A arquitetura é moldada não apenas por edifícios, mas pelas ideias que os tornam possíveis. Antes das restrições do capital, das regulamentações e das contratações, existe um momento em que a arquitetura tem a permissão de pensar em voz alta. O primeiro confronto com esse momento fértil costuma ocorrer no ambiente acadêmico, na tese. Não se trata de um mero requisito para a graduação, mas de um espaço de liberdade especulativa onde a arquitetura formula hipóteses, constrói argumentos e testa posicionamentos.
Para muitas pessoas, é também a primeira oportunidade de pensar além da estrutura dos programas acadêmicos — uma chance inédita de explorar algo mais pessoal, irresoluto ou até mesmo irracional. Embora seja frequentemente vista como um ponto de chegada, a tese é melhor compreendida como um ponto de partida: o primeiro engajamento com a arquitetura como uma forma de raciocínio, onde o projeto ainda não é uma resposta, mas uma pergunta.
A Buildner, em parceria com o Governo de Dubai, anunciou os resultados do concurso House of the Future 2024/25. Após o sucesso de sua edição inaugural em 2023, esta segunda edição convidou arquitetos/as e designers de todo o mundo a desenvolverem um protótipo de residência acessível, expansível e inovador, adaptado às necessidades em constante evolução das famílias dos Emirados Árabes Unidos.
Organizado em colaboração com o Mohammed bin Rashid Centre for Government Innovation e o Sheikh Zayed Housing Programme, o concurso ofereceu uma premiação total de €250.000 (1 milhão de AED). As propostas vencedoras estão agora em fase de avaliação para uma possível inclusão no catálogo nacional de projetos habitacionais dos Emirados Árabes Unidos, que oferece aos cidadãos uma seleção de modelos de residências inovadores e pré-aprovados.
Esta semana, os desenvolvimentos arquitetônicos em todo o mundo destacaram o equilíbrio entre continuidade e mudança no ambiente construído. Debates sobre sustentabilidade, patrimônio e resiliência evidenciam como a arquitetura se adapta às constantes transformações nas condições culturais, sociais e ambientais, reimaginando o papel do design na construção das comunidades do futuro. Em diferentes contextos, projetos e iniciativas, os esforços contínuos para enfrentar desafios ambientais, preservar marcos culturais e viabilizar novas infraestruturas refletem as diversas escalas e rumos que moldam a prática arquitetônica atual.
Defensor globalmente reconhecido do urbanismo ecológico, Yu ganhou relevância internacional depois que sua filosofia de "cidade-esponja" foi adotada como política nacional na China em 2013. A abordagem prioriza soluções baseadas na natureza, como áreas úmidas, parques e pavimentos permeáveis, para absorver e reter a água. Esse novo método contrastava fortemente com a infraestrutura tradicional de concreto, oferecendo às cidades uma maneira de combater as inundações urbanas e mitigar os impactos das mudanças climáticas ao trabalhar com a natureza, e não contra ela. Desde então, suas ideias foram implementadas em centenas de cidades ao redor do mundo.
O Portão Norte de Taipé, também conhecido como Beimen, ergue-se não apenas como um lembrete da complexa história da cidade, mas também como testemunha das transformações da paisagem urbana ao seu redor e das mudanças de postura em relação aos espaços urbanos adjacentes a edifícios históricos. Inicialmente um posto de fronteira imperial chinês, poupado da demolição durante o domínio colonial japonês e sufocado por viadutos e rodovias nos esforços de modernização do pós-guerra, o portão recuperou recentemente seu status de destaque graças à criação da praça que hoje o emoldura. A resiliência do monumento frente às oscilações das prioridades urbanas e das políticas arquitetônicas revela uma trajetória de preservação patrimonial que se manifesta não apenas na forma construída, mas também nos espaços abertos que o circundam.
A luz natural é uma das ferramentas mais eficazes na arquitetura. Ela cria atmosfera, melhora o conforto e reduz a demanda de energia. No entanto, integrar a iluminação natural com sucesso exige precisão em todas as etapas do projeto, desde os primeiros esboços até o detalhamento executivo. As ferramentas BIM da VELUX oferecem a arquitetos/as a flexibilidade e os dados validados necessários para tornar isso possível.
O Estádio Prince Moulay Abdellah em Rabat foi oficialmente inaugurado como o novo estádio nacional do Marrocos, após sua inauguração pelo Príncipe Herdeiro Moulay El Hassan em 4 de setembro de 2025. Projetado pelo escritório Populous, o estádio tem capacidade para 68.700 espectadores e foi desenvolvido sob a direção da Agência Nacional de Equipamentos Públicos do Marrocos para atender aos padrões da FIFA, o que o habilita a sediar partidas até as semifinais da Copa do Mundo da FIFA de 2030. A reconstrução substitui o estádio original de 1983, posicionando o complexo como a principal arena esportiva do Marrocos antes de uma série de competições internacionais.
Série 8670 - Janela Maxim-Ar. Imagem cortesia de Western Window Systems
As janelas há muito desempenham um papel ambivalente na arquitetura, pois definem e delimitam os interiores ao mesmo tempo em que criam uma conexão com o exterior. Essa dupla função vai além de simplesmente atender às necessidades construtivas ou fornecer luz natural, influenciando diretamente a forma como os ocupantes vivenciam e se relacionam com a paisagem. O século XX testemunhou a introdução de materiais como o aço, o alumínio e o vidro, que viabilizaram diferentes tipos de janelas com caixilhos mais esguios e grandes painéis, aumentando a transparência e reforçando a conexão visual com o entorno.
Nomes da arquitetura norte-americana como Frank Lloyd Wright e Philip Johnson exploraram essas possibilidades para harmonizar a arquitetura com a paisagem. Na Casa da Cascata (Fallingwater), as janelas e os terraços conectam de forma fluida a residência à cachoeira e à floresta circundante, ao passo que a caixilharia mínima da Glass House praticamente dissolve o limite entre interior e exterior, trazendo o ambiente natural para dentro da casa. Ao longo de sua evolução, as janelas se tornaram um elemento que une espaço, materialidade e percepção, abrindo novos caminhos para explorar a relação entre a arquitetura e seu entorno.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142749/emoldurando-interiores-e-paisagens-em-aluminio-e-vidro-para-dominar-a-vistaEnrique Tovar
O que é arquitetura? Para alguns, seu papel tradicional consiste em reunir imaginação, conhecimento técnico e resolução de problemas, permitindo a arquitetos e arquitetas projetar e construir equilibrando ideias e os meios para viabilizá-las. Da pedra e da madeira das primeiras edificações ao aço e concreto do século XX, cada época exigiu não apenas a compreensão da forma, mas também das propriedades e do potencial dos materiais em uso. Esse domínio da matéria sempre foi parte fundamental do processo criativo, embora seu alcance estivesse limitado pelos conhecimentos práticos e tecnologias disponíveis na época.
Com o tempo, esse equilíbrio começou a mudar. Arquitetos e arquitetas deixaram de apenas utilizar materiais para projetá-los ativamente, aplicando princípios científicos e experimentando com processos biológicos, químicos e computacionais. Essa evolução expandiu as possibilidades da disciplina, promovendo a intersecção entre natureza, tecnologia e arte, ao mesmo tempo em que impulsionou o papel de arquitetos e arquitetas rumo a uma dimensão mais experimental e científica, na qual a manipulação e a criação de materiais passam a ser o cerne do ato criativo, e não apenas um meio para viabilizar formas ou estruturas.
Um desafio comum conecta todos os escritórios: o ruído. O hushGuide é um novo recurso da Hushoffice que enfrenta esse onipresente problema de projeto de frente, com clareza e riqueza de detalhes. Ele oferece um roteiro para transformar qualquer local de trabalho em um espaço mais silencioso, saudável e produtivo, utilizando cabines acústicas e mobiliários complementares cuidadosamente planejados. De orientações passo a passo a diretrizes técnicas e estratégias de layout visual, o guia conecta a visão à execução, prometendo ajudar arquitetos/as, designers e gestores/as de facilities a trazer equilíbrio acústico aos seus próprios ecossistemas de escritório.
Projeto Gstaad House do escritório Foster + Partners na Suíça. Render. Imagem cortesia de Foster + Partners
Foster + Partners obteve aprovação para a construção de um novo edifício residencial de madeira em Gstaad, na Suíça. Projetado como uma residência na cidade turística alpina, o projeto combina o uso residencial com espaços de exposição, armazenamento e áreas de convivência. Segundo a equipe de arquitetura, este será o primeiro edifício construído especificamente em Gstaad para atender às exigências especializadas de coleções de arte, automóveis, moda e antiguidades.
Jafar Centre no Dubai College. Imagem cortesia de Godwin Austen Johnson
Fundado nos Emirados Árabes Unidos em 1989 pelo presidente Brian Johnson e atualmente sob a direção executiva de Jason Burnside, o escritório Godwin Austen Johnson apoia-se em uma tradição britânica de projeto que remonta a 1847, tendo contribuído para o desenvolvimento do ambiente construído do Oriente Médio por mais de três décadas. Seus 110 profissionais de diversas nacionalidades, baseados em Dubai, Abu Dhabi, Sharjah e no Reino Unido, trabalham de forma integrada, combinando rigor técnico, análise contextual e metodologias digitais em um processo de projeto colaborativo.
A Barbie™ e a HEWI uniram forças para lançar uma ousada coleção de produtos para banheiros que alia o design atemporal da Bauhaus ao inconfundível universo cor-de-rosa da boneca. Apresentada em 2025, a linha Barbie x HEWI abrange quase 40 produtos para banheiros, de porta-toalhas a barras de apoio articuladas, e foi projetada para ser tanto funcional quanto inclusiva. Focando na individualidade e na acessibilidade, a colaboração reimagina o banheiro como um espaço onde o design se encontra com a diversidade, seja em hotéis boutique, residências particulares ou estabelecimentos de saúde. Ancorada no legado do design alemão da HEWI e na influência cultural global da Barbie, a série convida as pessoas a vivenciarem o "Design com Possibilidades Ilimitadas".
https://www.archdaily.com.br/pt/1142736/forma-funcao-e-um-toque-de-rosa-por-dentro-da-colecao-barbie-x-hewiEirini Ilia
Formuladores/as de políticas urbanas e incorporadores/as qualificam, cada vez mais, seus projetos como temporários, testando parques temporários, instalações artísticas e estruturas provisórias em cidades de todo o mundo. Essas iniciativas costumam ser apresentadas como intervenções experimentais voltadas à ativação de terrenos ociosos. Na prática, contudo, elas frequentemente funcionam como estratégias provisórias para gerir terras subutilizadas até que formas mais lucrativas de desenvolvimento se concretizem. O rótulo do temporário funciona como uma camuflagem urbana, ocultando agendas permanentes sob uma retórica provisória.
Anterselva. Imagem cortesia de Milano Cortina 2026
Em 24 de junho de 2019, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou Milão e Cortina d'Ampezzo como sedes dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Os últimos Jogos de Inverno na Itália ocorreram em Turim, em 2006. Desde então, as mudanças climáticas no continente europeu têm impactado as tradicionais pistas de esqui. Nesse cenário, a Itália conta com a vantagem de abrigar parte dos Alpes, uma faixa de cerca de 1.200 km ao longo das fronteiras com França, Suíça, Áustria e Eslovênia. A região alpina italiana concentra a maioria das instalações preparadas nos últimos cinco anos para a Olimpíada de Inverno, que será realizada de 6 a 22 de fevereiro de 2026, seguida pelos Jogos Paralímpicos, de 6 a 15 de março. Com a proposta de ser a edição dos Jogos Olímpicos de Inverno com maior dispersão geográfica da história, o evento adota o modelo de sustentabilidade consolidado pelos Jogos Olímpicos de Paris 2024, apoiando-se quase integralmente em infraestruturas esportivas existentes e reformadas.
A inovação está no cerne da arquitetura, manifestando-se através de novas abordagens projetuais, da experimentação material e, naturalmente, das formas de habitar. Diante disso, a concepção de edifícios e espaços internos passa por uma constante evolução. Esse processo é especialmente evidente em regiões com um rico patrimônio cultural, como a Espanha, onde a inovação reinterpreta as maneiras tradicionais de se relacionar com o espaço. Essa atenção à memória e à vida cotidiana estende-se aos interiores, nos quais cada intervenção tem o potencial de remodelar ativamente a experiência espacial das pessoas e abrir novas possibilidades de convivência e interação.
Transcendendo o papel de mera infraestrutura, as pontes há muito servem como potentes manifestações arquitetônicas. Esse potencial expressivo está sendo explorado agora com vigor renovado em todo o Sudeste Asiático, onde um número crescente de arquitetos e arquitetas está reavaliando os materiais tradicionais. Ao priorizar a madeira e o bambu, esses/as profissionais criam estruturas singulares que integram o artesanato local às demandas contemporâneas, resultando em marcos urbanos que são, ao mesmo tempo, funcionais e profundamente enraizados em suas paisagens.
Mesclando técnicas vernáculas e experimentação contemporânea, a paisagem arquitetônica do México é moldada por um diálogo contínuo entre tradição, materialidade e modernidade. Sendo o quinto país com maior biodiversidade do mundo, a arquitetura mexicana busca responder a uma vasta gama de ambientes naturais, climas e tradições culturais, tudo dentro de um território marcado por contrastes impressionantes. Refletindo uma dualidade latente, ela é capaz tanto de expressar exclusividade quanto de atuar como catalisadora de transformação social.
O ArchDaily tem o prazer de apresentar os vencedores da 5ª edição do Next Practices, que reconheceu 20 práticas de arquitetura inovadoras de diferentes partes do mundo. Estes profissionais desenvolvem trabalhos marcados pela criatividade, inovação, abordagem interdisciplinar e responsabilidade social — qualidades que estão redefinindo o futuro da arquitetura e ampliando seus horizontes.