Entrada do Palazzo Citterio, render indicativo. Imagem cortesia de ACDF e Bethan Laura Wood Studio
De 20 a 26 de abril, a Semana de Design de Milão 2026 retorna como uma plataforma urbana em que o design opera tanto como prática cultural quanto como forma de exploração. Sob o mote do tema do Fuorisalone "Be the Project", a edição deste ano desloca o foco do resultado para o processo, posicionando o design como um ato dinâmico e centrado no ser humano, moldado por intuição, responsabilidade e transformação. Instalações e exposições espalhadas pela cidade destacam o fazer como uma condição aberta, que acolhe o erro, a temporalidade e a experimentação como partes integrantes da produção criativa. Nesse contexto, o design se torna um espaço de troca entre disciplinas, materiais e inteligências, refletindo debates mais amplos sobre sustentabilidade, tecnologias emergentes e a evolução da relação entre o físico e o digital.
O Getty Centeranunciou um amplo programa de modernização que marca sua transformação mais significativa desde a inauguração em 1997. Localizado nas montanhas de Santa Monica e com vista para Los Angeles, o campus fechará temporariamente ao público de 15 de março de 2027 até a primavera de 2028 para viabilizar as obras planejadas. A iniciativa tem como foco aprimorar a experiência dos/as visitantes, melhorar a acessibilidade e promover a resiliência energética, além de apoiar a gestão de longo prazo da instituição. Antes do início do fechamento, o Getty Center manterá sua programação de exposições e eventos até o início de 2027.
O fotógrafo Paul Clemence registrou o International Gateway Centre (IGC) em West Kowloon, um empreendimento de uso misto projetado pelo escritório Zaha Hadid Architects em Hong Kong, que se aproxima de sua conclusão. A série de fotos retrata o projeto em uma etapa na qual sua volumetria geral, sistemas de fachada e organização espacial estão amplamente concluídos, enquanto os trabalhos finais prosseguem nas áreas públicas e internas. Os registros detalhados de Clemence destacam as aletas verticais de sombreamento, a curvatura da fachada envidraçada e as transições entre elementos estruturais e ambientais, evidenciando como a linguagem formal do edifício é resolvida por meio da construção.
A National Gallery de Londres anunciou o escritório Kengo Kuma & Associates, em colaboração com a BDP e a MICA, como vencedor do concurso internacional para projetar uma nova ala para a instituição. Lançado em setembro de 2025, o certame atraiu 65 propostas de escritórios globais, das quais seis equipes foram selecionadas para a etapa final de desenvolvimento. A escolha representa um marco fundamental na estratégia de desenvolvimento de longo prazo da instituição, o Project Domani, posicionando a nova expansão como um componente central na reconfiguração de suas estruturas arquitetônica e curatorial. Concebido como a mais significativa transformação do museu desde sua fundação em 1824, o projeto visa ampliar a capacidade espacial e o escopo curatorial, possibilitando a exibição de uma narrativa contínua da pintura ocidental em um único espaço.
De 21 a 26 de abril, a 64ª edição do Salone del Mobile.Milano retorna à Rho Fiera Milano, reunindo mais de 1.900 expositores em uma área de exposição totalmente esgotada de mais de 169.000 metros quadrados. Para além de sua escala, a edição de 2026 sinaliza uma mudança mais estrutural: por meio de colaborações com nomes como Rem Koolhaas e David Gianotten (OMA) e o estúdio Formafantasma, o Salone continua a se reposicionar como uma infraestrutura cultural em evolução, em vez de uma feira de negócios convencional. Este ano introduz novas camadas curatoriais e estratégicas, com destaque para a fase de prévia do Salone Contract e a estreia do Salone Raritas, além de instalações e exposições imersivas, ao mesmo tempo que a presença do Salone por toda Milão se expande ainda mais por meio de intervenções urbanas durante a Milan Design Week.
Celebrado anualmente em 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde chama a atenção para as prioridades de saúde global, ao mesmo tempo em que as situa em contextos ambientais e sociais mais amplos. Instituída após a primeira Assembleia Mundial da Saúde em 1948 e celebrada desde 1950, a data tornou-se uma plataforma para abordar as constantes transformações nas condições que moldam a saúde, desde os sistemas locais de atendimento até desafios em escala planetária. A edição de 2026, sob o tema "Juntos pela saúde. Apoie a ciência", convoca a um engajamento renovado com o conhecimento científico como base para a ação coletiva. A campanha, que se estende ao longo do ano, enfatiza a colaboração na proteção da saúde das pessoas, dos animais, das plantas e do planeta, destacando a abordagem de Saúde Única como uma estrutura para compreender sua interdependência.
Fallingwater, a icônica residência projetada por Frank Lloyd Wright, foi reaberta ao público após a conclusão de um projeto de preservação de três anos. A reabertura coincide com o 90º aniversário do edifício e o início de sua 63ª temporada de visitas, marcando um momento fundamental na conservação contínua de uma das obras mais reconhecidas da arquitetura moderna. A intervenção, liderada pela Western Pennsylvania Conservancy, concentrou-se em resolver desafios estruturais e ambientais, mantendo a integridade do projeto original de Wright.
O arquiteto japonêsKengo Kuma e seu escritório Kengo Kuma & Associates (KKAA) apresentaram Earth | Tree, uma instalação site-specific no Copenhagen Contemporary, desenvolvida em colaboração com a fabricante dinamarquesa de madeira Dinesen. Inaugurado em 28 de março de 2026 como parte do programa CCreate da instituição, o projeto ocupa um antigo galpão industrial, apresentando uma intervenção espacial definida por madeira, tijolo e luz. Liderada pelo/a sócio/a Yuki Ikeguchi, juntamente com os/as integrantes da equipe Asger T. Taarnberg, Nicolas Guichard e Yasemin Shiner, a instalação marca a primeira exposição do KKAA na Escandinávia e insere a prática do estúdio, voltada à materialidade, em um formato expositivo.
À medida que o discurso arquitetônico continua a se expandir pelos domínios cultural, educacional e cívico, os acontecimentos de esta semana destacam como a disciplina opera simultaneamente por meio do legado, da produção de conhecimento e do engajamento público em grande escala. De reflexões sobre figuras influentes e seu impacto duradouro a cenários acadêmicos em evolução e novas formas de infraestrutura cultural, a arquitetura se posiciona tanto como um repositório de ideias quanto como um agente ativo na formação de identidades contemporâneas. Ao mesmo tempo, projetos que abrangem áreas como entretenimento, museus e desenvolvimento de orlas apontam para uma crescente ênfase em programas híbridos e ambientes experienciais, nos quais a arquitetura atua como mediadora entre a cultura, a vida pública e o público global.
Ao longo de 2025 e no início de 2026, inúmeros projetos de museus foram anunciados, avançaram ou tiveram suas obras iniciadas em diversas regiões, com cronogramas de conclusão que se estendem, em sua maioria, de 2026 a 2030. Localizados na Ásia, Europa, América do Norte e Ásia Central, esses empreendimentos refletem as mudanças contínuas no papel das instituições culturais nas cidades contemporâneas. Cada vez mais, os museus são concebidos não apenas como espaços de exposição, mas como ambientes voltados para o público que abrigam educação, pesquisa e engajamento cívico. Esse escopo programático ampliado costuma ser acompanhado por estratégias arquitetônicas que respondem às condições urbanas, à continuidade espacial e à integração da infraestrutura cultural a processos mais amplos de desenvolvimento urbano.
Vista aérea da área do Port Vell onde o Liceu Mar será construído. Imagem cortesia de Gran Teatre del Liceu e Port de Barcelona
A cidade de Barcelona anunciou as cinco equipes finalistas selecionadas para a próxima fase do concurso internacional para o Liceu Mar, um novo espaço cultural planejado para a orla de Port Vell. Promovido pelo Gran Teatre del Liceu em colaboração com o Porto de Barcelona, o projeto é concebido como uma segunda sede para a instituição histórica, ampliando seu papel artístico e cívico ao mesmo tempo em que fortalece sua presença internacional. Ao reunir um grupo de escritórios de reconhecimento internacional e forte atuação local, a lista de finalistas reforça a relevância global do projeto. O anúncio da proposta vencedora está previsto para o outono de 2026.
A Art Paris retornará ao Grand Palais de 9 a 12 de abril de 2026, marcando a 28ª edição da feira neste marco histórico recém-renovado. Reaberto após sua restauração mais abrangente em mais de um século, o edifício de 77.000 metros quadrados, transformado sob a direção do escritório Chatillon Architectes, agora abriga eventos culturais de grande escala em sua nave e galerias superiores. Reunindo cerca de 165 galerias de aproximadamente vinte países, a feira se estrutura em torno de dois temas curatoriais, linguagem e reparação, apresentados em um arranjo espacial renovado, caracterizado por uma melhor circulação e áreas de exposição ampliadas.
Localizada no distrito histórico de Diriyah, amplamente reconhecido como o berço do primeiro Estado saudita, a Grande Mesquita projetada pelo escritório X Architects faz parte da transformação em curso que está tornando a região um importante destino cultural em Riad. Concebido no âmbito do empreendimento Diriyah Gate II, o projeto se situa na interseção entre a preservação do patrimônio e a reurbanização urbana em grande escala, colaborando com um plano diretor mais amplo que inclui museus, instituições cívicas, bairros residenciais e espaços públicos. Nesse contexto, a mesquita é pensada não apenas como um local de culto, mas também como uma âncora urbana integrada ao tecido em constante evolução do distrito.
Demolição do Estacionamento C. Imagem via Redes Sociais
Os edifícios de estacionamento projetados por Christian Kerez ao longo do Caminho da Pérola no Bahrein estão sendo demolidos como parte de uma iniciativa de requalificação urbana em andamento em Muharraq. Notícias locais informam que a remoção dos estacionamentos está vinculada a um plano mais amplo de reorganização da área histórica e de melhoria do acesso a importantes locais de patrimônio, incluindo a Casa de Sheikh Isa bin Ali. Embora a extensão total da intervenção não tenha sido detalhada oficialmente, as informações disponíveis indicam que várias estruturas do projeto — composto por quatro partes — foram afetadas e que as obras já estão em segurança.
A La Biennale di Venezia revelou o reformado Pavilhão Central do Giardini, concluindo uma ampla intervenção realizada entre dezembro de 2024 e março de 2026 como parte de um programa nacional voltado à melhoria da infraestrutura cultural. Financiado pelo Ministério da Cultura da Itália sob o Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR) e seu programa de investimento complementar (PNC), o projeto contribui para o desenvolvimento de um polo permanente de produção e intercâmbio cultural em Veneza. As obras fazem parte de uma iniciativa mais ampla que envolve múltiplos locais associados à Bienal, incluindo o Giardini, o Arsenale e outros pontos da cidade, desenvolvida em coordenação com as autoridades locais e órgãos de patrimônio.
Mais de três décadas após ter sediado o evento, Barcelona se prepara para receber o Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026 Barcelona (UIA2026BCN), trazendo a comunidade global de arquitetura de volta à cidade entre 28 de junho e 2 de julho de 2026. Organizado sob o tema "Tornar-se. Arquiteturas para um Planeta em Transição", o Congresso deve reunir aproximadamente 10 mil participantes de mais de 130 países, incluindo profissionais da área, pesquisadores/as e estudantes. Em vez de se limitar a um único local, o evento se desdobrará em múltiplos espaços ao longo da orla mediterrânea, entre eles o complexo das Três Chaminés, posicionando a própria cidade como uma plataforma ativa de intercâmbio, debate e programação pública.
À medida que a escassez de moradia e os desafios de acessibilidade financeira se intensificam nas cidades globais, o debate arquitetônico desta semana se concentra em como o design, as políticas públicas e as estratégias adaptativas se cruzam para moldar o futuro da vida urbana. As iniciativas vão desde movimentos de base e reformas legislativas destinadas a expandir o acesso à habitação até modelos inovadores que repensam a propriedade, o desenvolvimento e o engajamento comunitário. Paralelamente, arquitetos e arquitetas estão reimaginando estruturas e bairros existentes, transformando escritórios subutilizados, marcos históricos e edifícios inacabados em espaços de uso misto, com relevância cultural ou de acesso público. Em diferentes escalas, essas histórias ilustram como a arquitetura lida com a escassez, o valor e as prioridades sociais, demonstrando sua capacidade de não apenas produzir novos edifícios, mas também de recalibrar os ambientes urbanos de modo a equilibrar patrimônio, sustentabilidade e experiência humana.