A imagem quase clichê da cerca branca tornou-se sinônimo dos ideais do Sonho Americano. Atrás da cerca, há invariavelmente um gramado perfeitamente aparado, um tapete verde sobre o qual a vida pode se desenrolar. Essa imagem e suas associações não são, contudo, acidentais. Em seu livro "Domesticity at War", Beatriz Colomina observa que, desde a Segunda Guerra Mundial, o gramado assumiu um papel central no imaginário do país, tornando-se inicialmente um a fim de abrir espaço para a diversidade, tanto social quanto ecológica. símbolo da estabilidade dos lares para os quais os soldados esperavam retornar, oferecendo um espaço onde aqueles que ficavam em casa ainda podiam cumprir deveres para com a nação e, após a guerra, propagando a imagem de um estilo de vida idealizado, mantido com muito trabalho e dedicação. Nos últimos anos, o gramado emergiu mais uma vez como um local de conflito, desta vez entre aqueles que esperam preservar essa imagem idealizada e aqueles que buscam romper com a uniformidade a fim de abrir espaço para a diversidade, tanto social quanto ecológica.
Vencedor do Primeiro Prêmio. Imagem cortesia de Buildner
Buildner, em colaboração com a fabricante de materiais de construção Kingspan, anunciou os vencedores da MICROHOME Kingspan Edition, distribuindo um prêmio total de 150.000 EUR. A competição deste ano, agora em sua sétima edição, atraiu arquitetos/as e designers, tanto profissionais quanto estudantes, de 115 países.
O escritório de arquitetura SO – IL revelou os planos para um novo projeto de edifício residencial no bairro de Fort Greene, no Brooklyn. Batizado de 144 Vanderbilt, o empreendimento oferece 26 apartamentos e áreas de lazer que abrangem quase 90.000 pés quadrados (cerca de 8.300 metros quadrados). Segundo o SO – IL, a arquitetura se inspira no patrimônio histórico do Brooklyn, ao mesmo tempo em que incorpora uma abordagem moderna, com volumes escalonados que priorizam as interações comunitárias e o conforto da vida urbana.
O escritório Foster + Partners acaba de revelar o projeto de um novo edifício híbrido de moradia e trabalho em Seul, na Coreia do Sul, que busca redefinir a hospitalidade corporativa por meio de uma abordagem personalizada. A estrutura foi concebida para acomodar profissionais que buscam conciliar trabalho e lazer em um ambiente urbano. Com ênfase no conforto, na funcionalidade e no bem-estar, o edifício incorpora espaços projetados para recepções e eventos, além de salas dedicadas a reuniões e negociações. O projeto também conta com instalações de bem-estar de última geração, criando um ambiente ideal tanto para o trabalho quanto para o relaxamento. O empreendimento é composto por doze unidades privadas, cada uma ocupando um andar inteiro, proporcionando uma experiência de moradia exclusiva e sob medida para as necessidades individuais.
Quando pensamos em espaços que estimulam a meditação, nossa mente costuma viajar para os jardins Zen do Japão, onde linhas puras e um paisagismo meticulosamente planejado convidam à quietude, ou para o design escandinavo, com seus tons neutros e tecidos suaves. Esses estilos evocam uma sensação de calma por meio da simplicidade, característica frequentemente associada às linguagens arquitetônicas japonesa e do norte da Europa. No entanto, a quietude e a meditação não se limitam a esse tipo de cenário. As tradições arquitetônicas latino-americanas também oferecem abordagens potentes — embora muitas vezes preteridas — para os espaços de meditação. Com tons terrosos de terracota, texturas ásperas de adobe, pátios íntimos e uma forte conexão com a natureza, esses ambientes convidam à reflexão por meio do aconchego e da riqueza material, criando espaços que transmitem calma sem recorrer ao minimalismo extremo.
O escritório de arquitetura paisagística SCAPE, em conjunto com o Bjarke Ingels Group, anunciou planos para transformar a Manresa Island, em Connecticut, em um empreendimento voltado ao público, concebido como um polo de aprendizado, exploração e engajamento comunitário. Antes previsto para abrigar residências privadas à beira-mar, o novo plano visa abrir a área como um parque público com amplo acesso à orla, sob a liderança do SCAPE. Além disso, a usina termoelétrica a carvão desativada será convertida pelo BIG em um polo comunitário para diversas atividades, incluindo natação, eventos de pequena e grande escala, pesquisa e salas educacionais. Financiado por um investimento filantrópico privado de Austin McChord, o projeto tem previsão de abertura para 2030, por meio de um desenvolvimento em fases.
House to Watch the Sunset, concreto. Imagem cortesia de Alma Zevi
Alma Zevi escreveu um livro que oferece um relato íntimo e definitivo sobre a trajetória do escultor, pintor e arquiteto suíço Not Vital. Esta obra abrangente investiga a vida nômade de Vital, buscando e construindo lares em diversas cidades, como Paris, Nova York, Pequim e Rio de Janeiro. O livro explora a prática seminal da escultura e os projetos arquitetônicos do artista, apresentando um catálogo com mais de 450 esculturas e obras relacionadas. Com base em material de arquivo e entrevistas pessoais com o artista, Zevi busca traçar um retrato de sua carreira até o momento.
Diante do envelhecimento da população mundial, prevê-se uma das transformações sociais mais significativas do século XXI. A concepção de pátios, jardins, terraços e demais áreas verdes em estabelecimentos destinados à terceira idade traz a oportunidade de fomentar o encontro, a participação em diversas atividades coletivas e a consolidação de espaços de reunião, buscando reduzir a solidão entre as pessoas idosas e potencializar o bem-estar e a interação social em contato com a natureza. Como é possível criar ambientes construídos adaptados às pessoas idosas e suas necessidades?
Na 'The Thai Silk Company', Jim Thompson combina tradição com modernidade no artesanato. Imagem cortesia de Jim Thompson
Hoje, há apenas um punhado de nomes no mundo têxtil contemporâneo que carregam um legado histórico tão significativo e uma biografia tão extraordinária entrelaçada em sua trajetória. Jim Thompson é uma marca repleta de romantismo. Natural de Delaware, ele serviu militarmente no Sudeste Asiático e trabalhou para o Office of Strategic Services (OSS), o serviço de inteligência dos EUA. Com o fim do conflito, estabeleceu-se na Tailândia, construindo uma nova vida fundamentada em seu fascínio pela beleza e pelo fazer artesanal intrínsecos ao país. Naquela época, a tecelagem de seda tradicional era ameaçada pelos tecidos industriais, e foi então que ele descobriu uma comunidade de tecelões e tecelãs de seda excepcionalmente talentosos em Bangkok. Ele trabalhou em estreita colaboração com esse grupo para desenvolver a produção e aproximá-lo de outras comunidades têxteis talentosas, incluindo uma em Pak Thong Chai, Korat — província no nordeste da Tailândia. Seus esforços foram fundamentais para revitalizar a indústria da seda na Tailândia, um legado que perdura até hoje.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140848/elevando-espacos-interiores-com-o-artesanato-textil-modernoMark C. O'Flaherty
Crise, crise, crise... e adivinha? Mais crises. Toda vez que ouvimos essa palavra, tudo parece mais desanimador. No entanto, a questão é a seguinte: a cada desafio surge uma oportunidade. Da escassez de moradia acessível à desaceleração econômica e à emergência climática, há sempre um novo desafio abrindo as portas para novas possibilidades. Contudo, a verdade é que nenhum desses eventos é isolado; eles estão todos interconectados de alguma forma, formando diferentes facetas de uma mesma história. Talvez uma das menos mencionadas, sobretudo no que diz respeito ao ambiente construído, seja a crise alimentar global, que cresce de forma (quase) silenciosa, prestes a assumir o protagonismo. Ela impõe vários desafios para a futura produção de alimentos, especialmente nas cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140783/producao-de-alimentos-voltada-para-o-futuro-integrando-a-agricultura-de-alta-tecnologia-as-cidadesEnrique Tovar
Sanderling Beach Club, fotografia de Francis Dzikowski, Archives of the Paul Rudolph Heritage Foundation. Imagem via Paul Rudolph Institute of Modern Architecture, sob política de uso justo
A Bienal de Arquitectura Latino-americana (BAL), edição de 2025, está com inscrições abertas para destacar jovens talentos da arquitetura latino-americana. Este evento, que acontece em Pamplona, Espanha, visa dar visibilidade internacional a profissionais emergentes e promover um intercâmbio cultural e técnico entre arquitetos da América Latina e o público europeu.
https://www.archdaily.com.br/pt/1021827/bienal-de-arquitectura-latino-americana-2025-chamada-abertaArchDaily Team
Imagine entrar em um ambiente que compreende você por completo, conhece seus hábitos e trabalha ativamente para apoiar seu bem-estar como ocupante. A qualidade do ar poderia ser monitorada e gerenciada, e os ritmos circadianos dos ocupantes poderiam ser rastreados para sugerir estados ideais de produtividade. Profissionais de design de interiores e arquitetura corporativa vêm considerando a saúde e o bem-estar de quem ocupa o espaço em seus projetos para os escritórios do futuro. Ao especular sobre o que o amanhã nos reserva, há argumentos sólidos de que a arquitetura e o design de interiores sencientes serão forças disruptivas na maneira como interagimos com nossos ambientes de trabalho.
A Biblioteca Tianjin Binhai é um edifício icônico projetado pelo escritório MVRDV, localizado na Nova Área de Tianjin Binhai. Sua geometria complexa convida à exploração por meio de técnicas avançadas de visualização, enriquecendo a narrativa e revelando todo o potencial do projeto. Este artigo detalha como o D5 Render ilustra de forma criativa a narrativa visual desta joia arquitetônica através de seus recursos de renderização e animação em tempo real.
O Mies Crown Hall Americas Prize (MCHAP) anunciou o vencedor do quinto prêmio MCHAP.emerge: o Centro de Produção Comunitária Las Tejedoras em Guayas, Equador, projetado pelo/a arquiteto/a da Natura Futura, José Fernando Gómez, e pelo/a arquiteto/a Juan Carlos Bamba. O projeto oferece um polo para artesãs locais, proporcionando-lhes espaços para aprender, criar e expor suas criações têxteis. O anúncio do vencedor foi feito na Conference on Critical Practice, realizada no S. R. Crown Hall de Mies van der Rohe, um evento inaugural que reuniu as quatro propostas finalistas do MCHAP.emerge para abrir discussões sobre o futuro da profissão de arquitetura nas Américas.
A exclusiva tecnologia Mineral LAB eleva a estampa a um patamar ainda mais sofisticado por conta dos relevos e efeitos surpreendentes. A granilha utilizada neste processo oferece ainda resistência ao escorregamento, sem a aspereza dos produtos convencionais. Image Cortesia de Roca Brasil Cerámica
Em 2024, a evolução dos porcelanatos tem elevado a experiência tátil a um novo nível, transformando-os em verdadeiras obras de arte. As coleções, produzidas com tecnologia de impressão de textura mineral, apresentam relevos surpreendentes nas dimensões 120 x 120 cm, 100 x 200 cm, 120 x 250 cm, 160 x 160 cm e 160 x 320 cm, que buscam despertar todos os sentidos. Por trás desse avanço está a Roca Brasil Cerámica, parte do Grupo Mexicano LAMOSA, à frente das marcas Roca Cerâmica e Incepa.
Dois métodos principais de construção são comumente identificados na arquitetura e no design: a construção sólida versus a construção oca. Esses métodos variam significativamente entre diferentes culturas e regiões, especificamente no que diz respeito aos sistemas de divisórias internas, mesmo quando parecem intercambiáveis. Cada um possui suas próprias práticas consolidadas, influenciadas por materiais locais, preferências da mão de obra, condições climáticas e tradições culturais. Quando arquitetos/as e designers se concentram apenas em seu contexto local, é fácil ignorar premissas construtivas mais amplas, o que limita a flexibilidade e a metodologia projetual. Isso levanta uma questão importante: como essas duas abordagens construtivas se diferenciam?
Concentrando-se principalmente nos sistemas internos, as distinções entre a construção sólida e a oca decorrem, em grande parte, da disponibilidade de materiais e das preferências da mão de obra. Por exemplo, nos Estados Unidos e no Japão, paredes estruturadas em montantes (studs), tanto de madeira quanto de metal, são frequentemente utilizadas para divisórias. Por outro lado, o tijolo continua sendo o material predominante para paredes divisórias em regiões como Hong Kong e o sul da China. Por que construímos de maneiras tão distintas, e quais são as vantagens e os desafios de cada metodologia construtiva?
O The Second Studio (antigo The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Diversos temas são abordados com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações descontraídas sobre o cotidiano e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, do escritório FAME Architecture & Design, compartilham o que mais gostam na profissão de arquiteto/a. Eles conversam sobre oportunidades de aprendizado contínuo; criar algo do zero; o companheirismo na arquitetura; o processo de construção; a valorização de elementos naturais e daqueles criados pelo ser humano; desenhos técnicos; o momento em que os projetos de arquitetura são concluídos; e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140509/the-second-studio-podcast-6-motivos-para-amar-a-arquiteturaThe Second Studio Podcast
Nos últimos anos, os revestimentos contínuos que envelopam os espaços internos têm ganhado cada vez mais destaque, sobretudo em ambientes comerciais focados em branding. Um interior contínuo refere-se ao uso de materiais geralmente aplicados em estado líquido que, após a cura, criam superfícies monolíticas e ininterruptas, eliminando a aparência de juntas e emendas—ao menos na aplicação inicial. Uma gama crescente de produtos oferece atualmente diversas opções de cores, texturas e propriedades práticas, tornando esses acabamentos mais versáteis. Curiosamente, o efeito estético de tais interiores assemelha-se de forma singular ao avanço dos softwares de renderização 3D, nos quais o aspecto fluido e contínuo espelha os espaços suaves e idealizados típicos das imagens digitais. Esse efeito também contribui para uma sensação de "ausência de escala", pois a falta de emendas ou juntas visíveis torna mais difícil discernir a dimensão real do espaço, muitas vezes criando a ilusão de que o interior é maior do que realmente é.
O MVRDV revelou seu projeto para o Monaco, um edifício de escritórios de seis pavimentos situado no bairro de Werksviertel, em Munique, que passa por um processo de transformação. A região, anteriormente conhecida por seu passado industrial e, posteriormente, como um polo cultural, vem evoluindo desde 2016 para se tornar um distrito dinâmico de trabalho e lazer. Localizado próximo ao projeto anterior do MVRDV, o WERK12, o edifício Monaco utiliza materiais reciclados e formas marcantes para criar um ambiente corporativo equilibrado de "trabalho e lazer", inspirado no colorido e no espírito criativo da era Kultfabrik.
O turismo, como fenômeno urbano e arquitetônico, expandiu-se para além da simples visitação turística; ele conecta os visitantes às narrativas sociais, culturais e econômicas que as cidades expressam por meio de seus ambientes construídos. Em comemoração ao Dia Mundial do Turismo de 2024, esta coleção de guias de cidades destaca o papel da arquitetura na construção da experiência turística urbana. Atualmente, cidades de todo o mundo erguem-se como testemunhos da engenhosidade humana, da preservação histórica e da inovação moderna. Afinal, a arquitetura versátil de cada localidade oferece uma janela para sua própria identidade, atraindo milhões de visitantes todos os anos que buscam compreender como esses espaços moldam a vida cotidiana e a memória coletiva.
Em 2024, diversas cidades capturaram o imaginário coletivo mundial, cada uma com sua própria narrativa a ser revelada. Seja passeando por Londres, admirando Paris ou mergulhando nos tesouros culturais de Sharjah, sempre há uma história a ser desvendada. Dos canais de Amsterdã às ricas camadas históricas do Cairo, da arquitetura de vanguarda de Barcelona à vivacidade de Santiago, das antigas maravilhas de Roma à diversidade de Istambul e à agitação de Bangkok — cada cidade atesta o espírito resiliente da civilização humana.