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A necessidade como invenção: O laboratório de renovação da Irlanda

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A paisagem e os assentamentos dispersos da Irlanda são conhecidos por sua natureza indômita. Despenhadeiros escarpados encontram o Atlântico, campos verdes se estendem pelo interior e a chuva e o vento transformam o cenário a cada hora. Um olhar mais atento revela um território trabalhado, onde muros históricos de pedra dividem campos agrícolas, estradas e caminhos conectam cidades ao litoral, e ruínas de castelos ao lado de chalés registram séculos de ocupação. A mudança é a condição inerente da ilha, moldada tanto por mãos humanas quanto pela geologia e pelo clima, e a prática de tratar o contexto existente como matéria-prima para adaptação e modificação é algo profundamente enraizado.

A Irlanda possui um vasto patrimônio edificado herdado, que vai de chalés vernáculos e complexos agrícolas a casarios urbanos georgianos e vitorianos, ao passo que uma parcela crescente desse acervo permanece vazia ou abandonada, em um momento no qual a habitação segue escassa e cara. As diretrizes de planejamento e de preservação do patrimônio definem o que pode ser alterado, enquanto a crescente atenção ao carbono incorporado torna a demolição cada vez mais difícil de se justificar. Diante dessas pressões, as estratégias projetuais de reforma configuram uma das áreas mais inventivas do design irlandês contemporâneo. Arquitetos/as intervêm em estruturas antigas para permitir a entrada de luz, justapõem novos materiais aos antigos e redesenham edifícios para as vidas e rotinas contemporâneas.

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A cadeira de escritório ergonômica na era da Inteligência Artificial

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A cadeira de escritório evoluiu ao longo do tempo acompanhando as transformações nos espaços de trabalho. Em cada era do ambiente de trabalho, a cadeira refletiu a forma como as pessoas trabalham. Os primeiros assentos de escritório eram voltados para o trabalho administrativo clássico: cadeiras de madeira fixas dispostas em fileiras em grandes escritórios, onde o processamento de papéis seguia rotinas padronizadas. Na década de 1980, os computadores começaram a transformar a maneira como as pessoas ocupavam as mesas, e o mobiliário corporativo acompanhou essa mudança. Designers passaram a abordar os assentos sob a ótica da ergonomia e da biomecânica, aprimorando o ajuste de altura, o suporte lombar, a inclinação sincronizada e a relação entre o corpo e a estação de trabalho. Posteriormente, profissionais do design combinaram pesquisas ergonômicas com novos materials, como telas tensionadas respiráveis em substituição ao estofamento tradicional de espuma.

América Latina em Foco: Este Mês em Arquitetura, Habitar, Memória e Intercâmbio Cultural

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A arquitetura na América Latina neste mês reflete um diálogo contínuo sobre o habitar, o patrimônio cultural e as maneiras pelas quais a arquitetura pode conectar a vida contemporânea com lugares e saberes existentes. Da Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires e iniciativas voltadas a práticas construtivas tradicionais e ao patrimônio arqueológico, passando por novas infraestruturas culturais e projetos habitacionais na Argentina, no Equador e no Peru, os desdobramentos recentes destacam diferentes abordagens para trabalhar com os contextos locais. Em toda a região, questões de memória, comunidade, paisagem e prática material continuam a moldar tanto projetos arquitetônicos quanto discussões mais amplas sobre como as cidades e os territórios são habitados.

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O Pavilhão de Luxemburgo examina o consumo excessivo de espaço habitacional por meio de "Excess!" na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2027

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Um júri de profissionais das artes e da arquitetura anunciou recentemente a proposta curatorial selecionada para o Pavilhão de Luxemburgo na Biennale Architettura 2027. A exposição terá curadoria da especialista em habitação Céline Zimmer e dos/as arquitetos/as Bùi Quý Sơn e Paul-Antoine Lucas, cofundadores/as do escritório de prática espacial crítica Exutoire, um dos premiados no ArchDaily 2026 Next Practices Awards. A proposta é intitulada "Excess! On the Overconsumption of Living Space" e aborda a distribuição desigual do espaço habitacional como um reflexo de "hábitos mais amplos de excesso que contribuem para as atuais crises ecológica e de moradia". O tema será ilustrado por meio de um diálogo entre as realidades de Luxemburgo e do Vietnã para refletir sobre o consumo espacial. O Pavilhão de Luxemburgo está localizado no primeiro andar da Sale d'Armi, no Arsenale, que será aberto ao público para a Bienal em 8 de maio de 2027.

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Como os projetos vencedores do concurso Iceland Slow Sauna da Buildner respondem a uma paisagem vulcânica

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Buildner anunciou os resultados do concurso de arquitetura Iceland Slow Sauna, desenvolvido em parceria com a Slow Travel Mývatn. Localizado ao lado da Þúfa – Private Homestay, na paisagem vulcânica do Lago Mývatn, no norte da Islândia, o concurso convidou arquitetos/as e designers a criarem um refúgio compacto que combinasse sauna e estufa em uma única experiência arquitetônica. Baseado na tradição islandesa do banho como um ritual de quietude e renovação, o edital pedia aos/às participantes que explorassem como o calor, a luz, a vegetação e a paisagem poderiam moldar um espaço íntimo de recuperação e conexão com a natureza.

Liberdade e Arquitetura: Anneke Abhelakh sobre "The Albanian Files"

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Nas últimas duas décadas, a Albânia tem sido um dos territórios de construção mais ativos da Europa. Dezenas de arquitetos e arquitetas internacionais têm trabalhado no país em projetos que prometem alterar o desenho, a estrutura e as cidades de uma nação que ainda se recupera dos regimes do século passado. Reconhecer esse crescimento e essas transformações na paisagem significa também admitir que, por trás de cada forma, há uma história, e que existem arquivos capazes de nos dizer mais do que a própria arquitetura.

Editado por Anneke Abhelakh e publicado pela Lars Müller Publishers, com prefácio do primeiro-ministro Edi Rama, The Albanian Files compila duas décadas de trabalho de sessenta escritórios internacionais de arquitetura na Albânia. Trata-se de uma publicação densa cujo formato, cor e presença marcante constituem, por si só, um manifesto sobre a leitura da história recente do país. O livro funciona como um documento expandido, uma cartografia dos vestígios deixados por esses processos. Grande parte do que ganha corpo em suas páginas descreve estruturas de poder, padrões de contratação e posicionamentos cujas consequências se revelaram controversas. Revelar é um gesto de transparência, mas também um sinal de que certas coisas jamais deveriam ter sido ocultadas. A Albânia, hoje mais do que nunca — em meio a suas aspirações de abertura territorial e ao desejo crescente de se integrar ao cenário global (por meio do turismo e da perspectiva de adesão à União Europeia) —, necessita dessa clareza.

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Construir sobre solo vulcânico: A resposta da arquitetura às paisagens vulcânicas

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Paisagens vulcânicas tornam as transformações geológicas excepcionalmente visíveis. A lava se solidifica em um novo solo, e a vegetação lentamente se estabelece sobre ele. As cinzas podem permanecer na paisagem por anos. Ao redor de vulcões ativos, esses processos ainda estão em andamento, afetando onde e como as pessoas constroem.

Ainda assim, essas paisagens continuam a atrair residências e refúgios. Seu isolamento e relevo incomum costumam fazer parte do apelo. Construir ali significa inserir a vida cotidiana em uma paisagem que ainda pode se transformar.

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Farshid Moussavi recebe a Medalha Soane 2026

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Farshid Moussavi recebeu a Soane Medal de 2026 por suas contribuições para a prática, história e teoria da arquitetura. A arquiteta e educadora de origem iraniana, fundadora do escritório Farshid Moussavi Architecture (FMA) em 2011, receberá a medalha na Royal Academy, em Londres, no dia 24 de novembro de 2026, onde também fará uma palestra pública. O prêmio anual, instituído pelo Sir John Soane's Museum em 2017, reconhece indivíduos cujos trabalhos contribuíram para uma compreensão mais ampla da arquitetura e de seu papel na sociedade.

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Danish Architecture Center celebra os 90 anos do urbanista Jan Gehl com programação de atividades e exposição

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Pelo segundo ano consecutivo, Copenhague foi eleita a cidade mais habitável do mundo no Índice Global de Habitabilidade de 2026 da Economist Intelligence Unit. Segundo o Centro de Arquitetura Dinamarquês (DAC), parte desse progresso na qualidade de vida urbana se deve ao trabalho do arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, que comemora seu 90º aniversário este ano. Jan Gehl dedicou sua carreira profissional ao campo da vida urbana e do desenvolvimento urbano focado nas pessoas, fundando o escritório Gehl Architects (hoje Gehl Studio) em 2000 e publicando extensivamente sobre metodologias de desenho urbano para criar ambientes urbanos vibrantes, saudáveis e centrados no ser humano. Em homenagem ao seu aniversário, o Centro de Arquitetura Dinamarquês apresenta uma exposição e uma série de atividades focadas no papel que ele desempenhou no desenvolvimento urbano global.

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Do Jardim ao Monumento: Paisagens da Libertação nas Cidades Africanas

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A libertação nem sempre começa com um monumento. Pode começar em um jardim, quintal, clareira ou campo; na ocupação da terra e na possibilidade de se reunir ali. Ao longo de histórias moldadas pelo colonialismo e pela expropriação, o espaço tem sido mais do que o cenário onde a libertação ocorre. Ele tem sido uma de suas práticas: cultivado, ocupado, servindo de refúgio, percorrido e coletivamente refeito.

A pesquisa do escritório Wolff Architects Liberation Gardens propõe o jardim como uma forma de ler essas práticas espaciais, não simplesmente como um terreno plantado, mas como um espaço através do qual a sobrevivência, o sustento e a imaginação emancipatória podem ser mantidos. O jardim, nesse sentido, não é definido tanto pelo projeto de paisagismo, mas sim pelas relações entre as pessoas e a terra, o cultivo e o conhecimento, a ocupação e a autonomia. Ele pode abrigar a produção cultural ao lado da subsistência, além de formas de vida coletiva que emergem sob condições de violência e expropriação. A libertação, compreendida espacialmente, passa a ser tanto sobre a possibilidade de habitar de forma diferente quanto sobre alcançar uma condição final de liberdade.

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Escapismo das ruas: Como o ar-condicionado reconfigurou a cidade asiática

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Em muitas cidades asiáticas, o clima de verão pode, cada vez mais, ser vivenciado à distância. Em Hong Kong, é possível deslocar-se de uma torre de apartamentos por um shopping no embasamento, entrar no sistema de metrô (MTR), chegar sob outro complexo comercial e seguir por passarelas de pedestres fechadas ou passagens subterrâneas sem praticamente sentir a atmosfera exterior. O calor, a umidade, a chuva e a variação sazonal continuam presentes, mas podem ser amplamente contornados por meio de uma rede contínua de interiores climatizados.

Ao longo de várias décadas, o ar-condicionado deixou de ser uma tecnologia para resfriar cômodos individuais e se tornou uma infraestrutura capaz de produzir um ambiente urbano alternativo. Isso tem sido especialmente visível em partes do Leste e do Sudeste Asiático, onde o desenvolvimento orientado ao transporte (TOD) frequentemente combina estações ferroviárias, shopping centers, moradias, escritórios e outros serviços cotidianos em complexos interconectados. O modelo "Ferrovia mais Propriedade" (Railway plus Property) ajudou a institucionalizar essa relação entre transporte e desenvolvimento, criando distritos onde o deslocamento pela cidade é, muitas vezes, inseparável da circulação por espaços internos de gestão privada.

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Trienal de Arquitetura de Sharjah apresenta "Uma Jornada pelos Arquivos de Arquitetura" com foco em Bagdá, Damasco e Túnis

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A Trienal de Arquitetura de Sharjah (SAT) disponibilizou on-line os documentários completos de A Journey into Architecture Archives: Baghdad, Damascus, Tunis. Com curadoria de George Arbid, o projeto faz parte do programa de pesquisa de longo prazo da SAT voltado a documentar e salvaguardar arquivos de arquitetura em todo o mundo árabe. Os três filmes, gravados localmente em Bagdá, Damasco e Túnis, combinam pesquisa de arquivo com trabalho de campo e histórias orais, analisando como as trajetórias históricas da arquitetura são construídas, preservadas e revisitadas ao longo do tempo.

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Campanha liderada por cidadãos busca reconhecimento da UNESCO para sítios pré-coloniais selecionados em Lima, Peru

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Uma campanha liderada pela Red Lima Milenaria busca o reconhecimento da UNESCO para sítios pré-coloniais na capital peruana. Atualmente, restam mais de 600 sítios arqueológicos em Lima, uma metrópole de 11 milhões de habitantes. A campanha, movida por cidadãos/ãs, visa melhorar as condições de conservação e a conscientização pública sobre os locais que resistiram à colonização europeia, promovendo a indicação de uma seleção de estruturas para inscrição na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. A iniciativa pública foi lançada recentemente com o objetivo de reunir apoio popular e estabelecer parcerias com organizações que atuam na área do patrimônio e em campos correlatos, a fim de preparar a estrutura para uma candidatura formal a ser apresentada pelo Estado peruano. A iniciativa coincide com movimentos de reconstrução no continente que respondem à desigualdade socioeconômica e a injustiças históricas estruturais, levantando questionamentos sobre a própria definição de patrimônio.

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Histórias como recurso: como o design narrativo constrói resiliência

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Este artigo faz parte de "Thresholds", uma edição especial impressa do jornal Cobe Notes x ArchDaily.

Há duas características únicas no ser humano que nos permitiram sobreviver aos primórdios e nos espalhar por todo o planeta: suar e contar histórias. O suor ajuda a resfriar o corpo ao correr longas distâncias. As histórias nos ajudam a colaborar em grande escala e a compartilhar conhecimento entre grupos e gerações. Como profissionais da arquitetura, ainda dependemos dessas mesmas ferramentas para transformar visões em realidade.

Como aponta o professor de narrativas Angus Fletcher em seu livro Primal Intelligence, existe um equívoco comum sobre o papel das histórias: quando nosso cérebro "racional" desenvolve uma ideia que não conseguimos explicar a um grupo maior, nós a envelopamos em uma história e, de repente, todos a compreendem. Fletcher argumenta que, na verdade, o processo ocorre de forma inversa: as ideias surgem das histórias, nosso cérebro funciona por meio de histórias e as histórias moldam a realidade. Na arquitetura, existe um termo pejorativo para quando esse processo é invertido: "pós-racionalização" — como, por exemplo, quando diagramas são criados para justificar um projeto que já foi decidido.

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Guia de arquitetura de Amã: 11 projetos em uma capital moldada pela migração e pela pedra

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Construída sobre diversas colinas, Amã cresceu em um ritmo que poucas capitais do Oriente Médio conseguiram acompanhar. A cidade recebeu sucessivas ondas migratórias — circassianos no final do século XIX, refugiados palestinos em 1948 e 1967, a população iraquiana após 1990 e sírios a partir de 2011 —, cada uma redesenhando sua densidade e seu perfil social. O calcário extraído localmente de pedreiras por toda a Jordânia, cujo uso em fachadas é obrigatório por lei desde a década de 1970, tornou-se o único denominador visual comum da cidade. Por trás dessa uniformidade material, contudo, reside um diálogo contínuo entre a tradição vernacular e a ambição internacional.

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Do refúgio sazonal ao "outro lugar" permanente: movimento e arquitetura no Golfo

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Para muitas comunidades do Golfo, deixar a casa outrora fazia parte do próprio ato de habitá-la. Famílias deslocavam-se entre pastagens no deserto, assentamentos costeiros, poços, áreas de pesca e portos de extração de pérolas de acordo com a estação e o sustento, retornando repetidamente a locais já conhecidos pelo uso. No Catar, relatos históricos descrevem o deslocamento de outono e inverno pelo al-barr, o deserto, seguido de um retorno aos assentamentos costeiros quando começava a temporada de extração de pérolas no verão. O Museu Nacional do Catar representa essa história por meio de um calendário anual de migração entre o deserto e o mar.

O lar podia estender-se por vários locais ocupados em diferentes momentos do ano. Dispersava-se por uma geografia mais ampla de lugares que eram deixados e retomados ao longo do ano. Muitos empreendimentos contemporâneos no Golfo tentam agora reunir condições climáticas e espaciais contrastantes no mesmo sistema urbano permanente. 

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Entre Florestas em Chamas e Cidades Utópicas: Projetando a Transição Climática

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Não faltam formas de imaginar como será o mundo após uma catástrofe climática. Gêneros inteiros de filmes e romances foram construídos em torno da pergunta sobre o que acontece quando as salvaguardas contemporâneas falham, desde a ficção distópica e a literatura pós-apocalíptica até filmes de desastre, histórias em quadrinhos e videogames. Florestas em chamas, cidades submersas, infraestrutura abandonada, escassez de recursos e deslocamentos em massa constituem um vocabulário visual e narrativo familiar. Tornamo-nos extraordinariamente fluentes em imaginar as consequências de um mundo que falha em responder às mudanças climáticas.

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Luz através da parede: Interiores de casas indianas moldados por jalis de tijolo

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Uma fachada de tijolos faz mais do que apenas definir o limite exterior de uma residência. Quando projetada como um painel poroso, ela se transforma em um elemento intermediário entre o interior e o exterior, moldando a atmosfera e as condições térmicas e lumínicas dos espaços situados logo atrás. Na arquitetura residencial indiana contemporânea, o jali de tijolos — um anteparo perfurado ou treliçado — vem sendo reinterpretado sob uma sensibilidade contemporânea, inspirando-se em elementos da arquitetura vernacular.

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Qual madeira utilizar no litoral?

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Madeira e arquitetura litorânea sempre caminharam juntas. Trata-se de um dos materiais que mais definem as estruturas costeiras. No entanto, viabilizar essa estética em um ambiente onde as intempéries são uma constante exige muito mais da madeira escolhida.  

A chuva não é exclusividade das regiões litorâneas. O diferencial do litoral reside na combinação e na frequência da exposição. Umidade, ventos marítimos, maresia, sol direto e tempestades frequentes submetem a madeira a ciclos constantes de umedecimento e secagem. Em muitas regiões costeiras, esses fenômenos não são eventos climáticos esporádicos; são, simplesmente, parte do cotidiano local. Diante disso, duas características tornam-se fundamentais ao selecionar a madeira para construções litorâneas: durabilidade e estabilidade dimensional.

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Madeira Accoya, Modern Sea Ranch Kirkland. Imagem © Aaron Locke

Office for Future converte antiga escola em habitação para famílias deslocadas na Ucrânia

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O escritório Office for Future está convertendo uma antiga escola em Stavyshche, na Ucrânia, em habitação para 42 famílias deslocadas pela guerra. Desenvolvido para a Charity Foundation Housing for IDP, o projeto, intitulado "Dvir – The Shared Courtyard", reaproveita o edifício de aproximadamente 1.900 metros quadrados para criar 42 apartamentos e 200 metros quadrados de espaços internos compartilhados. A intervenção combina a estrutura existente com novos elementos de madeira, um retrofit energético e a transformação do antigo pátio de asfalto em um espaço verde permeável.

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Frida Escobedo Studio projetará expansão subterrânea para o MALBA, em Buenos Aires

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Como parte das comemorações dos 25 anos do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), a instituição confirmou a expansão do museu sob a Plaza Perú, que duplicará sua área de exposição. O escritório selecionado para o projeto é o Taller Frida Escobedo, com sedes em Nova York e na Cidade do México, que apresentou a proposta durante a gala de aniversário. O estúdio possui experiência anterior em arquitetura cultural e também está desenvolvendo atualmente o projeto de renovação do Centre Pompidou, liderado por Moreau Kusunoki, além de uma nova ala para o Met Museum, em Nova York. A expansão do MALBA inclui novas salas de exposição temporária, um novo auditório, espaços multiuso, um pátio-praça ao ar livre, oficinas, depósitos e escritórios, com inauguração prevista para o final de 2029 ou início de 2030.

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Projetados para caminhar: 6 projetos não construídos para a circulação de pedestres da comunidade do ArchDaily

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Algumas experiências urbanas se gravam em nossa memória por meio de uma mudança de ritmo. A cidade pós-moderna costuma ser descrita como uma experiência vivenciada no ritmo da mobilidade motorizada, em contraste com o passeio, a promenade ou mesmo as procissões que a antecederam. Em uma cultura urbana acelerada, a caminhabilidade é defendida no planejamento urbano não apenas como um fator de segurança e coesão social, mas também como um caminho para um modo de vida mais sensorial. Esta seleção de projetos não construídos, enviados por leitores/as do ArchDaily, apresenta exemplos de design que priorizam a experiência do ambiente por meio do ritmo de quem caminha. Para além de respeitar o caminhar como uma opção de mobilidade, essas propostas conceituais vinculam o ato de caminhar à contemplação do entorno, ao respeito pelo que já existe e à conexão com outras pessoas.

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O tempo como material de construção na arquitetura de Francis Kéré

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"Afinal, o tempo é um ingrediente fundamental da minha profissão", afirma Francis Kéré em seu livro Francis Kéré: Building Stories. A arquitetura está em constante evolução e se transforma ao longo do tempo. Tijolos, portas, janelas, paredes, escadas e outros elementos tornam-se protagonistas de um processo que começa com um esboço e, eventualmente, ganha forma como obra construída.

Considerando que a arquitetura começa quando seus habitantes passam a se apropriar de um espaço, Francis Kéré desenvolve seus projetos de forma progressiva, continuando a trabalhar no desenho mesmo durante a fase de construção. À medida que sua arquitetura cresce com o tempo, integra-se ao entorno, adapta-se às necessidades de seus usuários e usuárias e responde às mudanças de maneira flexível e experimental, ela busca se tornar parte da vida de quem a habita.

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Incêndio danifica gravemente o La Querola, de Jean Nouvel, em Andorra

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Um incêndio danificou gravemente o La Querola d'Ordino, um empreendimento residencial em Ordino, Andorra, projetado por Jean Nouvel em colaboração com o escritório Ribas & Ribas Arquitectes e Jordi Sala. O fogo começou nas primeiras horas de 22 de setembro e se espalhou pelo complexo de sete edifícios antes de ser controlado em 23 de setembro. Equipes de bombeiros de Andorra e da vizinha França participaram do combate às chamas, e as autoridades locais informaram que não houve feridos. A causa do incêndio ainda não foi estabelecida.

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