Terraço jardim entre as duas fases. Imagem cortesia de NEUF architect(e)s
Com a medicina moderna, pode ser difícil para muitos hoje imaginar a devastação causada pela tuberculose (TB) há cerca de 100 anos. Associada inicialmente a condições insalubres e de superlotação, apenas no Canadá a doença causava a morte de aproximadamente 8.000 pessoas anualmente no final do século XIX. Nessa época, antes da descoberta de tratamentos mais avançados, as prescrições médicas envolviam luz solar, ar puro e repouso. Como resposta, sanatórios foram criados. Eram locais onde os pacientes podiam ser isolados da comunidade para tratar a enfermidade. Um testemunho desse legado ergue-se no coração de Montreal: o antigo Royal Edward Laurentian Institute, mais tarde conhecido como Montreal Chest Institute. Nascido de uma crise, o local tornou-se desde então um símbolo de resiliência, transformação e inovação, deixando de ser um espaço de isolamento para se transformar em um polo próspero de pesquisa e empreendedorismo nas ciências da vida.
Após duas semanas de indicações na 16ª edição do Prêmio Obra do Ano 2025, nossa comunidade avaliou mais de mil projetos e selecionou os 15 finalistas. A premiação deste ano celebra a excelência em design, inovação e sustentabilidade, especificamente na região da América Latina e Espanha, destacando uma seleção excepcional de projetos entre os finalistas. Por se tratar de um prêmio baseado na participação do público, orgulha-nos afirmar que suas escolhas refletem de forma autêntica o estado atual da arquitetura, e a qualidade dos finalistas deste ano evidencia ainda mais a excelência e a diversidade presentes no campo profissional.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142926/conheca-os-15-projetos-finalistas-do-premio-obra-do-ano-2025-do-archdaily-em-espanholArchDaily Team
Na Mongólia antiga, pastores e pastoras desmontam sua iurta — uma tenda circular portátil feita de feltro ou pele de animal — em busca de novas terras para criar seu rebanho. Não muito longe dali, um/a nômade digital em Bali prepara sua próxima mudança para um espaço de co-living na cidade de Ho Chi Minh. Embora separadas por vastas distâncias e abismos culturais, essas pessoas estão unidas por um desejo humano atemporal: a busca por mobilidade e espaços de vida adaptáveis. Diante de mudanças geopolíticas e de novos estilos de vida, a demanda por uma arquitetura residencial flexível se intensifica. Nesta era de maior mobilidade, basta que apenas as pessoas se desloquem ou os edifícios do amanhã também precisarão acompanhá-las?
As crianças vivenciam o espaço de forma diferente das pessoas adultas. Para elas, o mundo ainda não está racionalizado em termos de função e circulação, sendo experimentado por meio da emoção e da curiosidade. Enquanto as pessoas adultas tendem a percorrer os ambientes pelo hábito, as crianças os habitam pela imediatez. Um feixe de sol torna-se um acontecimento. A curva de um corredor convida ao explorar. O som dos passos sobre a madeira ou a suavidade de um tecido sob a ponta dos dedos não são mero plano de fundo, mas sim informação. Aquilo que as pessoas adultas costumam descartar como momentos periféricos medeia silenciosamente seu senso de segurança, autonomia, pertencimento e possibilidade. A arquitetura é a oportunidade para a pedagogia se materializar.
O movimento modernista mid-century foi mais do que uma transição estética ou material nos Estados Unidos; ele representou uma resposta a um mundo em rápida transformação. Emergida após a Segunda Guerra Mundial, essa revolução arquitetônica rejeitou os estilos ornamentados e tradicionais do passado em favor de linhas limpas, design funcional e da incorporação de materiais marcantes como o aço, o vidro e o concreto. O modernismo representou uma ruptura com a tradição, concentrando-se na simplicidade, na eficiência e em uma visão de futuro. Refletia o otimismo de uma nação em reconstrução, onde a tecnologia e a inovação moldavam desde as paisagens urbanas até as residências suburbanas.
Após duas intensas semanas de indicações, o público leitor do ArchDaily avaliou mais de 500 projetos e selecionou os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China. Profissionais da arquitetura e entusiastas participaram do processo de indicação, escolhendo projetos que exemplificam o que significa impulsionar a disciplina. Estes finalistas são as obras que mais inspiraram o público do ArchDaily, revelando também as tendências crescentes da arquitetura chinesa.
Entre os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China 2025, é possível observar uma mudança gradual de foco, que migra de edifícios públicos de grande escala para a revitalização rural, espaços públicos comunitários, a exploração de novas tipologias escolares e espaços internos de menor escala. Nota-se uma atenção maior às necessidades pessoais e às experiências de habitar, bem como aos espaços circundantes. Também fica evidente como diferentes escritórios estão respondendo às demandas das cidades e de seus usuários e usuárias neste período de transição do mercado imobiliário.
Antes de apresentar a lista de finalistas, gostaríamos de destacar os valores que norteiam esta premiação: como a maior plataforma de arquitetura do mundo, temos plena consciência de nossa responsabilidade para com a profissão e para com o avanço da arquitetura como disciplina. Uma vez que nossa missão está diretamente ligada à arquitetura do amanhã — inspirando e educando as mentes que projetarão o tecido urbano do futuro —, a confiança depositada em nós por nosso público para refletir as tendências arquitetônicas de todas as regiões do planeta gera desafios que assumimos com entusiasmo. De votação democrática e centrado em nossa comunidade de leitores e leitoras, o prêmio Building of the Year é um dos pilares da nossa resposta a esses desafios, com o objetivo de derrubar hierarquias estabelecidas e barreiras geográficas. Apresentamos a seguir os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China 2025. O período de votação ocorre de 2 a 9 de abril de 2025, até as 23h59 (horário de Pequim), e os projetos vencedores serão anunciados em 10 de abril de 2025. Clique aqui para conferir os detalhes e saber como votar.
Guerras, descolonização, crises econômicas, movimentos civis e revoluções industrial-tecnológicas: o século XX foi um período de transformações radicais e de grande alcance. Essas rupturas remodelaram sociedades e redefiniram a forma como as pessoas expressavam suas aspirações em constante evolução, com a arquitetura liderando esse caminho. As máquinas e a industrialização prometiam progresso tecnológico e modernização, defendendo uma ruptura definitiva com os estilos ornamentados e historicistas do passado, ao mesmo tempo que abraçavam uma visão focada na funcionalidade, eficiência e inovação. Essa transição, personificada pelo modernismo, introduziu novos conceitos, métodos e usos de materiais — tudo moldado pela experimentação.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143005/experimentacao-formal-e-material-licoes-fundamentais-dos-pioneiros-da-arquitetura-modernistaEnrique Tovar
O Utopian Hours retorna a Turim como o principal festival da Europa dedicado à construção de cidades (*city making*) e à inovação urbana. Serão três dias repletos de inspiração, com masterclasses, palestras, workshops, mesas-redondas e exposições. Fórmulas e estudos de caso de todo o mundo revelam como ocorre a inovação urbana (e social) — e como o próprio conceito de fazer cidade está sendo ampliado em direções ousadas e inéditas. Mais de 40 convidados/as internacionais, os veículos de mídia mais influentes, grandes referências do urbanismo e os/as gestores/as públicos/as mais dinâmicos/as da Europa se reunirão em Turim para trocar ideias, ferramentas, experiências, soluções, desejos e paixões.
Situado próximo às ruínas da Abadia de Fonthill, no interior da Inglaterra, o Pavilhão Upper Lawn — também conhecido como Pavilhão Solar — é um experimento de arquitetura experimental modesto, mas profundo, projetado por Alison e Peter Smithson. Construído entre 1959 e 1962 como um refúgio de fim de semana e laboratório de ideias, o pavilhão incorpora o ethos da dupla de economia, honestidade material e respeito pelo contexto, refletindo o espírito pioneiro do Novo Brutalismo.
A cuidadosa interação de Upper Lawn entre o novo e o existente é particularmente instigante. Construído sobre os remanescentes de uma casa de campo inglesa do século XVIII, o pavilhão reaproveita as espessas paredes de alvenaria da estrutura original, incorporando ao projeto elementos como o poço, as árvores e o gramado. Utilizando materiais pré-fabricados como madeira, vidro e alumínio, os Smithson construíram um espaço repleto de luz que se harmoniza com o entorno, materializando seu princípio de "arquitetura como encontrada" — conceito fundamentado em honrar e se adaptar às condições preexistentes em vez de se impor a elas.
O Modernismo, movimento que buscou romper com as formas tradicionais e abraçar o futuro, lançou as bases para diversos avanços tecnológicos e digitais na arquitetura contemporânea. À medida que a Revolução Industrial trazia a produção em massa, novos materiais e inovações tecnológicas, nomes da arquitetura como Le Corbusier, Walter Gropius e Mies van der Rohe defenderam o princípio de que a "forma segue a função" e uma abordagem racional do projeto. Seus preceitos ressoam na era digital, na qual o projeto computacional e os materiais de alta tecnologia redefinem a forma e a construção.
Os ideais modernistas do século XX — eficiência, simplicidade e funcionalidade — criaram uma base para que arquitetos/as experimentassem a clareza estrutural e a honestidade dos materiais. A arquitetura high-tech, surgida no final do século XX, evoluiu a partir desses princípios, fundindo as linhas limpas do modernismo com engenharia e tecnologia avançadas. Isso abriu caminho para o parametricismo e para os processos de projeto baseados em algoritmos, revolucionando a arquitetura e viabilizando formas complexas anteriormente consideradas impossíveis.
No cerne do design está a intersecção entre técnica e criatividade — um espaço onde ideias ganham forma e os ambientes são reimaginados. Em um mundo repleto de objetos produzidos em massa, o foco se volta para algo mais intencional, no qual cada decisão abre novas possibilidades e permite que o design se liberte do convencional. Pense na poltrona LC1 de Le Corbusier ou na cadeira Barcelona de Mies van der Rohe — não meramente mobiliários, mas sim resultados que ilustram a liberdade criativa de um ateliê, onde ideias, materiais e acabamentos dialogam em vez de simplesmente se conformarem. Essas peças não apenas preenchem um espaço; elas o reimaginam. Esse espírito de inovação estende-se hoje a cada detalhe, dos metais de cozinha aos de banheiro, nos quais a gama de escolhas — materiais, formas e funções — torna-se uma oportunidade para criar algo verdadeiramente único.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142999/torneiras-de-cisne-metais-de-concha-quadriculados-e-a-nova-fronteira-do-design-sob-medidaEnrique Tovar
A história dos eletrodomésticos reflete com fidelidade a transformação do lar moderno e da vida doméstica ao longo do século XX. Originados dos avanços técnicos da Revolução Industrial e impulsionados pela eletrificação urbana, esses aparelhos foram criados para mecanizar tarefas cotidianas como cozinhar, limpar e conservar alimentos. Um marco fundamental nessa evolução foi a Cozinha de Frankfurt, projetada em 1926 pela arquiteta austríaca Margarete Schütte-Lihotzky. Considerada a precursora da cozinha moderna, ela incorporava princípios de eficiência inspirados na organização científica do trabalho, com espaços otimizados e equipamentos integrados para agilizar as tarefas domésticas. Desenvolvida para a habitação social em Frankfurt, essa cozinha sintetiza o espírito funcionalista da Bauhaus e estabelece uma conexão direta com as inovações do design alemão — contexto no qual a Gaggenau também consolidaria sua identidade, aliando precisão técnica e sofisticação estética.
Por meio da manipulação criativa de materiais de construção comuns e da exploração de elementos como forma, luz, textura e espaço, a arquitetura transcende a mera funcionalidade para se tornar uma expressão artística. Seja pela ousadia de um design inovador, pela harmonia de proporções equilibradas ou pelo uso evocativo de materiais, um edifício pode se transformar em uma obra de arte que inspira, intriga e desperta emoções. O projeto do restaurante de sushi Ginza 41, com projeto de arquitetura assinado por Àfrica Sabé, exemplifica essa abordagem. Sua fachada se destaca no entorno graças às soluções fornecidas pela Kriskadecor, empresa especializada em revestimentos metálicos sob medida. Ao utilizar um sistema de fachada tensionada de correntes que apresenta um design singular, o projeto redefine a integração entre arquitetura e branding visual.
Em tempos de colapso ecológico e crescente insegurança alimentar, a arquitetura é cada vez mais chamada a se engajar não apenas com as paisagens, mas com os sistemas que as sustentam e regeneram. Entre esses sistemas, a agricultura ocupa um papel paradoxal, sendo ao mesmo tempo uma das principais responsáveis pela degradação ambiental e um agente potencial de recuperação ecológica. A agricultura industrial esgotou os solos, fragmentou habitats e impulsionou as mudanças climáticas por meio de monoculturas, dependência de combustíveis fósseis e padronização territorial. Em resposta, a agroecologia surge como uma contraprática enraizada na biodiversidade, no conhecimento local e nos ritmos cíclicos da natureza. Ela ressignifica o cultivo não como extração, mas como regeneração dos ecossistemas, das comunidades e do próprio solo.
Esse reposicionamento abre espaço para que a arquitetura dê contribuições significativas. Alinhar-se à agroecologia não significa apenas apoiar a produção de alimentos, mas comprometer-se com as condições culturais, espaciais e ecológicas mais amplas que a sustentam. Isso implica projetar considerando as variações sazonais, apoiar o uso compartilhado e construir de modo a respeitar tanto a terra quanto quem nela trabalha. A arquitetura torna-se mais do que um invólucro — transforma-se em mediadora do cultivo, da reciprocidade e da coexistência.
O espaço tornou-se um luxo em muitas das cidades mais densamente povoadas do mundo — uma realidade crescente que é difícil de ignorar. Megacidades como Tóquio, Xangai, Mumbai, Cidade do México e São Paulo já contam com populações que superam os 20 milhões de habitantes, ao passo que outros centros urbanos na Ásia e na África continuam a se expandir rapidamente. Entre eles, Deli se destaca: se as tendências atuais persistirem, a projeção é que se torne a cidade mais populosa do mundo até 2028. À medida que essas metrópoles crescem, a habitação — especialmente os novos empreendimentos — passa a seguir uma lógica inédita: conforme o metro quadrado encolhe, o mobiliário se adapta e a vida cotidiana aprende a se acomodar e a prosperar em ambientes de alta densidade. Essa mudança não diz respeito apenas às dimensões físicas; ela reflete um novo modo de vida. Onde antes predominava a amplitude, hoje impera a densidade. Cada canto ganha valor espacial e comercial, com a cozinha emergindo como um dos maiores desafios do projeto residencial contemporâneo.
Há quase quatro décadas, ABB, a multinacional sueco-suíça líder em engenharia elétrica, está na vanguarda da inovação e da expertise técnica. Uma iniciativa de destaque em seu portfólio é a série de vídeos Frozen Music,uma produção que apresenta projetos arquitetônicos excepcionais e os/as arquitetos/as que os concebem.Como explica Katrin Förster, Gerente Global de Key Accounts na ABB: "Ao produzir um episódio para a série Frozen Music, sempre começo enviando um questionário personalizado ao/à arquiteto/a".Para o Episódio #24, uma conversa com Mustafa Chehabeddine, Diretor de Design da KPF, ajudou a moldar a narrativa, enfatizando as qualidades formais e funcionais da nova sede do Ziraat Bank em Istambul.
Na produção arquitetônica argentina dos últimos anos, surgiram inúmeros escritórios que, por meio de sua prática, investigações e obras, ganharam relevância no âmbito da disciplina contemporânea. Vale destacar que muitos/as jovens arquitetos/as, mesmo com trajetórias incipientes em termos de obra construída, conseguiram se posicionar, demonstrando voz própria e uma marca definida em seu trabalho.
O brincar, enquanto atividade humana, é uma prática multidimensional: nasce do biológico, transmite-se socialmente e se situa no arquitetônico. Nessa inter-relação, enquanto o lúdico propões dinâmicas e ficções que convidam a explorar outras formas de habitar o mundo, os projetos de arquitetura fornecem o suporte físico e sensorial que permite desdobrar essas possibilidades, sendo as estruturas de jogo o meio que conecta ambos. Assim, evidencia-se uma relação determinante entre o brincar, o ambiente construído e sua transformação ao longo do tempo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142920/arquitetura-e-estruturas-de-brincar-como-os-espacos-ludicos-estao-evoluindo-em-ambientes-urbanosEnrique Tovar
A produção de vinho há muito tempo está ligada ao local, ao clima e à cultura e, nas últimas décadas, a arquitetura tornou-se parte central dessa relação. As vinícolas já não são compreendidas apenas como instalações funcionais para fermentação, armazenamento e distribuição, mas também como espaços onde a paisagem, a materialidade e a experiência do/a visitante se cruzam. De adegas subterrâneas escondidas sob os campos a marcos escultóricos que se erguem em territórios rurais, esses edifícios moldam a identidade das regiões vinícolas ao mesmo tempo que oferecem aos/às visitantes um encontro cuidadosamente coreografado com o processo de produção.
Na interseção entre agricultura, turismo e cultura, as vinícolas apresentam aos/às arquitetos/as oportunidades únicas de fundir requisitos técnicos com uma narrativa espacial. Devem responder às condições ambientais, gerenciar a temperatura e a umidade com precisão e integrar-se a ecossistemas delicados, ao mesmo tempo que oferecem espaços para degustação, encontros e celebrações. Como resultado, essa tipologia deu origem a uma ampla gama de soluções arquitetônicas. Enquanto algumas estão enraizadas na tradição e no artesanato local, outras exploram tecnologias avançadas e formas contemporâneas.
Na esteira do recente sucesso do Campeonato Mundial de Padel da FIP no Catar e do anúncio da Arábia Saudita como sede da Copa do Mundo da FIFA em 2034, o Oriente Médio está se preparando para se tornar um polo de grandes eventos esportivos, o que impulsiona a demanda por infraestrutura esportiva de alto desempenho. De quadras de pickleball e padel a estádios de renome internacional, a evolução dos pisos esportivos exige soluções inovadoras, duráveis e sustentáveis.
Terraco, líder global em materiais de acabamento para construção civil, tem fornecido consistentemente soluções de ponta para complexos esportivos em todo o mundo, auxiliando arquitetos/as, construtores/as e incorporadores/as a projetar e erguer instalações que resistem ao teste do tempo.
Ao projetar espaços para contemplar, a arquitetura entra em diálogo com o território na busca por compreender a paisagem e desfrutar da realidade, seja ela natural ou construída. A partir do convite para contemplar o entorno que nos cerca, profissionais de arquitetura na América Latina embarcam no desafio de construir estruturas que interagem com a natureza, reinterpretam certas tipologias edilícias ou fazem parte do aprendizado e do ensino de arquitetura para as futuras gerações. A ampla variedade de paisagens e culturas disponíveis no contexto latino-americano revela as infinitas oportunidades em que a arquitetura desponta com potencial para fomentar o diálogo entre quem observa e o objeto observado, além de aproveitar a conexão com a flora, a fauna e as demais espécies locais que a região oferece.
Durante a exposição Time Space Existence, organizada pelo European Cultural Centre em Veneza, o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Alejandro Aravena e seu escritório ELEMENTAL revelaram um protótipo em escala real para uma nova abordagem em soluções de habitação incremental. Intitulada USB Core — sigla para Protótipo de Habitação com Unidade de Serviços Básicos —, a proposta visa demonstrar como uma construção eficiente pode fornecer todos os componentes habitacionais essenciais em um espaço mínimo. O protótipo é fruto de uma colaboração entre o escritório de arquitetura e a fabricante e pesquisadora de concreto Holcim, sendo construído a partir de uma mistura de concreto com emissões líquidas zero recém-desenvolvida. O projeto também incorpora agregados totalmente reciclados, alinhando-se aos princípios da economia circular. A parceria busca demonstrar uma maneira mais consciente do ponto de vista ambiental, porém economicamente viável, de fornecer serviços essenciais a comunidades vulneráveis sem prejudicar o planeta.
Durante sua estada em Veneza, a editora-chefe do ArchDaily, Maria-Cristina Florian, teve a oportunidade de conversar com Alejandro Aravena sobre as implicações dessa colaboração, a necessidade urgente de moradia e o papel do/a arquiteto/a como coordenador/a de um processo que envolve múltiplos atores.
À medida que as cidades e as paisagens evoluem, a arquitetura é cada vez mais chamada a apoiar o bem-estar, o desempenho e a experiência coletiva. De estádios que honram uma profunda memória cultural a espaços de bem-estar intimistas que promovem a restauração e a conexão, as tipologias de esporte e bem-estar estão se expandindo para além da mera funcionalidade. Elas criam ambientes onde o movimento e a saúde se cruzam com a qualidade do design, a sustentabilidade e o significado social. Hoje, esses espaços vão desde centros de treinamento de elite e clubes recreativos até refúgios contemplativos e instalações públicas inclusivas, moldando a forma como as comunidades se reúnem, se recuperam e celebram sua identidade compartilhada.
Esta seleção de propostas não construídas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, ilustra essa diversidade. Em São Paulo, o escritório Luiz Volpato Arquitetura reinventa o histórico estádio do Santos Futebol Clube com uma geometria que preserva a memória da torcida e, ao mesmo tempo, introduz novos usos comerciais e sociais. Em Hanói, a equipe do Van Aelst I Nguyen and Partners traz luz filtrada e ar fresco a um complexo esportivo urbano denso. Em Dubai, o RSP propõe o Haven, um empreendimento residencial ancorado no bem-estar holístico e em experiências voltadas para a natureza, enquanto o escritório indiano Tropic Responses projeta o Aira Club como um centro de lazer consciente em relação ao clima. No alto do Himalaia, o Gadasu + Partners esculpe um spa meditativo na rocha da montanha, e em Isfahan, o Arsh4d Studio repensa os parques femininos segregados para criar um espaço cívico inclusivo e orientado para o futuro.