Eduardo Souza

Editor Sênior de Brands & Materials no ArchDaily. Arquiteto e Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Case Study Houses e o mito de um ideal doméstico universal

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Sentados em bancos baixos, conversando informalmente, vestindo roupas confortáveis e cercados por livros, objetos de design e obras de arte, Charles e Ray Eames aparecem em uma das imagens mais emblemáticas da domesticidade moderna do pós-guerra nos Estados Unidos. A casa não se apresenta como um manifesto arquitetônico explícito, mas sim como um espaço habitado, apropriado, cotidiano. Ainda assim, quase tudo nessa cena funciona como a síntese de um ideal cuidadosamente construído: a informalidade moderna, a integração entre arquitetura e vida cotidiana aliada à coexistência da produção industrial. Mais do que representar uma residência, a fotografia projeta um modo de vida. E talvez essa tenha sido, desde o início, a ambição central por trás das Case Study Houses.

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Um novo padrão para fachadas de alto desempenho e geradoras de energia

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O Complexo de Ciências da Saúde Myron e Berna Garron (SAMIH), na Universidade de Toronto Scarborough, foi moldado por uma diretriz clara e inegociável: pelo menos 20% do consumo de energia do edifício deveria ser gerado a partir de fontes renováveis instaladas no local. Para atender a essa exigência ambiciosa, a equipe de projeto investigou como a tecnologia solar poderia ir além da cobertura e se integrar à própria arquitetura, posicionando a obra em um movimento mais amplo em direção a uma arquitetura sustentável de alto desempenho. A instalação de aproximadamente 5.850 metros quadrados (63.000 pés quadrados) abriga programas de ensino, pesquisa e treinamento clínico dedicados à formação de futuros/as profissionais de saúde. Projetado por Diamond Schmitt Architects e MVRDV, o projeto inicialmente seguiu um caminho convencional, combinando uma fachada sóbria com painéis fotovoltaicos na cobertura.

Projetando para a Coexistência: A Cidade Invisível das Abelhas

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Nos primeiros dias após o nascimento, a abelha permanece dentro do ninho, limpando os alvéolos e sendo alimentada por outras operárias. Com o tempo, ela começa a organizar os estoques de pólen, regular a temperatura da colmeia e guardar a entrada. Apenas nas últimas semanas de vida ela deixa o abrigo para voar. É no momento do voo que sua trajetória começa a se cruzar com a arquitetura e a cidade. Em busca de néctar, ela se move por um território moldado não apenas por sua memória espacial e pela disponibilidade de flores, mas também pela forma como construímos o ambiente edificado. Cada movimento torna-se uma negociação com o espaço urbano: superfícies impermeáveis que interrompem os ciclos naturais, correntes de ar intensificadas entre edifícios, vazios desprovidos de vegetação, fragmentos verdes dispersos entre lotes e coberturas técnicas.

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Inteligência de projeto e continuidade do fluxo de trabalho: Autodesk avança na integração entre o Forma e o Revit

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As equipes de projeto não sofrem com a falta de ferramentas, mas sim com a falta de continuidade. Os dados dos projetos permanecem fragmentados em diversos arquivos, e as decisões frequentemente perdem o contexto à medida que o trabalho avança do planejamento para o projeto e, finalmente, para a construção. Em decorrência disso, as equipes gastam um tempo valioso reconectando informações em vez de fazer o projeto avançar.

Isso evidencia a necessidade de fluxos de trabalho que preservem a intenção de projeto e levem o conhecimento adiante em cada etapa do processo. Sob essa ótica, a ideia de "design and make intelligence" pode ser compreendida como uma transição em direção à continuidade, na qual dados, decisões e aprendizados do planejamento, projeto, construção e operações permaneçam incorporados ao empreendimento, em vez de se perderem na entrega da obra. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) e a automação operam com maior relevância, apoiando-se em informações acumuladas em vez de insumos isolados.

Além do render: como a IA está reestruturando a documentação de arquitetura

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Alguns tipos de trabalho só se tornam visíveis quando deixam de ser realizados. São discretos, repetitivos, raramente celebrados, mas sustentam silenciosamente o funcionamento de qualquer operação. Na arquitetura, essa dimensão raramente aparece nas imagens que circulam. Ao pensarmos na disciplina, evocamos renders sedutores, perspectivas cuidadosamente iluminadas, plantas precisas, desenhos que prometem futuros possíveis ou até utópicos. No entanto, a camada que sustenta esses gestos formais não se encontra na imagem, mas na especificação, no detalhamento e na documentação.

Desde que a inteligência artificial passou a ocupar o centro do debate arquitetônico, a discussão tem sido amplamente pautada por sua capacidade de gerar formas e atmosferas em segundos. Simulações estilísticas, variações conceituais e experimentações visuais passaram a simbolizar o avanço tecnológico na área. Há algo compreensível nesse fascínio: a arquitetura sempre se relacionou com a representação como uma forma de imaginar o que ainda não existe.

Quando a luz encontra a energia em tetos de vidro

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Das grandes coberturas e galerias industriais do século XIX aos átrios contemporâneos de museus e edifícios públicos, o vidro tem sido um material recorrente na configuração de espaços internos amplos e monumentais. Mais do que uma solução tecnológica ou de engenharia, esses planos horizontais envidraçados introduzem uma qualidade luminosa singular: a luz que vem de cima. Diferente da luz natural lateral que penetra pelas fachadas, a luz zenital distribui-se de forma mais uniforme, suaviza sombras marcadas e confere aos espaços uma sensação de continuidade e amplitude difícil de alcançar por outros meios.

Construindo leveza através do vidro e das esquadrias

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Ao longo de grande parte da história, o peso esteve estreitamente associado à própria ideia de arquitetura. Vitrúvio, cuja noção de firmitas vinculava a construção à estabilidade e à permanência, entendia a solidez como uma de suas qualidades fundamentais, e construir significava, em grande parte, resistir aos efeitos do tempo, da gravidade e das forças naturais. Na arquitetura grega e romana, a monumentalidade dependia dos sistemas construtivos e materiais disponíveis, como a pedra e a alvenaria maciça, cuja expressão era definida pela massa, espessura e repetição estrutural. Colunas, paredes e pódios, além de sustentarem os edifícios, afirmavam sua presença no território, comunicando ordem, durabilidade e poder. A arquitetura encontrava o solo com peso.

De resíduos de pedra ao bambu: arquitetos/as indianos/as exploram o futuro do design regenerativo

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O episódio de estreia da série do podcast Room For Dreams, produzida em colaboração com a INDX|GLOBAL, apresenta um painel de discussão envolvente focado em materializar o futuro sob a perspectiva da arquitetura indiana e do design. Gravada ao vivo na Milan Design Week 2026 e moderada por Claire Broadka, do designboom, a conversa reúne três nomes visionários da arquitetura: Rachna Agarwal, responsável pelo Studio IAAD e Zoera; Vaibhav Dimri, sócio-fundador da Anagram Architects; e Dinesh Panwar, da Urbanscape Architects.

Mediação Material e Patrimônio Arquitetônico

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Preservar edifícios históricos exige responder simultaneamente a demandas técnicas, ambientais e regulatórias, mantendo a continuidade material, cultural e simbólica do que já existe. À medida que se consolida o entendimento de que o edifício mais sustentável é aquele que já está de pé, e de que a preservação envolve também o saber construtivo, as tradições materiais e as redes sociais de onde surgiram, essas mesmas edificações são cada vez mais confrontadas com parâmetros contemporâneos rigorosos. Eficiência energética, segurança, redução de emissões de carbono e conformidade normativa tornaram-se referências incontornáveis, colocando a arquitetura diante de uma tensão central: como atualizar o que já existe sem romper a continuidade que sustenta seu valor patrimonial.

200 anos de inovação em vidro arquitetônico

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Cientificamente, o vidro é definido como um sólido amorfo, o que significa que seus átomos não estão dispostos em uma estrutura cristalina regular. É por isso que o material é frequentemente descrito como um "líquido congelado no tempo". Essa configuração estrutural explica uma de suas qualidades mais marcantes: a transparência. Sem uma rede cristalina capaz de dispersar a luz, a radiação atravessa o material com pouca interferência. Embora muitas vezes pareça delicada, essa mesma estrutura também permite que o vidro alcance um desempenho mecânico significativo. Por meio de processos industriais como têmpera, laminação e revestimentos especializados, o material pode atingir altos níveis de resistência, segurança e desempenho ambiental.

Projetar para a obsolescência em uma era de atualizações perpétuas

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No século XIX, redes ferroviárias inteiras tornaram-se obsoletas quase da noite para o dia, não por deterioração física, mas devido a mudanças nos padrões técnicos que as sustentavam. A expansão das ferrovias pela Europa e América do Norte adotou diferentes bitolas (a distância transversal entre os trilhos) e, à medida que um padrão dominante surgia gradualmente, essas infraestruturas tornaram-se incompatíveis entre si. Isso exigiu adaptações em larga escala, conversões ou mesmo reconstruções completas, no episódio que ficou conhecido como a "Guerra das Bitolas".

Com a adoção em massa das redes de telecomunicações no século XX, cidades do mundo todo construíram grandes edifícios de centrais telefônicas, repletos de equipamentos eletromecânicos responsáveis pelo roteamento de chamadas entre regiões. Essas estruturas eram elementos de infraestrutura altamente especializados, que frequentemente ocupavam quarteirões inteiros e se organizavam em torno de maquinários técnicos de grande escala. Com a transição para as tecnologias de comutação digital e, posteriormente, a ampla adoção da telefonia móvel, grande parte desse equipamento tornou-se obsoleta em poucas décadas. Os próprios edifícios muitas vezes permaneciam estruturalmente íntegros, mas os sistemas que haviam sido projetados para suportar já tinham evoluído além deles.

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Luz que vem de cima: medindo e projetando a iluminação natural sob coberturas inclinadas

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Se pedirmos a uma criança para desenhar uma casa, quase certamente surgirá uma silhueta triangular, com dois planos inclinados se encontrando em uma cumeeira. Poucas formas arquitetônicas são tão universalmente reconhecidas quanto a casa de telhado inclinado. Sob uma perspectiva semiótica, essa imagem elementar funciona como um signo condensado de abrigo que, em apenas alguns traços, sintetiza proteção, interioridade e pertencimento. O que hoje lemos como um símbolo universal, no entanto, surgiu de uma necessidade concreta. Dos chalés alpinos que escoam a neve às telhas mediterrâneas que atenuam o calor do verão, a inclinação respondeu a desafios climáticos e construtivos muito antes de se tornar um código estético.

Embora a arquitetura moderna tenha privilegiado planos horizontais e plantas ortogonais, o telhado inclinado exige que o projeto seja concebido em corte. Sua inclinação permite o aproveitamento eficiente do volume sob a cobertura e introduz variações de altura, compressão e expansão espacial. Quando aberturas são incorporadas a esse plano, essa condição se intensifica. Diferente das janelas verticais, que captam luz lateral, as aberturas na cobertura recebem uma porção maior do céu visível e uma luminância significativamente superior à do horizonte, oferecendo até três vezes mais luz do que o envidraçamento vertical em dias nublados.

O impacto duradouro do ensino de arquitetura: formando profissionais para questionar convenções

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As escolas de arquitetura costumam deixar marcas duradouras em estudantes, moldando seu estilo e sua capacidade de questionamento crítico muito após o término da formação acadêmica. Por exemplo, o SCI-Arc, fundado em 1972 e sediado no centro de Los Angeles, é uma instituição reconhecida por sua cultura de experimentação, investigação crítica e independência criativa, construindo uma reputação baseada na ideia de que a arquitetura deve ser compreendida como um campo aberto ao diálogo com a arte, a tecnologia, o design e a cultura contemporânea. A diversidade de trajetórias de quem se forma na instituição demonstra como esse ambiente pode gerar abordagens profissionais distintas, porém unidas pela mesma disposição para explorar novas possibilidades.

Arquitetos e arquitetas na Índia repensam o vernáculo digital por meio da IA, do artesanato e da memória

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O segundo episódio da série de podcasts Room For Dreams apresenta uma imersão profunda sobre como a arquitetura pode abraçar o futuro sem perder sua alma. Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em parceria com a INDX|GLOBAL, este episódio traz os/as arquitetos/as Arun Sharma e Jaskaran Singh para desvendar o verdadeiro significado do vernacular digital.

Envoltórias ativas: integrando a energia solar ao projeto arquitetônico

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Ao desenvolver um projeto de arquitetura, existem múltiplos pontos de partida possíveis. Há profissionais que começam pelo volume, esculpindo a forma gradualmente em diálogo com o contexto. Outros partem do corte longitudinal, enquanto há quem organize o projeto a partir da distribuição funcional da planta. Não existe um método certo ou errado, mas sim abordagens distintas que refletem diferentes maneiras de pensar e fazer arquitetura. No entanto, desde a ampla adoção dos painéis solares e da energia fotovoltaica, surgiu um padrão recorrente: esses sistemas são quase sempre introduzidos tardiamente no processo, enquadrados como otimizações técnicas ou respostas a exigências regulatórias e de eficiência energética. Como resultado, tendem a ser tratados como elementos secundários, frequentemente relegados a coberturas ou áreas menos visíveis e desvinculados da linguagem arquitetônica do edifício.

Tuwaiq Sculpture 2026 transforma Riade em uma plataforma de arte pública

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Durante séculos, a escultura esteve associada à materialização de valores religiosos, à celebração de conquistas heroicas ou à consolidação do poder político. Hoje, ela também atua como um instrumento crítico e um mediador urbano. Muitas obras contemporâneas questionam o presente, desafiam a escala, dialogam com o movimento e a circulação, e reconfiguram a percepção do espaço público. A escultura já não é concebida como um objeto isolado, mas como parte de processos mais amplos de transformação urbana.

Riad, a capital da Arábia Saudita, exemplifica uma cidade em processo de intensa expansão e reestruturação. Sobretudo no âmbito da agenda Vision 2030, o município tem investido na qualificação dos espaços públicos, na diversificação de sua paisagem cultural e na consolidação de uma identidade urbana que alia tradição, infraestrutura e projeção global. Nesse contexto, a produção cultural desempenha um papel estruturante, contribuindo para redefinir a experiência urbana cotidiana e expandir as referências simbólicas da cidade.

Projetando o conforto através de texturas, aconchego e sistemas de forro

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Antes de compreendermos um espaço de forma racional, nós o percebemos sensorialmente. A luz, a proporção, a textura, a cor e a materialidade influenciam a maneira como o corpo interpreta um ambiente, definindo se ele parece acolhedor, frio, íntimo ou impessoal. Elementos visuais e cromáticos podem afetar diretamente a percepção de profundidade, atmosfera e escala nos interiores, sobretudo em edifícios contemporâneos caracterizados por grandes vãos e superfícies contínuas. Entre os elementos arquitetônicos que moldam essa experiência, o forro talvez seja um dos mais subestimados, apesar de sua profunda influência na maneira como o espaço é percebido e habitado.

Anunciados os projetos vencedores do 21º Concurso de Estudantes de Arquitetura da Saint-Gobain

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Situado às margens do rio Sava em Belgrado, na Sérvia, o terreno de uma antiga fábrica de cimento tornou-se o ponto de partida para a 21ª edição do Saint-Gobain Architecture Student Contest. Organizado em cooperação com o World Green Building Council, OneClick LCA, a Prefeitura de Belgrado, o Academic Yachting Club Belgrade, o Serbia Green Building Council e a Green & Blue Corridors Association, o concurso convidou estudantes a imaginarem um novo Polo de Esporte e Lazer capaz de transformar uma orla industrial em um destino público ativo o ano todo. Mais de 200 universidades de 34 países participaram desta 21ª edição do Architecture Student Contest.