Render de Qalandiya. Imagem cortesia de RIWAQ – Centre for Architectural Conservation
Qalandiya: the Green Historic Maze, desenvolvido pelo RIWAQ – Centre for Architectural Conservation, foi premiado com o Grande Prêmio no Holcim Foundation Awards 2025, em reconhecimento à sua abordagem sensível e profundamente contextualizada de conservação do patrimônio na Palestina, sendo selecionado entre os 20 vencedores da edição deste ano. Localizado em Qalandiya, ao norte de Jerusalém, o projeto reativa o centro histórico de uma vila há muito afetada pela fragmentação política, pelo abandono e pela desconexão espacial. Por meio de uma estratégia de reabilitação gradual, o projeto restaura estruturas deterioradas utilizando conhecimentos tradicionais, alvenaria de pedra local e materiais nativos, transformando o tecido abandonado em espaços públicos ativos, ao mesmo tempo que reforça a resiliência ambiental por meio de estratégias climáticas passivas e infraestrutura baseada na paisagem.
La Biennale di Veneziainaugurou a nova sede de seu Arquivo Histórico – Centro Internacional de Pesquisa em Artes Contemporâneas no Arsenale, transferindo as coleções de arquivos e as atividades de pesquisa da instituição para um complexo restaurado em um de seus principais locais de exposição. A abertura apresenta uma nova sede permanente para o arquivo, reunindo instalações de conservação, pesquisa, consulta pública e programação cultural no histórico Arsenale. Para marcar a ocasião, a La Biennale organizou uma programação de três dias com performances, palestras, conversas e visitas públicas, destacando o papel do arquivo no ecossistema mais amplo de exposições, festivais e iniciativas educacionais da instituição.
A Fundação OBEL anunciou "Systems' Hack" como o foco de seu ciclo de 2026, estabelecendo a estrutura conceitual que orientará as atividades da fundação e a seleção do próximo Prêmio OBEL. Fundada em 2019, a OBEL reconhece o potencial da arquitetura de atuar como um agente tangível de mudança social e ecológica positiva, apoiando abordagens que expandem a forma como o ambiente construído é definido e moldado. O tema de 2026 convoca a arquitetura a se engajar criticamente com os sistemas que sustentam a sociedade contemporânea, incluindo infraestrutura, energia, alimentação, água, educação e informação, e a examinar como essas redes interconectadas podem ser reconfiguradas em resposta a desafios globais acelerados.
In Other Worlds. Still do filme Planet City (2021), de Liam Young. Imagem cortesia de Liam Young
O Barbican Centre anunciou a abertura de *In Other Worlds*, uma grande exposição imersiva do/a arquiteto/a especulativo/a, cineasta e artista Liam Young, em cartaz de 21 de maio a 6 de setembro de 2026. Ocupando três locais distintos dentro do complexo do Barbican — a entrada da Silk Street, a galeria The Curve e o Car Park 5 —, a mostra transformará o marco cultural brutalista em uma sequência de ambientes cinematográficos que examinam arquitetura, infraestrutura, futuros climáticos e urbanismo planetário. Desenvolvido em colaboração com escritores/as, cientistas, cineastas, músicos/as e performers, o projeto reúne projeções em grande escala, instalações de LED, ambientes sonoros, narrativas gráficas, figurinos e artefatos especulativos para explorar como a ficção e a narrativa espacial podem moldar debates sobre mudanças ambientais e tecnológicas.
A Casa Batlló, em Barcelona, revelou o terceiro andar restaurado do edifício, abrindo ao público pela primeira vez a última residência original preservada da transformação realizada por Antoni Gaudí no imóvel entre 1904 e 1906. Liderada pelo arquiteto de restauro Xavier Villanueva e desenvolvida ao longo de três anos por meio de um processo de conservação de caráter arqueológico, a intervenção recupera um ambiente doméstico amplamente intacto que permaneceu habitado por descendentes da família Batlló por mais de um século. Adaptado em uma série de salas privadas para reuniões, eventos culturais e experiências, o apartamento restaurado combina a preservação do patrimônio com uma intervenção contemporânea de design de interiores de Paola Navone – OTTO Studio, estabelecendo um novo programa para um dos marcos arquitetônicos mais reconhecidos de Barcelona.
Mais de três décadas após ter sediado o evento, Barcelona se prepara para receber o Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026 Barcelona (UIA2026BCN), trazendo a comunidade global de arquitetura de volta à cidade entre 28 de junho e 2 de julho de 2026. Organizado sob o tema "Tornar-se. Arquiteturas para um Planeta em Transição", o Congresso deve reunir aproximadamente 10 mil participantes de mais de 130 países, incluindo profissionais da área, pesquisadores/as e estudantes. Em vez de se limitar a um único local, o evento se desdobrará em múltiplos espaços ao longo da orla mediterrânea, entre eles o complexo das Três Chaminés, posicionando a própria cidade como uma plataforma ativa de intercâmbio, debate e programação pública.
O Congresso Mundial de Arquitetos UIA 2026 Barcelona divulgou sua programação completa, detalhando a estrutura, os participantes e as diversas atividades agendadas para o período de 28 de junho a 2 de julho de 2026. A partir de um desdobramento do tema anunciado anteriormente, *Becoming. Architectures for a Planet in Transition* (Tornar-se: Arquiteturas para um Planeta em Transição), o Congresso foi concebido como um evento descentralizado, distribuído por múltiplos locais e contextos urbanos, em vez de se concentrar em um único espaço. Organizado pela União Internacional de Arquitetos (UIA) em colaboração com o Conselho Superior de Colégios de Arquitetos da Espanha (CSCAE) e o Colégio de Arquitetos da Catalunha (COAC), o evento deve reunir cerca de 10.000 participantes e 250 palestrantes de mais de 130 países.
Snøhetta, em colaboração com o Beijing Institute of Architectural Design (BIAD), venceu o concurso internacional para projetar o Museu de Arte de Pequim no distrito de Tongzhou, em Pequim. O início oficial das obras ocorreu em 31 de dezembro de 2025, com conclusão e abertura ao público previstas para 2029. Concebido como um novo marco para a região leste da cidade, o museu fará parte da estratégia de desenvolvimento cultural e cívico de Tongzhou como subcentro de Pequim. O projeto marca a segunda grande comissão cultural do Snøhetta na capital chinesa, sucedendo a Biblioteca de Pequim, inaugurada em 2023 e que, desde então, tornou-se uma referência fundamental para a arquitetura cívica contemporânea na cidade.
O escritório de arquitetura dinamarquês Henning Larsen foi selecionado para reformular e expandir a Escola de Glyvra, nas Ilhas Faroe, propondo um campus educacional integrado à paisagem que responde diretamente à topografia e ao clima da região. Concebido como uma "vila de aprendizagem", o projeto repensa o papel da escola em uma pequena comunidade costeira, posicionando a arquitetura e os espaços ao ar livre como partes integrantes do aprendizado diário. Encomendado pelo Município de Runavík e desenvolvido em colaboração com a empresa de engenharia Ramboll, o projeto será executado em várias fases para garantir que a escola permaneça em pleno funcionamento durante as obras, com as novas instalações sendo concluídas e ocupadas antes que as estruturas existentes sejam reformadas ou demolidas.
O papel público da arquitetura surge como tema central em anúncios recentes, projetos institucionais e programas profissionais. A escolha do/a designer do Pavilhão Serpentine 2026 coloca a arquitetura em primeiro plano como um espaço de encontro público e investigação material, ao mesmo tempo que grandes projetos cívicos e culturais apontam para um investimento renovado em instituições que apoiam a educação, o intercâmbio e a continuidade urbana. Paralelamente a esses desenvolvimentos, programas de prêmios internacionais e iniciativas alinhadas a políticas públicas continuam a situar a arquitetura em debates mais amplos sobre sustentabilidade, responsabilidade social e impacto a longo prazo, destacando como as decisões de projeto — tanto em escala íntima quanto monumental — respondem a desafios ambientais e cívicos compartilhados.
À medida que a escassez de moradia e os desafios de acessibilidade financeira se intensificam nas cidades globais, o debate arquitetônico desta semana se concentra em como o design, as políticas públicas e as estratégias adaptativas se cruzam para moldar o futuro da vida urbana. As iniciativas vão desde movimentos de base e reformas legislativas destinadas a expandir o acesso à habitação até modelos inovadores que repensam a propriedade, o desenvolvimento e o engajamento comunitário. Paralelamente, arquitetos e arquitetas estão reimaginando estruturas e bairros existentes, transformando escritórios subutilizados, marcos históricos e edifícios inacabados em espaços de uso misto, com relevância cultural ou de acesso público. Em diferentes escalas, essas histórias ilustram como a arquitetura lida com a escassez, o valor e as prioridades sociais, demonstrando sua capacidade de não apenas produzir novos edifícios, mas também de recalibrar os ambientes urbanos de modo a equilibrar patrimônio, sustentabilidade e experiência humana.
Localizada no distrito histórico de Diriyah, amplamente reconhecido como o berço do primeiro Estado saudita, a Grande Mesquita projetada pelo escritório X Architects faz parte da transformação em curso que está tornando a região um importante destino cultural em Riad. Concebido no âmbito do empreendimento Diriyah Gate II, o projeto se situa na interseção entre a preservação do patrimônio e a reurbanização urbana em grande escala, colaborando com um plano diretor mais amplo que inclui museus, instituições cívicas, bairros residenciais e espaços públicos. Nesse contexto, a mesquita é pensada não apenas como um local de culto, mas também como uma âncora urbana integrada ao tecido em constante evolução do distrito.
Vista aérea da área do Port Vell onde o Liceu Mar será construído. Imagem cortesia de Gran Teatre del Liceu e Port de Barcelona
A cidade de Barcelona anunciou as cinco equipes finalistas selecionadas para a próxima fase do concurso internacional para o Liceu Mar, um novo espaço cultural planejado para a orla de Port Vell. Promovido pelo Gran Teatre del Liceu em colaboração com o Porto de Barcelona, o projeto é concebido como uma segunda sede para a instituição histórica, ampliando seu papel artístico e cívico ao mesmo tempo em que fortalece sua presença internacional. Ao reunir um grupo de escritórios de reconhecimento internacional e forte atuação local, a lista de finalistas reforça a relevância global do projeto. O anúncio da proposta vencedora está previsto para o outono de 2026.
O BDP, a Cox Architecture e a Collage Design revelaram o masterplan para o complexo esportivo Sardar Vallabhbhai Patel Sports Enclave, de 350 acres, em Ahmedabad, na Índia. Localizado às margens do Rio Sabarmati e estruturado em torno do Estádio Narendra Modi — que, com capacidade para 132.000 espectadores, é o maior do mundo —, o projeto propõe um distrito esportivo de grande escala, integrando locais de competição internacional a paisagens públicas e instalações comunitárias. Concebido tanto como um complexo de eventos quanto como um parque urbano, o empreendimento foi planejado para sediar o evento do centenário dos Jogos da Commonwealth de 2030, após a seleção de Ahmedabad como cidade-sede.
O escritório MVRDViniciou as obras do Centro de Convergência UE TUMO, uma nova instalação educacional e de pesquisa em Yerevan, na Armênia. Localizado no Parque Tumanyan, o edifício de cinco andares expandirá o campus do TUMO, oferecendo espaços para educação tecnológica e criativa gratuita para adolescentes e adultos, além de áreas de pesquisa e de coworking para empresas de tecnologia e design. Situado em um afloramento montanhoso acima do desfiladeiro do rio Hrazdan, o projeto responde à topografia do entorno, estabelecendo conexões visuais com a cidade, o desfiladeiro e o Monte Ararat. A construção começou oficialmente em 24 de fevereiro, com a presença de representantes locais e internacionais.
Ao longo da história, a transferência de cidades capitais frequentemente esteve associada a momentos de ruptura política, mudança de regime ou construção simbólica de uma nação. De Brasília a Islamabad, novas capitais eram muitas vezes concebidas como instrumentos de poder centralizado, controle territorial ou projeção ideológica. Nas últimas décadas, no entanto, um conjunto diferente de fatores passou a moldar essas decisões. Em vez de se limitarem a questões de segurança ou representação, as transferências contemporâneas de capitais estão cada vez mais ligadas a pressões estruturais, como concentração demográfica, saturação infraestrutural, risco ambiental e gestão de recursos a longo prazo. À medida que as regiões metropolitanas se expandem além de sua capacidade de suportar o crescimento populacional e as funções administrativas, os governos recorrem à reconfiguração espacial para enfrentar desequilíbrios urbanos sistêmicos.
À medida que o setor da construção civil continua sendo responsável por uma parcela significativa das emissões globais de carbono, plataformas digitais são cada vez mais desenvolvidas para apoiar a redução de carbono em diferentes etapas do processo de projeto e construção. Essas iniciativas variam de bancos de dados voltados para materiais a orientações sobre o ciclo de vida dos projetos e ferramentas de avaliação de carbono incorporado nas fases iniciais. Embora difiram em escopo e metodologia, elas compartilham o objetivo de melhorar o acesso ao conhecimento técnico, esclarecer responsabilidades em toda a cadeia de valor e facilitar tomadas de decisão mais informadas no ambiente construído. Recentemente, o escritório Henning Larsen lançou o OpenDetail, unindo-se a esforços semelhantes de Grimshaw e MVRDV para enfrentar a descarbonização por meio de infraestrutura digital compartilhada.