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Heterotopias Arquitetônicas: Instalações Temporárias como Mundos Alternativos

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Embora complexo, repleto de significados e categorizado de diversas formas, o conceito de heterotopia, desenvolvido pelo filósofo Michel Foucault, pode ser amplamente compreendido como a manifestação de realidades alternativas. Ao contrário das utopias — não-lugares idealizados e inalcançáveis —, as heterotopias são espaços tangíveis e reais que operam sob uma lógica própria, oferecendo uma alternativa prática aos paradigmas espaciais e culturais dominantes.

O escapismo, sob a ótica da arquitetura, não se resume a uma fuga das realidades convencionais; trata-se de uma ferramenta crítica para reimaginá-las sob diferentes condições culturais, sociais e ambientais. As instalações temporárias funcionam como terrenos férteis para testar essas possibilidades espaciais. Frequentemente concebidas como santuários ou refúgios, essas obras se desvinculam intencionalmente de normas preestabelecidas — seja ao buscar o retorno a um modo de vida primitivo, seja ao provocar transformações perceptivas radicais.

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Como os tecidos arquitetônicos estão ampliando o papel da envoltória do edifício

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Como os tecidos arquitetônicos estão ampliando o papel da envoltória do edifício - Image 6 of 4
Museu de Ciências Biodome / Kanva. Imagem cortesia de Serge Ferrari

O que um têxtil pode fazer que o vidro, a madeira, o concreto ou o metal não conseguem? Os tecidos compostos arquitetônicos não substituem os materiais de construção convencionais. Em vez disso, eles os complementam e, frequentemente, agregam uma nova camada de desempenho ao envelope do edifício. Sua aplicação varia conforme o contexto. Uma membrana composta pode se transformar em um sistema de sombreamento externo para um conservatório tropical, uma pele interna que molda a acústica e a experiência espacial em um museu, ou parte de uma estratégia de fachada que melhora o desempenho ambiental de um edifício existente.

RSHP e ERRE são selecionados para projetar a nova Estação Central de Valência, na Espanha

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A equipe liderada pelo grupo de engenharia e tecnologia Sener, em colaboração com o escritório de arquitetura britânico RSHP e o escritório valenciano ERRE, foi selecionada para projetar a nova Estação Central de Valência, na Espanha. A proposta foi escolhida pelo Comitê de Avaliação da Adif Alta Velocidad após um concurso para um novo polo ferroviário intermodal que integrará trens de alta velocidade, trens metropolitanos, metrô, bonde, ônibus, táxis e conexões de mobilidade ativa. A nova infraestrutura será coordenada com o projeto planejado do Parque Central, o projeto do Canal de Acesso e o futuro túnel de passagem. O escopo também inclui a reforma da histórica Estação de Valência-Nord, tombada como Bem de Interesse Cultural, preservando seu patrimônio arquitetônico e urbano.

Lawson Centre for Sustainability, do Mecanoo e RDHA, é inaugurado no Trinity College com abordagem "do campo à mesa"

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O Lawson Centre for Sustainability, projetado pelo escritório Mecanoo, é o primeiro novo edifício do Trinity College desde 1979. Apontado como um dos projetos mais aguardados de 2026, o edifício foi concebido para ser um dos complexos acadêmicos e residenciais voltados à sustentabilidade mais avançados do Canadá. O Mecanoo trabalhou em colaboração com o escritório de arquitetura de Toronto RDHA para projetar uma comunidade sustentável e um "laboratório vivo", partindo das tradições do College em torno de refeições compartilhadas e encontros comunitários. Em vez da torre de 14 andares originalmente planejada pelo College, a equipe projetou um edifício de escala peatonal que emoldura o campus existente e cria novas paisagens para a produção de alimentos e interações sociais. A visão mais ampla para o campus integrou alimentação, natureza, uso de materiais locais e aprendizado prático sobre vida sustentável.

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Asmara Heritage Project: documentando um projeto colonial que se tornou símbolo nacional da Eritreia

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Asmara, a capital da Eritreia, está situada a mais de 2.300 metros acima do nível do mar, em um planalto na borda da escarpa do Vale do Grande Rift. Embora localizada em um país pouco conhecido pelo turismo de massa, a cidade ganhou fama por sua arquitetura singular. Em julho de 2017, tornou-se Patrimônio Mundial da UNESCO, inscrita sob o título "Asmara: Uma Cidade Modernista Africana" — o primeiro sítio urbano modernista a ser tombado em sua totalidade no mundo, e o primeiro Patrimônio Mundial explicitamente modernista da África. Seu valor patrimonial resultou de uma complexa convergência de dois aspectos da história da Eritreia: um período de intensa construção colonial, impulsionado pelas ambições imperiais da Itália na África, e um longo período de relativo isolamento que preservou a cidade de remodelações urbanas.

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Vagas em Chengdu | Jiakun Architects está contratando

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Ásia Brutalista: uma nova publicação que recontextualiza a história do brutalismo, do Japão ao Líbano

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A história do brutalismo foi, em grande parte, escrita a partir de uma perspectiva ocidental. Brutalist Asia, da Blue Crow Media, oferece um ponto de vista diferente, analisando como arquitetos e arquitetas de toda a Ásia adotaram, questionaram e transformaram a linguagem arquitetônica associada ao movimento em resposta a condições políticas, climáticas e culturais radicalmente distintas. Abrangendo 28 países — do Japão e Sudeste Asiático, passando pelo Sul e Centro da Ásia, até o Oriente Médio, Irã e Líbano —, o livro reúne 140 edifícios e mais de 150 fotografias, posicionando obras reconhecidas internacionalmente de arquitetos e arquitetas como Kenzo Tange, Paul Rudolph, Balkrishna V. Doshi, Raj Rewal, Charles Correa, Kim Swoo Geun, Leandro V. Locsin e Le Corbusier ao lado de trabalhos importantes, mas menos conhecidos, que expandem nossa compreensão sobre a arquitetura do pós-guerra no continente.

Dentro dessa geografia mais ampla, uma história singular se desenrola no Líbano, onde as ambições do modernismo se tornaram inseparáveis de um país em profunda transformação social, política e urbana. Leia a seguir um trecho do capítulo escrito por Christele Harrouk, que lidera a redação do ArchDaily, no livro Brutalist Asia, que traça a ascensão do brutalismo no Líbano, os arquitetos e arquitetas e as obras que lhe deram uma expressão local própria, e a ruptura que deixou esse projeto modernista inacabado.

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Verde por lei? Repensando a sustentabilidade e a responsabilidade arquitetônica além das fronteiras

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A sustentabilidade na arquitetura é frequentemente discutida como se fosse um padrão universal—e, em princípio, deveria ser. Os edifícios são cada vez mais avaliados pelo desempenho energético, pelo carbono incorporado, por sistemas de certificação, pela eficiência de materiais, pela biodiversidade e pelo impacto ao longo de todo o ciclo de vida. No entanto, as regras que determinam o que realmente deve ser feito continuam sendo altamente locais. Um projeto desenvolvido em Londres, Nova York ou Copenhague pode ser moldado por códigos de energia rigorosos, avaliações de impacto ambiental, exigências de transparência de dados, diretrizes de planejamento urbano e metas de descarbonização cada vez mais ambiciosas. Por outro lado, o mesmo escritório, ao atuar em outras regiões, pode se deparar com um panorama regulatório bastante diferente.

Isso levanta uma questão complexa para a arquitetura internacional: quando a sustentabilidade não é imposta por lei com o mesmo rigor, que padrões arquitetos e arquitetas devem levar consigo?

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Habitação social em Ibiza e o novo pavilhão de Gerhard Richter em Doha: O resumo da semana

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A arquitetura esta semana volta-se para a questão do que o ambiente construído pode tornar possível e do que ele pede em troca. Discussões sobre democracia e espaço público analisam como a arquitetura pode apoiar a participação, a equidade e a vida coletiva, enquanto novos projetos residenciais e culturais exploram como os edifícios podem responder às mudanças nas necessidades sociais por meio da adaptabilidade, do compartilhamento de espaços e do reúso de estruturas existentes. Essas preocupações estendem-se aos espaços de exposição, onde a Bienal de Arquitetura de Tallinn examina os custos menos visíveis da construção e a Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires analisa as diversas formas pelas quais a arquitetura molda o habitar. Diante desses diferentes contextos, a arquitetura surge como uma forma de negociar acesso, recursos, comunidade e o valor a longo prazo do ambiente construído.

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Equipe liderada pelo ZHA apresenta visão e polo de planejamento digital para o Plano Diretor de Benghazi 2050, na Líbia

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Uma equipe composta por ZHA, A&O TEC, Prior + Partners, Homa, Buro Happold, Systematica e Fichtner apresentou recentemente sua proposta conceitual para o "Next Generation City Plan" (Plano Diretor da Próxima Geração) de Bengasi, na Líbia. O projeto visa integrar as características identitárias da histórica cidade portuária com as tecnologias de planejamento necessárias para orientar seu desenvolvimento até 2050, em um cenário de rápida urbanização. A proposta, desenvolvida para a A&O TEC, inclui uma Visão e Estratégia Espacial — que consiste em uma interpretação do caráter e da memória coletiva da cidade traduzida em uma estrutura adaptável para o desenvolvimento — e um Hub de Planejamento Digital, um modelo baseado em evidências que mapeia a cidade para identificar seu potencial e os fenômenos que moldam seu crescimento.

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O Sagrado Cotidiano: Studio Ghibli e o Ritual de Voltar para Casa

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Todas as noites, ao voltarmos para casa, realizamos, sem cerimônia, um pequeno ritual. Nós chegamos a uma porta, a abrimos e cruzamos o limite em direção a um espaço que nos pertence de uma maneira que nenhum outro lugar consegue imitar. Trata-se de um ato tão cotidiano que raramente percebemos sua estrutura; e, no entanto, a filosofia e a antropologia dedicaram livros inteiros à descrição dessas estruturas psicológicas. Curiosamente, obras visuais como os mundos animados do Studio Ghibli parecem refletir essa dinâmica, criando cenários com arquiteturas e arranjos espaciais que oferecem uma via de escape ao evocar nossas memórias de forma legível e, ao mesmo tempo, encantada.

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Paisagem como coreografia: a arquitetura no jardim botânico contemporâneo

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Os jardins botânicos colocam a paisagem, o design, a comunidade e a investigação científica em estreito diálogo. Originados de jardins medicinais e coleções privadas dedicadas à classificação de plantas, os jardins botânicos se transformaram em instituições onde espécimes coletados em diferentes regiões e climas podiam ser cultivados e apresentados ao público. Sua evolução na sociedade gerou um repertório arquitetônico singular, que vai de estufas e conservatórios a herbários e laboratórios e, eventualmente, centros de visitantes e espaços de hospitalidade. A arquitetura permanece intrinsecamente ligada ao jardim botânico como instrumento de cultivo e estrutura para organizar e estudar o campo da botânica.

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Buildner anuncia os projetos vencedores do Architect’s Chair #5 e lança a edição #6 - Stockholm Furniture Fair

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A Buildner tem a satisfação de anunciar os resultados da 5ª edição do Architect's Chair Competition, a quinta edição do concurso internacional anual que convida arquitetos/as e designers de todo o mundo a criarem uma cadeira autoral que reflita suas respectivas filosofias de projeto e visões de design.

O design de cadeiras exemplifica o caráter interdisciplinar da arquitetura, reunindo questões de proporção, estrutura, materialidade, ergonomia e artesanato na escala de um único objeto. Os projetos enviados este ano exploraram uma ampla gama de abordagens, desde soluções altamente minimalistas e estruturalmente eficientes até desenhos fundamentados em referências culturais, experimentação material e novos métodos de fabricação.

Brasil em Foco: Este mês na arquitetura, no paisagismo e na prática coletiva

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Em todo o Brasil, a arquitetura continua a tomar forma por meio de diferentes práticas, escalas e relações com o lugar. A seleção deste mês destaca atuações que operam além dos limites convencionais da disciplina, abordagens coletivas que reconectam projeto e construção, e projetos que respondem à paisagem, à memória e à comunidade. Ao lado de edifícios e espaços públicos recém-concluídos, novas intervenções culturais em São Paulo e no Rio de Janeiro evidenciam ainda mais como a arquitetura se cruza com a arte, o patrimônio e o ambiente urbano.

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Um novo encontro em Valparaíso, no Chile, reúne mestres e mestras da construção para salvaguardar ofícios tradicionais

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De 9 a 11 de outubro, acontecerá no Parque Cultural de Valparaíso, no Chile, o evento "Oficios en obra" (Ofícios em Obra), um encontro de aprendizado e colaboração focado nos ofícios tradicionais de construção da cidade. Organizado pela Prefeitura, o encontro busca destacar e preservar técnicas de trabalho historicamente ligadas à construção de Valparaíso, promovendo seu reconhecimento e ajudando a garantir sua continuidade entre as novas gerações por meio de atividades abertas e gratuitas ao público. Outrora o porto mais importante do Pacífico Sul, a arquitetura de Valparaíso testemunha diversas aplicações de madeira estrutural, terra batida (taipa) e tecnologias industriais importadas durante o século XIX. Isso a torna um objeto de estudo para ofícios tradicionais e técnicas construtivas que vêm sendo revalorizadas diante dos contextos contemporâneos de crise climática e econômica, servindo como um caminho alternativo para o futuro.

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Do que fogem os/as arquitetos/as? Ambição e evasão no projeto para locais remotos

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Pergunte a um/a arquiteto/a qual é o problema mais difícil da disciplina atualmente. O bloco de habitações do pós-guerra sem manutenção a duas quadras de seu escritório raramente é mencionado. O que vem à sua mente são os diferenciais de pressão em Marte ou as cargas de tração em uma plataforma flutuante; afinal, um território não reivindicado não tem ninguém com quem negociar, nenhuma história à qual responder, nenhum inquilino para se lembrar da última reforma — o que torna o ato de projetar consideravelmente mais fácil.

Os/As arquitetos/as pensam que estão resolvendo um problema mais difícil do que aquele que está ao lado. Um projeto como o de The Line — uma cidade de 170 quilômetros projetada para abrigar nove milhões de habitantes em um local sem ocupação prévia — não é arquitetonicamente mais difícil do que um terreno com cem anos de inquilinato, propriedade contestada e um departamento de planejamento urbano que se lembra das últimas três incorporadoras que usaram a palavra "comunidade" querendo dizer outra coisa. Pelo contrário, é consideravelmente mais fácil. Não há ninguém para convencer, nenhuma história à qual responder, nenhuma discussão a perder. Isso levanta a questão: se o problema mais difícil está a duas quadras do escritório, sem solução, e o mais fácil é o que recebe as renderizações e as rodadas de financiamento, então "ambição" é a palavra errada para descrever o que está acontecendo. Há algo sendo evitado, e precisamos começar a pensar sobre o quê.

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20 Práticas que ampliam a atuação da arquitetura: os vencedores do ArchDaily 2026 Next Practices Awards

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O ArchDaily tem o orgulho de anunciar os/as vencedores/as do Next Practices Awards 2026, que reconhece 20 escritórios emergentes e inovadores que expandem as possibilidades da arquitetura contemporânea.

Em sua sexta edição, o Next Practices continua a olhar para além das definições convencionais da profissão a fim de identificar as pessoas, ideias e metodologias que impulsionam a disciplina. A edição de 2026 é a nossa mais robusta e globalmente representativa até o momento, reunindo diferentes abordagens, escalas e contextos que ampliam nossa compreensão sobre como e por quem a arquitetura é praticada.

De climas extremos a comunidades rurais, cidades informais e territórios afetados pelo deslocamento e pela vulnerabilidade ambiental, a seleção deste ano dialoga com uma ampla gama de realidades. Apoiando-se na engenharia, ecologia, fabricação digital, pesquisa de materiais, conhecimentos vernaculares e indígenas, ativismo e pesquisa crítica, estes escritórios refletem o que está por vir: a capacidade de responder a condições específicas e moldar ativamente o mundo ao seu redor.

Além da réplica: patrimônio digital e os limites da preservação

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Agora é possível adentrar uma caverna em Maharashtra sem precisar viajar até lá. Por meio de uma experiência de realidade virtual desenvolvida em torno de Ajanta, os/as visitantes podem percorrer uma versão reconstruída digitalmente das cavernas a partir de qualquer outro lugar do mundo. O projeto levanta uma questão arquitetônica: se a arquitetura é vivenciada por meio do movimento, da escala, da sequência e da percepção, o que acontece quando essas experiências podem ser recriadas fora do sítio físico? O projeto Digital Ajanta, do IITM Pravartak, utiliza escaneamento 3D, filmagem, modelagem e realidade virtual para documentar as cavernas e traduzir esse registro em uma experiência imersiva.

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Construindo em escala: Como o aço de grandes vãos amplia as possibilidades arquitetônicas

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O que acontece quando a arquitetura é desafiada a criar um espaço sem limites? Centros de convenções, estádios, fábricas e centros de logística partem do mesmo desafio arquitetônico: criar interiores amplos e contínuos que possam acomodar fluxos, visibilidade e usos dinâmicos. Quanto maior o vão, maiores são as exigências estruturais e, consequentemente, as possibilidades arquitetônicas.

A arquitetura de grandes vãos não é uma ambição recente. Há séculos, arquitetos e arquitetas buscam maneiras de cobrir grandes espaços públicos, desde a cúpula monumental do Panteão até as galerias de ferro e vidro do Palácio de Cristal de Londres. Cada avanço expandiu os horizontes da disciplina, substituindo paredes espessas e sistemas estruturais densos por métodos mais leves e eficientes para vencer grandes distâncias. Hoje, o aço dá continuidade a essa evolução, viabilizando vãos que seriam difíceis de alcançar com sistemas estruturais convencionais, ao mesmo tempo que mantém grandes espaços públicos integrados, flexíveis e adaptáveis. A alta relação resistência-peso do aço permite vencer vãos maiores com menos pilares e sistemas estruturais mais esbeltos, ao passo que componentes pré-fabricados simplificam a construção e reduzem os trabalhos no canteiro de obras.

Bienal de Arquitetura de Tallinn 2026 explora o verdadeiro custo da arquitetura através de "How Much?"

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A 8ª Bienal de Arquitetura de Tallinn (TAB 2026) coloca a questão "Quanto custa?" no centro de sua programação, examinando como o custo, a escassez e as restrições moldam a produção arquitetônica. Com curadoria de Kertu Johanna Jõeste, Siim Tanel Tõnisson e Ra Martin Puhkan do Stuudio TÄNA, em conjunto com Mark Aleksander Fischer e Mira Samonig, a bienal acontece em toda a cidade de Tallinn até 30 de novembro de 2026. Sua exposição principal está sediada no Linnahall, o monumental complexo à beira-mar construído para as Olimpíadas de Verão de 1980, enquanto exposições, instalações, debates e outros eventos se estendem a locais como o Museu de Arquitetura da Estônia, a Academia de Artes da Estônia e o EKKM.

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No Dia Internacional da Democracia: Encontro, Equidade e o Poder Simbólico da Arquitetura

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No Dia Internacional da Democracia, as Nações Unidas revisitam este ano uma ideia tradicional do conceito: a ampla participação cidadã nas tomadas de decisão governamentais. Na ocasião, o órgão internacional convida a uma reflexão sobre como a participação e a inclusão de vozes diversas nas decisões do governo podem ajudar a construir uma sociedade mais equitativa. Sob uma perspectiva espacial, a reflexão sobre a democracia pode ir além desse enquadramento vertical, passando a compreendê-la a partir do encontro. O que significa um espaço ser democrático? Como a arquitetura pode contribuir para alcançar os princípios historicamente associados à democracia? No atual contexto de crise nos sistemas de organização política em todo o mundo, este dia serve como plataforma para questionar a individualização e o autoritarismo por meio das ferramentas socioespaciais de que dispomos.

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Quando as águas chegam: como Lagos negocia com suas enchentes recorrentes

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Lagos é uma cidade moldada pelo tempo, pela interação humana, pelas forças da natureza e por sua relação em constante evolução — e por vezes complexa — com esses três elementos. Em nenhum lugar isso é mais visível do que quando a chuva chega.

Eko situa-se em uma planície de inundação. Sua condição geográfica precede a própria cidade, remontando a um tempo anterior à abertura da primeira rua ou à demarcação do primeiro limite territorial. Os sistemas de drenagem e os empreendimentos que gradualmente se transformaram em frentes de água privatizadas foram todos construídos sobre uma paisagem que, em sua essência, sempre esteve em constante diálogo com a água. A enchente não é uma anomalia; é a própria terra insistindo em um diálogo que inevitavelmente retornaria.

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Uma casa sobre a água: a história da joia modernista de Amancio e Delfina Williams

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O que acontece com uma casa quando a vida para a qual ela foi projetada chega ao fim? Na Casa sobre el Arroyo, a resposta se desenrolou gradualmente à medida que o edifício mudou de uso, propriedade e estado de conservação ao longo de quase oito décadas. Mesmo diante dessas transformações, a estrutura, a circulação e a relação com o terreno permaneceram fundamentais para a compreensão da casa e, eventualmente, para seu restauro.

Projetada por Amancio Williams e Delfina Gálvez Bunge de Williams a partir de 1943 para o pai de Amancio, Alberto Williams, a Casa sobre el Arroyo nasceu diretamente das condicionantes de seu terreno em Mar del Plata, Argentina. Em vez de tratar o arroio Las Chacras como um obstáculo a ser contornado, o projeto o utiliza para organizar a própria casa. Um arco de concreto armado cruza as águas e eleva os espaços de permanência, transformando o curso d'água em parte da experiência de circulação e habitação da casa.

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Reinterpretando o nó Ruyi como símbolo cultural no trabalho em metal contemporâneo

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Os símbolos sempre transitaram pela arquitetura. Surgem em pedras esculpidas, tecidos entrelaçados, tetos e paredes pintados, ferragens de portas e objetos cotidianos, carregando as crenças, os rituais e as histórias das culturas que os originaram. Em interiores contemporâneos, os/as designers dão continuidade a esse diálogo com o lugar, revisitando símbolos históricos e traduzindo-os por meio de novos materiais, técnicas de fabricação e formas arquitetônicas.

O nó Ruyi é um exemplo emblemático disso. Há séculos, esse motivo entrelaçado faz parte da tradição chinesa de nós, simbolizando continuidade, harmonia e votos de boa sorte. Sua geometria de curvas suaves tem adornado objetos decorativos e peças cerimoniais, demonstrando como as referências culturais podem se integrar a um vocabulário de design que vai muito além do mero ornamento.

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