Kiana Buchberger

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Por que os armários inteligentes são a nova microinfraestrutura da arquitetura

Como os elementos mais estruturados da arquitetura podem dar origem a formas não planejadas da vida cotidiana? A "ordem espontânea" descreve como sistemas estruturados podem gerar padrões de comportamento não planejados, porém coerentes. No discurso urbano, o termo é frequentemente utilizado para descrever as cidades: malhas de ruas, lotes e edifícios que são projetados, enquanto o cotidiano não o é. Movimentos, encontros, rotinas e usos informais emergem de regras espaciais simples, e não de uma programação explícita. Nas cidades, isso fica evidente na dinâmica de calçadas, estações e limiares. A estrutura é fixa, mas a ordem social é fluida, estabelecendo condições para o comportamento humano em vez de determiná-lo.

Uma lógica semelhante pode ser observada em microinfraestruturas arquitetônicas, como os sistemas de armários. Assim como as cidades, os armários baseiam-se em estruturas organizadas que não prescrevem como a vida se desenrola em seu entorno. Um sistema de armários é altamente controlado sob a ótica da arquitetura: módulos repetitivos, grelhas rígidas, dimensões padronizadas, acesso controlado. No entanto, uma vez em funcionamento, gera comportamentos espontâneos. Pessoas fazem pausas nos corredores, retornam em horários irregulares, demoram-se perto das zonas de armários ou interagem brevemente com quem faz o mesmo. O que parece ser um sistema de armazenamento puramente infraestrutural começa a gerar comportamentos sociais e espaciais informais.

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Cerâmica Forjada na Luz: Uma Tradução Espacial de Processos Materiais Circulares

Um dos materiais mais antigos da arquitetura ainda pode influenciar a forma como a sustentabilidade e a manufatura são abordadas hoje? O que muda quando a cerâmica é vista para além de sua superfície, como um processo moldado pela luz, pela água e pela argila? Na Semana de Design de Milão 2026, a VitrA, marca que produz soluções para banheiros e superfícies cerâmicas, atuando nos segmentos de louças sanitárias e revestimentos, e o escritório internacional de design Snøhetta exploram essas questões por meio de Ceramics Forged in Light, uma instalação imersiva criada para a exposição INTERNI MATERIAE. Inserido em um debate mais amplo sobre experimentação de materiais e produção circular, o projeto trata a cerâmica como um material arquitetônico definido pela transformação contínua, moldado pela luz, água, calor, reflexão e reutilização.

A argila queimada tem sido utilizada na construção há mais de 9.000 anos, evoluindo do artesanato vernacular para um dos materiais mais aplicados no ambiente construído. Sua durabilidade, resistência à água, desempenho térmico e adaptabilidade a tornaram um elemento essencial para fachadas, louças sanitárias, pisos, superfícies arquitetônicas e sistemas estruturais. Hoje, novas tecnologias de fabricação expandem essas possibilidades à medida que profissionais da arquitetura e fabricantes enfrentam as implicações ambientais da extração e produção de materiais.

Projetando com som: como o áudio molda a arquitetura residencial

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O que define a atmosfera de uma casa? Para além das paletas de materiais e da luz natural, o som desempenha um papel decisivo na forma como os espaços são percebidos e habitados. A reverberação dos passos sobre a pedra, a calmaria atenuada de um cômodo revestido de tecidos ou a maneira como a música se propaga por um interior em plano aberto moldam a identidade sensorial do espaço doméstico. A arquitetura não é vivenciada apenas visualmente, mas também acusticamente.

O conceito de "paisagem sonora" descreve essa relação entre as pessoas, o som e o ambiente construído. Na arquitetura residencial, o som vai além do ruído de fundo ou do desempenho técnico; ele influencia a privacidade, a concentração, o descanso e o conforto emocional. A geometria e a materialidade atuam como os principais condutores acústicos: enquanto o concreto, o vidro e a pedra refletem e amplificam, a madeira e os estofados suavizam e absorvem. Alturas de pé-direito, fluxos de circulação e proporções dos cômodos moldam ainda mais a maneira como o som se propaga e se dissipa pelo espaço.

Como os cursos d'água e a memória moldam o design de banheiros

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A água sempre ocupou uma posição singular na arquitetura: elementar, mas elusiva; funcional, mas simbólica. Trata-se tanto de um material quanto de um meio que molda cidades, estrutura rituais e influencia a percepção do espaço. Em diferentes culturas, a água é compreendida não apenas como fonte de vida, mas também como portadora de significados, associada à purificação, à renovação e à continuidade. Sua presença no ambiente construído frequentemente vai além da utilidade prática, tornando-se um recurso por meio do qual a arquitetura estimula os sentidos e constrói atmosferas.

Plástico que não é plástico: Redefinindo a circularidade no design de planta livre

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Ao entrar em um grande espaço de convivência, no lobby de um hotel ou em um ambiente de trabalho em plano aberto, a primeira coisa que se nota não é o que divide o espaço, mas o que o mantém unido. Raramente existem limites claros, salas óbvias ou divisórias rígidas; ainda assim, o espaço parece organizado. Algumas áreas convidam à pausa; outras ditam o movimento; outras promovem a convivência. As transições são sutis, mas legíveis.

Ao mesmo tempo, espera-se mais desses interiores. Eles devem acomodar mudanças constantes, resistir ao uso intenso e responder às pressões ambientais reduzindo o desperdício, prolongando a vida útil e evitando substituições frequentes. A questão não é apenas a aparência de um espaço, mas sim o seu desempenho ao longo do tempo. O que realmente está sustentando essa carga?

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Projetando para o movimento em um espaço de trabalho feito para sentar

Apesar de toda a experimentação espacial no espaço de trabalho contemporâneo, uma condição permanece praticamente inalterada: as pessoas continuam sentadas. Estudos sugerem que profissionais de escritório passam até 89% de sua jornada de trabalho em posição sentada — o que equivale a quase 36 horas por semana —, a despeito de décadas de conscientização ergonômica. À medida que os espaços de trabalho se tornam mais flexíveis, sociais e focados em design, essa contradição se torna cada vez mais difícil de ignorar.

O escritório já não se organiza em torno de um único modo de operação, tampouco por uma lógica espacial rígida. O trabalho tornou-se multifuncional, alternando entre colaboração e concentração, trocas coletivas e foco individual. Em resposta, a arquitetura e o design de interiores se afastam de layouts uniformes e repetitivos em direção a ambientes que refletem a variabilidade do comportamento humano.

Arquitetura da água: metais que desaparecem no bem-estar contemporâneo

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E se os elementos mais avançados de um banheiro fossem aqueles que mal podemos ver? Em espaços onde paredes, tetos e pisos formam superfícies contínuas, os metais e louças recuam, e a própria água passa a ser a matéria-prima que molda a experiência. O posicionamento cuidadoso de componentes em banheiros — como cubas, torneiras, chuveiros e ralos — costuma afirmar sua presença tanto como objeto quanto como função. Mas o que acontece quando esses elementos começam a desaparecer?

Em vez de adicionar elementos sobrepostos ao desenho do banheiro, algumas abordagens operam por subtração. O banheiro deixa de ser composto por objetos visíveis e passa a ser compreendido como uma superfície contínua. Metais e louças embutem-se em paredes e tetos, permitindo que a água, a luz e a atmosfera assumam o protagonismo. O que se delineia é uma forma de minimalismo que vai além: uma arquitetura que absorve inteiramente seus sistemas técnicos, fazendo com que os dispositivos desapareçam e restem apenas seus efeitos. A experiência em si torna-se protagonista, não mais mediada por objetos visíveis, mas moldada diretamente pela água, pela luz e pelo espaço.

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Uma imagem que vale mais que mil pixels: transformando a Disneyland Paris em uma tela

Em ambientes altamente curados como a Disneyland Paris, a arquitetura opera sob um conjunto diferente de expectativas. Não se exige dos edifícios apenas desempenho técnico; eles também precisam se comunicar, muitas vezes instantaneamente. Nesse contexto, a fachada se torna um marco visual que funciona como um limiar, mediando a luz, o ar e a percepção. Uma estratégia que tem ganhado força nesse cenário é o uso de sistemas de envoltórias semiopacas. Sem serem totalmente transparentes nem completamente fechados, esses sistemas de fachada introduzem profundidade e variabilidade.

Ao contrário dos revestimentos convencionais, os sistemas de limiar opacos funcionam como filtros. Eles amenizam a exposição solar, viabilizam a ventilação natural e garantem privacidade sem romper a continuidade visual. Essas características são valiosas em contextos urbanos e comerciais, onde as edificações buscam equilibrar a resposta ambiental com o impacto da experiência espacial. Tais sistemas também se tornam portadores de narrativas, incorporando referências culturais, padrões ou imagens à própria pele arquitetônica.

Como modernizar um grand hotel sem apagar sua memória: lições do Brenners

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Em projetos de reforma, a substituição costuma ser preferida em relação à restauração. Componentes antigos são removidos, novos produtos são especificados e os prazos são garantidos. Especialmente em projetos de hotelaria, nos quais interrupções são dispendiosas e as operações seguem cronogramas rígidos, a instalação de novas peças parece ser a solução mais confiável. É mais rápida, fácil de coordenar e se alinha aos fluxos de trabalho estabelecidos. A restauração, por outro lado, funciona de maneira diferente. Ela exige uma desmontagem cuidadosa em vez do descarte, avaliação em vez de substituição e confiança na qualidade do que já está lá. Trata-se de uma abordagem que introduz complexidade em um processo concebido para ser eficiente.

A recente renovação do Brenners Park-Hotel & Spa, em Baden-Baden, demonstra que, sob as circunstâncias corretas, esse esforço adicional pode se tornar uma estratégia arquitetônica deliberada para projetos semelhantes, sobretudo quando os materiais originais nunca foram concebidos para serem temporários. 

Transformando uma casca de concreto em um interior de madeira moldado pelo mar

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Situada no quebra-mar externo do Port de Cap-d'Ail, ao lado de Mônaco, a Beach House ocupa um limiar entre a terra e o mar. Cercada por água e barcos ancorados, a edificação estabelece um diálogo próximo com o porto, exposta às mudanças de luz, aos reflexos e à atmosfera do Mediterrâneo. Diante desse cenário, a casa se apresenta quase como mais uma embarcação atracada ao longo da muralha do porto.

No entanto, quando Dave Rowles assumiu o projeto de arquitetura, a residência apresentava pouco desse caráter em seu interior. A antiga casa unifamiliar havia sido completamente desmantelada, restando apenas uma casca de concreto aparente. A reforma, portanto, partiu de uma questão fundamental: como um espaço interno pode capturar as qualidades de seu entorno? Em vez de competir com o forte contexto marítimo, a proposta se concentrou em criar um interior sereno e focado na materialidade, que emoldura e amplifica a beleza e a experiência da paisagem circundante, utilizando detalhes em carvalho, cedro, mármore e aço inoxidável. Em colaboração com a barth, empresa especializada em execução de interiores sob medida, Rowles transformou a estrutura de concreto em um espaço coeso, no qual materiais naturais, luz e detalhes refinados definem tanto os ambientes internos quanto os externos.

“As pessoas usuárias são especialistas em si mesmas”: Como as pessoas moldam os espaços que utilizam

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O design orienta o uso ou o uso orienta o design? Estudantes lutam para manter o foco, profissionais se esquivam sob iluminação artificial agressiva e ocupantes se afastam de espaços rígidos, muitas vezes em resposta a condições ambientais que só se tornam visíveis quando o espaço passa a ser habitado. A luz que atravessa um ambiente, a reverberação do som, a textura das superfícies ou o ritmo da circulação podem favorecer a concentração, trazer calma ou inspirar a criatividade, mas cada um desses elementos também pode, inadvertidamente, intensificar o estresse e a distração. Arquitetos/as e designers estão investigando e questionando: como as decisões de projeto são fundamentadas e de quem é o conhecimento considerado essencial na hora de moldar o espaço?

Projetar com o que existe: Expansão da sede da Rieder transforma materiais residuais em design de fachada

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E se as sobras industriais não fossem resíduos, mas o ponto de partida do projeto de arquitetura? Na sede da Rieder em Maishofen, na Áustria, mais de 1.300 metros cúbicos de madeira, 180 elementos de teto e centenas de fragmentos reciclados de concreto reforçado com fibra de vidro se unem em um edifício moldado tanto pelo reúso quanto pelo planejamento. O novo pavilhão de produção, projetado pelo escritório Kessler² Architecture, trata as sobras de materiais como recurso de projeto. Desenvolvido como parte de um investimento de longo prazo em manufatura sustentável, o edifício híbrido de madeira e concreto introduz uma técnica de fachada que inverte os fluxos de trabalho convencionais da arquitetura: em vez de projetar primeiro para depois produzir os componentes, o envelope do edifício é gerado a partir dos resquícios de materiais já disponíveis no local, estabelecendo uma nova linguagem para a arquitetura industrial.

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Compósitos Circulares: Projetando para um Futuro Sustentável

A busca por materiais mais resistentes, leves e duráveis orienta a arquitetura muito antes do surgimento dos polímeros ou das fibras de carbono. Um dos primeiros exemplos em grande escala de materiais compósitos está na Grande Muralha da China, onde pedras, tijolos de argila e fibras orgânicas, como juncos e galhos de salgueiro, foram combinados para criar uma estrutura resiliente e duradoura. Essas técnicas primitivas revelam uma intuição atemporal: quando combinados de maneira cuidadosa, materiais distintos geram propriedades impossíveis de serem alcançadas por um único elemento. Diante das urgentes pressões ecológicas que o setor da construção enfrenta, essa intuição é revisitada sob a ótica da sustentabilidade, com arquitetos/as e engenheiros/as explorando compósitos de base biológica, reciclados e híbridos projetados não apenas pelo desempenho, mas também pela circularidade e responsabilidade ambiental.

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“Durante décadas, valorizamos o novo mais do que o antigo”: Em diálogo com os/as vencedores/as do Prêmio OBEL 2025, HouseEurope!

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O potencial de edifícios existentes para moldar cidades e comunidades em constante transformação por meio do reuso e da adaptação é o foco central do HouseEurope! e de seu ativismo: enfrentar o desafio premente em grande parte da Europa, onde costuma ser mais fácil, barato e rápido demolir edifícios do que renová-los. Durante décadas, as políticas de construção, as práticas industriais e as dinâmicas de mercado favoreceram os novos empreendimentos, frequentemente subestimando a importância cultural, social e ambiental das estruturas existentes. Por seu trabalho em prol de uma mudança sistêmica na arquitetura, o HouseEurope! recebeu o Prêmio OBEL 2025 sob o tema "Ready Made". Em conversa com o ArchDaily, Alina Kolar e Olaf Grawert, integrantes do coletivo HouseEurope!, discutiram a abordagem da organização em relação à arquitetura, às políticas públicas e à ação coletiva. Operando como um laboratório de políticas públicas sem fins lucrativos, o HouseEurope! conecta a prática arquitetônica com a legislação, a pesquisa e a participação pública. Seu trabalho começa pela análise do que já existe, traduzindo essas reflexões em diretrizes práticas para legisladores/as e profissionais da área. Projetos de conversão como a renovação de 530 moradias pelo escritório Lacaton & Vassal exemplificam essa "pesquisa pela ação", mostrando como o reuso adaptativo pode ser viável e, ao mesmo tempo, um motor para mudanças sistêmicas com benefícios sociais e ecológicos. Como explica Grawert:

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Num piscar de olhos: 60 instalações luminosas iluminam galeria por toda a cidade para o Noor Riyadh 2025

O festival Noor Riyadh 2025 levou instalações de luz em grande escala a espaços públicos por toda a capital da Arábia Saudita, transformando temporariamente nós de transporte, bairros históricos e marcos importantes em ambientes urbanos iluminados. De 20 de novembro a 6 de dezembro de 2025, Riade tornou-se uma galeria urbana de luz, movimento e percepções em constante mudança. A quinta edição do festival reuniu 60 obras de arte de 59 artistas de 24 países, incluindo mais de 35 novos comissionamentos, todos respondendo ao tema "Num Piscar de Olhos" (In the Blink of an Eye). Utilizando a luz tanto como meio quanto como conceito, as instalações reinterpretaram a paisagem arquitetônica em rápida evolução da capital e refletiram sobre como a percepção se transforma em espaços moldados pelo patrimônio histórico e por um ambicioso desenvolvimento urbano.

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E se o menor detalhe ajudasse a moldar a atmosfera de um espaço?

No debate arquitetônico recente, o design de interiores tem se concentrado em como os espaços moldam a experiência psicológica e atmosférica, e no que confere ressonância emocional aos ambientes internos. A atenção deslocou-se para os pequenos detalhes, em vez de se apoiar primordialmente na forma ou na estrutura. A luz, por exemplo, não é apenas um requisito técnico, mas também um material arquitetônico por direito próprio. Ela é capaz de estruturar o espaço, animar superfícies, definir texturas e moldar a atmosfera, ao mesmo tempo em que influencia o bem-estar. Paralelamente, as características entre o minimalismo e o maximalismo moldam a forma como as atmosferas são percebidas, instigando uma reflexão sobre como as abordagens voltadas à simplicidade ou à exuberância podem influenciar o estado de espírito. Longe de existirem como estéticas opostas, essas tendências investigam a maneira como os interiores interagem com os estados mentais, refletem a identidade pessoal e respondem às mudanças sutis na forma como as pessoas habitam e vivenciam o espaço.

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Como os sistemas de estacionamento automatizados recuperam o espaço urbano

As cidades estão se remodelando lentamente. Ruas caminháveis, redes cicloviárias e bairros de uso misto vêm se tornando prioridades de planejamento, à medida que metas climáticas, mudanças nos estilos de vida e o trabalho remoto reconfiguram as rotinas cotidianas. No entanto, mesmo com o avanço dessas propostas centradas nas pessoas, a maioria das cidades ainda depende fortemente dos carros particulares, gerando uma tensão entre os futuros urbanos que estamos projetando e os hábitos de mobilidade que persistem na atualidade.

Essa tensão tem levado arquitetos/as e incorporadores/as a repensar uma das peças mais complexas do quebra-cabeça urbano: o estacionamento. Edifícios de uso misto estão se multiplicando, sobrepondo moradias, espaços de trabalho e serviços em projeções de implantação mais compactas, o que exige o máximo aproveitamento de cada metro quadrado. O desafio já não consiste apenas em encontrar um lugar para os carros, mas em integrar o estacionamento de forma a favorecer a densidade, a habitabilidade e a adaptabilidade a longo prazo — permitindo que as cidades evoluam sem que os veículos dominem seu desenho urbano.

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Como nichos ocultos podem transformar paredes em arquitetura funcional?

O nicho tem sido um espaço de intenção visível ao longo da história da arquitetura. Na arquitetura romana antiga, servia como um recurso formal esculpido na alvenaria para expor estátuas, vasos ou outros objetos. Esses recuos animavam as paredes de templos, termas e edifícios públicos, conferindo ritmo, profundidade e pontos focais a estruturas que, de outro modo, seriam maciças. Os espaços internos do Panteão emolduravam estátuas de deuses, e as Termas de Caracala utilizavam vazios semelhantes para estruturar salões imensos. Já no Renascimento, o nicho evoluiu para uma moldura arquitetônica refinada. Em Florença, as cavidades externas de Orsanmichele abrigavam estátuas encomendadas por corporações de ofício, enquanto os recuos do Palácio Uffizi exibiam obras escultóricas. Preenchidas ou intencionalmente deixadas vazias, essas aberturas articulavam paredes internas, externas e fachadas, introduziam hierarquia e despertavam interesse visual, funcionando como gestos deliberados feitos para serem vistos.