BT Tower, um dos marcos pós-guerra mais reconhecíveis de Londres, será convertida em hotel. O escritório de arquitetura londrino Orms foi contratado para liderar a revitalização após a aquisição da torre, listada como patrimônio de Grau II, pela empresa americana de hotelaria MCR Hotels no início de 2024. Inicialmente, esperava-se que o projeto fosse liderado pelo Heatherwick Studio, mas o escritório não está mais envolvido. Agora, a Orms dará andamento ao plano e deve apresentar suas propostas iniciais durante a primeira rodada de consultas públicas, agendada para maio. As obras só poderão começar após a desativação e remoção dos equipamentos de telecomunicação pelo BT Group, processo que deve ser concluído por volta de 2030.
O recém-inaugurado Limbo Museum em Acra, Gana, apresentou no dia 12 de março uma instalação arquitetônica em duas partes realizada pelo TAELON7, liderada pelo/a arquiteto/a Juergen Benson-Strohmayer. A instalação foi encomendada pelo museu em parceria com o Art Omi, um centro de artes sem fins lucrativos no Hudson Valley, em Nova York. O projeto é a primeira comissão de uma colaboração entre as duas instituições e será instalado em ambos os locais, Acra e Nova York. Titulada Limbo Engawa, a estrutura modular e leve dialoga com o edifício brutalista anteriormente abandonado que abriga o museu, transformando sua estrutura de concreto esquelética e o terreno ao redor em espaços de uso, cuidado e encontro. O projeto propõe uma reflexão sobre os limites entre a arquitetura urbana inacabada e a paisagem, destacando o trabalho e a gestão muitas vezes invisíveis nos contextos urbano e institucional, e afirmando que mesmo locais incompletos ou negligenciados são repletos de possibilidades cívicas.
Smiljan Radić Clarke, vencedor do Prêmio Pritzker 2026, é um arquiteto chileno contemporâneo conhecido por sua abordagem projetual experimental, com uma prática que equilibra o elementar e o íntimo, o monumental e o frágil. Ao longo de mais de três décadas, Radić desenvolveu uma arquitetura que resiste à repetição e às categorizações estilísticas convencionais, priorizando intervenções profundamente site-specific, atentas à materialidade e culturalmente reflexivas.
Sua obra articula a relação entre permanência e impermanência, memória e imaginação, criando edifícios que tratam tanto da experiência e da emoção humanas quanto de estrutura e forma. Em residências, instituições culturais e instalações temporárias, a arquitetura de Radić coloca em primeiro plano a interação entre contexto, materiais e os gestos sutis que moldam a maneira como os espaços são habitados e percebidos.
O Prêmio Pritzker de 2026 foi concedido este ano ao arquiteto chileno de ascendência croata, Smiljan Radić Clarke. Nascido em Santiago, Chile, em 1965, sua prática evoca uma geografia de extremos, moldada pela tensão tectônica entre o peso monumental dos Andes e a instabilidade sísmica do território. Após se graduar na Pontifícia Universidade Católica do Chile e prosseguir seus estudos em estética em Veneza, Smiljan Radić Clarke estabeleceu sua base em Santiago. A partir dali, desenvolveu uma das visões mais singulares da arquitetura contemporânea. Sua obra privilegia a intensidade do momento por meio de uma arquitetura frágil. Nela, o edifício opera como um refúgio temporário e tátil que coloca o espectador em um estado de incerteza estética, oscilando entre a ruína ancestral e o artefato de vanguarda.
Cortesia de Tom Welsh para o Prêmio Pritzker de Arquitetura
O arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke foi anunciado como o laureado do Prêmio Pritzker de Arquitetura 2026, considerado uma das maiores honrarias no campo da arquitetura. A premiação reconhece Radić por um conjunto de obras que explora a arquitetura por meio da experimentação material, da percepção espacial e de um diálogo atento com a paisagem e o contexto. Nascido em Santiago, no Chile, onde continua a viver e trabalhar, Radić lidera o escritório Smiljan Radić Clarke, fundado em 1995. Como o segundo chileno a receber o prêmio — sucedendo a Alejandro Aravena em 2016 —, ele se junta a uma ilustre lista de laureados anteriores, que inclui Liu Jiakun em 2025, Riken Yamamoto em 2024, David Chipperfield em 2023 e Diébédo Francis Kéré em 2022.
A arquitetura de Radić opera em um território onde a experiência fenomenológica do espaço precede a explicação. Suas obras costumam se apresentar de forma silenciosa, elementar e avessa a interpretações verbais fáceis, convidando os visitantes a experimentá-las por meio do movimento, da atmosfera e da percepção, em vez de uma simples expressão formal.
Diante da rápida expansão dos centros de dados e das economias de IA na Grande Baía—e paralelamente à celebração da inteligência artificial como ferramenta e "autora", destaque da Bi-City Biennale de Urbanismo\Arquitetura de Hong Kong-Shenzhen de 2025 (Hong Kong)—uma questão paralela torna-se inevitável: como o planejamento e a construção da infraestrutura de IA começam, de fato, a moldar a vida cotidiana? Muitas das instalações já construídas permanecem intencionalmente distantes da experiência diária. A "nuvem" pode ser comercializada como algo imaterial, mas sua arquitetura é profundamente física: ambientes de alta potência, geração intensa de calor e forte demanda de serviços, frequentemente implantados em áreas remotas ou de baixa densidade para aproveitar os custos de terra mais baixos e minimizar atritos com as comunidades vizinhas. A segurança e a gestão de riscos reforçam ainda mais essa lógica. Os centros de dados abrigam informações confidenciais e privilegiadas—ativos corporativos, registros jurídicos, dados governamentais e institucionais—de modo que o isolamento geográfico passa a integrar seu modelo operacional, mantendo as infraestruturas de IA espacial e socialmente fora de vista.
Se pedirmos a uma criança para desenhar uma casa, quase certamente surgirá uma silhueta triangular, com dois planos inclinados se encontrando em uma cumeeira. Poucas formas arquitetônicas são tão universalmente reconhecidas quanto a casa de telhado inclinado. Sob uma perspectiva semiótica, essa imagem elementar funciona como um signo condensado de abrigo que, em apenas alguns traços, sintetiza proteção, interioridade e pertencimento. O que hoje lemos como um símbolo universal, no entanto, surgiu de uma necessidade concreta. Dos chalés alpinos que escoam a neve às telhas mediterrâneas que atenuam o calor do verão, a inclinação respondeu a desafios climáticos e construtivos muito antes de se tornar um código estético.
Embora a arquitetura moderna tenha privilegiado planos horizontais e plantas ortogonais, o telhado inclinado exige que o projeto seja concebido em corte. Sua inclinação permite o aproveitamento eficiente do volume sob a cobertura e introduz variações de altura, compressão e expansão espacial. Quando aberturas são incorporadas a esse plano, essa condição se intensifica. Diferente das janelas verticais, que captam luz lateral, as aberturas na cobertura recebem uma porção maior do céu visível e uma luminância significativamente superior à do horizonte, oferecendo até três vezes mais luz do que o envidraçamento vertical em dias nublados.
O escritório RSHP venceu o concurso para requalificar a área de Rives-Défense em La Défense, o distrito de negócios de Paris. Anunciado durante o MIPIM, o projeto prevê a transformação de uma área de 8 hectares na extremidade oeste do distrito em um bairro de uso misto de baixo carbono. Encomendada pela Paris La Défense, a proposta é desenvolvida por uma equipe multidisciplinar liderada pelo RSHP, que conta com o Atelier SOIL como coarquiteto/a e urbanista, a Altitude 35 como arquiteto/a paisagista, a Arcadis como consultoria de engenharia, além de Atelier Franck Boutté, Urban Eco e Mobius.
Esta semana foi marcada pela destruição deliberada, desenfreada e injusta decorrente da guerra no Sudoeste Asiático. Como uma das manifestações mais prejudiciais do abuso de poder humano, testemunhamos a destruição de lugares que guardam memórias e sustentam a cultura, bem como a perda e os danos irreparáveis às vidas humanas que lhes conferem identidade. Na expectativa de oferecer cenários mais promissores e construtivos para o futuro, apresentamos, em contraposição a essa realidade, um panorama de avanços em relação à disparidade de gênero que caracteriza a arquitetura e os caminhos a seguir, um conjunto de projetos emblemáticos de interesse público e comunitário que avançam da Turquia ao México, além de três grandes projetos de infraestrutura de transporte multimodal que buscam melhorar a forma como circulamos e habitamos o espaço público na Europa e nos Estados Unidos.
Na Light + Building 2026, em Frankfurt, a OPPLE Lighting celebrou seu 30º aniversário com uma proposta arquitetônica, em vez de uma retrospectiva. Sob o tema "Hi Light!", a empresa revelou a Light as Cloud, um estande projetado pelo OMA. A instalação também serviu como plataforma de estreia internacional para a OLL, a nova marca de design de alto padrão da OPPLE. Longe de funcionar como uma exposição convencional de produtos, o projeto posicionou a luz como um sistema espacial — capaz de moldar a arquitetura, a circulação e a percepção.
A arquitetura é frequentemente avaliada por suas formas finais, no entanto, algumas práticas operam em um registro diferente, no qual o projeto se desenvolve por meio de relações, tempo e uso, e não por um resultado único. Para a CatalyticAction, a participação não é uma atividade social paralela, mas sim o meio pelo qual os espaços são concebidos, construídos e mantidos ao longo do tempo.
Com sedes em Beirute e Londres, o escritório trabalha no Oriente Médio e na Europa, desenvolvendo espaços públicos, escolas, parquinhos e infraestruturas urbanas cotidianas por meio da colaboração de longo prazo com comunidades locais. Baseada em pesquisa participativa e tomadas de decisão coletivas, essa abordagem foi reconhecida pelo prêmio ArchDaily's 2025 Next Practices Awards, destacando um modo de atuação no qual a arquitetura é compreendida como um processo compartilhado e em evolução, e não como um objeto estático. Nesse contexto, o valor arquitetônico é mensurado pela continuidade, pelo uso e pela apropriação coletiva, e não apenas pela forma.
Casa com Sete Jardins / Civil Architecture. Imagem Cortesia de Civil Architecture
Durante séculos, a arquitetura residencial em toda a região do Golfo organizou-se em torno do pátio interno. As casas apresentavam espessas paredes externas e aberturas limitadas para a rua, voltando-se para o interior, em direção a um jardim sombreado que estruturava a vida cotidiana. Essa disposição espacial respondia tanto ao clima quanto à cultura local. O pátio trazia luz natural para o interior de plantas profundas, permitia a ventilação cruzada e proporcionava um ambiente externo protegido em meio a tecidos urbanos densos. Na House with Seven Gardens, em Diyar Al Muharraq, no Bahrein, o escritório sediado no país Civil Architecture — uma das práticas vencedoras do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards — revisita essa tradição espacial sob as condições da habitação suburbana contemporânea. Em vez de simplesmente reproduzir a casa-pátio como um modelo histórico, o projeto reinterpreta sua lógica ambiental dentro dos marcos regulatórios e das condições espaciais que moldam grande parte do desenvolvimento urbano atual no Golfo.
Localizado em Istambul, na Turquia, um bairro de 84 hectares está atualmente em desenvolvimento na área de Riva, em Beykoz, ao longo da costa do Mar Negro. O master plan foi desenvolvido por uma equipe internacional de projeto que inclui os escritórios Snøhetta, Bjarke Ingels Group e MVRDV, ao lado das práticas locais KEYM, DB Architects, Rasa e Bilgin Architects. Conhecido como Ion Riva, o projeto foi concebido como uma comunidade residencial orientada pela paisagem que integra habitação, equipamentos culturais e programas públicos dentro de uma estrutura ecológica moldada pelo encontro da floresta, do rio e do mar. A primeira fase do empreendimento, que já recebeu aprovação de planejamento e está atualmente em construção, entregará 969 moradias projetadas para cerca de 3.000 residentes, com previsão de ocupação das primeiras residências concluídas em 2027.
Em 5 de março de 2026, o escritório Skidmore, Owings & Merrill (SOM) revelou imagens de um novo projeto de destaque no Cazaquistão, na Ásia Central. O projeto consiste em duas torres, chamadas "Iconic Complex", e em um plano diretor para a região, o "Gateway District". O complexo está localizado em Alatau, uma nova cidade ao longo da rodovia Almaty–Qonaev, planejada para se tornar um polo internacional de investimentos. Um projeto estratégico para o país, o plano diretor da cidade se estende até 2050, com a primeira fase de grandes projetos de infraestrutura prevista para ser concluída até 2030. Nesse contexto, espera-se que o projeto do SOM funcione como o núcleo econômico e administrativo da cidade, estabelecendo o distrito central de negócios de Alatau e definindo um parâmetro para futuros projetos de investimento na região.
Representação gráfica da Gateway via Flickr sob licença CC BY-NC-ND 2.0. Imagem cortesia da NASA
O conceito de tecnosfera fornece uma estrutura para compreender a escala do impacto humano na Terra. O termo foi cunhado por Peter K. Haff e é definido como a rede global de artefatos criados pelo ser humano: uma camada física de infraestrutura, edifícios, veículos e maquinários que funciona paralelamente à biosfera e à atmosfera. Atualmente estimada em 30 trilhões de toneladas, essa massa construída pela humanidade é dominada pelo ambiente construído. Nesse contexto, a arquitetura atua como a principal interface, moldando a forma como a tecnologia interage com as ecologias locais. Contudo, ao que tudo indica, em breve a tecnosfera não estará mais limitada à superfície terrestre. Por meio do programa Artemis da NASA, essa rede de massa artificial está se expandindo para além da atmosfera da Terra, buscando estabelecer uma nova infraestrutura orbital que representa a primeira extensão permanente desse sistema criado pela humanidade fora do nosso planeta.
Além de ser uma fonte de vida, a força do sol na arquitetura está há muito tempo atrelada à necessidade da humanidade de aproveitá-la e controlá-la como um recurso vital. Desde a antiguidade, a energia solar tem sido utilizada para medir o tempo, apoiar o plantio e a colheita, e oferecer proteção contra o calor e o frio. Hoje, a radiação solar desempenha um papel significativo no consumo global de energia. Soluções arquitetônicas baseadas em materiais, tecnologias e análises ambientais são desenvolvidas a partir da compreensão da capacidade da energia solar de transformar o ambiente interno das edificações. Mas como as edificações podem ser transformadas em fontes de energia limpa?
Nicolás Valencia conversa com o arquiteto chileno Sebastián Irarrázaval por ocasião do lançamento deEscritos y arquitectura, a primeira monografia sobre sua trajetória, com curadoria de Fernanda de Maio, publicada pela Lettera Ventidue Edizioni em uma edição bilíngue em espanhol e italiano e financiada pelo Fondo Nacional de las Artes y la Cultura 2023.
Quem é Sebastián Irarrázaval? É arquiteto pela Pontificia Universidad Católica de Chile. Fundou o escritório Sebastián Irarrázaval Arquitectos, a partir do qual desenvolveu projetos residenciais, de arquitetura pública e equipamentos culturais no Chile e no exterior. Foi professor da Escuela de Arquitectura UC, onde lecionou em ateliês e disciplinas de projeto. Sua obra tem sido amplamente publicada e exposta, recebendo diversos reconhecimentos nacionais e internacionais, destacando-se por uma abordagem experimental no uso de materiais, sistemas construtivos e reutilização de estruturas existentes.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093773/sebastian-irarrazaval-o-arquiteto-como-tradutorArchDaily Team
Ao explorar a arte da robótica na construção, os avanços nas tecnologias arquitetônicas moldam cada vez mais múltiplos aspectos da vida humana. De braços robóticos e drones a robôs que se movem por grandes superfícies e até robôs de impressão 3D, seu uso na construção civil acelera a pesquisa e o desenvolvimento de novos métodos de trabalho, além da experimentação estrutural e material. Em colaboração com múltiplas disciplinas e abrangendo diversas facetas da arquitetura, o papel dos robôs no cenário contemporâneo demonstra um potencial que vai muito além da mera automação de processos ou da redução de tempos e custos de construção. Isso levanta a questão: estamos criando arquitetura para servir à tecnologia, ou tecnologia para servir à arquitetura?
Centro Presidencial Obama. Imagem cortesia de The Obama Foundation
O Obama Presidential Center em Chicago está programado para abrir ao público em 19 de junho de 2026, coincidindo com o Juneteenth. Localizado no Jackson Park, na zona sul da cidade, o campus de 7,8 hectares (19,3 acres) foi projetado porTod Williams Billie Tsien Architects em colaboração com o Interactive Design Architects, com projeto de paisagismo de Michael Van Valkenburgh Associates. Os eventos de inauguração organizados pela Obama Foundation estão planejados para ocorrer entre 18 e 21 de junho, começando com uma cerimônia de dedicação na John Lewis Plaza, seguida pela abertura oficial do campus e do museu no dia seguinte.
Em 28 de fevereiro de 2026, as notícias sobre a perda de vidas humanas, o padrão operacional dos ataques militares, os danos à infraestrutura, as interrupções nas comunicações e as reações internacionais após os ataques militares dos EUA e de Israel contra o Irã confirmaram ao mundo um novo foco de guerra no Sudoeste Asiático. Este conflito militar também gerou impactos humanos e na infraestrutura do Líbano, da Síria, do Iraque e da Jordânia, com zonas de combate ativas em seus territórios, além dos Estados do Golfo, onde os danos afetaram particularmente as bases militares dos EUA e a infraestrutura energética. O cenário soma um novo palco de conflito armado na região, após mais de dois anos de destruição sistemática de vidas, habitats e instalações essenciais na Faixa de Gaza, com quase 81% das estruturas destruídas até o final de 2025. Atualmente, esses territórios sofrem com a desestruturação deliberada de sua normalidade, afetando infraestruturas essenciais, cotidianas e bens culturais de relevância global. Embora as informações ainda sejam dispersas e preliminares, é possível mensurar parte dos danos ao patrimônio cultural causados por este novo desdobramento do conflito armado.
Espaços de refúgio continuam a oferecer um terreno fértil para explorações conceituais, revelando como a arquitetura pode promover o descanso, a reflexão e a imersão na natureza em meio a transformações ambientais e culturais. Nesta edição de projetos Não Construídos, enviados pela comunidade do ArchDaily, as propostas selecionadas reúnem um conjunto diversificado de abordagens que reconsideram a hospitalidade sob a ótica do acolhimento. Essas obras posicionam a acomodação não como espetáculo ou excesso, mas como estruturas espaciais moldadas pela paisagem, pelo clima, pela contenção material e pela experiência compartilhada.
Em diferentes geografias — das encostas do Sudeste Asiático e do litoral da Indonésia às savanas africanas, ao território alpino, às paisagens do Oriente Médio e às florestas norte-americanas —, as propostas demonstram variadas respostas arquitetônicas a locais sensíveis. Entre os projetos, destacam-se estruturas elevadas que pairam suavemente sobre terrenos íngremes, sistemas temporários de cabanas inseridos em ecologias remotas, abrigos de montanha reconstruídos com base na memória e no reuso, estadias comunitárias organizadas em torno de pátios centrais orientadas por estilos de vida, refúgios desérticos contemplativos e acampamentos florestais inclusivos projetados sob a ótica da acessibilidade e do equilíbrio ambiental.
Um edifício ainda em fase de ajuste, reparo e debate é declarado Patrimônio Mundial. Outro, de igual influência, precisa sobreviver a cinco séculos antes que alguém cogite sua preservação. Isso não é uma anomalia no sistema de patrimônio; é o próprio sistema. Em todo o mundo, a arquitetura não envelhece no mesmo ritmo porque o próprio tempo não é neutro. Ele é cultural, político e profundamente desigual. O que chamamos de "patrimônio" não é apenas arquitetura antiga; é a arquitetura que alcançou o momento certo em um determinado lugar.