Nas últimas décadas, cidades de todo o mundo testemunharam um aumento na demolição de vias expressas elevadas de concreto. Taipei, Seul, Portland e Boston, por exemplo, vivenciaram a ascensão e a queda dessas infraestruturas para dar lugar a parques e novas propostas de regeneração urbana. Em outros casos, como em Montreal, no Canadá, houve oposição às vias expressas antes mesmo de sua construção, o que permitiu desviar viadutos, preservar o patrimônio histórico e desobstruir as vistas para a orla. Para San Francisco, nos Estados Unidos, a história da Embarcadero Freeway é uma daquelas narrativas que servem como estudo de caso da ambição infraestrutural de meados do século passado, da reação da população ao projeto e de sua eventual reversão em prol da conectividade urbana.
Sob o tema Common Ground, a ICFF 2026 reuniu a comunidade internacional de design por meio de um foco compartilhado na excelência artesanal e na inovação. De 17 a 19 de maio de 2026, a ICFF (International Contemporary Furniture Fair) retornou ao Javits Center para uma edição histórica que celebrou a comunidade global de design durante o NYCxDESIGN.
O ArchDaily nasceu dentro de uma universidade, criado por dois estudantes de arquitetura que acreditavam que o conhecimento sobre a área deveria ir muito mais longe. Dezoito anos depois, essa convicção permanece a mesma — mas as perspectivas, as ferramentas e as oportunidades cresceram. Estamos lançando o Programa de Embaixadores Estudantis para dar à próxima geração de arquitetos e arquitetas um papel direto na conexão entre suas universidades e o debate global sobre arquitetura.
A arquitetura é frequentemente apresentada como a expressão visível de seu tempo, de seus desejos, de sua fé no progresso, de sua ideia de ordem. No entanto, essa leitura tende a achatar as condições sob as quais as edificações são produzidas. Ela sugere que a arquitetura simplesmente acompanha a história quando, em muitos casos, participa ativamente dela. Poucos períodos tornam isso tão evidente quanto o século XX, quando a arquitetura se viu profundamente imbricada com programas políticos, sistemas econômicos e visões conflitantes sobre como a vida coletiva deveria ser organizada.
O que costuma ser agrupado sob o rótulo de Modernismo é frequentemente descrito como um projeto coerente, definido pela clareza formal, pelo otimismo tecnológico e pela ruptura com os estilos históricos. Contudo, essa aparente coerência se dissolve quando olhamos para além de seus centros canônicos. Os mesmos princípios espaciais (padronização, zoneamento funcional, produção industrial) foram adotados em contextos políticos e econômicos que diferiam significativamente em suas estruturas e objetivos. Um movimento aparentemente estático desdobrou-se em um sistema flexível, continuamente reorientado de acordo com as prioridades de cada regime. O que parecia uma linguagem compartilhada era, na prática, um conjunto de ferramentas aplicadas a agendas distintas.
Em 2026, Barcelona se tornará o epicentro mundial da arquitetura ao ser nomeada Capital Mundial da Arquitetura pela UNESCO e pela UIA. Esse reconhecimento reforça o papel da cidade como laboratório urbano de inovação, sustentabilidade e design contemporâneo. Nesse contexto, cursar um mestrado em arquitetura em Barcelona representa uma oportunidade para arquitetos, arquitetas e profissionais do setor que buscam especialização e conexão com as tendências que estão transformando a disciplina.
O design orienta o uso ou o uso orienta o design? Estudantes lutam para manter o foco, colaboradores/as se retraem sob uma iluminação ofuscante e ocupantes se afastam de espaços rígidos — muitas vezes em resposta a condições ambientais que só se tornam visíveis depois que o espaço passa a ser ocupado. A luz que cruza uma sala, a ressonância do som, a textura das superfícies ou o ritmo da circulação podem favorecer o foco, trazer calma ou inspirar a criatividade; no entanto, cada um desses fatores também pode, inadvertidamente, intensificar o estresse e a distração. Arquitetos/as e designers estão investigando e questionando: como as decisões de projeto são fundamentadas e de quem é o conhecimento considerado essencial na hora de moldar o espaço?
Restauração de Bir Ettin / Bled El Abar Collective. Imagem cortesia de Bled El Abar Collective
Em alguns idiomas, a própria palavra para edifício (como *immeuble*, em francês) refere-se à sua imobilidade. A disciplina de engenharia relacionada às edificações é denominada *estática*. Assim, a arquitetura está intimamente associada ao que é fixo e imóvel. No entanto, para milhões de pessoas nômades em todo o mundo, os abrigos devem ter uma estrutura leve e essencialmente móvel, enquanto o lar é a vasta paisagem onde residem. Esses estilos de vida, que carregam séculos de tradição, são constantemente ameaçados pela atração exercida pela vida sedentária em vilas e cidades. Na Tunísia, um projeto reconhece o risco de perda desse patrimônio e busca melhorar as condições de vida de pastores/as nômades.
Conceito de banheiro Waterway por Haihua Zhang e a coleção de banheiro AXOR Archivio por Barber Osgerby. Imagem cortesia de AXOR
A água sempre ocupou uma posição singular na arquitetura: elementar, porém elusiva; funcional, mas simbólica. Trata-se de um elemento que atua tanto como material quanto como meio, moldando cidades, estruturando rituais e influenciando a percepção do espaço. Em diferentes culturas, a água é compreendida não apenas como fonte de vida, mas também como portadora de significados associados à purificação, à renovação e à continuidade. Sua presença no ambiente construído frequentemente transcende a mera utilidade, tornando-se um recurso por meio do qual a arquitetura dialoga com os sentidos e constrói atmosferas.
Vista aérea de colinas verdes exuberantes e casas tradicionais em Cauca, Colômbia, destacando a natureza e o turismo rural. Imagem por Jhampier Giron M, via Shutterstock
Antes de um edifício ser habitado, muitos outros processos precisam acontecer. A água deve chegar, a energia deve ser gerada, os alimentos devem ser cultivados ou transportados e os resíduos devem ter um destino. Esses processos costumam ser tratados como algo alheio à arquitetura, embora moldem as condições mais básicas da vida cotidiana.
É por isso que a ideia de comunidades autossuficientes é mais complexa do que parece à primeira vista. Ela pode sugerir um lugar que provê a maior parte do que necessita: energia, água, alimento, abrigo e gestão de resíduos. No entanto, em muitos contextos latino-americanos, a autonomia não significa uma separação completa do mundo. Trata-se, antes, de uma forma de aproximar os sistemas da vida cotidiana das pessoas que os utilizam, mantêm e cuidam deles.
Para conhecer plenamente o patrimônio arquitetônico de uma cidade, é preciso olhar além de seus locais tombados e edifícios icônicos. Para muitos, compreender o tecido urbano de uma cidade e o que a faz pulsar também significa descobrir edifícios preservados de menor escala, valorizados localmente, e espaços de encontro populares. Isso é especialmente verdadeiro quando se pensa nas agitadas cidades vietnamitas, com suas características arquitetônicas peculiares, que só podem ser apreciadas ao se conhecer suas diversas inspirações e camadas históricas — que combinam motivos tradicionais vietnamitas, modernismo, materialidade local e soluções de projeto bioclimático —, mas, acima de tudo, ao se compreender as restrições dos lotes resolvidas pela implantação das estreitas casas-tubo e edifícios de baixa altura.
Esses principais estilos e movimentos arquitetônicos costumam ser mantidos e até destacados quando profissionais de arquitetura dão uma segunda vida a edifícios degradados ou abandonados, transformando-os em cafeterias populares. Revive-se, assim, o patrimônio de menor escala por meio de sua restauração e do uso constante pela comunidade, incentivando o público visitante a reconhecer a relevância histórica do espaço ao mesmo tempo em que o desfruta.
O que acontece quando a materialidade se torna a força motriz do design? Como uma infraestrutura cultural pode expressar sua própria identidade? O Pavilhão de Design da Espanha para a Capital Mundial do Design Frankfurt Rhein-Main 2026 reúne a inovação criativa do país para enfrentar desafios contemporâneos por meio de uma releitura do legado arquitetônico de Gaudí. Concebido como uma infraestrutura cultural reversível, o projeto ativa o espaço público ao mesmo tempo que amplia o debate sobre o uso de materiais, a circularidade e o reúso. Em vez de reproduzir formas históricas, o pavilhão adota uma abordagem contemporânea e operacional, destacando a colaboração entre a indústria, o design e a cultura espanhola aoexplorar princípios estruturais e construtivos enraizados na geometria, na eficiência material e na relação entre forma e sistema.
Dando continuidade ao panorama das cidades da Copa do Mundo da FIFA 2026, chegamos àquela que é atualmente a cidade mais habitável da América do Norte: Vancouver. Apelidada de cidade de vidro pelo artista Douglas Coupland — em referência à estética arquitetônica predominante de aço e vidro em seu centro urbano —, a cidade apresenta, na verdade, uma arquitetura diversa, que vai de edifícios eduardianos do século XX a singulares projetos modernistas do século XXI.
Vancouver é conhecida por sua alta qualidade de vida e proximidade com a natureza. Embora isso tenha um custo elevado, a cidade oferece serviços de alto padrão e amplos espaços públicos e de lazer, refletidos em sua arquitetura. Há muitos edifícios corporativos e institucionais reaproveitados que ganharam uma nova vida como espaços públicos e de hospitalidade.
Fachada de correntes de alumínio na loja Disney Glamour Store / SRA Architectes – Etienne Jacquin. Imagem Cortesia de Kriskadecor
Em ambientes altamente curados como a Disneyland Paris, a arquitetura opera sob um conjunto diferente de expectativas. Não se exige dos edifícios apenas desempenho técnico; eles também precisam se comunicar, muitas vezes instantaneamente. Nesse contexto, a fachada se torna um marco visual que funciona como um limiar, mediando a luz, o ar e a percepção. Uma estratégia que tem ganhado força nesse cenário é o uso de sistemas de envoltórias semiopacas. Sem serem totalmente transparentes nem completamente fechados, esses sistemas de fachada introduzem profundidade e variabilidade.
A conversão de templos religiosos desativados por meio de programas culturais constitui uma das estratégias de reuso adaptativo mais instigantes no planejamento urbano contemporâneo. Essa compatibilidade funcional parece decorrer das características específicas das próprias igrejas: suas naves centrais oferecem plantas livres de grande escala e cortes monumentais que acomodam facilmente as exigências volumétricas de museus, teatros ou centros comunitários. Além disso, as propriedades acústicas inerentes aos seus tetos abobadados, combinadas com uma iluminação natural intencional filtrada por vitrais ou cúpulas, criam as condições espaciais para atividades que vão das artes cênicas à exibição de artefatos culturais. Ao assumirem um papel público e cultural, esses edifícios não apenas evitam a demolição ou o abandono físico, mas também preservam seu status de marcos urbanos e de identidade no tecido da cidade, revitalizando seu entorno imediato sem descaracterizar seu significado histórico.
O que define a atmosfera de uma casa? Para além das paletas de materiais e da luz natural, o som desempenha um papel determinante na forma como os espaços são percebidos e habitados. A reverberação dos passos sobre a pedra, a calma atenuada de um ambiente revestido de tecidos ou a maneira como a música se propaga por um interior em plano aberto: tudo isso molda a identidade sensorial do espaço doméstico. Afinal, a arquitetura é vivenciada não apenas de forma visual, mas também acústica.
O conceito de "paisagem sonora" descreve essa relação entre as pessoas, o som e o ambiente construído. Na arquitetura residencial, o som vai muito além do ruído de fundo ou do desempenho técnico; ele influencia a privacidade, a concentração, o descanso e o conforto emocional. A geometria e a materialidade atuam como os principais condutores acústicos: enquanto o concreto, o vidro e a pedra refletem e amplificam as ondas sonoras, a madeira e os estofados as suavizam e absorvem. Além disso, o pé-direito, as áreas de circulação e as proporções dos cômodos moldam ainda mais a maneira como o som se propaga e se distribui pelo espaço.
As coberturas dos edifícios estão avançando por meio de um processo de otimização multidimensional que abrange inovações tecnológicas, novos materiais, eficiência energética e métodos construtivos mais rápidos. De coberturas verdes e sistemas de captação de água da chuva a painéis solares, profissionais da arquitetura contemporânea buscam equilibrar estética, desempenho, durabilidade e impacto ambiental em seus projetos. A reforma de coberturas não apenas prolonga a vida útil dos edifícios, mas também reflete um compromisso ecológico ao melhorar a eficiência e a sustentabilidade.
Ao migrar da prancheta para a tela do computador, a digitalização de desenhos e documentações marcou a primeira fase da transformação digital nos escritórios de arquitetura. A segunda introduziu o BIM, conectando as informações do projeto por meio de plataformas em nuvem e fluxos de trabalho colaborativos. Hoje, surge uma nova fase, definida pela inteligência artificial, pela automação e por ecossistemas de software mais especializados. O paradoxo é que, enquanto as fases anteriores eram dominadas por um pequeno número de ferramentas, o cenário atual oferece uma abundância de soluções altamente especializadas, potencializadas por IA e frequentemente sobrepostas, que disputam a atenção dos profissionais. Embora a aquisição de novos softwares seja frequentemente a parte mais simples da transformação digital, o maior desafio reside em alterar fluxos de trabalho e comportamentos consolidados — razão pela qual muitas ferramentas novas enfrentam dificuldades para alcançar uma adoção duradoura.
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Villa Tai. Imagem cortesia de ARK Architects
A residência unifamiliar continua sendo um dos territórios mais complexos da arquitetura contemporânea. Ao mesmo tempo íntima e técnica, cotidiana e simbólica, ela concentra debates sobre conforto, sustentabilidade, paisagem e modos de vida, além de servir como um instrumento para projetar a identidade de quem ali habita. É nesse campo que atua o escritório ARK Architects. Sediado em Marbella e Sotogrande, o trabalho do estúdio, sob a direção criativa do cofundador Manuel Ruiz Moriche, desenvolve-se a partir de uma relação direta entre arquitetura, luz natural e contexto ambiental.
Selecionado como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório NAAW representa uma nova geração de estúdios de arquitetura que estão remodelando a prática contemporânea na Ásia Central. Fundado em 2019 por Elvira Bakubayeva e Aisulu Uali, o estúdio atua na interseção entre pesquisa, colaboração interdisciplinar e experimentação espacial, posicionando a arquitetura como uma ferramenta de reflexão e um agente ativo na construção da identidade cazaque contemporânea.
Não faz muito tempo, em um período recente o suficiente para parecer atual, a arquitetura entrou em um momento no qual os edifícios passaram a ser interpretados como produtos. Essa abordagem trouxe disciplina e uma perspectiva renovada para uma indústria que, frequentemente, valoriza a novidade mais do que a clareza operacional. Ao direcionar os exercícios formais em direção à repetibilidade, experiência do usuário, desempenho e escalabilidade, preparou-se o terreno para que as edificações fossem avaliadas como "produtos". A arquitetura passou a responder de forma mais direta sobre o seu funcionamento, a clareza com que comunica seu uso e a consistência com que entrega a experiência pretendida.
A disciplina do design de produto renova a perspectiva dos profissionais de arquitetura que projetam para um futuro em constante transformação. Além de oferecer um novo vocabulário e parâmetros de projeto, a área traz consigo a responsabilidade: um produto deve funcionar de maneira confiável ao longo do tempo e em diferentes contextos. Ele deve se estruturar como um sistema de decisões, e não como uma mera coleção de partes. Desse modo, a qualidade já não é medida apenas pela singularidade, mas sim pela consistência e pela capacidade de gerar uma experiência previsível para quem o ocupa.
In a história arquitetônica do território mexicano, o ambiente construído funcionou não apenas como um palco humano, mas como uma infraestrutura biológica projetada para organizar a proximidade entre as espécies. A lógica espacial resultante não é uma performance solo, mas uma coexistência negociada entre corpos humanos e animais. Examinar essa herança hoje significa desviar o foco analítico da autoria estilística em direção a um fenômeno mais fundamental: a persistência de práticas espaciais que surgiram para sustentar formas de vida compartilhadas.
Muitas das características arquitetônicas hoje interpretadas como marcadores culturais ou estéticos — portais monumentais, pátios amplos e superfícies duráveis — podem ser compreendidas, na verdade, como vestígios materiais de um contrato entre espécies. Durante séculos, cavalos, mulas e o gado não foram elementos externos à arquitetura, mas habitantes essenciais cuja presença física moldou a escala, a circulação e as escolhas materiais. Seus corpos deixaram marcas mensuráveis no espaço, desde a altura das entradas que acomodavam cavaleiros e amazonas até sistemas de pavimentação projetados para resistir aos cascos, ao atrito e ao desgaste biológico. Em nenhum lugar esse contrato era mais visível do que no térreo da casa colonial.
O ArchDaily nasceu dentro de uma universidade, fundado por uma dupla de estudantes de arquitetura que acreditavam que o conhecimento arquitetônico deveria ir mais longe do que ia naquele momento. Dezoito anos depois, essa convicção não mudou — mas as perspectivas, as ferramentas e as oportunidades cresceram. Lançamos o Student Ambassador Programpara dar à próxima geração de arquitetos/as um papel direto na conexão entre suas universidades e o debate global sobre arquitetura.
Nicolás Valencia conversa em Santiago com o arquiteto chileno Cristián Izquierdo, autor do livroComposición centralizada, uma seleção de oito ensaios sobre oito casas projetadas e construídas por Izquierdo no Chile, entrelaçando teoria e prática.
Quem é Cristián Izquierdo? É arquiteto pela Pontifícia Universidade Católica do Chile e mestre (MSc) pela Columbia University. É sócio da Izquierdo Lehmann Arquitectos e fundador do Taller Tecton, onde desenvolve projetos cívicos de baixas emissões. É autor de Composición Centralizada e El material de lo construido. Recebeu reconhecimentos como o Architectural Record Design Vanguard e a Medalha AOA de Arquiteto Jovem Destacado. É professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile.
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