de um eixo central. O tema de 2026 é "Becoming. Arquiteturas para um Planeta em Transição", propondo uma visão ampla e crítica sobre os futuros possíveis da arquitetura. O evento acontece até 2 de julho de 2026, de forma distribuída por diversas sedes e contextos urbanos. Com uma abordagem multidisciplinar, Barcelona, Capital Mundial da Arquitetura UNESCO 2026, deve se tornar um laboratório e polo global para debater as próximas transições ecológicas, sociais, materiais e culturais.
Três décadas após sediar o evento pela primeira vez, Barcelona volta a ser o palco do debate global da disciplina. O Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026 em Barcelona pretende reunir 10.000 profissionais, estudantes e representantes institucionais de mais de 130 países. Os debates abordam temas como a emergência climática, a crise habitacional, a circularidade e sustentabilidade dos materiais, e a evolução do espaço público em grande e pequena escala, bem como tópicos mais específicos, como o papel e a responsabilidade futura das premiações de arquitetura ou conferências dedicadas às inundações causadas pelo fenômeno DANA em Valência. A programação diária será marcada por duas sessões plenárias por dia, no início (09h00) e no encerramento (16h45).
Diante da realidade de que as mudanças climáticas estão tornando as cidades cada vez mais inabitáveis, a população se depara com a escolha de abandonar ou transformar seus ambientes. Os projetos não construídos reunidos neste artigo oferecem alternativas transformadoras para cidades mais habitáveis, combinando estratégias de construção, arquitetura e paisagismo em parques urbanos e espaços intersticiais suburbanos. Funcionando como laboratórios ecológicos, essas propostas incorporam uma perspectiva multiespécies ao processo de projeto, adotando uma concepção de tempo mais adequada ao desenvolvimento dos ecossistemas.