A ornamentação arquitetônica tem sido um tema recorrente de debate no setor há décadas. Essa prática, amplamente abandonada durante o movimento modernista, pode agora estar diante de uma plataforma que viabilize seu ressurgimento, graças à convergência atual entre robótica, inteligência artificial (IA) e fabricação digital. A tecnologia parece ter eliminado o principal obstáculo ao detalhamento decorativo: o alto custo da mão de obra artesanal qualificada. No entanto, essa nova capacidade técnica exige um exame crítico: o que a ornamentação realmente representa e o que ganhamos ou perdemos ao ressuscitá-la por meio do design algorítmico?
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Cadeira Ergonômica Inteligente HBADA X7. Imagem cortesia de HBADA
A cadeira de escritório evoluiu ao longo do tempo acompanhando as transformações nos espaços de trabalho. Em cada era do ambiente de trabalho, a cadeira refletiu a forma como as pessoas trabalham. Os primeiros assentos de escritório eram voltados para o trabalho administrativo clássico: cadeiras de madeira fixas dispostas em fileiras em grandes escritórios, onde o processamento de papéis seguia rotinas padronizadas. Na década de 1980, os computadores começaram a transformar a maneira como as pessoas ocupavam as mesas, e o mobiliário corporativo acompanhou essa mudança. Designers passaram a abordar os assentos sob a ótica da ergonomia e da biomecânica, aprimorando o ajuste de altura, o suporte lombar, a inclinação sincronizada e a relação entre o corpo e a estação de trabalho. Posteriormente, profissionais do design combinaram pesquisas ergonômicas com novos materials, como telas tensionadas respiráveis em substituição ao estofamento tradicional de espuma.
A arquitetura na América Latina neste mês reflete um diálogo contínuo sobre o habitar, o patrimônio cultural e as maneiras pelas quais a arquitetura pode conectar a vida contemporânea com lugares e saberes existentes. Da Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires e iniciativas voltadas a práticas construtivas tradicionais e ao patrimônio arqueológico, passando por novas infraestruturas culturais e projetos habitacionais na Argentina, no Equador e no Peru, os desdobramentos recentes destacam diferentes abordagens para trabalhar com os contextos locais. Em toda a região, questões de memória, comunidade, paisagem e prática material continuam a moldar tanto projetos arquitetônicos quanto discussões mais amplas sobre como as cidades e os territórios são habitados.
Um júri de profissionais das artes e da arquitetura anunciou recentemente a proposta curatorial selecionada para o Pavilhão de Luxemburgo na Biennale Architettura 2027. A exposição terá curadoria da especialista em habitação Céline Zimmer e dos/as arquitetos/as Bùi Quý Sơn e Paul-Antoine Lucas, cofundadores/as do escritório de prática espacial crítica Exutoire, um dos premiados no ArchDaily 2026 Next Practices Awards. A proposta é intitulada "Excess! On the Overconsumption of Living Space" e aborda a distribuição desigual do espaço habitacional como um reflexo de "hábitos mais amplos de excesso que contribuem para as atuais crises ecológica e de moradia". O tema será ilustrado por meio de um diálogo entre as realidades de Luxemburgo e do Vietnã para refletir sobre o consumo espacial. O Pavilhão de Luxemburgo está localizado no primeiro andar da Sale d'Armi, no Arsenale, que será aberto ao público para a Bienal em 8 de maio de 2027.
Vencedor do Primeiro Prêmio + Prêmio de Estudante Buildner: Linear Ritual. Imagem cortesia de Buildner
Buildner anunciou os resultados do concurso de arquitetura Iceland Slow Sauna, desenvolvido em parceria com a Slow Travel Mývatn. Localizado ao lado da Þúfa – Private Homestay, na paisagem vulcânica do Lago Mývatn, no norte da Islândia, o concurso convidou arquitetos/as e designers a criarem um refúgio compacto que combinasse sauna e estufa em uma única experiência arquitetônica. Baseado na tradição islandesa do banho como um ritual de quietude e renovação, o edital pedia aos/às participantes que explorassem como o calor, a luz, a vegetação e a paisagem poderiam moldar um espaço íntimo de recuperação e conexão com a natureza.
Praça Skanderbeg / 51N4E. Imagem cortesia de 51N4E
Nas últimas duas décadas, a Albânia tem sido um dos territórios de construção mais ativos da Europa. Dezenas de arquitetos e arquitetas internacionais têm trabalhado no país em projetos que prometem alterar o desenho, a estrutura e as cidades de uma nação que ainda se recupera dos regimes do século passado. Reconhecer esse crescimento e essas transformações na paisagem significa também admitir que, por trás de cada forma, há uma história, e que existem arquivos capazes de nos dizer mais do que a própria arquitetura.
Editado por Anneke Abhelakh e publicado pela Lars Müller Publishers, com prefácio do primeiro-ministro Edi Rama, The Albanian Files compila duas décadas de trabalho de sessenta escritórios internacionais de arquitetura na Albânia. Trata-se de uma publicação densa cujo formato, cor e presença marcante constituem, por si só, um manifesto sobre a leitura da história recente do país. O livro funciona como um documento expandido, uma cartografia dos vestígios deixados por esses processos. Grande parte do que ganha corpo em suas páginas descreve estruturas de poder, padrões de contratação e posicionamentos cujas consequências se revelaram controversas. Revelar é um gesto de transparência, mas também um sinal de que certas coisas jamais deveriam ter sido ocultadas. A Albânia, hoje mais do que nunca — em meio a suas aspirações de abertura territorial e ao desejo crescente de se integrar ao cenário global (por meio do turismo e da perspectiva de adesão à União Europeia) —, necessita dessa clareza.
Paisagens vulcânicas tornam as transformações geológicas excepcionalmente visíveis. A lava se solidifica em um novo solo, e a vegetação lentamente se estabelece sobre ele. As cinzas podem permanecer na paisagem por anos. Ao redor de vulcões ativos, esses processos ainda estão em andamento, afetando onde e como as pessoas constroem.
Ainda assim, essas paisagens continuam a atrair residências e refúgios. Seu isolamento e relevo incomum costumam fazer parte do apelo. Construir ali significa inserir a vida cotidiana em uma paisagem que ainda pode se transformar.
Farshid Moussavi recebeu a Soane Medal de 2026 por suas contribuições para a prática, história e teoria da arquitetura. A arquiteta e educadora de origem iraniana, fundadora do escritório Farshid Moussavi Architecture (FMA) em 2011, receberá a medalha na Royal Academy, em Londres, no dia 24 de novembro de 2026, onde também fará uma palestra pública. O prêmio anual, instituído pelo Sir John Soane's Museum em 2017, reconhece indivíduos cujos trabalhos contribuíram para uma compreensão mais ampla da arquitetura e de seu papel na sociedade.
Pelo segundo ano consecutivo, Copenhague foi eleita a cidade mais habitável do mundo no Índice Global de Habitabilidade de 2026 da Economist Intelligence Unit. Segundo o Centro de Arquitetura Dinamarquês (DAC), parte desse progresso na qualidade de vida urbana se deve ao trabalho do arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, que comemora seu 90º aniversário este ano. Jan Gehl dedicou sua carreira profissional ao campo da vida urbana e do desenvolvimento urbano focado nas pessoas, fundando o escritório Gehl Architects (hoje Gehl Studio) em 2000 e publicando extensivamente sobre metodologias de desenho urbano para criar ambientes urbanos vibrantes, saudáveis e centrados no ser humano. Em homenagem ao seu aniversário, o Centro de Arquitetura Dinamarquês apresenta uma exposição e uma série de atividades focadas no papel que ele desempenhou no desenvolvimento urbano global.
Isivivane - Freedom Park, Pretória, África do Sul. Imagem de Shosholoza
A libertação nem sempre começa com um monumento. Pode começar em um jardim, quintal, clareira ou campo; na ocupação da terra e na possibilidade de se reunir ali. Ao longo de histórias moldadas pelo colonialismo e pela expropriação, o espaço tem sido mais do que o cenário onde a libertação ocorre. Ele tem sido uma de suas práticas: cultivado, ocupado, servindo de refúgio, percorrido e coletivamente refeito.
A pesquisa do escritório Wolff ArchitectsLiberation Gardenspropõe o jardim como uma forma de ler essas práticas espaciais, não simplesmente como um terreno plantado, mas como um espaço através do qual a sobrevivência, o sustento e a imaginação emancipatória podem ser mantidos. O jardim, nesse sentido, não é definido tanto pelo projeto de paisagismo, mas sim pelas relações entre as pessoas e a terra, o cultivo e o conhecimento, a ocupação e a autonomia. Ele pode abrigar a produção cultural ao lado da subsistência, além de formas de vida coletiva que emergem sob condições de violência e expropriação. A libertação, compreendida espacialmente, passa a ser tanto sobre a possibilidade de habitar de forma diferente quanto sobre alcançar uma condição final de liberdade.
Em muitas cidades asiáticas, o clima de verão pode, cada vez mais, ser vivenciado à distância. Em Hong Kong, é possível deslocar-se de uma torre de apartamentos por um shopping no embasamento, entrar no sistema de metrô (MTR), chegar sob outro complexo comercial e seguir por passarelas de pedestres fechadas ou passagens subterrâneas sem praticamente sentir a atmosfera exterior. O calor, a umidade, a chuva e a variação sazonal continuam presentes, mas podem ser amplamente contornados por meio de uma rede contínua de interiores climatizados.
Ao longo de várias décadas, o ar-condicionado deixou de ser uma tecnologia para resfriar cômodos individuais e se tornou uma infraestrutura capaz de produzir um ambiente urbano alternativo. Isso tem sido especialmente visível em partes do Leste e do Sudeste Asiático, onde o desenvolvimento orientado ao transporte (TOD) frequentemente combina estações ferroviárias, shopping centers, moradias, escritórios e outros serviços cotidianos em complexos interconectados. O modelo "Ferrovia mais Propriedade" (Railway plus Property) ajudou a institucionalizar essa relação entre transporte e desenvolvimento, criando distritos onde o deslocamento pela cidade é, muitas vezes, inseparável da circulação por espaços internos de gestão privada.
A Trienal de Arquitetura de Sharjah (SAT) disponibilizou on-line os documentários completos de A Journey into ArchitectureArchives: Baghdad, Damascus, Tunis. Com curadoria de George Arbid, o projeto faz parte do programa de pesquisa de longo prazo da SAT voltado a documentar e salvaguardar arquivos de arquitetura em todo o mundo árabe. Os três filmes, gravados localmente em Bagdá, Damasco e Túnis, combinam pesquisa de arquivo com trabalho de campo e histórias orais, analisando como as trajetórias históricas da arquitetura são construídas, preservadas e revisitadas ao longo do tempo.
Uma campanha liderada pela Red Lima Milenaria busca o reconhecimento da UNESCO para sítios pré-coloniais na capital peruana. Atualmente, restam mais de 600 sítios arqueológicos em Lima, uma metrópole de 11 milhões de habitantes. A campanha, movida por cidadãos/ãs, visa melhorar as condições de conservação e a conscientização pública sobre os locais que resistiram à colonização europeia, promovendo a indicação de uma seleção de estruturas para inscrição na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. A iniciativa pública foi lançada recentemente com o objetivo de reunir apoio popular e estabelecer parcerias com organizações que atuam na área do patrimônio e em campos correlatos, a fim de preparar a estrutura para uma candidatura formal a ser apresentada pelo Estado peruano. A iniciativa coincide com movimentos de reconstrução no continente que respondem à desigualdade socioeconômica e a injustiças históricas estruturais, levantando questionamentos sobre a própria definição de patrimônio.
Histórias como recurso. Imagem: Cobe (gerada por IA)
Este artigo faz parte de "Thresholds", uma edição especial impressa do jornal Cobe Notes x ArchDaily.
Há duas características únicas no ser humano que nos permitiram sobreviver aos primórdios e nos espalhar por todo o planeta: suar e contar histórias. O suor ajuda a resfriar o corpo ao correr longas distâncias. As histórias nos ajudam a colaborar em grande escala e a compartilhar conhecimento entre grupos e gerações. Como profissionais da arquitetura, ainda dependemos dessas mesmas ferramentas para transformar visões em realidade.
Como aponta o professor de narrativas Angus Fletcher em seu livro Primal Intelligence, existe um equívoco comum sobre o papel das histórias: quando nosso cérebro "racional" desenvolve uma ideia que não conseguimos explicar a um grupo maior, nós a envelopamos em uma história e, de repente, todos a compreendem. Fletcher argumenta que, na verdade, o processo ocorre de forma inversa: as ideias surgem das histórias, nosso cérebro funciona por meio de histórias e as histórias moldam a realidade. Na arquitetura, existe um termo pejorativo para quando esse processo é invertido: "pós-racionalização" — como, por exemplo, quando diagramas são criados para justificar um projeto que já foi decidido.
Construída sobre diversas colinas, Amã cresceu em um ritmo que poucas capitais do Oriente Médio conseguiram acompanhar. A cidade recebeu sucessivas ondas migratórias — circassianos no final do século XIX, refugiados palestinos em 1948 e 1967, a população iraquiana após 1990 e sírios a partir de 2011 —, cada uma redesenhando sua densidade e seu perfil social. O calcário extraído localmente de pedreiras por toda a Jordânia, cujo uso em fachadas é obrigatório por lei desde a década de 1970, tornou-se o único denominador visual comum da cidade. Por trás dessa uniformidade material, contudo, reside um diálogo contínuo entre a tradição vernacular e a ambição internacional.
O lar podia estender-se por vários locais ocupados em diferentes momentos do ano. Dispersava-se por uma geografia mais ampla de lugares que eram deixados e retomados ao longo do ano. Muitos empreendimentos contemporâneos no Golfo tentam agora reunir condições climáticas e espaciais contrastantes no mesmo sistema urbano permanente.
Uma fachada de tijolos faz mais do que apenas definir o limite exterior de uma residência. Quando projetada como um painel poroso, ela se transforma em um elemento intermediário entre o interior e o exterior, moldando a atmosfera e as condições térmicas e lumínicas dos espaços situados logo atrás. Na arquitetura residencial indiana contemporânea, o jali de tijolos — um anteparo perfurado ou treliçado — vem sendo reinterpretado sob uma sensibilidade contemporânea, inspirando-se em elementos da arquitetura vernacular.
Madeira e arquitetura litorânea sempre caminharam juntas. Trata-se de um dos materiais que mais definem as estruturas costeiras. No entanto, viabilizar essa estética em um ambiente onde as intempéries são uma constante exige muito mais da madeira escolhida.
A chuva não é exclusividade das regiões litorâneas. O diferencial do litoral reside na combinação e na frequência da exposição. Umidade, ventos marítimos, maresia, sol direto e tempestades frequentes submetem a madeira a ciclos constantes de umedecimento e secagem. Em muitas regiões costeiras, esses fenômenos não são eventos climáticos esporádicos; são, simplesmente, parte do cotidiano local. Diante disso, duas características tornam-se fundamentais ao selecionar a madeira para construções litorâneas: durabilidade e estabilidade dimensional.
O escritório Office for Future está convertendo uma antiga escola em Stavyshche, na Ucrânia, em habitação para 42 famílias deslocadas pela guerra. Desenvolvido para a Charity Foundation Housing for IDP, o projeto, intitulado "Dvir – The Shared Courtyard", reaproveita o edifício de aproximadamente 1.900 metros quadrados para criar 42 apartamentos e 200 metros quadrados de espaços internos compartilhados. A intervenção combina a estrutura existente com novos elementos de madeira, um retrofit energético e a transformação do antigo pátio de asfalto em um espaço verde permeável.
Algumas experiências urbanas se gravam em nossa memória por meio de uma mudança de ritmo. A cidade pós-moderna costuma ser descrita como uma experiência vivenciada no ritmo da mobilidade motorizada, em contraste com o passeio, a promenade ou mesmo as procissões que a antecederam. Em uma cultura urbana acelerada, a caminhabilidade é defendida no planejamento urbano não apenas como um fator de segurança e coesão social, mas também como um caminho para um modo de vida mais sensorial. Esta seleção de projetos não construídos, enviados por leitores/as do ArchDaily, apresenta exemplos de design que priorizam a experiência do ambiente por meio do ritmo de quem caminha. Para além de respeitar o caminhar como uma opção de mobilidade, essas propostas conceituais vinculam o ato de caminhar à contemplação do entorno, ao respeito pelo que já existe e à conexão com outras pessoas.
"Afinal, o tempo é um ingrediente fundamental da minha profissão", afirma Francis Kéré em seu livro Francis Kéré: Building Stories. A arquitetura está em constante evolução e se transforma ao longo do tempo. Tijolos, portas, janelas, paredes, escadas e outros elementos tornam-se protagonistas de um processo que começa com um esboço e, eventualmente, ganha forma como obra construída.
Considerando que a arquitetura começa quando seus habitantes passam a se apropriar de um espaço, Francis Kéré desenvolve seus projetos de forma progressiva, continuando a trabalhar no desenho mesmo durante a fase de construção. À medida que sua arquitetura cresce com o tempo, integra-se ao entorno, adapta-se às necessidades de seus usuários e usuárias e responde às mudanças de maneira flexível e experimental, ela busca se tornar parte da vida de quem a habita.