Jonathan Yeung

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O Monumento Transposto: Murray House e o Paradoxo da Preservação

Na preservação da arquitetura, existem muitas abordagens possíveis — que vão desde tratar um edifício como um monumento estático, restaurando-o meticulosamente in situ a ponto de limitar o acesso público, até estratégias adaptativas que reprogramam e modificam os espaços internos, mantendo elementos arquitetônicos essenciais, como a materialidade e a forma estrutural. No entanto, um método se destaca, tanto pela ambição quanto pela controvérsia: o de desmantelar deliberadamente um edifício — tijolo por tijolo —, etiquetar e documentar meticulosamente cada parte e armazená-lo até que surja um novo local, propósito ou narrativa. Em seguida, remontá-lo do zero, possivelmente para um uso totalmente diferente. Embora o contexto original se perca, essa estratégia visa preservar o significado cultural por meio da transformação, e não da estagnação. Esta é a história da Murray House em Stanley, Hong Kong.

Originalmente construída em 1846 como alojamento para oficiais militares britânicos no distrito de Central, a Murray House foi um dos primeiros exemplos de arquitetura neoclássica em Hong Kong — um vestígio único e duradouro do passado colonial da cidade. Suas robustas colunatas de granito e fachada simétrica erguiam-se como um símbolo de permanência clássica. Durante a ocupação japonesa de Hong Kong em 1941, a função do edifício foi redefinida para servir como centro de comando da polícia militar japonesa. O edifício sobreviveu à guerra e continuou a abrigar vários departamentos governamentais ao longo das décadas do pós-guerra.

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Arquitetura e Agência: Repensando a Autoria por Meio do Projeto Participativo

Historicamente, a arquitetura produziu muitos edifícios icônicos moldados por visões singulares — muitas vezes projetados de forma unilateral para usuários/as, comunidades e cidades. Se por um lado essa abordagem de cima para baixo (top-down) viabilizou uma forte coerência formal e clareza conceitual, por outro, ela priorizou a autoria em detrimento do engajamento. O resultado: projetos que podem ser celebrados como visionários, mas que frequentemente parecem desconectados das realidades cotidianas de quem os habita.

Projetar para o outro é inerentemente complexo. Na condição de arquitetos/as, frequentemente recebemos a tarefa de criar ambientes para comunidades com as quais podemos não ter nenhuma familiaridade pessoal ou cultural. Esse distanciamento, contudo, pode oferecer uma objetividade valiosa. Ele nos permite abordar perspectivas diversas com um novo olhar, analisando criticamente as necessidades e limitações de múltiplas partes interessadas. Por meio desse processo, a disciplina da arquitetura avançou — expandindo fronteiras no pensamento espacial, na inovação de materiais e na experimentação estrutural.

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Além do forro rebaixado: 10 projetos de interiores que tornam as instalações e tubulações parte da arquitetura

Na arquitetura de interiores contemporânea, as instalações prediais — sistemas mecânicos, elétricos, de climatização (HVAC) e hidráulicos — são quase sempre tratadas como elementos a serem ocultados. Cavidades de parede mais espessas, amplos forros rebaixados e, em regiões onde prevalece a construção maciça (como tijolo ou concreto), paredes falsas de gesso são rotineiramente empregadas para esconder esses sistemas. Essa abordagem tornou-se tão normalizada que frequentemente constitui a premissa inicial do planejamento espacial, limitando intrinsecamente a imaginação e reduzindo a gama de possibilidades espaciais. A prioridade passa a ser a ocultação, em vez de se explorar como esses sistemas poderiam coexistir de forma visível dentro de uma linguagem de projeto.

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Paisagens Lúdicas e Imaginação Pública: O Brincar Ambíguo na Vida Urbana de Hong Kong

Quando pensamos em cidades e vida urbana, costumamos focar em infraestrutura, cultura, comércio, vida noturna e densidade. Em metrópoles que parecem oferecer uma infinidade de atividades — especialmente para adultos —, o brincar raramente entra em pauta. No entanto, o ato de brincar deve ser considerado parte vital da vida urbana. O brincar influencia diretamente a maneira como moldamos nossas futuras cidades, a começar pela forma como as crianças interagem com seus ambientes. A experiência lúdica e, mais especificamente, o desenho e a presença de parquinhos infantis deixam marcas duradouras no desenvolvimento dos jovens nas cidades. Esses espaços constituem a primeira conexão física da criança com a paisagem urbana. Sendo assim, o brincar merece muito mais atenção nos debates sobre bem-estar urbano, habitabilidade e projeto do espaço público.

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Longevidade através da renovação: a sabedoria duradoura das vilas sobre a água de Hong Kong

Embora Hong Kong seja amplamente reconhecida por sua vista icônica do porto, seu skyline cintilante e seu ritmo de vida urbano acelerado, suas origens contam uma história diferente — profundamente enraizada em sua relação com a água. Antes de se transformar em uma metrópole densa e vertical, a identidade arquitetônica de Hong Kong estava estreitamente ligada ao seu contexto marítimo. Hoje, a cidade é frequentemente associada a torres esbeltas e revestidas de vidro que simbolizam a modernidade. Embora visualmente impactantes em sua busca por altura e forma, muitos desses edifícios parecem desconectados de seu entorno imediato, muitas vezes negligenciando as condições naturais do local, a responsividade ecológica e a sensibilidade contextual.

Historicamente, no entanto, o cenário era diferente. Os primeiros ambientes construídos de Hong Kong — vilas de pescadores rurais em áreas como Tai O, Aberdeen e Shau Kei Wan — surgiram por meio de práticas espaciais orgânicas e comunitárias que dialogavam estreitamente com o entorno. Esses assentamentos costeiros e ribeirinhos desenvolveram sistemas arquitetônicos sob medida para o ambiente marinho e para os ritmos da vida pesqueira. As vilas se estruturavam ao redor da água, e as estratégias de construção eram adaptadas às marés flutuantes, ao terreno e ao uso social.

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Vila na Cidade Vertical: Tai Hang e a Sobrevida do Vernáculo de Hong Kong

A arquitetura vernacular em Hong Kong originou-se como uma série de pequenos assentamentos costeiros — comunidades simples, semelhantes a vilas, que refletiam a identidade primordial da cidade como um polo pesqueiro. Essas vilas litorâneas eram tipicamente compostas por casas de baixa altura e estrutura de madeira, agrupadas ao redor de templos, formando comunidades coesas e intimamente ligadas aos ritmos das águas.

Um exemplo notável é Tai Hang, um dos primeiros assentamentos estabelecidos pelo povo Hakka em Hong Kong. Originalmente situada ao longo de um canal de água que descia das montanhas próximas em direção ao mar, a área servia como um ponto vital de lavagem para os moradores da vila — daí seu nome, que significa literalmente "Grande Drenagem". Antes de grandes obras de aterro marítimo, Tai Hang ficava muito próxima da linha de costa. Hoje, localiza-se a quase 700 metros terra adentro.

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Queensway de Hong Kong Reimaginada: Sara Klomps sobre a gênese e a ambição de The Henderson, de Zaha Hadid Architects

É comum que marcos arquitetônicos se concentrem em uma mesma região. Em Tóquio, a icônica Omotesando é um trecho bastante conhecido onde "starchitects" globais construíram lojas-conceito de luxo nos anos 2000. Hong Kong possui uma aglomeração arquitetônica menos conhecida, mas igualmente potente, ao longo da Queensway — embora, historicamente, apresente um caráter mais corporativo e menos voltado ao engajamento público. A partir da década de 1980, esse corredor passou a abrigar uma série de edifícios emblemáticos projetados por alguns dos nomes mais proeminentes da arquitetura mundial: a Sede do HSBC de Norman Foster, a Bank of China Tower de I.M. Pei, o Lippo Centre de Paul Rudolph e, nas proximidades, o Murray Building de Ron Phillips — hoje revitalizado como hotel pelo escritório Foster + Partners. Mais tarde, a região foi ainda mais enriquecida pela renovação do Pacific Place, realizada pelo Heatherwick Studio, e pelo Asia Society Hong Kong Center, projetado por Tod Williams Billie Tsien Architects.

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Construído para durar — ou para mudar? Em defesa da construção a seco em cidades úmidas

Em certas partes do mundo, a construção civil ainda é dominada por sistemas úmidos — concreto, alvenaria e materiais cimentícios que são moldados, curados e fixados no local. Embora isso seja considerado a norma há muito tempo em alguns países do Sudeste Asiático, como Cingapura, Tailândia, Malásia e China, a maioria dessas regiões compartilha uma tendência comum: a mão de obra é relativamente barata. Isso explica, em parte, a viabilidade do concreto, já que uma das desvantagens típicas desse material costuma ser o custo intensivo de mão de obra — o que acaba consolidando o concreto como um sistema construtivo mais barato e eficiente nessas localidades.

No entanto, a região ainda dá pouca atenção ao aspecto da sustentabilidade ao utilizar esses materiais de construção úmidos, frequentemente negligenciando as desvantagens significativas de seu ciclo de vida útil e a dificuldade de reciclagem sem perda de qualidade (downcycling) — o que o torna um dos sistemas construtivos menos sustentáveis disponíveis.

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Patiorismo: Uma Visão para um Futuro Urbano Mais Equilibrado na Grande Área da Baía por Wang Weijen Architecture

Situado em uma das regiões de desenvolvimento mais acelerado na última década — o sul da China, que abrange Hong Kong e a Grande Baía —, o crescimento urbano tem sido impulsionado por uma forte onda de ambição comercial. Os projetos locais costumam ser concebidos para maximizar a densidade, a altura e a eficiência, resultando em empreendimentos de escala colossal que podem facilmente ocupar vários hectares. Ao priorizarem o desenvolvimento orientado ao transporte público (TOD), esses complexos frequentemente assumem a forma de shoppings imensos construídos diretamente sobre grandes terminais de transporte. Projetadas para desorientar e prolongar o fluxo de pedestres a fim de estimular o consumo, essas megaestruturas tornaram-se comuns em cidades como Hong Kong e Shenzhen.

Embora essa tipologia de megaestruturas ofereça vantagens claras — eficiência econômica, alto retorno sobre o investimento e conveniência para os usuários do transporte —, ela quase invariavelmente ignora seu contexto urbano e o meio ambiente. Esses empreendimentos costumam fechar os olhos, deliberadamente, para sua pegada ecológica e para a caminhabilidade da cidade. Em escalas tão esmagadoras, a experiência do pedestre é diminuída, quando não totalmente negligenciada. Os pedestres são interiorizados — confinados no mundo isolado desses complexos.

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Interiores Revelados: Em defesa da autenticidade e clareza material

Feito para durar: o ethos perene dos materiais autênticos

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Detalhes de Arquitetura 101 em Veneza: Carlo Scarpa e David Chipperfield em Diálogo Através do Tempo

Em Veneza, cercada por uma abundância avassaladora de beleza arquitetônica — a imponência de marcos como a Basílica de São Marcos, a Praça de São Marcos e a Ponte Rialto, para citar apenas alguns —, é fácil deixar-se envolver pela imagética icônica e pela imponência espacial da cidade. Com isso, corre-se o risco de perder de vista momentos mais discretos, porém igualmente magistrais, encontrados na execução de detalhes em sua malha urbana. Para além da grandiosidade, a cidade oferece uma riqueza em seus becos sinuosos, canais estreitos e vida urbana vibrante — cada um desses elementos contribuindo para a tapeçaria cultural que torna Veneza tão singular. Em meio a esses elementos consagrados, no entanto, residem detalhes arquitetônicos sutis, mas notáveis, que frequentemente passam despercebidos. Eles merecem uma observação e reflexão mais atentas, pois oferecem um tipo próprio de maestria — fundamentado na precisão material, no fazer artesanal e nos ritmos cotidianos da cidade.

A pouquíssimos passos da icônica Praça de São Marcos, um diálogo arquitetônico silencioso se desenrola entre duas figuras célebres. A menos de um minuto de caminhada de distância, dois projetos meticulosamente executados situam-se em estreita proximidade: o Showroom da Olivetti de Carlo Scarpa, um local de peregrinação há muito reverenciado por profissionais da arquitetura e do design, e a recently reopened Procuratie Vecchie, restaurada pelo escritório David Chipperfield Architects. Um olhar mais atento aos detalhes arquitetônicos incorporados em cada obra revela um intercâmbio fascinante através do tempo — que se desdobra por meio da linguagem material, da precisão espacial e de um compromisso inabalável com o ofício construtivo.

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A inteligência do que resta: sobre o arquivamento e o conhecimento arquitetônico

Quando se fala de inteligência na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, a exposição principal a categoriza amplamente em três domínios: natural, artificial e coletiva. Embora as atenções se voltem principalmente para as performances robóticas e para experimentos materiais de vanguarda—como os tijolos de esterco de elefante de Boonserm Premthada ou a fascinante exibição de picoplâncton do Canadá—, uma forma de inteligência coletiva frequentemente negligenciada, porém fundamental, reside no ato de arquivar.

Diversos pavilhões nacionais expõem essa inteligência coletiva por meio de mostras belamente curadas—o Pavilhão da Espanha, por exemplo, com seu jogo perspicaz de escalas, apresenta maquetes meticulosamente elaboradas que convidam a uma leitura atenta e ao encantamento. Essas coleções curadas oferecem um retrato do presente e, em alguns casos, acenam para o futuro. No entanto, sem um envolvimento crítico com o passado, sem documentar e dar sentido ao nosso conhecimento espacial e arquitetônico compartilhado, o potencial da inteligência coletiva permanece incompleto. O arquivamento não é um mero ato de preservação; trata-se de uma ferramenta generativa para projetar novos futuros.

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Além do Projeto: Arquivando a Arquitetura como Inteligência Coletiva

Quando se fala sobre a inteligência futura da arquitetura, grande parte do esforço histórico tem se concentrado em expandir limites — desafiando normas, explorando alternativas e projetando visões ousadas do que a arquitetura pode vir a ser. O advento do modernismo exemplificou essa abordagem: novos materiais e métodos construtivos radicais deram origem a um futuro arquitetônico amplamente reimaginado. Esse impulso continua hoje, com instituições de pesquisa e escritórios de destaque explorando constantemente técnicas inovadoras, materiais e sistemas de manufatura.

No entanto, um método de imaginação dos futuros da arquitetura costuma ser negligenciado: o ato de revisitar o passado de forma crítica. Aprender com, revelar e documentar práticas espaciais e comunitárias menos conhecidas é igualmente essencial. Essas formas mais sutis de conhecimento — como os espaços foram usados, adaptados e habitados — podem revelar percepções duradouras que moldam futuros mais fundamentados e culturalmente ressonantes. Em vez de buscar a novidade pela novidade, talvez um caminho igualmente significativo consista em construir um arquivo arquitetônico coeso que conecte o passado e o futuro.

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Projetando para a companhia: Reimaginando a vida urbana com animais de estimação

Humanos e animais de estimação há muito compartilham um vínculo profundo e inseparável — e, hoje, a forma como vivemos ao lado deles assume uma importância cada vez maior. Mais do que oferecer companhia, os pets hoje são frequentemente considerados parceiros de vida, proporcionando um forte apoio para a saúde mental e o bem-estar emocional. No entanto, não é apenas a conexão emocional que importa: a maneira como projetamos e curamos os espaços para a coabitação desempenha um papel fundamental na construção de relações espaciais significativas entre os seres humanos e seus companheiros animais.

Seja por meio de móveis sob medida ou de soluções integradas de forma mais fluida, como nichos embutidos e cavidades nas paredes, dedica-se cada vez mais atenção a como podemos coexistir melhor com os animais de estimação em nossas casas. Essa mudança reflete mais do que mera prosperidade financeira ou a posse de um animal; ela sinaliza uma evolução mais ampla do conceito de companhia — enraizada no apoio mútuo, na saúde emocional e em ambientes compartilhados.

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Dia da Terra 2025: Nosso papel ao repensar a sustentabilidade em cidades, escalas e setores

No Dia da Terra de 2025, celebrado anualmente em 22 de abril, somos mais uma vez lembrados dos urgentes desafios ambientais e de sustentabilidade que o nosso planeta enfrenta — desafios que continuam a evoluir juntamente com as transformações econômicas, políticas e culturais globais. O setor da construção civil continua sendo um dos mais críticos no esforço para gerenciar e reduzir as emissões globais de carbono. Este ano, essas questões estão sendo abordadas sob perspectivas cada vez mais diversas, exigindo abordagens mais holísticas e integradas. É fundamental que encaremos a sustentabilidade não como uma solução única e universal, mas sim como um esforço multiescalar — que abrange desde o desenvolvimento urbano em grande escala e o planejamento estratégico até o avanço de materiais sustentáveis e, inclusive, intervenções temporárias e provocativas, como exposições e instalações. Ao fazê-lo, reafirmamos nosso compromisso de reduzir nossa pegada de carbono coletiva, ao mesmo tempo em que moldamos um ambiente construído que promove o bem-estar humano e a saúde do planeta.

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De elemento cotidiano a símbolo cultural: a ascensão e o declínio dos andaimes de bambu em Hong Kong

A tipologia construtiva de andaimes de bambu — temporária, ágil e profundamente enraizada na tradição —, em especial a técnica de construção de teatros temporários de bambu, é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial em Hong Kong. Ao caminhar pela cidade, especialmente nos distritos urbanos mais movimentados, é quase impossível não se deparar com um andaime de bambu em um raio de cinco minutos. O andaime de bambu é, sem dúvida, o material de construção mais emblemático de Hong Kong, valorizado por sua abundância, sustentabilidade, flexibilidade, adaptabilidade e, acima de tudo, escalabilidade. Essas qualidades contribuíram para seu amplo uso na construção temporária, desde a manutenção e reforma de edifícios até palcos de festivais e eventos esportivos.

No entanto, essa característica outrora onipresente na paisagem urbana pode estar desaparecendo lentamente. A escassez de profissionais jovens e qualificados — somada à evolução das regulamentações de construção — tem contribuído para o seu declínio. Em 17 de março, o Departamento de Desenvolvimento (Development Bureau) anunciou planos para "promover uma maior adoção de andaimes metálicos em obras públicas". Na prática, isso significa que o Departamento de Serviços de Arquitetura (ArchSD) em breve exigirá que pelo menos 50% de seus projetos de obras de capital utilizem andaimes metálicos. Embora não represente uma proibição formal, a diretriz sinaliza o que muitos consideram o início de uma eliminação gradual dos andaimes de bambu na construção civil do setor público.

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As tensões silenciosas dos POPS: como as instituições privadas moldam o bem-estar urbano e o acesso público

No desenvolvimento urbano contemporâneo, o conceito de Espaço Público de Propriedade Privada (POPS, na sigla em inglês) tem ganhado cada vez mais destaque. Trata-se de espaços que, embora construídos, pertencentes e mantidos por empresas incorporadoras privadas, têm a obrigação legal de permanecer acessíveis ao público. Frequentemente resultantes de incentivos de planejamento negociados — como bônus de zoneamento ou aumento do coeficiente de aproveitamento —, os POPS tornaram-se especialmente prevalentes em ambientes urbanos densos, onde o solo é escasso e a demanda por equipamentos públicos é alta.

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Domando a natureza: como a arquitetura está redefinindo sua relação com o meio ambiente

A integração de elementos naturais ao projeto arquitetônico é, há muito tempo, uma busca fundamental para a criação de ambientes sustentáveis e confortáveis que melhorem tanto o bem-estar individual quanto a relação entre as edificações e seu contexto circundante. Em áreas de paisagens vastas, a incorporação de elementos naturais é essencial para conectar harmoniosamente a arquitetura ao seu local de implantação. Por outro lado, em ambientes urbanos densos e dominados por estruturas construídas, a introdução de áreas verdes torna-se também cada vez mais vital, reintroduzindo a natureza na chamada "selva de pedra".

Contudo, para além dos elementos paisagísticos convencionais — como fontes de água, paredes verdes, jardins ou pátios —, arquitetos e arquitetas estão redefinindo o que significa construir com a natureza. O foco deslocou-se para uma integração profunda da arquitetura com o seu entorno natural, criando experiências espaciais imersivas que atenuam as fronteiras entre o construído e o orgânico — de certa forma, "domesticando" a natureza. Quando executados com sucesso, esses projetos vão além de promover o bem-estar ou um estilo de vida saudável; eles evocam uma sensação profunda de tranquilidade, força e harmonia, transformando a maneira como percebemos e habitamos o espaço.

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