Antonia Piñeiro

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De Londres a Houston: quatro iniciativas de pedestrianização em andamento que moldam cidades mais caminháveis

Em toda a Europa e América do Norte, a pedestrianização vem sendo cada vez mais adotada como uma estratégia urbana específica para cada contexto, moldada por pressões econômicas, sociais e espaciais distintas. À medida que as cidades continuam a reavaliar o papel das ruas diante de mudanças econômicas, pressões climáticas e novas dinâmicas de mobilidade, a pedestrianização surge como uma ferramenta nos esforços atuais de transformação urbana. Em Londres, Nova York, Houston e Estocolmo, projetos em andamento focados nos pedestres testam caminhos diversos rumo a cidades mais resilientes e caminháveis, abrangendo desde o planejamento regulatório e obras de infraestrutura até visões de futuro baseadas em pesquisas. A Oxford Street de Londres avança por meio de consultas públicas e reformas de governança para combater o declínio do comércio de rua; o Paseo Park, em Nova York, deixa de ser uma intervenção temporária da pandemia para se tornar infraestrutura urbana permanente; Houston acelera a pedestrianização do centro da cidade em preparação para um evento esportivo global; e a Superline de Estocolmo utiliza pesquisas de projeto para repensar o futuro de uma rodovia que corta a área central. Essas iniciativas revelam como a pedestrianização é ativamente negociada, projetada e construída hoje, adaptando-se às motivações locais e convergindo para o objetivo comum de criar ruas que funcionem como espaços públicos resilientes, e não apenas como vias de tráfego.

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Restauração da Fallingwater de Frank Lloyd Wright e Salone del Mobile.Milano 2026: Resumo da Semana

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Esta semana foi marcada pelo Dia Mundial da Saúde, comemorado anualmente em 7 de abril pela Organização Mundial da Saúde. A edição deste ano lançou o apelo de "Apoiar a ciência", convidando a um engajamento renovado com o conhecimento científico como base para a ação coletiva entre diversas disciplinas. Na arquitetura e no desenho urbano, esse imperativo ressoa em projetos que traduzem pesquisas em estratégias espaciais: desde a implantação de gêmeos digitais para subsidiar o planejamento urbano e a tomada de decisões, até iniciativas de renaturalização (*rewilding*) que integram a biodiversidade como ferramenta para mitigar as mudanças climáticas, além de práticas focadas na materialidade que promovem uma construção consciente dos recursos. Dentro desse panorama mais amplo, trabalhos recentes também destacam a agência social da arquitetura em múltiplas escalas, incluindo um centro de apoio a pacientes com câncer em Kent focado na paisagem, que alinha bem-estar à sensibilidade ambiental; uma instalação urbana em Brescia que funciona como um dispositivo de conscientização cívica sobre a vida na prisão e caminhos para a reintegração; e a transformação de uma rua em Mântua em um espaço público voltado para pedestres e rico em biodiversidade.

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Parc de la Villette inaugura nova fazenda urbana e paisagens renaturalizadas em Paris

O Parc de la Villette, no 19º distrito de Paris, está passando por uma grande transformação que combina uma fazenda urbana recém-inaugurada com a restauração da biodiversidade, como parte de uma estratégia para adaptar o parque de 55,5 hectares às mudanças climáticas. Projetado por Bernard Tschumi em 1982 e inaugurado em 1987, o parque é um marco do modernismo europeu no desenho do espaço público, rompendo com o conceito tradicional de parque metropolitano. Com uma ampliação de 15 mil metros quadrados, este importante pulmão verde no nordeste de Paris está reimaginando seus gramados como um laboratório vivo de educação ambiental, onde animais, plantas e seres humanos coexistem. A ampla renovação dá continuidade à adição da HyperTent de Tschumi em 2022 — uma estrutura em paraboloide hiperbólico que funciona como uma nova bilheteria sobre o pódio da Folie L4 — e marca a transformação mais significativa do parque desde sua inauguração.

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Mais de 40 obras de arquitetura contemporânea pelo Equador registradas por Francesco Russo e Luca Piffaretti

Entre 2023 e 2024, os fotógrafos Francesco Russo e Luca Piffaretti documentaram a arquitetura e as paisagens da costa do Equador, da Cordilheira dos Andes, da floresta amazônica, das Ilhas Galápagos e de cidades como Quito, Guayaquil e Cuenca. O registro fotográfico explora a evolução da identidade do Equador por meio de sua arquitetura contemporânea, analisando como ela se relaciona com o entorno natural, as condições urbanas e os contextos sociais. O acervo resultante inclui mais de 40 projetos de renomados escritórios locais, como Al Borde, Durán & Hermida, Emilio López, José María Sáez, La Cabina de la Curiosidad, MCM+A, Natura Futura e RAMA Estudio, entre muitos outros. A seleção demonstra como a arquitetura pode criar espaços de alta qualidade que respondem às demandas contemporâneas de sustentabilidade e responsabilidade ambiental, combinando criatividade e tecnologia com recursos renováveis, apesar dos constantes desafios econômicos, climáticos e políticos na América Latina e no mundo.

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Equipe multidisciplinar liderada por Coldefy vence concurso de masterplan para transformar área industrial desativada de Budapeste em distrito urbano renaturalizado

Uma equipe liderada pelo escritório de arquitetura francês Coldefy, composta por CITYFÖRSTER, Sporaarchitects, TREIBHAUS.LAND e Marko & Placemakers, venceu o concurso para projetar o plano diretor de Rákosrendező, em Budapeste, com visualizações desenvolvidas pelo ZOA Studio. O projeto foi encomendado pelo Centro de Gestão de Ativos de Budapeste, atuando em nome da Prefeitura de Budapeste. A proposta apresenta um plano de 15 anos para transformar uma área industrial desativada (brownfield), há muito considerada o "cinturão de ferrugem" da cidade, localizada na porção leste da capital húngara. O plano de regeneração urbana prevê mais de 10.000 apartamentos, novas conexões de transporte e espaços comerciais e cívicos, consolidando uma estratégia abrangente de redesenho urbano alinhada aos princípios da cidade de 15 minutos.

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UNS e Settanta7 são selecionados para projetar a Linha 2 do Metrô de Turim como uma rede de 32 estações

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A proposta de projeto do escritório UNS para a nova Linha 2 do Metrô de Turim, desenvolvida em colaboração com Settanta7, Mijksenaar, Frigorosso, 3BA e WSP, foi selecionada por um júri internacional de especialistas presidido por Dominique Perrault. A proposta baseia-se na ideia de "fluxo", um conceito que historicamente moldou a cidade italiana, desde os rios Pó e Dora até os 18 quilômetros de pórticos em arco que estruturam a circulação de moradores/as e visitantes. O projeto prevê a Linha 2 como um novo "rio urbano", guiado por três princípios de design para facilitar esse fluxo: branding, experiência de trânsito e escalas de identidade. Com 32 estações planejadas no total, a fase inicial de projeto inclui 10 estações, entre elas Mole Giardini, San Giovanni Bosco e Carlo Alberto.

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Do desconstrutivismo a conquistas que romperam barreiras: o legado de Zaha Hadid 10 anos após seu falecimento

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Entre 23 de junho e 30 de agosto de 1988, o Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York realizou uma exposição intitulada Deconstructivist Architecture, como parte de um programa "concebido para examinar os desenvolvimentos atuais na arquitetura". Com curadoria de Philip Johnson e Mark Wigley, a mostra focou no trabalho contemporâneo de sete profissionais da arquitetura internacional: Coop Himmelblau, Peter Eisenman, Frank Gehry, Rem Koolhaas, Daniel Libeskind, Bernard Tschumi e uma jovem Zaha M. Hadid. Aos 37 anos, seu trabalho foi apresentado ao mundo como um exemplo do "surgimento de uma nova sensibilidade na arquitetura". O material exposto não era uma maquete ou uma planta, mas sim uma pintura, intitulada The Peak, enviada para um concurso de arquitetura em Hong Kong em 1983. A partir desse ponto de partida, sua contribuição para a arquitetura se aprofundou nas mesmas linhas reconhecidas na época de sua inclusão na mostra: o desenvolvimento de uma linguagem arquitetônica distinta, matemática e, em suas próprias palavras, "fluida", além de sua emergência como uma figura feminina de liderança em um campo historicamente dominado por homens.

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Arquitetura pop star: BIG projeta estádio multiuso para a turnê mundial de Shakira em Madri, Espanha

O fato de Kanye West transformar em ruína uma casa de praia projetada por Tadao Ando em Malibu, Ellen DeGeneres e Portia de Rossi comprarem e revenderem a Brown-Sidney House, projetada por Richard Neutra em 1955, e o estilista Marc Jacobs reformar uma residência assinada por Frank Lloyd Wright nos arredores de Nova York são apenas alguns exemplos da relação de estrelas do pop com a arquitetura de relevância histórica. Celebridades, assim como atletas de futebol, formam um grupo de elite caracterizado por uma alta concentração de riqueza e grande prestígio social. Elas não são apenas compradoras de arquitetura de alto padrão como propriedade autoral e capital cultural, mas também agentes de sua preservação e promoção. Este ano, novos exemplos dessa atuação surgem sob uma perspectiva mais abstrata, porém também mais popular: desde a cenografia da apresentação de Bad Bunny no Super Bowl até o novo estádio projetado para Shakira pelo BIG-Bjarke Ingels Group, a arquitetura é utilizada como veículo para promover a identidade latino-americana.

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Peterson Rich Office projeta galerias permanentes para a coleção de arte africana do Museu do Brooklyn

O Brooklyn Museum, em Nova York, anunciou a ampliação de seu edifício neoclássico — um patrimônio histórico tombado pela cidade de Nova York — para incluir novas galerias dedicadas à sua histórica coleção de arte africana. O projeto de renovação e criação das galerias permanentes foi desenvolvido pelo escritório de arquitetura Peterson Rich Office (PRO), sediado no Brooklyn e com experiência em espaços expositivos contemporâneos, em consultoria com o escritório Beyer Blinder Belle Architects & Planners para a preservação histórica do museu. A proposta transforma espaços anteriormente subutilizados que serviam como depósitos, marcando um novo marco na série de reformas desta instituição com mais de 200 anos de história. Pela primeira vez, as galerias de arte egípcia do museu serão conectadas às novas galerias africanas, unindo o norte da África ao resto do continente para oferecer ao público uma visão coesa do rico legado artístico africano.

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Reflexões disciplinares para um planeta em transição e um novo terminal aeroportuário em Casablanca: O resumo desta semana

Nesta semana, a arquitetura apresenta novas visões de futuro em um cenário geograficamente diverso, com projetos emblemáticos e iniciativas de renovação surgindo na Arábia Saudita, Taiwan, Bahrein, Alemanha, Itália, Austrália, Marrocos e Burundi. Novas plataformas para discutir o futuro urbano destacam a descolonização e a crise climática como prioridades centrais para a prática arquitetônica contemporânea. Ao mesmo tempo, perspectivas contrastantes sobre a regeneração urbana se refletem tanto na demolição de estruturas emblemáticas recentes quanto na transformação em larga escala de antigas áreas industriais. Em outra frente, os Jogos Olímpicos continuam a atuar como catalisadores para a produção arquitetônica, como demonstra a proposta de um novo centro esportivo na Austrália para Brisbane 2032. Esse impulso coincide com importantes desenvolvimentos de infraestrutura internacional na África, incluindo um novo terminal aeroportuário no Marrocos, bem como projetos que repensam espaços de pesquisa e engajamento público, como o novo edifício para o Fórum da Língua Alemã.

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A Primeira Bienal Pan-Africana estabelece uma plataforma para um futuro da arquitetura descolonizado e liderado por africanos

A Bienal Pan-Africana (PAB) é uma plataforma de debate e intercâmbio sobre arquitetura que reúne, pela primeira vez, todos os países do continente africano. Com o objetivo de destacar as contribuições africanas para a área, a iniciativa busca mudar a narrativa de fragilidade para uma de resiliência, promovendo a conscientização sobre as tradições, o design, a cultura e a memória coletiva do continente. O evento inaugural, com duração de uma semana, está programado para ocorrer em Nairóbi, no Quênia, com início em 7 de setembro de 2026. Como a primeira bienal de arquitetura deste tipo no continente e um evento altamente antecipado, a semana de abertura contará com exposições, instalações, palestras e debates principais, além de eventos públicos por toda a cidade e em outras sedes satélites. Com curadoria do/a arquiteto/a somali-italiano/a Omar Degan, a bienal visa transformar o discurso arquitetônico ao ampliar as contribuições de escritórios que representam as 54 nações africanas, exibindo trabalhos enraizados em contextos, materiais e narrativas culturais locais.

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Metropolitan Village do OMA avança rumo à conclusão no distrito de Xinyi, em Taipé

O Metropolitan Village, do escritório OMA, também conhecido como Taipei Xinyi–Wenchang Residence, é uma nova torre residencial de grande altura localizada no Distrito Central de Negócios de Xinyi, em Taipé. O projeto, liderado por David Gianotten e Chiaju Lin, com a HCCH & Associates Architects Planners & Engineers como colaboradora local, oferece 11.961 m² de área útil residencial em um lote de 736 m². Com 95 metros de altura e 23 pavimentos, o edifício segue o conceito de uma "vila vertical", refletindo a fronteira cada vez mais fluida entre moradia e trabalho identificada pela equipe de arquitetura na Taipé pós-pandemia. Encomendado pela Continental Development Corporation, o projeto teve suas obras iniciadas em 2024 e tem conclusão prevista para 2027. Imagens recentes mostram o andamento da construção, com a instalação do elemento estrutural mais alto em curso.

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Settanta7 avança com o projeto de regeneração urbana Bosco della Musica em Milão

O escritório de arquitetura Settanta7 iniciou a construção do Bosco della Musica, um novo campus para o Conservatorio Giuseppe Verdi em Milão. O terreno está localizado em Rogoredo, uma antiga área industrial no sudeste da cidade, que atualmente atrai atenção devido a episódios de violência e preocupações com a segurança pública. Por conta disso, a região é o foco de iniciativas de desenvolvimento do Ministério da Infraestrutura e dos Transportes da Itália, incluindo o concurso para este projeto, vencido pela Settanta7 em 2022. O escritório é responsável pelo projeto e supervisiona a coordenação de todas as disciplinas como consultor principal para a construção de todo o empreendimento: um programa de regeneração urbana mais amplo que engloba a revitalização do terreno de 17.400 m² e o reúso adaptativo do edifício industrial "Ex Chimici", além da construção de quatro novos edifícios — três dedicados a atividades educacionais e um destinado a habitação estudantil.

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Kéré Architecture projeta centro de saúde no Burundi utilizando materiais locais e construção comunitária

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O escritório Kéré Architecture projetou um novo centro de saúde na região de Bubanza, no Burundi, cerca de 40 quilômetros ao norte da antiga capital do país, Bujumbura. Comissionado pela ONG Ineza Clinic, o projeto visa melhorar o acesso à saúde para a população rural da região, complementando os serviços do hospital geral já existente, com foco em maternidade e atendimento cirúrgico especializado. O plano de Francis Kéré distribui o programa em dez pavilhões conectados por uma via que sobe a encosta em zigue-zague em direção a um centro de visitantes, formando um complexo de 3.000 m². O projeto combina materiais provenientes da região circundante, artesanato tradicional e transferência de conhecimento, minimizando sua pegada de carbono, apoiando a economia local e fortalecendo as equipes da região. A construção já foi iniciada, e a conclusão da primeira fase está prevista para este ano.

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Concéntrico 2026 apresenta instalação de Smiljan Radić e 26 intervenções urbanas em Logroño, Espanha

O Concéntrico, laboratório espanhol de inovação urbana que explora novas formas de habitar o espaço público por meio de instalações urbanas temporárias, apresentou o programa de sua próxima edição em 17 de março, juntamente com suas principais linhas de trabalho para a temporada 2025–2026. O festival convida profissionais da arquitetura, do design, das artes e da pesquisa de diferentes geografias a proporem intervenções que ativem praças, ruas, margens de rios e espaços vazios na cidade. A edição deste ano conta com a participação de Smiljan Radić, recentemente laureado com o Prêmio Pritzker de Arquitetura, que desenvolverá uma estrutura leve, dobrável e temporária construída com tecidos plásticos industriais, sob o conceito de um "circo pobre". Outras 26 equipes, incluindo três escritórios selecionados por meio das chamadas abertas internacionais do festival, farão intervenções no espaço público de Logroño de 18 a 23 de junho de 2026, com projetos que vão de estruturas responsivas ao clima a ativações efêmeras do espaço público.

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Masterplan da Benoy para o City Walk em Abuja apresenta distrito de uso misto com a torre mais alta da África

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Abuja foi declarada a capital da Nigéria em 12 de dezembro de 1991. Localizada na região central do Território da Capital Federal (FCT), a cidade substituiu Lagos, a litorânea mais populosa do país, em um processo de reforma estrutural que visava à integração nacional e a um desenvolvimento regional mais equilibrado. Assim como em outras transferências de capitais, a mudança ocorreu por razões estratégicas para transformar Abuja no novo centro administrativo do país, frequentemente chamado de "o centro da unidade". A cidade foi concebida como um núcleo planejado com base em um plano diretor desenvolvido pelo consórcio norte-americano International Planning Associates (IPA). Mais de três décadas depois, um novo plano diretor intitulado "City Walk" foi desenvolvido pela MAG International Links Limited com projeto do escritório Benoy, concebido como um distrito de uso misto que integra hotéis, escritórios, residências, comércio, além de instalações culturais, educacionais e de saúde, ao lado de uma torre de 450 metros de altura e uma arena coberta para 13 mil pessoas, distribuídos por 250 hectares.

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Crise de acessibilidade à moradia: respostas arquitetônicas e de políticas públicas da Espanha, França, Austrália e Estados Unidos

A crise habitacional atual é um fenômeno global que pode ser amplamente dividido em dois grandes problemas: a escassez de edifícios residenciais e as barreiras de acesso aos que já existem. O déficit é real e concreto no que diz respeito ao que a ONU chama de "moradia adequada para todas as pessoas". Segundo o ONU-Habitat, estima-se que 96.000 novas unidades habitacionais precisariam ser construídas por dia para atender às necessidades da população até 2030. As mudanças climáticas e as migrações forçadas estão ampliando essa lacuna. No entanto, 2,8 bilhões de pessoas em todo o mundo — o que representa quase 40% da população global — não têm acesso a um abrigo estável, terra segura e serviços básicos de saneamento, não apenas pela subprodução, mas também devido a uma barreira econômica: uma crise de acessibilidade financeira. À medida que a demanda cresce e os preços sobem, a moradia, que hoje funciona cada vez mais como uma forma de seguridade social, torna-se alvo de renda de aluguel e especulação imobiliária. Sendo a moradia adequada um direito humano, cresce em todo o mundo a pressão sobre governos e entidades privadas para limitar a especulação e garantir o acesso justo às habitações existentes. A seguir, apresentamos quatro exemplos de iniciativas na Espanha, Austrália, França e Estados Unidos que buscam ampliar com urgência o acesso à moradia e, ao mesmo tempo, conter a especulação.

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Lesley Lokko recebe o Prêmio de Ícone Cultural Africano por suas contribuições ao ensino e ao discurso da arquitetura

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Lesley Lokko OBE foi agraciada com o African Cultural Icon Award, que homenageia "líderes nas artes criativas que promovem a cultura e o patrimônio africanos em um cenário global". A honraria é um dos nove prêmios concedidos anualmente a personalidades indicadas pelo público e recomendadas pelo setor, avaliadas por um júri de toda a África. As pessoas indicadas são avaliadas com base no "impacto, inovação, sustentabilidade e contribuição para o crescimento da África". Lokko é fundadora e presidente do African Futures Institute (AFI), com sede em Acra, Gana, e diretora do Nomadic African Studio, um programa de ensino itinerante anual com duração de um mês que atua em todo o continente africano. A profissional foi reconhecida por suas contribuições transformadoras para a arquitetura, a educação e o discurso cultural dentro e fora da África, desafiando constantemente as narrativas convencionais sobre identidade, espaço e criatividade africanas.

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