Como a arquitetura e o projeto de edifícios se adaptaram a usos futuros imprevistos? À medida que as cidades evoluem, suas necessidades em relação às edificações inevitavelmente mudam. Os edifícios podem transitar entre funções culturais, comerciais, industriais e corporativas, dependendo da identidade e da atividade econômica de cada centro urbano. Em um mundo cada vez mais dinâmico e acelerado, torna-se essencial considerar os desafios que as estruturas estáticas enfrentam ao serem demandadas a atender novas necessidades. As cidades têm reaproveitado essas estruturas estáticas de maneiras não previstas em seus projetos originais, com muitos casos de sucesso na reconversão de edifícios industriais. Diferentemente de estruturas projetadas com foco na flexibilidade, a maioria das instalações fabris não foi inicialmente pensada para usos múltiplos. No entanto, de que forma as cidades, as comunidades e os/as ocupantes têm utilizado esses espaços, e quais são os desafios de transformar os usos existentes de um edifício?
O Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais da área criativa em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões aprofundadas e debates pessoais.
Diversos temas são abordados com honestidade e bom humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros apresentam dicas para outros/as designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. O Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, discutem o modelo Design-Build na construção residencial. Eles abordam a definição do modelo; a ausência de arquitetos/as licenciados/as em empresas de Design-Build; eficiência e economia; qualidade da construção; de que forma os custos são reduzidos; a falta de transparência; quem deve ou não contratar essas empresas; entre outros pontos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140675/the-second-studio-podcast-o-s-problema-s-do-design-buildThe Second Studio Podcast
Impulsionada pelas ardentes aspirações de crescimento e desenvolvimento da nação, a paisagem social, econômica e física da Índia se transformou. Uma parcela significativa da população da região está em idade ativa e constitui um mercado de dimensões massivas, tornando a Índia uma terra de oportunidades, especialmente aos olhos de investidores/as estrangeiros/as.
Refletindo esse contexto, múltiplas megacidades e megaprojetos caracterizam o ambiente construído e impulsionam a nação rumo ao status de superpotência. Por outro lado, esses projetos visionários, somados à tendência de rápida urbanização, também trazem consigo uma série de efeitos colaterais — a disseminação de assentamentos informais e, consequentemente, os desafios para o desenvolvimento equitativo.
John Pawson é um renomado arquiteto e designer britânico, amplamente reconhecido por sua abordagem minimalista, que valoriza a simplicidade, a proporção e a autenticidade dos materiais. Em seu trabalho, explora o espaço e a luz com profundidade, depurando cada elemento até sua essência para criar ambientes que promovem tranquilidade e foco. Seu portfólio abrange residências privadas, galerias, igrejas e monastérios, cada um exemplificando sua dedicação à pureza material e à harmonia espacial. Ao equilibrar linhas limpas, texturas naturais e detalhes sutis, Pawson estabelece uma elegância moderna e uma qualidade atemporal que o consagram como um pioneiro do minimalismo arquitetônico.
Dos desenhos a nanquim em papel vegetal aos modelos digitais 3D altamente detalhados, o papel do/a arquiteto/a evoluiu, e os softwares de projeto de última geração estão capacitando os/as profissionais de hoje com dados valiosos e flexibilidade projetual. No passado, o trabalho era meticuloso e exigia um enorme esforço manual, com cada linha e detalhe desenhados à mão com o auxílio de réguas e outros instrumentos. Com o tempo, programas como o Revit revolucionaram o campo ao permitir a criação de desenhos precisos e organizados digitalmente, simplificando edições e a replicação de componentes.
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Cortesia do Architecture & Design Film Festival
Uma jornada pelo legado de Eileen Gray e sua casa mais famosa na Riviera Francesa, "E.1027 – Eileen Gray and the House by the Sea", dos diretores Beatrice Minger e Christoph Schaub, convida o espectador a adentrar o complexo legado da pioneira arquiteta irlandesa e sua visão única do modernismo. Projetada no final da década de 1920, a casa não apenas materializa o gênio arquitetônico de Gray, mas também carrega a sombra de uma narrativa desconfortável envolvendo Le Corbusier e Jean Badovici. Através de seu documentário de ficção, Minger e Schaub iluminam a obra inovadora de Gray e criticam as narrativas predominantes de dominância masculina na história do modernismo.
Projetos de infraestrutura de grande escala frequentemente buscam conectar locais distantes dentro de áreas urbanas, facilitando o transporte, a logística e as atividades comerciais ao longo de suas rotas. Contudo, embora esses projetos interliguem destinos distantes, sua presença física marcante pode afetar significativamente as comunidades locais. Isso pode resultar no isolamento e no distanciamento de bairros anteriormente conectados, na desestruturação de espaços públicos e, de modo geral, em experiências negativas ao ar livre causadas por ruídos, poluição e pela falta de atenção e manutenção dessas infraestruturas.
Ainda assim, diversos projetos bem-sucedidos no ambiente construído conseguiram reintegrar infraestruturas controversas às comunidades por meio de um desenho urbano cuidadoso de espaços abertos. A Coulée verte René-Dumont, em Paris, desponta como um dos primeiros exemplos, enquanto o High Line de Nova York é um dos mais célebres. O High Line demonstra como intervenções ao ar livre bem concebidas podem mitigar o distanciamento causado por grandes infraestruturas, promover a reconexão comunitária, funcionar como polos culturais e econômicos e, inclusive, impulsionar o desenvolvimento imobiliário de seu entorno, como ocorreu em Hudson Yards.
Na virada do milênio, o mundo foi dominado pela ameaça iminente do Bug do Milênio (Y2K), uma falha potencial nos sistemas de computadores que poderia paralisar desde o setor bancário até a aviação. Conforme a meia-noite de 31 de dezembro de 1999 se aproximava, pessoas sacavam suas economias, grandes corporações emitiam alertas e governos se mobilizavam para evitar a histeria coletiva. No entanto, quando o sol nasceu em 1º de janeiro de 2000, o temido bug não causou nenhum impacto real, e a crise se dissipou tão rapidamente quanto havia surgido. Contudo, esse período deixou marcas em lugares inesperados — especialmente na arquitetura. Em meio à ansiedade em relação à tecnologia digital, nascia uma das casas de espetáculo mais icônicas do nosso tempo, a Casa da Música, no Porto. Projetada pelo OMA (Office for Metropolitan Architecture), sua origem remonta a um projeto muito menor: a Y2K House. O que começou como uma investigação sobre a domesticidade privada durante o pânico digital evoluiu para uma estrutura pública monumental — uma transição arquitetônica da esfera residencial para uma sala de concertos.
A ascensão da sustentabilidade e da economia circular está transformando a indústria da construção, o que tem gerado uma crescente demanda por novos postos de trabalho especializados. Funções como a de gestor/a de sustentabilidade ou consultor/a em economia circular estão se tornando cada vez mais comuns nos projetos atuais.
Em meados do século XX, a maioria dos países do continente africano conquistou sua independência. Aquele período de euforia trouxe sentimentos voltados para o futuro e o desejo de romper com o passado. Como movimento arquitetônico, o modernismo era ideal para a época, e as nações recém-independentes criaram amplos programas de construção para se firmarem como Estados plenamente soberanos.
Os hotéis são uma tipologia que ilustra de forma exemplar a complexa história arquitetônica e política da época. Alguns foram construídos especificamente para abrigar delegações internacionais, outros para impulsionar o turismo, e outros ainda surgiram do desejo de líderes fortes. Embora constituam uma tipologia edilícia secundária, diversos hotéis pela África permanecem como registros físicos de episódios importantes da história de seus respectivos países. Após explorar as trajetórias dos hotéis modernistas da África Ocidental, este segundo artigo se volta para a África Oriental para revelar como essa tipologia discreta se articula com narrativas mais amplas de independência e identidade nacional.
Imagine entrar em um ambiente que compreende você por completo, conhece seus hábitos e trabalha ativamente para apoiar seu bem-estar como ocupante. A qualidade do ar poderia ser monitorada e gerenciada, e os ritmos circadianos dos ocupantes poderiam ser rastreados para sugerir estados ideais de produtividade. Profissionais de design de interiores e arquitetura corporativa vêm considerando a saúde e o bem-estar de quem ocupa o espaço em seus projetos para os escritórios do futuro. Ao especular sobre o que o amanhã nos reserva, há argumentos sólidos de que a arquitetura e o design de interiores sencientes serão forças disruptivas na maneira como interagimos com nossos ambientes de trabalho.
Projeto desenvolvido pelo estudante Jonah Ring, durante o InArch 2024. Imagem cortesia de UC Berkeley
Você está pensando em seguir carreira em arquitetura ou design ambiental? O College of Environmental Design (CED) da UC Berkeley oferece programas de verão imersivos que podem ajudar você a decidir se esses campos criativos são a escolha certa para o seu futuro. Independentemente de você já atuar como profissional ou de ser estudante de graduação ou do ensino médio, os Programas de Verão do CED oferecem uma oportunidade valiosa para explorar a arquitetura, o design urbano, o planejamento urbano sustentável e a arquitetura de paisagem.
É possível imaginar uma experiência de aprendizado na qual o conhecimento arquitetônico tradicional se funde perfeitamente com jogos, IA, simulação e realidade aumentada (RA)? É exatamente isso que o currículo do MA2 do SCI-Arc oferece. Essa combinação inovadora não apenas capacita estudantes com habilidades essenciais em projeto, teoria e prática tradicionais, mas também oferece as ferramentas necessárias para explorar tecnologias de ponta que estão redefinindo o setor do design.
Buildner anunciou os resultados de seu concurso, o Last Nuclear Bomb Memorial No. 4. A competição é realizada anualmente em apoio à proibição universal de armas nucleares. Em 2017, no 75º aniversário dos bombardeios de 1945 em Nagasaki e Hiroshima, que tiraram a vida de mais de 100 mil pessoas, a Organização das Nações Unidas adotou o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.
Em reconhecimento a esse tratado, a Buildner convida o desenvolvimento de projetos conceituais para um memorial a ser implantado em qualquer local conhecido de testes de armas nucleares desativado. O memorial conceitual busca refletir sobre a história e a ameaça contínua das armas nucleares, com o objetivo de promover a conscientização pública sobre o desarmamento nuclear.
A superprovisão tradicionalmente implica oferecer mais do que o necessário, muitas vezes carregando uma conotação negativa devido ao potencial de excesso e desperdício. No entanto, haveria cenários no ambiente construído em que a superprovisão se mostra vantajosa? Essa questão examina criticamente como o superdimensionamento pode aumentar a flexibilidade de um edifício e sua adaptabilidade a condições diversas e em constante evolução.
A premissa subjacente de prover com precisão o que é necessário para um edifício é que as partes interessadas — incluindo proprietários/as, arquitetos/as e designers — possam prever e atender com exatidão às necessidades atuais e futuras de uma estrutura. Essa suposição, contudo, é difícil de se concretizar, já que mudanças sociais, econômicas e culturais frequentemente ocorrem de maneiras imprevisíveis. Nesse contexto, a superprovisão surge como uma estratégia contraintuitiva, mas potencialmente benéfica. À medida que edifícios e estruturas inevitavelmente se transformam, aqueles projetados com adaptabilidade inerente reduzem a necessidade de reformas onerosas ou reconstruções completas.
O movimento *farm-to-table* (da fazenda à mesa) representa uma mudança profunda na forma como os alimentos são cultivados, distribuídos e consumidos. Baseado na sustentabilidade e no apoio às economias locais, o movimento prioriza ingredientes frescos de origem local e promove relações diretas entre produtores e consumidores. Embora o conceito se concentre na comida, os espaços onde essas conexões ocorrem são igualmente importantes na construção da experiência, destacando o papel fundamental da arquitetura.
A cultura do café continua a prosperar no mundo contemporâneo, com uma transição perceptível da dominância de redes e franquias para um mercado em crescimento para o café prosumer. À medida que cada vez mais consumidores/as de café se tornam prosumers — pessoas que tanto produzem quanto consomem —, o ato de fazer café se transforma em um hobby, ou até mesmo um ritual, gerando a expectativa de que as cafeterias acompanhem esse movimento. Esse público consumidor está cada vez mais instruído, prestando muita atenção à origem e ao tipo de grão, aos métodos de extração e aos equipamentos. Além disso, valoriza-se o design do maquinário de café, não apenas por sua funcionalidade, mas também por sua estética, eficiência e gestão do espaço. Esse aumento de interesse, especialmente na Ásia, tem provocado mudanças nas operações das cafeterias. Muitas cafeterias independentes, respondendo ao aumento do poder de compra e do interesse de seus clientes, sentem-se motivadas a focar na criação de experiências únicas e imersivas para um público-alvo em constante crescimento.
A arquitetura é há muito tempo compreendida como uma ferramenta poderosa para moldar o ambiente físico e as dinâmicas sociais nele inseridas. No entanto, seu potencial para promover a equidade social é muitas vezes negligenciado. O design orientado pela empatia convida arquitetos/as a abordarem seu trabalho não apenas como criadores de espaços, mas como facilitadores de conexões humanas e do bem-estar comunitário. Essa abordagem centra-se na compreensão das experiências de vida, lutas e aspirações das pessoas — particularmente de comunidades marginalizadas — e na resposta às suas necessidades por meio de uma arquitetura inclusiva e atenta. Ela vai além da estética e da funcionalidade, concentrando-se, em vez disso, na criação de espaços que promovam a dignidade, a acessibilidade e a equidade social. Ao priorizar a empatia, arquitetos/as podem projetar ambientes que fortaleçam comunidades, combatam disparidades e criem espaços inclusivos que promovam transformações sociais positivas de maneira tangível e centrada no ser humano.
Roberto Burle Marx é frequentemente celebrado como uma figura pioneira na arquitetura da paisagem, especialmente por sua abordagem inovadora de integração da natureza aos ambientes urbanos. Sua obra, caracterizada pelo profundo respeito à flora nativa e pelo compromisso com o equilíbrio ecológico, oferece lições valiosas para profissionais contemporâneos da arquitetura da paisagem. Em um momento em que as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade são preocupações globais urgentes, revisitar os princípios de Burle Marx oferece caminhos para criar espaços urbanos que não sejam apenas funcionais e esteticamente agradáveis, mas também resilientes e sustentáveis.
Das décadas de 1930 a 1990, o trabalho de Burle Marx antecipou muitas das preocupações atuais com a sustentabilidade e o bem-estar urbano. Muito antes de termos como "design sustentável" ou "infraestrutura verde" se tornarem comuns, Burle Marx já defendia o uso de plantas nativas, reconhecendo seu papel na criação de ecossistemas autossustentáveis que exigiam intervenção mínima. Seus projetos frequentemente transformavam áreas urbanas degradadas em espaços vibrantes e ecologicamente equilibrados, que não apenas melhoravam o meio ambiente, mas também elevavam a qualidade de vida dos habitantes das cidades.
O Córrego Cheonggye, conhecido como Cheonggyecheon (청계천) em coreano, corre em direção ao leste pelo coração de Seul, atravessando 13 bairros em quatro distritos da capital da Coreia do Sul. Ao longo de sua história, o córrego desempenhou diferentes papéis na cidade até ser coberto por uma via expressa elevada na década de 1970. Por mais de 30 anos, essa artéria natural permaneceu oculta. Foi apenas em 2003 que o governo municipal lançou um projeto de restauração para reintegrar esse curso d'água urbano ao tecido da cidade, revitalizar a economia local e resgatar a história e a cultura da região. Os esforços de revitalização foram liderados pelo escritório Mikyoung Kim Design. Desde a conclusão do projeto em 2005, o local tornou-se rapidamente uma das atrações turísticas mais visitadas de Seul. Além disso, transformou-se em ponto focal para extensas pesquisas urbanas, com diversos estudos apresentando avaliações positivas sobre o impacto causado no contexto urbano, econômico e ecológico de Seul.
Crise, crise, crise... e adivinha? Mais crises. Toda vez que ouvimos essa palavra, tudo parece mais desanimador. No entanto, a questão é a seguinte: a cada desafio surge uma oportunidade. Da escassez de moradia acessível à desaceleração econômica e à emergência climática, há sempre um novo desafio abrindo as portas para novas possibilidades. Contudo, a verdade é que nenhum desses eventos é isolado; eles estão todos interconectados de alguma forma, formando diferentes facetas de uma mesma história. Talvez uma das menos mencionadas, sobretudo no que diz respeito ao ambiente construído, seja a crise alimentar global, que cresce de forma (quase) silenciosa, prestes a assumir o protagonismo. Ela impõe vários desafios para a futura produção de alimentos, especialmente nas cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140783/producao-de-alimentos-voltada-para-o-futuro-integrando-a-agricultura-de-alta-tecnologia-as-cidadesEnrique Tovar
As mulheres desempenharam um papel fundamental na evolução da arquitetura paisagística, superando as limitações de uma profissão dominada por homens para introduzir ideias inovadoras e novas perspectivas. Das primeiras pioneiras às líderes contemporâneas, seu trabalho remodelou a maneira como interagimos com os espaços públicos e privados, entrelaçando estética, funcionalidade e sustentabilidade de formas inovadoras.
No final do século XIX e início do século XX, as arquitetas paisagistas conquistaram seu espaço na profissão, enfatizando a harmonia entre as estruturas construídas e as paisagens naturais. Seus projetos demonstravam um profundo compromisso com a comunidade e o equilíbrio ecológico, pavimentando o caminho para uma abordagem inclusiva e reflexiva de projeto que continua a inspirar a disciplina hoje.
Em Delirious New York, Rem Koolhaas discute de forma vívida o Downtown Athletic Club, um exemplo marcante de como o exterior despretensioso de um edifício pode ocultar uma vibrante mistura de programas distintos e independentes. Por trás da fachada uniforme desse arranha-céu, um clube atlético privado abriga uma gama eclética de instalações — academias de boxe ao lado de bares de ostras e campos de golfe internos sob piscinas —, todas segregadas, porém altamente acessíveis. O Downtown Athletic Club sintetizou o dinamismo dos arranha-céus de Nova York na época, exibindo o fascínio do capitalismo por meio de um mundo de lazer seletivo e voltado para si, repleto de privilégios para um grupo seleto. Essa "máquina de programas" operava de forma independente da cidade externa, como um ecossistema isolado dentro de suas paredes. No entanto, cabe perguntar: poderia um modelo semelhante, projetado para uso público, criar uma experiência de comunidade e vizinhança mais inclusiva e viva? Isso ativaria o edifício em seu interior, em vez de servir apenas a elites selecionadas, além de influenciar e transformar o tecido urbano e as formas ao seu redor. Em Hong Kong, um paralelo distante pode ser traçado com os Edifícios de Serviços Municipais (MSBs) — estruturas financiadas pelo setor público que atendem à comunidade ao integrar diversas funções em uma única e vasta massa edificada, de forma muito semelhante ao Downtown Athletic Club.
No coração de Tallinn, onde a história se entrelaça em ruas de paralelepípedos e torres antigas, ergue-se o Palácio Ungern-Sternberg — um monumento que une o passado opulento da aristocracia da Estônia ao vibrante mundo acadêmico contemporâneo. Hoje sede da Academia de Ciências da Estônia, este edifício histórico encarna a duradoura dedicação da Estônia ao conhecimento e à preservação cultural. Por meio do Open House Tallinn, evento que destaca o patrimônio arquitetônico da cidade, a relevante história do palácio e seus notáveis detalhes arquitetônicos são apresentados a um público mais amplo, oferecendo uma perspectiva única sobre a resiliência cultural do país.
Construído no século XIX como símbolo do poder aristocrático, o palácio transformou-se de residência privada em um polo nacional de vida intelectual. Seus grandes salões, outrora palco de recepções suntuosas, agora acolhem atividades científicas e acadêmicas, ilustrando como a arquitetura patrimonial pode evoluir junto às transformações sociais.