O forro é uma das maiores superfícies contínuas em um espaço; no entanto, por que raramente é o primeiro elemento arquitetônico que as pessoas notam? Frequentemente percebido como o plano que oculta a estrutura e as instalações prediais, ele discretamente recua para o segundo plano, enquanto fachadas, materiais, sistemas estruturais e mobiliário definem a identidade arquitetônica de um edifício. No entanto, poucos elementos arquitetônicos influenciam a experiência de um espaço de forma tão consistente quanto este. O forro molda a maneira como o som se propaga, como a luz é refletida, como o ar se move pelo ambiente e, em última análise, como a arquitetura é vivenciada, reunindo desempenho técnico e expressão arquitetônica em uma única superfície contínua.
O teórico da arquitetura dinamarquês Steen Eiler Rasmussen observou em seu livro Experiencing Architecture que os forros moldam o caráter de um ambiente por meio do ritmo, da proporção, da luz e da atmosfera. Em vez de simplesmente fechar o espaço, eles ajudam a organizá-lo, definindo áreas e orientando a circulação sem a necessidade de paredes adicionais. À medida que os edifícios se tornaram maiores, mais abertos e mais dependentes de instalações prediais integradas, a arquitetura passou a exigir mais dessa superfície negligenciada. O forro transformou-se gradualmente de um componente construtivo oculto em um sistema arquitetônico ativo no qual acústica, iluminação, ventilação, conforto térmico e infraestrutura técnica pudessem convergir em um único plano.
Este artigo faz parte da nossa nova seção Opinião, um formato para ensaios baseados em argumentos sobre questões críticas que moldam nossa área.
Tradicionalmente, a visita a um museu é uma ocasião programada, com uma sequência claramente roteirizada. A chegada é marcada de forma cerimonial — por escadarias monumentais ou limiares, por bilheterias e balcões de informações, por um audioguia e um conciso prefácio institucional sobre missão e história. Esse caráter deliberado de "ocasião especial" decorre da forma como os museus foram concebidos por muito tempo: intencionalmente excepcionais, rigidamente curados e organizados em torno de um arco narrativo específico. Nesse modelo, o museu assume uma voz de autoridade — seu conhecimento é profundo, validado e deve ser respeitado, não contestado —, enquanto a arquitetura e a coreografia reforçam uma maneira única de entrar, aprender e lembrar.
Ao longo da última década, o conceito de espaço destinado às artes cênicas passou por uma transformação. Não mais vistos como destinos de propósito único, espera-se que os complexos culturais de hoje funcionem como ecossistemas flexíveis, geradores de receita e centrados na comunidade. Essa evolução tem desafiado arquitetos/as, operadores e proprietários a repensarem não apenas o projeto desses espaços, mas também como eles funcionam ao longo do tempo.
Vencedor do Primeiro Prêmio: Living on Groundwater. Imagem cortesia de Buildner
Em colaboração com a fabricante de materiais de construção Kingspan, a Buildner lançou o MICROHOME 2026, a décima primeira edição de seu concurso anual, que oferece um prêmio total de € 100.000. Esta competição global convida arquitetos/as, designers e mentes criativas a redefinirem o conceito de microcasas e a desenvolverem soluções sustentáveis e de ponta para a habitação compacta.
Ambos os livros são um registro inédito de arquiteturas de terra no vale do Loncomilla, no Chile, destacando mais de 40 obras que evidenciam as possibilidades desse modo de construir como uma alternativa real e sustentável.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093785/arquitetura-de-terra-no-chile-com-soledad-diaz-de-la-fuente-e-robert-newcombeArchDaily Team
Em 1743, uma pequena cabine suspensa por cordas foi instalada em um pátio do Palácio de Versalhes para o uso privado do rei Luís XV. Operada manualmente por servos ocultos aos olhos do público, a chamada "cadeira voadora" permitia o deslocamento entre pavimentos sem o uso de escadas, introduzindo, sem saber, uma das questões centrais da arquitetura moderna: como transportar pessoas verticalmente de maneira eficiente, segura e integrada ao edifício.
A mecanização desse princípio, com l'introdução do elevador de segurança no início da década de 1850, abriu caminho para uma transformação urbana sem precedentes. Sem o elevador, os arranha-céus de Chicago e Nova York na década de 1880 teriam sido inviáveis — não por limitações estruturais, mas por questões de acesso. O elevador não apenas permitiu construir mais alto, mas também definiu a lógica de funcionamento desses edifícios, a localização de seus núcleos, a organização de seus halls de entrada e quem poderia acessar cada espaço.
"Até 2050, quase todas as crianças do mundo — cerca de 2,2 bilhões de crianças — estarão expostas a ondas de calor frequentes." O alerta do UNICEF é frequentemente interpretado como uma previsão de saúde pública, mas também constitui um desafio para a arquitetura e para a maneira como as cidades são construídas. À medida que o calor extremo se intensifica pela Ásia, Europa e outras regiões, o conforto térmico não deve ser reduzido a um mero serviço interno fornecido por máquinas. O ar-condicionado tornou-se um sistema de suporte à vida para muitas cidades, especialmente em regiões densas, úmidas e em rápida urbanização. Contudo, depender dele como a resposta padrão significa tratar o calor como algo que pode simplesmente ser transferido para outro lugar (gerando calor adicional no processo) — expulso dos interiores para as ruas, becos de serviço, redes elétricas e a atmosfera. Sua expansão eleva a demanda energética, produz calor residual e reforça a desigualdade no acesso ao conforto.
O calor, no entanto, não se restringe ao corpo humano. Ele reorganiza o ecossistema urbano de forma mais ampla: as árvores sofrem com o solo compactado e pavimentos radiantes; pássaros e insetos perdem seu habitat quando a vegetação é reduzida a um paisagismo decorativo; os sistemas aquáticos se aquecem, a vida microbiana se altera, e os materiais absorvem e liberam calor muito depois de o sol ter se posto. O calor não é meramente um problema climático do qual se possa escapar em ambientes fechados. Trata-se de um agente urbano que remodela o espaço público, o trabalho, a mobilidade, o plantio, as escolhas de materiais e as relações frágeis entre a vida humana e a não humana.
WORKac é um escritório sediado em Nova York fundado em 2003 por Amale Andraos e Dan Wood. A equipe de arquitetura sempre acreditou no "poder da arquitetura e do design para engajar-se em questões socioambientais e criar novas possibilidades para o futuro." Nesse sentido, as lideranças do escritório definem sua abordagem da arquitetura como uma evolução constante. Para eles/as, trata-se de um processo contínuo de aprendizado, questionamento e reaprendizado, alimentado pelo engajamento do escritório com a cultura, os climas e as histórias locais, bem como pelo discurso nos campos da ecologia, da paisagem e do urbanismo. Dessa forma, conseguem articular esses temas com foco em projetos públicos, culturais e cívicos que buscam reinventar a maneira como as pessoas vivem, trabalham e vivenciam o mundo.
Nas regiões costeiras e de floresta tropical da Costa Rica, a alta umidade e a intensa radiação solar ditam uma estratégia arquitetônica focada na permeabilidade, e não no fechamento. Diferentemente das envoltórias herméticas necessárias em climas frios para reter o calor, a arquitetura costarriquenha utiliza a envoltória da edificação como um filtro climático para maximizar a troca de ar. O principal mecanismo para gerenciar esses gradientes térmicos parece ser o beiral prolongado da cobertura. Ao estender o plano da cobertura significativamente para além da projeção do piso, arquitetos e arquitetas criam uma barreira permanente de sombra profunda que reduz o ganho solar e diminui a temperatura ambiente antes que o ar entre na estrutura. Essa estratégia, combinada a paredes permeáveis ou inexistentes, permite um fluxo constante de ar — um requisito técnico crítico para o controle de umidade e para a prevenção da degradação de materiais por mofo e apodrecimento.
Utilizando chapas maciças de aço, muitas vezes com vários centímetros de espessura e pesando toneladas, as esculturas de Richard Serra transmitem uma sensação quase improvável de leveza. Esse efeito não resulta de uma redução de massa, mas de como essa massa é organizada: grandes superfícies curvas se inclinam, passagens estreitas comprimem o corpo e elementos aparentemente instáveis criam uma sensação constante de desequilíbrio. Serra transforma o peso em uma experiência espacial dinâmica.
Na arquitetura, a leveza ocupa um papel central pelo menos desde o período moderno. Se tradições anteriores, como as arquiteturas grega e romana, estavam intimamente associadas à estabilidade, e as grandes igrejas à monumentalidade, o século XX introduziu uma mudança decisiva na forma como a matéria é tratada, sobretudo por meio da separação entre estrutura e fechamento.
Como principal interface entre os espaços internos e o ambiente externo, as fachadas desempenham um papel central tanto no desempenho quanto na expressão arquitetônica dos edifícios. Cada vez mais, elas deixam de ser vistas como envelopes estáticos para se tornarem mediadoras ativas entre clima, energia, uso e estética. Em contextos urbanos densos, no entanto, elas também ganham relevância por outro motivo: enquanto as superfícies de cobertura costumam ser limitadas, fragmentadas ou já ocupadas por equipamentos técnicos, os envelopes verticais permanecem amplamente subutilizados em termos de produção de energia.
A arquitetura de edifícios em altura continua sendo um instrumento fundamental para acomodar a densidade em ambientes urbanos em rápida evolução. Tradicionalmente definida pela eficiência e repetição, a torre vem sendo cada vez mais reexaminada como um sistema espacial e organizacional mais complexo. Em diferentes geografias, arquitetos e arquitetas testam como as estruturas verticais podem ir além de funções únicas para incorporar programas em camadas, estratégias ambientais e novas formas de ocupação.
A seleção a seguir reúne projetos não construídosenviados pela comunidade do ArchDaily, destacando uma variedade de abordagens para a torre contemporânea. De empreendimentos de uso misto e edifícios residenciais em altura a propostas ecológicas especulativas, essas obras refletem uma mudança contínua na forma como a arquitetura vertical é concebida. Tais torres dialogam com questões mais amplas de privacidade, coexistência, adaptabilidade e integração urbana.
Vencedor do Primeiro Prêmio: A Thread Through Time. Imagem cortesia de Buildner
Buildner anunciou os resultados do Dubai Urban Elements Challenge, um marco entre os concursos internacionais de design, organizado em colaboração estratégica com a Autoridade de Estradas e Transportes de Dubai (RTA). Com um prêmio total de 2.000,000 AED (aproximadamente €500.000), a iniciativa representa uma das mais expressivas competições globais de design financiadas por recursos públicos com foco em transformação urbana.
O concurso foi concebido como uma plataforma prospectiva de inovação e contratação para um dos ambientes metropolitanos de evolução mais rápida do mundo. Os/as participantes foram convidados/as a propor elementos urbanos modulares e responsivos ao clima — sistemas de assentos, dispositivos de sombreamento, infraestrutura de iluminação, componentes de sinalização (wayfinding), áreas de descanso e estruturas de microcomércio — projetados para valorizar a vida de pedestres e fortalecer a identidade do espaço público de Dubai.
Barcelona é a primeira cidade na história do Congresso Mundial de Arquitetura da UIA a sediar o evento duas vezes. A edição de 1996, Present and Futures: Architecture in Cities, ocorreu em um momento de transição, quando a cidade pós-olímpica consolidava um modelo urbano que se tornaria um dos mais estudados e contestados no urbanismo contemporâneo, e quando a arquitetura aprendia a pensar a grande metrópole como seu principal campo de investigação. Trinta anos depois, a mesma cidade retoma a questão sob outra perspectiva: uma em que o ambiente construído não pode mais ser compreendido como um objeto autônomo, mas sim a partir dos amplos sistemas ecológicos, materiais e políticos que o sustentam. O tema do Congresso de 2026 — Becoming. Arquiteturas para um planeta em transição — não abandona as preocupações urbanas de 1996, mas as reapresenta a partir de uma escala planetária.
A equipe de curadoria desta edição, formada por Pau Bajet, Maria Giramé, Mariona Benedito, Tomeu Ramis, Pau Sarquella e Carmen Torres, aborda a arquitetura como uma ferramenta crítica e transformadora enraizada no território, atuando na intersecção entre prática profissional, pesquisa acadêmica e ensino. Seu programa estrutura o Congresso em torno de seis linhas temáticas interconectadas (Devir Mais-que-humano, Devir Circular, Devir Incorporado, Devir Interdependente, Devir Hiperconsciente e Devir Sintonizado) e o distribui por três sedes de caráteres muito distintos — Les Tres Xemeneies del Besòs, o Disseny Hub em Glòries e o CCIB —, cada uma escolhida tanto pelo que representa quanto pelo que pode abrigar.
A revitalização de centros históricos tem se tornado uma estratégia recorrente nas cidades centro-americanas que buscam reafirmar a relevância simbólica, econômica e funcional de seus núcleos tradicionais. Esses processos frequentemente combinam reabilitação física, investimento institucional e um controle mais rígido sobre o espaço público. San Salvador oferece um caso recente e instrutivo, que permite compreender como as intervenções em espaços cívicos herdados equilibram a melhoria da infraestrutura com a conservação do patrimônio e a regulação social. Além disso, possibilita avaliar como essas escolhas ecoam em debates mais amplos sobre a transformação urbana na região.
Quem tem direito à cidade? Os escritos de Henri Lefebvre questionam as estruturas que controlam o espaço urbano e, em vez disso, colocam a população no centro das tomadas de decisão. Suas ideias influenciaram a maneira como a arquitetura e o desenho urbano são praticados, impulsionando a participação comunitária e o co-design. Estes têm sido alguns dos temas mais proeminentes no Utopian Hours 2026, o festival de desenvolvimento urbano, cuja primeira parte foi realizada na cidade holandesa de Roterdã para marcar sua edição de décimo aniversário.
Programas voltados à hospitalidade, especificamente cafeterias e centros sociais, são definidos em parte por seu papel como "terceiros lugares": âncoras sociais que fazem a ponte entre a vida privada e a pública. Ao contrário de programas residenciais ou comerciais de escritórios, que exigem divisões rígidas para privacidade e funcionalidade, esses espaços dependem de ambientes amplos e em plano aberto. Isso viabiliza uma estratégia arquitetônica de intervenção mínima, permitindo que o envelope estrutural permaneça intacto. Ao evitar a subdivisão do espaço, a equipe de projeto mantém linhas de visão desimpedidas para a alvenaria original, as estruturas de madeira ou os tetos decorativos, garantindo que a narrativa histórica do edifício permaneça como protagonista. Simultaneamente, a atividade comercial proporciona a manutenção necessária e o engajamento público indispensáveis para garantir a existência contínua do local.
Com 48 leitos psicogeriatrícos e 68 apartamentos acessíveis para cadeirantes, acomodações para cuidadores/as informais e espaço para cuidados de enfermaria, o edifício De Keyzer foi inaugurado em Amsterdã em 2011. Seu programa havia sido inteiramente concebido para pessoas idosas que necessitam de assistência, mas, pouco tempo após a conclusão, o edifício foi vendido a um fundo de investimento e os apartamentos começaram a ser alugados para famílias jovens com crianças.
Para os/as arquitetos/as do projeto, Tom Frantzen e Karel van Eijken, o episódio poderia ter sido interpretado como uma falha de previsão. Em vez disso, tornou-se uma confirmação. "Isso mostrou, com muita clareza, que os edifícios podem acabar sendo usados de maneiras completamente diferentes das originalmente previstas", lembra Frantzen. A transformação só foi possível porque os apartamentos eram generosos e porque a estrutura permitia usos mais diversos do que os previstos no programa original. Se o edifício tivesse sido projetado exclusivamente para sua função inicial, a mudança de uso provavelmente teria exigido uma reforma destrutiva ou, em caso extremo, a demolição.
A arquitetura há muito se sente atraída pela ideia de leveza. Desde os primeiros experimentos modernistas que buscavam preservar as paisagens, elevar as edificações tem sido compreendido como uma forma de poupar o solo e manter a continuidade do terreno. Volumes são erguidos sobre pilares, infraestruturas descolam a circulação da superfície e programas inteiros são suspensos acima do chão.
Isso foi formalizado no início do século XX por meio do conceito de pilotis de Le Corbusier, que propunha a liberação do pavimento térreo de qualquer fechamento. Ao elevar as edificações sobre pilares, buscava-se manter a continuidade com o terreno, permitindo que o movimento, a vegetação e o uso coletivo se desenvolvessem sob os volumes construídos. O edifício ocuparia o ar, enquanto o chão permaneceria aberto, acessível e compartilhado.
A visualização de arquitetura há muito desempenha um papel fundamental na comunicação e na formatação de ideias de projeto. Hoje, essa atribuição está se expandindo. Com o avanço da inteligência artificial, a visualização passa a se integrar de maneira mais profunda a todo o fluxo de trabalho de projeto, viabilizando iterações mais rápidas e tomadas de decisão mais fundamentadas.
Nas últimas décadas, cidades de todo o mundo testemunharam um aumento na demolição de vias expressas elevadas de concreto. Taipei, Seul, Portland e Boston, por exemplo, vivenciaram a ascensão e a queda dessas infraestruturas para dar lugar a parques e novas propostas de regeneração urbana. Em outros casos, como em Montreal, no Canadá, houve oposição às vias expressas antes mesmo de sua construção, o que permitiu desviar viadutos, preservar o patrimônio histórico e desobstruir as vistas para a orla. Para San Francisco, nos Estados Unidos, a história da Embarcadero Freeway é uma daquelas narrativas que servem como estudo de caso da ambição infraestrutural de meados do século passado, da reação da população ao projeto e de sua eventual reversão em prol da conectividade urbana.
Sob o tema Common Ground, a ICFF 2026 reuniu a comunidade internacional de design por meio de um foco compartilhado na excelência artesanal e na inovação. De 17 a 19 de maio de 2026, a ICFF (International Contemporary Furniture Fair) retornou ao Javits Center para uma edição histórica que celebrou a comunidade global de design durante o NYCxDESIGN.