O Panteão de Roma é mundialmente conhecido como um importante ícone turístico e arquitetônico, um testemunho edificado tanto da cultura grega quanto da técnica romana, além de um símbolo do Império Romano. O monumento passou recentemente por uma intervenção do escritório de arquitetura italiano STARTT (Studio of Architecture and Territorial Transformations). O projeto, intitulado Pantheon – Micro Architectures for Archaeology, foi promovido pelo Ministério da Cultura da Itália como parte de um programa de intervenções iniciado em 2019 para abrir o acesso do público às áreas arqueológicas do Panteão. O trabalho do STARTT representa a primeira fase do programa, com foco na abertura de uma nova entrada a partir do Pozzo del Diavolo, uma área localizada atrás da Rotunda do monumento, permitindo que visitantes acessem partes do tecido arqueológico do edifício que antes eram reservadas a funções técnicas.
O Bass Museum of Art nomeou o escritório de arquitetura Johnston Marklee, sediado em Los Angeles, para liderar a expansão de seu campus no Collins Park, em Miami Beach, avançando com uma visão de longo prazo que integra arquitetura, paisagismo e arte contemporânea. Fundado em 1964 após a doação da coleção de John e Johanna Bass, o museu está instalado em um edifício Art Déco da década de 1930, originalmente projetado por Russell Pancoast para abrigar a Biblioteca Pública e Centro de Arte de Miami Beach. Ao longo do tempo, a instituição evoluiu por meio de intervenções arquitetônicas, com destaque para a estrutura de campus proposta por Arata Isozaki, que estabelece um diálogo entre o tecido histórico e as adições contemporâneas.
A Universidade de Toronto revelou o projeto do Temerty Building, uma nova instalação voltada para a pesquisa e o ensino na área da saúde, localizada no coração do campus universitário. O projeto foi desenvolvido pelos escritórios MVRDV e Diamond Schmitt Architects em colaboração com o Two Row Architect. A proposta dá continuidade a uma parceria anterior entre os dois primeiros escritórios no campus de Scarborough da Universidade de Toronto, cuja conclusão está prevista para o final de 2026. Apresentado originalmente no Plano Estratégico Acadêmico 2018-2023 da Temerty Medicine, o projeto prevê uma ampliação de 36.000 metros quadrados do Medical Sciences Building da universidade, incluindo laboratórios de ensino superior, salas de aula e espaços compartilhados. As obras no local devem começar no segundo semestre de 2026, com os trabalhos preparatórios previstos para julho.
Localizado em Tomioka, na prefeitura de Fukushima, Sea of Time – TOHOKU é tanto uma obra de arte de Tatsuo Miyajima quanto um projeto arquitetônico encomendado pelo artista. Com projeto de autoria de Tsuyoshi Tane, profissional da arquitetura japonesa do Atelier Tsuyoshi Tane Architects (ATTA), a proposta prevê um museu permanente para abrigar a obra de Miyajima. Atualmente em fase de desenvolvimento, com cronograma de 2024 a 2027, a abertura está prevista para a primavera de 2028. Localizada em uma falésia com vista para o Oceano Pacífico, a proposta une arquitetura e instalação em um local marcado pelas memórias do sismo e tsunami de Tōhoku em 2011, incorporando tanto a paisagem quanto seu contexto histórico como partes fundamentais do projeto.
Ooooh, that's EpiQ! Por Ricardo Orts Ulises. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily presentes em Milão
Celebrado anualmente em 22 de abril, o Dia Internacional da Mãe Terra pauta o debate arquitetônico desta semana por meio de um apelo urgente para repensar a relação entre o ambiente construído e os sistemas naturais, destacando temas como o rewilding urbano, a restauração de ecossistemas aquáticos e a integração de saberes ancestrais nas práticas de projeto contemporâneas. Por outro lado, a abertura do Salone del Mobile.Milano 2026 e da Milan Design Week 2026 busca reforçar a relevância global do design como plataforma de intercâmbio e experimentação, movimentando a cidade de Milão com uma rede de exposições e instalações voltadas tanto para o setor quanto para o público geral. Entre os anúncios de projetos premiados nesta semana, o concurso House of No Waste (HØW), promovido pelas Nações Unidas, destaca respostas arquitetônicas emergentes aos desafios climáticos e de recursos. Os projetos premiados demonstram estratégias escaláveis para reduzir o desperdício de materiais e o carbono incorporado, ao mesmo tempo em que promovem uma infraestrutura pública adaptável, socialmente responsiva e consciente do uso de recursos.
Metamorphosis in Motion por Lina Ghotmeh. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily em Milão
Milão reativa seu papel de capital global do design esta semana com o início da Milan Design Week 2026 no dia 20 de abril, seguida pela abertura da 64ª edição do Salone del Mobile.Milano em 21 de abril na Fiera Milano, Rho. Mais do que um evento único, a semana se desdobra como um sistema multifacetado em que a feira e a cidade operam sob diferentes temporalidades e condições espaciais. Das aberturas antecipadas nos distritos urbanos ao início formal da programação no centro de exposições, o calendário escalonado reforça um fluxo contínuo de atividades que se estende por instituições, infraestruturas e espaços públicos.
Campo agrícola Waru Waru. Imagem via World Monuments Fund
O Dia Internacional da Mãe Terra da Organização das Nações Unidas, celebrado anualmente em 22 de abril, tem como objetivo "promover a harmonia com a natureza e com a Terra". Diante da urgência imposta pelas mudanças climáticas, a data busca conscientizar sobre os desafios de preservar todas as formas de vida sustentadas pelo planeta. Trata-se de um chamado à comunidade global para salvaguardar a biodiversidade, buscando equilibrar os sistemas econômicos, sociais e ecológicos. Crimes contra a biodiversidade incluem práticas de grande escala, como desmatamento, mudança no uso do solo, agricultura intensiva, pecuária e comércio ilegal de animais silvestres, todos considerados pela ONU como fatores aceleradores da destruição do planeta.
Centre Pompidou Hanwha, 2026. Imagem cortesia de Wilmotte & Associés Sa
O museu e instituição cultural francesa Centre Pompidou abrirá uma nova filial coreana em colaboração com a instituição local Hanwha Foundation of Culture. Amplamente conhecido no campo da arquitetura por sua sede francesa, projetada por Renzo Piano e Richard Rogers e recentemente fechada para reformas, o Centre Pompidou expande sua presença internacional com um novo espaço, somando-se às suas sedes na Espanha, Bélgica, China e Emirados Árabes Unidos. A sede coreana consiste em um projeto de reforma de 12.000 m² na base do arranha-céu 63 Tower, liderado pelo escritório Wilmotte & Associés. Localizado na Ilha de Yeouido, às margens do Rio Han e no coração do distrito financeiro de Seul, o Hanwha Seoul Pompidou Center foi concebido tanto como um espaço de exposições quanto como um ponto de encontro onde a educação e a arte convergem, oferecendo áreas flexíveis para abrigar uma ampla gama de atividades.
A edição de 2026 do Sony World Photography Awardsanunciou seus vencedores gerais, reconhecendo contribuições nas competições Profissional, Aberta, Estudante e Jovem. Em seu 19º ano, a premiação continua se consolidando como uma plataforma fundamental tanto para profissionais emergentes quanto consagrados, atraindo mais de 430 mil inscrições de mais de 200 países e territórios. O programa premia trabalhos em dez categorias Profissionais, incluindo Arquitetura e Design, além de competições paralelas nas categorias Aberta, Estudante e Jovem, e conta com uma exposição anual na Somerset House, em Londres.
No domingo, 19 de abril de 2026, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA) abriu suas novas David Geffen Galleries ao público. Projetado pelo arquiteto Peter Zumthor, o edifício oferece um espaço expositivo elevado para a coleção permanente do museu. Todas as obras de arte são apresentadas em um único pavimento contínuo e aberto, em uma disposição não hierárquica de culturas, tradições e eras, abrangendo 6.000 anos de história da arte por meio de aproximadamente 155.000 objetos. O espaço é flexível, acomodando diversos projetos curatoriais, bem como os caminhos individuais dos/as visitantes. O projeto marca um novo passo na transformação de duas décadas da instituição em um museu de arte global, sendo o mais abrangente do oeste dos Estados Unidos.
O California Science Center é um destino dinâmico onde visitantes de todas as idades podem explorar as maravilhas da ciência por meio de exposições interativas, demonstrações ao vivo, programas inovadores e filmes em grande formato. O centro e o cinema IMAX estão localizados no histórico Exposition Park, em Los Angeles, onde uma expansão está em construção desde junho de 2022. O novo Samuel Oschin Air and Space Center, projetado pela equipe de arquitetura da ZGF Architects, é uma ampliação com cerca de 18.500 metros quadrados que praticamente duplicará o espaço de exposição educativa do Science Center. A construção do edifício foi concluída em 13 de abril de 2026. Sua principal atração é o ônibus espacial aposentado Endeavour, da NASA, utilizado em missões de 1992 até sua 25ª e última viagem, em 2011.
À medida que grandes eventos culturais, transformações institucionais e novas encomendas arquitetônicas se desenrolam em diferentes geografias, o debate desta semana destaca como a arquitetura opera na interseção entre vida pública, criatividade e adaptação a longo prazo. Com a Milano Design Week 2026 colocando em primeiro plano o processo, a experimentação e a participação de toda a cidade, os projetos e iniciativas que surgem nesta semana apontam para uma transição mais ampla em direção à abertura, acessibilidade e engajamento experiencial entre disciplinas e contextos urbanos. Investimentos contínuos em infraestrutura cultural, de novos museus a reformas de grande escala e propostas vencedoras de concursos, reforçam ainda mais como as instituições continuam a recalibrar seus papéis espaciais e sociais em resposta às crescentes demandas ambientais, tecnológicas e culturais.
Em fevereiro de 2022, teve início a construção do Goethe-Institut em Dakar, projetado pelo escritório Kéré Architecture. Presente no Senegal desde 1978, o Goethe-Institut alcança um marco no fortalecimento dos laços culturais entre a Alemanha, o Senegal e a África Ocidental com este novo edifício. Sendo a primeira sede do Goethe-Institut construída especificamente para este fim no continente africano, a obra simboliza um compromisso de longo prazo em apoiar as indústrias criativas e fomentar o intercâmbio intelectual. De 16 a 18 de abril de 2026, o Goethe-Institut sediará uma série de eventos para marcar a inauguração de sua nova sede.
Qapital Tower Equador. Imagem cortesia de Kengo Kuma and Associates(KKAA)
O escritório Kengo Kuma & Associates revelou os planos para o Qapital, uma torre de uso misto de 32 andares que será construída em Quito, no Equador, em colaboração com a incorporadora local Uribe Schwarzkopf. Com conclusão prevista para 2029, o projeto marca o primeiro trabalho do arquiteto japonêsKengo Kuma no país, expandindo o portfólio internacional do escritório para o contexto sul-americano. Localizada em frente ao Parque La Carolina, no distrito financeiro de Quito, a torre de 125,8 metros de altura apresenta um programa organizado verticalmente que reúne espaços residenciais, comerciais e comodidades compartilhadas.
O V&A East Museum, projetado pelos/as arquitetos/as O'Donnell + Tuomey, abrirá ao público em 18 de abril de 2026. Comissionado ao escritório em 2015, o novo edifício está localizado no Queen Elizabeth Olympic Park, próximo à sua instalação irmã recentemente inaugurada, o V&A East Storehouse, projetada por Diller Scofidio + Renfro. Situado na região leste de Londres, o mais novo distrito cultural do Reino Unido, apoiado pela Prefeitura de Londres, o complexo de dois edifícios tem como objetivo "destacar as diversas maneiras pelas quais artistas, designers e criadores/as de todo o mundo usam a criatividade para moldar o planeta". Dedicados à oportunidade criativa e ao seu poder de gerar mudanças, os cinco níveis públicos do museu contam com duas galerias permanentes, uma galeria de exposições temporárias de 900 m², um espaço para projetos e eventos no último pavimento, instalações de aprendizagem e um café.
Villa Pisani, labirinto. Image Cortesia de Martins Fontes
A arquitetura costuma ser narrada a partir de princípios como ordem, clareza e funcionalidade. Em O Livro dos Labirintos, Francesco Perrotta-Bosch propõe outra entrada possível: pensar a disciplina a partir do labirinto — uma estrutura que, desde sua origem mítica, opera por meio do desvio, da ambiguidade e da perda de orientação.
Partindo do Labirinto de Creta, atribuído a Dédalo na mitologia grega, o autor desloca a discussão sobre a origem da arquitetura para um campo menos associado à racionalidade construtiva e mais próximo da experiência espacial. A questão que orienta o livro é direta: por que a arquitetura teria começado com uma forma que subverte linearidade e legibilidade?
Entrada do Palazzo Citterio, render indicativo. Imagem cortesia de ACDF e Bethan Laura Wood Studio
De 20 a 26 de abril, a Semana de Design de Milão 2026 retorna como uma plataforma urbana em que o design opera tanto como prática cultural quanto como forma de exploração. Sob o mote do tema do Fuorisalone "Be the Project", a edição deste ano desloca o foco do resultado para o processo, posicionando o design como um ato dinâmico e centrado no ser humano, moldado por intuição, responsabilidade e transformação. Instalações e exposições espalhadas pela cidade destacam o fazer como uma condição aberta, que acolhe o erro, a temporalidade e a experimentação como partes integrantes da produção criativa. Nesse contexto, o design se torna um espaço de troca entre disciplinas, materiais e inteligências, refletindo debates mais amplos sobre sustentabilidade, tecnologias emergentes e a evolução da relação entre o físico e o digital.
A 25ª edição do Coachella Valley Music and Arts Festival retorna ao Empire Polo Club em Indio, Califórnia, de 10 a 12 e de 17 a 19 de abril de 2026, reunindo mais de 130 atrações ao lado de um ambicioso programa de instalações artísticas em grande escala. Apresentada pela Public Art Company (PAC) e com curadoria do fundador Raffi Lehrer em colaboração com o diretor de arte da Goldenvoice, Paul Clemente, a seleção deste ano explora a monumentalidade por meio da luminosidade, transparência e leveza das formas. Situadas no oásis desértico do Coachella, as instalações convidam o público a interagir física e sensorialmente, respondendo às mudanças da luz do dia e à atmosfera em constante evolução do amanhecer ao anoitecer.
O Getty Centeranunciou um amplo programa de modernização que marca sua transformação mais significativa desde a inauguração em 1997. Localizado nas montanhas de Santa Monica e com vista para Los Angeles, o campus fechará temporariamente ao público de 15 de março de 2027 até a primavera de 2028 para viabilizar as obras planejadas. A iniciativa tem como foco aprimorar a experiência dos/as visitantes, melhorar a acessibilidade e promover a resiliência energética, além de apoiar a gestão de longo prazo da instituição. Antes do início do fechamento, o Getty Center manterá sua programação de exposições e eventos até o início de 2027.
Rinshunkaku é um exemplo notável da arquitetura residencial do início do período Edo. Construída originalmente na província de Wakayama pela família Kishu Tokugawa, a vila foi transferida para Sankeien, um jardim tradicional japonês na cidade de Yokohama, durante a era Taisho (1912-1926). O jardim foi criado no início do século XX pelo/a empresário/a e patrono/a das artes Sankei Hara e abriga diversos edifícios históricos transferidos de Kyoto, Kamakura e outras regiões do Japão. Rinshunkaku, uma das joias do jardim, é um excelente exemplo da arquitetura japonesa tradicional e da construção em madeira. Seu valor histórico motivou um projeto de restauração em grande escala em 2019, documentado no filme Artisans of the Reiwa Era (Reiwa no Shokunin-tachi), filmado e editado por Katsumasa Tanaka e Hiroshi Fujiki. O documentário oferece um olhar atento e detalhado sobre o artesanato japonês e o domínio do trabalho em madeira, destacando técnicas tradicionais raras e homenageando os artesãos e artesãs que as preservam.
O fotógrafo Paul Clemence registrou o International Gateway Centre (IGC) em West Kowloon, um empreendimento de uso misto projetado pelo escritório Zaha Hadid Architects em Hong Kong, que se aproxima de sua conclusão. A série de fotos retrata o projeto em uma etapa na qual sua volumetria geral, sistemas de fachada e organização espacial estão amplamente concluídos, enquanto os trabalhos finais prosseguem nas áreas públicas e internas. Os registros detalhados de Clemence destacam as aletas verticais de sombreamento, a curvatura da fachada envidraçada e as transições entre elementos estruturais e ambientais, evidenciando como a linguagem formal do edifício é resolvida por meio da construção.
Em toda a Europa e América do Norte, a pedestrianização vem sendo cada vez mais adotada como uma estratégia urbana específica para cada contexto, moldada por pressões econômicas, sociais e espaciais distintas. À medida que as cidades continuam a reavaliar o papel das ruas diante de mudanças econômicas, pressões climáticas e novas dinâmicas de mobilidade, a pedestrianização surge como uma ferramenta nos esforços atuais de transformação urbana. Em Londres, Nova York, Houston e Estocolmo, projetos em andamento focados nos pedestres testam caminhos diversos rumo a cidades mais resilientes e caminháveis, abrangendo desde o planejamento regulatório e obras de infraestrutura até visões de futuro baseadas em pesquisas. A Oxford Street de Londres avança por meio de consultas públicas e reformas de governança para combater o declínio do comércio de rua; o Paseo Park, em Nova York, deixa de ser uma intervenção temporária da pandemia para se tornar infraestrutura urbana permanente; Houston acelera a pedestrianização do centro da cidade em preparação para um evento esportivo global; e a Superline de Estocolmo utiliza pesquisas de projeto para repensar o futuro de uma rodovia que corta a área central. Essas iniciativas revelam como a pedestrianização é ativamente negociada, projetada e construída hoje, adaptando-se às motivações locais e convergindo para o objetivo comum de criar ruas que funcionem como espaços públicos resilientes, e não apenas como vias de tráfego.