A sustentabilidade na arquitetura é frequentemente abordada como um desafio universal, resultando em soluções padronizadas que priorizam a eficiência em detrimento do contexto. No entanto, a arquitetura está intrinsecamente ligada ao seu ambiente — os edifícios interagem com o clima, a topografia e a história cultural de maneiras que exigem especificidade. Em vez de depender de listas de verificação de sustentabilidade padronizadas, como a arquitetura pode adotar soluções específicas para o local? Essa discussão está profundamente conectada ao conceito de Genius Loci, ou o espírito do lugar, introduzido por Christian Norberg-Schulz e adotado por arquitetos/as que defendem projetos em sintonia com seu entorno. Essa filosofia sugere que a arquitetura não deve ser imposta a um terreno, mas sim emergir dele, informada por seus materiais, clima e relevância cultural. Esse pensamento contesta a aplicação generalizada de tecnologias sustentáveis genéricas, propondo, em contrapartida, que a sustentabilidade deve estar intrinsecamente ligada ao local onde se insere.
À medida que as instituições de ensino em todo o mundo se adaptam às constantes mudanças nas demandas da sociedade, a arquitetura voltada ao aprendizado também evolui. Esta seleção com curadoria reúne projetos enviados pela comunidade global do ArchDaily, destacando como arquitetos e arquitetas estão repensando o futuro de escolas e universidades por meio do design. Essas propostas refletem preocupações globais urgentes: a importância da educaçãocentrada na comunidade, a revitalização de edifícios e bairros históricos, a integração de sistemas naturais e a busca por expressões espaciais que acomodem tanto o ensino formal quanto as trocas informais. Sejam situados em centros urbanos densos, vilas rurais ou paisagens costeiras, esses projetos respondem a contextos culturais e ambientais específicos, ao mesmo tempo em que dialogam com questões arquitetônicas mais amplas de sustentabilidade, acesso e identidade.
A Mongólia, o segundo maior país do mundo sem saída para o mar, estende-se por 1,5 milhão de quilômetros quadrados. No entanto, mais de 50% de sua população — cerca de 1,7 milhão de pessoas — reside em Ulaanbaatar, uma cidade que ocupa apenas 0,3% da área territorial total do país. Essa concentração demográfica desproporcional resultou em graves desequilíbrios no desenvolvimento regional e em crescentes desafios urbanos na capital.
Diante desse cenário, Ulaanbaatar tem passado por uma série de iniciativas abrangentes de desenvolvimento urbano. Desde a introdução do primeiro plano diretor, em 1954, já foram elaborados seis planos desse tipo. O mais recente deles, o Plano Diretor Ulaanbaatar 2040, inclui uma visão estratégica para descentralizar o crescimento urbano por meio do desenvolvimento de duas novas cidades-satélite — uma das quais é o projeto Hunnu City.
A escolha dos tipos de portas desempenha um papel crucial na definição da experiência e da atmosfera espacial da arquitetura. Para além do material ou do estilo, a maneira como uma porta é detalhada — seu movimento, peso e modo de operação — pode influenciar drasticamente a forma como um espaço é percebido e percorrido. No entanto, o que de fato viabiliza a funcionalidade de diferentes tipos de portas são as ferragens, um elemento frequentemente negligenciado. Mesmo para um mesmo tipo de porta, a escolha de dobradiças, trilhos, pivôs e puxadores pode afetar significativamente a maneira como as pessoas interagem com o espaço e o interpretam.
Andanzas y visiones españolas é o livro no qual Miguel de Unamuno reúne suas experiências durante excursões pelas cidades e campos da Espanha, acompanhado por amigos e colegas. Mais do que uma descrição geográfica precisa, o texto consiste em narrativas nas quais cada região e cada aspecto do território deixam uma marca profunda em seu pensamento. O discurso literário tece ativamente a diversidade do cenário, o clima e o contextualismo como fios condutores fundamentais, apresentando o território não apenas como um lugar físico, mas também como um espaço de reflexão e contemplação. Esse olhar atento para a paisagem — tão diversa na arquitetura espanhola — também ressoa no ambiente construído, promovendo na prática contemporânea uma adaptação sensível às variadas condições climáticas do país, tanto por meio de estratégias de projeto quanto de escolhas de materiais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142656/arquitetura-sensivel-ao-contexto-na-espanha-7-projetos-que-destacam-estrategias-materiaisEnrique Tovar
Localizada no sul da chamada "Land Down Under", Melbourne é uma cidade que resiste a definições simplistas. Enquanto refinadas fachadas vitorianas confrontam ruelas cobertas de grafite, jardins públicos meticulosamente cuidados coexistem com antigos galpões industriais transformados em cafés, estúdios e espaços culturais. É justamente nesse contraste entre o planejamento deliberado e a apropriação espontânea que reside a essência arquitetônica da metrópole.
Sua história começa com o povo aborígene Kulin, que por milênios habitou as margens do Rio Yarra, desenvolvendo complexos sistemas de gestão da terra, espiritualidade e organização social. Com a chegada dos colonizadores britânicos em 1835, iniciou-se o capítulo da cidade moderna — um processo marcado não apenas pelo crescimento e desenvolvimento urbano, mas também por violência, deslocamento forçado e apagamento cultural. Os efeitos desse legado ainda são sentidos hoje, mesmo diante dos esforços contemporâneos de reconhecimento e reconciliação.
Existe um tipo particular de arquitetura que não começa com uma página em branco. Ela começa no silêncio, em ruínas, em paredes moldadas pelo tempo. Começa pela escuta. Em vez de se impor, ela se aproxima, lentamente, escolhendo tocar em vez de sobrescrever. Trata-se de uma arquitetura que dialoga com o passado sob a ótica do presente, não para apagá-lo ou imitá-lo, mas para lhe oferecer continuidade.
A arquitetura contemporânea reconhece cada vez mais que construir com o passado não significa se deixar limitar por ele. O patrimônio já não é visto como um obstáculo, mas como um campo ativo para o projeto. Nessa mudança de perspectiva, a preexistência torna-se mais do que uma condição física — transforma-se em um fio condutor, uma presença estrutural e simbólica que convida ao cuidado. Em vez de impor dominância, muitos/as arquitetos/as hoje optam por responder com gestos deliberados, silenciosos e precisos. Essas intervenções emolduram em vez de substituir, protegem em vez de obscurecer. Com isso, permitem que a história permaneça visível, não como um mero pano de fundo, mas como uma camada viva da experiência arquitetônica.
Por séculos, a arquitetura tem sido moldada pela aspiração de criar uma transição suave entre o interior e o exterior. Hoje, sistemas de janelas e fachadas tecnologicamente sofisticados permitem que arquitetos/as projetem conceitos de ambientes abertos e inundados de luz sem perder calor. A janela de correr cero maximum da Solarlux pode eliminar as fronteiras entre os espaços, o que se demonstra de forma ainda mais impressionante quando elementos de grande formato substituem os cantos dos edifícios. Trata-se de uma conquista técnica realizada inteiramente sem suportes que obstruam a vista. O sistema cero cria uma conexão direta e imediata com a natureza que vai muito além do que as soluções convencionais podem oferecer.
Entre os Andes, a costa e a Amazônia, a arquitetura do Equador evoluiu como um reflexo de sua geografia em camadas, um lugar onde clima, topografia e cultura se encontram. Ao longo do território, a arquitetura tem sido um ato de adaptação: das tradições vernáculas enraizadas no trabalho coletivo e nos materiais locais às influências coloniais e modernistas que redesenharam suas cidades. Essa diversidade gerou sistemas construtivos distintos, de estruturas de bambu e cana na costa a construções de terra e pedra nos Andes, formando um acervo de design adaptativo que continua a influenciar a prática contemporânea.
Contudo, na última década, a arquitetura equatoriana passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. Novos programas acadêmicos e referências internacionais estimularam uma conscientização crescente sobre o clima e a justiça social. Profissionais emergentes da arquitetura estão redefinindo a prática por meio de oficinas, estúdios coletivos e experimentação in loco que atenuam a fronteira entre projeto e ativismo. Longe de focar na arquitetura como um mero objeto, essa nova geração aborda o projeto como um processo — focado na colaboração, na sustentabilidade e na identidade cultural. Seus questionamentos mudaram a linguagem projetual: a pergunta já não é mais o que construir, mas com quem.
Nem tendência passageira, nem ameaça permanente: o alarme inicial está se dissipando. A inteligência artificial vem sendo cada vez mais adotada como uma ferramenta estratégica que, quando integrada de forma responsável, pode ser extremamente valiosa — sobretudo em processos participativos de desenho urbano focados na infância e na juventude.
Para explorar essa intersecção entre tecnologia, cidades e novas gerações, conversamos com Dolores Victoria Ruiz Garrido, arquiteta e fundadora do Little Architects, programa que ela criou há mais de uma década na Architectural Association (AA) em Londres. Com mais de 15 anos de experiência em urbanismo participativo, ela enfatiza que a IA pode ser uma ferramenta poderosa quando utilizada de forma ética e intencional — especialmente para enriquecer a educação e os processos de design voltados para a comunidade. No entanto, ela alerta: "A cidade não pode ser compreendida a partir da tela — ela deve ser apreendida pelo corpo, pelo caminhar e pelo maravilhamento. Antes de gerar imagens impressionantes ou visualmente belas para transformar a cidade, devemos ensinar a lê-la: a observar, compreender e conectar-se emocionalmente com ela."
A inovação está no cerne da arquitetura, manifestando-se através de novas abordagens projetuais, da experimentação material e, naturalmente, das formas de habitar. Diante disso, a concepção de edifícios e espaços internos passa por uma constante evolução. Esse processo é especialmente evidente em regiões com um rico patrimônio cultural, como a Espanha, onde a inovação reinterpreta as maneiras tradicionais de se relacionar com o espaço. Essa atenção à memória e à vida cotidiana estende-se aos interiores, nos quais cada intervenção tem o potencial de remodelar ativamente a experiência espacial das pessoas e abrir novas possibilidades de convivência e interação.
Profissionais de arquitetura reconhecem como as decisões de projeto para o exterior influenciam tanto a percepção quanto o desempenho de uma edificação. Uma marquise é mais do que uma estrutura funcional em balanço — trata-se de um manifesto visual, uma camada de controle ambiental e o reflexo da visão global do projeto.
Entre os materiais disponíveis, as marquises de alumínio sob medida tornaram-se uma escolha preferencial na arquitetura contemporânea por sua resistência, adaptabilidade e estética elegante. A seguir, destacamos suas principais vantagens.
Dando continuidade à nossa tradição anual, perguntamos aos nossos leitores e leitoras quem deveria receber o Prêmio Pritzker de 2025, a honraria mais prestigiosa da arquitetura.
Fundado por Jay Pritzker e administrado pela Fundação Hyatt nos Estados Unidos, o Prêmio Pritzker reconhece arquitetos e arquitetas vivos/as, independentemente de sua nacionalidade, cujo trabalho tenha gerado um impacto duradouro e significativo para a humanidade por meio da arte da arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142664/leitores-do-archdaily-escolhem-quem-deve-vencer-o-premio-pritzker-2025ArchDaily Team
O modernismo na arquitetura surgiu no início do século XX, impulsionado pelos avanços da ciência e da engenharia e por um distanciamento deliberado dos estilos históricos. O movimento defendia o foco na equidade social, no desenvolvimento urbano, na eficiência e no design funcional, marcando uma mudança significativa na filosofia arquitetônica. Com origem principalmente na Europa e nos Estados Unidos, o modernismo cativou a imaginação global com sua redefinição inovadora do espaço e da arquitetura. Sua disseminação pela Ásia foi facilitada por intercâmbios culturais — arquitetos/as do Leste Asiático que estudaram com modernistas de destaque e arquitetos/as europeus/ias que trabalharam no Leste Asiático por meio de colaborações internacionais ou sob influências do período colonial.
Fundado em Winnipeg, Manitoba, em 2007 por Johanna Hurme e Sasa Radulovic, e logo em seguida integrado por seu terceiro sócio, Colin Neufeld, o 5468796 Architecture estabeleceu-se como um escritório de arquitetura cujos primeiros trabalhos exploraram o estado atual da habitação na América do Norte. O estúdio canadense funciona como um coletivo de cerca de 20 designers que priorizam o valor coletivo das ideias em detrimento da autoria individual.
Para muitos lares na América Latina, fogões e aquecedores alimentados por combustíveis fósseis e biomassa, como o gás natural ou a lenha, constituem uma opção econômica e acessível. No entanto, esses aparelhos apresentam certos desafios: são fontes de emissão de gases de efeito estufa (GEE), contribuem para a poluição interna (ou intradomiciliar) e evidenciam a necessidade de políticas que promovam uma matriz energética residencial mais limpa. Esses desafios tornam-se ainda mais urgentes quando se considera que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com um aumento de 1,5 ºC em relação aos níveis pré-industriais, impulsionado por recordes de emissões de GEE decorrentes de atividades humanas. Esse cenário reforça a importância de adotar soluções sustentáveis em escala global em todos os setores, incluindo o residencial.
No início do século XX, a tuberculose representava um desafio significativo de saúde pública em toda a Europa, motivando a construção de instalações especializadas para a recuperação de pacientes. O Sanatório de Paimio na Finlândia destaca-se como um exemplo pioneiro do potencial da arquitetura para promover a cura. Projetado por Alvar Aalto entre 1929 e 1933, o sanatório combinava princípios de design inovadores com uma profunda compreensão das necessidades humanas, estabelecendo novas referências para a arquitetura de saúde.
Alvar Aalto, figura de destaque na arquitetura modernista, concebeu o Sanatório de Paimio como algo além de uma simples resposta funcional a uma crise médica. O arquiteto criou um espaço onde a arquitetura se transformava em um instrumento de cuidado, integrando luz natural, ventilação e formas harmoniosas para apoiar o bem-estar físico e emocional. Este projeto marcou um ponto de virada na carreira de Aalto, demonstrando sua habilidade de harmonizar ideais modernistas com uma profunda sensibilidade ao contexto e à experiência humana.
Buildner, em parceria com a Collective Action for Culture (C.A.C), a Prefeitura de Peja e o Ministério da Cultura do Kosovo, divulgou os resultados do concurso Peja Culture Pavilion – um concurso internacional de arquitetura que convidou arquitetos/as e designers a reimaginar um local de grande relevância histórica no coração de Peja, no Kosovo.
O concurso buscou propostas de projeto inovadoras e respeitosas que revitalizassem uma praça urbana negligenciada, que tem como ponto central uma fonte de água do século XV. Solicitou-se aos/às participantes que integrassem esse elemento do patrimônio cultural a um pavilhão multifuncional que pudesse servir de espaço para apresentações, reflexão, encontros e celebrações.
Nas últimas duas décadas, o Holcim Foundation Awards destinou US$ 20 milhões para destacar projetos transformadores desenvolvidos por profissionais de arquitetura, design e engenharia que lideram práticas pioneiras de design e construção sustentável. Para registrar essas trajetórias, a Fundação lançou uma série de curtas-metragens intitulada Words withWinners.
A série oferece um olhar aprofundado sobre projetos premiados de design sustentável por meio de entrevistas exclusivas com suas equipes de criação. O primeiro filme apresenta o campus da Universidade BRAC, concluído recentemente em Dhaka, e traz uma entrevista exclusiva com Wong Mun Summ, arquiteto/a líder e cofundador/a do WOHA, escritório de Singapura especializado em construções verdes.
O concreto está longe de ser um consenso. Há quem o ame e quem o odeie. Pode parecer tão duro quanto o granito ou tão macio quanto o veludo — tudo dependendo de quais mãos o moldam. Tratado com precisão de engenharia ou com um toque de sensibilidade artística, o concreto deixa de ser apenas um material e passa a ter vida própria. Brinca com a luz, surpreende pela textura e, de alguma forma, dá forma ao silêncio. Embora denso e estrutural, o concreto pode assumir uma presença quase imaterial: leve, etérea e contemplativa. Em certos espaços, parece desaparecer, dissolvendo-se nas sombras ou vibrando com a luz circundante. Mais do que um simples elemento construtivo, torna-se uma linguagem, capaz de evocar emoção, espiritualidade e tempo.
Todos os materiais têm uma origem, inseridos em uma cadeia de extração, fornecimento, produção e descarte que, a depender de sua escala, deixa marcas mais ou menos profundas no meio ambiente. Na arquitetura, costumamos abordar essa trajetória sob a ótica da circularidade dos materiais, considerando como eles podem reingressar nos ciclos de produção em vez de se tornarem resíduos. No entanto, ampliar nosso olhar para lugares inesperados revela sistemas paralelos nos quais os subprodutos de uma indústria se transformam em recursos para outra. Essa abordagem encontrou terreno fértil no reaproveitamento de resíduos orgânicos transformados em biomateriais, sendo um dos exemplos mais recentes o trabalho do coletivo Fahrenheit Works. Com a instalação "From the Tagus to the Tile" (Do Tejo ao Azulejo), o grupo reaproveita conchas de ostras inicialmente descartadas pela indústria alimentícia para criar uma releitura dos icônicos azulejos de Lisboa.
O período de inscrições para o Concurso MICROHOME 2025 está chegando ao fim. O certame oferece uma premiação total de 100.000 EUR para celebrar soluções sustentáveis e inovadoras em habitação compacta. Patrocinado pela Kingspan, este concurso global convida arquitetos/as, designers e mentes criativas a redefinirem o conceito de moradia em pequena escala.
Acesse a página do concurso para se inscrever antes do prazo final, em 13 de fevereiro de 2025.
Em meio às artérias congestionadas de Los Angeles, onde os carros há muito dominam as ruas, o futuro da mobilidade urbana está sendo questionado. Essa reorientação não visa à simples remoção dos carros ou à introdução de novas tecnologias, mas a vislumbrar a cidade como um sistema integrado no qual pessoas, lugares e veículos coexistam em equilíbrio. Os automóveis já não são o centro inquestionável da vida urbana; em vez disso, passam a ser tratados como apenas um componente de uma rede de transporte multimodal mais ampla. O design agora busca priorizar as necessidades e experiências humanas em detrimento do domínio dos veículos.