O ArchDaily está abrindo uma convocatória global para estudantes de arquitetura e design participarem do Programa de Embaixadores/as Estudantis do ArchDaily, uma iniciativa criada para fortalecer as conexões entre as universidades e a maior plataforma de arquitetura do mundo. O programa convida estudantes motivados/as a se tornarem representantes locais do Student Project Awards, ajudando a ampliar a participação, a visibilidade e o engajamento dentro de suas comunidades acadêmicas, ao mesmo tempo em que contribuem para um diálogo global mais amplo sobre o ensino de arquitetura.
O Programa de Embaixadores/as Estudantis do ArchDaily é uma iniciativa global projetada para capacitar estudantes a representar e promover o Student Project Awards e a missão educacional mais ampla do ArchDaily em suas respectivas universidades. Atuando como uma ponte entre o ArchDaily e as comunidades acadêmicas, as pessoas embaixadoras ajudam a conscientizar, incentivar a participação e promover um engajamento significativo entre estudantes, ateliês e corpo docente. Os/as participantes selecionados/as receberão uma assinatura gratuita do ArchDaily durante o período de sua atuação e terão acesso exclusivo a uma rede global de arquitetura e novos aprendizados.
Em 2025, o campo da arquitetura foi marcado por um calendário intenso de exposições, por uma desaceleração moderada na construção civil em diversas regiões e por um período de reflexão que examina o impacto da inteligência (artificial e natural) — tanto na prática profissional e na cultura do ambiente de trabalho quanto em seu uso como ferramenta pedagógica. Ao longo deste ano, o ArchDaily publicou mais de 30 entrevistas em diversos formatos — perguntas e respostas, conversas presenciais, vídeos especiais e muito mais. Esses diálogos abordaram temas como sustentabilidade e natureza, habitação e desenvolvimento urbano, IA e inteligência, reuso adaptativo e vida pública, além de terem acompanhado de perto importantes plataformas de exposição, incluindo a Bienal de Veneza, a Expo 2025 Osaka, a Semana de Design de Milão, o Concentrico, entre outras.
Em meio a inúmeras perguntas, reflexões e debates sobre como repensar o que um hotel pode ser, a arquitetura hoteleira atual enfrenta complexidades crescentes que abrangem a experiência do/a usuário/a, a responsabilidade ambiental e a relação com o contexto local. O design contemporâneo de hotéis demonstra uma intenção clara — e cada vez mais proeminente — de se integrar de forma fluida e harmoniosa ao seu entorno, construindo um senso de identidade que responde às culturas, tradições e ao caráter local. A interconexão com a natureza, somada à reinterpretação dos hotéis como espaços de diálogo com o entorno, estabelece uma relação direta que expande seus limites para além da história e das origens das diversas práticas que moldaram — e continuam a definir — suas características locais e filosofia de vida.
Em uma época em que muitos hotéis são projetados para parecerem destinos, o verdadeiro desafio é conceber hotéis que surjam organicamente de seu destino. No entanto, como integrar projetos urbanos de grande escala em paisagens sensíveis sem descaracterizá-las? Como é possível construir com alta densidade preservando um senso de intimidade e criar identidade em locais que já carregam um forte caráter local?
As notícias de arquitetura desta semana refletem um amplo engajamento sobre como instituições, profissionais e plataformas culturais estão se posicionando em relação ao legado histórico e às transformações de longo prazo. Em museus, galerias e grandes eventos culturais, a arquitetura vem sendo apresentada como uma infraestrutura pública em constante evolução, que precisa responder a acervos em expansão, novos modelos curatoriais e demandas crescentes por acessibilidade, sustentabilidade e presença cívica. Paralelamente a esses desenvolvimentos institucionais, reconhecimentos e nomeações profissionais destacam práticas fundamentadas na especificidade do local, na conservação e em pesquisas críticas, evidenciando o papel da arquitetura na mediação entre contextos históricos e demandas contemporâneas.
O dia 18 de dezembro marca o Dia Internacional dos Migrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), que visa destacar a necessidade de sistemas de migração mais seguros, justos e inclusivos. Proclamada em 4 de dezembro de 2000, a data busca reconhecer as múltiplas dimensões da migração para além de seus aspectos econômicos e humanitários. Segundo a ONU, evidências crescentes indicam que a migração internacional beneficia tanto os países de origem quanto os de destino. Nesse sentido, o Dia Internacional dos Migrantes oferece uma oportunidade para destacar o valor da possibilidade de migrar e as contribuições de milhões de pessoas migrantes em todo o mundo para as cidades e culturas em que estão integradas.
Alinhado a essa perspectiva, o tema de 2025 da ONU, "Minha Grande História: Culturas e Desenvolvimento", enfatiza como a mobilidade humana impulsiona o crescimento, enriquece as sociedades e ajuda as comunidades a se conectarem, adaptarem e apoiarem mutuamente. Ao mesmo tempo, o Dia Internacional dos Migrantes também reconhece o cenário cada vez mais complexo em que a migração ocorre. Conflitos, desastres climáticos e pressões econômicas continuam a forçar milhões de pessoas a deixar suas casas em busca de segurança ou oportunidades. Sob ambas as perspectivas, é essencial reconhecer o papel da arquitetura na construção de comunidades integradas e multiculturais, bem como na resposta às condições que levam as pessoas a migrar de seus territórios de origem.
Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam nossa área.
Quem projeta a arquitetura hoje? Em um panorama profissional cada vez mais definido por fluxos de trabalho colaborativos, softwares gerativos e equipes distribuídas, a figura do/a arquiteto/a como autor/a criativo/a singular parece tanto anacrônica quanto insuficiente. Este artigo defende que a autoria arquitetônica não é mais um ato individual, mas sim uma condição coletiva e distribuída, moldada por instituições, tecnologias e formas compartilhadas de trabalho. A transição da autoria individual para a coletiva não é mera consequência de escritórios maiores ou de ferramentas digitais; ela sinaliza uma mudança estrutural profunda no modo como a arquitetura é produzida, comunicada e validada.
La Sagrada Família, de Antoni Gaudí. Imagem de Maksim Sokolov, via Wikimedia Commons, Licença CC BY-SA 4.0
À medida que 2025 se aproxima do fim, aguardamos ansiosamente por 2026, um ano que promete a entrega de uma série diversa de projetos arquitetônicos de grande relevância ao redor do mundo. O período se destaca especialmente pela conclusão de importantes obras de infraestrutura e equipamentos culturais, incluindo projetos de longa duração que finalmente chegam à etapa final. A Europa estará em evidência com os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão–Cortina 2026. O evento contará com projetos como a Vila Olímpica, assinada por SOM, e a Arena Olímpica de Inverno, projetada por David Chipperfield Architects. Ainda em Milão, BIG deve concluir o City Wave, parte de um novo distrito de negócios da cidade. Paralelamente, após mais de 140 anos desde o início de sua construção, arquitetos do mundo todo acompanham com expectativa a tão aguardada conclusão da Sagrada Família, de Antoni Gaudí, em Barcelona, prevista para 2026.
O Kistefos Museum anunciou o escritório suíço de arquitetura Christ & Gantenbein como o vencedor do seu concurso internacional de projeto para um novo edifício de museu no terreno do Kistefos em Jevnaker, cerca de uma hora ao norte de Oslo. Concebido como uma nova e importante adição a um dos principais parques de esculturas e destinos culturais da Europa, o projeto tem abertura prevista para 2031 e abrigará a coleção de arte do fundador e colecionador do Kistefos, Christen Sveaas, por meio da Fundação de Arte Christen Sveaas. Após o anúncio, o Christ & Gantenbein trabalhará em conjunto com o Kistefos Museum para desenvolver o projeto conceitual rumo à sua execução.
A 8ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa está programada para ocorrer no outono de 2028. Assim como nas edições anteriores, o processo de curadoria começa com três anos de antecedência, garantindo tempo para desenvolver plenamente o projeto e dar continuidade ao trabalho das trienais passadas. A 7ª edição, com curadoria de Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, fundadores do Territorial Agency, ocorreu de 2 de outubro a 8 de dezembro de 2025. O evento foi estruturado em torno da pergunta "Qual é o peso de uma cidade?", propondo uma compreensão das cidades não como objetos estáticos, mas como sistemas dinâmicos que se estendem além dos limites urbanos em direção à atmosfera, aos oceanos e ao tempo profundo. Essa abordagem foi explorada por meio de três exposições principais — Fluxes, Spectres e Lighter —, além de um conjunto mais amplo de iniciativas. Com a conclusão da 7ª edição, a Trienal anunciou o arquiteto e acadêmico português Joaquim Moreno como curador-geral da próxima edição, responsável por desenvolver um novo projeto curatorial para o evento.
O fenômeno conhecido na biologia como evolução convergente descreve como espécies distantes podem desenvolver estruturas semelhantes ao enfrentarem desafios comparáveis. Golfinhos e ictiossauros, por exemplo, são separados por milhões de anos de história evolutiva, mas ambos desenvolveram corpos hidrodinâmicos quase idênticos. A arquitetura tem seus próprios paralelos: as estruturas em pórtico (A-frame) surgiram de forma independente tanto nos Alpes europeus quanto no Japão, mesmo sem intercâmbio cultural direto, como respostas espontâneas à neve, ao vento e à escassez de recursos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142786/tendencias-arquitetonicas-convergentes-em-2025-circularidade-biomateriais-e-design-consciente-de-carbonoArchDaily Team
Bolete Lounge BIO®. Imagem cortesia de Andreu World
Qual é o panorama global atual sobre a reciclabilidade dos materiais utilizados na arquitetura? Até que ponto as sociedades contemporâneas estão realmente comprometidas em reduzir o impacto ambiental? No esforço para viver em equilíbrio com a natureza, a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis é uma das principais estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater o aquecimento global. Buscar inspiração na natureza como forma de protegê-la significa criar projetos que incorporem sustentabilidade, circularidade e reciclabilidade desde o primeiro esboço. Dos sistemas construtivos aos acabamentos de superfície, o uso de biomateriais na arquitetura reflete uma mentalidade baseada na responsabilidade de longo prazo pelo ciclo de vida completo do material.
O escritório Studioninedots está liderando a transformação de uma antiga fábrica de tabaco de 200 anos de idade no Niemeyer, um complexo urbano de uso misto que abrigará inovação digital, espaços culturais, hotelaria, educação e manufatura dentro das edificações industriais existentes. Localizado na Paterswoldseweg em Groningen, nos Países Baixos, o projeto de 38.000 m² foi encomendado pela MWPO, com a MWPO e o Campus Groningen atuando conjuntamente como clientes das Instalações Compartilhadas. Atualmente na fase de projeto (2023–2025), o cronograma preliminar indica um início de construção em fases, começando pela seção sul da fábrica em 2026, seguida pela seção norte em 2027. A proposta do escritório com sede em Amsterdã abre ao público o conjunto industrial outrora fechado, introduzindo cafés, galerias, oficinas e espaços de trabalho compartilhado distribuídos por ruas internas e áreas de parques adjacentes.
À medida que o ano se aproxima do fim, é novamente hora da equipe de curadoria do ArchDaily refletir sobre os projetos mais bem-sucedidos de 2025 e considerar quais foram os mais interessantes para os leitores. Através desta visão diversificada, avaliamos as semelhanças e diferenças em tendências e soluções construtivas. Nesse ano, tivemos muitos espaços culturais e públicos de grande escala por Lina Ghotmeh, BIG, Zaha Hadid Architects, DnA e Serie Architects, que marcaram presença em eventos como a Expo Osaka e a Bienal de Veneza, além de um número surpreendente de museus e obras públicas ou de paisagismo na China e em todo o restante do continente asiático. No entanto, ao mesmo tempo em que esses foram projetos muito procurados, as obras mais populares permaneceram, sem surpresa, sendo os projetos residenciais.
Mais especificamente, as casas mais vistas no ArchDaily global possuem estrutura de concreto com considerável presença de vegetação e foco no paisagismo. Elas propõem layouts que destacam vazios e pés-direitos duplos, bem como pátios internos ou grandes aberturas para o exterior. Embora algumas referências tenham sugerido elementos tradicionais ou vernaculares, as reinterpretações modernistas ainda foram predominantes. As tendências de materiais são muito mais contidas, com uma recorrência do uso de concreto aparente, enquanto a madeira e a pedra foram elementos de destaque comuns. Ainda assim, o mais interessante sobre as obras deste ano são os esforços dos arquitetos em situar e inserir os projetos em seus entornos, dando atenção especial à paisagem e como os projetos se fundem com a natureza.
Liminal Air Space-Time, de Shinji Ohmaki, Noor Riyadh 2025. Imagem cortesia de Noor Riyadh
O festival Noor Riyadh 2025 levou instalações de luz em grande escala a espaços públicos por toda a capital da Arábia Saudita, transformando temporariamente nós de transporte, bairros históricos e marcos importantes em ambientes urbanos iluminados. De 20 de novembro a 6 de dezembro de 2025, Riade tornou-se uma galeria urbana de luz, movimento e percepções em constante mudança. A quinta edição do festival reuniu 60 obras de arte de 59 artistas de 24 países, incluindo mais de 35 novos comissionamentos, todos respondendo ao tema "Num Piscar de Olhos" (In the Blink of an Eye). Utilizando a luz tanto como meio quanto como conceito, as instalações reinterpretaram a paisagem arquitetônica em rápida evolução da capital e refletiram sobre como a percepção se transforma em espaços moldados pelo patrimônio histórico e por um ambicioso desenvolvimento urbano.
O escritório Zaha Hadid Architects, em colaboração com a RINA (líder da equipe), o Studio Plicchi, a WSP, a STI Engineering e a BC Building Consulting, venceu o concurso internacional para projetar o Hospital de Malpensa (Grande Ospedale della Malpensa), na Itália. Encomendado pela Autoridade Regional de Saúde da Lombardia, o projeto consolidará os hospitais existentes de Gallarate e Busto Arsizio em um único campus médico para atender a região entre Milão e Varese, abrangendo uma população de quase um milhão de habitantes.
O Mosteiro Budista de Plum Village, no sul da Dordonha, na França, recebeu a aprovação de construção para a primeira fase de sua colaboração contínua com o escritório holandês de arquitetura MVRDV. As aprovações abrangem a fase do plano diretor do Hamlet Superior (Upper Hamlet), incluindo a construção de novas hospedarias e a reforma e ampliação da livraria do mosteiro, bem como um novo edifício para o mosteiro feminino no Hamlet Inferior (Lower Hamlet). Desenvolvido em colaboração com o escritório coautor MoonWalkLocal e as consultorias OTEIS, VPEAS e Emacoustic, o projeto mais amplo inclui dois planos diretores para os Hamlets Superior e Inferior do mosteiro, quatro hospedarias comunitárias, um novo mosteiro feminino e a transformação da livraria existente. Atuando sem fins lucrativos, a equipe de projeto prioriza a reforma juntamente com o uso de materiais circulares e biobaseados, alinhando a abordagem arquitetônica com os princípios filosóficos do mosteiro. As ampliações propostas visam acolher melhor os/as visitantes que viajam anualmente a Plum Village para vivenciar os ensinamentos do Budismo Engajado.
O ano que passou marcou um período de introspecção para a arquitetura. À medida que 2025 se desenrolava, a disciplina, confrontada com realidades ambientais e sociais em constante evolução, entrou em um ponto de virada mais amplo em relação a como compreende seu papel e a como as pessoas interagem com ela. Ao longo do ano, as exposições desviaram o foco dos edifícios como objetos isolados em direção a uma compreensão mais ampla das relações entre ecologia, equidade, vida cotidiana e imaginários coletivos. Em diferentes instituições e cidades, elas funcionaram menos como vitrines e mais como plataformas discursivas: espaços onde a arquitetura não era apenas apresentada, mas também imaginada, questionada e coletivamente redefinida.
Embora as exposições há muito tempo funcionem como locais de discurso, política e comunidade, esse papel tornou-se mais explícito em 2025. Como observou Carlo Ratti em uma entrevista ao ArchDaily durante a pré-abertura da Bienal de Arquitetura de Veneza 2025, as exposições de hoje podem "hibridizar a maneira como as pessoas se reúnem", uma ambição que ecoou em cidades e instituições à medida que as mostras evoluíram para espaços de debate, experimentation e reflexão coletiva. As exposições são espaços onde profissionais da arquitetura e do design se encontram, onde as conversas se desenrolam abertamente com o público e onde as ideias emergem por meio de intercâmbios espontâneos entre os passantes. As exposições tornaram-se espaços nos quais o discurso arquitetônico se estendeu para além dos círculos profissionais, abrindo conversas para públicos mais amplos por meio de encontros cotidianos, experiências compartilhadas e trocas informais.
Criando espaços habitacionais em um mundo entre o ligado e o desligado. Imagem cortesia de GIRA
No debate arquitetônico recente, o design de interiores tem se concentrado em como os espaços moldam a experiência psicológica e atmosférica, e no que confere ressonância emocional aos ambientes internos. A atenção deslocou-se para os pequenos detalhes, em vez de se apoiar primordialmente na forma ou na estrutura. A luz, por exemplo, não é apenas um requisito técnico, mas também um material arquitetônico por direito próprio. Ela é capaz de estruturar o espaço, animar superfícies, definir texturas e moldar a atmosfera, ao mesmo tempo em que influencia o bem-estar. Paralelamente, as características entre o minimalismo e o maximalismo moldam a forma como as atmosferas são percebidas, instigando uma reflexão sobre como as abordagens voltadas à simplicidade ou à exuberância podem influenciar o estado de espírito. Longe de existirem como estéticas opostas, essas tendências investigam a maneira como os interiores interagem com os estados mentais, refletem a identidade pessoal e respondem às mudanças sutis na forma como as pessoas habitam e vivenciam o espaço.
As cidades estão se remodelando lentamente. Ruas caminháveis, redes cicloviárias e bairros de uso misto vêm se tornando prioridades de planejamento, à medida que metas climáticas, mudanças nos estilos de vida e o trabalho remoto reconfiguram as rotinas cotidianas. No entanto, mesmo com o avanço dessas propostas centradas nas pessoas, a maioria das cidades ainda depende fortemente dos carros particulares, gerando uma tensão entre os futuros urbanos que estamos projetando e os hábitos de mobilidade que persistem na atualidade.
Essa tensão tem levado arquitetos/as e incorporadores/as a repensar uma das peças mais complexas do quebra-cabeça urbano: o estacionamento. Edifícios de uso misto estão se multiplicando, sobrepondo moradias, espaços de trabalho e serviços em projeções de implantação mais compactas, o que exige o máximo aproveitamento de cada metro quadrado. O desafio já não consiste apenas em encontrar um lugar para os carros, mas em integrar o estacionamento de forma a favorecer a densidade, a habitabilidade e a adaptabilidade a longo prazo — permitindo que as cidades evoluam sem que os veículos dominem seu desenho urbano.
A residência Caochan na Creige, projetada por Izat Arundell, foi anunciada como a vencedora do prêmio RIBA House of the Year de 2025. A autoconstrução com estrutura de madeira e revestimento de pedra está localizada nas Ilhas Hébridas Exteriores, na Escócia, ocupando um lote rural compacto marcado pela exposição às intempéries e por uma configuração geológica singular. Construída por e para seus/suas arquitetos/as proprietários/as, a casa foi selecionada por sua resposta clara às condicionantes do terreno, sua estratégia material e pela coerência entre a intenção projetual e a construção.
Timpaan, Blauwhoed e o escritório White Arkitekter, em conjunto com SeARCH, Space&Matter, Atlas Architects e DS Land Landschapsarchitecten, foram selecionados para o projeto de desenvolvimento de The Erven, um bairro estruturado em madeira planejado para Hoofddorp, na região metropolitana de Amsterdã. A proposta vencedora faz parte de uma importante fase de expansão da área de Lincolnpark e prevê cerca de 519 residências projetadas em torno de quatro pátios, ou erven, inspirados nas tradicionais propriedades agrícolas holandesas.
Nos últimos anos, essa relação histórica começou a se transformar. As imagens de arquitetura não se tornaram apenas mais refinadas ou tecnologicamente avançadas; elas assumiram um novo significado social e institucional. À medida que extrapolaram os contextos profissionais e ganharam circulação pública, seu papel se expandiu. Deixaram de ser apenas métodos de comunicação interna da disciplina para se tornarem objetos de interpretação pública, debate e, por vezes, disputa. Isso marcou uma mudança sutil, mas profunda, na maneira como as representações visuais da arquitetura eram compreendidas e utilizadas.