
Ao migrar da prancheta para a tela do computador, a digitalização de desenhos e documentações marcou a primeira fase da transformação digital nos escritórios de arquitetura. A segunda introduziu o BIM, conectando as informações do projeto por meio de plataformas em nuvem e fluxos de trabalho colaborativos. Hoje, surge uma nova fase, definida pela inteligência artificial, pela automação e por ecossistemas de software mais especializados. O paradoxo é que, enquanto as fases anteriores eram dominadas por um pequeno número de ferramentas, o cenário atual oferece uma abundância de soluções altamente especializadas, potencializadas por IA e frequentemente sobrepostas, que disputam a atenção dos profissionais. Embora a aquisição de novos softwares seja frequentemente a parte mais simples da transformação digital, o maior desafio reside em alterar fluxos de trabalho e comportamentos consolidados — razão pela qual muitas ferramentas novas enfrentam dificuldades para alcançar uma adoção duradoura.
O ecossistema de software de AEC tornou-se fragmentado e, para gerentes de BIM (BIM Managers) e lideranças de tecnologia de design, o principal desafio consiste em determinar quais ferramentas podem realmente entregar valor sob as restrições de projetos e orçamentos reais. Paralelamente, as empresas operam em um ambiente de incerteza crescente, no qual a complexidade dos projetos, a volatilidade econômica, a rotatividade de pessoal e o ritmo das mudanças tecnológicas exercem uma pressão adicional sobre as equipes responsáveis pela adoção de novas ferramentas. Muitas empresas também enfrentam dificuldades para fornecer o treinamento e o suporte necessários para que as equipes incorporem novas tecnologias na prática diária. Grandes escritórios de arquitetura e engenharia costumam funcionar como um conjunto de estúdios menores, nos quais equipes de diferentes disciplinas e localidades desenvolvem seus próprios hábitos, fluxos de trabalho e preferências. Desse modo, mesmo quando a liderança apoia uma nova plataforma, a adoção pode estagnar se gerentes de projeto ou usuários/as finais não perceberem um valor imediato em seu uso.







