Este ano consolidou mais um marco para os/as arquitetos/as indianos/as na ampliação dos limites da prática contemporânea em todo o país. Uma tendência notável entre os projetos apresentados no ArchDaily tem sido a adoção de formas fluidas, uma sutil homenagem às práticas vernáculas que caminha lado a lado com um distanciamento gradual do legado da retórica de design modernista da Índia. A práxis da arquitetura indiana evoluiu para refletir um compromisso mais profundo com os contextos locais, somado a uma disposição de experimentar influências globais. Essa abordagem provavelmente persistirá nos próximos anos, abrindo caminho para novas expressões arquitetônicas no país.
Ao transcender as geometrias rígidas para celebrar a fluidez, os/as arquitetos/as de todo o subcontinente reinventam as experiências espaciais com formas que fluem, se fundem e respiram. Ao desafiar os paradigmas arquitetônicos convencionais, esses projetos continuam a se inspirar e a proliferar narrativas culturais profundamente enraizadas. No caso da Índia, a adoção da fluidez na arquitetura reflete um jogo de influências entre temas como materialidade, memória, artesanato e o contexto vivo do espaço.
Este mês, a arquitetura abordou uma ampla gama de temas, desde a preservação do patrimônio cultural até o projeto focado em adaptabilidade. Ao redor do mundo, profissionais de arquitetura estão respondendo às novas necessidades com soluções que buscam priorizar tanto a funcionalidade quanto o meio ambiente. Entre os exemplos de destaque estão a ambiciosa revitalização da orla de India Basin, em São Francisco, realizada por Gehl, SOM e Bionic, que propõe uma nova forma de viver o meio urbano em harmonia com a natureza, além da colaboração do VOID Studios no Masai Mara Conservation Centre, no Quênia, um projeto profundamente enraizado na sensibilidade ecológica e cultural. Já a Nokken e o BIG apresentaram sua "Softshell structure", oferecendo uma opção flexível para os setores hoteleiro e residencial. Paralelamente, a transformação do The Raleigh em Miami Beach, assinada por Peter Marino, busca preservar o patrimônio do local ao mesmo tempo em que introduz novos padrões. Estes projetos, entre outros, refletem as prioridades em constante evolução do setor. Continue lendo para descobrir as últimas novidades que estão moldando o mundo da arquitetura.
Localizado na junção da London Wall com a Aldersgate Street, no distrito de Barbican, na City de Londres, encontra-se o Museum of London. Construído em 1977, o edifício brutalista abrigava o maior acervo de história urbana do mundo, com mais de seis milhões de objetos selecionados para evidenciar a história social de Londres. O museu está fechado há mais de dois anos devido a planos de relocação, enquanto seu edifício histórico corre o risco de ser demolido para dar lugar a um novo empreendimento — o projeto London Wall West. A medida gerou reações divergentes entre os habitantes de Londres e de todo o país, motivando apelos pela revisão da proposta e campanhas que defendem o retrofit em vez da demolição deste singular edifício modernista. O/A fotógrafo/a Arnolt Smead visitou recentemente o museu para capturar seus belos momentos arquitetônicos e destacar suas características únicas.
A equipe curatorial da XXIII Bienal de Arquitetura do Chile é composta por Sebastián López Jeldes, Ángela Carvajal Fernández e Óscar Aceves Álvarez, e o júri é composto por Fernando Pérez Oyarzún, Amarí Peliowski, Cristián Izquierdo, Macarena Cortés, Pablo Rojas, Beatriz Buccicardi, Fernando Miranda, Martín Urrutia e Vicente Burgos.
Anunciado oficialmente pelo Colégio de Arquitetos do Chile:
"O júri definiu também um segundo prêmio para «Diversões urbanas», de Pilar Pinchart, e um terceiro prêmio para «Tecendo territórios», de Ruth Brito. Foram determinadas, ainda, duas menções honrosas correspondentes às propostas «Habitação infinita», de Pablo Montecinos, e «Locações cotidianas», de Javier Basualdo. Para Beatriz Buccicardi, presidente nacional do Colégio de Arquitetos do Chile, a proposta vencedora é «totalmente satisfatória porque nos permitirá que a bienal se perfile como uma reflexão profunda sobre a permanência e a mudança; com uma forte ênfase na readaptação de edifícios em obsolescência e obras públicas destacadas da cidade —com o eixo Alameda como coluna principal—, o que nos ajudará a discutir seu futuro e possibilidades de revitalização».
https://www.archdaily.com.br/pt/1140131/anunciados-os-resultados-do-concurso-de-ideias-para-a-xxiii-bienal-de-arquitetura-e-urbanismo-do-chileArchDaily Team
Com o encerramento do ano, dedicamos um momento para homenagear as trajetórias e contribuições de célebres arquitetos/as, designers e artistas que faleceram em 2024. Essas figuras influentes deixaram um legado duradouro no ambiente construído, estimulando uma reflexão mais profunda sobre o papel de suas disciplinas na sociedade e sua capacidade de evoluir ao longo do tempo.
Seja por meio de sua atuação na academia, na prática profissional ou nas artes, cada uma dessas pessoas se destacou pela dedicação em impulsionar os campos da arquitetura, do paisagismo, do design, da materialidade, entre outros. Do arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Fumihiko Maki ao renomado escultor Richard Serra, cada um apresentou uma visão e uma abordagem singulares de projeto, deixando um vasto repertório de conhecimento a ser explorado.
O Concurso MICROHOME 2025 da Buildner está de volta, oferecendo uma premiação recorde de 100.000 EUR para celebrar soluções sustentáveis e inovadoras em habitação compacta. Patrocinado pela Kingspan, este concurso global convida arquitetos/as, designers e mentes criativas a redefinirem o conceito de microcasas.
Inscreva-se antes do prazo final em 13 de fevereiro de 2025.
O British Museum anunciou o Studio Weave como a equipe líder selecionada para projetar seus novos pavilhões de boas-vindas aos visitantes e o pátio de entrada, como parte de uma iniciativa mais ampla de redesenvolvimento. O projeto é uma das principais etapas do abrangente Masterplan do museu, que visa modernizar o icônico terreno no centro de Londres ao mesmo tempo que preserva sua importância histórica. A proposta vencedora foi escolhida por meio de um concurso organizado no âmbito da estrutura de Arquitetura e Urbanismo da Greater London Authority, que prioriza a diversidade e a sustentabilidade no design.
O conceito de arquitetura inclusiva tem ganhado destaque à medida que o ambiente construído evolui para refletir e atender às diversas necessidades da humanidade. Essa abordagem prioriza a empatia, a acessibilidade e a equidade, buscando criar espaços que ressoem com indivíduos de diferentes perfis demográficos, habilidades e contextos culturais. O conceito vai além do mero cumprimento de normas de acessibilidade ou da incorporação de elementos de desenho universal; em vez disso, representa uma mudança de paradigma que humaniza a arquitetura e a alinha a valores sociais fundamentais. Sob essa ótica, a arquitetura inclusiva estimula conexões, acolhe a diversidade e garante que os espaços físicos contribuam para o bem-estar coletivo.
Este artigo explora quatro temas interligados — Empatia, Arquitetura Inclusiva, Equidade Espacial e Acessibilidade — por meio de artigos selecionados publicados em 2024. Juntos, esses temas revelam como a arquitetura pode responder aos desafios e aspirações da sociedade, ilustrando seu potencial como catalisadora de transformação social. Desde projetar para a conexão emocional até enfrentar as desigualdades espaciais, as lições de 2024 enfatizam a responsabilidade de profissionais de arquitetura em criar espaços que transcendam a funcionalidade, promovam a inclusão em todas as escalas e fomentem ambientes onde todas as pessoas se sintam vistas, valorizadas e integradas.
Cada região possui uma identidade arquitetônica distinta, servindo como uma "digital" cultural que a torna singularmente reconhecível. O design italiano, por exemplo, inspira-se no legado romano utilizando pedras e tons claros. A Turquia se destaca pelos azulejos esmaltados intrincados que adornam paredes e tetos, ao passo que o México adota cores e texturas vibrantes por meio de materiais locais e artesanato. Muitos desses elementos estão enraizados em práticas tradicionais, contudo, ao longo do tempo, foram reinventados e transformados por novos processos, dando origem a expressões arquitetônicas contemporâneas. Na Suíça, o conceito de "Swissness" enquadra essa identidade central—uma fusão de precisão relojoeira e funcionalidade. Com raízes na micromecânica, a engenharia e o artesanato suíços convergem no design de janelas minimalistas modernas, onde linhas limpas e transparência redefinem limites e moldam a linguagem arquitetônica.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140680/swissness-emoldurada-micromecanica-e-janelas-minimalistas-na-arquitetura-modernaEnrique Tovar
O ano de 2024, após um período de incerteza global, testemunhou uma complexa interação de desafios e avanços. Embora as tensões geopolíticas e os efeitos remanescentes de crises passadas tenham continuado evidentes, o foco se voltou para a reconstrução, com comunidades de todo o mundo buscando soluções locais e formas de progredir apesar das adversidades. O panorama arquitetônico de 2024 apresentou uma exploração crescente de novos sistemas construtivos e tecnologias, muitas vezes inspirados em soluções vernáculas. Em escala urbana, os espaços são reconsiderados por seu potencial de transição para atividades mais voltadas para pedestres, mais áreas naturais e oportunidades de encontro comunitário e organização de eventos.
Discussões sobre descolonização, a preservação de técnicas construtivas tradicionais e a integração de narrativas locais nos projetos continuaram a ganhar força. O foco esteve menos em estruturas singulares e icônicas e mais em projetos ambientalmente responsáveis e socialmente conscientes que atendessem às necessidades específicas das comunidades. Paralelamente, novas tecnologias, como os sistemas de IA, continuaram a impactar a profissão, mas são compreendidas cada vez mais não como substitutos, mas sim como ferramentas à disposição de profissionais de arquitetura e design para aprimorar seus processos.
Buildner anunciou os resultados do seu concurso Hospice - Home for the Terminally Ill, o terceiro de uma série de desafios de ideias arquitetônicas focados na criação de espaços humanizados para pessoas que enfrentam doenças terminais. O concurso incentivou arquitetos/as a irem além dos modelos médicos tradicionais, projetando ambientes que priorizam o conforto, a dignidade e o senso de comunidade.
486 Moby. Imagem cortesia do Novo Museu de Arquitetura e Design da Finlândia
A Fundação do Novo Museu de Arquitetura e Design da Finlândia, em parceria com a empresa imobiliária ADM, revelou as cinco propostas finalistas do concurso internacional voltado a criar um novo espaço em Helsinque dedicado à história da arquitetura e do design. Este novo museu, que será localizado no histórico Porto Sul (South Harbour), despertou interesse global, com 624 propostas anônimas avaliadas desde setembro de 2024. Este anúncio marca a conclusão da primeira fase do concurso, pois todas as propostas selecionadas avançarão para uma segunda etapa, recebendo um prêmio financeiro para refinar seus conceitos.
Dubai acaba de revelar uma iniciativa ambiciosa voltada para a melhoria da mobilidade de pedestres na cidade e a promoção do desenvolvimento urbano sustentável. Anunciado pelo Xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, vice-presidente e governante de Dubai, o "Dubai Walk Master Plan" prevê a transformação da cidade em um polo voltado para pedestres até 2040.
A linha tênue entre arte e ofício, criatividade e funcionalidade, expressão pessoal e demandas sociais ou industriais é um limite que a arquitetura navega com extremo cuidado. Essa dualidade é cada vez mais moldada pela necessidade urgente de enfrentar os desafios ambientais. Na vanguarda dessa evolução estão os materiais e sistemas construtivos, os blocos de construção essenciais do projeto e da execução. Historicamente, a arquitetura dependia de matérias-primas naturais como madeira, pedra e metais, que definiam os espaços construídos, mas frequentemente sobrecarregavam os ecossistemas. Hoje, a disciplina parece passar por uma transformação profunda, indo além da mitigação de impactos negativos para promover ativamente a regeneração do planeta.
De materiais regenerativos que integram biologia e engenharia a princípios de economia circular que redefinem o uso de recursos, passando por abordagens híbridas que mesclam métodos tradicionais com tecnologia de ponta, essas inovações estão redesenhando as bases do ambiente construído. Neste artigo, recapitamos os principais avanços do ano em materiais e sistemas construtivos, mostrando como estão conduzindo a arquitetura em direção a um futuro sustentável. Seja por meio de materiais que sequestram carbono, de sistemas projetados para desmontagem e reutilização, ou de tecnologias que fundem a natureza à engenharia, esses desenvolvimentos ressaltam o papel essencial que os materiais e sistemas construtivos desempenham na criação de um mundo regenerativo, resiliente e consciente de seus recursos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140443/adaptar-respirar-regenerar-vislumbrando-um-novo-capitulo-nos-materiais-arquitetonicosArchDaily Team
Por que demolir quando se pode ressignificar? Uma colaboração entre o ArchDaily e o ICEX destaca as obras mais marcantes de reforma, reutilização, ampliação e renovação construídas recentemente na Espanha. Este concurso enfoca como a arquitetura espanhola valoriza a revitalização de edifícios e centros históricos, recuperando estruturas existentes para promover um desenvolvimento urbano mais equilibrado. Na Espanha, antigas casonas tornam-se joias boutique, e fábricas como o Matadero de Madri se transformam em refúgios culturais—uma mistura inteligente de tradição e estilo moderno. Afinal, o bom design não é construído do zero—ele é construído sobre o que já existe.
A City of London Corporation aprovou um pacote de financiamento de £191 milhões para a primeira fase do programa de renovação de cinco anos do Barbican Centre. A iniciativa visa realizar reparos críticos e atualizações neste complexo tombado como patrimônio de Grau II (Grade II), incluindo melhorias na acessibilidade, na eficiência energética e na funcionalidade geral de sua infraestrutura antiga. O projeto de renovação do Barbican começou em 2021 com um concurso internacional para selecionar a equipe multidisciplinar de projeto que lideraria os trabalhos. Em 2022, os escritórios Allies and Morrison, Asif Khan Studio e Buro Happold foram selecionados, em colaboração com especialistas em sustentabilidade, patrimônio histórico, paisagismo, design de iluminação, acústica, entre outros.
O escritório Renzo Piano Building Workshop (RPBW) acaba de ser selecionado para projetar o Jawaher Boston Medical District em Sharjah, uma importante iniciativa de saúde liderada pela BEEAH, organização privada que atua no setor de sustentabilidade na região MENA (Oriente Médio e Norte da África). Após um processo de seleção competitivo, a escolha do RPBW marca o início de um projeto que visa redefinir a integração entre a excelência em saúde e a sensibilidade ambiental e cultural.
Em 2024, a arquitetura continua a evoluir em resposta aos desafios globais, com um foco cada vez maior na sustentabilidade, no contexto cultural e na responsabilidade social. As entrevistas do ArchDaily com arquitetos/as de destaque, como Kengo Kuma e Anne Lacaton, destacam como o design está se voltando para soluções ambientais e centradas na comunidade. Essas conversas também lançam luz sobre vozes emergentes do Sul Global, onde práticas inovadoras enfrentam desafios sociopolíticos e ambientais singulares. Arquitetos/as de regiões como a África, Ásia e América Latina oferecem novas perspectivas, expandindo os limites da arquitetura tradicional para refletir suas diversas narrativas culturais e contextos locais.
Com o fim de 2024, um ano dinâmico que questionou saberes, tradições e inovações, analisamos como os acontecimentos e tendências globais influenciaram o design de espaços internos. No ano passado, a prática da arquitetura suscitou debates globais, desafiando normas e tradições ao mesmo tempo que valorizou regiões antes negligenciadas. O design de interiores, por outro lado, adotou uma postura mais reservada e modesta, priorizando a simplicidade e a individualidade. Um ano depois, os temas gerais da arquitetura e do design de 2023 permanecem os mesmos — ou melhor, reforçados —, mas agora incorporam "experimentações artesanais" por meio de intervenções sutis, semelhantes à acupuntura.
A Rotatória Aebayah projetada pelo ARCHMA Studio. Imagem cortesia de Mujassam Wattan
As cidades são ambientes vibrantes onde a arquitetura, os espaços públicos e a arte se entrelaçam para moldar a experiência humana. Esculturas e marcos urbanos são componentes essenciais do desenho urbano, pois criam conexões culturais e aprimoram tanto a funcionalidade quanto a estética. Essas intervenções definem a identidade de uma cidade, ao mesmo tempo em que estimulam a interação comunitária e o orgulho cívico.
Em Al Khobar, na Arábia Saudita, a arte pública tem desempenhado um papel transformador na reconfiguração da paisagem urbana, com projetos como Alarda, Alkhobar Memory, a Rotatória Aebayah e a Rotatória Albairaq. Essas iniciativas, muitas das quais impulsionadas pelo concurso Mujassam Wattan (MW Award), destacam o profundo impacto da integração da arte ao desenho urbano.
A influente arquiteta Deborah Berke, FAIA, LEED AP, foi anunciada como a vencedora da Medalha de Ouro do AIA de 2025, em reconhecimento a sua trajetória de quatro décadas que alia excelência em projeto e liderança acadêmica comprometida com a responsabilidade social e ambiental. Seu trabalho, que abrange projetos residenciais, institucionais e de reuso adaptativo, demonstra um compromisso contínuo com a sustentabilidade e o engajamento comunitário. Fundadora do escritório Deborah Berke Partners (hoje TenBerke) em 1982 e primeira mulher a ocupar o cargo de diretora da Yale School of Architecture, ela exerceu diversos cargos de liderança na área e contribuiu ativamente para debates sobre ética no design, sustentabilidade e educação.