Esta semana, a dimensão cultural da arquitetura assumiu o papel principal através de uma série de novas plataformas, desenvolvimentos institucionais e projetos voltados ao público que expandem a forma como a disciplina é discutida, preservada e vivenciada. Desde o anúncio dos participantes da edição inaugural da Bienal Pan-Africana em Nairóbi e a revelação das intervenções urbanas do Festival Concéntrico em Logroño, até a abertura da nova sede de arquivos da La Biennale di Venezia no Arsenale, a arquitetura despontou como um vetor de pesquisa, intercâmbio e reflexão coletiva. Paralelamente a essas iniciativas, projetos como a expansão do Crystal Bridges Museum no Arkansas e a abertura do Serpentine Pavilion de 2026 demonstram como as instituições culturais continuam investindo em novos espaços de encontro e engajamento. A seleção desta semana abrange o Quênia, a Espanha, a Albânia, a Arábia Saudita, a Itália, o Líbano, o Reino Unido e os Estados Unidos, refletindo os diversos contextos nos quais as instituições culturais, eventos públicos e iniciativas arquitetônicas continuam a evoluir.
Projetado pelo Studio NEiDA, o Falcon Cinema é um centro comunitário e de artes localizado em Berekuso, Gana, comissionado por Jacqueline Nsiah, profissional à frente da curadoria de cinema e da direção fundadora do espaço. A missão do cinema é criar um espaço para cineastas preservarem o patrimônio cinematográfico da África, ao mesmo tempo em que promove o pensamento crítico e criativo sobre o cinema contemporâneo no continente, projetado e curado com uma abordagem pan-africana. O programa de necessidades inclui duas salas de projeção (com 250 e 150 assentos), um restaurante, um arquivo, espaços de convivência, um centro educacional e um cinema ao ar livre. Um segundo complexo está planejado para uma fase futura, destinado a abrigar residências para cineastas. Ainda em fase de projeto, a proposta teve início em 2024 e tem conclusão prevista para 2027.
Unidades de Habitação Temporária Tierras em Palenque, México, por Manuel Cervantes Estudio. Imagem cortesia de International Union of Architects (UIA)
Durante uma cerimônia realizada no Fórum Urbano Mundial (WUF) em Baku, Azerbaijão, em 20 de maio de 2026, a União Internacional de Arquitetos (UIA) e o ONU-Habitat anunciaram os/as vencedores/as do terceiro ciclo do Prêmio UIA 2030. O prêmio bienal reconhece projetos construídos que trazem contribuições significativas para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Arquitetos/as foram convidados/as a enviar projetos de arquitetura, paisagismo e desenho urbano que abordassem desafios ambientais, sociais e econômicos urgentes em seis categorias: gestão sustentável da água, promoção de ambientes de trabalho seguros, habitação adequada e acessível, planejamento eficiente e inclusivo, acesso a espaços verdes e públicos e resiliência climática.
O Salone del Mobile.Milano anunciou as diretrizes para sua 64ª edição, programada para acontecer de 21 a 26 de abril de 2026, na Fiera Milano, Rho. O evento reunirá mais de 1.900 expositores/as de 32 países em uma área de exposição superior a 169.000 metros quadrados, evidenciando a escala contínua e o alcance internacional da feira. Para além de sua dimensão quantitativa, o Salone 2026 se posiciona como uma infraestrutura cultural e econômica em evolução, cada vez mais estruturada em torno de estratégias de longo prazo, em detrimento de eventos isolados. A programação reflete uma ênfase crescente na acessibilidade, profundidade curatorial e diálogo intersetorial, apontando para o papel do Salone não apenas como um mercado para o setor, mas também como uma plataforma onde o pensamento arquitetônico, a produção industrial e as dinâmicas globais se cruzam em um sistema único e coordenado.
Parque Prado, Colômbia, por Connatural Arquitectura en el Paisaje, Vencedor da Categoria 5 do Prêmio UIA 2030. Imagem cortesia de International Union of Architects (UIA)
As notícias desta semana revelam um foco crescente em reconectar o design com a realidade física, seja por meio da construção, da paisagem, do espaço público ou da participação coletiva. Da proposta curatorial da próxima Bienal de Arquitetura de Veneza 2027 a projetos reconhecidos internacionalmente que abordam a resiliência a enchentes, habitação acessível e restauração ecológica, muitos dos debates da semana questionaram o crescente distanciamento da arquitetura em relação às condições materiais, ambientais e sociais. Ao mesmo tempo, grandes intervenções culturais, estruturas temporárias e fóruns públicos exploraram como as instituições e os espaços cívicos podem se tornar mais acessíveis, adaptáveis e engajados com a vida urbana cotidiana.
Com atuação em arquitetura e urbanismo, Paola Viganò recebeu a indicação da Pro Helvetia para assinar a curadoria do Pavilhão da Suíça na 20ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia. Selecionada após recomendação unânime do júri, a proposta de Viganò explora a água como uma condição territorial, ecológica e política, adotando o papel da Suíça como a "caixa-d'água da Europa" como ponto de partida conceitual. Desenvolvido em conjunto com o StudioPaolaViganò e uma equipe interdisciplinar, o projeto examina a água não apenas como recurso, mas também como sujeito, entidade jurídica e força que molda paisagens, infraestruturas e o espaço construído.
De projetos e instituições que reforçam a relação entre arte e arquitetura a iniciativas que buscam novas abordagens para desafios urbanos e ecológicos persistentes, os acontecimentos desta semana refletem um esforço mais amplo para reconsiderar estruturas estabelecidas e expandir o papel do design na sociedade contemporânea. Seja por meio da reutilização adaptativa, da inovação de políticas, da experimentação artística ou da pesquisa crítica, arquitetos/as e organizações culturais exploram como os sistemas existentes podem ser transformados para responder às realidades emergentes. Essas questões ecoam em novos projetos arquitetônicos que traduzem condições ambientais e aspirações cívicas em forma construída. Em Chicago, a conclusão do Obama Presidential Center posiciona a arquitetura como um veículo para a memória pública, ao passo que, na Albânia, o projeto Lighthouse do escritório OODA reinterpreta paisagens e tradições locais por meio de uma torre voltada para a costa do Adriático. Enquanto isso, a proposta do Heatherwick Studio para o centro de visitantes AlUla Manara responde às condições da paisagem desértica da Arábia Saudita, combinando pesquisa científica e turismo em um destino dedicado à observação do céu noturno.
"A equidade de gênero continua sendo um problema persistente na arquitetura. As arquitetas representam cerca de um terço ou menos da profissão em todo o mundo." Esta é a declaração de abertura do documentário Transnational Narratives: A Documentary Celebrating South Asian Women in Architecture, fruto da 4ª Bolsa Lilly Reich para a Igualdade na Arquitetura. A bolsa, uma iniciativa da Fundació Mies van der Rohe, promove a igualdade de acesso a oportunidades na prática arquitetônica e apoia o estudo e a disseminação de contribuições para a arquitetura que foram injustamente invisibilizadas. Nesse contexto, o documentário, concebido pela Dra. Igea Troiani, pela Dra. Mamuna Iqbal, pela artista e pesquisadora Paula Roush e pela cineasta Rime Tsujino, traz visibilidade às experiências de seis arquitetas de origem sul-asiática: Sumita Singha, Chitra Vishwanath, Sara Khan, Fauzia Qureshi, Sajida Vandal e Neelum Naz, cujas trajetórias profissionais abrangem a Índia, o Paquistão e o Reino Unido.
O V&A East Museum, projetado pelos/as arquitetos/as O'Donnell + Tuomey, abrirá ao público em 18 de abril de 2026. Comissionado ao escritório em 2015, o novo edifício está localizado no Queen Elizabeth Olympic Park, próximo à sua instalação irmã recentemente inaugurada, o V&A East Storehouse, projetada por Diller Scofidio + Renfro. Situado na região leste de Londres, o mais novo distrito cultural do Reino Unido, apoiado pela Prefeitura de Londres, o complexo de dois edifícios tem como objetivo "destacar as diversas maneiras pelas quais artistas, designers e criadores/as de todo o mundo usam a criatividade para moldar o planeta". Dedicados à oportunidade criativa e ao seu poder de gerar mudanças, os cinco níveis públicos do museu contam com duas galerias permanentes, uma galeria de exposições temporárias de 900 m², um espaço para projetos e eventos no último pavimento, instalações de aprendizagem e um café.
Um novo museu dedicado à ciência da fibra de carbono foi inaugurado em Fiorenzuola d'Arda, Itália, em 17 de dezembro de 2025. O projeto remonta a 2021 e foi desenhado pelo escritório CRA–Carlo Ratti Associati em colaboração com o falecido arquiteto italiano Italo Rota. Encomendado pela MAE, fabricante de equipamentos para a produção de fibra de carbono, o projeto transforma um dos maiores acervos do mundo sobre fibra de carbono em um museu dinâmico, unindo a pesquisa à preservação arquivística e convertendo o arquivo em um espaço de exploração interativa. O projeto é descrito pela equipe de projeto como um "museu vivo", um lugar para ler, indagar e conectar ideias.
Battersea Power Station é uma antiga usina termoelétrica a carvão localizada na margem sul do Rio Tâmisa, em Londres, com projeto original assinado por J. Theo Halliday e Giles Gilbert Scott. Famosa por aparecer na capa do álbum de estúdio Animals, lançado pelo Pink Floyd em 1977, e no filme Sabotage, de Alfred Hitchcock, de 1936, a usina é um dos maiores edifícios de tijolos do mundo, reconhecida por seus acabamentos e decoração de interiores em estilo Art Déco. Hoje reconhecido como parte do patrimônio industrial moderno, o local começou a ser transformado em um empreendimento comercial em 2012, com a reutilização adaptativa orientada por um masterplan desenvolvido por Rafael Viñoly. No dia 16 de fevereiro, a Battersea Power Station anunciou a contratação do escritório de desenho urbano estratégico Studio Egret West para desenvolver o masterplan original para os 16 acres restantes do bairro de 42 acres à beira-rio, no sudoeste de Londres.
Tsuyoshi Tane é um arquiteto japonês nascido em 1979 em Tóquio e radicado em Paris, onde fundou o ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects em 2006. Com atuação em projetos culturais, institucionais e de paisagismo, Tane desenvolveu uma abordagem arquitetônica que posiciona a memória como diretriz fundamental do projeto. Em sua entrevista ao Louisiana Channel, gravada em seu estúdio em Paris, ele reflete sobre a arquitetura como uma disciplina de observação e pensamento, argumentando que o design significativo surge de uma leitura atenta dos vestígios contidos em um terreno. Para ele, a arquitetura não é produzida a partir de uma tela em branco, mas começa com uma investigação sobre o que já existe física, cultural e emocionalmente sob a superfície de um lugar.
Lesley Lokko OBE foi agraciada com o African Cultural Icon Award, que homenageia "líderes nas artes criativas que promovem a cultura e o patrimônio africanos em um cenário global". A honraria é um dos nove prêmios concedidos anualmente a personalidades indicadas pelo público e recomendadas pelo setor, avaliadas por um júri de toda a África. As pessoas indicadas são avaliadas com base no "impacto, inovação, sustentabilidade e contribuição para o crescimento da África". Lokko é fundadora e presidente do African Futures Institute (AFI), com sede em Acra, Gana, e diretora do Nomadic African Studio, um programa de ensino itinerante anual com duração de um mês que atua em todo o continente africano. A profissional foi reconhecida por suas contribuições transformadoras para a arquitetura, a educação e o discurso cultural dentro e fora da África, desafiando constantemente as narrativas convencionais sobre identidade, espaço e criatividade africanas.
BIG–Bjarke Ingels Group foi selecionado para projetar o campus de uma nova universidade de STEM em Arkansas, Estados Unidos, em um terreno próximo ao centro de Bentonville, onde antes ficava a sede do Walmart. O projeto compreende três edifícios que ocupam duas quadras urbanas e foi desenvolvido em colaboração com o escritório Polk Stanley Wilcox Architects, que atuará como responsável técnico. O campus abrange cerca de 39.200 metros quadrados (aproximadamente 422.000 pés quadrados), incluindo áreas verdes, praças públicas, um edifício acadêmico, um makerspace e uma residência estudantil. Embora o projeto tenha sido revelado recentemente, a universidade planeja receber sua primeira turma de estudantes em 2029.
O artista, diretor e produtor australiano indicado ao BAFTA Liam Young cria mundos imaginários como uma forma de refletir sobre os futuros que tememos, desejamos e já estamos construindo. Como criador e designer de atmosferas, ele propõe paisagens especulativas que refletem as possibilidades de um mundo por vir, seja ele ideal ou verdadeiramente perturbador. Em sua prática de construção de mundos nas indústrias de cinema, televisão e videogames, a ficção torna-se uma ferramenta para navegar pelas urgências ambientais do presente. Ele é considerado um "futurista" que trabalha na intersecção de estratégias de design, cenários tecnológicos e imaginações coletivas, com base em suas pesquisas acadêmicas, mas alcançando um público mais amplo em exposições como "In Other Worlds" no Barbican Centre, em Londres, e "Age of Nature" no Danish Architecture Center, em Copenhague. Em fevereiro de 2026, ele foi entrevistado por Marc-Christoph Wagner para o Louisiana Channel, onde compartilha suas visões sobre o nosso futuro: desde a consolidação da arquitetura como uma indústria boutique até a necessidade de um novo tipo de punk planetário na escala da crise climática.
Após sua 7ª edição em 2024, evento centrado no tema "Resources For a Future" (Recursos para um Futuro), a Bienal de Arquitetura de Tallinn retorna em 2026 com o questionamento "How Much?" (Quanto?). Organizado pelo Centro de Arquitetura da Estônia, o evento será realizado sob a curadoria de Stuudio TÄNA, Mark Aleksander Fischer e Mira Samonig. De 9 de setembro a 30 de novembro de 2026, a bienal explorará as relações entre limitação, custo e arquitetura — aspectos frequentemente deixados à margem do debate arquitetônico, mas que inevitavelmente moldam o ambiente construído —, com o objetivo de abrir novos caminhos para compreender o significado de valor, acessibilidade econômica e responsabilidade na arquitetura. A organização divulgou recentemente a programação completa de exposições, workshops, concertos, eventos para famílias e mostras de cinema da TAB 2026, voltada tanto para profissionais de arquitetura quanto para o público geral.
A cada primavera, a Milan Design Week 2026 transforma a cidade em uma plataforma distribuída para a cultura do design, onde protótipos, lançamentos de produtos e investigações baseadas em pesquisa coexistem em múltiplas escalas, incluindo uma presença crescente de objetos projetados por arquitetos/as. Realizada de 20 a 26 de abril, a edição de 2026 voltou a se concentrar no 64º Salone del Mobile.Milano na Fiera Milano, complementada por uma rede de espaços e exposições independentes por toda a cidade — um panorama ampliado que se reflete na seleção de instalações e exposições do ArchDaily que acompanha a programação deste ano.
Localizado aproximadamente 300 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico, na ilha de Andøya, no norte da Noruega, o projeto The Whale, de Dorte Mandrup, está atualmente em construção na linha costeira de Andenes. O pequeno assentamento está situado perto de Bleiksdjupa, um cânion submarino profundo que atrai a vida marinha para perto da costa e contribui para o papel da região como destino de observação de baleias. Imagens recentes da obra mostram o edifício surgindo da costa rochosa, mantendo um perfil baixo que acompanha os contornos do terreno. O contexto circundante, incluindo o farol existente e as estruturas residenciais, insere o projeto em um ambiente costeiro ativo.
A 25ª edição do Coachella Valley Music and Arts Festival retorna ao Empire Polo Club em Indio, Califórnia, de 10 a 12 e de 17 a 19 de abril de 2026, reunindo mais de 130 atrações ao lado de um ambicioso programa de instalações artísticas em grande escala. Apresentada pela Public Art Company (PAC) e com curadoria do fundador Raffi Lehrer em colaboração com o diretor de arte da Goldenvoice, Paul Clemente, a seleção deste ano explora a monumentalidade por meio da luminosidade, transparência e leveza das formas. Situadas no oásis desértico do Coachella, as instalações convidam o público a interagir física e sensorialmente, respondendo às mudanças da luz do dia e à atmosfera em constante evolução do amanhecer ao anoitecer.
Centre Pompidou Hanwha, 2026. Imagem cortesia de Wilmotte & Associés Sa
O museu e instituição cultural francesa Centre Pompidou abrirá uma nova filial coreana em colaboração com a instituição local Hanwha Foundation of Culture. Amplamente conhecido no campo da arquitetura por sua sede francesa, projetada por Renzo Piano e Richard Rogers e recentemente fechada para reformas, o Centre Pompidou expande sua presença internacional com um novo espaço, somando-se às suas sedes na Espanha, Bélgica, China e Emirados Árabes Unidos. A sede coreana consiste em um projeto de reforma de 12.000 m² na base do arranha-céu 63 Tower, liderado pelo escritório Wilmotte & Associés. Localizado na Ilha de Yeouido, às margens do Rio Han e no coração do distrito financeiro de Seul, o Hanwha Seoul Pompidou Center foi concebido tanto como um espaço de exposições quanto como um ponto de encontro onde a educação e a arte convergem, oferecendo áreas flexíveis para abrigar uma ampla gama de atividades.
No domingo, 19 de abril de 2026, o Los Angeles County Museum of Art (LACMA) abriu suas novas David Geffen Galleries ao público. Projetado pelo arquiteto Peter Zumthor, o edifício oferece um espaço expositivo elevado para a coleção permanente do museu. Todas as obras de arte são apresentadas em um único pavimento contínuo e aberto, em uma disposição não hierárquica de culturas, tradições e eras, abrangendo 6.000 anos de história da arte por meio de aproximadamente 155.000 objetos. O espaço é flexível, acomodando diversos projetos curatoriais, bem como os caminhos individuais dos/as visitantes. O projeto marca um novo passo na transformação de duas décadas da instituição em um museu de arte global, sendo o mais abrangente do oeste dos Estados Unidos.