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O que os sistemas de revestimento revelam sobre a produção local na arquitetura

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Entre o momento em que um material é especificado em um projeto e o momento de sua instalação, existe uma camada invisível que desempenha um papel decisivo no resultado final: a fabricação, a logística e a coordenação. Esses fatores moldam cronogramas e custos, mas, acima de tudo, determinam se a intenção original do projeto será preservada ou diluída na execução. Os sistemas de revestimento, especialmente aqueles que funcionam como componentes visíveis e expressivos do envelope da edificação, tornam essa lacuna particularmente evidente, por serem a camada mais externa de um projeto.

A escolha de um sistema de revestimento nunca é uma decisão puramente estética. Ela ativa uma cadeia de dependências: disponibilidade de perfis, sistemas de fixação, tolerâncias, sequenciamento e conformidade com as normas locais. Quando há desalinhamento entre esses elementos, o impacto raramente é sutil. Sistemas de revestimento integrados — aqueles que antecipam tanto a montagem quanto a aparência — tendem a mitigar essa lacuna, incorporando a coordenação à sua própria lógica e reduzindo a necessidade de improvisação no canteiro de obras.

Sobre Habitação, Espaço Público e Resiliência Climática: Em conversa com os/as vencedores/as do Prêmio UIA 2030 de 2026

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Estabelecido por meio de uma colaboração entre a União Internacional de Arquitetos (UIA) e a ONU-Habitat, o prêmio UIA 2030 Award reconhece projetos que demonstram como o design e a arquitetura podem contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Anunciado durante o Fórum Urbano Mundial de 2026 em Baku, no Azerbaijão, o terceiro ciclo da premiação bienal homenageou projetos que abordam desde a gestão hídrica e habitação de interesse social até o planejamento participativo, o acesso a espaços públicos e a resiliência climática.

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ArchDaily Student Ambassadors 2026/2027. Candidate-se agora

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A pedido do público, estamos reabrindo temporariamente as inscrições para o "Programa de Embaixadores/as Estudantis do ArchDaily 2026/2027".

O ArchDaily começou no campus universitário, fundado por dois estudantes de arquitetura recém-formados que acreditavam que as ideias de arquitetura e design deveriam ser acessíveis ao público, espalhando-se cada vez mais longe. Dezoito anos depois, embora nossas ferramentas tenham avançado, nossos horizontes tenham se expandido e as oportunidades sejam maiores, nosso propósito original permanece o mesmo. O ArchDaily lança agora oficialmente o seu Programa de Embaixadores/as Estudantis, permitindo que a nova geração de arquitetos/as desempenhe um papel direto na conexão entre as salas de aula e o debate arquitetônico global.

Patrimônio sem permanência: quando a arquitetura perdura ao desaparecer

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​​Uma catedral gótica pode levar séculos para ser concluída. Um pavilhão de exposição mundial pode permanecer de pé por apenas seis meses. Uma estrutura ritualística em Calcutá surge e desaparece em cinco dias. Ainda assim, cada uma delas atrai peregrinações, molda a memória coletiva e reorganiza a vida urbana. Se o patrimônio há muito é definido por aquilo que perdura, a arquitetura demonstra repetidamente que a autoridade cultural também pode residir naquilo que reúne as pessoas.

Durante grande parte do século XX, os parâmetros de conservação privilegiaram a permanência. A Carta de Veneza, adotada pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, concentrou-se na salvaguarda dos monumentos e de sua autenticidade material. O valor cultural estava atrelado à materialidade física, como a pedra, o tijolo e a madeira. Proteger o patrimônio significava preservar o que estava de pé. Uma lógica que parecia sólida, até mesmo evidente por si só.

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Patrimônio em Movimento: Os Edifícios de Bangkok que Continuam a se Transformar

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O patrimônio arquitetônico não se limita ao que um edifício foi, mas abrange o que ele continua a se tornar: um longo processo de construção, reconstrução e reocupação ao longo do tempo. Onde há oportunidade, essa continuidade gera uma condição estratificada — na qual os/as visitantes podem testemunhar, vivenciar e sentir a transição gradual da estrutura física, da materialidade, da ordem espacial e dos padrões de uso da edificação e, ocasionalmente, até mesmo participar dessa transformação.

No entanto, muitos projetos — sobretudo aqueles impulsionados por imperativos comerciais — optam por não valorizar, ou sequer reconhecer, esse trabalho mais lento de reuso adaptativo e continuidade do patrimônio. Empreendimentos regidos por uma lógica estritamente financeira costumam preferir o caminho mais fácil da demolição e reconstrução: maximizar o coeficiente de aproveitamento, a área construída bruta e a área locável com a eficiência de uma folha em branco. Ainda assim, de tempos em tempos, surge uma oportunidade que nos permite testemunhar — e desfrutar — o processo de "patrimonialização" arquitetônica da cidade em tempo real.

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Guia de arquitetura de Tashkent: dez edifícios do modernismo híbrido soviético

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Situada ao longo da histórica Rota da Seda na Ásia Central, Tashkent é uma cidade com uma longa história que remonta a milhares de anos. Sua arquitetura histórica é conhecida pelos pátios, cúpulas e cerâmicas azuis, típicos do patrimônio timúrida. Hoje capital do Uzbequistão, a cidade foi incorporada ao Império Russo no século XIX, antes de se tornar uma república soviética. Durante o período em que integrou a União Soviética, a cidade transformou-se em um modelo de modernização, celebrando as conquistas socialistas na Ásia. Um terremoto devastador em 1966 acelerou esse processo à medida que a cidade era reconstruída, dando origem a muitos dos monumentos modernistas pelos quais Tashkent é conhecida hoje.

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O que a informalidade e a incrementalidade revelam sobre o urbanismo sustentável na Índia

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A magia da arquitetura indiana reside em uma ordem invisível em meio ao caos visceral. Quando um futuro incerto bate à porta de profissionais locais, abre-se a possibilidade de olhar para dentro das próprias quatro paredes em busca de uma oportunidade de reinterpretação.

Mumbai, Déli, Bengaluru e outras grandes metrópoles são frequentemente descritas como carentes de soluções habitacionais massivas para milhões de pessoas. A resposta instintiva é previsível — planos diretores, torres densas e unidades padronizadas sobrepostas a um desenvolvimento desordenado. Esse léxico ignora uma verdade mais profunda sobre como as pessoas já vivem, trabalham e constroem na Índia. Os termos simplistas adotados em políticas públicas e no planejamento urbano — favela, assentamento informal, colônia irregular — sugerem um estado temporário a ser corrigido. O olhar do/a designer, contudo, enxerga esses lugares como histórias urbanas em camadas, moldadas pela necessidade.

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Moldando a continuidade arquitetônica: 25 projetos de revitalização em sítios históricos, industriais e naturais

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Os sítios de patrimônio constituem arquivos espaciais complexos nos quais a arquitetura, a história e a memória coletiva convergem. Eles abrangem um amplo espectro de contextos—de vestígios arqueológicos, paisagens urbanas antigas e históricas e paisagens tombadas pela UNESCO a estruturas cívicas do início da era moderna e infraestruturas industriais. Contudo, esses ambientes enfrentam desafios: as mudanças climáticas, a transformação urbana, desastres, as novas demandas sociais e a erosão gradual do tecido material. Projetos de revitalização e restauração respondem a essas condições ao posicionar a prática arquitetônica e espacial como uma mediadora ativa entre a preservação e as topologias contemporâneas.

Na prática contemporânea, a conservação é entendida como um processo criativo de adaptação e reinterpretação que atende tanto às comunidades quanto aos habitantes. Ao mesmo tempo, a arquitetura monumental continua a definir a identidade e a paisagem de um lugar para públicos mais amplos e para as futuras gerações. Profissionais de arquitetura e planejamento urbano são chamados a negociar contextos históricos sensíveis ao mesmo tempo em que introduzem novos programas, técnicas e experiências espaciais. Estes profissionais exemplificam diversas abordagens projetuais, incluindo intervenções estruturais precisas, estratégias responsivas ao clima e restaurações materiais meticulosas, ao lado da inserção cuidadosa de novos elementos arquitetônicos. Igualmente importante é o seu compromisso com o conhecimento e a materialidade vernaculares, preservando o caráter local e a especificidade cultural de cada sítio.

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Quando as fachadas se tornam habitats: a arquitetura abrindo espaço para outras espécies

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Quando pensamos em fachadas, raramente as imaginamos como habitats. Nós as vemos como os elementos que separam o interior do exterior, regulam a temperatura, atenuam ruídos e protegem as edificações das condições externas. Elas conferem à arquitetura sua linguagem visual, mas delas também se espera que mantenham o mundo exterior à distância. Com isso, as fachadas frequentemente acabam sendo compreendidas como barreiras: superfícies que definem onde começa o conforto humano e onde o meio ambiente deve ser mantido do lado de fora.

No entanto, o lado de fora de um edifício nunca está vazio. Durante séculos, a arquitetura involuntariamente criou oportunidades para outras formas de vida. Aves faziam ninhos sob as telhas, insetos ocupavam frestas em paredes de alvenaria e musgos ou plantas criavam raízes em beirais, calhas e superfícies ásperas de pedra. Essas condições raramente eram projetadas pensando em outras espécies, mas abriam pequenas brechas para que a vida as habitasse.

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O ponto cego da arquitetura: a lacuna entre projeto e construção

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Esboços iniciais em cadernos e papel vegetal, diagramas conceituais, perspectivas, maquetes físicas e estudos de volumetria capturam a imaginação arquitetônica. No entanto, eles representam apenas o início da prática profissional. O verdadeiro desafio reside em traduzir ideias em sistemas construtivos. Cada parede, junção e montagem deve ser detalhada, com sistemas funcionando de forma integrada para que o projeto seja executado conforme o planejado. É aqui que se concentram a maior parte do esforço, da complexidade e dos riscos, e onde os projetos são finalmente viabilizados ou começam a falhar.

É nesse contexto que ocorrem o Desenvolvimento de Projeto (DD) e a Documentação Executiva (CD), momento em que o projeto deve absorver todo o peso da coordenação, dos componentes, do desempenho e da construtibilidade. Enquanto o estudo preliminar define as diretrizes espaciais e formais, o DD e o CD exigem respostas a um conjunto diferente de perguntas: como os sistemas se articulam? Como o desempenho é mantido nas transições? Quais produtos, tolerâncias e sequências permitirão que o projeto se sustente na transição do modelo para a obra?

Paisagens Energéticas: Como a Infraestrutura Reconfigura o Território na América do Sul

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Algumas das transformações mais significativas das paisagens sul-americanas foram produzidas não pelas cidades, mas por grandes infraestruturas construídas para extrair e distribuir recursos naturais. Operações de mineração, sistemas de energia e redes de transporte conectaram paisagens remotas a estruturas econômicas mais amplas, ao mesmo tempo em que transformaram territórios rurais e assentamentos urbanos em todo o continente. Essas infraestruturas não apenas ocupam o espaço; elas o reorganizam. Além de apoiar o crescimento econômico, elas reconfiguraram territórios de maneiras que continuam a gerar debates políticos, ambientais e sociais em todo o continente. Sob essa perspectiva, os territórios podem ser compreendidos não como áreas geográficas fixas, mas como sistemas socioecológicos moldados por relações culturais, ambientais e políticas — ponto enfatizado pelo antropólogo Arturo Escobar em seu trabalho sobre o pensamento territorial na América Latina.

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Salas de aula em evolução para mentes e futuros diversos

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Aprender algo novo é, biologicamente, uma transformação do cérebro. A cada experiência, as conexões neurais são reorganizadas, criando e fortalecendo sinapses. Muito mais do que simplesmente acumular informações, o aprendizado envolve reconfigurar estruturas internas — um processo capaz de remodelar tanto indivíduos quanto sociedades. O ambiente no qual isso ocorre pode cultivar a curiosidade, a adaptabilidade e a resiliência emocional, apoiando assim a nossa próxima geração de líderes, ou suprimir essas qualidades, levando ao retraimento e ao isolamento.

Com o surgimento da escolarização moderna durante a Revolução Industrial, emergiu um modelo padronizado, definido por fileiras de carteiras, instrução simultânea e supervisão visual. Frequentemente comparado a um sistema fabril, esse modelo ainda persiste em muitos lugares, apesar de profundas transformações tecnológicas. Esses ambientes rígidos permanecem mesmo quando o aprendizado contemporâneo exige experimentação e adaptabilidade.

"Um ambiente onde as pessoas demonstram conhecimento": Em conversa com David Gianotten, do OMA, sobre o Salone Contract

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No Salone del Mobile 2026, a 64ª edição da feira ocorreu em um momento de transição para a indústria global do design, no qual questões de produção, colaboração e desempenho a longo prazo estão reconfigurando formatos consagrados. Realizada na Rho Fiera Milano e estendendo-se por toda a cidade durante a Milan Design Week, a edição deste ano reuniu mais de 1.900 expositores e, ao mesmo tempo, introduziu novas camadas curatoriais e estratégicas. Entre os desdobramentos mais significativos esteve a primeira iteração pública do "Salone Contract", uma iniciativa de longo prazo desenvolvida a partir de um plano diretor de Rem Koolhaas e David Gianotten, do OMA. Durante o evento, o editor-gerente do ArchDaily, Romullo Baratto, e a editora-chefe, Christele Harrouk, reuniram-se com David Gianotten. Na conversa, Gianotten refletiu sobre como o projeto responde a mudanças mais amplas na prática do design, migrando de uma produção baseada em objetos para sistemas integrados e estruturas colaborativas.

"Um ambiente onde as pessoas demonstram conhecimento": Em conversa com David Gianotten, do OMA, sobre o Salone Contract - Imagen 1 de 4"Um ambiente onde as pessoas demonstram conhecimento": Em conversa com David Gianotten, do OMA, sobre o Salone Contract - Imagen 2 de 4"Um ambiente onde as pessoas demonstram conhecimento": Em conversa com David Gianotten, do OMA, sobre o Salone Contract - Imagen 3 de 4"Um ambiente onde as pessoas demonstram conhecimento": Em conversa com David Gianotten, do OMA, sobre o Salone Contract - Imagen 4 de 4Um ambiente onde as pessoas demonstram conhecimento: Em conversa com David Gianotten, do OMA, sobre o Salone Contract - Mais Imagens+ 7

"A frustração tornou-se um briefing de projeto": Por que um/a arquiteto/a deixou 20 anos de prática para mapear o mundo

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Karl van Es passou vinte anos atuando como arquiteto antes de deixar a profissão para resolver um problema que todo(a) arquiteto(a) enfrenta: a simples inexistência de recursos para viajar com um olhar profissional. Guias de viagem convencionais e aplicativos de turismo raramente destacam os edifícios que realmente importam para a comunidade da arquitetura. A Åvontuura nasceu dessa frustração — uma editora independente de guias ilustrados de arquitetura criada por um arquiteto para profissionais da área. Seu lançamento mais recente, Madri, mapeia 70 das obras mais significativas da cidade, com a missão de encurtar a distância entre o interesse arquitetônico e a logística de viagem.

Mais arquitetura por menos: SSdH e o potencial latente de edifícios existentes

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Diante do crescente reconhecimento da responsabilidade da arquitetura em relação às ecologias ambiental e planetária, a prática contemporânea se orienta cada vez mais para o trabalho com o que já existe—suas condições materiais, espaciais e históricas. Nesse cenário de mudança, a estética da arquitetura e do design concentra-se, progressivamente, na reformulação de ambientes herdados. Essa abordagem fundamenta o trabalho do SSdH, um escritório de arquitetura sediado em Melbourne, fundado em 2020 por Todd de Hoog, Harrison Smart e Jean-Marie Spencer. Atuando em diversas escalas de reforma, ampliação e inserção adaptativa, o estúdio dialoga constantemente com as edificações existentes, tratando-as como agentes ativos. Vencedor do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório australiano prioriza a responsabilidade ambiental, a economia de materiais e processos colaborativos fundamentados nas condições específicas de cada local.

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7 masterplans não construídos que reimaginam os futuros urbanos por meio da ecologia e do espaço coletivo

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Raisio City Center / LUO Architects

Raisio, Finlândia

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Inteligência material: como o aço resiste às intempéries, à corrosão e ao tempo

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Produzido em escala industrial desde o século XIX, o aço transformou profundamente a maneira como construímos. O ferro, refinado por meio de processos metalúrgicos controlados, deu origem a um material capaz de aliar resistência mecânica, leveza relativa e precisão construtiva, viabilizando algumas das maiores conquistas da engenharia e da arquitetura modernas. De arranha-céus e pontes a fachadas, coberturas e sistemas industrializados, poucos materiais tiveram um impacto tão significativo na configuração do ambiente construído.

Contudo, a qualidade de um material não pode ser medida apenas por seu desempenho estrutural inicial ou por sua aparência no momento da entrega. Embora os edifícios sejam frequentemente avaliados logo após a conclusão das obras, seu verdadeiro desempenho só se revela com o passar do tempo. Fotografias registram fachadas impecáveis, superfícies recém-instaladas e espaços prontos para o uso. As décadas seguintes, no entanto, expõem essas construções à radiação solar, chuva, umidade, salinidade, poluição atmosférica e variações térmicas. É nesse contato contínuo com o meio ambiente que as escolhas materiais são efetivamente colocadas à prova.

Arquitetura da água: metais que desaparecem no bem-estar contemporâneo

 | Em colaboração
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E se os elementos mais avançados de um banheiro fossem aqueles que mal podemos ver? Em espaços onde paredes, tetos e pisos formam superfícies contínuas, os metais e louças recuam, e a própria água passa a ser a matéria-prima que molda a experiência. O posicionamento cuidadoso de componentes em banheiros — como cubas, torneiras, chuveiros e ralos — costuma afirmar sua presença tanto como objeto quanto como função. Mas o que acontece quando esses elementos começam a desaparecer?

Em vez de adicionar elementos sobrepostos ao desenho do banheiro, algumas abordagens operam por subtração. O banheiro deixa de ser composto por objetos visíveis e passa a ser compreendido como uma superfície contínua. Metais e louças embutem-se em paredes e tetos, permitindo que a água, a luz e a atmosfera assumam o protagonismo. O que se delineia é uma forma de minimalismo que vai além: uma arquitetura que absorve inteiramente seus sistemas técnicos, fazendo com que os dispositivos desapareçam e restem apenas seus efeitos. A experiência em si torna-se protagonista, não mais mediada por objetos visíveis, mas moldada diretamente pela água, pela luz e pelo espaço.

Refúgio Cápsula: Construção através do processo na paisagem montanhosa do Líbano

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Situado na paisagem montanhosa de Zabbougha, no Líbano, o Capsule Retreat, projetado pelo EAST Architecture Studio, é moldado pelo próprio processo de sua feitura. O projeto se desenrola por meio de decisões materiais, ajustes no canteiro de obras e condições em constante evolução, permitindo que a própria construção guie sua lógica espacial.

O processo de construção desempenhou um papel central na definição do projeto. Construída durante um período marcado pelo colapso econômico, pela escassez de materiais e pela instabilidade contínua no Líbano, a casa se desenvolveu por meio de uma adaptação constante. Sem uma empreiteira geral, a equipe de arquitetura assumiu um papel ampliado, coordenando artífices locais, testando ideias diretamente no canteiro e respondendo a condicionantes em constante mudança. Nesse contexto, as condições sociopolíticas tornaram-se não apenas um desafio, mas um catalisador para repensar o projeto. "Estávamos constantemente testando ideias no canteiro", afirmam os arquitetos e fundadores do EAST Architecture Studio, Charles Kettaneh e Nicolas Fayad, "adaptando essas decisões do ponto de vista econômico e, ao mesmo tempo, explorando o que o artesanato local poderia oferecer."

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Arquitetura do Pertencimento: Vision Pakistan em Islamabad, por DB Studios

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Para o DB Studios, a arquitetura não consiste apenas em construir, mas em pertencer. Trata-se de criar uma prática situada, que responda ao seu contexto, ao seu povo e à sua identidade local, expressa por meio de materiais, cores e decisões espaciais. Nesse sentido, o design torna-se uma forma de articular uma linguagem enraizada em seu contexto e moldada pelas pessoas a quem serve.

Essa postura torna-se especialmente evidente no Vision Pakistan, projeto do DB Studios recentemente reconhecido com o Prêmio Aga Khan de Arquitetura 2025. Para além do reconhecimento das qualidades arquitetônicas da proposta, a premiação destaca um compromisso mais amplo: a criação de um ambiente de acolhimento para jovens em situação de vulnerabilidade, no qual a educação, a capacitação profissional e o projeto espacial atuam em sinergia para fomentar a independência e a mobilidade social. Por meio de sua forma, fachada e organização interna, o edifício responde de maneira direta ao seu contexto, reforçando o sentimento de apropriação por parte de quem o frequenta, ao mesmo tempo em que desperta orgulho na comunidade do entorno e entre profissionais locais emergentes.

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O que os/as arquitetos/as esperam das ferramentas de IA em 2026

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A inteligência artificial não é mais um conceito distante na prática profissional da arquitetura. Ela está se tornando rapidamente uma ferramenta prática utilizada por escritórios em todo o mundo para acelerar os fluxos de trabalho de projeto, gerar visualizações e explorar novas possibilidades criativas.

De acordo com uma nova pesquisa do setor realizada pela Chaos em colaboração com o Architizer, arquitetos, arquitetas e designers já estão integrando a IA em seu trabalho diário. Quase 800 profissionais de arquitetura e design de todo o mundo participaram do estudo, compartilhando perspectivas sobre como usam as ferramentas de IA, quanto tempo a tecnologia economiza e como acreditam que a inteligência artificial moldará o futuro da arquitetura.

Projetar com matéria viva: 5 instalações que utilizam materiais de base biológica e fabricação digital

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Em tempos de emergência ecológica, a arquitetura não pode ser separada dos sistemas extrativos de que depende. À medida que a tecnosfera se expande, interligando fluxos de materiais, consumo de energia e infraestruturas digitais, a prática projetual torna-se cada vez mais enredada nesses processos. Como o design pode intervir em sistemas antropocêntricos e transformar o processo e a estética da arquitetura por meio de uma investigação sobre a inteligência material? De forma mais ampla, de que maneira a arquitetura se relaciona com a agência e a inteligência de entidades não humanas para reequilibrar o impacto ambiental?

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A morte das misturas em pó? Por que os acabamentos prontos para uso estão dominando o mercado

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Em um setor definido por tolerâncias de engenharia e garantia de desempenho, o acabamento de interiores ainda depende de um processo que introduz variabilidade em cada projeto. Mesmo profissionais de aplicação experientes costumam depender de uma mistura baseada no julgamento subjetivo — estimando a proporção de água e ajustando pelo tato até que o material pareça maleável. Embora a habilidade reduza a variabilidade, ela não a elimina. O resultado é uma inconsistência inerente que se transfere diretamente para a superfície acabada.

"Não separo arquitetura de infraestrutura": Entrevista com Shohei Shigematsu sobre a nova expansão do New Museum pelo OMA

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Quando o edifício original do New Museum, projetado pelo escritório SANAA — uma pilha de caixas opacas deslocadas envoltas por uma pele de malha metálica —, foi inaugurado em 2007, já parecia destinado a algum tipo de expansão para aliviar a pressão vertical criada por sua circulação restrita e área de projeção limitada. Em março, o museu revelou sua aguardada ampliação, projetada por Shohei Shigematsu e Rem Koolhaas, do OMA. O edifício complementar, de linhas angulares e levemente recuado, duplica a capacidade expositiva do museu, ao mesmo tempo em que reconfigura a relação da instituição com a cidade e com a estrutura original do SANAA, projetada por Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.

Na abertura do edifício para a imprensa, Koolhaas descreveu o projeto "não apenas como uma extensão, mas como um complemento ou contraparte". Shigematsu detalhou posteriormente: "Pensamos em desenhar um par composto por dois edifícios distintos e, ao mesmo tempo, profundamente conectados. Um é mais vertical e introvertido. O outro é mais horizontal e extrovertido."

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