Jonathan Yeung

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

“O material é onde a história começa”: Studio NEiDA sobre construir através do ofício e do contexto

Áudio disponível

O Studio NEiDA atua na intersecção entre prática arquitetônica, pesquisa e trabalho curatorial, com um foco constante em como os edifícios emergem das condições materiais e culturais de um lugar. Em vez de tratar a materialidade como uma linguagem de acabamento, o estúdio a define como o início de uma narrativa arquitetônica — partindo do que está disponível localmente, a equipe analisa qual conhecimento artesanal existe no território e como esses recursos e habilidades situam um projeto dentro de uma linhagem arquitetônica. Essa abordagem coloca as limitações e possibilidades em primeiro plano como forças produtivas, posicionando o projeto como um processo iterativo de alinhamento da intenção espacial com as realidades da cultura construtiva e da inteligência vernacular.

Ao longo de seu trabalho, os interesses do NEiDA vão além da forma, voltando-se para os contextos sociopolíticos e climáticos que moldam a maneira como a arquitetura é feita e habitada. A equipe enfatiza o aprendizado a partir de práticas de construção sem autoria, vernaculares e informais, como forma de estabelecer uma gramática comum para a intervenção, e descreve a continuidade entre interior e exterior não como uma preferência estilística, mas como uma resposta à vida local e às lógicas de ventilação — onde os espaços externos podem ser tão definidos espacialmente e programaticamente centrais quanto os internos. Nesse contexto, a colaboração não é um elemento acessório: o estúdio destaca a troca no canteiro de obras com artesãos/ãs e construtores/as como uma metodologia fundamental, na qual os projetos evoluem por meio da inteligência coletiva e da comunicação adaptativa.

“O material é onde a história começa”: Studio NEiDA sobre construir através do ofício e do contexto - Image 1 of 4“O material é onde a história começa”: Studio NEiDA sobre construir através do ofício e do contexto - Image 2 of 4“O material é onde a história começa”: Studio NEiDA sobre construir através do ofício e do contexto - Image 3 of 4“O material é onde a história começa”: Studio NEiDA sobre construir através do ofício e do contexto - Image 9 of 4“O material é onde a história começa”: Studio NEiDA sobre construir através do ofício e do contexto - Mais Imagens+ 12

Café ou Chá: Terceiros Lugares, Quiosques e a Arquitetura de Varejo da Duração

Acesso exclusivo | 

"Café ou chá?" é uma daquelas frases que nos acompanham em diversos contextos: ouvida em aviões, após as refeições, em lounges de hotéis e em salas de reunião. Soa como uma pergunta simples — mera preferência, uma rápida ramificação no roteiro de atendimento. No entanto, ela também carrega uma sutil herança cultural. O chá traz consigo a longa história do ritual e do ritmo doméstico, ligada a antigas geografias de comércio e à etiqueta cotidiana. Já o café surge de uma linhagem diferente de circulação, posteriormente industrializada no café moderno e em seus rituais públicos. Em ambos os casos, a bebida nunca é apenas uma bebida; trata-se de uma relação praticada com o tempo e o espaço.

No Leste Asiático contemporâneo, no entanto, "café ou chá" assume cada vez mais outro significado: imperceptível ou inconscientemente, a frase torna-se uma escolha sobre onde se deseja estar. Cada bebida agora carrega uma expectativa espacial. O café pressupõe um ambiente que se pode ocupar — frequentemente um lugar para pausar, trabalhar, encontrar pessoas ou refrescar-se. O chá, apesar de culturalmente onipresente, manifesta-se de forma mais difusa pela cidade — ora como um destino dedicado, ora como um quiosque de alta rotatividade e, muitas vezes, como uma opção padrão integrada a tipologias gastronômicas. O resultado é que uma pergunta formulada em termos de paladar passa a funcionar como um indicador sutil de preferência espacial: se o que se busca é permanência ou velocidade, confinamento ou fluxo, um terceiro lugar ou um nó rápido na rua.

Café ou Chá: Terceiros Lugares, Quiosques e a Arquitetura de Varejo da Duração - Mais Imagens+ 28

Pedagogia no Espaço: O Currículo Oculto das Escolas de Arquitetura

Acesso exclusivo | 

Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam o nosso campo de atuação.

Antes de se tornarem autores e autoras do espaço, estudantes de arquitetura são primeiramente submetidos a ele. Durante anos, trabalham dentro de um edifício que ensina sem se anunciar como um educador. Ele organiza seu esgotamento, sua ambição, sua visibilidade, sua solidão, suas amizades, sua noção de escala e sua relação com o julgamento alheio. Muito antes de um/a estudante conseguir articular uma posição teórica sobre a arquitetura, a escola já lhe ofereceu uma em seu ambiente construído implícito.

Isso não significa sugerir que os edifícios determinem a atuação de arquitetos e arquitetas. A influência é mais lenta e menos direta que isso. O edifício de uma escola de arquitetura opera mais como um currículo oculto: uma disciplina espacial que atua em conjunto com o corpo docente, as ementas, a cultura institucional e a vida estudantil. Ensina por meio do acesso e da obstrução, das adjacências programáticas, da exposição à luz natural e da escala. Produz hábitos de atenção antes mesmo de gerar crenças explícitas.

Pedagogia no Espaço: O Currículo Oculto das Escolas de Arquitetura - Imagen 1 de 4Pedagogia no Espaço: O Currículo Oculto das Escolas de Arquitetura - Imagen 2 de 4Pedagogia no Espaço: O Currículo Oculto das Escolas de Arquitetura - Imagen 3 de 4Pedagogia no Espaço: O Currículo Oculto das Escolas de Arquitetura - Imagen 4 de 4Pedagogia no Espaço: O Currículo Oculto das Escolas de Arquitetura - Mais Imagens+ 36

Reformulando a infraestrutura cultural: sobre o Wonder Cabinet do AAU Anastas, vencedor do Prêmio Aga Khan

Acesso exclusivo | 

Entre os vencedores do Prêmio Aga Khan de 2025 está o escritório AAU Anastas com o seu projeto Wonder Cabinet, na Palestina, cujo objetivo central é servir como um refúgio para a cultura e a criatividade e como uma ponte entre o design e a produção. Para além deste projeto expressivo, o AAU Anastas — que opera a partir de escritórios em Belém, na Palestina, e em Paris, na França — construiu um amplo portfólio desde 2015. Entre suas obras notáveis estão o Dar Al Majous, uma restauração em Belém que desafia as fronteiras entre as esferas doméstica e pública; o Tribunal de Tulkarm (2015), um de seus primeiros projetos, que redefiniu o caráter cívico e o convívio social em um terreno de esquina proeminente em Tulkarm; e The Flat Vault, uma intervenção comercial que adiciona uma abóbada de pedra justaposta a uma loja monástica existente, vinculada a uma igreja construída no século XII pelos Cruzados.

Em meio a essas obras de forte impacto, o Wonder Cabinet provavelmente atraiu a atenção do júri não apenas por sua execução refinada e complexidade espacial em camadas, mas também por sua operação como uma plataforma socialmente geradora — dissolvendo a fronteira entre infraestrutura social e arquitetura. Concebido para apoiar a cultura, a criatividade, o design e a produção, o edifício aspira acolher profissionais da arquitetura, do design, da gastronomia, do artesanato e das artes visuais e sonoras, entre outras áreas. De maneira significativa, o projeto impulsiona o espírito articulado pelo júri de 2025, que caracterizou este ciclo como um ano de fomento à resiliência e ao otimismo por meio do design, demonstrando como a arquitetura pode atuar, simultaneamente, como catalisadora de comunidades e de iniciativas empreendedoras.

Reformulando a infraestrutura cultural: sobre o Wonder Cabinet do AAU Anastas, vencedor do Prêmio Aga Khan - Imagen 5 de 4Reformulando a infraestrutura cultural: sobre o Wonder Cabinet do AAU Anastas, vencedor do Prêmio Aga Khan - Imagen 2 de 4Reformulando a infraestrutura cultural: sobre o Wonder Cabinet do AAU Anastas, vencedor do Prêmio Aga Khan - Imagen 21 de 4Reformulando a infraestrutura cultural: sobre o Wonder Cabinet do AAU Anastas, vencedor do Prêmio Aga Khan - Imagen 3 de 4Reformulando a infraestrutura cultural: sobre o Wonder Cabinet do AAU Anastas, vencedor do Prêmio Aga Khan - Mais Imagens+ 17

Depois de Le Corbusier: Como o Sudeste Asiático transformou a cidade-satélite em um megaprojeto de transporte

Acesso exclusivo | 

O Sudeste Asiático é frequentemente descrito como uma espécie de playground arquitetônico—uma arena onde os ideais modernos e contemporâneos foram testados em escala real por meio de edifícios singulares e icônicos. É fácil traçar uma linhagem por meio de nomes que ajudaram a moldar o imaginário das silhuetas urbanas da região: o Lippo Centre de Paul Rudolph em Hong Kong e o The Concourse em Cingapura; o OCBC Centre de I.M. Pei e a Bank of China Tower em Hong Kong; a Suprema Corte de Cingapura de Norman Foster e o HSBC Main Building em Hong Kong; a Prefeitura de Hong Kong de Ron Phillips; e o Marina Bay Sands de Moshe Safdie. Contudo, essa história familiar—contada por meio de objetos, colonialismo, autoria e formas de assinatura—corre o risco de ignorar uma camada de influência mais profunda e consequente: as lógicas de planejamento e as estruturas de infraestrutura que silenciosamente organizaram a maneira como essas cidades se expandem, se adensam e distribuem a vida cotidiana.

Depois de Le Corbusier: Como o Sudeste Asiático transformou a cidade-satélite em um megaprojeto de transporte - Image 1 of 4Depois de Le Corbusier: Como o Sudeste Asiático transformou a cidade-satélite em um megaprojeto de transporte - Image 2 of 4Depois de Le Corbusier: Como o Sudeste Asiático transformou a cidade-satélite em um megaprojeto de transporte - Image 3 of 4Depois de Le Corbusier: Como o Sudeste Asiático transformou a cidade-satélite em um megaprojeto de transporte - Image 4 of 4Depois de Le Corbusier: Como o Sudeste Asiático transformou a cidade-satélite em um megaprojeto de transporte - Mais Imagens+ 12

Além da rua: clima, comércio e a evolução das redes elevadas de Hong Kong

Acesso exclusivo | 

Em 2012, Cities Without Ground: A Hong Kong Guidebook ofereceu uma das documentações mais claras de uma condição que muitos/as moradores/as vivenciam intuitivamente, mas raramente nomeiam: a dependência de Hong Kong de um urbanismo elevado, ao nível do segundo pavimento. Através de desenhos e de um mapeamento minucioso, o livro capturou como as redes de pedestres da cidade são rotineiramente elevadas acima do nível da rua — separando as pessoas do tráfego, estendendo as fachadas comerciais para além do térreo e negociando uma topografia montanhosa onde a circulação "plana" costuma ser uma façanha da engenharia. Desde sua publicação, esses sistemas ganharam ainda mais destaque — não apenas pela sua complexidade espacial em si, mas pela maneira como redefinem o espaço público como algo contínuo, porém seletivo, conectivo, porém curado.

Esse fascínio, no entanto, sempre carregou um desconforto paralelo. Passagens elevadas podem ser generosas e eficazes, oferecendo deslocamentos protegidos e conectividade confiável. Contudo, elas também levantam questões persistentes: para onde levam essas rotas, quem consegue se conectar e que tipos de programas são convidados — ou excluídos — por esse nível "privilegiado" de circulação? A cidade no nível superior não se limita a evitar os veículos; ela também pode contornar a rua como palco cívico. Com tempo, corre-se o risco de desviar a atenção arquitetônica da vida pública ao nível do chão, desobrigando projetistas de negociar a escala de pedestres, a interface das fachadas e a complexa reciprocidade da rua. Em seus piores momentos, o resultado é uma paisagem de aglomerados de pódios e megaestruturas herméticas — edifícios que simulam conectividade no Nível 2, enquanto permanecem indiferentes ao bairro no Nível 0.

Além da rua: clima, comércio e a evolução das redes elevadas de Hong Kong - Image 1 of 4Além da rua: clima, comércio e a evolução das redes elevadas de Hong Kong - Image 2 of 4Além da rua: clima, comércio e a evolução das redes elevadas de Hong Kong - Image 3 of 4Além da rua: clima, comércio e a evolução das redes elevadas de Hong Kong - Image 4 of 4Além da rua: clima, comércio e a evolução das redes elevadas de Hong Kong - Mais Imagens+ 17

Conforto Projetado, Conforto Comprado: Projeto Passivo e Ar-Condicionado em Hong Kong

Acesso exclusivo | 

Estabelecer o conforto térmico já exigiu uma inteligência arquitetônica muito mais deliberada e calibrada—uma interação entre orientação, volumetria, comportamento dos materiais, potencial de ventilação, sombreamento e a maneira como a luz e as superfícies absorvem e liberam calor. Isso não era apenas uma questão de preferência, mas de necessidade. Quando muitos dos edifícios modernistas do pós-guerra de Hong Kong foram construídos, no final dos anos 1960 e 1970, formando uma parcela substancial da habitação social e do parque residencial da cidade, o ar-condicionado ainda não era um serviço onipresente e padrão. O resfriamento, quando existia, era limitado e distribuído de forma desigual; o conforto precisava ser negociado por meios passivos, através do corte, da profundidade da fachada, de aberturas operáveis e de detalhamentos climáticos. Foi apenas mais tarde, sobretudo ao longo das décadas de 1970 e 1980, à medida que o ar-condicionado se padronizava na região, que o resfriamento mecânico começou a substituir essa matriz anterior de tomada de decisões arquitetônicas.

O ar-condicionado afetou negativamente o espaço arquitetônico, especialmente em Hong Kong e na região vizinha? A afirmação mais precisa é que a dependência generalizada do ar-condicionado reorganizou profundamente a estrutura de incentivos do projeto de edifícios.

Conforto Projetado, Conforto Comprado: Projeto Passivo e Ar-Condicionado em Hong Kong - Image 1 of 4Conforto Projetado, Conforto Comprado: Projeto Passivo e Ar-Condicionado em Hong Kong - Image 2 of 4Conforto Projetado, Conforto Comprado: Projeto Passivo e Ar-Condicionado em Hong Kong - Image 3 of 4Conforto Projetado, Conforto Comprado: Projeto Passivo e Ar-Condicionado em Hong Kong - Image 4 of 4Conforto Projetado, Conforto Comprado: Projeto Passivo e Ar-Condicionado em Hong Kong - Mais Imagens+ 9

O trabalho curatorial como construção da cidade: Marisa Yiu, do Design Trust, reflete sobre exposições e agência espacial

Acesso exclusivo | 
Áudio disponível

Em Hong Kong, onde a arquitetura é frequentemente impulsionada pela lógica imobiliária, pela infraestrutura e pelo desenvolvimento acelerado, o espaço para a experimentação cívica em escala humana pode ser surpreendentemente limitado. É aí que o Design Trust se destaca. Como uma plataforma de fomento e viabilização de projetos, a organização apoia intervenções espaciais que transitam entre arquitetura, pesquisa e programação pública — um trabalho que costuma ser modesto, coletivo ou incerto demais para se encaixar nos fluxos convencionais entre cliente e arquiteto/a.

No centro desse trabalho está Marisa Yiu, cuja liderança posiciona o Design Trust tanto como agente viabilizador quanto como ator cultural. Por meio de iniciativas como o Micro-Parks Hong Kong, além de exposições e programas públicos, a organização trata o discurso e a prototipagem como formas de agência espacial, conectando designers, comunidades, instituições e debates sobre políticas públicas, ao mesmo tempo em que coloca em primeiro plano questões de gestão, manutenção e a "sobrevida" do espaço público.

O trabalho curatorial como construção da cidade: Marisa Yiu, do Design Trust, reflete sobre exposições e agência espacial - Imagen 1 de 4O trabalho curatorial como construção da cidade: Marisa Yiu, do Design Trust, reflete sobre exposições e agência espacial - Imagen 2 de 4O trabalho curatorial como construção da cidade: Marisa Yiu, do Design Trust, reflete sobre exposições e agência espacial - Imagen 3 de 4O trabalho curatorial como construção da cidade: Marisa Yiu, do Design Trust, reflete sobre exposições e agência espacial - Imagen 4 de 4O trabalho curatorial como construção da cidade: Marisa Yiu, do Design Trust, reflete sobre exposições e agência espacial - Mais Imagens+ 19

O calor como parceiro de projeto: árvores, solo e corredores de vento como infraestrutura de resfriamento

Acesso exclusivo | 

"Até 2050, quase todas as crianças do mundo — cerca de 2,2 bilhões de crianças — estarão expostas a ondas de calor frequentes." O alerta do UNICEF é frequentemente interpretado como uma previsão de saúde pública, mas também constitui um desafio para a arquitetura e para a maneira como as cidades são construídas. À medida que o calor extremo se intensifica pela Ásia, Europa e outras regiões, o conforto térmico não deve ser reduzido a um mero serviço interno fornecido por máquinas. O ar-condicionado tornou-se um sistema de suporte à vida para muitas cidades, especialmente em regiões densas, úmidas e em rápida urbanização. Contudo, depender dele como a resposta padrão significa tratar o calor como algo que pode simplesmente ser transferido para outro lugar (gerando calor adicional no processo) — expulso dos interiores para as ruas, becos de serviço, redes elétricas e a atmosfera. Sua expansão eleva a demanda energética, produz calor residual e reforça a desigualdade no acesso ao conforto.

O calor, no entanto, não se restringe ao corpo humano. Ele reorganiza o ecossistema urbano de forma mais ampla: as árvores sofrem com o solo compactado e pavimentos radiantes; pássaros e insetos perdem seu habitat quando a vegetação é reduzida a um paisagismo decorativo; os sistemas aquáticos se aquecem, a vida microbiana se altera, e os materiais absorvem e liberam calor muito depois de o sol ter se posto. O calor não é meramente um problema climático do qual se possa escapar em ambientes fechados. Trata-se de um agente urbano que remodela o espaço público, o trabalho, a mobilidade, o plantio, as escolhas de materiais e as relações frágeis entre a vida humana e a não humana.

O calor como parceiro de projeto: árvores, solo e corredores de vento como infraestrutura de resfriamento - 1 的图像 4O calor como parceiro de projeto: árvores, solo e corredores de vento como infraestrutura de resfriamento - 2 的图像 4O calor como parceiro de projeto: árvores, solo e corredores de vento como infraestrutura de resfriamento - 3 的图像 4O calor como parceiro de projeto: árvores, solo e corredores de vento como infraestrutura de resfriamento - 4 的图像 4O calor como parceiro de projeto: árvores, solo e corredores de vento como infraestrutura de resfriamento - Mais Imagens+ 18

Fórum, Depósito, Labirinto: Rumo a uma ecologia plural de museus

Acesso exclusivo | 

Este artigo faz parte da nossa nova seção Opinião, um formato para ensaios baseados em argumentos sobre questões críticas que moldam nossa área.

Tradicionalmente, a visita a um museu é uma ocasião programada, com uma sequência claramente roteirizada. A chegada é marcada de forma cerimonial — por escadarias monumentais ou limiares, por bilheterias e balcões de informações, por um audioguia e um conciso prefácio institucional sobre missão e história. Esse caráter deliberado de "ocasião especial" decorre da forma como os museus foram concebidos por muito tempo: intencionalmente excepcionais, rigidamente curados e organizados em torno de um arco narrativo específico. Nesse modelo, o museu assume uma voz de autoridade — seu conhecimento é profundo, validado e deve ser respeitado, não contestado —, enquanto a arquitetura e a coreografia reforçam uma maneira única de entrar, aprender e lembrar.

Fórum, Depósito, Labirinto: Rumo a uma ecologia plural de museus - Mais Imagens+ 17

Quão denso é denso demais? O futuro da habitação social nas metrópoles

Acesso exclusivo | 

A densidade nas cidades costuma ser apontada como um modo de vida positivo e desejável. Diversos estudos sugerem repetidamente que uma densidade mais alta pode levar a melhores estilos de vida, a um ambiente mais sustentável e a uma saúde melhor. Em Morte e Vida de Grandes Cidades, a jornalista Jane Jacobs identifica diversas vantagens possíveis da densidade: maior caminhabilidade, comunidades mais unidas e uma concentração de recursos que mantém a diversidade para melhor atender a população.

Naturalmente, uma densidade populacional mais elevada evita a formação de cidades-fantasma e comércios abandonados, que podem se tornar focos de criminalidade. No entanto, essas visões positivas sobre ambientes residenciais densos costumam basear-se em premissas otimistas sobre o urbanismo, como o atrito mínimo entre indivíduos, facilidade de manutenção da higiene e a geração espontânea de diversidade.

Quão denso é denso demais? O futuro da habitação social nas metrópoles - Imagem 1 de 4Quão denso é denso demais? O futuro da habitação social nas metrópoles - Imagem 2 de 4Quão denso é denso demais? O futuro da habitação social nas metrópoles - Imagem 3 de 4Quão denso é denso demais? O futuro da habitação social nas metrópoles - Imagem 4 de 4Quão denso é denso demais? O futuro da habitação social nas metrópoles - Mais Imagens+ 2

Detalhes arquitetônicos do movimento Bauhaus: Revisitando as quinas de vidro e a construção em aço tubular

Acesso exclusivo | 

O design da Bauhaus influenciou a nossa sociedade contemporânea de maneiras óbvias e sutis. Exemplos icônicos incluem os designs de Marcel Breuer, como a Cadeira Wassily e a Cadeira B55, a tipografia da Bauhaus e os princípios do design gráfico que enfatizam linhas limpas, cores primárias e formas geométricas. No entanto, os detalhes construtivos arquitetônicos do movimento Bauhaus são bem menos discutidos. Embora a maioria das pessoas identifique facilmente os edifícios modernos ou da Bauhaus por suas formas geométricas, funcionalidade e materiais industriais, seus detalhes arquitetônicos costumam ser negligenciados. Eles não apenas ecoam a linguagem de design das renomadas peças de mobiliário de Breuer, mas também influenciaram os célebres detalhes arquitetônicos em vidro de Mies van der Rohe. Como os detalhes da Bauhaus eram executados e como eles poderiam ser traduzidos em detalhes contemporâneos hoje?

Detalhes arquitetônicos do movimento Bauhaus: Revisitando as quinas de vidro e a construção em aço tubular - Image 1 of 4Detalhes arquitetônicos do movimento Bauhaus: Revisitando as quinas de vidro e a construção em aço tubular - Image 2 of 4Detalhes arquitetônicos do movimento Bauhaus: Revisitando as quinas de vidro e a construção em aço tubular - Image 3 of 4Detalhes arquitetônicos do movimento Bauhaus: Revisitando as quinas de vidro e a construção em aço tubular - Image 4 of 4Detalhes arquitetônicos do movimento Bauhaus: Revisitando as quinas de vidro e a construção em aço tubular - Mais Imagens+ 15

Projeto Contínuo: Um Caso de Placemaking Iterativo em Long You, China

Acesso exclusivo | 

O papel do/a arquiteto/a tradicionalmente tem sido relativamente bem definido: projetar um edifício, dirigir o projeto, coordenar a logística e orientar a construção até a sua conclusão. À medida que campos especializados proliferaram, em paralelo a uma economia social em rápida mutação, a prática da arquitetura se diversificou, abrindo múltiplos caminhos para que arquitetos e arquitetas contribuam com a sociedade.

Desde a década de 1980, uma das mudanças mais consistentes talvez tenha sido a separação entre o/a "arquiteto/a de concepção" e o/a "arquiteto/a técnico/a responsável". Onde antes um único escritório conduzia o projeto do conceito à conclusão, a internacionalização — somada ao trabalho transfronteiriço, regimes de licenciamento, modelos de contratação e estruturas de responsabilidade civil — incentivou essa divisão. As equipes de projeto definem cada vez mais a direção conceitual e esquemática, para então transferir o desenvolvimento do projeto a arquitetos/as técnicos/as locais para detalhamento técnico, aprovações e execução em canteiro. Esse modelo apresenta vantagens claras — especialização mais refinada, eficiência e, frequentemente, maior rentabilidade (ou serviços oferecidos a custos reduzidos) —, mas também segmenta a profissão e pode distanciar a autoria da execução física.

Qual seria, então, a próxima mudança e que novas sinergias poderiam redefinir o papel do/a arquiteto/a? De que maneira os/as arquitetos/as devem se adaptar ao clima profissional em transformação? Uma trajetória promissora é a transição de objetos singulares e permanentes para um processo contínuo de placemaking — programas iterativos e específicos para cada contexto que prototipam, testam e refinam ideias espaciais em espaço público. Em vez de produzir uma única obra icônica e de grande escala que define um local por décadas, esse modelo privilegia ciclos de criação, uso, avaliação e ajuste na escala comunitária.

Projeto Contínuo: Um Caso de Placemaking Iterativo em Long You, China - Image 1 of 4Projeto Contínuo: Um Caso de Placemaking Iterativo em Long You, China - Image 2 of 4Projeto Contínuo: Um Caso de Placemaking Iterativo em Long You, China - Image 3 of 4Projeto Contínuo: Um Caso de Placemaking Iterativo em Long You, China - Image 4 of 4Projeto Contínuo: Um Caso de Placemaking Iterativo em Long You, China - Mais Imagens+ 24

Rolar e passear: como as redes sociais estão reescrevendo o turismo cultural arquitetônico

Acesso exclusivo | 

Historicamente — a exemplo de outras formas culturais — a arquitetura tem sido documentada, compartilhada e promovida principalmente pela mídia impressa. Livros, periódicos e revistas veiculavam os argumentos e as imagens da disciplina e, como a prática arquitetônica depende fortemente da comunicação visual, os periódicos impressos criavam uma ponte entre as publicações acadêmicas e as revistas comerciais. Ao longo das décadas do pós-guerra, volumes belamente produzidos estabeleciam um ponto de vista coletivo, sinalizando o que o campo profissional amplamente considerava digno de discussão ou exemplar.

Nos principais centros culturais, um punhado de publicações moldava esse discurso: suas perspectivas eram tipicamente sofisticadas, profissionais e cuidadosamente editadas — sintetizando uma produção global difusa em uma pequena constelação de projetos notáveis. É indiscutível que o sistema privilegiava certas práticas e geografias, mas ele também ampliava o alcance da arquitetura para públicos mais amplos. Os edifícios começaram a se fixar no imaginário popular; o turismo cultural — viagens realizadas expressamente para vivenciar a arquitetura — deixou de ser uma raridade para se tornar um ritual.

Rolar e passear: como as redes sociais estão reescrevendo o turismo cultural arquitetônico - Imagen 1 de 4Rolar e passear: como as redes sociais estão reescrevendo o turismo cultural arquitetônico - Imagen 2 de 4Rolar e passear: como as redes sociais estão reescrevendo o turismo cultural arquitetônico - Imagen 3 de 4Rolar e passear: como as redes sociais estão reescrevendo o turismo cultural arquitetônico - Imagen 4 de 4Rolar e passear: como as redes sociais estão reescrevendo o turismo cultural arquitetônico - Mais Imagens+ 4

A Linha de Radiância Frágil: A Luz de Neon como Ateliê, Arquitetura e Arquivo

Acesso exclusivo | 

A fragilidade — e a beleza temporal — do neon cativa o público desde o início do século XX. Apresentado comercialmente pela primeira vez pelo engenheiro francês Georges Claude no Salão do Automóvel de Paris de 1910, o neon se espalhou rapidamente, alcançando ampla popularidade nos Estados Unidos entre as décadas de 1920 e 1950. Em meados do século, ele estava em toda parte nos EUA: dos cassinos da Las Vegas Strip aos motéis de beira de estrada ao longo da Rota 66 e ao espetáculo da Times Square. Na segunda metade do século, no entanto, muitos letreiros foram descartados ou abandonados à deterioração, e diversos municípios restringiram o neon por considerá-lo visualmente espalhafatoso ou de alto consumo energético — apesar do consumo de energia comparativamente modesto da tecnologia. Nos EUA, o interesse renovado pelo neon indiscutivelmente só retornou de forma expressiva no início dos anos 2000.

Em Hong Kong, em contrapartida, o neon foi adotado com um entusiasmo incomum em uma época em que começava a perder popularidade em outros lugares. Mesmo com a desaceleração de suas instalações nas últimas décadas — em grande parte devido à atualização de regulamentos que exigiam a remoção de letreiros suspensos cujas estruturas de suporte não atendiam aos padrões de segurança —, a afinidade da cidade com o neon nunca desapareceu por completo.

A Linha de Radiância Frágil: A Luz de Neon como Ateliê, Arquitetura e Arquivo - Image 1 of 4A Linha de Radiância Frágil: A Luz de Neon como Ateliê, Arquitetura e Arquivo - Image 2 of 4A Linha de Radiância Frágil: A Luz de Neon como Ateliê, Arquitetura e Arquivo - Image 3 of 4A Linha de Radiância Frágil: A Luz de Neon como Ateliê, Arquitetura e Arquivo - Image 4 of 4A Linha de Radiância Frágil: A Luz de Neon como Ateliê, Arquitetura e Arquivo - Mais Imagens+ 16

Interiores Revelados: Em defesa da autenticidade e clareza material

Acesso exclusivo | 

Feito para durar: o ethos perene dos materiais autênticos

Interiores Revelados: Em defesa da autenticidade e clareza material - Image 1 of 4Interiores Revelados: Em defesa da autenticidade e clareza material - Image 2 of 4Interiores Revelados: Em defesa da autenticidade e clareza material - Image 3 of 4Interiores Revelados: Em defesa da autenticidade e clareza material - Image 4 of 4Interiores Revelados: Em defesa da autenticidade e clareza material - Mais Imagens+ 10

Além do Projeto: Arquivando a Arquitetura como Inteligência Coletiva

Acesso exclusivo | 

Quando se fala sobre a inteligência futura da arquitetura, grande parte do esforço histórico tem se concentrado em expandir limites — desafiando normas, explorando alternativas e projetando visões ousadas do que a arquitetura pode vir a ser. O advento do modernismo exemplificou essa abordagem: novos materiais e métodos construtivos radicais deram origem a um futuro arquitetônico amplamente reimaginado. Esse impulso continua hoje, com instituições de pesquisa e escritórios de destaque explorando constantemente técnicas inovadoras, materiais e sistemas de manufatura.

No entanto, um método de imaginação dos futuros da arquitetura costuma ser negligenciado: o ato de revisitar o passado de forma crítica. Aprender com, revelar e documentar práticas espaciais e comunitárias menos conhecidas é igualmente essencial. Essas formas mais sutis de conhecimento — como os espaços foram usados, adaptados e habitados — podem revelar percepções duradouras que moldam futuros mais fundamentados e culturalmente ressonantes. Em vez de buscar a novidade pela novidade, talvez um caminho igualmente significativo consista em construir um arquivo arquitetônico coeso que conecte o passado e o futuro.

Além do Projeto: Arquivando a Arquitetura como Inteligência Coletiva - 1 的图像 4Além do Projeto: Arquivando a Arquitetura como Inteligência Coletiva - 2 的图像 4Além do Projeto: Arquivando a Arquitetura como Inteligência Coletiva - 3 的图像 4Além do Projeto: Arquivando a Arquitetura como Inteligência Coletiva - 4 的图像 4Além do Projeto: Arquivando a Arquitetura como Inteligência Coletiva - Mais Imagens+ 9

Repensando o datum plano: projetando o espaço com inclinação e intenção

Acesso exclusivo | 

Historicamente, a arquitetura e o ambiente construído têm insistido na criação de superfícies planas e rígidas. Em eras passadas, caminhar sem um solo pavimentado significava sapatos cheios de lama, superfícies irregulares, riscos de tropeço, água parada após a chuva e alta manutenção. Por isso, ao moldarmos as cidades, priorizamos um plano horizontal liso, contínuo e sólido. Os benefícios são reais: uma caminhada mais fácil, limpeza simplificada e um programa de necessidades descomplicado — afinal, mobiliários, equipamentos e divisórias preferem uma base nivelada. Essa preferência universal por construir em terreno plano continua sendo a norma e, por muitas razões práticas, provavelmente continuará sendo.

O que poucos percebem é que criar uma superfície verdadeiramente plana é surpreendentemente difícil — e muitos pisos "planos" bem-executados não são perfeitamente nivelados. Eles costumam ser suavemente inclinados, calibrados com declividades precisas para drenagem. Embora os espaços internos nem sempre exijam isso, muitos pavimentos térreos e áreas molhadas incorporam inclinações sutis como medida de segurança — seja para mitigar pequenos alagamentos ou para gerenciar a água que transborda da rua ou do encanamento quando há alguma falha nos sistemas de escoamento.

Repensando o datum plano: projetando o espaço com inclinação e intenção - Image 1 of 4Repensando o datum plano: projetando o espaço com inclinação e intenção - Image 2 of 4Repensando o datum plano: projetando o espaço com inclinação e intenção - Image 3 of 4Repensando o datum plano: projetando o espaço com inclinação e intenção - Image 4 of 4Repensando o datum plano: projetando o espaço com inclinação e intenção - Mais Imagens+ 49