No discurso arquitetônico contemporâneo, o planejamento urbano é cada vez mais reconhecido como um meio de conciliar o crescimento com prioridades sociais, culturais e ambientais de longo prazo. Para além de organizar edifícios e infraestrutura, essas propostas de grande escala visam regenerar o tecido urbano, adaptar áreas históricas ou subutilizadas e estabelecer diretrizes para comunidades inclusivas e resilientes. Enviados pela comunidade do ArchDaily, os projetos apresentados nesta edição de Arquitetura Não Construída destacam como os planos diretores podem responder aos desafios contemporâneos enquanto preparam as cidades para um futuro incerto.
Abrangendo diversas geografias, da Europa ao Oriente Médio e às Américas, os projetos selecionados reinterpretam complexos industriais, sítios culturais e bairros residenciais por meio de estratégias que priorizam a sustentabilidade, a mobilidade e a identidade coletiva. Muitos compartilham o foco no design regenerativo: a reabertura de canais históricos, a criação de espaços públicos adaptados ao clima e a introdução de corredores verdes e centros comunitários para reconectar as pessoas com seus ambientes. Juntos, eles demonstram como o planejamento urbano vem se consolidando como uma ferramenta fundamental para repensar a maneira como as cidades crescem, se adaptam e sustentam a vida cívica.
O concreto é frequentemente visto como o material da modernidade, definido por sua resistência estrutural, acabamento bruto e inconfundível tom cinza. Tornou-se a paleta padrão da arquitetura do século XX, um símbolo de funcionalidade e permanência. No entanto, o concreto não está limitado a essa identidade cromática. Sua cor é subproduto do cimento, dos agregados e da composição química utilizados em sua mistura, podendo ser intencionalmente alterada por meio da pigmentação. Entre as muitas tonalidades exploradas, o vermelho se destaca — não apenas por sua intensidade visual, mas por sua capacidade de enraizar os edifícios em seu lugar, evocar referências culturais e imbuir a arquitetura de uma presença material ao mesmo tempo elemental e expressiva.
A pigmentação do concreto envolve a adição de corantes de base mineral — geralmente óxidos de ferro — durante o processo de mistura. Diferentemente de tintas ou revestimentos aplicados à superfície, esses pigmentos são integrados diretamente à massa do concreto, garantindo que a cor permeie o material e permaneça estável ao longo do tempo. Os pigmentos vermelhos, em particular, são frequentemente derivados do óxido de ferro (Fe₂O₃), um composto natural encontrado na argila, na hematita e em outros minerais ricos em ferro. Sua tonalidade terrosa e profunda conecta a construção contemporânea a técnicas ancestrais — das argamassas pozolânicas romanas às construções de terra vermelha da África Ocidental e da América do Sul.
Após um amplo processo de conservação, a Eames House, Case Study House No. 8, reabriu para visitação após um fechamento de cinco meses devido aos danos causados pela fumaça do incêndio florestal de Palisades no início deste ano. Embora a estrutura icônica, projetada por Charles e Ray Eames em 1949 como parte do Case Study House Program, não tenha sido diretamente danificada pelas chamas, ela precisou de uma limpeza completa e restauração para mitigar os efeitos da infiltração de fumaça. Como parte da reabertura, o Eames Studio adjacente, antes fechado ao público, agora estará acessível pela primeira vez. Projetado e utilizado por Charles e Ray como espaço de trabalho, o estúdio servirá como sede para exposições temporárias, workshops e programas públicos, oferecendo uma experiência arquitetônica ampliada.
Riken Yamamoto, nascido em Pequim em 1945 e criado em Yokohama logo após a Segunda Guerra Mundial, é um arquiteto japonês celebrado por promover o senso de comunidade através da arquitetura. Após fundar seu escritório, Riken Yamamoto & Field Shop, em 1973, ele se tornou conhecido por obras que vão desde habitação social, como Hotakubo Housing e Pangyo Housing, a projetos cívicos como o Hiroshima Nishi Fire Station e a Saitama Prefectural University, todos unificados pela simplicidade modular. Laureado com o Prêmio Pritzker de Arquitetura em março de 2024, ele foi elogiado pelo presidente do júri, Alejandro Aravena, por "diluir as fronteiras entre o público e o privado", fomentar a interação social espontânea e "trazer dignidade à vida cotidiana", permitindo que o senso de comunidade floresça por meio de um projeto cuidadoso. Nesta entrevista ao Louisiana Channel, o arquiteto reflete sobre o papel social da arquitetura, enfatizando o vínculo inseparável entre a habitação e seu contexto, além da necessidade de criar espaços que promovam relações visíveis e significativas.
A União Internacional de Arquitetos (UIA), em colaboração com o ONU-Habitat, anunciou o lançamento do terceiro ciclo do Prêmio UIA 2030 Award. Lançado em 2021, o prêmio internacional bienal destaca o papel da arquitetura no avanço da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, com ênfase especial no ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e na Nova Agenda Urbana. Organizado pela Comissão de 17 ODS da ONU da UIA, o prêmio reconhece projetos construídos que combinam arquitetura com contribuições mensuráveis para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Estruturado de forma a coincidir com o cronograma do Fórum Urbano Mundial (WUF), o prêmio se estenderá por cinco ciclos.
A Catedral Cristo Rei é o projeto de Oscar Niemeyer para a catedral de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, na Região Sudeste do Brasil. Concebida entre 2005 e 2006, a obra é um dos últimos projetos do falecido arquiteto no país. O projeto apresenta uma estrutura em cúpula com aproximadamente 60 metros de diâmetro, suspensa por dois elementos de apoio que se elevam a 100 metros de altura. Niemeyer referia-se ao projeto como uma "praça", composta por uma catedral com capacidade para 3.000 pessoas e um altar externo projetado para receber até 20.000 fiéis em missas e eventos públicos. A construção teve início em 2013 e segue em andamento. No início deste ano, o fotógrafo Paul Clemence visitou o local, documentando o processo de construção e registrando o surgimento das curvas características de Niemeyer.
Nascida e sediada na região da Transilvânia, na Romênia, Maria-Cristina aborda a arquitetura sob uma perspectiva rica e multifacetada, moldada por uma trajetória acadêmica e profissional diversa. Mestre pela UTCN e pela KU Leuven, ela concilia uma formação arquitetônica rigorosa com uma ampla curiosidade que abrange tanto os aspectos criativos quanto analíticos da disciplina. No início de sua carreira, trabalhou em escritórios de arquitetura de pequeno e médio porte, adquirindo uma valiosa experiência prática antes de migrar para o trabalho editorial no ArchDaily em 2022. Desde então, assumiu o cargo de Editora-Chefe, ao mesmo tempo em que cursa o doutorado em estudos arquitetônicos e atua como professora assistente, refletindo seu profundo compromisso tanto com a prática quanto com a pesquisa acadêmica.
A abordagem de Maria-Cristina em relação à arquitetura fundamenta-se na compreensão de sua complexidade e diversidade. Ela vê a arquitetura não como uma definição estática, mas como um campo em constante evolução, no qual estruturas, física, materiais, estética, filosofia e a experiência humana se entrelaçam. Seu interesse pelo trabalho editorial surgiu dessa visão de mundo, ao descobrir que a escrita e o projeto compartilham paralelos: ambos envolvem a construção de ideias que se conectam e se apoiam mutuamente, de forma muito semelhante aos elementos de um edifício. Sob essa ótica, ela encontra satisfação em elaborar ensaios que comunicam ideias complexas de forma clara e simples, enfatizando a singularidade dos conceitos em detrimento das palavras.
Do design de interiores de estabelecimentos voltados à prática esportiva a espaços de bem-estar, a arquitetura contemporânea continua experimentando a incorporação de diferentes usos, instalações e materialidades que permitem a expansão para públicos amplios, a criação de novas espacialidades e o incentivo ao desenvolvimento de diferentes atividades simultâneas. Embora cada esporte demande seu próprio tipo de arquitetura — como, por exemplo, o treino de escalada —, da Austrália aos Países Baixos, profissionais de arquitetura e design apostam na criação de atmosferas onde o exercício se torna não apenas uma experiência física, mas também psicológica, conectando corpo e mente a um estado de renovação física, relaxamento e sociabilidade.
O que significa construir com cuidado, utilizando aquilo que os outros deixam para trás? Essa pergunta molda o trabalho do Matter Matters Lab, uma iniciativa fundada pela arquiteta e pesquisadora Catherine Söderberg Esper durante o isolamento da pandemia. A partir de experiências multiculturais e motivada por uma transformação pessoal durante a maternidade, Catherine começou a investigar resíduos cotidianos como matéria-prima para sistemas construtivos regenerativos. Seu primeiro experimento consistiu em colar seus próprios cabelos cortados usando cola branca, dando início a uma abordagem radicalmente íntima e artesanal. Desde então, o laboratório tem se concentrado em transformar resíduos orgânicos em materiais arquitetônicos de baixo impacto, inspirando-se em sistemas de conhecimento indígenas e buscando romper com modelos extrativistas na construção civil. Projetos como os Avocado Bricks, feitos a partir de caroços de abacate descartados, exemplificam essa abordagem local, circular e enraizada na ideia de reciprocidade entre matéria, lugar e cuidado, oferecendo uma nova maneira de construir com resíduos.
A arquitetura não se improvisa. Pensar muito não é o mesmo que pensar bem. Afinal, uma ideia brilhante, sem clareza e propósito, reduz-se a nada. Projetar sem convicção resulta em mais do mesmo: formas vazias, sem discurso nem alma. O Mestrado em Projeto Arquitetônico (MDA) da Universidad Panamericana não é uma simples pós-graduação: é um convite para retornar à origem do ofício. Aqui, o espaço é pensado como um ato crítico, sensível e vital. Você não vem para impressionar: vem para projetar o que realmente importa. Cada decisão projetual fala sobre você, e aqui você aprenderá a sustentá-la e a transformá-la em arquitetura com propósito.
A maneira como percebemos um espaço não depende unicamente de sua escala ou de sua forma, mas de uma série de decisões que, a partir do interior, moldam a nossa experiência. Alguns gestos são determinantes: o pé-direito livre, a organização dos planos verticais ou o tamanho da cama. Outros atuam com maior sutileza, como a incidência da luz, a tonalidade dos materiais ou o uso da cor. Todas essas variáveis influenciam na forma como o espaço se manifesta — se o sentimos aberto ou contido, seccionado ou contínuo. Nessa mesma linha, o uso de pisos em grandes formatos torna-se uma operação fundamental: reduz a fragmentação visual e reforça a continuidade das superfícies.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142642/espacos-sem-juntas-como-os-grandes-formatos-transformam-a-linguagem-arquitetonicaEnrique Tovar
O Museum of Emotions é um concurso internacional de projetos anual que desafia os/as participantes a explorar até que ponto a arquitetura pode ser utilizada como ferramenta para evocar emoções. O edital propõe o projeto de um museu conceitual com duas salas de exposição: uma projetada para induzir emoções negativas; a outra, para evocar sentimentos positivos. Os/As participantes têm total liberdade para escolher qualquer terreno, real ou imaginário, bem como definir a escala do projeto. O significado de "positivo" e "negativo" fica aberto à interpretação: quais duas emoções um/a designer consideraria opostas? Como um/a arquiteto/a poderia conceber espaços que despertem medo, raiva, ansiedade, amor ou felicidade?
O Museum of Emotions é um concurso "silencioso": ou seja, os/as participantes devem comunicar suas ideias sem o uso de textos, utilizando apenas imagens. Nenhuma forma de texto é permitida — sejam memoriais descritivos, anotações ou mesmo legendas de diagramas.
O Deutsches Architekturmuseum (DAM) em Frankfurt inaugurou em 14 de junho sua nova exposiçãoArchitecture and Energy: Building in the Age of Climate Change, que permanecerá aberta ao público até 5 de outubro de 2025. Desenvolvida em colaboração com o engenheiro e defensor da sustentabilidade Werner Sobek, a mostra explora as interseções entre arquitetura, energia e clima, com foco no impacto ambiental do ambiente construído e no papel da arquitetura na mitigação das mudanças climáticas. Ao apresentar a arquitetura tanto como um desafio quanto como uma oportunidade no contexto da crise climática, a exposição busca contribuir para uma mudança de mentalidade mais ampla, que posicione o design como um componente vital para um futuro sustentável.
Narrar uma obra de arquitetura é sempre um desafio. As imagens de um projeto, por mais precisas ou espetaculares que sejam, muitas vezes deixam de fora todo o processo que as tornou possíveis. O registro desses processos — os bastidores da arquitetura — é, sem dúvida, parte fundamental de qualquer obra. E torna-se ainda mais essencial quando tanto o projeto quanto sua metodologia de execução se afastam dos caminhos convencionais. Este é o caso da obra realizada por Susana, responsável por uma propriedade rural sem nenhuma experiência prévia em construção, que assumiu o desafio e o executou por conta própria, guiada unicamente pelas instruções que o arquiteto do projeto, Manuel Ocaña, lhe enviava pelo WhatsApp.
A iniciativa *Conserving Black Modernism* da Getty Foundation foi lançada em 2022 como um programa de subsídios para preservar e garantir o legado de arquitetos e arquitetas afro-americanos/as no movimento modernista nos Estados Unidos. Em parceria com o *African American Cultural Heritage Action Fund* do *National Trust for Historic Preservation*, a iniciativa apoia esforços de conservação, capacitação e projetos educacionais para enfrentar o apagamento histórico de marcos arquitetônicos importantes e a contribuição de seus criadores e criadoras. Em seu terceiro ciclo de financiamento, em 2025, cinco novos edifícios receberão esse suporte essencial, expandindo o alcance da iniciativa para novas comunidades, com os primeiros projetos em Chicago e no Noroeste do Pacífico.
Preservação do patrimônio e viabilidade econômica há muito são tratadas como prioridades conflitantes no desenvolvimento urbano. Profissionais de arquitetura geralmente enfrentam uma escolha drástica: projetar para a continuidade da comunidade ou projetar para o retorno financeiro. Projetos contemporâneos em Mumbai mostram que essa oposição é falsa. Por meio de programação estratégica, escolhas de materiais e organização espacial, esses projetos viabilizam edifícios que geram receita sustentável ao mesmo tempo em que fortalecem, em vez de desestruturar, as comunidades existentes.
A Mongólia, o segundo maior país do mundo sem saída para o mar, estende-se por 1,5 milhão de quilômetros quadrados. No entanto, mais de 50% de sua população — cerca de 1,7 milhão de pessoas — reside em Ulaanbaatar, uma cidade que ocupa apenas 0,3% da área territorial total do país. Essa concentração demográfica desproporcional resultou em graves desequilíbrios no desenvolvimento regional e em crescentes desafios urbanos na capital.
Diante desse cenário, Ulaanbaatar tem passado por uma série de iniciativas abrangentes de desenvolvimento urbano. Desde a introdução do primeiro plano diretor, em 1954, já foram elaborados seis planos desse tipo. O mais recente deles, o Plano Diretor Ulaanbaatar 2040, inclui uma visão estratégica para descentralizar o crescimento urbano por meio do desenvolvimento de duas novas cidades-satélite — uma das quais é o projeto Hunnu City.
O pavilhão da Ucrânia na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia explora a intersecção entre métodos tradicionais de construção e edificações improvisadas durante crises de guerra. Sob o título "DAKH (ДАХ): Vernacular Hardcore", a mostra faz referência ao conceito de telhado ("dakh" em ucraniano) como abrigo primordial na arquitetura, examinando as coberturas de uma "arquitetura sem arquitetos/as", tanto na tradição construtiva do país quanto na realidade contemporânea de vigilância aérea sobre seu território nacional. Com curadoria de Bögdana Kosmina, Michał Murawski e Kateryna Rusetska, a representação ucraniana consiste em uma exposição de seis elementos na Sale d'Armi do Arsenale e em um programa nômade complementar intitulado Planetary Hardcore.
Telhas de argila vermelha estão presentes em diversas tradições arquitetônicas ao redor do mundo, mesmo em culturas geográfica ou historicamente distantes. No entanto, isso não chega a ser uma surpresa. A argila é um material de construção abundante e acessível em todo o mundo, com alguns estudos e outras fontes sugerindo que ela compõe aproximadamente de 10% a 13% dos solos do planeta. As telhas vermelhas, em especial, costumam ser o resultado da composição mineral do solo local e do processo de queima. Seu uso disseminado em regiões sem conexão direta deve-se menos a uma influência cultural compartilhada e mais a uma lógica material: a argila é barata, durável e fácil de trabalhar com ferramentas e técnicas simples. No Vietnã, por exemplo, há uma tradição singular e marcante no uso de telhas de argila que remonta a séculos. Regiões como Vinh Long, apelidada de "reino da cerâmica vermelha", dispõem de uma abundância desse material, o que sustenta uma longa história de fabricação de telhas. Em algumas partes do Vietnã, essas peças são conhecidas como telhas Yin-Yang, devido ao formato côncavo e convexo que assumem durante a produção.
University of Aberdeen New Library / schmidt hammer lassen architects. Foto cortesia de Schmidt Hammer Lassen Architects
O contraste pode ser amplamente utilizado na arquitetura como recurso para destacar aquilo que desejamos evidenciar. Queremos destacar uma entrada? Que o projeto se sobressaia em relação ao entorno? Que nossa arquitetura se torne um marco na paisagem urbana — ou rural? Precisamos criar simbolismos? Garantir legibilidade? Como fazer isso? Como "colocar luz" em algo?
Tudo aquilo que queremos destacar se amplifica pela comparação — por meio de um contraste exagerado, antagônico. Propositalmente, podemos intensificar o uso da escuridão para evidenciar uma única fonte de luz, marcando uma escada de maneira dramática e teatral. Ou então inserir paredes robustas e opacas para fazer sobressair uma entrada leve e transparente.
Embora Hong Kong seja amplamente reconhecida por sua vista icônica do porto, seu skyline cintilante e seu ritmo de vida urbano acelerado, suas origens contam uma história diferente — profundamente enraizada em sua relação com a água. Antes de se transformar em uma metrópole densa e vertical, a identidade arquitetônica de Hong Kong estava estreitamente ligada ao seu contexto marítimo. Hoje, a cidade é frequentemente associada a torres esbeltas e revestidas de vidro que simbolizam a modernidade. Embora visualmente impactantes em sua busca por altura e forma, muitos desses edifícios parecem desconectados de seu entorno imediato, muitas vezes negligenciando as condições naturais do local, a responsividade ecológica e a sensibilidade contextual.
Historicamente, no entanto, o cenário era diferente. Os primeiros ambientes construídos de Hong Kong — vilas de pescadores rurais em áreas como Tai O, Aberdeen e Shau Kei Wan — surgiram por meio de práticas espaciais orgânicas e comunitárias que dialogavam estreitamente com o entorno. Esses assentamentos costeiros e ribeirinhos desenvolveram sistemas arquitetônicos sob medida para o ambiente marinho e para os ritmos da vida pesqueira. As vilas se estruturavam ao redor da água, e as estratégias de construção eram adaptadas às marés flutuantes, ao terreno e ao uso social.
A Bienal de Arquitetura e Paisagismo de Versalhes de 2025 (BAP! 2025) reúne líderes globais de pensamento em arquitetura para discutir o papel fundamental que a disciplina desempenha no enfrentamento das mudanças climáticas, na sustentabilidade e nas demandas urbanas em constante evolução. Por meio de uma série de entrevistas aprofundadas com curadores/as, arquitetos/as e designers de Paris, Cidade do México e Espanha, o evento oferece uma plataforma para diversas perspectivas sobre como a arquitetura pode responder aos desafios contemporâneos.
A curadoria de Sana Frini e Philippe Rahm lidera a apresentação de uma exposição que explora como a arquitetura pode se adaptar às mudanças ambientais previstas para o futuro próximo. De práticas sustentáveis à integração de contextos culturais, as conversas registradas nestas entrevistas destacam abordagens inovadoras para a criação de espaços que não são apenas funcionais, mas profundamente sensíveis às transformações climáticas e às demandas da sociedade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142972/arquitetura-para-um-mundo-em-transformacao-reflexoes-da-bienal-de-versalhes-2025ArchDaily Team