"Beber Caracú é beber saúde". É o que se lia na imensa empena de um prédio no centro de São Paulo, na manhã do dia 1 de maio de 2018. Por décadas encoberto, o anúncio da famosa marca de cerveja pairava agora diante de um enorme amontoado de concreto, metal retorcido e vidro estilhaçado. Entulho ao qual fora reduzido o emblemático Edifício Wilton Paes de Almeida, projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol, tema do documentário Pele de Vidro, dirigido por sua filha, Denise Zmekhol.
O filme transcende o registro arquitetônico tradicional ao misturar um relato pessoal com questões políticas do Brasil contemporâneo, um país marcado por desigualdades e memórias apagadas. No centro da história está o edifício, considerado um marco da arquitetura moderna brasileira, que desabou em 2018 após um trágico incêndio.
Telhados inclinados e lotes em patamares ou encostas estão entre as soluções mais antigas — e ainda assim altamente funcionais — para a dispersão, o redirecionamento de águas pluviais e o controle da erosão. Embora a maioria das construções atuais ainda opte por coberturas tradicionais, planas ou inclinadas, os avanços nos materiais e técnicas construtivas vêm permitindo uma maior exploração projetual e variações de layout. Com isso, observa-se o aumento de telhados verdes, soluções de isolamento passivo e usos mais inovadores das coberturas. Um exemplo notável é a recorrência de coberturas escalonadas ou em terraço, que costumam estabelecer uma continuidade suave com o terreno, além de oferecer espaços funcionais adicionais ao projeto.
O sol é um parceiro incontornável na arquitetura, influenciando a iluminação, a eficiência energética e o conforto dentro e fora dos edifícios. Essa influência tornou-se ainda mais relevante no contexto das mudanças climáticas, que têm provocado o aumento das temperaturas e a criação de ambientes desafiadores. Em resposta, profissionais de projeto trabalham constantemente para adaptar as cidades às ondas de calor por meio de estratégias urbanas em grande escala. Em menor escala, como no contexto residencial, a questão pode ser abordada de maneira mais específica por meio de diversas soluções de sombreamento.
Como o comportamento do sol varia de acordo com a região e a época do ano, estruturas de sombreamento reguláveis são fundamentais para gerenciar a luz solar e o calor de forma eficaz. Em altas latitudes, os ângulos solares mudam com a alternância das estações, ao passo que nas regiões equatoriais a radiação permanece mais constante ao longo do ano. As soluções retráteis da ShadeFX são projetadas para se adaptar a essas diferentes condições, regulando a intensidade da luz direta e minimizando o calor excessivo. Ao aumentar o conforto e a funcionalidade dos espaços, essas soluções também contribuem para mitigar o impacto de um planeta superaquecido.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140391/como-escolher-estruturas-de-sombreamento-estrategias-baseadas-nos-angulos-solares-e-nas-estacoes-do-anoEnrique Tovar
Dequindre Cut, Detroit / The High Line Network, SmithGroup. Imagem cortesia de The Dirt
Ao longo da história, tornou-se evidente que a chave para projetos duradouros e sustentáveis é lançar bases sólidas. Nossa sociedade caminha para um futuro mais urbano, no qual a densidade das metrópoles será cada vez maior. Por isso, esse amanhã mais urbano exige um planejamento urbano moderno, capaz de erguer estruturas inovadoras, sustentáveis e flexíveis. Afinal, a única forma de fazer com que a nossa sociedade viva melhor é construir melhor.
O Prêmio Aga Khan de Arquitetura anunciou o Grande Júri para o seu 16º ciclo de premiação. O painel independente inclui a arquiteta laureada com o Prêmio Pritzker Yvonne Farrell, o fundador do ArchDaily, David Basulto, e Lucia Allais, diretora do Buell Center. Criado em 1977 por Aga Khan IV, o prêmio busca destacar projetos de arquitetura que gerem um impacto positivo significativo em comunidades islâmicas de todo o mundo. A premiação é realizada em ciclos trienais e conta com uma dotação total de US$ 1 milhão.
O MVRDV, em colaboração com o JGE Architects, os/as arquitetos/as paisagistas Copley Wolff e a Langan Engineering, desenvolveu um masterplan para a reurbanização de Faneuil Gardens, um complexo de habitação social no bairro de Brighton, em Boston. O projeto, encomendado pela The Community Builders em parceria com a Boston Housing Authority, visa substituir o obsoleto conjunto residencial da década de 1940 por cinco edifícios contemporâneos que incorporam moradias acessíveis de renda mista, espaços de moradia e trabalho para artistas e amplas áreas verdes. No centro da reurbanização está um novo centro comunitário, localizado ao longo de uma avenida pública que atravessa o coração do terreno.
Um dos maiores desafios atuais nas grandes cidades é a crise habitacional e a falta de soluções eficientes para mitigar seus efeitos sobre a população. Esse problema se agrava em cidades onde o turismo e o aluguel de temporada ou temporário predominam no mercado, afastando a população local da possibilidade de acessar uma moradia acessível em áreas urbanas. Além disso, a gentrificação, impulsionada pelo aumento dos aluguéis e pela especulação imobiliária, contribui para o deslocamento das comunidades locais, transformando bairros tradicionais em zonas voltadas exclusivamente ao consumo turístico.
A arquitetura é há muito tempo compreendida como uma ferramenta poderosa para moldar o ambiente físico e as dinâmicas sociais nele inseridas. No entanto, seu potencial para promover a equidade social é muitas vezes negligenciado. O design orientado pela empatia convida arquitetos/as a abordarem seu trabalho não apenas como criadores de espaços, mas como facilitadores de conexões humanas e do bem-estar comunitário. Essa abordagem centra-se na compreensão das experiências de vida, lutas e aspirações das pessoas — particularmente de comunidades marginalizadas — e na resposta às suas necessidades por meio de uma arquitetura inclusiva e atenta. Ela vai além da estética e da funcionalidade, concentrando-se, em vez disso, na criação de espaços que promovam a dignidade, a acessibilidade e a equidade social. Ao priorizar a empatia, arquitetos/as podem projetar ambientes que fortaleçam comunidades, combatam disparidades e criem espaços inclusivos que promovam transformações sociais positivas de maneira tangível e centrada no ser humano.
A imagem quase clichê da cerca branca tornou-se sinônimo dos ideais do Sonho Americano. Atrás da cerca, há invariavelmente um gramado perfeitamente aparado, um tapete verde sobre o qual a vida pode se desenrolar. Essa imagem e suas associações não são, contudo, acidentais. Em seu livro "Domesticity at War", Beatriz Colomina observa que, desde a Segunda Guerra Mundial, o gramado assumiu um papel central no imaginário do país, tornando-se inicialmente um a fim de abrir espaço para a diversidade, tanto social quanto ecológica. símbolo da estabilidade dos lares para os quais os soldados esperavam retornar, oferecendo um espaço onde aqueles que ficavam em casa ainda podiam cumprir deveres para com a nação e, após a guerra, propagando a imagem de um estilo de vida idealizado, mantido com muito trabalho e dedicação. Nos últimos anos, o gramado emergiu mais uma vez como um local de conflito, desta vez entre aqueles que esperam preservar essa imagem idealizada e aqueles que buscam romper com a uniformidade a fim de abrir espaço para a diversidade, tanto social quanto ecológica.
Vencedor do Primeiro Prêmio. Imagem cortesia de Buildner
Buildner, em colaboração com a fabricante de materiais de construção Kingspan, anunciou os vencedores da MICROHOME Kingspan Edition, distribuindo um prêmio total de 150.000 EUR. A competição deste ano, agora em sua sétima edição, atraiu arquitetos/as e designers, tanto profissionais quanto estudantes, de 115 países.
O escritório de arquitetura SO – IL revelou os planos para um novo projeto de edifício residencial no bairro de Fort Greene, no Brooklyn. Batizado de 144 Vanderbilt, o empreendimento oferece 26 apartamentos e áreas de lazer que abrangem quase 90.000 pés quadrados (cerca de 8.300 metros quadrados). Segundo o SO – IL, a arquitetura se inspira no patrimônio histórico do Brooklyn, ao mesmo tempo em que incorpora uma abordagem moderna, com volumes escalonados que priorizam as interações comunitárias e o conforto da vida urbana.
O escritório Foster + Partners acaba de revelar o projeto de um novo edifício híbrido de moradia e trabalho em Seul, na Coreia do Sul, que busca redefinir a hospitalidade corporativa por meio de uma abordagem personalizada. A estrutura foi concebida para acomodar profissionais que buscam conciliar trabalho e lazer em um ambiente urbano. Com ênfase no conforto, na funcionalidade e no bem-estar, o edifício incorpora espaços projetados para recepções e eventos, além de salas dedicadas a reuniões e negociações. O projeto também conta com instalações de bem-estar de última geração, criando um ambiente ideal tanto para o trabalho quanto para o relaxamento. O empreendimento é composto por doze unidades privadas, cada uma ocupando um andar inteiro, proporcionando uma experiência de moradia exclusiva e sob medida para as necessidades individuais.
Quando pensamos em espaços que estimulam a meditação, nossa mente costuma viajar para os jardins Zen do Japão, onde linhas puras e um paisagismo meticulosamente planejado convidam à quietude, ou para o design escandinavo, com seus tons neutros e tecidos suaves. Esses estilos evocam uma sensação de calma por meio da simplicidade, característica frequentemente associada às linguagens arquitetônicas japonesa e do norte da Europa. No entanto, a quietude e a meditação não se limitam a esse tipo de cenário. As tradições arquitetônicas latino-americanas também oferecem abordagens potentes — embora muitas vezes preteridas — para os espaços de meditação. Com tons terrosos de terracota, texturas ásperas de adobe, pátios íntimos e uma forte conexão com a natureza, esses ambientes convidam à reflexão por meio do aconchego e da riqueza material, criando espaços que transmitem calma sem recorrer ao minimalismo extremo.
O escritório de arquitetura paisagística SCAPE, em conjunto com o Bjarke Ingels Group, anunciou planos para transformar a Manresa Island, em Connecticut, em um empreendimento voltado ao público, concebido como um polo de aprendizado, exploração e engajamento comunitário. Antes previsto para abrigar residências privadas à beira-mar, o novo plano visa abrir a área como um parque público com amplo acesso à orla, sob a liderança do SCAPE. Além disso, a usina termoelétrica a carvão desativada será convertida pelo BIG em um polo comunitário para diversas atividades, incluindo natação, eventos de pequena e grande escala, pesquisa e salas educacionais. Financiado por um investimento filantrópico privado de Austin McChord, o projeto tem previsão de abertura para 2030, por meio de um desenvolvimento em fases.
House to Watch the Sunset, concreto. Imagem cortesia de Alma Zevi
Alma Zevi escreveu um livro que oferece um relato íntimo e definitivo sobre a trajetória do escultor, pintor e arquiteto suíço Not Vital. Esta obra abrangente investiga a vida nômade de Vital, buscando e construindo lares em diversas cidades, como Paris, Nova York, Pequim e Rio de Janeiro. O livro explora a prática seminal da escultura e os projetos arquitetônicos do artista, apresentando um catálogo com mais de 450 esculturas e obras relacionadas. Com base em material de arquivo e entrevistas pessoais com o artista, Zevi busca traçar um retrato de sua carreira até o momento.
Diante do envelhecimento da população mundial, prevê-se uma das transformações sociais mais significativas do século XXI. A concepção de pátios, jardins, terraços e demais áreas verdes em estabelecimentos destinados à terceira idade traz a oportunidade de fomentar o encontro, a participação em diversas atividades coletivas e a consolidação de espaços de reunião, buscando reduzir a solidão entre as pessoas idosas e potencializar o bem-estar e a interação social em contato com a natureza. Como é possível criar ambientes construídos adaptados às pessoas idosas e suas necessidades?
Na 'The Thai Silk Company', Jim Thompson combina tradição com modernidade no artesanato. Imagem cortesia de Jim Thompson
Hoje, há apenas um punhado de nomes no mundo têxtil contemporâneo que carregam um legado histórico tão significativo e uma biografia tão extraordinária entrelaçada em sua trajetória. Jim Thompson é uma marca repleta de romantismo. Natural de Delaware, ele serviu militarmente no Sudeste Asiático e trabalhou para o Office of Strategic Services (OSS), o serviço de inteligência dos EUA. Com o fim do conflito, estabeleceu-se na Tailândia, construindo uma nova vida fundamentada em seu fascínio pela beleza e pelo fazer artesanal intrínsecos ao país. Naquela época, a tecelagem de seda tradicional era ameaçada pelos tecidos industriais, e foi então que ele descobriu uma comunidade de tecelões e tecelãs de seda excepcionalmente talentosos em Bangkok. Ele trabalhou em estreita colaboração com esse grupo para desenvolver a produção e aproximá-lo de outras comunidades têxteis talentosas, incluindo uma em Pak Thong Chai, Korat — província no nordeste da Tailândia. Seus esforços foram fundamentais para revitalizar a indústria da seda na Tailândia, um legado que perdura até hoje.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140848/elevando-espacos-interiores-com-o-artesanato-textil-modernoMark C. O'Flaherty
Crise, crise, crise... e adivinha? Mais crises. Toda vez que ouvimos essa palavra, tudo parece mais desanimador. No entanto, a questão é a seguinte: a cada desafio surge uma oportunidade. Da escassez de moradia acessível à desaceleração econômica e à emergência climática, há sempre um novo desafio abrindo as portas para novas possibilidades. Contudo, a verdade é que nenhum desses eventos é isolado; eles estão todos interconectados de alguma forma, formando diferentes facetas de uma mesma história. Talvez uma das menos mencionadas, sobretudo no que diz respeito ao ambiente construído, seja a crise alimentar global, que cresce de forma (quase) silenciosa, prestes a assumir o protagonismo. Ela impõe vários desafios para a futura produção de alimentos, especialmente nas cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140783/producao-de-alimentos-voltada-para-o-futuro-integrando-a-agricultura-de-alta-tecnologia-as-cidadesEnrique Tovar
Sanderling Beach Club, fotografia de Francis Dzikowski, Archives of the Paul Rudolph Heritage Foundation. Imagem via Paul Rudolph Institute of Modern Architecture, sob política de uso justo
A Bienal de Arquitectura Latino-americana (BAL), edição de 2025, está com inscrições abertas para destacar jovens talentos da arquitetura latino-americana. Este evento, que acontece em Pamplona, Espanha, visa dar visibilidade internacional a profissionais emergentes e promover um intercâmbio cultural e técnico entre arquitetos da América Latina e o público europeu.
https://www.archdaily.com.br/pt/1021827/bienal-de-arquitectura-latino-americana-2025-chamada-abertaArchDaily Team
Imagine entrar em um ambiente que compreende você por completo, conhece seus hábitos e trabalha ativamente para apoiar seu bem-estar como ocupante. A qualidade do ar poderia ser monitorada e gerenciada, e os ritmos circadianos dos ocupantes poderiam ser rastreados para sugerir estados ideais de produtividade. Profissionais de design de interiores e arquitetura corporativa vêm considerando a saúde e o bem-estar de quem ocupa o espaço em seus projetos para os escritórios do futuro. Ao especular sobre o que o amanhã nos reserva, há argumentos sólidos de que a arquitetura e o design de interiores sencientes serão forças disruptivas na maneira como interagimos com nossos ambientes de trabalho.
A Biblioteca Tianjin Binhai é um edifício icônico projetado pelo escritório MVRDV, localizado na Nova Área de Tianjin Binhai. Sua geometria complexa convida à exploração por meio de técnicas avançadas de visualização, enriquecendo a narrativa e revelando todo o potencial do projeto. Este artigo detalha como o D5 Render ilustra de forma criativa a narrativa visual desta joia arquitetônica através de seus recursos de renderização e animação em tempo real.