Eduardo Souza

Editor Sênior de Brands & Materials no ArchDaily. Arquiteto e Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR
↓
Acesso exclusivo

Ágoras urbanas: Como as pistas de skate podem devolver o espaço público à cidade

Áudio disponível

Criado por surfistas da Califórnia que queriam trazer as linhas do surfe para o asfalto, o skate logo superou seu papel de mera alternativa para os dias sem ondas. Estabeleceu-se como uma prática que lê a cidade sob uma lógica diferente, reinterpretando degraus, corrimãos, muros e espaços intersticiais como possíveis linhas, desafios e oportunidades. Ao longo do tempo, evoluiu para uma cultura urbana global, uma forma de habitar e transformar o espaço público por meio do movimento. O que antes era marginal tornou-se um catalisador para a coesão comunitária e para novos usos em espaços negligenciados. Em sua essência, o skate revela como diversas cidades coexistem dentro de uma mesma cidade, a depender de quem se desloca por ela e de como cada pessoa é capaz de reinterpretar o que está ao seu redor.

Ágoras urbanas: Como as pistas de skate podem devolver o espaço público à cidade - Mais Imagens+ 21

Quando mais material não significa melhor desempenho

 | Em colaboração
Áudio disponível

Na história dos Três Porquinhos, a escolha do material determina o destino de cada casa. O sopro do lobo derruba as estruturas feitas de palha e madeira, enquanto a casa de tijolos permanece de pé. A moral é que, quanto mais sólida a construção, maior sua capacidade de resistência. Um edifício, no entanto, precisa responder a questões muito menos simples. Permanecer de pé continua sendo essencial, mas calor, luz, ar e som não são forças que necessariamente precisam ser bloqueadas. Às vezes, a luz solar deve ser evitada; em outras, a luz natural precisa entrar. Reter o calor pode ser desejável no inverno e contraproducente no verão. O ar precisa circular, o som pode precisar ser absorvido, e as condições que determinam essas respostas mudam ao longo do dia, das estações e da própria vida útil da edificação. Mais material não significa necessariamente um melhor desempenho. Em alguns casos, pode simplesmente adicionar complexidade sem melhorar a forma como o edifício responde.

Além do bunker: Lições de resiliência da arquitetura sobrevivencialista

Áudio disponível

"Olhemos friamente para os fatos." Com essa frase direta e nada reconfortante, a direção do Office of Civil and Defense Mobilization abria The Family Fallout Shelter, um manual de 32 páginas publicado pelo governo dos EUA em 1959, em meio às tensões da Guerra Fria. O documento ensinava as famílias a construir abrigos capazes de protegê-las de resíduos radioativos (fallout) após um eventual ataque nuclear e, por meio de desenhos técnicos e croquis, esboçava soluções com blocos de concreto, paredes preenchidas com terra ou areia, estruturas subterrâneas e sistemas de ventilação. Tratava-se de um manual de sobrevivência que, em muitos aspectos, funcionava também como um manual de construção.

Além do bunker: Lições de resiliência da arquitetura sobrevivencialista - Image 1 of 4Além do bunker: Lições de resiliência da arquitetura sobrevivencialista - Image 2 of 4Além do bunker: Lições de resiliência da arquitetura sobrevivencialista - Image 3 of 4Além do bunker: Lições de resiliência da arquitetura sobrevivencialista - Image 4 of 4Além do bunker: Lições de resiliência da arquitetura sobrevivencialista - Mais Imagens+ 1

Acesso exclusivo

A natureza como ponto de partida: lições da Trienal de Arquitetura de Oslo 2026

Áudio disponível

A 9ª Trienal de Arquitetura de Oslo acontece em um cenário que, por si só, já materializa muitas das questões que ela mesma levanta. A Igreja de Sofienberg, um edifício gótico de tijolos do século XIX que atualmente passa por um processo de conversão de templo religioso para centro cultural, serve como sede principal de uma edição estruturada em torno de uma pergunta central: "E se a natureza viesse primeiro?" De 17 de setembro a 1º de outubro de 2026, seminários, debates, oficinas e exposições examinarão o que essa mudança de prioridades pode significar para a arquitetura, desde a forma como os recursos são utilizados até a relação dos edifícios com os ecossistemas ao seu redor.

Como a inteligência de materiais resolve o que o BIM não consegue

 | Em colaboração
Áudio disponível

A promessa original do BIM (Modelagem de Informação da Construção) ia muito além da representação tridimensional de um edifício. Sua ambição era transformar o modelo em uma estrutura de informação coordenada, na qual geometria, componentes, sistemas e dados permanecessem conectados à medida que o projeto evoluía. Alterações em um elemento podiam se refletir nas plantas, cortes, elevações e quantitativos correspondentes; interferências entre diferentes disciplinas podiam ser identificadas antes da construção; e as informações associadas aos componentes do edifício podiam acompanhar o projeto ao longo das diferentes etapas de seu ciclo de vida.

Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura

Áudio disponível

Construir uma cidade do zero não é tarefa fácil. Nunca foi e nunca será. A própria ideia de criar de forma planejada o que de outro modo se desenvolveria e cresceria gradualmente exige recursos, organização e, acima de tudo, mão de obra. Foi o que aconteceu em 1958, quando o Planalto Central do Brasil se transformou em um dos maiores canteiros de obras do século XX para a construção de Brasília. Dezenas de milhares de candangos (migrantes vindos predominantemente do Nordeste, muitos sem formação técnica prévia) chegaram para erguer uma capital inteira em pouco mais de três anos, sob o lema do então presidente Juscelino Kubitschek de realizar "cinquenta anos de progresso em cinco". A arquitetura de Oscar Niemeyer e o plano de Lúcio Costa não teriam sido possíveis sem a premissa de que haveria mão de obra suficiente e disposta a suportar baixos salários e condições extremamente severas para transformar concreto e curvas em um símbolo nacional.

Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Image 1 of 4Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Image 2 of 4Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Image 3 of 4Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Image 4 of 4Como a escassez de mão de obra está remodelando a arquitetura - Mais Imagens+ 3

Acesso exclusivo

Por que viajar (ainda) molda a forma como arquitetos/as pensam

Áudio disponível

Entre os séculos XVIII e XIX, viajar por Roma, Paris, Veneza, Florença e outras cidades europeias era considerado parte essencial da formação de arquitetos e arquitetas recém-formados. Em uma época em que o acesso a fotografias e publicações era extremamente limitado, essas viagens constituíam o principal meio de vivenciar a arquitetura de perto. No início do século XX, Le Corbusier reinterpretou essa tradição à sua própria maneira: aos 23 anos, embarcou na Voyage d'Orient, passando pelos Bálcans, Istambul e Atenas, e produzindo cadernos de viagem aos quais retornaria ao longo de toda a sua vida.

Um banco de madeira e a geografia dos materiais

Áudio disponível

As imagens dos bancos do High Line Park, em Nova York, correram o mundo quando o projeto foi inaugurado em 2009. Emergindo diagonalmente do mesmo material e padrão modular da pavimentação, eles transitam de forma fluida do concreto para a madeira, evocando os trilhos ferroviários que outrora ocupavam o local. Para resistir a décadas de exposição às intempéries, o projeto exigia uma espécie de madeira de durabilidade excepcional, e o ipê, extraído da Amazônia brasileira, foi o escolhido. Seu crescimento lento produz uma madeira de lei densa e de baixa porosidade, naturalmente resistente ao desgaste, à umidade e à deterioração biológica. Essa escolha, no entanto, gerou polêmica na época devido a preocupações com a certificação do manejo florestal da madeira. Essa perspectiva mais ampla transforma a forma como pensamos os materiais. Sua origem ainda importa, mas o que acontece após o fim da vida útil do edifício também é fundamental.

Acesso exclusivo

O trabalho artesanal pode redefinir o luxo?

Áudio disponível

O que significa o luxo quando os produtos são projetados para uma obsolescência rápida? Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em cooperação com a INDX|GLOBAL, o oitavo episódio do podcast Room For Dreams reúne os/as arquitetos/as Priyanka Mehra, Simran Boparai, Ashmit Singh Alag e Adreesh Chakraborty para analisar a relação em constante evolução, e muitas vezes contraditória, entre exclusividade, sustentabilidade e um artesanato com propósito.

Acesso exclusivo

Ambientes virtuais estão mudando a forma como vivenciamos a arquitetura

Áudio disponível

Há uma grande diferença entre olhar para a imagem de um edifício e vivenciar o espaço que ela representa. A atmosfera de um lugar, moldada por sua luz, sons, materialidade e relação com a paisagem circundante, há muito pertence ao domínio da experiência física. Hoje, as tecnologias de renderização em tempo real começam a estreitar essa lacuna, permitindo que os projetos sejam explorados e vivenciados antes mesmo de serem construídos.

Muito antes de um edifício ser construído, ele existe como desenhos, maquetes físicas, perspectivas, fotografias e, mais recentemente, renderizações fotorrealistas. Ao longo da história, cada nova ferramenta de representação buscou comunicar não apenas a aparência de um projeto, mas também a experiência de habitá-lo.

Acesso exclusivo

Resgatando a voz local da arquitetura

Áudio disponível

Parte da arquitetura regional mais inovadora do mundo nunca chega às manchetes simplesmente porque ninguém está contando a sua história. No sexto episódio do podcast Room For Dreams, gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em parceria com a INDX|GLOBAL, a host Claire Brodka, do designboom, analisa detalhadamente esse gargalo ao lado dos/as arquitetos/as Niroop Reddy, Sujit Nair e Aman Aggarwal. O debate investiga como a falta histórica de narrativas na arquitetura acabou obscurecendo uma grande revolução de design em curso no subcontinente indiano.

Acesso exclusivo

A arquitetura global ainda pode refletir a identidade local?

A ascensão acelerada de uma estética homogeneizada e globalizada está forçando criadores e criadoras a confrontar uma realidade crítica: as tendências de design transcendem a geografia sem esforço, mas a identidade local acaba pagando o preço. O quinto episódio do podcast Room For Dreams investiga diretamente se um mercado sem fronteiras está apagando silenciosamente a diversidade do design. Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026, em parceria com a INDX|GLOBAL, a apresentadora Claire Broadka, do designboom, conversa com Sachi Gupta, Shilpi Sonar, Krithika Subrahmanian e Sumit Dhawan para mapear a realidade dos/as profissionais criativos/as sem fronteiras.

Acesso exclusivo

A precisão de um único gesto: Coleção HUM de Philippe Malouin para a QuadroDesign

Comunicar uma ideia utilizando apenas o essencial é um desafio muito maior do que costuma parecer. Dos haicais japoneses às esculturas refinadas de Constantin Brâncuși, muitas expressões artísticas têm buscado condensar o máximo de significado com o mínimo de elementos. Essa economia de forma não é um sinal de escassez, mas de intensidade: cada traço, cada palavra, cada silêncio ganha peso. Há algo de intrinsecamente atraente naquilo que se apresenta de forma simples e bem resolvida, seja um texto que não desperdiça palavras, um/a tenista que se move com gestos intencionais ou uma melodia que é ao mesmo tempo direta e inesperadamente profunda.

Esse mesmo princípio, que transcende diferentes linguagens artísticas, reverbera profundamente no design contemporâneo. Ao serem reduzidos ao essencial, móveis ou objetos cotidianos revelam uma beleza que surge da precisão e transcende sua própria função. Isso fica evidente em HUM, a nova coleção de torneiras desenvolvida pelo designer Philippe Malouin para a QuadroDesign, na qual um simples gesto se transforma em uma linguagem completa.

Acesso exclusivo

Re:Living: Como podemos dar escala à renovação?

Áudio disponível

A maior parte das futuras habitações da Europa já existe; no entanto, a renovação continua ocorrendo de forma muito lenta para responder aos desafios climáticos, habitacionais, de saúde e de recursos na escala necessária. O Re:Living explora como a renovação pode deixar de ser uma série de projetos isolados para se tornar uma abordagem escalável de transformação de edifícios existentes. No cerne da iniciativa está um novo projeto de pesquisa, The Housing We Need for the Future We Want, que examina como o melhor aproveitamento do parque imobiliário existente pode abrir novas oportunidades para profissionais de arquitetura, cidades e comunidades.

Acesso exclusivo

Além do Visual: Reenquadrando a Arquitetura Através dos Sentidos

Áudio disponível

Uma rebelião experiencial ganha destaque no quarto episódio do podcast Room For Dreams, tocando diretamente no cerne da cultura de design contemporânea, obcecada por imagens e pela superficialidade das telas. Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em parceria com a INDX|GLOBAL, a apresentadora Claire Broadka conversa com quatro profissionais da arquitetura indiana — Indrajit Kembhavi, Manish Gulati, Sanjay Singh e Sidhartha Talwar — para discutir uma questão crucial: teríamos sacrificado a alma da arquitetura em prol de um post perfeito no Instagram?

Acesso exclusivo

Além das paredes móveis: flexibilidade acústica para espaços multiuso

Uma das qualidades definidoras dos interiores contemporâneos é a flexibilidade. Escritórios, instituições de ensino, hotéis e espaços culturais precisam ser adaptáveis. Eles exigem espaços que possam se expandir, dividir, abrir e fechar de acordo com diferentes atividades, sem sacrificar o conforto ou a acústica. A forma como um espaço é subdividido, portanto, não é mais uma decisão secundária, mas sim um componente central do desempenho arquitetônico.

Acesso exclusivo

O edifício em movimento: como a mobilidade vertical está redefinindo a arquitetura contemporânea

Em 1743, uma pequena cabine suspensa por cordas foi instalada em um pátio do Palácio de Versalhes para o uso privado do rei Luís XV. Operada manualmente por servos ocultos aos olhos do público, a chamada "cadeira voadora" permitia o deslocamento entre pavimentos sem o uso de escadas, introduzindo, sem saber, uma das questões centrais da arquitetura moderna: como transportar pessoas verticalmente de maneira eficiente, segura e integrada ao edifício.

A mecanização desse princípio, com l'introdução do elevador de segurança no início da década de 1850, abriu caminho para uma transformação urbana sem precedentes. Sem o elevador, os arranha-céus de Chicago e Nova York na década de 1880 teriam sido inviáveis — não por limitações estruturais, mas por questões de acesso. O elevador não apenas permitiu construir mais alto, mas também definiu a lógica de funcionamento desses edifícios, a localização de seus núcleos, a organização de seus halls de entrada e quem poderia acessar cada espaço.

Acesso exclusivo

Anunciados os projetos vencedores do 21º Concurso de Estudantes de Arquitetura da Saint-Gobain

Áudio disponível

Situado às margens do rio Sava em Belgrado, na Sérvia, o terreno de uma antiga fábrica de cimento tornou-se o ponto de partida para a 21ª edição do Saint-Gobain Architecture Student Contest. Organizado em cooperação com o World Green Building Council, OneClick LCA, a Prefeitura de Belgrado, o Academic Yachting Club Belgrade, o Serbia Green Building Council e a Green & Blue Corridors Association, o concurso convidou estudantes a imaginarem um novo Polo de Esporte e Lazer capaz de transformar uma orla industrial em um destino público ativo o ano todo. Mais de 200 universidades de 34 países participaram desta 21ª edição do Architecture Student Contest.