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Paisagem como coreografia: a arquitetura no jardim botânico contemporâneo

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Os jardins botânicos colocam a paisagem, o design, a comunidade e a investigação científica em estreito diálogo. Originados de jardins medicinais e coleções privadas dedicadas à classificação de plantas, os jardins botânicos se transformaram em instituições onde espécimes coletados em diferentes regiões e climas podiam ser cultivados e apresentados ao público. Sua evolução na sociedade gerou um repertório arquitetônico singular, que vai de estufas e conservatórios a herbários e laboratórios e, eventualmente, centros de visitantes e espaços de hospitalidade. A arquitetura permanece intrinsecamente ligada ao jardim botânico como instrumento de cultivo e estrutura para organizar e estudar o campo da botânica.

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Buildner anuncia os projetos vencedores do Architect’s Chair #5 e lança a edição #6 - Stockholm Furniture Fair

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A Buildner tem a satisfação de anunciar os resultados da 5ª edição do Architect's Chair Competition, a quinta edição do concurso internacional anual que convida arquitetos/as e designers de todo o mundo a criarem uma cadeira autoral que reflita suas respectivas filosofias de projeto e visões de design.

O design de cadeiras exemplifica o caráter interdisciplinar da arquitetura, reunindo questões de proporção, estrutura, materialidade, ergonomia e artesanato na escala de um único objeto. Os projetos enviados este ano exploraram uma ampla gama de abordagens, desde soluções altamente minimalistas e estruturalmente eficientes até desenhos fundamentados em referências culturais, experimentação material e novos métodos de fabricação.

Brasil em Foco: Este mês na arquitetura, no paisagismo e na prática coletiva

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Em todo o Brasil, a arquitetura continua a tomar forma por meio de diferentes práticas, escalas e relações com o lugar. A seleção deste mês destaca atuações que operam além dos limites convencionais da disciplina, abordagens coletivas que reconectam projeto e construção, e projetos que respondem à paisagem, à memória e à comunidade. Ao lado de edifícios e espaços públicos recém-concluídos, novas intervenções culturais em São Paulo e no Rio de Janeiro evidenciam ainda mais como a arquitetura se cruza com a arte, o patrimônio e o ambiente urbano.

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Um novo encontro em Valparaíso, no Chile, reúne mestres e mestras da construção para salvaguardar ofícios tradicionais

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De 9 a 11 de outubro, acontecerá no Parque Cultural de Valparaíso, no Chile, o evento "Oficios en obra" (Ofícios em Obra), um encontro de aprendizado e colaboração focado nos ofícios tradicionais de construção da cidade. Organizado pela Prefeitura, o encontro busca destacar e preservar técnicas de trabalho historicamente ligadas à construção de Valparaíso, promovendo seu reconhecimento e ajudando a garantir sua continuidade entre as novas gerações por meio de atividades abertas e gratuitas ao público. Outrora o porto mais importante do Pacífico Sul, a arquitetura de Valparaíso testemunha diversas aplicações de madeira estrutural, terra batida (taipa) e tecnologias industriais importadas durante o século XIX. Isso a torna um objeto de estudo para ofícios tradicionais e técnicas construtivas que vêm sendo revalorizadas diante dos contextos contemporâneos de crise climática e econômica, servindo como um caminho alternativo para o futuro.

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Do que fogem os/as arquitetos/as? Ambição e evasão no projeto para locais remotos

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Pergunte a um/a arquiteto/a qual é o problema mais difícil da disciplina atualmente. O bloco de habitações do pós-guerra sem manutenção a duas quadras de seu escritório raramente é mencionado. O que vem à sua mente são os diferenciais de pressão em Marte ou as cargas de tração em uma plataforma flutuante; afinal, um território não reivindicado não tem ninguém com quem negociar, nenhuma história à qual responder, nenhum inquilino para se lembrar da última reforma — o que torna o ato de projetar consideravelmente mais fácil.

Os/As arquitetos/as pensam que estão resolvendo um problema mais difícil do que aquele que está ao lado. Um projeto como o de The Line — uma cidade de 170 quilômetros projetada para abrigar nove milhões de habitantes em um local sem ocupação prévia — não é arquitetonicamente mais difícil do que um terreno com cem anos de inquilinato, propriedade contestada e um departamento de planejamento urbano que se lembra das últimas três incorporadoras que usaram a palavra "comunidade" querendo dizer outra coisa. Pelo contrário, é consideravelmente mais fácil. Não há ninguém para convencer, nenhuma história à qual responder, nenhuma discussão a perder. Isso levanta a questão: se o problema mais difícil está a duas quadras do escritório, sem solução, e o mais fácil é o que recebe as renderizações e as rodadas de financiamento, então "ambição" é a palavra errada para descrever o que está acontecendo. Há algo sendo evitado, e precisamos começar a pensar sobre o quê.

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20 Práticas que ampliam a atuação da arquitetura: os vencedores do ArchDaily 2026 Next Practices Awards

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O ArchDaily tem o orgulho de anunciar os/as vencedores/as do Next Practices Awards 2026, que reconhece 20 escritórios emergentes e inovadores que expandem as possibilidades da arquitetura contemporânea.

Em sua sexta edição, o Next Practices continua a olhar para além das definições convencionais da profissão a fim de identificar as pessoas, ideias e metodologias que impulsionam a disciplina. A edição de 2026 é a nossa mais robusta e globalmente representativa até o momento, reunindo diferentes abordagens, escalas e contextos que ampliam nossa compreensão sobre como e por quem a arquitetura é praticada.

De climas extremos a comunidades rurais, cidades informais e territórios afetados pelo deslocamento e pela vulnerabilidade ambiental, a seleção deste ano dialoga com uma ampla gama de realidades. Apoiando-se na engenharia, ecologia, fabricação digital, pesquisa de materiais, conhecimentos vernaculares e indígenas, ativismo e pesquisa crítica, estes escritórios refletem o que está por vir: a capacidade de responder a condições específicas e moldar ativamente o mundo ao seu redor.

Além da réplica: patrimônio digital e os limites da preservação

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Agora é possível adentrar uma caverna em Maharashtra sem precisar viajar até lá. Por meio de uma experiência de realidade virtual desenvolvida em torno de Ajanta, os/as visitantes podem percorrer uma versão reconstruída digitalmente das cavernas a partir de qualquer outro lugar do mundo. O projeto levanta uma questão arquitetônica: se a arquitetura é vivenciada por meio do movimento, da escala, da sequência e da percepção, o que acontece quando essas experiências podem ser recriadas fora do sítio físico? O projeto Digital Ajanta, do IITM Pravartak, utiliza escaneamento 3D, filmagem, modelagem e realidade virtual para documentar as cavernas e traduzir esse registro em uma experiência imersiva.

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Construindo em escala: Como o aço de grandes vãos amplia as possibilidades arquitetônicas

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O que acontece quando a arquitetura é desafiada a criar um espaço sem limites? Centros de convenções, estádios, fábricas e centros de logística partem do mesmo desafio arquitetônico: criar interiores amplos e contínuos que possam acomodar fluxos, visibilidade e usos dinâmicos. Quanto maior o vão, maiores são as exigências estruturais e, consequentemente, as possibilidades arquitetônicas.

A arquitetura de grandes vãos não é uma ambição recente. Há séculos, arquitetos e arquitetas buscam maneiras de cobrir grandes espaços públicos, desde a cúpula monumental do Panteão até as galerias de ferro e vidro do Palácio de Cristal de Londres. Cada avanço expandiu os horizontes da disciplina, substituindo paredes espessas e sistemas estruturais densos por métodos mais leves e eficientes para vencer grandes distâncias. Hoje, o aço dá continuidade a essa evolução, viabilizando vãos que seriam difíceis de alcançar com sistemas estruturais convencionais, ao mesmo tempo que mantém grandes espaços públicos integrados, flexíveis e adaptáveis. A alta relação resistência-peso do aço permite vencer vãos maiores com menos pilares e sistemas estruturais mais esbeltos, ao passo que componentes pré-fabricados simplificam a construção e reduzem os trabalhos no canteiro de obras.

Bienal de Arquitetura de Tallinn 2026 explora o verdadeiro custo da arquitetura através de "How Much?"

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A 8ª Bienal de Arquitetura de Tallinn (TAB 2026) coloca a questão "Quanto custa?" no centro de sua programação, examinando como o custo, a escassez e as restrições moldam a produção arquitetônica. Com curadoria de Kertu Johanna Jõeste, Siim Tanel Tõnisson e Ra Martin Puhkan do Stuudio TÄNA, em conjunto com Mark Aleksander Fischer e Mira Samonig, a bienal acontece em toda a cidade de Tallinn até 30 de novembro de 2026. Sua exposição principal está sediada no Linnahall, o monumental complexo à beira-mar construído para as Olimpíadas de Verão de 1980, enquanto exposições, instalações, debates e outros eventos se estendem a locais como o Museu de Arquitetura da Estônia, a Academia de Artes da Estônia e o EKKM.

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No Dia Internacional da Democracia: Encontro, Equidade e o Poder Simbólico da Arquitetura

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No Dia Internacional da Democracia, as Nações Unidas revisitam este ano uma ideia tradicional do conceito: a ampla participação cidadã nas tomadas de decisão governamentais. Na ocasião, o órgão internacional convida a uma reflexão sobre como a participação e a inclusão de vozes diversas nas decisões do governo podem ajudar a construir uma sociedade mais equitativa. Sob uma perspectiva espacial, a reflexão sobre a democracia pode ir além desse enquadramento vertical, passando a compreendê-la a partir do encontro. O que significa um espaço ser democrático? Como a arquitetura pode contribuir para alcançar os princípios historicamente associados à democracia? No atual contexto de crise nos sistemas de organização política em todo o mundo, este dia serve como plataforma para questionar a individualização e o autoritarismo por meio das ferramentas socioespaciais de que dispomos.

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Quando as águas chegam: como Lagos negocia com suas enchentes recorrentes

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Lagos é uma cidade moldada pelo tempo, pela interação humana, pelas forças da natureza e por sua relação em constante evolução — e por vezes complexa — com esses três elementos. Em nenhum lugar isso é mais visível do que quando a chuva chega.

Eko situa-se em uma planície de inundação. Sua condição geográfica precede a própria cidade, remontando a um tempo anterior à abertura da primeira rua ou à demarcação do primeiro limite territorial. Os sistemas de drenagem e os empreendimentos que gradualmente se transformaram em frentes de água privatizadas foram todos construídos sobre uma paisagem que, em sua essência, sempre esteve em constante diálogo com a água. A enchente não é uma anomalia; é a própria terra insistindo em um diálogo que inevitavelmente retornaria.

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Uma casa sobre a água: a história da joia modernista de Amancio e Delfina Williams

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O que acontece com uma casa quando a vida para a qual ela foi projetada chega ao fim? Na Casa sobre el Arroyo, a resposta se desenrolou gradualmente à medida que o edifício mudou de uso, propriedade e estado de conservação ao longo de quase oito décadas. Mesmo diante dessas transformações, a estrutura, a circulação e a relação com o terreno permaneceram fundamentais para a compreensão da casa e, eventualmente, para seu restauro.

Projetada por Amancio Williams e Delfina Gálvez Bunge de Williams a partir de 1943 para o pai de Amancio, Alberto Williams, a Casa sobre el Arroyo nasceu diretamente das condicionantes de seu terreno em Mar del Plata, Argentina. Em vez de tratar o arroio Las Chacras como um obstáculo a ser contornado, o projeto o utiliza para organizar a própria casa. Um arco de concreto armado cruza as águas e eleva os espaços de permanência, transformando o curso d'água em parte da experiência de circulação e habitação da casa.

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Reinterpretando o nó Ruyi como símbolo cultural no trabalho em metal contemporâneo

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Os símbolos sempre transitaram pela arquitetura. Surgem em pedras esculpidas, tecidos entrelaçados, tetos e paredes pintados, ferragens de portas e objetos cotidianos, carregando as crenças, os rituais e as histórias das culturas que os originaram. Em interiores contemporâneos, os/as designers dão continuidade a esse diálogo com o lugar, revisitando símbolos históricos e traduzindo-os por meio de novos materiais, técnicas de fabricação e formas arquitetônicas.

O nó Ruyi é um exemplo emblemático disso. Há séculos, esse motivo entrelaçado faz parte da tradição chinesa de nós, simbolizando continuidade, harmonia e votos de boa sorte. Sua geometria de curvas suaves tem adornado objetos decorativos e peças cerimoniais, demonstrando como as referências culturais podem se integrar a um vocabulário de design que vai muito além do mero ornamento.

SAGA Space Architects e 3DCP Group concluem vila estudantil de 36 unidades impressa em 3D na Dinamarca

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O 3DCP Group concluiu o Skovsporet, um empreendimento de habitação estudantil impresso em 3D em Holstebro, na Dinamarca, projetado pelo escritório SAGA Space Architects em colaboração com o MS+. Localizado próximo à VIA University College, o projeto é composto por 36 apartamentos térreos distribuídos em seis blocos de edifícios, totalizando uma área de 1.650 metros quadrados. Construído ao longo de 12 meses, o Skovsporet aplica a impressão 3D de concreto em larga escala no âmbito de um empreendimento residencial, combinando elementos estruturais impressos com métodos tradicionais de construção. O projeto foi desenvolvido para a NordVestBO e está programado para receber seus primeiros estudantes este mês.

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Assemble transformará o Bromley Hall, tombado como Grau II*, em um novo espaço de trabalho criativo e de indústria leve em Londres

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O coletivo de arte, arquitetura e design Assemble, com sede em Londres, anunciou recentemente um novo projeto de espaço de trabalho na capital inglesa. Desde sua fundação em 2010, o estúdio construiu uma comunidade em torno do fazer artesanal e manual, oferecendo espaços criativos e de indústria leve resistentes às forças do mercado, funcionando como uma plataforma para trabalhos ecológica e socialmente engajados. O grupo garantiu recentemente um contrato de arrendamento de 25 anos, com opção de compra, de Bromley Hall, um casarão do início do período Tudor considerado uma das casas mais antigas de Londres. O plano é transformar os três edifícios do local — Bromley Hall (c. 1485), a Old Poplar Library (c. 1904–5) e o edifício de contêineres RedBox — no maior espaço de trabalho do Assemble até o momento, adicionando cerca de 1.300 m² (14.000 pés quadrados) à sua oferta atual de espaços de trabalho, com um plano de desenvolvimento de longo prazo que prevê dobrar essa área. O novo projeto do escritório tem um duplo objetivo: restaurar um edifício tombado como patrimônio de Grau II* (Grade II*) e aumentar a estabilidade para a comunidade das indústrias criativas, por meio de contratos de aluguel de longo prazo e um novo espaço de colaboração.

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Vestígios Modernos: Calque Studio e a corrida contra o apagamento arquitetônico de Teerã

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Situada aos pés da cordilheira de Alborz, Teerã cresce sob uma encosta que a protege e sufoca ao mesmo tempo. A mesma paisagem que bloqueia os ventos e retém a poluição sobre a cidade também abriga, ao longo de suas encostas, séculos de disputas por esse território estratégico. Trata-se de uma capital construída sobre um solo instável, tanto geológica quanto politicamente. Falhas sísmicas ativas correm sob suas avenidas, enquanto sobre elas acumulam-se os vestígios de sucessivas reconstruções, demolições, e reinvenções forçadas. Desse modo, a cidade continua a se expandir, testemunha silenciosa de um país que, por mais de dois séculos, tem negociado constantemente entre a memória e o apagamento.

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O papel do desenho urbano na segurança das mulheres: lições de quatro espaços públicos

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O espaço público costuma ser idealizado como um ambiente universal, mas a experiência de acesso a ele é desigual. Para muitas mulheres, deslocar-se pela cidade exige uma avaliação contínua de exposição, visibilidade, proximidade com outras pessoas, iluminação, acesso ao transporte, rotas de fuga e a probabilidade de sofrer assédio. Esses cálculos são moldados tanto pelas condições espaciais quanto pelas sociais. A segurança é uma questão de forma urbana, manutenção, mobilidade, governança e distribuição de investimento público. Embora o ambiente construído possa não ser a causa direta da violência de gênero, ele tem o poder de intensificar a vulnerabilidade e normalizar o acesso desigual, especialmente a espaços públicos.

Para profissionais de arquitetura e planejamento urbano, existe uma distinção fundamental entre projetar para o controle de segurança e projetar para a sensação de segurança. Estratégias de controle de segurança tendem a se concentrar em vigilância, policiamento e gestão de fluxos, ao passo que a segurança urbana cotidiana depende de as pessoas poderem ver e ser vistas, de as rotas serem legíveis, de os espaços públicos acolherem atividades ao longo do dia e de como a manutenção de longo prazo é viabilizada. O papel do design é alterar as condições nas quais a vida pública acontece.

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Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil

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Filippo Brunelleschi e a cúpula de Santa Maria del Fiore, concluída em 1436 na cidade italiana de Florença, representam um capítulo importante na história da arquitetura, frequentemente associado ao crescente distanciamento entre o desenho e a construção. Essa separação, consolidada gradualmente ao longo do tempo, encontra um ponto de inflexão decisivo no Renascimento. O desenho torna-se um instrumento para antecipar e impor autoridade sobre a construção. O canteiro de obras, outrora um espaço de invenção e tomada de decisões, passa a ser compreendido primordialmente como um local de execução.

Nos séculos seguintes, esse distanciamento torna-se cada vez mais acentuado, sobretudo com a construção moderna. A industrialização, la especialização técnica e a organização corporativa fragmentam o processo construtivo em etapas progressivamente distintas. Quem projeta raramente constrói; quem constrói nem sempre participa das decisões; quem financia, gerencia e habita ocupa posições ainda mais distanciadas entre si. A eficiência desse modelo permitiu construir em escala, mas também concentrou o conhecimento e o poder de decisão nas mãos de determinados agentes.

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Mapeando narrativas: o que o mapa da ONU revela sobre as reparações simbólicas

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Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um formato para ensaios argumentativos sobre questões cruciais que moldam nossa área.

Durante séculos, a maior parte do mundo se enxergou por meio de um instrumento de representação espacial do século XVI. No dia 4 de setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas votou para mudar esse cenário, adotando uma resolução que solicita a governos, escolas, veículos de imprensa e empresas de tecnologia que deixem de usar a projeção de Mercator onde o tamanho relativo dos países de fato importe, substituindo-a por alternativas de áreas equivalentes, como a projeção Equal Earth de 2018. A votação foi aprovada por 164 votos a 1, sendo os Estados Unidos o único voto contrário.

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MAD revela projeto para transformar armazém de 1923 na Danshuis, em Roterdã

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O MAD, escritório de arquitetura fundado por Ma Yansong, revelou o projeto para o Danshuis, um novo centro de dança planejado para Roterdã, nos Países Baixos. Situado em uma área emblemática da histórica região portuária da cidade, ao lado do Fenix Museum of Migration — também projetado pelo MAD —, o projeto tem previsão de inauguração para 2030. O centro de 9.500 metros quadrados transformará um antigo galpão Art Déco de 1923, localizado na margem sul do Rio Mosa. Concebido como um polo de produção, desenvolvimento e prática de dança em diversos estilos, o Danshuis busca reunir programações profissionais e amadoras voltadas a diferentes idades e níveis de experiência.

Bienal de Arquitetura de Buenos Aires celebra 40 anos com programação gratuita sob o tema "Habitar"

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A Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires celebra 40 anos de história este ano, ao longo de 20 edições. Como um dos principais encontros de arquitetura da América Latina, o evento comemorará este aniversário com uma edição que reúne cerca de 100 escritórios de arquitetura, 15 exposições, 50 conferências, 40 convidados/as internacionais e representantes de mais de 55 cidades do mundo, em uma programação gratuita e aberta que se estenderá por cinco semanas. A partir de 22 de setembro e durante todo o mês de outubro, integrando o Mês do Design e da Arquitetura de Buenos Aires, serão realizadas conferências, abertas exposições, inauguradas instalações e promovidas atividades em pontos específicos da cidade. Sob o tema HABITAR, a Bienal também sediará um fórum de seis dias com o/a vencedor/a do Prêmio Pritzker 2026, Smiljan Radić, culminando na entrega dos prêmios desta edição.

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Estruturas da memória: 5 projetos não construídos sobre patrimônio da comunidade ArchDaily

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De modo geral, uma estrutura é um testemunho de seu tempo. A proposta e a escala física de um projeto de arquitetura frequentemente superam o tempo de vida de um ser humano, integrando-se, assim, a uma narrativa histórica. Essa característica transversal se manifesta de forma especialmente clara em tipologias de projeto específicas: memoriais, cemitérios, museus e até mesmo centros educacionais e comunitários. Recentemente, esse valor expandiu-se para além dos edifícios, englobando também técnicas construtivas, formas e geometrias ancestrais, e a própria natureza. Esse valor histórico e sua conotação simbólica estão representados nesta seleção de cinco projetos desenvolvidos por leitores e leitoras do ArchDaily, ainda não construídos, localizados no Kosovo, no Canadá, na China, no Egito e em Bangladesh.

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Mundos Digitais e os Limites do Espaço Sem Atrito: Repensando Escala e Materialidade

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Historicamente, a forma como projetamos esteve intimamente ligada à maneira como construímos. A arquitetura avançava por meio de testes físicos, tentativa e erro, desenhos de projeção, maquetes em escala real e modelos físicos: cada um introduzindo uma nova camada de abstração, mas mantendo-se atrelado à materialidade, à escala e à construção. A introdução do CAD alterou significativamente essa dinâmica. No início, ele era compreendido sobretudo como a computadorização de geometrias precisas para a construção. Com o tempo, contudo, as ferramentas digitais passaram a ser incorporadas em etapas mais precoces do processo projetual, substituindo o croqui, a tentativa e erro física, a confecção de maquetes e outras formas de pensamento que outrora mantinham a escala e a matéria sempre próximas.

A linhagem do projeto de arquitetura pode, portanto, ser compreendida em parte como uma evolução de abstrações. Algumas delas revelaram-se extraordinariamente produtivas. Plantas e cortes, por exemplo, isolam dimensões específicas da arquitetura e, ao mesmo tempo, permitem que a mente reconstrua o todo. Elas planificam, cortam e reduzem, mas não abandonam o edifício. Pela combinação desses desenhos, é possível compreender ambientes, circulação, estrutura, aberturas e relações espaciais sem se perder na complexidade do projeto. Sua abstração é disciplinada porque permanece vinculada a uma realidade arquitetônica que, eventualmente, precisará ser medida, construída e habitada.

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Stefano Boeri Architetti vence concurso para habitação acessível em madeira em Ibiza

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Stefano Boeri Architetti venceu o concurso lançado pela Entidad Estatal de Vivienda da Espanha, Casa 47, para um novo empreendimento de habitação acessível em Ibiza. Batizado de "Sa Casa", o projeto propõe aproximadamente 190 apartamentos para aluguel abaixo do valor de mercado, distribuídos em quatro volumes residenciais. A proposta combina um sistema construtivo pré-fabricado em madeira com layouts habitacionais adaptáveis e espaços abertos compartilhados, com o projeto estruturado a partir da relação entre os edifícios residenciais, a paisagem e as áreas públicas.

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