Jonathan Yeung

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A Cozinha Pública: Como os Mercados Asiáticos Transformam o Ato de Comer em Vida Cívica

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In many Asian cities, eating has never belonged entirely to the private home. It spills into markets, hawker centers, street stalls, and wholesale districts embedded within larger buildings or areas. These are places where the city exchanges information and watches other people pass through. They are not restaurants in the conventional sense, nor are they simply markets. In some way, their vibrancy and usage reflect the society's conditions at that moment. They are public kitchens: shared infrastructures where domestic routines are partially transferred into collective space.

Hong Kong's Municipal Services Buildings and curbside dining are where food is understood not only as culture, but as urban organization. The cooked-food center in the city folds eating into a larger civic machine of wet markets, libraries, and sports halls. The dai pai dong and street-side table, meanwhile, transform the curb into a temporary dining room. Looking beyond Hong Kong, similar questions emerge across the region. How do cities make room for social eating? Where does cooking happen when domestic space is limited? What kind of architecture supports the mess and heat of everyday food?

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A superfície feita à mão: imperfeição, textura e artesanato em interiores chineses contemporâneos

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O artesanato em interiores contemporâneos adquire um valor crescente na maneira como os materiais são unidos e postos em relação uns com os outros. À medida que cresce a demanda por reformas rápidas, baratas e lucrativas, surge também um desejo paralelo por interiores que transmitam uma resolução cuidadosa: espaços onde os detalhes são integrados, as composições de materiais são ponderadas, as transições de textura ocorrem com intencionalidade e as ferragens são tratadas como parte da própria linguagem arquitetônica, e não como um improviso de última hora. Em muitos interiores chineses contemporâneos, o fazer artesanal opera de forma sutil no tratamento de superfícies e estruturas: madeiras que preservam suas irregularidades, terrazzos que registram agregados e o trabalho manual, ou acabamentos que revelam o esmero de sua execução.

Isso assume particular relevância em uma era na qual as imagens digitais priorizam cada vez mais a homogeneidade das superfícies. Interiores renderizados frequentemente parecem contínuos, sem atritos e concluídos antes mesmo de a construção ter início. O fazer artesanal tensiona essa imagem. Ele introduz margens de tolerância, textura, resistência material e a percepção de que a superfície passou pelas mãos humanas antes de se converter em arquitetura. A imperfeição não se traduz necessariamente em falta de precisão. Para o olhar atento que sabe decifrá-la, ela se torna o próprio testemunho do processo de feitura.

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Ambientes que surgem: divisórias deslizantes e o espaço doméstico condicional

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As portas de correr são frequentemente discutidas sob a ótica da eficiência. Elas poupam o raio de abertura de uma porta convencional, facilitam o funcionamento de cômodos compactos e ajudam pequenos apartamentos a ganhar alguns centímetros extras de espaço útil. Contudo, em muitos interiores, seu papel mais interessante não se limita à economia espacial. Divisórias deslizantes transformam a própria leitura do espaço. Um quarto, escritório, quarto de hóspedes, sala de jantar ou espaço de trabalho pode surgir quando um painel é fechado, desaparecer quando ele é aberto e permanecer ambíguo quando o limite é translúcido ou parcial.

Isso torna a divisória deslizante especialmente útil em contextos domésticos moldados pela densidade, por estruturas familiares em mutação, pelo trabalho híbrido e pelas negociações climáticas típicas de regiões como o Leste e o Sudeste Asiático. Ela permite privacidade sem permanência, fechamento sem separação total e abertura sem perda de controle. Ao contrário da parede fixa, ela não impõe uma identidade única ao cômodo. Em vez disso, permite que o espaço doméstico responda ao tempo: dia e noite, visitas e família, trabalho e descanso, exposição e recolhimento.

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“Construindo um relógio suíço de concreto”: Clark Construction sobre as Galerias David Geffen do LACMA

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As recém-inauguradas David Geffen Galleries no LACMA são o resultado de mais de uma década de esforços em diversas frentes: a cidade, o condado, o público, a equipe de arquitetura, as equipes de engenharia, a construtora principal e os diversos profissionais envolvidos na tradução de um projeto ambicioso e visionário em forma construída. O projeto também foi alvo de um escrutínio excepcionalmente intenso, com reações que variam da admiração por sua execução meticulosa e ambição arquitetônica a críticas sobre sua escala, custo, volume de concreto e complexidade estrutural em uma Los Angeles propensa a terremotos. Independentemente do posicionamento de cada um, o edifício continua sendo um estudo de caso excepcionalmente sofisticado de como a arquitetura se viabiliza por meio da construção.

Esta conversa aborda as David Geffen Galleries sob a perspectiva da Clark Construction, a construtora principal responsável por ajudar a concretizar o projeto de Peter Zumthor. Carlos Gonzalez, presidente de grupo na Clark Construction, supervisionou a obra e compartilhou com o ArchDaily alguns dos desafios técnicos, materiais e logísticos por trás do edifício. Estes variam de sua estrutura monolítica de concreto e do amplo sistema de pós-tensão aos 56 isoladores sísmicos que permitem que o edifício se mova durante um terremoto; das condições imprevisíveis do solo perto de La Brea Tar Pits à fabricação de montantes de bronze maciço e à integração de sistemas mecânicos dentro da estrutura de laje dupla de concreto do edifício.

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Antes da sala de estar: Limiares de entrada em residências urbanas compactas

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Em muitas casas, a entrada é tratada como um espaço residual ou uma faixa estreita de transição antes do início da sala de estar. No entanto, em interiores densos da região Ásia-Pacífico, por vezes apesar das dimensões reduzidas, a entrada frequentemente desempenha um papel muito mais complexo do que seu tamanho sugere. Trata-se do limiar que dita a transição: a rua é filtrada, o corpo se ajusta, os sapatos são retirados, as visitas são recebidas, a privacidade é negociada e a ordem doméstica se inicia. Antes que a sala de estar se tornasse reconhecível como interior, a sequência e o espaço de entrada já haviam encenado o primeiro ato do habitar.

O genkan japonês é talvez a versão mais familiar dessa condição, mas essa lógica se estende muito além do Japão. Em apartamentos, casas geminadas, unidades de habitação social e residências urbanas compactas, o limiar de entrada torna-se um dispositivo arquitetônico pequeno, porém potente. Ele gerencia tanto a higiene quanto o sequenciamento espacial por meio de vários elementos arquitetônicos deliberados. Pode ser um piso rebaixado, uma parede espessada, um corredor comprimido, um painel divisório ou um pequeno hall de entrada entre a circulação pública e a vida privada. Sua importância reside não em seu tamanho, mas na quantidade de transições que comporta.

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Entre a casa e a escola, uma fronteira

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Para a maioria das crianças, o trajeto até a escola constitui uma geografia cotidiana de vida urbana e tráfego, repetida com tanta frequência que se torna quase invisível, mesclando-se ao plano de fundo da infância e do crescimento. No entanto, para estudantes transfronteiriços/as que vivem em Shenzhen e frequentam a escola em Hong Kong, o dia escolar começa muito mais cedo e bem mais longe da sala de aula. Começa na fronteira.

Seu deslocamento diário não é apenas uma questão de distância. Ele é moldado por dois sistemas jurídicos, duas culturas administrativas e um conjunto de infraestruturas projetadas para tornar a travessia diária um pouco mais viável para menores de 18 anos. Em uma manhã típica, a rota escolar pode passar por um posto de controle de fronteira antes de chegar à sala de aula. Pode envolver um ônibus escolar autorizado pelo governo, uma via de acesso restrito, um saguão de imigração, um leitor de impressões digitais ou um procedimento de liberação alfandegária realizado enquanto a criança permanece sentada no veículo. O que à distância parece um simples trajeto escolar é, em termos espaciais, um corredor arquitetônico minuciosamente gerido entre duas cidades.

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Políticas do bambu: da prática vernacular à infraestrutura temporal

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O bambu é frequentemente elogiado antes mesmo de ser compreendido. De crescimento rápido, ele carrega uma longa história de culturas construtivas e parece oferecer à arquitetura uma linguagem ecológica imediata. Em fotografias, sua lógica parece quase autoexplicativa: leve, natural, renovável e já alinhado a um futuro mais sustentável. No entanto, essa aparente clareza é justamente o que torna o bambu difícil de discutir com precisão. Uma vez transformado em símbolo de responsabilidade ambiental, o material em si corre o risco de desaparecer por trás da imagem que projeta.

Este é o risco do renascimento contemporâneo do bambu. Ele pode ser facilmente idealizado como um substituto ecológico para materiais industriais, uma atmosfera regional ou uma alternativa mais suave às linguagens rígidas do aço e do concreto. Em cada um desses casos, o bambu é admirado antes que suas condições reais sejam compreendidas. A questão fundamental não é se o bambu é sustentável em um sentido genérico, mas sim que tipo de cultura arquitetônica ele exige: quais formas de conhecimento, manutenção, regulamentação, mão de obra e tempo são necessárias para que sua sustentabilidade se concretize.

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Patrimônio em Movimento: Os Edifícios de Bangkok que Continuam a se Transformar

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O patrimônio arquitetônico não se limita ao que um edifício foi, mas abrange o que ele continua a se tornar: um longo processo de construção, reconstrução e reocupação ao longo do tempo. Onde há oportunidade, essa continuidade gera uma condição estratificada — na qual os/as visitantes podem testemunhar, vivenciar e sentir a transição gradual da estrutura física, da materialidade, da ordem espacial e dos padrões de uso da edificação e, ocasionalmente, até mesmo participar dessa transformação.

No entanto, muitos projetos — sobretudo aqueles impulsionados por imperativos comerciais — optam por não valorizar, ou sequer reconhecer, esse trabalho mais lento de reuso adaptativo e continuidade do patrimônio. Empreendimentos regidos por uma lógica estritamente financeira costumam preferir o caminho mais fácil da demolição e reconstrução: maximizar o coeficiente de aproveitamento, a área construída bruta e a área locável com a eficiência de uma folha em branco. Ainda assim, de tempos em tempos, surge uma oportunidade que nos permite testemunhar — e desfrutar — o processo de "patrimonialização" arquitetônica da cidade em tempo real.

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Da Nuvem à Costa: O Custo Físico da IA nas Zonas de Fronteira de Hong Kong

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Diante da rápida expansão dos centros de dados e das economias de IA na Grande Baía—e paralelamente à celebração da inteligência artificial como ferramenta e "autora", destaque da Bi-City Biennale de Urbanismo\Arquitetura de Hong Kong-Shenzhen de 2025 (Hong Kong)—uma questão paralela torna-se inevitável: como o planejamento e a construção da infraestrutura de IA começam, de fato, a moldar a vida cotidiana? Muitas das instalações já construídas permanecem intencionalmente distantes da experiência diária. A "nuvem" pode ser comercializada como algo imaterial, mas sua arquitetura é profundamente física: ambientes de alta potência, geração intensa de calor e forte demanda de serviços, frequentemente implantados em áreas remotas ou de baixa densidade para aproveitar os custos de terra mais baixos e minimizar atritos com as comunidades vizinhas. A segurança e a gestão de riscos reforçam ainda mais essa lógica. Os centros de dados abrigam informações confidenciais e privilegiadas—ativos corporativos, registros jurídicos, dados governamentais e institucionais—de modo que o isolamento geográfico passa a integrar seu modelo operacional, mantendo as infraestruturas de IA espacial e socialmente fora de vista.

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Crueza Calibrada: Studio 1:1 e a Disciplina do Fazer em Hong Kong e Além

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Em Hong Kong, onde interiores e edifícios de pequena escala são rotineiramente encurralados entre dois extremos — acabamentos de "luxo" de alto brilho, por um lado, e a rusticidade industrial de baixo custo, por outro —, uma terceira postura surge a partir da calibração de ambos: uma execução singularmente precisa, pertinente e materialmente honesta que não depende do orçamento. Trata-se da crueza calibrada. A crueza calibrada descreve uma arquitetura que preserva o caráter direto da matéria e da materialidade — concreto, metal, blocos de alvenaria, estrutura exposta, instalações aparentes —, submetendo-os a um controle rigoroso.

O "cru" não é um mero disfarce, e o "refinado" não significa polimento; trata-se de uma disciplina de execução precisa, que produz espaços equilibrados e ponderados, sem nunca parecerem artificiais ou excessivos. O Studio 1:1 demonstra essa postura de forma consistente em todo o seu portfólio — e sua próxima publicação, Architecture under the Radar: Three Projects in Asia (com prefácio de Nader Tehrani), oferece uma estrutura oportuna para compreender esse ethos não apenas como estética, mas como um método arquitetônico replicável.

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Urbanismo de torre-pódio no Sudeste Asiático: densidade, gestão e o desaparecimento da rua

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Se as redes elevadas revelam uma cidade que caminha cada vez mais acima da rua, o pódio-torre é a tipologia que frequentemente faz com que essa condição pareça inevitável. Em todo o Sudeste Asiático, os projetos de pódio-torre tornaram-se uma das linguagens dominantes do crescimento metropolitano: um sistema que concentra habitação, postos de trabalho, comércio e conexões de transporte público em lotes altamente legíveis e administrados. Sob a perspectiva do planejamento urbano, o modelo pode ser incrivelmente eficaz — absorvendo o congestionamento, formalizando a circulação e gerando densidade rapidamente. No entanto, à medida que se dissemina, a tipologia também levanta uma questão mais sutil: o que ela otimiza e o que ela corrói — especialmente no nível da rua, onde a vida urbana deveria ser negociada, e não curada?

Em termos simples, o pódio-torre é uma estrutura híbrida composta por um pódio de baixa altura e alta taxa de ocupação, que serve de apoio a uma ou mais esbeltas torres verticais. O pódio geralmente carrega o peso logístico e comercial do empreendimento — lojas, estacionamento, carga e descarga, áreas de embarque e desembarque, serviços de apoio e, muitas vezes, terraços de lazer —, enquanto a torre sobrepõe os programas privados acima, sejam eles residenciais, corporativos, hoteleiros ou de uso misto. A promessa é dupla: maximizar a densidade urbana mantendo uma fachada ativa em escala humana, e separar a logística complexa da vida urbana do domínio mais reservado do morar e do trabalhar.

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Construindo no Limite: As Lógicas Concorrentes das Orlas de Nova York e Hong Kong

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O desenvolvimento costeiro em grandes cidades há muito tempo se configura como um terreno de oportunidades e disputas—moldado, a um só tempo, pela busca por capital (vistas privilegiadas, escassez de terras e a promessa de aterros), pelas demandas cívicas por acesso público e por uma vida coletiva à beira-mar, e pelas aspirações contemporâneas de sustentabilidade e de uma identidade urbana marcante. Justamente porque essas agendas raramente se alinham, extrair o potencial máximo de áreas de orla nunca é uma tarefa simples.

Contudo, em Nova York e em Hong Kong, é possível traçar as ambições de cada cidade—a despeito de suas diferentes estratégias, prioridades e lógicas políticas—por meio de um conjunto de projetos fundamentais que ancoram suas linhas costeiras. Lidos em conjunto, esses projetos revelam não apenas o que cada cidade escolhe valorizar, mas também do que está disposta a abrir mão para construir no limite.

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Lu Wenyu: Radicalismo silencioso e a prática do reparo

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Lu Wenyu—cofundadora do Amateur Architecture Studio com o laureado com o Pritzker Wang Shu—moldou muitas das obras mais emblemáticas do escritório na China, incluindo o Museu de História de Ningbo e o Campus Xiangshan da Academia de Arte da China em Hangzhou. Trabalhando frequentemente fora dos holofotes, sua liderança é inequívoca na disciplina da execução e nas funções que assumiu: em 2003, junto com Wang Shu, fundou o Departamento de Arquitetura da Academia de Arte da China, onde também atua como diretora do Centro de Construção Sustentável. Sua prática e ensino formam um ciclo de reciprocidade: as pesquisas realizadas nos estúdios da Academia de Arte da China alimentam continuamente as estratégias de construção no canteiro de obras, ao passo que as lições aprendidas em campo retornam à sala de aula como inteligência material, e não como teoria abstrata.

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Além dos ícones importados: Tao Ho e um modernismo local para Hong Kong

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Quando se conta a história arquitetônica de Hong Kong, ela é frequentemente reduzida a um punhado de ícones. Muitos lembram de imediato de I.M. Pei—laureado com o Prêmio Pritzker e arquiteto da Bank of China Tower em Central (1990), além de obras globais como o Le Grand Louvre em Paris e o Miho Museum em Shiga. Ampliando o olhar, também se encontra uma longa linhagem de arquitetos/as britânicos/as e internacionais cujas marcas moldaram a silhueta institucional da cidade: das obras cívicas de Ron Phillips—com destaque para o antigo Murray Building (1969), hoje The Murray Hotel, e a Prefeitura de Hong Kong (1962)—aos monumentos corporativos e de infraestrutura de Norman Foster, incluindo a torre do Hongkong and Shanghai Banking Corporation (HSBC) (1986) e o Aeroporto Internacional de Hong Kong (1998) e, mais recentemente, o edifício The Henderson (2024), do escritório Zaha Hadid Architects.

No entanto, no mesmo período de Pei e Foster, arquitetos/as locais também produziam edifícios de relevância duradoura—obras que carregavam o legado da Bauhaus, mas o traduziam para uma linguagem nitidamente calibrada para o clima, a densidade e a vida cívica de Hong Kong. Embora esses projetos nem sempre se configurem como ícones comercialmente proeminentes, eles costumam demonstrar um senso mais agudo de responsabilidade social e agenda pública. Entre as figuras mais importantes dessa linhagem está o falecido arquiteto Tao Ho, cujo trabalho e papel público formaram uma vertente mais discreta—mas não menos fundamental—no patrimônio moderno da arquitetura de Hong Kong.

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Além da circulação: soluções de escadas para a vida em espaços compactos na Ásia

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Em muitas cidades de alta densidade na Ásia, a escada costuma ser tratada como um mal necessário. Seja em edifícios de apartamentos, casas ou interiores comerciais, ela é frequentemente ocultada, recuada ou relegada às margens — um elemento a ser minimizado para que mais área possa ser destinada ao espaço "útil". Contudo, à medida que a densidade se intensifica e a metragem quadrada se torna cada vez mais escassa, arquitetos/as e designers são forçados/as a repensar esse enigma vertical.

A questão deixa de ser como ocultar a escada e passa a ser como potencializar sua função: seria ela capaz de se tornar uma adição produtiva ao interior — um dispositivo arquitetônico que vai além de conectar níveis, desempenhando funções duplas (ou múltiplas) em vez de simplesmente consumir área de piso?

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Banquete Urbano no Meio-Fio: A Gastronomia do Terceiro Espaço em Hong Kong

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Em cidades de todo o mundo, a arquitetura se desdobra continuamente na escala das pessoas e das comunidades — não apenas por meio de novos edifícios, reformas ou obras monumentais. Os "terceiros espaços" são especialmente reveladores. Considere o universo culinário à beira da calçada: a forma como sentar-se, servir e permanecer ocupa o limite da rua frequentemente revela os códigos culturais e os hábitos espaciais de uma cidade. Que formas de alimentação e habitação surgiram em resposta ao clima local, às regulamentações e aos costumes sociais — e como elas evoluíram ao longo do tempo?

Em partes da Europa, por exemplo, o al fresco na Itália e o en terrasse na França denominam formas culturalmente específicas de comer em público, trazendo a refeição para o campo urbano — em sintonia com o clima, o ar livre e a sociabilidade passiva de observar quem passa. Desde a COVID-19, Nova York expandiu de forma semelhante as refeições ao ar livre, refletindo um desejo impulsionado pela comunidade de interagir com a paisagem da rua enquanto se come — um "terceiro lugar" cotidiano, ao nível da rua, inserido em uma metrópole densa.

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"Instabilidade calibrada": Daryan Knoblauch sobre construir com tensão, tempo e luz

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O trabalho de Daryan Knoblauch situa-se na interseção entre a arquitetura e a produção cultural ao vivo, com foco em como o espaço se torna legível por meio da tensão e da atmosfera. Em vez de tratar o trabalho temporário como uma categoria menor da arquitetura, Knoblauch aborda instalações, palcos e arquiteturas efêmeras de eventos como problemas disciplinares em sua totalidade — nos quais fechamento, estabilidade, luz e movimento devem ser resolvidos com a mesma seriedade que qualquer edifício, frequentemente sob restrições mais severas e prazos mais curtos.

Ao longo de seus projetos, um fio condutor constante é a tensão produtiva entre a precisão do alto modernismo e uma clareza de montagem intencionalmente crua. Membranas e sistemas leves não são aplicados como meros efeitos de superfície, mas como instrumentos estruturais e espaciais — ajustados ao vento, à carga e à ocupação, e calibrados para produzir uma sublimidade que é tanto sentida quanto vista. Aqui, a efemeridade não é simplesmente uma duração, mas uma condição de projeto: a temporalidade torna as forças — clima, desgaste, performance — mais visíveis e exige uma ética do fazer que é ao mesmo tempo rigorosa e adaptável.

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Uniformemente iluminadas, sem excessos: Repensando a luminosidade nas cidades subtropicais

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No sul da China, existe um mito urbano recorrente — especialmente em Hong Kong, Shenzhen e Guangzhou — sobre a importância de escolher um imóvel que evite a luz poente. Ao longo de décadas, o sol voltado para o oeste tem se mostrado uma condição particularmente difícil de conviver: seu ângulo baixo no fim da tarde, seu agressivo ganho de calor (especialmente no verão) e a maneira como penetra profundamente nos interiores. Com o aquecimento global e as estações cada vez mais quentes e longas, aquele tão romantizado "brilho do entardecer" é cada vez menos vivenciado como romance e mais como ofuscamento, calor e fadiga. Embora essa sabedoria circule como uma regra prática popular, ela carrega uma inegável clareza arquitetônica sobre a orientação dos edifícios: evitar a luz poente não diz respeito apenas ao conforto térmico, mas também a evitar a forma mais forte e intrusiva de iluminação direta — uma luz que incide no ângulo mais implacável, lavando superfícies, achatando a profundidade e transformando os ambientes em campos de desconforto de alto contraste.

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