Na América Latina, o solo raramente é apenas uma superfície sobre a qual se constrói. Pode ser a margem de um rio, uma encosta íngreme, o chão úmido de uma floresta, uma paisagem inundável ou um território sob pressão ecológica. Em muitos casos, carrega uma história de comunidades que já sabiam como responder a essas condições, construindo sobre palafitas, plataformas ou sobre a água, muito antes de a arquitetura contemporânea formular as mesmas perguntas.
Esses projetos dão continuidade a esse diálogo. Eles interagem com condições que se movem, absorvem, sofrem erosão e crescem, em vez de tratar o solo como algo a ser nivelado ou controlado. A elevação permite que a arquitetura se adapte sem se impor completamente: a água pode passar por baixo, a vegetação pode permanecer e as encostas mantêm sua condição original. Em cada caso, a decisão de elevar a estrutura está atrelada a fatores específicos: água, umidade, topografia, vegetação ou recuperação ecológica, além do conhecimento de como construir a favor do entorno, e não contra ele.
A Buildner anunciou os resultados da 7ª edição do Museum of Emotions Competition. O Museum of Emotions é um concurso internacional anual de projeto que desafia os/as participantes a explorar até que ponto a arquitetura pode ser utilizada como ferramenta para evocar emoções.
O programa propõe a criação de um museu conceitual com duas salas de exposição: uma projetada para induzir emoções negativas; a outra, para induzir emoções positivas. Os/as participantes têm a liberdade de escolher qualquer local de sua preferência, real ou imaginário, bem como a escala do projeto. O significado de "positivo" e "negativo" fica aberto a interpretações: quais seriam as duas emoções contrastantes na visão de um/a designer? Como um/a arquiteto/a conceberia espaços capazes de suscitar medo, raiva, ansiedade, amor ou felicidade?
A arquitetura sempre dependeu de sistemas de representação para tornar as ideias visíveis antes que elas existam. Mas se a perspectiva linear de Filippo Brunelleschi, no século XV, organizava o espaço de acordo com a percepção humana, hoje, arquitetos e arquitetas enfrentam uma saturação inédita de imagens. A inteligência artificial gera atmosferas em segundos, e os projetos circulam continuamente muito antes do início da construção. No entanto, a abundância de imagens não se traduz necessariamente em maior clareza e, à medida que os fluxos de trabalho se tornam mais rápidos e fragmentados, as representações visuais às vezes circulam descoladas das decisões, restrições e intenções que as geraram. O verdadeiro valor da visualização moderna já não se limita à renderização de uma imagem final — trata-se de como o projeto e a comunicação visual são compreendidos coletivamente ao longo de todo o processo.
As instituições culturais representam um campo ativo para a exploração arquitetônica de projetos não construídos, refletindo como arquitetos e arquitetas continuam a questionar o papel dos edifícios públicos na configuração da vida urbana. Nesta edição do Unbuilt, enviada pela comunidade do ArchDaily, as propostas selecionadas reúnem uma série de projetos que abordam museus, centros de exposições e edifícios diplomáticos como locais de encontro público. Em vez de tratar esses programas como tipologias rígidas, essas propostas os abordam como cenários espaciais em constante evolução, por meio dos quais as cidades se relacionam com a história, o conhecimento e a representação.
Em diferentes geografias, de Wenzhou e Helsinque a Belgrado, Debrecen, Cidade do México e Nuremberg, as propostas exploram distintas respostas à arquitetura cultural contemporânea. Elas variam desde a reutilização adaptativa de estruturas industriais e ideológicas até novos edifícios integrados a frentes marítimas, parques e bairros residenciais. Enquanto algumas propostas enfatizam a continuidade com os contextos históricos, outras experimentam estruturas mais leves, estratégias ambientais ou novas relações entre as atividades internas e o espaço público. Juntas, oferecem um panorama de como as instituições culturais estão sendo reimaginadas em diversas condições urbanas.
Tanto em cidades quanto em paisagens, essas injustiças estão inscritas no tecido físico dos lugares, revelando, inclusive, disparidades extremas nas condições ambientais entre bairros e distritos. Bairros densos e com pouca cobertura vegetal, por exemplo, absorvem e retêm calor, expondo a população residente a taxas mais elevadas de enfermidades relacionadas ao calor. Rodovias, corredores industriais, portos e instalações de tratamento de resíduos concentram-se próximos a bairros de baixa renda e comunidades racializadas, moldando as condições de saúde, a qualidade do ar e do solo, e a segurança a longo prazo.
Fundado como um escritório que atua na interseção entre arquitetura e projetos de base comunitária, o pk_iNCEPTiON está sediado em Maharashtra, Índia. O estúdio, um dos vencedores do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards, desenvolve escolas rurais, casas, bibliotecas e edifícios públicos, sempre com foco na organização espacial e na adaptabilidade. Atuando em diversos contextos sociais e climáticos, o pk_iNCEPTiON aborda o projeto com uma atenção minuciosa ao movimento, à escala e à relação entre a forma construída e o espaço livre.
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Render aéreo con IA de paisajismo detallado: vegetación y equipamiento con complejidad geométrica, visual y material. Diseño por Fundación Kennedy | RenderAI.app. Image Cortesía de Render AI
A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia emergente para se tornar uma ferramenta de uso cotidiano. Arquitetos/as e designers de interiores a integram em seus fluxos de trabalho, reduzindo o tempo entre a ideia inicial e a sua concretização. No campo da visualização, a IA incorporou-se de forma natural a instrumentos e processos existentes, colaborando com ferramentas como Revit, AutoCAD, SketchUp, Lumion, Enscape ou Twinmotion.
Nesse contexto, o Render AI surgiu há mais de três anos com um objetivo claro: integrar-se ao processo de forma rápida e intuitiva. Trata-se de uma ferramenta de renderização baseada em inteligência artificial desenvolvida para escritórios de design, arquitetura e design de interiores, capaz de transformar esboços, modelos 3D, capturas do Revit, plantas ou fotografias em imagens prontas para apresentação aos clientes.
Duas semanas e mais de 85.000 indicações depois, foram definidos os finalistas do Building of the Year Awards deste ano. A seleção reflete o perfil do próprio público do ArchDaily que a escolheu: geograficamente diversa, generosa em ideias e precisa em suas intenções. Reunindo projetos de 46 países, em uma ampla variedade de tipologias e escalas, a lista apresenta um belo panorama do momento atual da arquitetura.
Convidamos você a navegar pela seleção e votar em seus projetos favoritos. Abaixo, apresentamos os 75 finalistas divididos em suas respectivas categorias. A votação estará aberta até o dia 18 de fevereiro, às 18:00 EST. Agradecemos a sua participação — ela é fundamental para consolidar este como o maior prêmio de arquitetura do mundo decidido pelo público.
A figura de Titono na mitologia grega propõe uma reflexão sobre o paradoxo da permanência. Ao suplicar a Zeus pela imortalidade, ele se esqueceu de pedir a juventude eterna, o que resultou em uma vida de envelhecimento sem fim. Com o passar do tempo, seu corpo se deteriora, transformando a própria imortalidade em um fardo. A narrativa sugere uma contradição fundamental: a permanência, quando desvinculada da capacidade de mudança, deixa de ser uma qualidade desejável. Em vez de estabilidade, gera uma decadência acumulada sem adaptação.
Historicamente, a arquitetura frequentemente caiu na chamada "Armadilha de Titono". Os materiais são especificados para resistir ao tempo, os sistemas são detalhados para evitar transformações e os edifícios são concebidos como imagens estáticas. No entanto, essa busca pelo estático raramente sobrevive à realidade das intempéries. Entre o momento do projeto — frequentemente associado a representações precisas e controladas — e a vida útil de uma edificação, as superfícies inevitavelmente sofrem desgaste, mudam de aparência e perdem seu acabamento original. O envelhecimento costuma ser interpretado como uma perda, em vez de ser incorporado como parte da linguagem arquitetônica.
Casa Carbonero (1998). Melipilla, Chile. Imagem cortesia de Smiljan Radić
O arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke desenvolveu uma obra que resiste a categorizações fáceis. Seus edifícios muitas vezes parecem simultaneamente arcaicos e provisórios, portando uma presença monumental enquanto preservam uma inesperada sensação de fragilidade. Pedra, concreto, madeira, tecido e fibra de vidro combinam-se de maneiras surpreendentes, gerando arquiteturas que flutuam entre a permanência e a efemeridade. Em vez de buscar uma linguagem formal estável, o laureado com o Pritzker de 2026 aborda a arquitetura como um campo aberto de experimentação, no qual o comportamento dos materiais e a percepção estrutural são constantemente testados.
Soporte oculto para vigas - CBH. Image Cortesía de Simpson Strong Tie
No campo da arquitetura, a madeira foi um dos primeiros materiais utilizados pelos seres humanos na construção, evoluindo e enfrentando vários desafios ao longo dos anos. Desde a incorporação de novas tecnologias nos processos de produção industrial até técnicas e materiais ancestrais reinterpretados de forma contemporânea, a construção em madeira continua despertando interesse entre profissionais da arquitetura e do design. Além de sua versatilidade, resistência, aparência e sustentabilidade, a madeira contralaminada, conhecida como CLT, apresenta um cenário promissor para o futuro da indústria.
A série Coya da Dornbracht, projetada pela Sieger Design. Imagem cortesia de Dornbracht
Quando uma forma deixa de ser circular ou retangular? No modernismo do século XX, essa pergunta praticamente não existia. A arquitetura se baseava na clareza, na redução e na pureza formal. Sob a influência de arquitetos/as como Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe, o design modernista estabeleceu uma ordem visual pautada na geometria racional, em materiais industriais e na rejeição ao ornamento. Círculo e quadrado, função e expressão eram mantidos sob rígida separação — uma lógica que ditou, por décadas, os layouts rígidos e modulares dos banheiros tradicionais.
Atualmente, o aprendizado e o intercâmbio interdisciplinares são mais importantes do que nunca para enfrentar os desafios ambientais, sociais e urbanos cada vez mais complexos.
A cada verão, o College of Environmental Design (CED) da Universidade da Califórnia, Berkeley, torna-se um laboratório intensivo para exploração arquitetônica, paisagística e urbana. Por meio de dois programas complementares — o Design + Innovation for Sustainable Cities (DISC) e os Summer Institutes —, Berkeley oferece um currículo imersivo fundamentado no rigor disciplinar, no intercâmbio intencional e em uma cultura institucional compartilhada. Juntos, esses programas refletem a histórica estrutura multidisciplinar do CED, na qual a arquitetura, a arquitetura paisagística, o planejamento urbano e o desenho urbano prosperam e colaboram sob o mesmo teto.
Em diferentes climas e culturas construtivas, diversos projetos contemporâneos estão trabalhando com as formas locais de construir a partir de novas abordagens. Paredes de terra, estruturas de bambu, limiares sombreados e processos de construção coletiva estão sendo reconsiderados não como meras referências, mas como ferramentas para lidar com as condições que a arquitetura enfrenta hoje e continuará enfrentando no futuro.
Nesses projetos, o conhecimento vernacular se manifesta por meio de decisões práticas: como resfriar um edifício sem o uso de máquinas, como construir com o que está disponível no entorno, como facilitar a manutenção de uma estrutura e de que forma manter o conhecimento construtivo dentro da comunidade que irá utilizá-la. As condições que tornam esse conhecimento indispensável não estão por vir. Elas já estão presentes.
Invenção da cor, de Hélio Oiticica. Imagem via Carlos Reis Wikimedia Commons, CC BY-NC-SA 2.0
Muitas das ideias espaciais que hoje associamos à arquitetura contemporânea, ao uso coletivo e à experiência corporal não se originaram apenas nos edifícios. Na América Latina, esses conceitos foram frequentemente explorados primeiro por meio da arte, em um momento em que artistas questionavam ativamente como o espaço poderia ser ocupado, compartilhado e vivenciado para além das formas tradicionais.
Em meados do século XX, a região passou por uma rápida urbanização e por profundas transformações sociais. Esperava-se cada vez mais que a arquitetura respondesse à vida pública, à coletividade e a novas maneiras de habitar o espaço. Paralelamente, a arte oferecia um campo de experimentação mais flexível, menos condicionado pela função, pelas regulamentações ou pela permanência. Como resultado, muitas questões espaciais foram testadas por meio de práticas artísticas antes de passarem a integrar o pensamento arquitetônico.
Convidamos você a participar do ArchDaily China's 2026 Building of the Year Awards. Pedimos que nos ajude a reconhecer e premiar os projetos que, em sua opinião, estão gerando o maior impacto no ambiente construído e que foram publicados em nosso banco de dados no ArchDaily China em 2025. Ao indicar e votar, você passa a fazer parte de uma rede interdependente, imparcial e distribuída de jurados/as e pares que tem nos ajudado continuamente a celebrar a arquitetura de todas as escalas, propósitos e condições, de países grandes e pequenos, realizada por arquitetos/as de todas as trajetórias. Nas próximas semanas, seus votos farão com que uma lista de 455 projetos seja reduzida a apenas 15 finalistas. Os 15 projetos mais indicados seguirão para a etapa de votação.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093917/ultimos-dias-para-indicacoes-ao-premio-obra-do-ano-2026-do-archdaily-china韩爽 - HAN Shuang
Áreas de remediação. Imagem cortesia de Ezequiel Lopez, Maria Victoria Echegaray e Agustina Durandez
Quando se pensa na Argentina, costuma-se imaginar marcos como o Obelisco de Buenos Aires. No entanto, o país se estende por mais de 2.780.400 km², sendo um dos maiores da América do Sul e abrigando uma ampla diversidade de paisagens e realidades que frequentemente passam despercebidas. De fato, a província de Jujuy, no norte da Argentina, está localizada no Triângulo do Lítio: uma região de alta altitude compartilhada com a Bolívia e o Chile que concentra cerca de 54% das reservas mundiais de lítio. Nesse território encontra-se o Salar de Olaroz, um local onde hoje convergem duas dinâmicas conflitantes: a expansão da extração industrial de lítio e a preservação da cultura e das terras ancestrais habitadas pelas comunidades Kolla e Atacama, gerando um embate entre a extração industrial de alta capacidade e as práticas agrícolas tradicionais de baixo impacto.
Diante dessa problemática, uma das equipes vencedoras do ArchDaily Student Project Awards, composta por Ezequiel Lopez, Maria Victoria Echegaray e Agustina Durandez, decidiu investigar o tema. O trabalho foi desenvolvido como projeto de conclusão de curso para a graduação em Arquitetura na Universidade Nacional de Córdoba. A proposta nasce do interesse em dialogar com territórios que permanecem periféricos ao discurso arquitetônico, utilizando o trabalho de conclusão como uma oportunidade para uma pesquisa profunda e contínua. Isso possibilitou a formulação de respostas projetuais embasadas e fundamentadas nas realidades territorial e socioeconômica. Ao rejeitar a oposição binária entre extração e preservação, o projeto aborda o território como um sistema no qual ambas as dinâmicas podem coexistir por meio da mediação espacial e técnica.
O terceiro episódio do podcast Room For Dreams enfrenta um dos dilemas mais urgentes do planejamento urbano contemporâneo: como dar nova vida a estruturas antigas sem apagar sua história. Gravada ao vivo na Milan Design Week 2026 em colaboração com a INDX|GLOBAL, esta sessão dinâmica reúne um painel de arquitetos/as — Kiran Gala, Vivek Gupta e Carl Bhesania — para destrinchar as complexas realidades do reuso adaptativo.
O papel da reabilitação do patrimônio na paisagem arquitetônica contemporânea é moldado por uma ampla gama de pesquisas, crenças, memórias e esforços que buscam redefinir e fortalecer nosso ambiente construído. Ao assumir um projeto de transformação, renovação ou preservação, arquitetos/as podem empregar diversas estratégias e ferramentas para incentivar uma coexistência significativa entre o existente e o novo. Junto a três escritórios de arquitetura sediados em Madri — SOLAR, Pachón-Paredes e BA-RRO —, propusemo-nos a dialogar e explorar seus processos criativos e ideais, reconhecendo a complexidade e o valor dos edifícios históricos como repositórios de materiais, estruturas e técnicas construtivas de outras eras.
Buildner anunciou os resultados de seu concurso, o Last Nuclear Bomb Memorial No.6. Este concurso é realizado anualmente em apoio à proibição universal das armas nucleares. Em 2017, no 75º aniversário dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki em 1945 — que ceifaram a vida de mais de 100.000 pessoas —, as Nações Unidas adotaram o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.
Martínez de Guereñu estuda a obra que Lilly Reich e Mies van der Rohe construíram em parceria criativa: desde a famosa Sala de Vidro na exposição de Habitação de Stuttgart e o Café de Veludo e Seda na exposição A Moda Feminina de Berlim, ambas em 1927, até sua obra-prima na seção alemã da Exposição Internacional de Barcelona em 1929, o Pavilhão representativo da Alemanha.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093923/vida-e-obra-de-lilly-reich-segundo-laura-martinez-de-guerenu-e-anna-ramosArchDaily Team
Três projetos foram escolhidos pela comunidade do ArchDaily em Espanhol como os vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026. Os vencedores, representando o Peru e o Equador, foram selecionados após três semanas de votação pública, entre mais de 800 projetos. O prêmio reconhece o melhor da arquitetura da América Latina e da Espanha, decidido por sua comunidade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093782/descubra-os-vencedores-do-premio-obra-do-ano-2026-do-archdaily-em-espanholArchDaily Team