A iniciativa Capital Europeia da Cultura (CEC) foi lançada em 1985 e, até o momento, contemplou mais de 60 cidades em toda a Europa. O projeto busca celebrar e promover a diversidade cultural no continente, fortalecer o sentimento de pertencimento da população europeia a um espaço cultural compartilhado e incentivar a contribuição da cultura para o desenvolvimento urbano. Na prática, a nomeação tem se mostrado um catalisador para a regeneração urbana, o crescimento do turismo, o fortalecimento do perfil internacional das cidades e a melhoria de como elas são percebidas por seus próprios habitantes. As Capitais Europeias da Cultura são formalmente designadas quatro anos antes do ano do título, garantindo tempo para planejar, preparar e integrar o programa a uma estratégia cultural de longo prazo, estabelecer parcerias europeias e assegurar a infraestrutura necessária. Em 2025, as Capitais Europeias da Cultura são a cidade alemã de Chemnitz e a cidade eslovena de Nova Gorica. Para 2026, as cidades escolhidas são Oulu na Finlândia e Trenčín na Eslováquia.
O escritório Heatherwick Studio foi selecionado para liderar o projeto de reformulação do Centro de Convenções Coex, em Seul, após um concurso que buscou reimaginar o propósito e as fachadas do edifício. Em colaboração com a Associação de Comércio Internacional da Coreia (KITA), a proposta do escritório busca transformar o centro de convenções em um espaço público mais aberto e acolhedor, que reflita a evolução da identidade de Seul.
Mies Crown Hall Americas Prize (MCHAP) anunciou os cinco projetos finalistas do Prêmio Américas de 2025, destacando obras na Argentina, Canadá, México e Estados Unidos. O anúncio foi feito pelo diretor do MCHAP, Dirk Denison, e pelo presidente do júri deste ano, Maurice Cox. O prêmio bienal, instituído em 2013 pela Faculdade de Arquitetura do Illinois Institute of Technology, reconhece realizações arquitetônicas excepcionais nas Américas do Norte, Central e do Sul. Avaliando obras concluídas entre junho de 2022 e dezembro de 2023, a premiação busca destacar projetos que contribuem significativamente para suas comunidades e elevam os padrões profissionais.
O projeto vencedor será anunciado em 5 de maio, durante um simpósio no Illinois Institute of Technology. Os/as autores/as do projeto vencedor receberão o Prêmio MCHAP, uma cátedra na Faculdade de Arquitetura do IIT e uma bolsa de US$ 50.000 para pesquisa e publicação.
A segunda edição do Ammodo Architecture Award reconheceu 26 iniciativas por suas contribuições ao design social e ecologicamente responsável. Selecionados entre 168 propostas vindas de mais de 60 países, os projetos laureados representam uma ampla gama de práticas, desde escritórios consolidados até coletivos emergentes e iniciativas lideradas por comunidades. Cada proposta premiada recebe uma subvenção que varia de € 10.000 a € 150.000 para apoiar o desenvolvimento contínuo de suas atividades. Além do reconhecimento e do apoio financeiro, a iniciativa Ammodo Architecture também funciona como uma plataforma de conhecimento, conectando os projetos premiados de diferentes regiões e facilitando a troca de ideias sobre temas-chave identificados pelo comitê consultivo.
O tempo está se esgotando! Convidamos você a participar do Prêmio ArchDaily Building of the Year 2025, votando nos projetos que causaram o maior impacto no ambiente construído.
Este ano, a base de dados de projetos do ArchDaily apresentou milhares de obras inspiradoras e, graças à sua participação, 4.000 projetos foram reduzidos a apenas 75 finalistas—representando o melhor em cada categoria. Agora, é hora de escolher os projetos vencedores.
Após a notícia do falecimento aos 96 anos de Frank Gehry, as atenções se voltaram novamente para uma carreira que moldou significativamente o discurso arquitetônico a partir do final do século XX. Ao longo de mais de sete décadas, Gehry desenvolveu uma linguagem de projeto definida pela experimentação de materiais, pela modelagem de maquetes de forma iterativa e pelo interesse em formas fluidas e expressivas. Sua obra abrange desde as primeiras intervenções residenciais no sul da Califórnia até grandes instituições culturais que contribuíram para a identidade de cidades em todo o mundo. Juntos, esses projetos delineiam uma trajetória que se cruzou com mudanças nas tecnologias de fabricação, nas tipologias de museus e nas estratégias de requalificação urbana.
Casa de Veraneio Nature Within - Corte. Imagem Cortesia de Unformed Design
A virada do ano marcou o ápice de diversos processos no universo de escritórios de arquitetura de renome. Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, o Gensler revelou a imagem de um projeto de requalificação em Manhattan, o Foster + Partners divulgou renders de um novo hotel e residências de luxo no Brasil, e o Herzog & de Meuron anunciou a data de conclusão do novo Memphis Art Museum. Concursos internacionais também revelaram seus resultados, destacando o projeto vencedor do jovem escritório Unformed Design, além da colaboração entre o escritório português Fala Atelier e o suíço Continentale em um projeto de arquitetura educacional. Essas propostas demonstram a amplitude do projeto de arquitetura, desde o detalhamento da relação de um empreendimento de alto padrão com a natureza até o potencial de renovação urbana de um projeto de conversão programática.
O Pavilhão da China na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia apresenta a exposição CO-EXIST, com curadoria de Ma Yansong, fundador/a do MAD Architects, e organizada pelo Ministério da Cultura e Turismo da República Popular da China no Arsenale. Por meio de dez obras de doze grupos interdisciplinares, o pavilhão examina como o pensamento filosófico tradicional chinês pode fundamentar respostas arquitetônicas na era da tecnologia avançada e da inteligência artificial.
A instalação e a exposição que representam a Estônia na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza têm curadoria das arquitetas Keiti Lige, Elina Liiva e Helena Männa. Intitulada Let Me Warm You, a mostra nacional explora diferentes dimensões da sustentabilidade ao questionar se as renovações focadas em isolamento térmico na Estônia são meras medidas de conformidade para atingir as metas energéticas europeias ou se também podem servir como oportunidades para melhorar a qualidade espacial e social dos distritos de habitação de massa. Para ilustrar essa questão, a instalação estoniana reveste a fachada de um edifício veneziano com painéis de isolamento, replicando a maneira como são comumente aplicados na Estônia em reformas de habitações coletivas.
A arquiteta franco-libanesa Lina Ghotmehfoi incluída na lista TIME100 Next 2025, uma seleção anual de líderes e inovadores emergentes de diversas áreas. Conhecida por sua abordagem sensível ao contexto e à materialidade, Ghotmeh construiu um portfólio internacional que une tradição e modernidade. Em seu perfil na TIME, escrito pelo arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels, Ghotmeh é elogiada por combinar consciência histórica com uma experimentação voltada para o futuro. O reconhecimento a posiciona como a única arquiteta na lista deste ano, destacando a presença contínua do design em uma seleção que costuma abranger entretenimento, política, ciência e negócios.
O escritório internacional de arquitetura Populous anunciou a fase inicial da requalificação do Stadio Giuseppe Sinigaglia, em colaboração com o Como 1907 e o Município de Como, na Itália. O projeto visa modernizar o histórico estádio, mantendo seu papel como um polo central para a comunidade. O processo começa com a apresentação do Documento de Viabilidade de Alternativas de Projeto (DOCFAP), uma etapa fundamental para avaliar as possíveis abordagens de projeto. A expectativa é que o processo de aprovação seja concluído até maio de 2026, marcando a finalização da primeira etapa do projeto.
Nas últimas semanas, diversos escritórios de arquitetura revelaram novos projetos que refletem uma transição contínua em direção a um planejamento urbano integrado e ambientalmente responsivo. Da Europa ao Oriente Médio e à América do Norte, estas propostas equilibram inovação espacial com sustentabilidade de longo prazo, seja por meio de estilos de vida livres de carros, estratégias de desempenho passivo ou construção modular adaptativa. Enquanto alguns projetos reimaginam a infraestrutura e as instituições públicas, outros exploram como a densidade urbana pode coexistir com os ecossistemas naturais. Esta edição do Architecture Now destaca uma seleção de masterplans, edifícios culturais e comunidades residenciais anunciados recentemente que oferecem novos modelos de resiliência ecológica e social no ambiente construído.
"There Is Nothing to See Here" ("Não há nada para ver aqui") é o título da exposição que ocupará o Pavilhão da Hungria na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025. Desde 2015, o Ludwig Museum of Contemporary Art administra e organiza tanto a exposição temporária quanto o edifício. Este ano, a mostra apresenta uma visão alternativa para o futuro da profissão. Com curadoria do/a diretor/a criativo/a e professor/a assistente Márton Pintér, em colaboração com Ingrid Manhertz, András Graf e Júlia Böröndy, fundadora da plataforma Women in Architecture (WIA), a exposição apresentará o trabalho de 12 profissionais de arquitetura que aplicam seus conhecimentos em áreas que vão além da prática tradicional.
Centro de Miami. Foto por Rolando Yera no Unsplash
Estendendo-se ao longo da costa atlântica no extremo sul da Flórida, Miami é frequentemente apresentada por meio de imagens de cartão-postal com praias, palmeiras e torres de vidro voltadas para o mar. No entanto, por trás dessa imagem familiar esconde-se uma cidade moldada pela migração, pelo turismo e por ciclos imobiliários, onde a arquitetura tem sido repetidamente utilizada para projetar novas identidades e reinventar a paisagem urbana. Dos primeiros hotéis resort e das fachadas Art Deco de South Beach a arranha-céus experimentais e instituições culturais na baía, o ambiente construído oferece uma chave de leitura sobre como Miami negocia clima, economia e cotidiano.
Ao longo do último século, a cidade cresceu por meio de sucessivas camadas de desenvolvimento que permanecem visíveis em suas ruas e horizontes. A geometria aerodinâmica e os tons pastel do histórico Art Deco District coexistem com as formas exuberantes dos motéis do Miami Modern (MiMo) e da infraestrutura do pós-guerra ao longo do Biscayne Boulevard. O centro (Downtown) e Brickell transformaram-se de distritos comerciais de baixa densidade em adensados aglomerados de torres residenciais e corporativas, muitas delas projetadas por escritórios internacionais em parceria com escritórios locais. Paralelamente, bairros como Little Havana, Allapattah e Wynwood revelam como comunidades diaspóricas, o patrimônio industrial e as indústrias criativas ocupam e adaptam o tecido existente, muitas vezes em contraste com a orla focada em imagem.
Path of Knowledge - Southern Branch of the National Central Library Nome do expositor: Bio-architecture Formosana, CRA Carlo Ratti Associati. Imagem cortesia de National Taiwan Museum of Fine Art.
Localizada no sul da Espanha, Sevilha se revela como uma cidade de múltiplas camadas, moldada por séculos de cruzamentos culturais. Como antiga capital de Al-Andalus e porto central durante a expansão do Império Espanhol, seu ambiente construído reflete uma profunda complexidade histórica. Das fundações romanas às geometrias islâmicas, dos palácios renascentistas às intervenções contemporâneas, Sevilha apresenta uma narrativa espacial única, na qual a arquitetura reflete diretamente suas transformações políticas, religiosas e sociais.
O patrimônio arquitetônico da cidade é indissociável de seu clima e de sua geografia. Ruas estreitas e sombreadas, pátios internos e o uso da água como elemento espacial revelam um profundo conhecimento de adaptação ambiental que, ainda hoje, orienta a articulação dos espaços públicos e privados. Enquanto marcos monumentais como o Alcázar, a Giralda ou a Catedral preservam e reinterpretam legados históricos, projetos modernos começaram a introduzir novos materiais, programas e tipologias espaciais, desafiando formas convencionais e propondo maneiras alternativas de habitar a cidade.
Frankfurt é frequentemente reconhecida por seu skyline marcante, uma característica rara nas cidades europeias. Grandiosos arranha-céus de vidro consolidam seu papel como um polo financeiro global; no entanto, por trás dessa imagem vertical, revela-se uma cidade construída sobre camadas de séculos de história, destruição e reconstrução. De casas medievais em enxaimel ao modernismo do pós-guerra e edifícios altos contemporâneos, Frankfurt tem se reinventado constantemente através da arquitetura, gerando um ambiente construído onde diferentes períodos coexistem em diálogo.
A transformação da cidade acelerou após a Segunda Guerra Mundial, quando grande parte de seu núcleo histórico foi destruída e as equipes de planejamento urbano buscaram equilibrar o rápido crescimento econômico com a necessidade de reconstrução cultural. Marcos urbanos como a praça Römerberg foram meticulosamente reconstruídos, enquanto intervenções modernistas e projetos de infraestrutura introduziram novas escalas e linguagens. Mais recentemente, projetos de escritórios de renome internacional reformularam a orla do rio e os distritos de negócios, somando ícones arquitetônicos que expressam a relevância global de Frankfurt.
Nas últimas décadas, Santiago evoluiu para um polo de exploração arquitetônica contemporânea, mesclando seu charme histórico a intervenções modernas. Projetos como a Cidade da Cultura, do escritório Eisenman Architects, refletem um diálogo ambicioso entre o design de vanguarda e a paisagem natural da Galícia. Somam-se a isso obras de Álvaro Siza Vieira, Arata Isozaki, Francisco Mangado e outros grandes nomes da arquitetura, que incorporam materiais e formas locais em projetos inovadores. Juntas, essas obras posicionam Santiago de Compostela como um destino arquitetônico dinâmico na narrativa cultural mais ampla da Espanha.
Ao todo, o festival de três dias contará com mais de 460 apresentações ao vivo dos finalistas de 2025, avaliadas por mais de 160 jurados e juradas internacionais. Hoje, projetos selecionados de todo o mundo competiram em 21 categorias nas áreas de Edifícios Concluídos, Projetos Futuros e Interiores. Entre os premiados estão OMA, Sordo Madaleno, Studio Arthur Casas e NIKKEN SEKKEI.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142056/world-architecture-festival-2025-anunciados-os-vencedores-do-segundo-diaEnrique Tovar
As notícias de arquitetura desta semana refletem um amplo engajamento sobre como instituições, profissionais e plataformas culturais estão se posicionando em relação ao legado histórico e às transformações de longo prazo. Em museus, galerias e grandes eventos culturais, a arquitetura vem sendo apresentada como uma infraestrutura pública em constante evolução, que precisa responder a acervos em expansão, novos modelos curatoriais e demandas crescentes por acessibilidade, sustentabilidade e presença cívica. Paralelamente a esses desenvolvimentos institucionais, reconhecimentos e nomeações profissionais destacam práticas fundamentadas na especificidade do local, na conservação e em pesquisas críticas, evidenciando o papel da arquitetura na mediação entre contextos históricos e demandas contemporâneas.
Jenny E. Sabin é uma arquiteta, designer e educadora estadunidense conhecida por seu trabalho na interseção entre arquitetura, computação e biomateriais. Ela integra fabricação digital, materiais responsivos e design bioinspirado em sua prática de arquitetura e dirige um estúdio experimental, o Jenny Sabin Studio, com sede em Ithaca, Nova York. Nesta entrevista para o Louisiana Channel, ela compartilha sua trajetória pessoal de artista a cientista, explica como sistemas biológicos e de materiais podem ser aplicados em escala arquitetônica e discute sua atuação no ensino e na pesquisa na Cornell University. A arquiteta detalha seu interesse em aproximar as pessoas por meio de novas estratégias para uma arquitetura responsiva e adaptável. Em sua visão, as conexões entre o digital, o físico e o biológico definem uma mudança de paradigma na evolução da arquitetura, convergindo com outros campos da experiência física para criar um futuro mais interconectado.
Bilbao, a maior cidade do País Basco, na Espanha, passou por uma transformação notável nas últimas décadas. Antes um polo industrial, a cidade se redefiniu como um centro de cultura, inovação e regeneração urbana. Essa evolução foi impulsionada, em parte, pela arquitetura, que desempenha um papel central na construção da identidade de Bilbao. De marcos contemporâneos a espaços cuidadosamente reaproveitados, o ambiente construído da cidade reflete um equilíbrio meticuloso entre honrar seu patrimônio industrial e abraçar a modernidade.
O ponto de virada na narrativa arquitetônica de Bilbao ocorreu com a inauguração do Museu Guggenheim Bilbao em 1997. Projetada por Gehry Partners, essa estrutura icônica catalisou a renovação da cidade, desencadeando uma onda de investimentos urbanos e culturais. Essa transformação ficou conhecida como o "efeito Bilbao", um fenômeno no qual um único e expressivo projeto arquitetônico impulsiona uma regeneração urbana e um crescimento econômico mais amplos. Hoje, Bilbao apresenta uma paisagem arquitetônica dinâmica, onde obras de nomes internacionais como Santiago Calatrava, Norman Foster e Arata Isozaki coexistem com projetos de escritórios locais, tais como ACXT e Coll-Barreu Arquitectos. Juntas, essas intervenções ilustram como a arquitetura pode ser uma poderosa ferramenta de revitalização social, econômica e cultural.