Com milhões de habitantes migrando para as metrópoles todos os anos, o Sul da Ásia testemunha níveis impressionantes de desenvolvimento urbano. Esse crescimento traz prosperidade econômica, mas também desgaste ecológico, à medida que selvas de concreto substituem os habitats naturais. A região — que abrange países como Índia, Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka, Butão, Maldivas e Nepal — enfrenta o desafio de conciliar a urbanização com a sustentabilidade ambiental a partir de suas próprias particularidades contextuais. Trata-se de uma negociação complexa e cheia de nuances, que exige uma compreensão sistemática dos cenários econômico, social e político de cada país.
O uso de ferramentas, técnicas, materiais e tecnologias inovadoras para moldar o futuro da construção é um tema que cativa profissionais das áreas de arquitetura, engenharia, construção e planejamento, bem como investidores/as e lideranças do setor. Os avanços tecnológicos e as inovações na ciência dos materiais oferecem um cenário fértil para exploração e discussão, gerando debates dinâmicos sobre as transformações em curso nos ambientes urbanos e rurais. Entre os principais focos de atenção estão a gestão de recursos, os desafios impostos pela crise climática e as implicações mais amplas para o ambiente construído.
Inverted Pyramid. Imagem cortesia de Anastasia Elrouss Architects
O escritório Anastasia Elrouss Architects, liderado pela arquiteta e ativista Anastasia Elrouss, revelou recentemente três projetos residenciais distintos, porém interconectados, no Reino do Bahrein. As propostas, detalhadas a seguir, demonstram sensibilidade tanto em relação ao contexto local quanto aos desafios ambientais, destacando a abordagem contextual do escritório. Os estudos de caso abaixo detalham as estratégias de projeto arquitetônico empregadas no Inverted Pyramid, nas Reef Lagoon Miniature Villas e nas White Road Villas, todos localizados em áreas costeiras de Reef Island, no Bahrein.
A General Motors e a Bedrock apresentaram uma proposta ousada de US$ 1,6 bilhão para reimaginar o icônico Renaissance Center de Detroit e os 27 acres no entorno ao longo da orla do rio Detroit. O plano visa transformar o marco dos anos 1970 em um complexo dinâmico de uso misto voltado a habitação, escritórios e entretenimento. A proposta inclui a demolição de duas torres de 39 andares do complexo deamp;nbsp;cinco arranha-céus, liberando uma área valiosa na orla para novos projetos, sem descaracterizar a famosa silhueta urbana da cidade.
Em Delirious New York, Rem Koolhaas discute de forma vívida o Downtown Athletic Club, um exemplo marcante de como o exterior despretensioso de um edifício pode ocultar uma vibrante mistura de programas distintos e independentes. Por trás da fachada uniforme desse arranha-céu, um clube atlético privado abriga uma gama eclética de instalações — academias de boxe ao lado de bares de ostras e campos de golfe internos sob piscinas —, todas segregadas, porém altamente acessíveis. O Downtown Athletic Club sintetizou o dinamismo dos arranha-céus de Nova York na época, exibindo o fascínio do capitalismo por meio de um mundo de lazer seletivo e voltado para si, repleto de privilégios para um grupo seleto. Essa "máquina de programas" operava de forma independente da cidade externa, como um ecossistema isolado dentro de suas paredes. No entanto, cabe perguntar: poderia um modelo semelhante, projetado para uso público, criar uma experiência de comunidade e vizinhança mais inclusiva e viva? Isso ativaria o edifício em seu interior, em vez de servir apenas a elites selecionadas, além de influenciar e transformar o tecido urbano e as formas ao seu redor. Em Hong Kong, um paralelo distante pode ser traçado com os Edifícios de Serviços Municipais (MSBs) — estruturas financiadas pelo setor público que atendem à comunidade ao integrar diversas funções em uma única e vasta massa edificada, de forma muito semelhante ao Downtown Athletic Club.
O Advanced Management Development Program (AMDP) consolida-se como o principal programa de liderança de Harvard para profissionais e executivos/as seniores do mercado imobiliário, oferecendo uma oportunidade única de reformular perspectivas sobre a evolução do ambiente construído. Voltado para profissionais de alto nível e líderes de empresas, o programa tem duração de apenas um ano, sendo cinco semanas vivenciadas no campus de Harvard, culminando no cobiçado título de ex-aluno/a da instituição. Como bem definiu um/a recém-formado/a: "Eu descreveria o programa como um curso intensivo sobre como pensar de forma diferente e, acima de tudo, uma oportunidade de encontrar pessoas inspiradoras na turma que buscam o mesmo objetivo".
A Buildner anunciou os resultados da quinta edição do seu concurso Museum of Emotions (Museum of Emotions Competition Edition 5). O Museum of Emotions é uma competição anual de projeto que desafia os/as participantes a explorar o potencial da arquitetura como ferramenta para evocar emoções.
Projetado originalmente pelo/a arquiteto/a e designer modernista Alvar Aalto em 1971, o Finlandia Hall é uma das obras de arquitetura modernista mais importantes de Helsinque. No início de 2022, teve início um amplo projeto de renovação liderado pelo escritório de arquitetura finlandês Arkkitehdit NRT, com o objetivo de tornar o espaço mais acessível ao público geral e oferecer novos serviços, respeitando o projeto original de Alvar Aalto. Após três anos de obras, o Finlandia Hall reabre oficialmente no sábado, 4 de janeiro de 2025.
Lesley Lokko, acadêmica, escritora e curadora ganesa-escocesa, foi nomeada uma das 100 mulheres mais influentes de 2024 pela BBC. A prestigiada lista destaca mulheres de todo o mundo reconhecidas por sua resiliência e por suas contribuições para impulsionar mudanças em seus respectivos campos de atuação. A inclusão de Lokko reflete seu trabalho pioneiro na educação em arquitetura, seu compromisso com a diversidade e a inclusão, e seu foco em enfrentar desafios globais como a descolonização e a descarbonização.
No projeto arquitetônico, os materiais transmitem narrativas, moldando a forma como os espaços são percebidos e vivenciados. O aço patinável, frequentemente conhecido por sua marca registrada que se tornou genérica, o aço Corten, destaca-se por sua capacidade de evoluir, transformando-se em um meio que conta sua própria história. Trata-se de um grupo de ligas de aço que desenvolvem uma camada externa estável de ferrugem, a qual dispensa a necessidade de pintura para proteção do metal, ao mesmo tempo que lhe permite transformar-se ao longo do tempo. Sua pátina envelhecida funciona como mais do que um escudo funcional; torna-se uma linguagem estética, um testemunho da interação entre arquitetura e natureza. Essa superfície em constante mutação conecta o efêmero e o duradouro, oferecendo a arquitetos e arquitetas um material que se torna mais rico com o passar do tempo.
O conceito de arquitetura de baixa tecnologia reconhece o impacto das tecnologias e práticas construtivas intensivas em carbono e propõe uma alternativa: a redescoberta de soluções práticas, racionais e localmente adaptadas que dependem de estratégias de projeto inteligentes, em vez de sistemas de alto consumo energético, para garantir um ambiente seguro e confortável. Longe de ser um retrocesso, o conceito permanece aberto a inovações, mas busca reequilibrar a dependência da indústria em relação à mecanização. Dessa forma, privilegia-se uma arquitetura de menos componentes, com dependência minimizada de soluções de alta tecnologia e preferência por materiais com baixo carbono incorporado.
A Península Arábica representa um dos principais exportadores e consumidores de combustíveis fósseis do mundo, uma realidade econômica que influencia as visões de futuro da região e, implicitamente, o papel da arquitetura e do urbanismo nesses cenários. No entanto, diversos escritórios emergentes vêm contestando essas narrativas, recorrendo à pesquisa contextual para reformular a produção arquitetônica local. Entre eles, o estúdio de prática cultural Civil Architecture vem ganhando reconhecimento por seus trabalhos provocativos, que exploram narrativas alternativas para a identidade do Oriente Médio. Durante sua passagem pelo Bahrein, Christele Harrouk, do ArchDaily, teve a oportunidade de conversar com Ali Karimi, que, junto a Hamed Bukhamseen, fundou o Civil Architecture. Na entrevista em vídeo, eles debatem a prática da arquitetura na região do Golfo e a abordagem do escritório focada em narrativa e pesquisa.
Nesta temporada do Oscar, o fotógrafo Paul Clemence voltou suas lentes para o Academy Museum of Motion Pictures, a instituição mais famosa dedicada à arte e à ciência do cinema. Projetado e revitalizado pelos escritórios Gensler e Renzo Piano Building Workshop, o edifício está localizado na famosa "Miracle Mile", em Los Angeles, abrindo-se para vistas panorâmicas de Hollywood. Este ano, o museu abriu o seu terraço na cobertura para o Oscars Night at the Museum, um evento exclusivo em comemoração à 96ª edição do Oscar.
Um "espaço temporário" (ou *meanwhile space*) refere-se à ocupação provisória de uma área ociosa — seja uma loja vazia, um edifício desativado ou um terreno aguardando redesenvolvimento. O conceito gira em torno do aproveitamento produtivo dessas áreas durante o período de transição, antes que um uso definitivo seja estabelecido. Trata-se, essencialmente, de dar vida ao intervalo, transformando espaços subutilizados em locais vibrantes e funcionais durante períodos de incerteza ou transição.
A iniciativa Conserving Black Modernism, da Getty Foundation, lançada em 2022, representa um esforço fundamental para preservar e celebrar as contribuições arquitetônicas de arquitetos/as afro-americanos/as no movimento modernista. Essa iniciativa, realizada em parceria com o African American Cultural Heritage Action Fund, do National Trust for Historic Preservation, visa corrigir lacunas históricas e garantir que o legado desses/as arquitetos/as pioneiros/as seja protegido para as futuras gerações. Ao longo de três ciclos de financiamento, de 2023 a 2025, o programa apoia o planejamento de conservação, o treinamento profissional e a difusão de narrativas para destacar a importância cultural e arquitetônica desses locais.
Este artigo é o texto vencedor do Epistle Writing Prize 2024, uma competição anual dedicada a reconhecer trabalhos de escrita excepcionais sobre design, arquitetura e meio ambiente.
Podemos estar na era da nuvem digital — por mais celestial ou etérea que ela pareça —, mas ela não apenas é incontestavelmente material, como também constitui uma poderosa força ecológica. Atualmente, os data centers são usinas gigantescas das indústrias modernas de informação, comunicação e tecnologia, abrigando servidores colossais que armazenam e processam dados. Embora sua proliferação seja, de certa forma, uma consequência de nossos padrões de consumo, à medida que a demanda global pelo meio digital cresce, a pegada ecológica dos data centers expande-se na mesma proporção.
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM) anunciou os vencedores do Concurso de Ideias ATHIS - Prêmio Arquiteto e Urbanista Zezéu Ribeiro, que buscava promover projetos de assistência técnica em habitação de interesse social (ATHIS). A iniciativa tem como objetivo principal enfrentar os desafios habitacionais de comunidades vulneráveis no estado, através de soluções arquitetônicas acessíveis, inovadoras e socialmente responsáveis.
Os projetos vencedores destacaram-se por sua abordagem sensível e contextualizada às necessidades locais, incorporando princípios de sustentabilidade, participação comunitária e uso eficiente de recursos. Com foco em melhorias habitacionais, regularização fundiária e qualificação de espaços urbanos, as propostas alinham-se aos objetivos do programa ATHIS, instituído pela Lei Federal 11.888/2008, que assegura assistência técnica gratuita a famílias de baixa renda.
https://www.archdaily.com.br/pt/1025188/conheca-os-vencedores-do-concurso-de-athis-promovido-pelo-cau-amArchDaily Team
A busca por reflexões sobre a cidade contemporânea invariavelmente esbarra nas limitações colocadas pelos métodos do Movimento Moderno. As ciências clássicas e seus métodos deterministas, que orientaram — e ainda orientam — o urbanismo desse tempo, descrevem os fenômenos do mundo por meio de relações fortes de causalidade e, consequentemente, os define em leis universais redutoras, que excluem contradições e incertezas. O resultado frequente dessas perspectivas é um mundo idealizado e mecanicista, que nega as complexidades da natureza real de fenômenos, como por exemplo, as cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1025187/a-ilusao-do-controle-na-cidade-contemporaneaPedro H. N. V. Santos
O crescimento populacional e a alta vertiginosa nos preços dos imóveis impõem desafios significativos à habitação urbana. Em uma busca urgente por opções de moradia acessíveis, os espaços de co-living surgiram como uma solução criativa, oferecendo condições de vida de qualidade por meio de estratégias inteligentes de otimização do espaço. Ao implementar técnicas de design inovadoras, essas comunidades residenciais compartilhadas maximizam cada metro quadrado para criar espaços funcionais dentro de áreas compactas.
A busca pela cidade ideal há muito tempo é tema de debate entre arquitetos/as e urbanistas. Além da identidade estética e do patrimônio cultural, a qualidade de vida representa talvez o indicador mais importante nessa busca. Este ano, a Economist Intelligence Unit (EIU), empresa irmã da publicação The Economist, divulgou seu Global Liveability Index 2024, destacando as cidades que se sobressaem nessa jornada contínua. Pelo terceiro ano consecutivo, Viena foi eleita a cidade mais habitável do mundo. Cidades europeias como Copenhague, Zurique e Genebra também ocupam posições de destaque, devido às suas populações menores, que contribuem para baixos índices de criminalidade e menor congestionamento. Em comparação ao ranking de 2023, os índices de cidades norte-americanas e australianas foram prejudicados pela atual crise habitacional.
A avaliação classifica 173 cidades de todo o mundo. Cada município recebe uma pontuação com base em 30 fatores qualitativos e quantitativos distribuídos em cinco categorias: estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura. As notas baseiam-se em dados externos, analistas internos e colaboradores/as locais. A categoria de estabilidade registrou a maior queda, reflexo do aumento de protestos e conflitos armados. Na extremidade oposta da lista, a cidade de Damasco, na Síria, continua classificada como a menos habitável da pesquisa, seguida por Trípoli, na Líbia, evidenciando uma grave instabilidade.
O Dia Internacional das Cooperativas, comemorado anualmente no primeiro sábado de julho, é uma oportunidade para conscientizar e celebrar o cooperativismo. Celebrado nesta data pelas Nações Unidas desde 1992, o cooperativismo é um movimento social e econômico que capacita indivíduos e comunidades por meio da criação de empreendimentos de propriedade coletiva e geridos de forma democrática por seus membros. O tema deste ano é "Cooperativas: Parceiras para um Desenvolvimento Sustentável Acelerado". Além de destacar o papel fundamental que as cooperativas desempenham no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o lema também enfatiza a tipologia singular das cooperativas na exploração de novas formas de vida coletiva. Pautadas pelo crescimento comunitário, as cooperativas apostam no desenvolvimento comum, priorizando as pessoas e apoiando-as na melhoria do bem-estar coletivo.