Mohieldin Gamal

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Insetos, abelhas e árvores: como integrar a biodiversidade ao ambiente construído

A biodiversidade, definida pelo World Wide Fund for Nature (WWF) como os diferentes tipos de vida encontrados em uma área, enfrenta uma crise global profunda, marcada pelo declínio acentuado de organismos e pelo risco iminente de extinção de inúmeras espécies. Todos os reinos são afetados, desde plantas e fungos até grandes mamíferos, em um cenário cujo nexo causal com a atividade humana é evidente. Embora os métodos agrícolas modernos e as mudanças climáticas decorrentes das emissões de gases de efeito estufa desempenhem um papel preponderante, as cidades e os edifícios podem ter uma participação modesta, porém crucial, no combate a esse declínio.

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Aquecimento Global: Como a Arquitetura Vernacular é Afetada pela Crise Climática

A arquitetura vernácula é frequentemente apontada como detentora de lições valiosas para a criação de edifícios de baixo consumo energético e para o combate às mudanças climáticas. No entanto, à medida que os padrões meteorológicos se transformam, há casos em que as próprias técnicas tradicionais de construção começam a correr risco. Além das variações de temperatura, diferentes regiões têm se tornado mais úmidas ou mais secas, enfrentando um aumento no risco de secas, enchentes, tempestades e alterações na flora local. As casas pintadas de Tiébélé, em Burkina Faso, reconhecidas como Patrimônio Mundial da UNESCO, são um exemplo disso.

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O Safari Lodge: Uma tipologia negligenciada com potencial social e ambiental

No leste e no sul da África, os lodges de safári atraem turistas de todo o mundo que desejam contemplar as paisagens e a fauna do mundo natural. Geralmente situados em parques nacionais e reservas de caça, suas localizações remotas tornam a viagem dispendiosa e, portanto, propícia para estadias de luxo. Muitas vezes negligenciados como tipologia arquitetônica, muitos lodges correm o risco de cair na armadilha de serem insensíveis ao contexto ou de imitarem de forma grosseira métodos construtivos vernáculos, resultando em pastiche. Por outro lado, o lodge de safári situa-se na interseção entre o mundo construído e o natural, aproximando populações rurais e urbanas, riqueza e pobreza, fauna silvestre e seres humanos. Desse modo, representa uma oportunidade para projetar com a máxima responsabilidade social e ambiental.

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Retomando a narrativa: Uma nova geração de museus na África Ocidental

À medida que os países da África se libertavam do colonialismo em meados do século XX, muitos expressaram suas identidades independentes por meio da arquitetura. Esse processo continua várias décadas depois, exemplificado por diversos novos museus na África Ocidental, recém-concluídos ou em fase de planejamento. Embora variem em propósito e forma, essas instituições compartilham objetivos comuns: responder à necessidade de restituição de inúmeros artefatos saqueados durante o período colonial e mantidos majoritariamente em museus europeus; e definir um modelo de museu com identidade local, em contraposição a uma importação descontextualizada.

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Um modelo para a preservação do patrimônio liderada pela comunidade: a revitalização de Esna, vencedora do Prêmio Aga Khan

Entre os sete vencedores do 16º Prêmio Aga Khan de Arquitetura deste ano esteve a revitalização da Esna Histórica, no sul do Egito. Liderado pelo escritório Takween, sediado no Cairo, o projeto foi muito além de uma simples restauração. Trata-se de um esforço de renovação abrangente que aliou um profundo engajamento comunitário à preservação do patrimônio material e imaterial. Ao gerar milhares de empregos e restaurar o centro histórico, a iniciativa ofereceu uma alternativa viável e potente à demolição. O Aga Khan Trust elogiou a proposta como um "modelo replicável de desenvolvimento sustentável".

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De ruína a polo cultural: a transformação do Cine Majestic de Zanzibar

Na histórica Stone Town, a principal cidade de Zanzibar, na Tanzânia, a história de um edifício de cinema e sua iminente restauração reflete tanto a história da cidade quanto a própria trajetória das salas de cinema em geral. O início do século XX testemunhou o surgimento da construção de cinemas, com um auge em meados do século, seguido por um declínio decorrente da concorrência com os multiplexes e a televisão doméstica. Embora muitos tenham sido demolidos ou alterados de forma irreversível, outros tantos permaneceram abandonados, como cápsulas do tempo de uma época passada. Eles constituem um registro instantâneo dos estilos e métodos arquitetônicos de seu tempo, funcionando como um lembrete de seu papel social. Restaurar e adaptar um cinema como o Majestic é um reconhecimento de seu valor patrimonial e comunitário.

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Como não construir: arquitetura pela ausência de intervenção

Seja para concursos de projeto ou prêmios de arquitetura, os edifícios são frequentemente julgados pelo que oferecem — as funções programadas, a forma ou o deleite visual. Em uma minoria de casos, é a ausência ou a redução da intervenção que torna um projeto bem-sucedido. Em 1971, um renomado concurso de arquitetura em Paris foi vencido por uma proposta que utilizava apenas metade do terreno disponível, destinando o restante como espaço urbano para a cidade. Em Londres, uma proposta de conversão de uma usina de energia desativada com adições mínimas, deixando grandes espaços intocados, venceu um concurso de projeto em 1994. O Stirling Prize, o prêmio de arquitetura mais prestigiado do Reino Unido, foi vencido em 2017 por uma proposta que consistia em pouco mais do que uma plataforma vazia. Esses exemplos de edifícios culturais no noroeste da Europa ilustram como a ausência de intervenção pode oferecer mais.

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De Pequena Veneza a Veneza: A Narrativa do Pavilhão da Venezuela de Carlo Scarpa

Situado em meio à profusão de pavilhões nacionais grandiosos e cuidadosamente projetados no Giardini della Biennale, na cidade italiana de Veneza, encontra-se uma estrutura projetada por aquele que talvez seja o arquiteto moderno mais conhecido da região. Localizado entre os pavilhões da Rússia e da Suíça, o Pavilhão da Venezuela é de autoria de Carlo Scarpa. Em muitos aspectos, o edifício sintetiza a abordagem projetual de seu arquiteto, embora apresente idiossincrasias próprias. Construído para a mais importante exposição bienal de arte da Europa, o pavilhão integra um conjunto de estruturas modernistas que sucederam as primeiras edificações, de caráter mais classicista. Esta é a sua história.

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A abóbada núbia: revivendo técnicas ancestrais para soluções modernas

As casas coloridas de Assuã, no sul do atual Egito, atraem turistas que se aventuram até aquela região do Rio Nilo. Acessíveis por pequenos barcos fluviais, ilhas como Suheil West abrigam comunidades núbias, algumas das quais tiveram que se deslocar após a construção da Grande Barragem de Assuã na década de 1960. Por trás das vistas pitorescas de paredes rebocadas e cobertas por murais e grafismos, empoleiradas em colinas rochosas com vista para o Nilo, esconde-se uma técnica construtiva utilizada localmente há séculos. Ela utiliza materiais de origem local, preserva a natureza e regula a temperatura interna contra o calor do dia e o frio da noite.

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Da fragilidade à resiliência: a curadoria da Bienal Pan-Africana de Arquitetura inaugural

Uma Bienal Pan-Africana de Arquitetura está prevista para 2026 em Nairóbi, no Quênia. Segundo o curador, o evento "representa uma oportunidade sem precedentes para recuperar a narrativa arquitetônica da África, reafirmando o papel do continente como líder global em resiliência urbana, sustentabilidade e expressão cultural."

Omar Degan, curador em parceria com a Architectural Association of Kenya, é arquiteto atuante, professor e educador. Ele lidera o escritório de arquitetura DO Architecture Group, fundado entre a Itália e a Somália — dois lugares profundamente conectados à sua identidade. Seu trabalho se concentra no que ele descreve como "contextos frágeis" ao redor do mundo, incluindo áreas afetadas por desastres naturais, campos de refugiados, urbanização de favelas e bairros periféricos e desassistidos.

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As janelas de Veneza: como a história inspirou a modernidade

A antiga cidade de Veneza, na Itália, que sedia tanto as edições de arte quanto as de arquitetura da Bienal de Veneza, é conhecida por sua geografia singular como uma cidade insular de canais. Com sua proeminência naval e mercantil hoje reduzida, a cidade encontrou um novo propósito como centro de estudos, exposições e turismo. Ainda assim, sua morfologia urbana e, de fato, a maioria de seus edifícios são históricos e permanecem praticamente inalterados há centenas de anos. Sua aparência exibe um vernáculo veneziano específico que resistiu ao tempo e serve de pano de fundo para as atividades contemporâneas da cidade. Como as fachadas desses edifícios, em especial suas janelas, refletem essa história? E de que maneira as poucas construções modernas da cidade, como o Palazzo Nervi-Scattolin, respondem a esse peso histórico?

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Abdelmoneim Mustafa: Como o pai do modernismo sudanês navegou entre modernidade e tradição, progresso e decolonialismo

Pouco se escreveu sobre a obra de Abdelmoneim Mustafa, um dos nomes mais respeitados da arquitetura em sua terra natal, o Sudão, e pioneiro da profissão em meados do século XX. Esra Akcan, que realizou uma pesquisa aprofundada sobre seu trabalho com uma equipe no Sudão durante uma breve janela de oportunidade entre 2019 e 2021, lamenta essa falta de reconhecimento da seguinte forma: "Como alguém tão talentoso quanto Moneim Mustafa… autor de alguns dos edifícios modernistas de meados do século mais instigantes do mundo, pôde ser tão negligenciado, tão ignorado fora do Sudão, a ponto de, até hoje, não haver nenhuma publicação de circulação internacional em seu nome?" Os escritos de Akcan, somados ao blog pessoal de Hashim Khalifa, que se formou sob a tutela de Mustafa, lançam luz sobre seu vasto legado.

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Modernismo e Tradição: A Influência da História de Milão nos Projetos de Gio Ponti

A arquitetura é, por excelência, uma prática vinculada ao lugar. A quantidade de conhecimento local necessária para projetar um edifício faz com que os/as profissionais da arquitetura, mesmo com obras amplamente distribuídas, concentrem seus projetos construídos em cidades específicas. Giovanni "Gio" Ponti, nascido e criado na cidade italiana de Milão, é um desses profissionais. Seus projetos fora de Milão incluem o Denver Art Museum, nos EUA, e a Villa Planchart em Caracas, Venezuela, além de edifícios universitários em Pádua e Roma, e a Catedral de Taranto. No entanto, suas obras em sua cidade natal, como a Torre Pirelli, são as que melhor registram a evolução de sua arquitetura e sua contribuição para o design de produto e o mercado editorial.

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Acústica Interna: Técnicas Eficazes de Mitigação de Ruído na Arquitetura

O ambiente interno é o foco deste segundo artigo sobre projetar considerando o ruído para melhorar o bem-estar. Segundo diversos estudos recentes, o ruído nas cidades tornou-se uma ameaça crescente à saúde. O ruído ambiental — ou seja, aquele proveniente do tráfego, de atividades industriais ou de música amplificada que atinge os espaços internos — não é apenas um incômodo. Ele está associado a doenças cardiovasculares, diabetes, demência e problemas de saúde mental. À medida que o mundo se urbaniza, mais pessoas ficam expostas a níveis excessivos de ruído. Em habitações de média e alta densidade, em edifícios de escritórios e em escolas, a poluição sonora pode emanar tanto de fontes internas quanto externas.

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Ruído ambiental: Melhorando as paisagens sonoras urbanas para o bem-estar

Segundo diversos estudos recentes, o ruído nas cidades tornou-se um risco crescente para a saúde. O ruído ambiental, ou seja, o ruído proveniente do tráfego, de atividades industriais ou de música amplificada que atinge os espaços internos, não é apenas um incômodo. Ele está associado a doenças cardiovasculares, diabetes, demência e problemas de saúde mental. À medida que o mundo se urbaniza, cada vez mais pessoas ficam expostas a níveis excessivos de ruído. Como o desenho urbano e as estratégias de arquitetura podem ajudar a prevenir esse cenário?

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Grupo 91: O concurso de Dublin que se tornou um ponto de virada para a arquitetura irlandesa

O veterano crítico de arquitetura irlandês Shane O'Toole comentou certa vez que, ao viajar pela Europa na década de 1970, "o comentário geral era: existe arquitetura moderna na Irlanda? Agora, em menos de 50 anos, passamos a ter um Prêmio Pritzker e dois laureados com a Royal Gold Medal do RIBA em cinco anos." Ele atribui essa mudança de percepção a um concurso de projeto que impulsionou a carreira de vários dos premiados arquitetos e arquitetas da Irlanda de hoje. Tratava-se do concurso para o Plano Diretor do Temple Bar (Temple Bar Framework Plan) de 1991, no centro de Dublin, capital da Irlanda, que foi vencido por um grupo de profissionais ainda na faixa dos 30 anos, sob o nome de Group 91.

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Hannes Meyer: Explorando o legado de um ex-diretor da Bauhaus

Em março de 2025, o ator Adrien Brody subiu ao palco para receber seu Oscar por interpretar o papel de László Toth no aclamado filme The Brutalist. O longa conta a história de um profissional da arquitetura formado na Bauhaus que fugiu da Alemanha nazista nos anos 1930 em direção aos Estados Unidos. Embora a história seja ficcional, ela reflete a vida de vários profissionais da arquitetura que emigraram da Europa Central em busca de melhores condições intelectuais e de trabalho. Entre eles estavam os três primeiros diretores da Bauhaus, a renomada escola alemã de design fundada em 1919. O primeiro e o terceiro diretor da escola, Walter Gropius e Mies van der Rohe, respectivamente, estabeleceram-se nos EUA, onde suas carreiras no ensino e na prática projetual floresceram. Menos conhecido, contudo, é o segundo diretor, Hannes Meyer, que seguiu um caminho bastante diferente de seus colegas.

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Documentação independente de patrimônio: como as ferramentas digitais e a fotogrametria estão redefinindo os esforços de preservação

O uso da tecnologia tornou-se vital na documentação e conservação do patrimônio histórico, especialmente em circunstâncias difíceis ou urgentes. Após a destruição de diversos marcos da cidade histórica de Palmira durante a guerra na Síria em 2015, equipes de conservação construíram modelos digitais tridimensionais da cidade destruída para auxiliar em sua reconstrução futura. A destruição dos Budas de Bamiyan no Afeganistão em 2001, com pouquíssima documentação prévia, impulsionou ações de salvaguarda de monumentos vulneráveis, como a criação do CyArk. Mais recentemente, levantamentos digitais detalhados e um modelo BIM de patrimônio histórico foram essenciais na restauração da Catedral de Notre-Dame em Paris, após o devastador incêndio de 2019.

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