A madeira é utilizada na construção civil há milhares de anos. Trata-se de um recurso natural, renovável e versátil, mas sua reação à umidade exige atenção no projeto e na especificação. Oscilações nas condições de umidade podem fazer com que o material sofra inchamento e retração, enquanto a exposição prolongada à água pode propiciar o surgimento de fungos e o consequente apodrecimento. Diante disso, historicamente, o uso de madeira em áreas externas exigia a escolha de espécies de alta durabilidade natural, a proteção mecânica ou química do material, ou ainda soluções de projeto adaptadas ao comportamento físico da madeira. A modificação da madeira surge como uma abordagem alternativa: alterar certas propriedades da própria matéria-prima.
Novo Hall de Entrada do Griffin Museum of Science and Industry. Imagem cortesia de RAMSA
O escritório RAMSA (Robert A.M. Stern Architects) apresentou o projeto para o novo Hall de Boas-Vindas do Kenneth C. Griffin Museum of Science and Industry (Griffin MSI) em Chicago, Illinois. A proposta prevê a reabertura do histórico Pórtico Norte do edifício como um acesso permanente durante todo o ano, além da introdução de um novo volume envidraçado que conectará o pórtico às salas de exposição do museu. A intervenção faz parte de um plano diretor concluído pelo RAMSA em 2024, focado em otimizar o uso das áreas expositivas e públicas existentes.
A arquitetura é, acima de tudo, uma realidade material. Os materiais que nos cercam são o resultado de uma cadeia de considerações construtivas, econômicas, estéticas e, em exemplos mais contemporâneos, ambientais. As decisões são moldadas pela tecnologia disponível, pelas técnicas viáveis, pelas expectativas de tempo e pelos marcos regulatórios. Para enfrentar as pressões sobre o nosso ambiente construído, essas condições multidimensionais precisam mudar por meio daquilo que chamamos de inovação: a criação tangível de novos produtos e estratégias com capacidade de resolver problemas. Matéria é o termo geral para a substância física que possui massa e ocupa espaço. Quando a matéria ganha uma forma, um tipo específico ou uma aplicação útil, ela se torna material. Portanto, a transformação material exige ir além da reciclagem e do reuso: trata-se de combinar a matéria existente para criar novos materiais que abram novas possibilidades para a construção. As pesquisas apresentadas a seguir sugerem que demonizar os materiais existentes é desnecessário, desde que exista essa capacidade de inovação.
A barragem principal. "Inauguration of the Grand Ethiopian Renaissance Dam (September 9, 2025)". Imagem cortesia de PMO Barbados via Flickr (Domínio Público).
Inaugurada em setembro de 2025, a Grande Barragem do Renascimento Etíope, ou GERD (na sigla em inglês), é uma imponente estrutura de concreto no Nilo Azul, Abay, no oeste da Etiópia, dentro da região de Benishangul-Gumuz, a apenas 30 quilômetros rio acima e a leste da fronteira com o Sudão. Construída para ser uma grande fonte de energia hidrelétrica, com uma geração estimada de 51,5% da produção nacional total em 2025/26, ela simboliza a soberania nacional da Etiópia, sua ascensão rumo ao desenvolvimento econômico exponencial e sua autodeterminação tecnológica. Por que, então, ela se tornou o centro de uma disputa prolongada sobre segurança hídrica regional e direito internacional envolvendo Etiópia, Sudão e Egito?
Uma equipe liderada pela Politecnica Building for Humans, com Park Associati e AMDL CIRCLE como co-líderes de projeto arquitetônico, e o Studio Mattioli responsável pelas áreas de geologia e arqueologia, venceu o concurso para um novo polo cultural em Ceto, na Itália. O projeto transformará a antiga fábrica de tecidos Società Filati Niggeler & Kupfer em um complexo que abrigará espaços expositivos, instalações de pesquisa, um auditório e serviços de apoio ao visitante. Localizada em Valle Camonica, uma região conhecida por suas gravuras rupestres pré-históricas, a proposta aborda o terreno a partir da relação entre o patrimônio industrial, a arqueologia e a paisagem circundante.
Projeto do masterplan Loco Park em Tbilisi, Geórgia, 2026. Imagem cortesia de Stefano Boeri Architetti
O concurso de arquitetura LOCO Alliance em Tbilisi, Geórgia, foi organizado para transformar uma área industrial desativada de 73.600 m², onde funcionava a antiga Fábrica de Locomotivas Elétricas de Tbilisi da era soviética na área residencial de "Temka", em um novo bairro verde e destino cultural chamado Loco Park. Em 18 de outubro de 2026, a LOCO Alliance anunciou oficialmente o projeto do escritório Stefano Boeri Architetti como o selecionado para a transformação do local, com as imagens oficiais do masterplan reveladas em 23 de outubro. O masterplan selecionado foi projetado para integrar o patrimônio industrial da fábrica com arquitetura contemporânea, espaços públicos com vegetação densa e centros de lazer comunitários. O local já abriga eventos culturais de grande escala, organizados em paralelo ao concurso formal do masterplan.
Ao longo da história, as pessoas têm buscado formas de ver o mundo. Na pintura renascentista, a perspectiva linear tornou esse impulso explícito ao transformar a tela em uma janela, organizando a profundidade a partir de um ponto de vista fixo.Em seu tratado De Pictura (1435), Leon Battista Alberti descreveu a pintura como uma janela aberta para aquilo que se deseja representar. A paisagem, nesse sentido, deixou de ser meramente o que estava diante dos olhos e passou a ser uma construção visual, uma realidade selecionada e organizada pelo olhar.
A arquitetura opera de maneira muito semelhante. Uma janela determina o que pode ser visto, de onde é visto e, consequentemente, o que passa a fazer parte da experiência cotidiana. Essa questão foi central para a arquitetura moderna e encontrou um de seus debates mais emblemáticos na década de 1920.
A ampliação vertical de um edifício histórico apresenta um desafio que vai além da criação de espaço adicional: como uma intervenção contemporânea pode dialogar com o caráter de uma estrutura existente? A escolha dos materiais desempenha um papel fundamental no estabelecimento de uma relação entre diferentes períodos construtivos, seja com o objetivo de complementar o edifício existente ou de criar uma expressão arquitetônica mais distinta. A Residência LH em Varna, na Bulgária, projetada pelo escritório STARH, exemplifica como o fibrocimento pode articular a relação entre uma ampliação contemporânea e uma preexistência histórica. Por ser um material composto por cimento, água, fibras de reforço e outros aditivos, o fibrocimento alia uma relativa leveza a altos índices de resistência e durabilidade. Sua variedade de cores, texturas, dimensões de painéis e métodos de instalação oferece a profissionais de arquitetura diversas possibilidades para o desenvolvimento de envoltórias de edifícios contemporâneos que dialoguem com seu contexto histórico. Soluções como os painéis de fibrocimento da Swisspearl oferecem variações de acabamento superficial que viabilizam essa abordagem.
O conceito de "olhos da rua" talvez seja o mais famoso dentro da literatura arquitetônica e urbanística quando o assunto é segurança urbana. Jane Jacobs utiliza essa expressão para se referir às pessoas que – de forma consciente ou inconsciente – utilizam os espaços públicos ou os contemplam desde suas casas, gerando uma vigilância natural. Um movimento que, no âmbito da nossa disciplina, é fomentando tanto por meio de espaços públicos de qualidade quanto pela potente relação entre o público e o privado criada através das fachadas das edificações. Defendendo esse controle cotidiano, Jacobs acredita em um modo de fazer arquitetura e cidades que condena a verticalização em excesso, reforçada por edifícios isolados e de uso único os quais negam o contato com rua.
O andaime é, talvez, uma das estruturas temporárias mais familiares da arquitetura. Ele acompanha os edifícios durante as etapas de construção, manutenção e reforma, apenas para desaparecer assim que seu trabalho é concluído. No entanto, sua aparente impermanência esconde um tipo diferente de longevidade. Os sistemas de andaimes são projetados para serem montados, desmontados, transportados e reutilizados, com componentes padronizados robustos o suficiente para suportar o manuseio repetido e as condições variáveis do canteiro de obras. Seu caráter temporário reside menos no material em si do que na duração de cada montagem.
Essa lógica não é estranha ao design de mobiliário. O Sistema de Prateleiras Universal 606 de Dieter Rams, projetado para a Vitsœ em 1960, estabeleceu uma abordagem modular na qual prateleiras, armários e outros componentes podiam ser rearranjados, expandidos ou transportados conforme as circunstâncias mudavam. De maneira semelhante, os sistemas de armazenamento modulares da IKEA popularizaram e demonstraram como o mobiliário pode ser compreendido como uma coleção de peças intercambiáveis, em vez de um objeto único e acabado. Embora difiram em termos de material e vida útil pretendida, esses sistemas compartilham um princípio importante: a longevidade pode ser alcançada por meio da adaptabilidade, e não da permanência do arranjo.
Em um cenário no qual as cidades enfrentam dificuldades para oferecer moradia adequada e acessível, a análise de exemplos construídos de habitação coletiva pode ajudar a embasar decisões sobre o que construir e de que forma. Esses projetos proporcionam a oportunidade de avaliar soluções, compreender suas limitações e considerar o que pode ser aplicado em outros contextos. Em Paris, dois exemplos recentes combinam apartamentos de diferentes tamanhos com acesso a jardins, pátios e outros espaços ao ar livre, aproveitando estruturas preexistentes.
O escritório CHYBÍK + KRIŠTOF inaugurou Building the Existing City, uma exposição no Aedes Architecture Forum, em Berlim, que transforma a galeria em um estúdio de arquitetura ativo. Em cartaz de 23 de outubro a 3 de dezembro de 2026, a mostra se concentra em quatro propostas de projeto arquitetônico e urbano para locais ou situações urbanas em Berlim, selecionadas por meio de uma convocatória aberta. Ao longo de seis semanas, o público poderá acompanhar a pesquisa, as discussões e o trabalho de desenvolvimento das propostas, compreendendo melhor os processos de concepção de intervenções arquitetônicas em resposta às condições locais.
Projeto do pavilhão modular Dowonjeong em Jongno-gu, Seul, Coreia do Sul. Imagem cortesia de Studio SMA
Na arquitetura, a palavra "pavilhão" pode descrever uma variedade infinita de estruturas. Pode ser definido como um princípio e uma tipologia, uma estrutura autônoma, uma intervenção temporária, um ponto de encontro na cidade ou um espaço de experimentação. É essa última qualidade que une os seis projetos não construídos apresentados aqui, todos concebidos e enviados por leitores e leitoras do ArchDaily. Nesses trabalhos, a definição reside em suas qualidades escultóricas e na exploração formal, enquanto sua permanência e localização variam de acordo com o propósito de cada estrutura. As propostas também demonstram outra qualidade inerente ao pavilhão: a intenção de representar simbolicamente um posicionamento. Assim, a investigação de formas e materiais reflete uma busca por noções de limite, deslumbramento ou por um futuro compartilhado.
A cerca de uma hora de carro de Nova York, a Corwin House localiza-se em uma região de floresta montanhosa acima do rio Saugatuck. Concluída por Richard Neutra em 1956, é uma das apenas três casas que o arquiteto projetou em Connecticut. O designer de arquitetura Aziz Osko atualizou a residência, revisitando detalhes do projeto original de Neutra que nunca haviam sido executados.
A encomenda do projeto começou quando Betty e Henry Corwin perguntaram a Neutra se ele poderia recomendar um/a arquiteto/a da Costa Leste que trabalhasse em um estilo semelhante. Neutra ficou tão encantado com o terreno arborizado acima do rio que acabou assumindo o projeto ele mesmo.
A 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31) será realizada em Antália, na Turquia, de 9 a 20 de novembro, sob um modelo de governança conjunta no qual a Turquia sedia a cúpula e a presidência, enquanto a Austrália lidera as negociações formais. O encontro reunirá delegações nacionais, representantes governamentais, cientistas, empresas e a sociedade civil para discutir a ação climática internacional, incluindo a redução de emissões, a adaptação aos impactos do clima e o financiamento climático. Em um momento em que os países continuam a enfrentar os desafios de eventos climáticos extremos, consumo de recursos e a transição para economias de baixo carbono, a programação deste ano inclui debates específicos sobre desperdício zero, energia e transportes, e cidades resilientes. Em preparação para o evento, o escritório SP Architects está adaptando o antigo parque da EXPO 2016 em Antália para abrigar a conferência, com planos para que o local continue em uso após o encerramento do evento.
Um espaço cultural de relevância internacional foi inaugurado esta semana, após uma década de obras. A Ópera de Xangai, projetada pelo escritório Snøhetta, abriu as portas ao público no dia 17 de outubro de 2026, às margens do Rio Huangpu, em Xangai, na China. Em um cenário de redução de investimentos na cultura em diversos países, o projeto surge como uma nova plataforma para o desenvolvimento das artes. A cobertura desta semana também trouxe matérias sobre patrimônios clássicos e modernos, planos para bienais internacionais e o reconhecimento de dois projetos por suas abordagens inovadoras na arquitetura. Em nosso radar da semana, destacamos uma exposição sobre o escultor italiano Costantino Nivola, novidades sobre o Projeto 1901 em Chicago e um novo pavilhão de acesso na Reserva Natural de Goois, nos Países Baixos.
Seaside House / Koistinen Hellborg Architects. Imagem cortesia de Randers Tegl
O tijolo e a madeira podem estabelecer um diálogo entre a permanência arquitetônica e as texturas das paisagens litorâneas. Em Höllviken, na costa sul da Suécia, a Seaside House, projetada pelo escritório Koistinen Hellborg Architects, explora como a materialidade, a luz e a organização espacial podem moldar uma residência em estreita relação com seu entorno natural. Situada em meio a um terreno arenoso, arbustos, musgo e pinheiros, a poucos passos do mar, a casa responde a uma paisagem marcada por variações cromáticas sutis, mudanças sazonais e uma forte conexão com o exterior.
No Uruguai, projetos residenciais de pequena escala ocupam cada vez mais as paisagens rurais e costeiras, das colinas de Villa Serrana às florestas marítimas ao longo da costa atlântica. Construir nessas áreas costuma exigir materiais estruturais que equilibrem durabilidade, eficiência térmica e viabilidade de transporte. Diante disso, os projetos nesses ambientes dependem significativamente de materiais como estrutura de madeira engenheirada, perfis estruturais de aço, revestimento externo de madeira ou fabricação offsite. Essas escolhas de projeto não apenas ajudam a reduzir o peso das matérias-primas que devem ser transportadas por vias de acesso não pavimentadas, mas também tornam a construção mais viável em locais remotos. Além disso, o contexto dos projetos desta seleção parece ter desempenhado um papel limitador em relação às áreas construídas, mantidas em 60 m² ou menos para reduzir a demanda por materiais estruturais e o impacto no terreno.
O bem-estar não está mais restrito a resorts exclusivos, spas ou ambientes de hotelaria. Hoje, tornou-se parte essencial do viver contemporâneo, inspirando moradores/as a criarem espaços privados dedicados ao relaxamento e ao autocuidado. Coleções como a Home Spa Collection da LEMI exploram esse crescente interesse pelo bem-estar residencial por meio de uma seleção de macas de massagem e espreguiçadeiras de relaxamento.
Restaurante Conceito The Social Playful. Imagem cortesia de Livit Design
De 17 a 19 de novembro de 2026, o interihotel MAD26 reunirá arquitetos/as, designers de interiores, operadores/as de hotelaria e marcas especializadas no IFEMA Madrid. Organizado pelo AMBIT Living Spaces Cluster, o evento deve receber mais de 14.000 profissionais, 350 marcas expositoras e mais de 200 palestrantes internacionais. Sob o tema Creative Rebellion, a programação combinará palestras, workshops, cinco fóruns especializados e espaços experimentais em escala real para explorar novas abordagens no design de hotéis e restaurantes.
Após uma pausa de sete anos, a Amman Design Week retornou à Jordânia com uma premissa intimamente ligada à própria cidade: a de que nada é totalmente novo. Sob o tema "Acúmulos" (Accumulations), a quarta edição do evento bienal reuniu mais de 220 designers, criadores/as, arquitetos/as e coletivos em exposições, intervenções públicas, palestras, oficinas e performances de 2 a 17 de outubro. Essa premissa mostrou-se particularmente relevante para Amã, uma cidade cuja arquitetura foi moldada por ondas de construção, migração, adaptação e reutilização — onde o acúmulo não é mera metáfora.
Cine Flotante MuyunaFest por Daniel Canchán Zúñiga, Paula Villar Pastor, María Hidalgo Mera, Jimena González Ochoa. Uma das 34 obras finalistas da 14ª BIAU, 2026. Imagem cortesia de XIV Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo
A Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo (Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo), conhecida como BIAU pela sua sigla em espanhol, é um evento internacional promovido pelo Governo da Espanha por meio do seu Ministério de Habitação e Agenda Urbana (MIVAU) desde 1998. Realizado a cada dois anos em uma localidade diferente da América Latina e da Península Ibérica, o evento reconhece, premia e divulga obras de alta qualidade que refletem a diversidade da arquitetura e do urbanismo ibero-americanos. Após a sua décima terceira edição, "CLIMAS: Acciones para el buen vivir" (CLIMAS: Ações para o bem viver), realizada em Lima, no Peru, em 2024, a XIV BIAU acontecerá em Brasília de 3 a 6 de novembro de 2026, sob o tema "Cuidar la Vida" (Cuidar da Vida). Esta edição estrutura sua reflexão em torno de quatro eixos temáticos: água, vegetação, habitação e comunidades, explorando a relação entre a arquitetura e as condições ambientais, sociais e culturais que sustentam a vida.
Quando o principal sistema de drenagem de Londres foi concluído ao norte do Tâmisa em 1868, o Metropolitan Board of Works celebrou a ocasião com um banquete realizado no interior de uma estação de bombeamento de esgoto. A estação de Abbey Mills havia sido construída nos três anos anteriores pelo engenheiro Joseph Bazalgette, em colaboração com o arquiteto Charles Driver, organizada sob uma planta cruciforme com oito motores de viga, dois em cada braço. Seu estilo já foi interpretado como bizantino, medieval italiano, russo, gótico ruskiniano e mourisco, e suas chaminés de ventilação gêmeas, ricamente ornamentadas, erguiam-se a mais de sessenta metros de altura. O construtor a definiu como uma estrutura elegante em meio a um pântano e considerou que ela poderia facilmente passar por uma mesquita ou um templo.
Praticamente todas as outras obras de Bazalgette foram enterradas, e essa exceção não durou mais que um século. O vapor deu lugar a motores elétricos em Abbey Mills em 1933 e as chaminés, tornadas obsoletas desde então, foram demolidas em 1941 por temor de que um bombardeio as derrubasse sobre a estação. A engenharia sanitária consolidou-se em torno de critérios mensuráveis — tais como capacidade de vazão, qualidade do efluente e gradiente hidráulico —, e a aparência estética não figurava em nenhum deles. O tratamento de resíduos migrou para as planícies aluviais, estuários e periferias urbanas, locais onde a terra era barata e a gravidade exercia um papel funcional útil.