Na busca por fomentar o sentido de pertencimento de seus habitantes, valorizar suas culturas ancestrais e preservar sua identidade, o território latino-americano reconhece uma arquitetura com amplas nuances e características regionais. O uso de técnicas construtivas e materiais locais, ou o diálogo entre o modular e o vernáculo, entre outras questões, revelam a intenção de promover a participação de comunidades nativas, estudantes e suas famílias, povos originários e construtores locais durante o processo de projeto e construção de uma grande variedade de escolas rurais ao longo de toda a América Latina.
Em parceria com o European Cultural Center (ECC), o ArchDaily lança sua exposição inaugural como parte da sétima edição da Time Space Existence, uma mostra de arquitetura realizada simultaneamente à 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza. Aberta de 10 de maio a 23 de novembro de 2025 em diversos locais de Veneza, esta edição se concentra no tema "Reparar, Regenerar e Reutilizar", promovendo abordagens inovadoras e sustentáveis na arquitetura. A contribuição do ArchDaily está localizada no Palazzo Mora, complementando outros espaços como o Palazzo Bembo, os Jardins de Marinaressa e o Palazzo Michiel.
Um pavilhão em uma Bienal serve como plataforma de expressão cultural, permitindo que uma nação articule sua identidade arquitetônica ao mesmo tempo em que responde a desafios globais. Essas exposições nacionais refletem como cada país interpreta o tema central do evento sob a ótica de suas próprias paisagens, histórias e aspirações futuras, reforçando a capacidade da arquitetura de atuar não apenas como uma disciplina construída, mas também como um catalisador de reflexão, transformação e diálogo. Nesse contexto, a contribuição de Montenegro ressoa com força especial. Intitulado Terram Intelligere: INTERSTITIUM, o pavilhão baseia-se no conceito de um sistema anatômico recém-compreendido de espaços preenchidos por fluidos que percorrem todo o corpo humano, facilitando conexões e trocas. Antes considerado denso e inerte, o interstitium (interstício) revela-se agora como uma rede de inter-relação dinâmica — uma metáfora que a equipe de curadoria utiliza para reformular a arquitetura como uma investigação ativa e viva sobre a inteligência natural, artificial e coletiva, em sintonia com o tema desta edição: Natural. Artificial. Coletivo.
Render do ICCR Gana. Imagem cortesia de Adjaye Associates
Adjaye Associates revelou o projeto para o Centro Internacional de Pesquisa em Câncer Infantil (ICCRC) em Kyebi, no Gana. Encomendado pela Fundação Wish4Life, o projeto representa um passo importante no desenvolvimento dos cuidados de saúde pediátricos na África Ocidental. Localizado em um terreno de 225.000 metros quadrados nas encostas orientais da Cordilheira de Atewa, o ICCRC foi concebido como uma instalação integrada dedicada à cura, pesquisa, educação e engajamento comunitário. Este será o primeiro centro da região voltado exclusivamente ao tratamento do câncer infantil. Atualmente, o projeto está em exibição na mostra Time Space Existence, parte da Bienal de Arquitetura de Veneza 2025, em cartaz no Palazzo Bembo até 23 de novembro de 2025.
Premier Office / Tropical Space. Imagem cortesia de Diversity in Architecture - DIVIA Award
O Prêmio Diversity in Architecture (DIVIA) 2025 foi concedido à arquiteta vietnamita Trần Thị Ngụ Ngôn, fundadora do escritório Tropical Space, em cerimônia realizada no dia 10 de maio de 2025 no European Cultural Centre (ECC), no Palazzo Mora, em Veneza. A premiação inclui reconhecimento internacional e um prêmio de € 10.000, homenageando arquitetas cujo trabalho contribui para a diversidade cultural e a inclusão na arquitetura. A edição deste ano contou com outras cinco finalistas: Carolina Rodas e Carla Chávez, do Equador; Izaskun Chinchilla, da Espanha; Cazú Zegers, do Chile; Patcharada Inplang, da Tailândia; e Surella Segú, do México. Todas as finalistas tiveram seus trabalhos apresentados como parte da exposição Time Space Existence, organizada pelo ECC.
VARID: Um Kit de Ferramentas de RA-RV para Design Inclusivo. Imagem cortesia de Foster + Partners
Na última década, o projeto de arquitetura baseou-se em métodos bidimensionais de representação, como elevações, cortes e plantas baixas, combinados com renderizações digitais de modelos 3D. Embora essas ferramentas sejam essenciais para transmitir a geometria e a intenção projetual, elas continuam limitadas por seu formato bidimensional. Mesmo as renderizações mais realistas, criadas em softwares como SketchUp, Revit ou AutoCAD, ainda achatam o espaço e distanciam o observador da experiência vivenciada de um projeto. Recentemente, arquitetos/as começaram a explorar tecnologias imersivas como uma forma de encurtar essa distância entre o desenho e a experiência, oferecendo novas maneiras de habitar e avaliar propostas espaciais.
Sistema de porta de correr SL500. Imagem cortesia de ASSA ABLOY
Ao longo da história, as portas — e, posteriormente, as portas automáticas — desempenharam um papel muito mais amplo do que a mera marcação de uma entrada ou saída. Elas definem limiares, guiam o fluxo de movimento e moldam sutilmente a maneira como as pessoas interagem em um espaço. É possível traçar sua evolução até o século I, quando Heron de Alexandria projetou uma porta movida a vapor — um exemplo pioneiro da fusão entre tecnologia e arquitetura. Desde então, os sistemas de portas automáticas sem toque incorporaram avanços tecnológicos que aprimoram sua operação e redefinem seu papel nos edifícios. Hoje, eles estão integrados a uma variedade de tipologias e escalas de edifícios, atuando como elementos de transição que aumentam o conforto, a eficiência energética e a qualidade geral dos espaços internos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143019/o-futuro-mais-verde-dos-sistemas-de-portas-automaticas-uma-mudanca-no-design-e-no-desempenhoEnrique Tovar
A Buildner anunciou os resultados do seu concurso, o Last Nuclear Bomb Memorial No.5. A competição é realizada anualmente em apoio à proibição universal de armas nucleares. Em 2017, por ocasião do 75º aniversário dos bombardeios de 1945 em Nagasaki e Hiroshima, que ceifaram a vida de mais de 100.000 pessoas, as Nações Unidas adotaram o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.
Em reconhecimento a este tratado, a Buildner convida propostas conceituais para um memorial a ser implantado em qualquer local conhecido de testes de armas nucleares já desativado. O memorial conceitual busca refletir sobre a história e a constante ameaça das armas nucleares, com o objetivo de promover a conscientização pública sobre o desarmamento nuclear.
O desafio busca direcionar a atenção para a história e os perigos das armas nucleares. Os/as participantes têm como tarefa projetar um espaço que homenageie as vítimas da guerra nuclear e transmita a necessidade de um futuro livre de armas nucleares. Por se tratar de um concurso "silencioso", as propostas não podem incluir textos, títulos ou anotações.
A próxima edição deste concurso, o Last Nuclear Bomb Memorial No. 6, já foi lançada, com prazo de inscrição antecipada até 12 de junho de 2025.
A arquiteta e educadora bangladequense Marina Tabassum e seu escritório, Marina Tabassum Architects, foram selecionados para projetar o Pavilhão Serpentine de 2025. Intitulada "A Capsule in Time", a proposta se inspira na natureza efêmera da arquitetura no Delta de Bengala, incorporando uma estrutura semitransparente que busca evocar um senso de comunidade e conexão. O Pavilhão será aberto ao público de 6 de junho a 26 de outubro de 2025, com uma pré-estreia para a imprensa dois dias antes da abertura oficial. O projeto de Tabassum marcará os 25 anos desde a primeira comissão da Serpentine, a estrutura inaugural de Zaha Hadid no Hyde Park em 2000.
2025 Creatives For Our Future - Casa Modular AllSpace. Imagem cortesia de Swarovski Foundation
A arquiteta nigeriana Blossom Eromosele desenvolveu o AllSpace, um projeto de habitação modular inspirado na arquitetura tradicional africana. O projeto foi criado como parte da quarta edição do programa global de mentoria e subsídios Creatives for Our Future, da Fundação Swarovski, desenvolvido em colaboração com o Escritório de Parcerias das Nações Unidas. Entre os seis projetos selecionados, o AllSpace busca responder à atual crise de refugiados na Nigéria com uma solução habitacional de baixo custo e movida a energia solar para campos de refugiados.
Na virada do milênio, o mundo foi dominado pela ameaça iminente do Bug do Milênio (Y2K), uma falha potencial nos sistemas de computadores que poderia paralisar desde o setor bancário até a aviação. Conforme a meia-noite de 31 de dezembro de 1999 se aproximava, pessoas sacavam suas economias, grandes corporações emitiam alertas e governos se mobilizavam para evitar a histeria coletiva. No entanto, quando o sol nasceu em 1º de janeiro de 2000, o temido bug não causou nenhum impacto real, e a crise se dissipou tão rapidamente quanto havia surgido. Contudo, esse período deixou marcas em lugares inesperados — especialmente na arquitetura. Em meio à ansiedade em relação à tecnologia digital, nascia uma das casas de espetáculo mais icônicas do nosso tempo, a Casa da Música, no Porto. Projetada pelo OMA (Office for Metropolitan Architecture), sua origem remonta a um projeto muito menor: a Y2K House. O que começou como uma investigação sobre a domesticidade privada durante o pânico digital evoluiu para uma estrutura pública monumental — uma transição arquitetônica da esfera residencial para uma sala de concertos.
À medida que a inteligência artificial (IA) se torna cada vez mais integrada à sociedade, torna-se essencial pausar e refletir sobre os fundamentos que a sustentam — e as dimensões até as quais ela se estende. No cerne do aprendizado da IA estão os conjuntos de dados (datasets), cuja estrutura e conteúdo moldam a maneira como esses sistemas interpretam e respondem ao mundo. Essa dependência cria uma profunda interdependência — que não apenas informa as capacidades da IA, mas também define seus potenciais pontos cegos. Diante disso, cabe perguntar: quais formas de compreensão esse processo pode excluir, especialmente aquelas difíceis de serem capturadas em formato digital?
Sem espaços dedicados à concentração individual — um elemento crucial para uma colaboração eficaz —, até mesmo a ideia mais brilhante perde o brilho. O escritório precisa, de fato, equilibrar a conectividade e o espaço pessoal de forma primorosa, permitindo que os/as profissionais transitem entre as tarefas sem atritos. Cabines como as hushFree.XS, hushFree.S.Hybrid e hushFree.S fazem parte dessa abordagem, formando juntas um trio de cabines individuais que atende à maior parte das necessidades de espaços de trabalho individuais no escritório.
As cabines hushFree.XS, hushFree.S.Hybrid e hushFree.S funcionam como um sistema completo, garantindo que os/as profissionais tenham as condições adequadas para um trabalho individual produtivo ao longo do dia, revelando-se ferramentas valiosas para arquitetos/as no desenvolvimento de projetos que atendam plenamente às variadas necessidades dos/as colaboradores/as. Cabines como essas tornam-se refúgios de alto padrão para chamadas focadas, espaços surpreendentemente imersivos para videoconferências e verdadeiras bolhas de concentração profunda.
Kabage Karanja, cofundador e diretor do Cave_bureau, sediado em Nairóbi, no Quênia, e Kathyrn Yusoff, professora de Geografia Inumana na University of London, estão à frente da curadoria do Pavilhão Britânico na 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza. Juntos, compõem a equipe de curadoria anglo-queniana responsável por GBR – Geology of Britannic Repair, uma exposição que repensa o pavilhão tanto como um espaço material quanto simbólico. A proposta do duo reflete sobre o legado arquitetônico da Grã-Bretanha e suas conexões com as histórias de colonialismo, extração geológica e a urgência da crise climática. Como reconhecimento por explorarem a relação entre a Grã-Bretanha e o Quênia, com foco em temas de reparação e renovação, a equipe de curadoria e o comissariado do pavilhão receberam uma Menção Especial de Participação Nacional do júri da Bienal. Durante a cobertura presencial em Veneza, a equipe editorial do ArchDaily conversou com os/as curadores/as sobre os conceitos que moldaram o Pavilhão Britânico.
O pódio existente, localizado em frente ao Edifício do Secretariado em Freetown, homenageia os soldados da Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, passou a incluir também os combatentes da Segunda Guerra Mundial. Para isso, contudo, foi removida uma pequena menção aos homens do Corpo de Carregadores — uma ausência que este novo projeto busca reparar. A fundadora do escritório, Tosin Oshinowo, é a primeira mulher e a primeira arquiteta da África Ocidental a projetar um memorial para a CWGC.
A presença da inteligência artificial (IA) na arquitetura não é mais uma promessa futurista, mas uma realidade concreta que transforma radicalmente o modo de projetar. Em questão de segundos, sistemas computacionais são capazes de processar e validar múltiplas variáveis — formais, programáticas, contextuais, normativas — conduzindo arquitetos a soluções altamente otimizadas. Contudo, enquanto celebramos essa revolução algorítmica, emerge uma inquietação crítica: será que a inteligência arquitetônica pode ser limitada a uma operação lógica de dados? Em resposta, ganham força abordagens que revalorizam modos de construir baseados na experiência sensível, na adaptação ao território e na transmissão intergeracional de conhecimento. Nesse diálogo entre inteligências artificiais e ancestrais, emerge uma compreensão mais profunda. A verdadeira inteligência não reside nas ferramentas em si, mas na intencionalidade e na sensibilidade com que as utilizamos para responder às complexidades do contexto.
A 19ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza abriu oficialmente suas portas ao público no último dia 10 de maio, tornando-se um grande palco internacional para conhecer a atualidade da arquitetura mundial e propor discussões em torno dos desafios enfrentados hoje pela disciplina, tanto os compartilhados quanto os específicos de cada território. Sob o lema deste ano, "Intelligens. Natural. Artificial. Collective", a proposta do curador-geral, o arquiteto italiano Carlo Ratti, convida a refletir sobre la interconexão da arquitetura com outras disciplinas, como a arte, a inteligência artificial e a tecnologia, destacando também os territórios, as paisagens e, sobretudo, as pessoas que habitam e moldam coletivamente nosso ambiente construído.
A arquitetura detém um poder que vai além da criação de edifícios — trata-se de uma prática que molda a maneira como as pessoas vivem, interagem e prosperam em suas comunidades. Ela também pode funcionar como uma ferramenta de inovação social. A partir da compreensão de processos centrados no ser humano, do design participativo e das ciências sociais, profissionais da área conseguem abordar desafios societários como a solidão, a desigualdade e a saúde pública, transformando espaços em vetores de equidade social e engajamento. O papel da arquitetura na definição do futuro das comunidades responde diretamente às necessidades humanas e à promoção de transformações sociais ativas.
Uma casa ancestral no vilarejo rural de Willendorf in der Wachau parece vigiar um pomar de árvores frutíferas. As árvores resistem há gerações e, até hoje, fornecem os frutos que servem de base para o negócio da família. Delimitados de um lado pelo rio Danúbio e do outro pela encosta do vale, tanto a casa quanto o pomar testemunharam juntos a passagem de inúmeras estações. A cada transição entre a escuridão e a luz, do inverno ao verão, surge a inevitabilidade da mudança.
O Canada Council for the Arts apresenta Picoplanktonics no Pavilhão do Canadá como parte da 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia, que acontece até 23 de novembro de 2025. Desenvolvida pelo Living Room Collective, a instalação aborda os desafios ecológicos globais em andamento por meio de uma abordagem de projeto especulativa e baseada em pesquisa, apresentando estruturas arquitetônicas impressas em 3D que incorporam cianobactérias vivas capazes de realizar o sequestro de carbono. Fruto de uma colaboração de quatro anos liderada por Andrea Shin Ling junto a um grupo interdisciplinar de colaboradores/as, o projeto investiga o potencial de coconstrução do ambiente construído com sistemas vivos.
Novo assentamento e produção em Øm. Render. Imagem cortesia de THIRD NATURE
O escritório de arquitetura dinamarquês Third Nature, em parceria com Sophie Sahlqvist Landskab, Arkaia, ILC e Artelia, divulgou recentemente imagens de Øhjem, sua proposta de visão estratégica para a renaturalização da Grande Copenhague, na Dinamarca, com horizonte até 2050. O plano regenerativo integra o programa Water's Ways, inserido na iniciativa Agenda Earth, um projeto interdisciplinar coordenado pela Associação Dinamarquesa de Arquitetos/as em colaboração com a Fundação Dreyers e a Ordem dos Advogados da Dinamarca. Sob a liderança do/a urbanista Boris Brorman Jensen, o programa propõe soluções de longo prazo para restaurar 15% das terras agrícolas dinamarquesas, além de proteger 600 mil residências contra ameaças relacionadas à água. O masterplan Øhjem, desenvolvido pelo Third Nature, redefine os 25 km de Ramsø Dale como um passo rumo à implementação das metas de gestão do território descritas no Acordo Tripartite Verde Dinamarquês (Grøn Trepart), assinado em junho de 2024.
Em Veneza, cercada por uma abundância avassaladora de beleza arquitetônica — a imponência de marcos como a Basílica de São Marcos, a Praça de São Marcos e a Ponte Rialto, para citar apenas alguns —, é fácil deixar-se envolver pela imagética icônica e pela imponência espacial da cidade. Com isso, corre-se o risco de perder de vista momentos mais discretos, porém igualmente magistrais, encontrados na execução de detalhes em sua malha urbana. Para além da grandiosidade, a cidade oferece uma riqueza em seus becos sinuosos, canais estreitos e vida urbana vibrante — cada um desses elementos contribuindo para a tapeçaria cultural que torna Veneza tão singular. Em meio a esses elementos consagrados, no entanto, residem detalhes arquitetônicos sutis, mas notáveis, que frequentemente passam despercebidos. Eles merecem uma observação e reflexão mais atentas, pois oferecem um tipo próprio de maestria — fundamentado na precisão material, no fazer artesanal e nos ritmos cotidianos da cidade.
A pouquíssimos passos da icônica Praça de São Marcos, um diálogo arquitetônico silencioso se desenrola entre duas figuras célebres. A menos de um minuto de caminhada de distância, dois projetos meticulosamente executados situam-se em estreita proximidade: o Showroom da Olivetti de Carlo Scarpa, um local de peregrinação há muito reverenciado por profissionais da arquitetura e do design, e a recently reopened Procuratie Vecchie, restaurada pelo escritório David Chipperfield Architects. Um olhar mais atento aos detalhes arquitetônicos incorporados em cada obra revela um intercâmbio fascinante através do tempo — que se desdobra por meio da linguagem material, da precisão espacial e de um compromisso inabalável com o ofício construtivo.
Durante a exposição Time Space Existence, organizada pelo European Cultural Centre em Veneza, o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Alejandro Aravena e seu escritório ELEMENTAL revelaram um protótipo em escala real para uma nova abordagem em soluções de habitação incremental. Intitulada USB Core — sigla para Protótipo de Habitação com Unidade de Serviços Básicos —, a proposta visa demonstrar como uma construção eficiente pode fornecer todos os componentes habitacionais essenciais em um espaço mínimo. O protótipo é fruto de uma colaboração entre o escritório de arquitetura e a fabricante e pesquisadora de concreto Holcim, sendo construído a partir de uma mistura de concreto com emissões líquidas zero recém-desenvolvida. O projeto também incorpora agregados totalmente reciclados, alinhando-se aos princípios da economia circular. A parceria busca demonstrar uma maneira mais consciente do ponto de vista ambiental, porém economicamente viável, de fornecer serviços essenciais a comunidades vulneráveis sem prejudicar o planeta.
Durante sua estada em Veneza, a editora-chefe do ArchDaily, Maria-Cristina Florian, teve a oportunidade de conversar com Alejandro Aravena sobre as implicações dessa colaboração, a necessidade urgente de moradia e o papel do/a arquiteto/a como coordenador/a de um processo que envolve múltiplos atores.
O Pavilhão da Eslovênia na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia apresenta Master Builders, um projeto com curadoria de Ana Kosi e Ognen Arsov e organizado pelo Museu de Arquitetura e Design (MAO). O projeto aborda a evolução da tecnologia de construção, abrangendo robótica, pré-fabricação, inteligência artificial, impressão 3D e outras ferramentas emergentes, ao mesmo tempo em que chama a atenção para um paradoxo notável nessa transição tecnológica e enfatiza que a qualidade do ambiente construído continua a depender fortemente do conhecimento tácito de artesãos/ãs qualificados/as. Ao construir uma série de totens, o projeto examina a dinâmica colaborativa entre profissionais de arquitetura e de ofício, revelando como essa relação molda a materialização física da arquitetura.