Em Gabrovo, na Bulgária, o município convida arquitetos e arquitetas a projetar o Centro de Arte Contemporânea Christo e Jeanne-Claude, transformando, adaptando e modernizando a antiga Escola Técnica Têxtil e seu terreno adjacente. Com cofinanciamento da União Europeia, um orçamento definido, um júri de especialistas e uma estrutura em duas fases, este concurso reflete o próprio espírito da prática artística de Christo and Jeanne-Claude: uma criação artística audaciosa e acessível. Mais do que a encomenda de um edifício cultural, a iniciativa exige uma proposta projetual que compreenda o caráter específico de sua obra, agregando uma dimensão curatorial ao que, de outro modo, seria um simples projeto de reuso adaptativo.
Vencedor da Categoria Pequena Escala + Vencedor Estudantil: Architecture as Resilient Machine. Imagem cortesia de Buildner
Buildner lançou o Unbuilt Award 2026, a terceira edição de seu concurso anual, que oferece um prêmio total de € 100.000. Paralelamente, foram anunciados os resultados do Unbuilt Award 2025, marcando a segunda edição de uma série que celebra projetos de arquitetura ainda não realizados. A iniciativa oferece uma plataforma global para que arquitetos/as e designers apresentem seus projetos não construídos mais impactantes — sejam eles conceituais, publicados, inéditos ou totalmente desenvolvidos.
Em novembro de 2025, o ArchDaily lançou a primeira edição do seu Student Project Awards. A decisão de criar esta nova premiação surgiu de um sentimento de esperança; esperança nas próximas gerações de arquitetos/as, em seu talento e visão, e na importância de lhes dar visibilidade e reconhecimento. Afinal, o futuro da arquitetura está sendo moldado agora mesmo, em salas de aula, estúdios e oficinas por todo o mundo, e é fundamental apoiar quem o está moldando. A resposta foi extraordinária, com projetos enviados por estudantes de todos os continentes, demonstrando uma riqueza e amplitude de pontos de vista, soluções e visões.
Cinco meses após o lançamento da convocatória — e após o anúncio de uma lista longa de 104 projetos e de uma lista final de 20 semifinalistas —, nosso júri externo de arquitetos/as e profissionais do setor revisou cuidadosamente as propostas para selecionar os/as três vencedores/as e as quatro menções honrosas do ArchDaily Student Project Awards. Analisando cada proposta com cuidado, o júri olhou além dos resultados finais, concentrando-se nas ideias, questionamentos e posicionamentos que guiaram o trabalho. O resultado é uma seleção de projetos premiados que reflete tanto o espírito do prêmio quanto a mudança de prioridades que molda a arquitetura contemporânea.
A Heimtextil Colombia 2026 reúne uma oferta internacional e uma agenda de conhecimento que evidenciam o deslocamento de valor para as categorias de casa e hospitalidade, onde designers da Colômbia e de toda a América Latina estão expandindo seu DNA criativo para escalar a pirâmide, diversificar receitas e competir em mercados globais.
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Metais Dornbracht Madison para o Brenners Park-Hotel & Spa em Baden-Baden. Imagem cortesia de Dornbracht
Em projetos de reforma, a substituição costuma ser preferida em relação à restauração. Componentes antigos são removidos, novos produtos são especificados e os prazos são garantidos. Especialmente em projetos de hotelaria, nos quais interrupções são dispendiosas e as operações seguem cronogramas rígidos, a instalação de novas peças parece ser a solução mais confiável. É mais rápida, fácil de coordenar e se alinha aos fluxos de trabalho estabelecidos. A restauração, por outro lado, funciona de maneira diferente. Ela exige uma desmontagem cuidadosa em vez do descarte, avaliação em vez de substituição e confiança na qualidade do que já está lá. Trata-se de uma abordagem que introduz complexidade em um processo concebido para ser eficiente.
A recente renovação do Brenners Park-Hotel & Spa, em Baden-Baden, demonstra que, sob as circunstâncias corretas, esse esforço adicional pode se tornar uma estratégia arquitetônica deliberada para projetos semelhantes, sobretudo quando os materiais originais nunca foram concebidos para serem temporários.
E se as sobras industriais não fossem resíduos, mas o ponto de partida do projeto de arquitetura? Na sede da Rieder em Maishofen, na Áustria, mais de 1.300 metros cúbicos de madeira, 180 elementos de teto e centenas de fragmentos reciclados de concreto reforçado com fibra de vidro se unem em um edifício moldado tanto pelo reúso quanto pelo planejamento. O novo pavilhão de produção, projetado pelo escritório Kessler² Architecture, trata as sobras de materiais como recurso de projeto. Desenvolvido como parte de um investimento de longo prazo em manufatura sustentável, o edifício híbrido de madeira e concreto introduz uma técnica de fachada que inverte os fluxos de trabalho convencionais da arquitetura: em vez de projetar primeiro para depois produzir os componentes, o envelope do edifício é gerado a partir dos resquícios de materiais já disponíveis no local, estabelecendo uma nova linguagem para a arquitetura industrial.
A arquitetura frequentemente recorre à história de um lugar, traduzindo narrativas locais em formas, materiais e experiências espaciais contemporâneas. Localizado na estância termal de Bad Orb, perto de Frankfurt, o ALEA RESORT HIDEAWAY segue essa premissa, inspirando-se no histórico de extração de sal da região.
Projetado pelo escritório PLAJER + FRANZ, o projeto de hospitalidade de 5.200 m² faz referência à geometria dos cristais de sal por meio de sua linguagem arquitetônica, ao mesmo tempo em que utiliza soluções de iluminação da OLEV para moldar a atmosfera de seus espaços internos. Nesta entrevista, o arquiteto Alexander Plajer discute a relação do projeto com seu contexto, o processo de concepção e o papel da iluminação.
Ao compreender o brincar como um transformador social e fator de influência na definição do espaço público, a vida urbana se vê atravessada por múltiplos sujeitos de diferentes idades, culturas, ideologias, afinidades, classes e grupos sociais. Pensar em como o brincar habita as cidades é pensar em todas as gerações, e na necessidade de construir espaços públicos com equipamentos urbanos pensados para durar e se manter ao longo do tempo.
O desempenho das estruturas lúdicas convida a revisar as diferentes etapas de seu ciclo de vida, juntamente com o seu impacto na configuração do ambiente urbano. Analisar o ciclo de vida dos brinquedos urbanos implica conhecer desde os materiais, durabilidade e manutenção até o papel das certificações e das tecnologias aplicadas em seu processo de produção, visando ambientes mais conscientes de seu impacto ambiental.
Vencedor do Prêmio de Melhor Apresentação. Imagem cortesia de Buildner Unbuilt Award
Em um setor definido por códigos de obras, pela urgência climática e pelas pressões do mercado imobiliário, os concursos de arquitetura tornaram-se, de forma discreta, um dos espaços mais geradores da disciplina. Livres de orçamentos, clientes ou regulamentações municipais, as propostas enviadas a concursos permitem que arquitetos e arquitetas pensem no limite do que o ambiente construído poderia ser. Cada vez mais, esse trabalho especulativo é levado a sério como uma contribuição cultural e intelectual por si só. O Buildner's Unbuilt Award, atualmente em sua segunda edição, é uma dessas iniciativas, ao tratar o projeto não construído como uma plataforma para que profissionais de arquitetura e design compartilhem conceitos que desafiam fronteiras e inspiram possibilidades futuras. Desse modo, premiações como essa permitem que estudantes e profissionais da área apresentem ideias e visões que, mesmo sem serem executadas, refletem o espírito de exploração e engenhosidade na arquitetura.
Na capital do Irã, Teerã, o movimento define a cidade. Todos os dias, milhões de pessoas navegam por uma paisagem moldada por rodovias, corredores de tráfego e quadras urbanas densas. Ao longo de décadas de rápida expansão, a infraestrutura tornou-se a linguagem dominante do desenvolvimento. As ruas priorizam os veículos, as calçadas funcionam como canais estreitos de passagem e muitos espaços públicos operam principalmente como rotas de trânsito, e não como locais de encontro. Em partes da Ásia Ocidental, os conflitos contínuos também remodelaram as paisagens urbanas da região, onde ambientes arquitetônicos significativos foram danificados ou transformados. Nesse contexto mais amplo, a preservação e a criação de espaços cívicos cotidianos tornam-se cada vez mais significativas. Reconhecido com o Prêmio Aga Khan de Arquitetura, o projeto da Jahad Metro Plaza, assinado pelo escritório KA Architecture Studio, demonstra como intervenções infraestruturais modestas podem remodelar a vida cívica de uma cidade.
A rede de metrô desempenha um papel central no cotidiano de Teerã. Ela conecta distritos distantes e sustenta o ritmo da metrópole. No entanto, os pontos de encontro entre a cidade subterrânea e a superfície raramente são concebidos como ambientes cívicos. As entradas do metrô costumam se apresentar como fragmentos de infraestrutura: escadas que descem ao subsolo, cercadas por grades, quiosques e caminhos de circulação improvisados. Funcionam de maneira eficiente como portais de transição, mas raramente como espaços de permanência.
A cada três anos, o Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos (UIA) desembarca em uma cidade diferente, sob um tema definido com anos de antecedência. Um rápido mapeamento dessas cidades-sede revela um padrão deliberado: ao longo das décadas, a UIA escolheu intencionalmente locais diversos em todos os continentes, transformando cada edição em um retrato do que era prioritário naquele lugar específico, naquele exato momento. Como resultado dessa rotação geográfica, consolidou-se um rico caleidoscópio de debates que analisam a profissão sob múltiplos ângulos e a adaptam às transformações do tempo. No entanto, o ano de 2026 marca um ponto de inflexão; desta vez, a UIA repete uma cidade-sede pela primeira vez em sua história: Barcelona, com o tema "Tornar-se. Arquiteturas para um planeta em transição".
A história arquitetônica das cidades norte-americanas no século XX é frequentemente caracterizada pela busca da renovação urbana. Nos Estados Unidos, Boston, Portland e San Francisco são apenas alguns exemplos de momentos em que governos municipais priorizaram a infraestrutura viária de alta velocidade em detrimento do tecido urbano existente. No Canadá, Montreal teria seguido essa mesma trajetória não fosse a intervenção de diversas figuras ao longo de sua história, mais notavelmente Blanche Lemco van Ginkel (1923–2022). Planejadora e arquiteta formada em Harvard, ela, juntamente com seu marido Sandy Van Ginkel, defendeu a preservação do patrimônio urbano ao mesmo tempo em que aplicava os princípios da infraestrutura modernista.
Há dezoito anos, uma dupla de estudantes de arquitetura decidiu que tinha um projeto que valia a pena levar adiante. Não se tratava de uma estrutura construída, mas de um projeto digital que acabou revolucionando a forma como as pessoas em todo o mundo consomem conteúdo de arquitetura. Foi assim que o ArchDaily foi fundado, e essa premissa continua a guiar nosso trabalho até hoje. O futuro da arquitetura está sendo continuamente moldado em salas de aula, estúdios e workshops ao redor do mundo, e queremos continuar apoiando os/as estudantes que participam ativamente dessa evolução. Reconhecer a criatividade e a visão de estudantes que estão redefinindo o discurso arquitetônico global foi o que nos levou a criar o Student Project Awards.
Temos o prazer de apresentar os projetos selecionados para a lista longa desta primeira edição do ArchDaily Student Project Awards. Com centenas de projetos enviados de todas as partes do mundo, nossa equipe interna de arquitetos/as e editores/as analisou cuidadosamente cada proposta, reduzindo a seleção a 104 projetos na lista longa. Os/As estudantes participantes representam a própria diversidade do panorama arquitetônico, com propostas de todos os continentes, de diversos níveis acadêmicos e em variadas escalas e typologias.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093898/explore-a-longlist-do-archdaily-student-project-awardsDaniela Porto
Porous City / MVRDV e The Why Factory. Imagem cortesia de Frans Parthesius, MVRDV e The Why Factory
Este artigo faz parte de nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam o nosso campo profissional.
Cada época da arquitetura foi definida por seus instrumentos. O compasso, a prancheta, a câmera e o computador alteraram, cada um a seu modo, a maneira como se pensa e se produz arquitetura. No entanto, o momento atual parece qualitativamente diferente. À medida que a inteligência artificial e os sistemas generativos entram nos fluxos de trabalho cotidianos, as ferramentas deixam de ser extensões passivas da mão do/a arquiteto/a e passam a operar como agentes semiautônomos. Elas propõem, otimizam e simulam, produzindo resultados que, por vezes, escapam à plena antecipação do/a autor/a.
Barcelona House - Strom Architects - Correr - Helena Lee Photography
Ao longo de grande parte da história, o peso esteve estreitamente associado à própria ideia de arquitetura. Vitrúvio, cuja noção de firmitas vinculava a construção à estabilidade e à permanência, entendia a solidez como uma de suas qualidades fundamentais, e construir significava, em grande parte, resistir aos efeitos do tempo, da gravidade e das forças naturais. Na arquitetura grega e romana, a monumentalidade dependia dos sistemas construtivos e materiais disponíveis, como a pedra e a alvenaria maciça, cuja expressão era definida pela massa, espessura e repetição estrutural. Colunas, paredes e pódios, além de sustentarem os edifícios, afirmavam sua presença no território, comunicando ordem, durabilidade e poder. A arquitetura encontrava o solo com peso.
Nos últimos anos, tem-se observado uma mudança de paradigma na arquitetura residencial multifamiliar, com um número crescente de novos projetos construídos em madeira engenheirada, especificamente madeira laminada cruzada (CLT) e madeira laminada colada (MLC). Devido à leveza da madeira, esses sistemas conseguem reduzir as cargas permanentes e aliviar as exigências sobre as fundações, o que se mostra especialmente útil em terrenos com baixa capacidade de carga ou sobre infraestruturas existentes. Sob a ótica da sustentabilidade, a madeira retém carbono ao longo da vida útil do edifício e frequentemente reduz o carbono incorporado em comparação com os sistemas convencionais de concreto e aço. No projeto de segurança contra incêndios, elementos estruturais de grande porte podem ser dimensionados para carbonizar a uma taxa previsível, permitindo que o núcleo estrutural permaneça protegido por um tempo determinado, desde que detalhados adequadamente.
As cidades do Sudeste Europeu não esperam para ser lidas. Elas acumulam, camada sobre camada, o planejamento socialista, a ruptura pós-socialista e o trabalho mais silencioso e menos legível de cidadãos e cidadãs que reconstroem o espaço a partir do zero. Aqui, o espaço e o legado impõem suas próprias condições. O que acontece com a pesquisa em arquitetura quando as cidades que observamos parecem já saber algo que nossa disciplina ainda não aprendeu a enxergar?
Centros culturais continuam a ser um campo fértil para explorações de projetos não construídos, refletindo como arquitetos e arquitetas vêm repensando o papel das instituições públicas em relação à paisagem, à experiência e à hibridez programática. Nesta seleção de Projetos Não Construídos, enviada pela comunidade do ArchDaily, as propostas selecionadas reúnem abordagens que expandem a definição de centro cultural para além de um edifício isolado. Estas obras posicionam a arquitetura como uma estrutura espacial que faz a mediação entre pesquisa, exposição, refúgio e vida pública, muitas vezes inseridas ou distribuídas em contextos naturais e urbanos.
Em diferentes geografias, do norte da Noruega e Oslo a Łódź, Viena, Marrakech e Nova Tashkent, os projetos demonstram respostas diversas à infraestrutura cultural. Eles incluem complexos integrados à paisagem moldados pela topografia e pelo clima, pontes que combinam galeria de arte e circulação pública, pavilhões zoológicos estruturados como sequências imersivas, o reuso adaptativo de edifícios militares em espaços de performance, ambientes articulados em torno de pátios enraizados nas tradições locais e instituições responsivas ao clima a partir de análises ambientais. Juntas, essas propostas exploram como os programas culturais podem ser organizados por meio do movimento, da estratificação espacial e das relações entre as condições internas e externas.
Restam dois dias para votar nos vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily en Español. Os três vencedores serão anunciados no dia 16 de abril, após três semanas de votação pública. Os 15 finalistas escolhidos pelo público reúnem a amplitude da produção ibero-americana recente, com representantes de Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Espanha, México, Peru e Uruguai.
Conheça os 15 finalistas e ajude a escolher os três projetos mais relevantes do último ano nos países de língua espanhola. Nesta etapa final, cada pessoa pode votar em um projeto por dia até o dia 15 de abril às 18:00 (GMT-4).
https://www.archdaily.com.br/pt/1093832/ultimos-dias-para-votar-no-premio-obra-do-ano-2026-do-archdaily-em-espanholArchDaily Team
O trabalho de Daryan Knoblauch situa-se na interseção entre a arquitetura e a produção cultural ao vivo, com foco em como o espaço se torna legível por meio da tensão e da atmosfera. Em vez de tratar o trabalho temporário como uma categoria menor da arquitetura, Knoblauch aborda instalações, palcos e arquiteturas efêmeras de eventos como problemas disciplinares em sua totalidade — nos quais fechamento, estabilidade, luz e movimento devem ser resolvidos com a mesma seriedade que qualquer edifício, frequentemente sob restrições mais severas e prazos mais curtos.
Ao longo de seus projetos, um fio condutor constante é a tensão produtiva entre a precisão do alto modernismo e uma clareza de montagem intencionalmente crua. Membranas e sistemas leves não são aplicados como meros efeitos de superfície, mas como instrumentos estruturais e espaciais — ajustados ao vento, à carga e à ocupação, e calibrados para produzir uma sublimidade que é tanto sentida quanto vista. Aqui, a efemeridade não é simplesmente uma duração, mas uma condição de projeto: a temporalidade torna as forças — clima, desgaste, performance — mais visíveis e exige uma ética do fazer que é ao mesmo tempo rigorosa e adaptável.
Nicolás Valencia conversa com os arquitetos chilenos Emilio de la Cerda e Paulette Sirner sobreArquivo Christian de Groote: cinco décadas de arquitetura, uma publicação detalhada sobre a vasta produção de um dos principais arquitetos chilenos da segunda metade do século XX.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093896/christian-de-groote-cinco-decadas-de-arquitetura-modernaArchDaily Team
Nos limites da maioria das cidades, para além dos anéis viários e entroncamentos, um outro tipo de arquitetura está ganhando forma. Ela não foi projetada para ser vista, visitada ou lembrada. Não reúne pessoas; move coisas. Em seu interior, milhares de encomendas circulam continuamente, sendo triadas, içadas, escaneadas e despachadas com o mínimo de interrupção. Esses edifícios raramente entram no debate arquitetônico, mas figuram entre os espaços com maior impacto de nosso tempo. A tipologia que define o século XXI é, cada vez mais, o galpão logístico.
A escala dessa transformação é difícil de mensurar porque se desdobra horizontalmente, ao longo de territórios e não em silhuetas urbanas. A área global destinada a galpões logísticos agora ultrapassa dezenas de bilhões de pés quadrados, expandindo-se rapidamente junto com a ascensão do e-commerce. Durante a pandemia de COVID-19, a demanda por infraestrutura logística acelerou o equivalente a vários anos, comprimindo o crescimento futuro em um presente já tensionado. Na Índia, o setor de armazenagem continua crescendo a taxas de dois dígitos, reconfigurando terras periurbanas em corredores de estocagem e distribuição. A logística não é mais um sistema de bastidores; tornou-se uma condição territorial.