Campo agrícola Waru Waru. Imagem via World Monuments Fund
O Dia Internacional da Mãe Terra da Organização das Nações Unidas, celebrado anualmente em 22 de abril, tem como objetivo "promover a harmonia com a natureza e com a Terra". Diante da urgência imposta pelas mudanças climáticas, a data busca conscientizar sobre os desafios de preservar todas as formas de vida sustentadas pelo planeta. Trata-se de um chamado à comunidade global para salvaguardar a biodiversidade, buscando equilibrar os sistemas econômicos, sociais e ecológicos. Crimes contra a biodiversidade incluem práticas de grande escala, como desmatamento, mudança no uso do solo, agricultura intensiva, pecuária e comércio ilegal de animais silvestres, todos considerados pela ONU como fatores aceleradores da destruição do planeta.
RICA, MASS Design, Ruanda. Imagem cortesia de Pan-African Biennale (PAB)
Nesta semana, a arquitetura apresenta novas visões de futuro em um cenário geograficamente diverso, com projetos emblemáticos e iniciativas de renovação surgindo na Arábia Saudita, Taiwan, Bahrein, Alemanha, Itália, Austrália, Marrocos e Burundi. Novas plataformas para discutir o futuro urbano destacam a descolonização e a crise climática como prioridades centrais para a prática arquitetônica contemporânea. Ao mesmo tempo, perspectivas contrastantes sobre a regeneração urbana se refletem tanto na demolição de estruturas emblemáticas recentes quanto na transformação em larga escala de antigas áreas industriais. Em outra frente, os Jogos Olímpicos continuam a atuar como catalisadores para a produção arquitetônica, como demonstra a proposta de um novo centro esportivo na Austrália para Brisbane 2032. Esse impulso coincide com importantes desenvolvimentos de infraestrutura internacional na África, incluindo um novo terminal aeroportuário no Marrocos, bem como projetos que repensam espaços de pesquisa e engajamento público, como o novo edifício para o Fórum da Língua Alemã.
No dia 21 de maio, uma caverna realista tomou forma na Pont Neuf, em Paris, a ponte mais antiga ainda de pé sobre o rio Sena. A obra de arte inflável foi projetada e construída pelo fotógrafo e artista de rua francês JR, juntamente com uma ampla equipe multidisciplinar. La Caverne du Pont Neuf foi concebida em homenagem a The Pont Neuf Wrapped, obra de 1985 de Christo e Jeanne-Claude, uma intervenção artística ambiental na qual a dupla de artistas envolveu a histórica ponte em um tecido cor de arenito por duas semanas. A estrutura cria um efeito trompe-l'œil que simula uma formação rochosa texturizada por meio de impressão fotográfica em tons de branco, preto e cinza. O formato do exterior já oferece ao público a ilusão de ótica da obra, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para a etapa final do projeto de interiores.
Abordando uma grande variedade de temas, as principais notícias desta semana refletem a amplitude da prática arquitetônica: seu potencial para responder à crise climática, a construção e renovação de infraestruturas culturais pelo mundo e eventos que promovem a reflexão disciplinar contemporânea. Isso também levanta questionamentos sobre a contradição entre as habilidades técnicas e criativas exigidas pela disciplina e o papel que ela passou a ocupar no mercado atual. Além dessas reflexões, apresentamos esta semana projetos que reforçam o significado cultural da arquitetura na preservação do conhecimento, no entretenimento coletivo e no suporte a novas formas de habitar: um museu de histórias em quadrinhos em Taiwan, um clube de membros para famílias em Londres e a renovação de um estádio emblemático em Riade.
Uma discussão coletiva intitulada "Beyond Recognition: Exploring the Role of Architectural Awards" ("Além do Reconhecimento: Explorando o Papel dos Prêmios de Arquitetura") acontece no dia 29 de junho em Barcelona, por ocasião do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026. O debate parte da convicção de que, no contexto atual de aceleração dos desafios globais, o papel das premiações de arquitetura precisa evoluir. O evento dá continuidade à conversa iniciada durante a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, na qual a relevância das premiações foi questionada, abrindo caminho para um novo debate sobre como os prêmios de arquitetura podem contribuir para moldar a prática, as instituições e o discurso público. As sessões de discussão são organizadas por representantes de importantes prêmios internacionais: o Aga Khan Award for Architecture, o Ammodo Architecture Award, o EUmies Awards, o Holcim Foundation Awards, o Mies Crown Hall Americas Prize e o OBEL Award, contando também com a participação de figuras de destaque no campo da arquitetura e do design.
A 20ª edição do DAM Preis 2026 foi concedida ao escritório Peter Grundmann Architekten pelo ZK/U Center for Art and Urbanistics, um projeto de reutilização adaptativa em Berlim, Alemanha. O projeto transforma um antigo galpão de um único pavimento em uma estação de carga em Berlin-Moabit em um local de encontro cultural. O júri reconheceu a abordagem transformadora do escritório, destacando o uso de uma quantidade de trabalho manual acima da média e um orçamento modesto para envolver o galpão existente em uma estrutura leve de aço e vidro e adicionar um pavimento extra. Desenvolvido em estreita colaboração com a associação sem fins lucrativos KUNSTrePUBLIK e. V., o projeto apoia uma ampla programação pública estabelecida na antiga estação de carga desde 2012, incluindo exposições, performances, residências artísticas, oficinas de reparo, feiras de bairro e exibições públicas. O escritório Peter Grundmann Architekten foi selecionado por meio de um processo de licitação em nível europeu e contratado para construir a aclamada ampliação em 2019.
World Monuments Fund (WMF) é uma organização independente dedicada a salvaguardar lugares significativos que enriquecem a vida das pessoas e promovem o entendimento mútuo entre culturas e comunidades. Desde 2008, o Prêmio de Modernismo World Monuments Fund/Knoll é uma distinção bienal que reconhece conquistas notáveis na conservação de edifícios emblemáticos do movimento arquitetônico modernista. O prêmio homenageia pessoas e organizações que revitalizam o patrimônio construído moderno por meio de intervenções arquitetônicas inovadoras e sensíveis.
Em 22 de janeiro de 2026, o WMF e a Knoll anunciaram o escritório de arquitetura australiano Architectus como o vencedor do Prêmio de Modernismo World Monuments Fund/Knoll de 2026 pela conservação do histórico Africa Hall das Nações Unidas em Adis Abeba, na Etiópia. O júri reconheceu o projeto por restabelecer uma obra significativa do modernismo africano como um espaço ativo para a diplomacia e o intercâmbio cultural. Além do prêmio principal, o júri também concedeu à Umbrella House, projetada por Paul Rudolph em Sarasota, Flórida, Estados Unidos, o Prêmio de Tutela para Residências Modernistas (Stewardship Award for Modernist Homes).
O Museu de Arte Contemporânea de Kumamoto e o Shoei Yoh Archive da Universidade de Kyushu homenageiam o falecido arquiteto japonês Shoei Yoh com uma exposição em cartaz no museu até 9 de março. O arquiteto, que faleceu em 8 de janeiro de 2026, nasceu em Kumamoto em 1940 e, ao longo de sua carreira, atuou nas áreas de design de produto, interiores e arquitetura. Ele é reconhecido como pioneiro na construção contemporânea em madeira e por suas contribuições iniciais ao design computacional. A exposição revisita seus projetos em Kumamoto por meio de desenhos e maquetes do Shoei Yoh Archive da Universidade de Kyushu.
Sordo Madaleno, em colaboração com o építész stúdió e a Buro Happold, foi selecionado para projetar o Novo Centro de Acervos de Debrecen, com 43 mil metros quadrados, destinado ao Museu Húngaro de História Natural. Debrecen, a segunda maior cidade da Hungria, passa atualmente por um expressivo desenvolvimento urbano e universitário, que inclui planos para transferir o Museu Húngaro de História Natural de Budapeste para as proximidades da Grande Floresta de Debrecen. O Centro de Acervos proposto foi concebido como uma instalação dedicada ao armazenamento controlado e ao estudo de mais de 11 milhões de objetos, inspirando-se conceitualmente nos tradicionais vasos de argila húngaros, estruturas historicamente utilizadas para proteção e preservação. O projeto representa a primeira encomenda cultural na Europa para o escritório de arquitetura mexicano, que possui sedes em Londres e na Cidade do México.
O escritório MVRDV , sediado em Roterdã, anunciou um novo marco no desenvolvimento das suas Torres Tour & Taxis, um projeto de uso misto em Bruxelas, Bélgica. O projeto foi encomendado pela investidora e incorporadora imobiliária Nextensa em 2021, no âmbito de um masterplan de zoneamento específico também desenvolvido pelo MVRDV. O projeto de duas torres combina escritórios, habitação e comodidades públicas em uma área de 58.000 m², consolidando-se como um marco no bairro e atingindo 126 metros de altura em seu ponto mais alto. Com a licença de construção recém-concedida, a proposta foi concebida para reduzir o carbono incorporado por meio do uso de uma estrutura híbrida e elementos leves de fachada, com o objetivo de minimizar o uso de concreto tanto na estrutura quanto nas fundações. Desde as etapas iniciais, a equipe de arquitetura utilizou seu software CarbonSpace para orientar essas decisões.
O The Egg é um centro de artes cênicas localizado em Albany, na Empire State Plaza de Nova York, projetado pelo escritório norte-americano Harrison & Abramovitz. A construção teve início em 1966 e foi concluída doze anos depois, em 1978, com o objetivo de acolher uma ampla programação de eventos culturais e espetáculos para a população do Estado de Nova York. Inspirada no modernismo brasileiro, a estrutura de concreto em forma de cúpula semelhante a um ovo se destaca como um contraponto marcante em meio a um conjunto urbano de caráter racional. Cercado pelas torres do governo estadual implantadas em uma grande praça aberta e revestidas de pedra, o concreto aparente do edifício, sua forma aparentemente suspensa e sua geometria curva acentuada o posicionam como um exemplar tardio do brutalismo modernista. Atualmente, o espaço passa por uma restauração e, após seis meses de obras, deve reabrir em 8 de janeiro de 2026, apresentando-se como um local "renovado e reinventado".
Entre 23 de junho e 30 de agosto de 1988, o Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York realizou uma exposição intitulada Deconstructivist Architecture, como parte de um programa "concebido para examinar os desenvolvimentos recentes na arquitetura". Com curadoria de Philip Johnson e Mark Wigley, a mostra focou no trabalho contemporâneo de sete profissionais internacionais da arquitetura: Coop Himmelblau, Peter Eisenman, Frank Gehry, Rem Koolhaas, Daniel Libeskind, Bernard Tschumi e uma jovem Zaha M. Hadid. Aos 37 anos, seu trabalho foi apresentado ao mundo como um exemplo do "surgimento de uma nova sensibilidade na arquitetura". O material em exibição não era uma maquete ou um desenho técnico, mas sim uma pintura, The Peak, enviada para um concurso de arquitetura em Hong Kong em 1983. A partir desse ponto de partida, sua contribuição para a área se aprofundou nas mesmas linhas reconhecidas na época de sua inclusão na mostra: o desenvolvimento de uma linguagem arquitetônica distinta, matemática e, em suas próprias palavras, "fluida", além de sua ascensão como uma figura feminina de destaque em um campo historicamente dominado por homens.
O recém-inaugurado Limbo Museum em Acra, Gana, apresentou no dia 12 de março uma instalação arquitetônica em duas partes realizada pelo TAELON7, liderada pelo/a arquiteto/a Juergen Benson-Strohmayer. A instalação foi encomendada pelo museu em parceria com o Art Omi, um centro de artes sem fins lucrativos no Hudson Valley, em Nova York. O projeto é a primeira comissão de uma colaboração entre as duas instituições e será instalado em ambos os locais, Acra e Nova York. Titulada Limbo Engawa, a estrutura modular e leve dialoga com o edifício brutalista anteriormente abandonado que abriga o museu, transformando sua estrutura de concreto esquelética e o terreno ao redor em espaços de uso, cuidado e encontro. O projeto propõe uma reflexão sobre os limites entre a arquitetura urbana inacabada e a paisagem, destacando o trabalho e a gestão muitas vezes invisíveis nos contextos urbano e institucional, e afirmando que mesmo locais incompletos ou negligenciados são repletos de possibilidades cívicas.
O Festival Concéntrico 2026 acontecerá em Logroño, Espanha, de 18 a 23 de junho, transformando a cidade em um laboratório em grande escala para a arquitetura, o design e a experimentação urbana. Ao longo de seis dias, mais de vinte intervenções serão distribuídas por praças, terrenos baldios, ruas, pontes e espaços emblemáticos de toda a cidade, reunindo importantes escritórios, pesquisadores/as e criadores do cenário internacional, incluindo o arquiteto chileno Smiljan Radić, o coletivo raumlabor, Matilde Cassani, AAU Anastas e Sahra Hersi, entre outros/as. Esta edição apresenta uma transição em direção a práticas mais coletivas, festivas e performáticas no espaço público, com forte ênfase em experiências sonoras e projetos vinculados à acessibilidade, inclusão e transformação urbana. A programação se estrutura em torno de três eixos temáticos: Identidade e Ficção, Ecologias Urbanas e Agentes Efêmeros, abrangendo desde arquiteturas que compreendem o espaço público como ritual ou celebração até abordagens experimentais que exploram materiais, som e processos de reutilização.
Projeto de revitalização do Centro Comercial de Montparnasse e da Torre CIT, 2026. Imagem cortesia de RPBW
A compilação de notícias desta semana começa com duas celebrações internacionais, o Dia Internacional da Energia Limpa e o Dia Internacional da Educação, juntamente com uma importante descoberta arqueológica em Fano, Itália, onde escavações revelaram uma basílica descrita por Vitrúvio, conectando o discurso arquitetônico contemporâneo com uma profunda continuidade histórica. No panorama mais amplo das notícias de arquitetura desta semana, surge um tema central em torno do avanço de uma arquitetura cívica concebida como infraestrutura aberta e voltada ao público, com projetos culturais e institucionais cada vez mais desenhados para fortalecer sua relação com a cidade e com a vida urbana cotidiana. Ao mesmo tempo, as atenções globais se voltam novamente para a África, onde infraestruturas de transporte em grande escala e a conservação de marcos modernistas refletem o interesse na região e a reavaliação do patrimônio arquitetônico do continente. Complementando essas narrativas, os destaques desta semana também incluem um novo modelo para distritos urbanos sem carros, paisagens públicas de cocriação baseadas no conhecimento indígena e um empreendimento residencial que responde ao contexto regional, refletindo como a arquitetura está negociando o espaço público, a responsabilidade cívica e a identidade territorial em diversas geografias.
Dallas City Hall, Texas. Imagem via World Monuments Fund
Por ocasião do 250º aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos, o World Monuments Fund anunciou uma nova lista de dez locais históricos que representam a história do país. A iniciativa especial, intitulada "Irreplaceable America" (América Insubstituível), reconhece locais históricos em todo o país cuja preservação é considerada "essencial para a riqueza e a complexidade da história americana", destacando necessidades urgentes de conservação. Do jardim botânico mais antigo do país ao modernista Dallas City Hall, de I.M. Pei, os locais selecionados testemunham o patrimônio indígena, a experimentação artística e a história colonial, da saúde pública e da população negra.
O escritório de arquitetura vencedor do Prêmio Pritzker Herzog & de Meuron divulgou novas imagens que mostram o avanço das obras do Memphis Art Museum, com abertura prevista para dezembro de 2026. Funcionando atualmente como Memphis Brooks Museum of Art, a instituição é o mais antigo e o maior museu de arte do estado do Tennessee, nos Estados Unidos, com um acervo de mais de 10.000 obras que abrangem desde a arte antiga até a contemporânea. Encomendado em 2019, o projeto marca a transferência do museu para um novo local no centro de Memphis (Downtown Memphis), ao longo da escarpa do Rio Mississippi. As primeiras imagens do novo campus cultural, projetado pelo Herzog & de Meuron em conjunto com o escritório técnico de arquitetura archimania e projeto paisagístico do escritório OLIN, foram publicadas em 2021. O museu, com aproximadamente 11.500 metros quadrados, ampliará a área de galerias em 50% e trará amplos espaços gratuitos e de livre acesso ao público, concebidos como um convite aberto à cidade.