A cozinha evoluiu de um espaço puramente funcional para um ambiente compartilhado e o coração de muitos lares. Servindo de cenário para os rituais diários de inúmeras famílias — e até mesmo para práticas coletivas na vida urbana —, a comida aproxima as pessoas, tornando o projeto de espaços que atendam a essas necessidades essencial para a vida cotidiana. Para além dos diversos layouts, estéticas e configurações de cozinha, a integração de eletrodomésticos e equipamentos desempenha um papel fundamental no suporte ao armazenamento, à conservação e ao uso diário exigidos pelo ato de cozinhar. De tecnologias inovadoras a materiais avançados, esses elementos moldam os espaços de cozinhas contemporâneas, unindo costumes e culturas de diferentes origens.
Quem tem direito à cidade? Os escritos de Henri Lefebvre questionam as estruturas que controlam o espaço urbano e, em vez disso, colocam a população no centro das tomadas de decisão. Suas ideias influenciaram a maneira como a arquitetura e o desenho urbano são praticados, impulsionando a participação comunitária e o co-design. Estes têm sido alguns dos temas mais proeminentes no Utopian Hours 2026, o festival de desenvolvimento urbano, cuja primeira parte foi realizada na cidade holandesa de Roterdã para marcar sua edição de décimo aniversário.
Um monumento costuma ser a edificação mais conservadora encomendada por um Estado. Espera-se que ele estabilize a memória, torne a história legível e dê forma pública a uma narrativa compartilhada. O século XX no Leste Europeu produziu, do Báltico aos Bálcãs, um corpo de obras inteiro que resistiu justamente a essas expectativas, desafiando a relação convencional entre monumento, memória e representação. Comumente agrupados sob a denominação de spomeniks, esses exercícios arquitetônicos são talvez os exemplos mais conhecidos de uma paisagem muito mais ampla de arquitetura memorial que emergiu na região. Tratava-se de sociedades que emergiam de ocupações, conflitos civis ou revoluções, e nenhuma delas possuía uma linguagem simbólica única capaz de abarcar a complexidade de suas histórias. Em vez de buscar novos heróis ou novos ícones, muitos/as arquitetos/as e artistas voltaram-se para o próprio espaço como o meio através do qual a lembrança poderia ser construída.
Esses monumentos ocupam uma posição incomum entre escultura e arquitetura. Em certa escala, são lidos como composições abstratas deliberadas, dispostas com a clareza de um desenho de Kandinsky. Em outra, parecem menos resolvidos, como se testassem os limites de uma linguagem espacial ainda em formação. Suas formas muitas vezes parecem suspensas entre a certeza e a experimentação: o mesmo monumento pode ser interpretado tanto como um objeto geométrico controlado quanto como uma busca em aberto sobre como a memória coletiva poderia habitar o espaço. Contudo, essas leituras coexistem e conferem a muitas dessas obras sua duradoura ambiguidade.
Ao migrar da prancheta para a tela do computador, a digitalização de desenhos e documentações marcou a primeira fase da transformação digital nos escritórios de arquitetura. A segunda introduziu o BIM, conectando as informações do projeto por meio de plataformas em nuvem e fluxos de trabalho colaborativos. Hoje, surge uma nova fase, definida pela inteligência artificial, pela automação e por ecossistemas de software mais especializados. O paradoxo é que, enquanto as fases anteriores eram dominadas por um pequeno número de ferramentas, o cenário atual oferece uma abundância de soluções altamente especializadas, potencializadas por IA e frequentemente sobrepostas, que disputam a atenção dos profissionais. Embora a aquisição de novos softwares seja frequentemente a parte mais simples da transformação digital, o maior desafio reside em alterar fluxos de trabalho e comportamentos consolidados — razão pela qual muitas ferramentas novas enfrentam dificuldades para alcançar uma adoção duradoura.
Sob o tema Common Ground, a ICFF 2026 reuniu a comunidade internacional de design por meio de um foco compartilhado na excelência artesanal e na inovação. De 17 a 19 de maio de 2026, a ICFF (International Contemporary Furniture Fair) retornou ao Javits Center para uma edição histórica que celebrou a comunidade global de design durante o NYCxDESIGN.
As coberturas dos edifícios estão avançando por meio de um processo de otimização multidimensional que abrange inovações tecnológicas, novos materiais, eficiência energética e métodos construtivos mais rápidos. De coberturas verdes e sistemas de captação de água da chuva a painéis solares, profissionais da arquitetura contemporânea buscam equilibrar estética, desempenho, durabilidade e impacto ambiental em seus projetos. A reforma de coberturas não apenas prolonga a vida útil dos edifícios, mas também reflete um compromisso ecológico ao melhorar a eficiência e a sustentabilidade.
Vista aérea de colinas verdes exuberantes e casas tradicionais em Cauca, Colômbia, destacando a natureza e o turismo rural. Imagem por Jhampier Giron M, via Shutterstock
Antes que um edifício possa ser habitado, muitos outros processos precisam ocorrer. A água deve chegar, a energia deve ser gerada, o alimento precisa ser cultivado ou transportado e os resíduos devem ter uma destinação. Esses processos geralmente são tratados como algo alheio à arquitetura, embora moldem as condições mais básicas da vida cotidiana.
Por essa razão, a ideia de comunidades autossuficientes é mais complexa do que parece à primeira vista. Ela pode sugerir um lugar que provê a maior parte de suas necessidades: energia, água, alimento, abrigo e gestão de resíduos. Contudo, em muitos contextos latino-americanos, a autonomia não significa uma separação completa do mundo, mas sim uma forma de aproximar os sistemas da vida cotidiana das pessoas que os utilizam, mantêm e cuidam deles.
Conceito de banheiro Waterway por Haihua Zhang e a coleção de banheiro AXOR Archivio por Barber Osgerby. Imagem cortesia de AXOR
A água sempre ocupou uma posição singular na arquitetura: elementar, mas elusiva; funcional, mas simbólica. Trata-se tanto de um material quanto de um meio que molda cidades, estrutura rituais e influencia a percepção do espaço. Em diferentes culturas, a água é compreendida não apenas como fonte de vida, mas também como portadora de significados, associada à purificação, à renovação e à continuidade. Sua presença no ambiente construído frequentemente vai além da utilidade prática, tornando-se um recurso por meio do qual a arquitetura estimula os sentidos e constrói atmosferas.
Em 2026, Barcelona se tornará o epicentro mundial da arquitetura ao ser nomeada Capital Mundial da Arquitetura pela UNESCO e pela UIA. Esse reconhecimento reforça o papel da cidade como laboratório urbano de inovação, sustentabilidade e design contemporâneo. Nesse contexto, estudar um mestrado em arquitetura em Barcelona representa uma oportunidade para arquitetos, arquitetas e profissionais do setor que buscam se especializar e se conectar com as tendências que estão transformando a disciplina.
Barcelona é a primeira cidade na história do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA a sediar o evento duas vezes. A edição de 1996, Presente e Futuros: Arquitetura nas Cidades, aconteceu em um momento de forte efervescência, quando a cidade pós-olímpica consolidava um modelo urbano que se tornaria um dos mais estudados e contestados do urbanismo contemporâneo, e quando a arquitetura aprendia a pensar a grande metrópole como seu principal campo de investigação. Trinta anos depois, a mesma cidade retoma a questão sob uma condição distinta: aquela em que o ambiente construído não pode mais ser compreendido como um objeto autônomo, mas apenas por meio dos sistemas ecológicos, materiais e políticos mais amplos que o sustentam. O tema do Congresso de 2026 — Devir. Arquiteturas para um Planeta em Transição — não abandona as preocupações urbanas de 1996; ele as reabre a partir de uma escala planetária.
A equipe de curadoria por trás desta edição, formada por Pau Bajet, Maria Giramé, Mariona Benedito, Tomeu Ramis, Pau Sarquella e Carmen Torres, aborda a arquitetura como uma ferramenta crítica e transformadora enraizada no território, atuando na intersecção entre prática profissional, pesquisa e ensino. Seu programa estrutura o Congresso em torno de seis linhas temáticas interconectadas (Devir Mais-que-humano, Devir Circular, Devir Incorporado, Devir Interdependente, Devir Hiperconsciente e Devir Sintonizado) e o distribui por três locais de características bastante distintas — Les Tres Xemeneies del Besòs, o Disseny Hub em Glòries e o CCIB —, cada um escolhido tanto pelo que representa quanto pelo que pode abrigar.
O que define a atmosfera de uma casa? Para além das paletas de materiais e da luz natural, o som desempenha um papel decisivo na forma como os espaços são percebidos e habitados. A reverberação dos passos sobre a pedra, a calmaria atenuada de um cômodo revestido de tecidos ou a maneira como a música se propaga por um interior em plano aberto moldam a identidade sensorial do espaço doméstico. A arquitetura não é vivenciada apenas visualmente, mas também acusticamente.
O conceito de "paisagem sonora" descreve essa relação entre as pessoas, o som e o ambiente construído. Na arquitetura residencial, o som vai além do ruído de fundo ou do desempenho técnico; ele influencia a privacidade, a concentração, o descanso e o conforto emocional. A geometria e a materialidade atuam como os principais condutores acústicos: enquanto o concreto, o vidro e a pedra refletem e amplificam, a madeira e os estofados suavizam e absorvem. Alturas de pé-direito, fluxos de circulação e proporções dos cômodos moldam ainda mais a maneira como o som se propaga e se dissipa pelo espaço.
A Fundação OBEL anunciou "Systems' Hack" como o foco de seu ciclo de 2026, estabelecendo a estrutura conceitual que orientará as atividades da fundação e a seleção do próximo Prêmio OBEL. Fundada em 2019, a OBEL reconhece o potencial da arquitetura de atuar como um agente tangível de mudança social e ecológica positiva, apoiando abordagens que expandem a forma como o ambiente construído é definido e moldado. O tema de 2026 convoca a arquitetura a se engajar criticamente com os sistemas que sustentam a sociedade contemporânea, incluindo infraestrutura, energia, alimentação, água, educação e informação, e a examinar como essas redes interconectadas podem ser reconfiguradas em resposta a desafios globais acelerados.
O escritório David Chipperfield Architects divulgou novas imagens da Arena de Hóquei no Gelo de Milão, uma das sedes esportivas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026. O projeto, atualmente em fase de testes, foi encomendado à Arup e ao David Chipperfield Architects em 2021. As primeiras imagens da arena em formato de anfiteatro elíptico foram divulgadas em 2022, antes do início da construção em 2023, cuja conclusão estava prevista para 2025. O novo espaço para eventos esportivos e culturais tem capacidade para 16 mil pessoas (12.000 sentadas e 4.000 em pé) e é a peça central de um projeto mais amplo de revitalização urbana originalmente desenvolvido pelo escritório Foster + Partners para Milano Santa Giulia, um distrito no sudeste de Milão, a poucos quilômetros do centro da cidade e conectado à rede ferroviária de alta velocidade e a rodovias.
Render de Qalandiya. Imagem cortesia de RIWAQ – Centre for Architectural Conservation
Qalandiya: the Green Historic Maze, desenvolvido pelo RIWAQ – Centre for Architectural Conservation, foi premiado com o Grande Prêmio no Holcim Foundation Awards 2025, em reconhecimento à sua abordagem sensível e profundamente contextualizada de conservação do patrimônio na Palestina, sendo selecionado entre os 20 vencedores da edição deste ano. Localizado em Qalandiya, ao norte de Jerusalém, o projeto reativa o centro histórico de uma vila há muito afetada pela fragmentação política, pelo abandono e pela desconexão espacial. Por meio de uma estratégia de reabilitação gradual, o projeto restaura estruturas deterioradas utilizando conhecimentos tradicionais, alvenaria de pedra local e materiais nativos, transformando o tecido abandonado em espaços públicos ativos, ao mesmo tempo que reforça a resiliência ambiental por meio de estratégias climáticas passivas e infraestrutura baseada na paisagem.
La Biennale di Veneziainaugurou a nova sede de seu Arquivo Histórico – Centro Internacional de Pesquisa em Artes Contemporâneas no Arsenale, transferindo as coleções de arquivos e as atividades de pesquisa da instituição para um complexo restaurado em um de seus principais locais de exposição. A abertura apresenta uma nova sede permanente para o arquivo, reunindo instalações de conservação, pesquisa, consulta pública e programação cultural no histórico Arsenale. Para marcar a ocasião, a La Biennale organizou uma programação de três dias com performances, palestras, conversas e visitas públicas, destacando o papel do arquivo no ecossistema mais amplo de exposições, festivais e iniciativas educacionais da instituição.
Nesta semana, revisitamos as ideias que moldam o desenho das cidades do século XXI, com um olhar voltado para um horizonte temporal mais amplo do que o que caracterizou o design moderno. Esses exemplos do desenho urbano contemporâneo apontam para as cidades do amanhã, buscando refletir a memória coletiva e a identidade social ao mesmo tempo em que enfrentam os desafios climáticos atuais. De um novo museu no Panamá inspirado na tradição arquitetônica latino-americana a uma instalação inflável sobre a ponte mais antiga de Paris, no rio Sena, projetos construídos e não construídos resgatam a arquitetura como um repositório de memória coletiva, enquanto outros exploram seu potencial transformador sob a ótica do bem-estar contemporâneo. Nesta compilação semanal de notícias, apresentamos projetos em andamento no Panamá, em diversos países africanos, na França, no Canadá, na Itália, na Austrália e nos Estados Unidos.
A praticamente uma semana do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026, o comitê organizador divulgou informações oficiais sobre a Olimpíada Cultural do evento: um programa de arte e cultura que acompanha os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O programa é reconhecido pelo COI como um dos três pilares do Movimento Olímpico, ao lado do esporte e da educação. Concebida como uma ampla plataforma que envolve territórios, instituições e comunidades por toda a Itália, a Olimpíada Cultural busca destacar os Alpes Italianos e o patrimônio cultural de Milão, ao mesmo tempo em que promove os valores olímpicos por meio da arte, da história e da participação ativa além dos locais de competição oficiais.
A Trienal de Arquitetura de Sharjah (SAT) apresenta A Journey into ArchitectureArchives: Baghdad, Damascus, Tunis, com curadoria de George Arbid, em cartaz de 2 de maio a 12 de julho de 2026, na Al Qasimiyah School. Desenvolvido como parte do programa de pesquisa de longo prazo da SAT, o projeto dá continuidade ao compromisso da instituição em documentar e salvaguardar arquivos de arquitetura em todo o mundo árabe. Reunindo materiais de arquivo, maquetes físicas e filmes recém-comissionados, a exposição examina como as histórias da arquitetura são construídas, preservadas e revisitadas ao longo do tempo.
A Comissão Europeia e a Fundació Mies van der Rohe anunciaram as 40 obras selecionadas para a lista de finalistas do Prêmio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia de 2026 – Mies van der Rohe Awards, escolhidas entre um total de 410 indicações. A seleção reúne projetos de 18 países e 36 cidades, oferecendo um panorama da produção arquitetônica contemporânea na Europa. Entre as obras selecionadas, a França conta com nove projetos, seguida pela Espanha com sete e pela Dinamarca com quatro, estando os demais projetos distribuídos por uma ampla gama de contextos europeus. Os finalistas serão anunciados em fevereiro de 2026, e os vencedores serão revelados em abril de 2026, antes do EUmies Awards Days, em maio.
A Comissão Europeia e a Fundació Mies van der Rohe anunciaram os sete projetos finalistas do Prêmio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia de 2026 - Prêmios Mies van der Rohe, apoiado pelo programa Europa Criativa da União Europeia. A seleção ocorre após o anúncio das 410 obras indicadas em novembro e uma lista de 40 projetos finalistas revelada no início de janeiro. Dos sete finalistas, cinco foram selecionados na categoria Arquitetura e dois na categoria Emergente. De acordo com o júri presidido por Smiljan Radić, os projetos finalistas são contribuições exemplares para o futuro da arquitetura europeia, demonstrando como a disciplina pode responder de maneira simultânea a condições locais específicas e a desafios sociais, culturais e ambientais mais amplos. As obras selecionadas abrangem desde intervenções em antigas áreas industriais, pequenos vilarejos e periferias urbanas até projetos cuidadosamente calibrados em grandes cidades. Nesses variados contextos, as propostas mostram como a arquitetura pode transformar cenários esquecidos ou comuns em espaços inclusivos e de alta qualidade para viver, aprender e conviver.
World Monuments Fund (WMF) é uma organização independente dedicada a salvaguardar lugares de grande valor em todo o mundo que enriquecem vidas e promovem a compreensão mútua entre culturas e comunidades. No dia 10 de fevereiro, o WMF anunciou um compromisso de US$ 7 milhões para apoiar 21 projetos de preservação do patrimônio que serão lançados em 2026. Esses investimentos impulsionam o trabalho em locais incluídos no 2025 World Monuments Watch, o programa de defesa do WMF baseado em indicações, ao mesmo tempo em que apoiam novas fases de conservação, planejamento e capacitação em outros sítios patrimoniais em cinco continentes. Os locais selecionados refletem uma ampla variedade cronológica e geográfica, desde paisagens culturais antigas até marcos arquitetônicos modernos. Os projetos destacam a diversidade do patrimônio global, abrangendo desde jardins mogóis e complexos religiosos otomanos até cinemas modernistas, paisagens de mineração industrial, rotas culturais indígenas e santuários sagrados, evidenciando o conhecimento cultural de longo prazo incorporado em sua preservação.
O Royal Institute of British Architects (RIBA) anunciou que o arquiteto, educador e escritor irlandês Níall McLaughlin receberá a Royal Gold Medal de Arquitetura de 2026. Concedida em nome de Sua Majestade, o Rei, a Royal Gold Medal está entre as principais distinções internacionais da arquitetura, reconhecendo uma contribuição contínua para o avanço da disciplina por meio de obras construídas, educação e discurso crítico. Ao anunciar a premiação, o RIBA destacou a influência de longa data de McLaughlin na prática e na pedagogia arquitetônica, citando uma carreira que se estende por mais de três décadas e reflete um compromisso constante com as dimensões cultural, ambiental e social da arquitetura.