Cortesia de BCT Design Group e Gensler | The Wildset
Planos diretores são estratégias abrangentes de projeto que orientam o desenvolvimento futuro de cidades, distritos ou empreendimentos de grande escala. Sob a perspectiva do projeto e da arquitetura, eles buscam equilibrar a necessidade de flexibilidade, a visão de longo prazo e a integração da infraestrutura com o espaço público. Os temas-chave no planejamento de planos diretores costumam incluir desenvolvimento sustentável, conectividade urbana e integração cultural. Os planos diretores moldam não apenas o ambiente físico, mas também o tecido social das comunidades, ao enfatizarem a caminhabilidade, os espaços de uso misto e a fusão entre os ambientes natural e construído. Essas diretrizes de grande escala demonstram o papel fundamental da arquitetura na modelagem do futuro da vida urbana.
Esta seleção com curadoria de projetos não construídos,enviados pela comunidade do ArchDaily, ilustra uma série de estratégias urbanas visionárias. Seja no renascimento da aldeia de Ad-Damun na Palestina, reconectando-se com um rico passado histórico, ou na ousada reconstrução do Complexo Al-Nouri no Iraque como um polo cultural e espiritual, alguns desses projetos dialogam com narrativas complexas de memória e restauração. Do projeto sustentável de Mokolo Green Scarf City em Camarões ao centro de pesquisa de vida marinha no Iêmen, tais propostas evidenciam diversas abordagens para desafios arquitetônicos, com foco na comunidade, no meio ambiente e na preservação do patrimônio cultural. Ao abordarem contextos regionais singulares, essas propostas refletem um compromisso amplo em repensar como a arquitetura pode promover resiliência e inclusão.
A ascensão da sustentabilidade e da economia circular está transformando a indústria da construção, o que tem gerado uma crescente demanda por novos postos de trabalho especializados. Funções como a de gestor/a de sustentabilidade ou consultor/a em economia circular estão se tornando cada vez mais comuns nos projetos atuais.
Diana - Coleção Arcadia. Imagem cortesia de Glamora
As culturas grega e romana lançaram as bases da civilização moderna, deixando um legado duradouro na filosofia, na literatura, na matemática e na arte. Ainda que suas contribuições nessas áreas sejam significativas, por vezes elas acabam sendo negligenciadas. No entanto, em disciplinas como a escultura e a arquitetura, sua influência permanece praticamente inalterada, profundamente enraizada nos ideais clássicos de beleza. Isso se exemplifica em obras canônicas como o Partenon, o Panteão Romano e o Discóbolo, que continuam a cativar por sua proporção, simetria e riqueza de detalhes. Assim, não surpreende que o classicismo greco-romano continue relevante graças à sua atemporalidade estética, revitalizado ao longo de diferentes épocas, do neoclassicismo a propostas contemporâneas.
Nesse contexto moderno, a mitologia greco-romana, os contos épicos e os conceitos arquitetônicos clássicos inspiram um novo olhar sobre a estética dos interiores. Adotando uma abordagem vanguardista do neoclassicismo, uma nova onda de design de interiores utiliza traços marcantes para definir figuras e detalhes, como pilastras e capitéis, ecoando as sinópias dos afrescos históricos. Esses projetos transformam a monumentalidade em atmosferas acolhedoras e elegantes. Ao mesclar referências históricas e contemporâneas, oferecem soluções figurativas inovadoras que criam espaços poeticamente cenográficos. A coleção Arcadia exemplifica essa abordagem, destacando-se como um tributo ao classicismo e apresentando uma narrativa visual única por meio de seus revestimentos de parede.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140366/interiores-modernos-com-um-toque-historico-revestimentos-de-parede-figurativos-para-espacos-cenograficosEnrique Tovar
Reconhecido como uma prática essencial na arquitetura contemporânea, o retrofit vem ganhando destaque ao combinar os benefícios da revitalização de edifícios existentes — sem a necessidade de demolição — com diversas vantagens econômicas e sociais. Essa abordagem tem se consolidado no campo arquitetônico, tanto por meio de exemplos icônicos quanto por iniciativas públicas e privadas.
Desafios contemporâneos e desenvolvimentos tecnológicos inevitavelmente desencadeiam mudanças na forma como projetamos e construímos nossas cidades. A indústria da construção tradicional sofre com ineficiências que tornam os métodos lentos, caros ou prejudiciais ao meio ambiente. O desperdício excessivo de materiais e os longos prazos de execução impõem desafios significativos aos/às profissionais do ambiente construído, evidenciando a complexidade e a rigidez dos processos convencionais de construção. A otimização do tempo e dos recursos físicos na construção exige métodos inovadores que ampliem a eficiência.
Em um setor no qual a inovação costuma avançar no ritmo de cura da argamassa, a WoHo Systems, uma das Novas Práticas de 2024 do ArchDaily, surge como uma força disruptiva que busca enfrentar os desafios globais de sustentabilidade e acessibilidade à habitação. Nascida das raízes experimentais do Ensamble Studio, esta startup de arquitetura utiliza a pré-fabricação e a sustentabilidade como pilares centrais para redefinir as normas da construção e entregar soluções arquitetônicas adaptáveis. Suas soluções visam acelerar e simplificar o processo construtivo, bem como reduzir custos e minimizar o impacto ambiental.
Como a arquitetura flutuante se relaciona com a natureza? De que maneira os espaços de bem-estar se vinculam aos ambientes naturais? Habitar espaços no entorno da água representa um dos grandes interesses e atrativos para a maior parte da população mundial até os dias de hoje. Embora projetar sobre a água implique levar em consideração uma série de variáveis estruturais, econômicas, construtivas, materiais e tecnológicas, conhecer os aspectos climáticos da região — relacionados a precipitações, correntes, ventos, temperaturas e afins — é fundamental para criar arquiteturas que convivam com o mundo natural e não causem danos graves aos ecossistemas.
O fogo é uma força primordial da natureza, possuindo um poder tanto destrutivo quanto protetor ao longo da história humana. Capaz de devastar paisagens, plantações e cidades inteiras, ele também fornece calor, viabiliza o cozimento de alimentos e é utilizado para gerar energia. Essa dualidade evidencia a importância de equilibrar seu uso e controle, especialmente na construção civil, onde a segurança contra incêndios é crucial. Os códigos de obras voltados para a proteção contra incêndios são rigorosos, frequentemente complexos e restritivos, porém essenciais para garantir a segurança dos/as ocupantes.
Em áreas urbanas densas, a possibilidade de se conectar com o exterior para lazer e bem-estar torna-se crucial. Isso ficou particularmente evidente durante a pandemia da COVID-19, quando milhões de pessoas em todo o mundo tiveram que permanecer confinadas em suas casas por longos períodos. Independentemente disso, à medida que o mundo se urbaniza cada vez mais, o projeto habitacional de qualidade é vital, o que inclui o acesso ao ambiente externo. Em uma cidade como Londres, essa necessidade foi reconhecida, e garantir um espaço externo em cada habitação tornou-se obrigatório por volta do ano de 2010. Em edifícios multifamiliares de múltiplos pavimentos, a provisão desse espaço externo costuma assumir a forma de uma varanda. As possibilidades de projeto são infinitas; portanto, quais são as principais considerações ao incorporar varandas em um edifício residencial urbano?
Biosphere no Treehotel / BIG. Imagem Cortesia de BIG
Atualmente, a população vive em cidades grandes, vibrantes e, por vezes, caóticas. Por isso, ao escolher um lugar para descansar das responsabilidades e da rotina diária, as opções mais procuradas envolvem a fuga para cenários naturais, como florestas remotas, selvas tropicais ou praias intocadas. Para quem busca se desconectar completamente da vida urbana sem deixar de manter uma forte conexão com a natureza, hotéis de pequena escala, cabanas e refúgios são excelentes opções. Seja uma casa de veraneio privada ou um hotel de cabanas, essas acomodações são projetadas para fazer de seu entorno natural o seu maior atrativo, permitindo que as edificações se integrem perfeitamente à paisagem.
Porto, a segunda maior cidade de Portugal, é uma mistura cativante de charme histórico e inovação contemporânea. Situado às margens do Rio Douro, este local declarado Patrimônio Mundial da UNESCO ostenta uma rica tapeçaria arquitetônica que atravessa séculos. A paisagem urbana do Porto é um testemunho de sua identidade em constante evolução, desde o bairro medieval da Ribeira, com suas ruelas de paralelepípedos, até a icônica Ponte Luís I. A silhueta da cidade é pontuada por igrejas barrocas, palácios neoclássicos e estruturas modernistas, criando um contraste visual marcante que reflete sua história dinâmica.
O Porto passou por um notável renascimento arquitetônico nos últimos anos, tornando-se um polo de atração para talentos locais e internacionais. A cidade se transformou em uma tela dinâmica onde projetos contemporâneos ousados se integram perfeitamente ao seu rico tecido histórico. A influência de arquitetos de renome como Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura, ambos laureados com o Prêmio Pritzker e naturais do Porto, consolidou o status da cidade como protagonista no cenário arquitetônico global. Entre os marcos contemporâneos mais impressionantes da cidade está a Casa da Música, um centro cultural futurista em forma de diamante projetado pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas, que se ergue como um testemunho do espírito vanguardista do Porto. Essa sofisticada fusão entre tradição e modernidade, aliada a um forte compromisso com a regeneração urbana, transformou o Porto em um vibrante polo de inovação arquitetônica, tornando-o um destino indispensável para entusiastas da arquitetura e exploradores culturais.
"Ó bela, por teus céus espaçosos, por tuas ondas douradas de trigo, terá existido outro lugar na Terra onde tantas pessoas de riqueza e poder pagaram por e toleraram tanta arquitetura que detestavam quanto dentro de tuas fronteiras abençoadas hoje em dia?"
Tom Wolfe escreveu isso em seu livro de 1981, Da Bauhaus ao Nosso Caos. O conflito entre o designmoderno e o tradicional mal diminuiu desde então, como fica evidente neste artigo recente. Nos Estados Unidos, os edifícios modernos frequentemente enfrentam aversão por parte da comunidade, por motivos já conhecidos: a percepção de frieza e a falta de sensibilidade contextual, o impacto no caráter local e a perda de continuidade histórica. Contudo, sob outra perspectiva, a crítica ao design moderno encontra ainda mais força em uma escala maior: a da cidade. As cidades estadunidenses modernas são marcadas por congestionamentos e poluição, desigualdade social e gentrificação, perda de senso comunitário e de espaços culturais, além da escassez de áreas públicas utilizáveis.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140781/arquitetura-contemporanea-e-a-cidade-modernaGerhard W. Mayer
A madeira é, indiscutivelmente, uma escolha elegante para projetos de arquitetura, oferecendo uma estética natural e acolhedora que valoriza qualquer espaço. No entanto, quando exposta às intempéries, essa mesma madeira exige um alto nível de manutenção. A ação do sol, da chuva e das variações de temperatura pode comprometer sua aparência e integridade ao longo do tempo, demandando cuidados regulares para preservar sua beleza original. Para muitos, esse é o preço a se pagar pela estética insubstituível do material, mas tem crescido a busca por alternativas que aliem beleza natural e durabilidade, permitindo desfrutar do charme da madeira com menos esforço.
Vencedores Globais: The Light Filter e Solar Sinter. Imagem cortesia de The International Velux Award for Students of Architecture 2024
O Grupo VELUX tem o orgulho de anunciar que os projetos “Solar Sinter”, de Anders Eugen Lund (Dinamarca), e “The Light Filter”, de Wan Zilin, Poon Gin Yong e Zang Jiayou (China), foram selecionados como os vencedores globais do International VELUX Award for Students of Architecture 2024.
Qual é a relação entre a arquitetura e a confeitaria? Que estratégias de design são aplicadas nos interiores contemporâneos de padarias e confeitarias? Embora a arquitetura seja capaz de servir de inspiração para o design de formas e configurações de elementos comestíveis, ela também agrega a técnica do desenho descritivo, a composição arquitetônica e o planejamento por etapas à linguagem gastronômica. Centrando seu pensamento nas pessoas e em suas necessidades, ambas as disciplinas buscam alcançar a precisão, sendo o design de interiores um amplo campo de atuação para explorar o uso de formas, cores, materiais e diversos equipamentos para melhorar as experiências de seus usuários.
Vencedor do Primeiro Prêmio. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner concluiu recentemente seu Iceland Ski Snow Cabin International Design Competition, convidando arquitetos/as e designers a criarem uma cabana de esqui acolhedora e ecológica que se integre harmoniosamente à impressionante paisagem da Islândia. O objetivo do concurso era desenvolver propostas práticas e sustentáveis que oferecessem um refúgio para quem pratica esqui, equipado com comodidades essenciais, como armazenamento de equipamentos e um espaço comum acolhedor. O desafio foi ambientado na região de Mývatn, uma área pitoresca no norte da Islândia, famosa por suas belezas naturais impressionantes, incluindo o Lago Mývatn, as crateras de Skútustaðagígar e a maravilha geotérmica da caldeira de Krafla.
A arquitetura paisagística tradicionalmente se associa à vegetação exuberante, uma relação enraizada no desenvolvimento histórico de jardins e parques como espaços que trazem a natureza para as áreas urbanas. Essa ligação com o verde está profundamente arraigada nas origens do campo, onde a criação de refúgios verdejantes era vista tanto como esteticamente agradável quanto benéfica para o bem-estar humano. No entanto, em regiões como o Oriente Médio, onde a escassez de água e os climas áridos são mais predominantes, há uma tendência crescente de utilização de materiais locais, como areia, pedra, minerais e plantas nativas. Essa mudança reflete uma abordagem mais sustentável, reimaginando o paisagismo em consonância com os contextos ambientais e culturais da região.
Generative AI (Gemini / Google DeepMind). Concept: Eduardo Souza / ArchDaily
O termo "pré-fabricado" pode evocar imagens de construções padronizadas e sem variação, lembrando a arquitetura utilitária e repetitiva do período pós-guerra, onde a urgência por habitação rápida e econômica levou à criação de unidades uniformes e, muitas vezes, monótonas. No entanto, a realidade contemporânea é bem diferente. Com o avanço das tecnologias e métodos de construção, a pré-fabricação evoluiu para se tornar sinônimo de inovação, adaptabilidade e design personalizado. Hoje, essa técnica permite a criação de espaços multifuncionais e flexíveis, que respondem não apenas às necessidades práticas, mas também às demandas estéticas e sustentáveis da arquitetura moderna, com integração de materiais de ponta e com a inclusão de novas tecnologias, atendendo às demandas contemporâneas por personalização e adaptabilidade.
Impulsionada pelas ardentes aspirações de crescimento e desenvolvimento da nação, a paisagem social, econômica e física da Índia se transformou. Uma parcela significativa da população da região está em idade ativa e constitui um mercado de dimensões massivas, tornando a Índia uma terra de oportunidades, especialmente aos olhos de investidores/as estrangeiros/as.
Refletindo esse contexto, múltiplas megacidades e megaprojetos caracterizam o ambiente construído e impulsionam a nação rumo ao status de superpotência. Por outro lado, esses projetos visionários, somados à tendência de rápida urbanização, também trazem consigo uma série de efeitos colaterais — a disseminação de assentamentos informais e, consequentemente, os desafios para o desenvolvimento equitativo.
O A' Design Award foi criado para destacar o melhor do design em todo o mundo. O prêmio internacional serve como uma plataforma para profissionais de design, arquitetura e inovação de todas as disciplinas apresentarem seus trabalhos a um público global. As inscrições para a edição de 2024-2025 já estão abertas.
Revestimiento Casablanca Satinado (80 x 160 cm). Image Cortesía de Cesantoni
Os porcelanatos se consolidaram como uma opção versátil na arquitetura contemporânea graças à sua ampla gama de formatos e superfícies. Especialmente no que diz respeito às texturas, esses revestimentos se destacam por sua capacidade de capturar a essência de materiais naturais, traduzindo sua estética e detalhes. Ao mesmo tempo, mantêm as vantagens técnicas inerentes aos revestimentos porcelânicos, como durabilidade e resistência, oferecendo um equilíbrio perfeito entre apelo visual e funcionalidade.
No projeto residencial, as qualidades desses revestimentos adquirem uma relevância ainda maior. Com a evolução da estética residencial, observa-se um retorno constante aos materiais naturais, como a pedra, em diferentes acabamentos e tonalidades. A capacidade dos porcelanatos de emular essas materialidades atemporais permite criar atmosferas únicas no design de interiores desses espaços. Seu uso, combinado a outros materiais e elementos decorativos, possibilita a criação de ambientes esteticamente harmoniosos e bem integrados.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140209/a-essencia-dos-materiais-naturais-explorando-porcelanatos-tipo-pedra-em-ambientes-residenciaisEnrique Tovar
A superprovisão tradicionalmente implica oferecer mais do que o necessário, muitas vezes carregando uma conotação negativa devido ao potencial de excesso e desperdício. No entanto, haveria cenários no ambiente construído em que a superprovisão se mostra vantajosa? Essa questão examina criticamente como o superdimensionamento pode aumentar a flexibilidade de um edifício e sua adaptabilidade a condições diversas e em constante evolução.
A premissa subjacente de prover com precisão o que é necessário para um edifício é que as partes interessadas — incluindo proprietários/as, arquitetos/as e designers — possam prever e atender com exatidão às necessidades atuais e futuras de uma estrutura. Essa suposição, contudo, é difícil de se concretizar, já que mudanças sociais, econômicas e culturais frequentemente ocorrem de maneiras imprevisíveis. Nesse contexto, a superprovisão surge como uma estratégia contraintuitiva, mas potencialmente benéfica. À medida que edifícios e estruturas inevitavelmente se transformam, aqueles projetados com adaptabilidade inerente reduzem a necessidade de reformas onerosas ou reconstruções completas.
Seriam os seres humanos os únicos guardiões do ambiente construído? Para grande parte dos/as profissionais de arquitetura e urbanismo, os espaços são projetados com foco nas necessidades, no conforto e na saúde humana. Um ordenamento espacial, tanto nos espaços construídos quanto na malha urbana, estabelece o ser humano como o/a único/a usuário/a padrão. No entanto, por mais que a humanidade tenha influenciado a trajetória do planeta, outras espécies desempenham um papel crucial no desenho, na formação e na manutenção das paisagens urbanas do século XXI.