Uma estufa é uma edificação projetada para criar um clima dentro de outro. Ao controlar a luz solar, o calor e a ventilação por meio de sua envoltória, ela produz condições distintas daquelas do exterior. Tradicionalmente, esse ambiente controlado era projetado em função das plantas. Na habitação, esse mesmo princípio é cada vez mais empregado para conformar espaços para pessoas.
Trazer a construção de estufas para o âmbito residencial oferece muito mais do que um fechamento adicional. Essa estratégia permite criar espaços abrigados sem a necessidade de climatizá-los como os cômodos internos convencionais, capturar o calor solar quando oportuno, proporcionar ventilação quando as temperaturas se elevam e prolongar os períodos do ano em que determinadas áreas da casa permanecem confortáveis para o uso.
Da esquerda para a direita: Oanh Nguyen Henriksen (Foto: Tuala Hjarnø), Susana Rojas Saviñón (Foto: Estudio Ome), Javier Ors Ausín, Sumayya Vally (Foto: Lou Jasmine), Charles Kettaneh e Nicolas Fayad (EAST Architecture Studio, Foto: Julien Lanoo)
Desde o seu lançamento em 2020, o ArchDaily Next Practices Awards tem destacado escritórios de arquitetura inovadores que estão redefinindo as fronteiras da disciplina. Ao longo de cinco edições, a iniciativa já reconheceu 105 escritórios de 44 países, amplificando vozes de todo o mundo e fomentando um diálogo global sobre o papel em constante evolução da arquitetura na sociedade. Entre as práticas premiadas, emergem valores recorrentes: sensibilidade ao contexto, uso sustentável de materiais, cocriação com comunidades, abordagens experimentais e interdisciplinares, memória e patrimônio, responsabilidade social e intervenções em escala humana.
O programa reflete o que vem a seguir: as ideias, práticas e projetos que devem ser levados adiante. O termo "Next" sintetiza escritórios que encontram soluções para os desafios urgentes de hoje enquanto antecipam as necessidades de amanhã. Ao destacar essas práticas, esperamos iluminar os caminhos que podem levar a um futuro mais significativo e resiliente para a arquitetura e além dela.
A identidade arquitetônica de Nairóbi foi transformada pela independência do Quênia em 1963. À medida que a nova nação buscava se definir, a cidade tornou-se um campo de testes para uma arquitetura moderna capaz de incorporar o progresso e, ao mesmo tempo, responder à cultura africana, ao clima e às condições locais. Isso deu início a um período de experimentação arquitetônica, com o surgimento de diferentes abordagens para a relação entre modernidade, identidade e lugar.
O Kenyatta International Convention Centre é talvez a expressão mais clara desse momento. Sua arquitetura uniu princípios modernistas a referências de formas africanas, estabelecendo uma resposta singular às ambições de uma nação recém-independente. Ao seu redor, arquitetos/as quenianos/as e internacionais desenvolveram outras interpretações do modernismo, desde as fachadas com brises do Reinsurance Plaza até a silhueta escultórica do Nation Centre, além de projetos religiosos, educacionais e cívicos que ampliaram o vocabulário arquitetônico da cidade.
O escritório dinamarquês de arquitetura AART venceu o concurso internacional para o Rigets Skatkammer (O Tesouro Real), uma nova extensão subterrânea de 1.300 metros quadrados para o museu no Castelo de Rosenborg, em Copenhague. Desenvolvida em colaboração com VEGA Landskab, Fogh & Følner e Artelia, a proposta localiza aproximadamente 600 metros quadrados de novas áreas de exposição sob o fosso histórico, ao mesmo tempo em que restabelece parcialmente a água que cerca o castelo renascentista de Cristiano IV. O projeto tem como objetivo oferecer novas instalações para visitantes e espaços expositivos para a Coleção Real Dinamarquesa — que inclui as Joias da Coroa dinamarquesa e coleções de trajes históricos, atraindo atualmente mais de 500 mil visitantes por ano.
Toda crise de habitação acaba se tornando uma questão fundiária, e toda questão fundiária se torna, inevitavelmente, uma questão de valores. A Costa Oeste dos Estados Unidos chegou a esse ponto. À medida que cidades de Los Angeles a Seattle buscam terrenos para construir as moradias acessíveis que prometem há anos, elas se deparam repetidamente com a mesma alternativa: o parque ou o cinturão verde. O que parece ser uma decisão de zoneamento é, na verdade, um referendo sobre qual forma de bem-estar a cidade está disposta a sacrificar em detrimento de outra.
Em casas compactas, a cozinha raramente é apenas um espaço para cozinhar. Ela costuma funcionar como um limite: uma parede de serviços ou uma fronteira entre o trabalho doméstico e a vida social. Sua importância reside não apenas na preparação de alimentos, mas na maneira como organiza o restante da casa, sobretudo devido às limitações das instalações hidráulicas e às exigências de ventilação. Antes que uma sala de estar possa parecer aberta, a cozinha geralmente precisa absorver a intensidade prática do dia a dia: água, calor, odores, eletrodomésticos, mantimentos e armazenamento.
Isso é especialmente visível nos densos interiores do Leste Asiático, onde o espaço doméstico é frequentemente moldado por áreas limitadas, novas estruturas familiares, trabalho híbrido e pela especificidade cultural do ato de cozinhar. A cozinha aberta pode ser apresentada como um atrativo de estilo de vida, mas em muitos apartamentos ela representa, na verdade, um desafio de planejamento. Ela precisa conciliar o trabalho doméstico, apoiar encontros informais e, às vezes, como estratégia de otimização de espaço, substituir o hall de entrada ou o corredor. Mais do que um mero gesto de design, o limite da cozinha é, portanto, um acordo espacial entre o serviço e o convívio.
Uma semana de notícias de arquitetura destacou as crescentes conexões entre as mudanças ambientais, os sistemas públicos e o papel em evolução da prática arquitetônica. Eventos climáticos extremos em diferentes regiões chamaram a atenção para a vulnerabilidade de assentamentos, infraestruturas e redes territoriais, ao passo que novas abordagens para a habitação demonstram como mudanças na contratação, na construção e na governança podem influenciar os resultados arquitetônicos. Paralelamente, o reconhecimento de profissionais de destaque aponta para o impacto duradouro das ideias arquitetônicas ao longo de gerações, no momento em que a profissão continua a se engajar com questões de resiliência, mudanças sistêmicas e as condições mais amplas que moldam o ambiente construído.
O Museu de Arte Contemporânea de Suzhou está agora oficialmente aberto ao público às margens do Lago Jinji, em Suzhou, na China. O edifício de 60.000 m² foi projetado pelo escritório BIG – Bjarke Ingels Group, ARTS Group, VIA.inc e SHUISHI para o Departamento de Cultura, Esporte e Turismo do Parque Industrial de Suzhou. O projeto foi concebido como uma vila de 12 pavilhões sob uma cobertura contínua que se assemelha a uma fita, com um corredor coberto que traça um caminho pela paisagem como uma rede de espaços de exposição. A implantação é inspirada na tradição dos jardins de Suzhou, tombados pela UNESCO. A inauguração do projeto ocorre após uma série de exibições prévias, incluindo a exposição "Materialism", organizada pelo escritório, que continua em cartaz. O complexo de edifícios deve se tornar um novo ponto de encontro para a arte contemporânea, o design e a vida pública, marcando o primeiro museu de arte concluído pelo BIG.
O rápido crescimento urbano do México nas últimas décadas deixou muitas cidades enfrentando problemas como bairros fragmentados, altos índices de criminalidade e uma grave escassez de espaços públicos de qualidade. Em muitas áreas urbanas de baixa renda, o desenvolvimento informal ocorreu de forma paralela a infraestruturas básicas, como canais de drenagem, linhas ferroviárias e ravinas íngremes, dividindo comunidades e criando áreas vazias perigosas. Para mitigar essa segregação espacial e a falta de equipamentos urbanos, órgãos públicos e profissionais da arquitetura em todo o México estão intervindo nessas zonas de amortecimento abandonadas para construir parques públicos. Ao converter antigas barreiras físicas em corredores de pedestres acessíveis, esses projetos reconectam bairros segregados, restabelecem linhas de visão seguras e oferecem espaços para convivência comunitária e recreação diária.
O ArchDaily nasceu dentro de uma universidade, idealizado por dois/as estudantes de arquitetura que acreditavam que o conhecimento arquitetônico deveria ir mais longe do que alcançava naquela época. Dezoito anos depois, essa convicção permanece a mesma — contudo, as perspectivas, as ferramentas e as oportunidades se expandiram. Lançamos o Student Ambassador Programpara dar à próxima geração de arquitetos/as um papel direto na conexão entre suas universidades e o debate arquitetônico global.
O ArchDaily começou dentro de uma universidade, por uma dupla de estudantes de arquitetura que acreditavam que o conhecimento sobre arquitetura deveria ir mais longe do que ia. Dezoito anos depois, essa convicção não mudou — mas as percepções, as ferramentas e as oportunidades cresceram. Estamos lançando o Programa de Embaixadores/as Estudantis para dar à próxima geração de arquitetos/as um papel direto na ponte entre sua universidade e o debate global sobre arquitetura.
O escritório MVRDV revelou o projeto do WOMA, um empreendimento de uso misto planejado para Wynwood Norte, em Miami. O projeto foi desenvolvido pelo MVRDV em colaboração com o escritório Kobi Karp Architecture & Interior Design e em parceria com a incorporadora Uribe Schwarzkopf, sediada em Quito. Planejado para o terreno de uma antiga torrefação de café, o empreendimento se inspira no caráter industrial de Wynwood Norte e em sua comunidade criativa em constante evolução. Situado ao lado da organização sem fins lucrativos Bakehouse Art Complex, o projeto busca contribuir para a crescente rede de espaços da região dedicados à arte, à moda e ao fazer criativo.
O ArchDaily nasceu dentro de uma universidade, com dois estudantes de arquitetura que acreditavam que o conhecimento arquitetônico deveria circular mais. Dezoito anos depois, essa convicção não mudou — mas os insights, as ferramentas e as oportunidades cresceram. Lançamos o Student Ambassador Program para dar à próxima geração de arquitetos um papel direto na conexão entre suas universidades e a conversa arquitetônica global.
No dia 1º de setembro de 2026, o Modelo de Habitação Social das Baleares foi anunciado como o vencedor do Prêmio OBEL 2026. O foco desta edição do prêmio foi "Systems' Hack", propondo que a arquitetura dialogue criticamente com os sistemas que sustentam a sociedade contemporânea e examine como essas redes interconectadas podem ser reconfiguradas diante da aceleração dos desafios globais. O Modelo de Habitação Social das Baleares, criado pela/o economista e consultor/a independente Cris Ballester e pelo/a arquiteto/a e servidor/a público/a Carles Oliver, é uma abordagem de seis pontos para a habitação pública desenvolvida entre 2019 and 2023. A iniciativa agrega valor e conforto à tradicional habitação de interesse social ao integrar processos de licitação, arquitetura, materiais, energia, regime de posse, capacidade pública e aprendizado como respostas aos desafios sociais, ambientais e econômicos da atualidade. Nesta entrevista ao ArchDaily, a equipe criadora do modelo discute suas origens, ambições e os desafios materiais para tornar a habitação social um local desejável para se viver.
Vista a partir da água, Tallinn apresenta o perfil urbano de uma cidade mercantil hanseática. Durante o período soviético, a maior parte da orla era uma zona militar restrita, restando o porto como um dos poucos pontos de encontro entre a cidade e o mar. Até mesmo o Linnahall, a imensa arena de concreto construída para as competições de vela dos Jogos Olímpicos de Moscou de 1980, foi implantado, em parte, de modo a preservar a vista da cidade antiga para as embarcações que se aproximavam do porto. Durante meio século, Tallinn cresceu de costas para a água que outrora a transformara em uma cidade comercial. Desse modo, quando a independência foi restaurada em 1991, algumas das áreas mais valiosas da capital estavam também entre as menos familiares para a sua população.
A arquitetura recente de Tallinn é, em grande medida, uma arquitetura de reconexão. A cidade vem reabrindo o que havia sido isolado e adaptando o que perdeu sua função, ao mesmo tempo em que constrói novas estruturas onde os limites entre cidade, infraestrutura e paisagem ainda estão sendo negociados. As fábricas ao redor do centro medieval — dos moinhos de Rotermann, próximos ao porto, aos estaleiros de submarinos em Noblessner — haviam perdido seu propósito original. Desde então, sua conversão gradual tornou-se uma das narrativas definidoras da Tallinn contemporânea. Grande parte dessa arquitetura é deliberadamente discreta, extraindo seu impacto da maneira como estruturas antigas, novos usos e a orla marítima foram reintegrados à vida da cidade.
O período de inscrições para este ano foi encerrado.
O ArchDaily começou no ambiente acadêmico, fundado por dois/duas estudantes de arquitetura logo após a formatura, com a convicção de que as ideias sobre arquitetura e design deveriam ser acessíveis a todos e difundidas de forma cada vez mais ampla. Dezoito anos depois, embora nossas ferramentas tenham se tornado mais avançadas, nossos horizontes tenham se expandido e as oportunidades sejam ainda maiores, esse propósito original permanece inalterado. O ArchDaily lança oficialmente seu Programa de Embaixadores/as Estudantis, convidando a nova geração de arquitetos/as a desempenhar um papel ativo na conexão entre as universidades e o debate global sobre arquitetura.
Em um momento em que arquitetos e arquitetas de todo o mundo revisitam a construção com terra, reavaliam tecnologias vernaculares e estabelecem conexões viscerais entre as comunidades e a terra sob seus pés, outros profissionais esboçam habitats para a Lua e projetam os ambientes construídos de uma colônia marciana. Escritórios de arquitetura, engenheiros/as e agências espaciais estão investindo um esforço intelectual sério em estruturas que precisariam ser erguidas do zero em outro mundo. Dois impulsos — um de retorno ao solo, outro que busca as estrelas — desdobram-se simultaneamente dentro da mesma disciplina. E a tensão entre ambos levanta uma questão desconfortável: do que, exatamente, estamos tentando escapar?
A gestão da água, a qualidade do ar e a mitigação do calor costumam ser planejadas por meio de sistemas muito maiores do que os espaços onde as pessoas realmente as vivenciam. As redes de drenagem ficam sob as ruas. A poluição do ar é medida em cidades inteiras. No entanto, essas condições são sentidas muito mais perto do corpo: ao esperar um ônibus sob o sol, ao caminhar por uma rua alagada, ao atravessar uma praça exposta ou ao procurar um lugar para sentar quando o próprio ar parece difícil de respirar.
O calor torna essa questão especialmente urgente. À medida que as cidades esquentam, ruas, parques, áreas de circulação e outros espaços públicos tornam-se, cada vez mais, locais onde o design pode reduzir a exposição por meio de sombra, vegetação, fluxo de ar e água. Para a arquitetura, isso traz parte da adaptação climática para os espaços que as pessoas utilizam no dia a dia.
O arquiteto japonês Kengo Kuma foi selecionado para receber o Andrée Putman Lifetime Achievement Award no 2027 Créateurs Design Awards (CDA). O prêmio, uma das duas distinções da categoria Legacy Awards concedidas pela organização, reconhece uma trajetória que influenciou a arquitetura e o ambiente construído ao longo de gerações e em diferentes contextos geográficos. Kuma receberá a homenagem durante a cerimônia de premiação do CDA, que será realizada no Shangri-La Paris em 16 de janeiro de 2027.
Que narrativas os materiais carregam e como os "rastros" visíveis dos/as artesãos/ãs podem dialogar com os processos de fabricação e com a industrialização?Entre a concepção e a construção, o ato de pensar através do fazer pode se tornar o princípio norteador de uma filosofia de projeto. Combinando madeira, materiais industriais e objetos reaproveitados, a abordagem do Atelier CRAFT está enraizada na arquitetura reversível, guiada por seu manifesto: "Transformar o projeto através do fazer". Sediado em Saint-Ouen, Paris, o escritório explora as relações entre o ser humano e a matéria, o ato de fazer e os processos de fabricação.
Em meio à crescente instabilidade econômica, política e climática, o OBEL Award de 2026 destaca a necessidade de abordagens arquitetônicas que repensem tanto as infraestruturas existentes quanto as emergentes. O título desta edição é "Systems' Hack", no qual "sistemas" são compreendidos como mecanismos inter-relacionados regidos por regras comuns, e o "hackeamento" é definido como uma intervenção estratégica que busca alterar o funcionamento desses mecanismos. Sob esta perspectiva, a OBEL Foundation anunciou o Modelo de Habitação Social das Baleares como o vencedor do prêmio deste ano, ao mesmo tempo em que anunciou um novo ciclo em 2027 sob a mesma temática. O Modelo de Habitação Social das Baleares foi reconhecido por "transformar o papel da gestão de habitação social nas Ilhas Baleares entre 2019 e 2023", propondo novas abordagens em resposta a uma grave escassez de moradia e a um estoque de moradias públicas para aluguel criticamente limitado na Espanha.