A superprovisão tradicionalmente implica oferecer mais do que o necessário, muitas vezes carregando uma conotação negativa devido ao potencial de excesso e desperdício. No entanto, haveria cenários no ambiente construído em que a superprovisão se mostra vantajosa? Essa questão examina criticamente como o superdimensionamento pode aumentar a flexibilidade de um edifício e sua adaptabilidade a condições diversas e em constante evolução.
A premissa subjacente de prover com precisão o que é necessário para um edifício é que as partes interessadas — incluindo proprietários/as, arquitetos/as e designers — possam prever e atender com exatidão às necessidades atuais e futuras de uma estrutura. Essa suposição, contudo, é difícil de se concretizar, já que mudanças sociais, econômicas e culturais frequentemente ocorrem de maneiras imprevisíveis. Nesse contexto, a superprovisão surge como uma estratégia contraintuitiva, mas potencialmente benéfica. À medida que edifícios e estruturas inevitavelmente se transformam, aqueles projetados com adaptabilidade inerente reduzem a necessidade de reformas onerosas ou reconstruções completas.
O movimento *farm-to-table* (da fazenda à mesa) representa uma mudança profunda na forma como os alimentos são cultivados, distribuídos e consumidos. Baseado na sustentabilidade e no apoio às economias locais, o movimento prioriza ingredientes frescos de origem local e promove relações diretas entre produtores e consumidores. Embora o conceito se concentre na comida, os espaços onde essas conexões ocorrem são igualmente importantes na construção da experiência, destacando o papel fundamental da arquitetura.
A cultura do café continua a prosperar no mundo contemporâneo, com uma transição perceptível da dominância de redes e franquias para um mercado em crescimento para o café prosumer. À medida que cada vez mais consumidores/as de café se tornam prosumers — pessoas que tanto produzem quanto consomem —, o ato de fazer café se transforma em um hobby, ou até mesmo um ritual, gerando a expectativa de que as cafeterias acompanhem esse movimento. Esse público consumidor está cada vez mais instruído, prestando muita atenção à origem e ao tipo de grão, aos métodos de extração e aos equipamentos. Além disso, valoriza-se o design do maquinário de café, não apenas por sua funcionalidade, mas também por sua estética, eficiência e gestão do espaço. Esse aumento de interesse, especialmente na Ásia, tem provocado mudanças nas operações das cafeterias. Muitas cafeterias independentes, respondendo ao aumento do poder de compra e do interesse de seus clientes, sentem-se motivadas a focar na criação de experiências únicas e imersivas para um público-alvo em constante crescimento.
A arquitetura é há muito tempo compreendida como uma ferramenta poderosa para moldar o ambiente físico e as dinâmicas sociais nele inseridas. No entanto, seu potencial para promover a equidade social é muitas vezes negligenciado. O design orientado pela empatia convida arquitetos/as a abordarem seu trabalho não apenas como criadores de espaços, mas como facilitadores de conexões humanas e do bem-estar comunitário. Essa abordagem centra-se na compreensão das experiências de vida, lutas e aspirações das pessoas — particularmente de comunidades marginalizadas — e na resposta às suas necessidades por meio de uma arquitetura inclusiva e atenta. Ela vai além da estética e da funcionalidade, concentrando-se, em vez disso, na criação de espaços que promovam a dignidade, a acessibilidade e a equidade social. Ao priorizar a empatia, arquitetos/as podem projetar ambientes que fortaleçam comunidades, combatam disparidades e criem espaços inclusivos que promovam transformações sociais positivas de maneira tangível e centrada no ser humano.
Roberto Burle Marx é frequentemente celebrado como uma figura pioneira na arquitetura da paisagem, especialmente por sua abordagem inovadora de integração da natureza aos ambientes urbanos. Sua obra, caracterizada pelo profundo respeito à flora nativa e pelo compromisso com o equilíbrio ecológico, oferece lições valiosas para profissionais contemporâneos da arquitetura da paisagem. Em um momento em que as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade são preocupações globais urgentes, revisitar os princípios de Burle Marx oferece caminhos para criar espaços urbanos que não sejam apenas funcionais e esteticamente agradáveis, mas também resilientes e sustentáveis.
Das décadas de 1930 a 1990, o trabalho de Burle Marx antecipou muitas das preocupações atuais com a sustentabilidade e o bem-estar urbano. Muito antes de termos como "design sustentável" ou "infraestrutura verde" se tornarem comuns, Burle Marx já defendia o uso de plantas nativas, reconhecendo seu papel na criação de ecossistemas autossustentáveis que exigiam intervenção mínima. Seus projetos frequentemente transformavam áreas urbanas degradadas em espaços vibrantes e ecologicamente equilibrados, que não apenas melhoravam o meio ambiente, mas também elevavam a qualidade de vida dos habitantes das cidades.
O Córrego Cheonggye, conhecido como Cheonggyecheon (청계천) em coreano, corre em direção ao leste pelo coração de Seul, atravessando 13 bairros em quatro distritos da capital da Coreia do Sul. Ao longo de sua história, o córrego desempenhou diferentes papéis na cidade até ser coberto por uma via expressa elevada na década de 1970. Por mais de 30 anos, essa artéria natural permaneceu oculta. Foi apenas em 2003 que o governo municipal lançou um projeto de restauração para reintegrar esse curso d'água urbano ao tecido da cidade, revitalizar a economia local e resgatar a história e a cultura da região. Os esforços de revitalização foram liderados pelo escritório Mikyoung Kim Design. Desde a conclusão do projeto em 2005, o local tornou-se rapidamente uma das atrações turísticas mais visitadas de Seul. Além disso, transformou-se em ponto focal para extensas pesquisas urbanas, com diversos estudos apresentando avaliações positivas sobre o impacto causado no contexto urbano, econômico e ecológico de Seul.
Crise, crise, crise... e adivinha? Mais crises. Toda vez que ouvimos essa palavra, tudo parece mais desanimador. No entanto, a questão é a seguinte: a cada desafio surge uma oportunidade. Da escassez de moradia acessível à desaceleração econômica e à emergência climática, há sempre um novo desafio abrindo as portas para novas possibilidades. Contudo, a verdade é que nenhum desses eventos é isolado; eles estão todos interconectados de alguma forma, formando diferentes facetas de uma mesma história. Talvez uma das menos mencionadas, sobretudo no que diz respeito ao ambiente construído, seja a crise alimentar global, que cresce de forma (quase) silenciosa, prestes a assumir o protagonismo. Ela impõe vários desafios para a futura produção de alimentos, especialmente nas cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140783/producao-de-alimentos-voltada-para-o-futuro-integrando-a-agricultura-de-alta-tecnologia-as-cidadesEnrique Tovar
As mulheres desempenharam um papel fundamental na evolução da arquitetura paisagística, superando as limitações de uma profissão dominada por homens para introduzir ideias inovadoras e novas perspectivas. Das primeiras pioneiras às líderes contemporâneas, seu trabalho remodelou a maneira como interagimos com os espaços públicos e privados, entrelaçando estética, funcionalidade e sustentabilidade de formas inovadoras.
No final do século XIX e início do século XX, as arquitetas paisagistas conquistaram seu espaço na profissão, enfatizando a harmonia entre as estruturas construídas e as paisagens naturais. Seus projetos demonstravam um profundo compromisso com a comunidade e o equilíbrio ecológico, pavimentando o caminho para uma abordagem inclusiva e reflexiva de projeto que continua a inspirar a disciplina hoje.
Em Delirious New York, Rem Koolhaas discute de forma vívida o Downtown Athletic Club, um exemplo marcante de como o exterior despretensioso de um edifício pode ocultar uma vibrante mistura de programas distintos e independentes. Por trás da fachada uniforme desse arranha-céu, um clube atlético privado abriga uma gama eclética de instalações — academias de boxe ao lado de bares de ostras e campos de golfe internos sob piscinas —, todas segregadas, porém altamente acessíveis. O Downtown Athletic Club sintetizou o dinamismo dos arranha-céus de Nova York na época, exibindo o fascínio do capitalismo por meio de um mundo de lazer seletivo e voltado para si, repleto de privilégios para um grupo seleto. Essa "máquina de programas" operava de forma independente da cidade externa, como um ecossistema isolado dentro de suas paredes. No entanto, cabe perguntar: poderia um modelo semelhante, projetado para uso público, criar uma experiência de comunidade e vizinhança mais inclusiva e viva? Isso ativaria o edifício em seu interior, em vez de servir apenas a elites selecionadas, além de influenciar e transformar o tecido urbano e as formas ao seu redor. Em Hong Kong, um paralelo distante pode ser traçado com os Edifícios de Serviços Municipais (MSBs) — estruturas financiadas pelo setor público que atendem à comunidade ao integrar diversas funções em uma única e vasta massa edificada, de forma muito semelhante ao Downtown Athletic Club.
No coração de Tallinn, onde a história se entrelaça em ruas de paralelepípedos e torres antigas, ergue-se o Palácio Ungern-Sternberg — um monumento que une o passado opulento da aristocracia da Estônia ao vibrante mundo acadêmico contemporâneo. Hoje sede da Academia de Ciências da Estônia, este edifício histórico encarna a duradoura dedicação da Estônia ao conhecimento e à preservação cultural. Por meio do Open House Tallinn, evento que destaca o patrimônio arquitetônico da cidade, a relevante história do palácio e seus notáveis detalhes arquitetônicos são apresentados a um público mais amplo, oferecendo uma perspectiva única sobre a resiliência cultural do país.
Construído no século XIX como símbolo do poder aristocrático, o palácio transformou-se de residência privada em um polo nacional de vida intelectual. Seus grandes salões, outrora palco de recepções suntuosas, agora acolhem atividades científicas e acadêmicas, ilustrando como a arquitetura patrimonial pode evoluir junto às transformações sociais.
O meado do século XX marcou um período de transformação para a África, com a conquista da independência por 29 países entre 1956 e 1964, sinalizando o surgimento do Estado-nação em todo o continente. Essa era ecoou um espírito de libertação e progresso, em paralelo aos movimentos globais da época, como a criação de organizações internacionais como as Nações Unidas (1945) e a Organização da Unidade Africana (1963). Nesse contexto, a arquitetura modernista emergiu como um símbolo potente de identidade nacional, ambição e aspiração coletiva por um futuro melhor. À medida que as nações recém-independentes buscavam se definir além de seus passados coloniais, a adoção dos princípios do Movimento Moderno facilitou a construção de infraestruturas fundamentais — como centros de convenções, edifícios governamentais e hotéis —, além do desenvolvimento do ensino de arquitetura, em um momento em que arquitetos e arquitetas locais começavam a substituir profissionais estrangeiros ou a cooperar com eles.
Este artigo inaugura uma nova série intitulada Redescobrindo o modernismo na África, com o objetivo de explorar o legado arquitetônico do Movimento Moderno no continente, destacando seu papel na construção das nações e na evolução do ensino de arquitetura, ao mesmo tempo em que lança luz sobre os arquitetos, as arquitetas e os movimentos que moldaram essa era de transformações.
A continuidade do trabalho remoto transformou o dinamismo do centro das cidades e a paisagem tradicional dos escritórios, deixando para trás muitos espaços vazios cujo destino ainda é motivo de especulação. Quatro anos após o início das políticas de trabalho híbrido, as taxas de ocupação de escritórios nos centros urbanos continuam abaixo dos níveis pré-pandemia, sinalizando uma mudança de longo prazo no ambiente corporativo. Algumas incorporadoras buscaram reposicionar esses edifícios, enquanto outras buscam usos alternativos para prédios desocupados em áreas centrais. Embora ambas as abordagens tragam benefícios à sua maneira, o potencial de reconversão de edifícios de escritórios é vasto e promissor. Da habitação residencial a instalações de pesquisa de ponta, profissionais de arquitetura e incorporação exploram as diversas possibilidades e os desafios de transformar essas estruturas subutilizadas em novos espaços vibrantes.
O Centro Cultural Europeu (ECC) revelou o próximo capítulo de sua aclamada exposição Time Space Existence. Em sua sétima edição, esta célebre bienal de arquitetura transformará mais uma vez Veneza em um polo global de inovação arquitetônica. De 10 de maio a 23 de novembro de 2025, os icônicos espaços do Palazzo Bembo, Palazzo Mora e dos Jardins da Marinaressa servirão como palcos vibrantes para um caleidoscópio de ideias e visões que redefinem a comunidade do ambiente construído.
Ao longo dos anos, por meio de projetos como a Green School e as residências do Green Village, o bambu tem se tornado um material cada vez mais popular em Bali, na Indonésia. Embora escritórios de design na região, como o IBUKU, tenham trabalhado majoritariamente com o bambu em sua forma roliça (colmo inteiro), avanços e testes realizados nos últimos anos buscam expandir o uso de vigas de bambu ripado no campo da construção.
Atualmente, grande parte dos profissionais da construção civil sabe que mitigar as emissões de carbono provenientes do ambiente construído é fundamental para enfrentar o desafio climático. No entanto, saber por onde começar pode ser um desafio para muitos/as profissionais. É por isso que a educação e a capacitação em toda a cadeia de valor — de arquitetos/as a urbanistas, e de incorporadores/as imobiliários/as a engenheiros/as — são essenciais para promover práticas de construção sustentável.
Das maravilhas futuristas do célebre Marina Bay Sands e do Jewel Changi Airport, projetados pelo escritório Safdie Architects, ao patrimônio icônico do antigo Supremo Tribunal, hoje a National Gallery Singapore, a cidade exibe uma rica tapeçaria de estilos e influências. Singapura também adotou sua própria versão do modernismo, expressa em obras como o Colonnade Condominiums, projetado pelo arquiteto Paul Rudolph, e o Pearl Bank Apartments, de Tan Cheng Siong. Nomes consagrados da arquitetura, como Moshe Safdie, Norman Foster e o escritório WOHA, deixaram marcas indeléveis na cidade com seus projetos inovadores.
Selecionado como uma das melhores novas práticas de arquitetura pelo ArchDaily em 2024, o Estudio Rare se define como um espaço experimental interdisciplinar. Sediado na cidade de Córdoba, Argentina, seus três sócios fundadores, Agustín Willnecker, Iván Ferrero e Mateo Unamuno, se conheceram enquanto estudavam na Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Córdoba. Com uma trajetória jovem, porém notável, a equipe do Rare oferece uma visão livre e dinâmica do design, da arquitetura e da construção. Suas obras, independentemente da escala ou da encomenda, mostram uma relação estreita com a arte, refletindo os diversos interesses e formações pessoais de cada integrante da equipe e de sua rede de colaboração.
Para se diferenciarem em mercados competitivos, as principais marcas de varejo do mundo estão recorrendo ao design de varejo para cultivar comunidades de entusiastas de suas marcas. Como os métodos tradicionais de marketing já não engajam o público consumidor, os espaços físicos oferecem um caminho para experiências mais imersivas e personalizadas, alinhadas aos seus valores e estilos de vida. A evolução das preferências da clientela tem levado à criação de experiências de varejo autênticas, que agora funcionam como áreas de lazer e entretenimento. Projetar pontos de venda que incentivem o engajamento, a exploração e o sentimento de pertencimento permite que as marcas cultivem um público fiel.
A Cidade do México é reconhecida por sua abundância de museus, patrimônios históricos e riqueza cultural. De fato, a capital conta com mais de 173 museus, grandes e pequenos, espalhados por suas 16 alcaldías (distritos municipais). A presença desses espaços culturais intensifica o apelo artístico de uma metrópole vibrante. Como diversos arquitetos e arquitetas pioneiras do México souberam entrelaçar arte e arquitetura moderna, a cidade se tornou o berço de museus icônicos e clássicos da arquitetura modernista mexicana.
Em uma nação tão diversa quanto a Índia, o panorama da saúde apresenta desafios complexos e inúmeras oportunidades. A infraestrutura hospitalar do país está sob crescente pressão em termos de acessibilidade, qualidade e equidade, sobretudo diante de um crescimento populacional vertiginoso. Enquanto o desenvolvimento urbano se expande em meio a essas limitações, arquitetos e arquitetas têm conseguido posicionar soluções inovadoras de projeto como agentes mediadores, também reduzindo o abismo entre as zonas urbana e rural no que se refere à qualidade e ao acesso à saúde na Índia.
À medida que o setor da arquitetura volta seu foco para uma maior sustentabilidade e eficiência energética, muitos projetos contemporâneos nos ambientes mais quentes (e cada vez mais quentes) do mundo estão resgatando métodos tradicionais de controle de temperatura, luz e ventilação, aprendendo com o passado para nos salvar do futuro.
A Bienal de Arquitetura Beta 2024, em Timișoara, na Romênia, marca o décimo aniversário deste influente evento. Com curadoria de Oana Stănescu, a edição deste ano, intitulada "cover me softly", explora as nuances da relação entre originalidade e influência, desafiando noções convencionais de cópia, imitação e apropriação. Além do Beta Awards, que busca destacar contribuições significativas para a arquitetura na Romênia, Hungria e Sérvia, a exposição principal oferece uma interpretação singular de temas recorrentes no campo da arquitetura.
PRISMO brushed white⁺. Imagem cortesia de RHEINZINK
No projeto de arquitetura, os materiais desempenham um papel crucial não apenas na definição da estética de um edifício, mas também em seu desempenho e na tradução das ideologias de quem os concebe. As megatendências arquitetônicas atuais são impulsionadas pela necessidade de sustentabilidade, resiliência e inovação de materiais, especialmente em resposta às mudanças climáticas e à conservação de recursos. O design focado no bem-estar também vem ganhando relevância, priorizando ambientes que promovam a saúde física e mental. Nesse contexto, materiais naturais, princípios biofílicos e uma melhor qualidade ambiental interna são cada vez mais utilizados para ampliar o conforto e estimular uma conexão mais profunda com a natureza. Entre esses materiais, o zinco-titânio destaca-se como uma opção versátil e sustentável, oferecendo durabilidade, apelo estético e potenciais benefícios para a saúde em aplicações arquitetônicas.
O Plano para a Baía de Tóquio de 1960, de Kenzo Tange, refletia o *zeitgeist* de uma sociedade fascinada pelo rápido avanço tecnológico e pelo otimismo do pós-guerra. A proposta de cúpula sobre Manhattan de 1959, de Buckminster Fuller, baseava-se na crença na capacidade humana de moldar seu próprio ambiente em uma escala sem precedentes. Ao longo de meados do século XX, ideias utópicas de planejamento urbano surgiram em várias partes do mundo, impulsionadas por uma combinação única de fatores sociais e motivações psicológicas.
Ainda que essas visões fossem marcadas por esperança e ambição, elas também refletiam o amplo crescimento econômico e a inovação tecnológica da época — fatores que alimentavam as fantasias ousadas de profissionais de arquitetura e urbanismo ávidos por transformar a paisagem urbana. Grande parte desses profissionais via uma oportunidade de redesenhar cidades do zero, muitas vezes ignorando as complexidades dos tecidos urbanos existentes em favor de ideais futuristas. Contudo, se por um lado essas visões estimulavam práticas inovadoras, por outro frequentemente causavam estranheza na população, parecendo distantes ou inalcançáveis. Como esses conceitos teriam evoluído se tivessem sido moldados pelo planejamento participativo de hoje, que prioriza o engajamento público e a colaboração da comunidade?