Com o fim de 2024, um ano dinâmico que questionou saberes, tradições e inovações, analisamos como os acontecimentos e tendências globais influenciaram o design de espaços internos. No ano passado, a prática da arquitetura suscitou debates globais, desafiando normas e tradições ao mesmo tempo que valorizou regiões antes negligenciadas. O design de interiores, por outro lado, adotou uma postura mais reservada e modesta, priorizando a simplicidade e a individualidade. Um ano depois, os temas gerais da arquitetura e do design de 2023 permanecem os mesmos — ou melhor, reforçados —, mas agora incorporam "experimentações artesanais" por meio de intervenções sutis, semelhantes à acupuntura.
A arquitetura contemporânea em contextos de Patrimônio Mundial da UNESCO apresenta um desafio único: revitalizar locais de relevância histórica ao mesmo tempo em que se aderem a diretrizes rigorosas de preservação. De centros urbanos a paisagens naturais e tradições culturais imateriais, esses projetos demonstram o delicado equilíbrio entre inovação e conservação do patrimônio. Seja atuando em uma megacidade, em uma paisagem protegida ou em uma área rural de grande riqueza cultural, os/as arquitetos/as têm o desafio de reimaginar esses espaços sem comprometer seu valor histórico. Cada projeto oferece uma perspectiva renovada sobre como os sítios históricos podem evoluir e permanecer relevantes nos tempos atuais.
Há 25 anos, quando nasceu na Suíça o padrão de construção sustentável Minergie, projetado para reduzir o consumo energético e melhorar o conforto nas edificações, era difícil prever que ele se tornaria uma das certificações mais demandadas do país: atualmente, alcançou uma presença significativa, com mais de 50.000 edifícios certificados. Também era difícil imaginar o seu futuro na América Latina de hoje: como um sistema desenvolvido para as exigências de um país poderia responder aos requisitos de outra região com geografia e cultura tão diversas?
A arquitetura paisagísticamodernista marcou uma ruptura radical com o tradicional desenho de jardins, enfatizando a simplicidade, a funcionalidade e uma conexão mais estreita entre as pessoas e seus ambientes. Entre as décadas de 1930 e 1960, esse movimento testemunhou o surgimento de nomes visionários da arquitetura paisagística que integraram forma e função de modo a redefinir os espaços externos. Seus projetos respondiam às paisagens urbanas em rápida evolução da época, priorizando a usabilidade e criando ambientes capazes de acomodar a vida moderna. A influência duradoura desses princípios continua a moldar as práticas contemporâneas, ao mesmo tempo em que impõe desafios únicos de preservação à medida que essas paisagens envelhecem.
Projetos acadêmicos podem explorar novos rumos e contribuir para o debate público sobre questões globais e locais? O Prêmio Estudantil Politecnico di Torino 2024 buscou responder a essas perguntas, demonstrando como a pesquisa, a formação e a experimentação em arquitetura podem ser integradas ao currículo acadêmico.
O Politecnico di Torino está classificado entre as 10 melhores escolas de arquitetura da Europa (QS World University Rankings by Subject 2024 - Architecture and Built Environment). Com mais de 3.000 estudantes, o Departamento de Arquitetura e Design oferece graduação em Arquitetura e três programas de mestrado — Architecture for Sustainability, Architecture Construction City e Architecture for Heritage —, todos com percursos dedicados em inglês. O departamento também oferece dois cursos de graduação e um de mestrado em Design.
Museu do Forno Imperial de Jingdezhen_Vista do foyer abobadado do auditório. Imagem
De 4 a 6 de abril, a conferência internacional FABRICATE 2024será realizada na Royal Danish Academy, em Copenhague. Desde a sua criação em 2011, o FABRICATE consolidou-se como um fórum global para novas e radicais possibilidades na arquitetura, acolhendo milhares de participantes da prática profissional, da indústria e da pesquisa.
Neste terceiro artigo, conversamos com o/a arquiteto/a Zhu Peique é diretor/a fundador/a do Studio Zhu Pei e decano/a da Escola de Arquitetura da Academia Central de Belas Artes de Pequim. O texto é um trecho do futuro livro FABRICATE 2024 e baseia-se em uma entrevista conduzida pelo/a copresidentePhil Ayres entre Zhu Pei e o/a arquiteto/a Cristiano Ceccato, diretor/a da Zaha Hadid Architects. O livro será lançado na noite de abertura da conferência FABRICATE 2024.
Na busca por conservar certos traços arquitetônicos, históricos e culturais das habitações catalãs originais, a renovação de apartamentos é concebida como um meio de conexão entre o passado e o presente através da recuperação e/ou restauração de revestimentos, pisos, esquadrias, fachadas, entre outros. A história da cerâmica na Espanha evoluiu com o passar dos anos, atravessando períodos de florescimento produtivo e também de declínio. No entanto, a linguagem expressiva, a versatilidade e a adaptabilidade dos ladrilhos hidráulicos à tradição e ao futuro destacam-se na espacialidade interna e externa das residências, com sua ampla combinação de cores, texturas e padrões.
Nesta compilação, o ArchDaily reúne as atualizações mais transformadoras deste ano em cidades de todo o mundo, organizadas em eixos temáticos que capturam a natureza em constante evolução do desenho urbano e das políticas públicas em 2024. Projetos como as amplas reformas na La Rambla, em Barcelona, e os esforços de preservação dos arranha-céus históricos de Chicago destacam a conservação do patrimônio urbano, ao passo que iniciativas em Veneza e em Los Angeles respondem ao excesso de turismo e às pressões habitacionais, equilibrando habitabilidade e crescimento. Ao mesmo tempo, planos diretores ambiciosos recém-anunciados, como a revitalização de áreas industriais em Tallinn e Connecticut, refletem como as cidades estão reimaginando seu tecido urbano. Por fim, a reconstrução pós-desastre em Kharkiv e na Turquia ressalta a urgência de um design voltado para a resiliência, garantindo que as cidades possam resistir e evoluir mesmo em tempos difíceis. Juntas, essas atualizações oferecem um panorama das forças globais que estão remodelando as paisagens urbanas.
Após duas semanas intensas de indicações, o público do ArchDaily avaliou mais de 700 projetos e selecionou os 10 finalistas do Building of the Year Award China. Profissionais da arquitetura e entusiastas participaram do processo de votação, escolhendo projetos que exemplificam o que significa impulsionar a disciplina. Estes finalistas são as obras que mais inspiraram os leitores e leitoras do ArchDaily, revelando também a evolução e as tendências da arquitetura chinesa contemporânea.
Antes de apresentarmos os projetos finalistas, queremos destacar os valores fundamentais desta premiação. Sendo a maior plataforma de arquitetura do mundo, temos plena consciência de nossa responsabilidade em relação à profissão e ao avanço da arquitetura como disciplina. Como nossa missão está diretamente ligada ao futuro da arquitetura — inspirando e educando as pessoas que projetarão o tecido urbano do amanhã —, a confiança depositada em nós por nosso público para refletir as tendências arquitetônicas de diversas regiões do mundo gera desafios que assumimos com entusiasmo. Com votação democrática e centrada na comunidade, o prêmio Building of the Year é um dos pilares da nossa resposta a esses desafios, buscando romper com hierarquias estabelecidas e barreiras geográficas. Apresentamos a seguir os 10 finalistas do prêmio China Building of the Year 2024; o período de votação estará aberto de 27 de março a 3 de abril, às 23:59 (BJT). Os vencedores serão anunciados no dia 4 de abril de 2024. Clique aqui para conferir os detalhes e saber como votar.
A expansão urbana e o aumento da densidade populacional têm impulsionado uma demanda crescente por áreas externas em apartamentos de vários andares, à medida que os/as moradores/as buscam manter a conexão com a natureza sem sair de casa. Essa tendência reflete os desafios da vida urbana moderna, onde o acesso à natureza é frequentemente limitado e os espaços verdes públicos são cada vez mais escassos. Nesse contexto, elementos como varandas, loggias e jardins de inverno destacam-se como soluções atraentes, oferecendo espaços privados para relaxamento e lazer em meio à agitação da vida na cidade. Além de enriquecer a experiência urbana, esses espaços aumentam a qualidade de vida, proporcionando um refúgio pessoal em meio à paisagem urbana.
Há cerca de uma década, o termo "planejamento de resiliência" tornou-se onipresente nos círculos de debate sobre o clima. Essa mudança, impulsionada por eventos cada vez mais imprevisíveis, foi moldada em parte pelo programa 100 Cidades Resilientes da Fundação Rockefeller, um esforço de seis anos e 160 milhões de dólares para estabelecer diretores de resiliência em cidades de todo o mundo. Desse programa, encerrado em 2019, surgiu seu sucessor, o Resilient Cities Catalyst (RCC), uma organização sem fins lucrativos sediada em Nova York e dedicada a projetos de "desenvolvimento de capacidades". Por ocasião da Climate Week, conversei com Sam Carter, um dos diretores fundadores do RCC, sobre sua definição de resiliência, os métodos filantrópicos e de planejamento da organização e o desafio de escalar as ações climáticas.
A infraestrutura urbana voltada para a conectividade das cidades muitas vezes fragmenta a malha urbana, deixando para trás uma série de espaços sem um uso claramente definido. Felizmente, a noção de espaço sob as infraestruturas vem sendo redefinida, à medida que arquitetos/as criam espaços públicos abrigados sob viadutos, pontes e outras estruturas urbanas.
Espaços antes negligenciados, ignorados ou descartados como meras sobras do planejamento urbano, agora se transformam em ambientes dinâmicos de engajamento comunitário e expressão artística. Arquitetos/as, urbanistas e os/as próprios/as usuários/as estão assumindo o desafio de recuperar áreas esquecidas ou subutilizadas para desenvolver soluções inovadoras, integrando vegetação, instalações artísticas e elementos sustentáveis ao tecido urbano.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140490/renovacao-urbana-de-baixo-para-cima-10-espacos-publicos-que-recuperam-infraestruturas-urbanas-negligenciadasClara Ott
O projeto de banheiros públicos e vestiários historicamente atendeu a uma noção generalizada das necessidades das pessoas usuárias, muitas vezes simplificando as complexidades dos requisitos específicos de gênero e deixando de contemplar as necessidades particulares das mulheres. Essas demandas vão além das diferenças biológicas — como a exigência de maior privacidade nas cabines e diferenças de altura e postura corporal — para incluir fatores culturais que influenciam o uso e as expectativas em relação aos banheiros ao longo do tempo.
Por exemplo, as roupas contemporâneas femininas muitas vezes carecem de bolsos adequados, o que gera a necessidade de carregar bolsas, mesmo para itens básicos como celulares e carteiras. Apesar dos esforços em projetos de arquitetura recentes para mitigar essas disparidades, as nuances multifacetadas dos fatores biológicos, culturais e de identidade de gênero apresentam um desafio complexo que resiste a soluções padronizadas.
Espaços expositivos transmitem conteúdos cuidadosamente selecionados com o objetivo de educar, inspirar e engajar as pessoas que os visitam, utilizando objetos e suportes para contar histórias. Além de promoverem a educação, a preservação cultural e a apreciação estética, esses ambientes estimulam a criatividade e a interação. Por meio de experiências imersivas e interativas, eles permitem que o público estabeleça conexões significativas com novos conhecimentos, diferentes perspectivas e importantes patrimônios culturais, gerando um engajamento tanto intelectual quanto emocional.
Edifício de 40 andares utilizando produtos BIPV ClearVue, vidros solares e revestimento solar. Imagem cortesia de ClearVue
Frequentemente se afirma que encontrar soluções inteligentes para os problemas exige uma abordagem criativa que envolva "pensar fora da caixa". Essa premissa tornou-se uma ideia amplamente aceita no campo da tecnologia, onde inúmeros avanços históricos surgiram a partir de métodos inovadores. Exemplos notáveis na geração de energia incluem a descoberta do efeito fotovoltaico por Edmund Becquerel em 1839 e o desenvolvimento do primeiro painel solar comercial por Charles Fritts no final daquele século. Esses marcos viabilizaram a integração de painéis solares como componentes essenciais da geração de energia limpa na arquitetura, impulsionando uma transição significativa em direção às fontes renováveis.
Atualmente, essa mudança se manifesta como um ponto de virada na relação entre a geração de energia e o ambiente construído, impulsionada por uma transição que promove o pensamento criativo e estimula novas perspectivas. Hoje, a produção de energia sustentável vai muito além da mera instalação de painéis solares em coberturas, buscando integrar diversos elementos da edificação ao sistema energético. O BIPV (Sistema Fotovoltaico Integrado a Edifícios) da ClearVue exemplifica essa inovação ao aproveitar quase todos os componentes da fachada como fontes de geração de energia. Essa visão abre novas possibilidades para o projeto de estruturas urbanas, promovendo uma abordagem mais sustentável e alinhada às demandas contemporâneas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140469/gerando-energia-atraves-da-fachada-maximizando-a-energia-com-fotovoltaicos-integrados-a-edificiosEnrique Tovar
A identidade global da Índia tem se desenvolvido paralelamente a suas aspirações por um futuro arquitetônico único. Ao longo do tempo, a paisagem arquitetônica do país evoluiu das tradições vernáculas para as influências estrangeiras, passando por resgates pós-coloniais até chegar às expressões digitais modernas. O design computacional tem desempenhado um papel influente na definição dos estilos contemporâneos, capacitando escritórios locais de arquitetura a experimentar com formas e estruturas.
Este ano consolidou mais um marco para os/as arquitetos/as indianos/as na ampliação dos limites da prática contemporânea em todo o país. Uma tendência notável entre os projetos apresentados no ArchDaily tem sido a adoção de formas fluidas, uma sutil homenagem às práticas vernáculas que caminha lado a lado com um distanciamento gradual do legado da retórica de design modernista da Índia. A práxis da arquitetura indiana evoluiu para refletir um compromisso mais profundo com os contextos locais, somado a uma disposição de experimentar influências globais. Essa abordagem provavelmente persistirá nos próximos anos, abrindo caminho para novas expressões arquitetônicas no país.
Ao transcender as geometrias rígidas para celebrar a fluidez, os/as arquitetos/as de todo o subcontinente reinventam as experiências espaciais com formas que fluem, se fundem e respiram. Ao desafiar os paradigmas arquitetônicos convencionais, esses projetos continuam a se inspirar e a proliferar narrativas culturais profundamente enraizadas. No caso da Índia, a adoção da fluidez na arquitetura reflete um jogo de influências entre temas como materialidade, memória, artesanato e o contexto vivo do espaço.
No projeto arquitetônico, os materiais transmitem narrativas, moldando a forma como os espaços são percebidos e vivenciados. O aço patinável, frequentemente conhecido por sua marca registrada que se tornou genérica, o aço Corten, destaca-se por sua capacidade de evoluir, transformando-se em um meio que conta sua própria história. Trata-se de um grupo de ligas de aço que desenvolvem uma camada externa estável de ferrugem, a qual dispensa a necessidade de pintura para proteção do metal, ao mesmo tempo que lhe permite transformar-se ao longo do tempo. Sua pátina envelhecida funciona como mais do que um escudo funcional; torna-se uma linguagem estética, um testemunho da interação entre arquitetura e natureza. Essa superfície em constante mutação conecta o efêmero e o duradouro, oferecendo a arquitetos e arquitetas um material que se torna mais rico com o passar do tempo.
As pedras e os mármores continuam se consolidando como materiais fundamentais na arquitetura e no design, tanto em interiores quanto em exteriores em diferentes partes do mundo. A CHC oferece uma seleção que convida a criar espaços com um caráter atemporal e elegante. Descubra como incorporar mármore e pedra em seus projetos para trazer um toque de modernidade e estilo.
Com o crescimento da população urbana e a evolução dos padrões de consumo, as cidades enfrentam desafios complexos relacionados à gestão de resíduos. Abordagens tradicionais, focadas na coleta e no descarte, mostram-se hoje inadequadas diante das graves preocupações ambientais e da escassez de recursos. A gestão de resíduos tornou-se um tema central de debate, sendo apresentada como uma estratégia fundamental para a transição rumo a economias circulares. O conceito Lixo Zero busca transformar a maneira como as cidades gerenciam seus resíduos urbanos e construir culturas de apoio em torno dessa prática.
O IR Arquitectura não é apenas um escritório, mas se define como uma plataforma de exploração que integra a prática arquitetônica a temas tangenciais, como a cidade, a paisagem, a tecnologia e a sustentabilidade. Fundado por Luciano Intile e Enrico Cavaglià, com sede em Buenos Aires, Argentina, o IR Arquitectura é um coletivo interdisciplinar formado por profissionais de arquitetura, design e diversas outras áreas, que abordam projetos de diferentes escalas e naturezas, aproveitando cada oportunidade para explorar novas soluções e estratégias no que se refere ao habitar contemporâneo, urbano e em estreita relação com o entorno.
As viagens aéreas abriram novos caminhos para as experiências de viagem. Recentemente, esses espaços de transição se tornaram destinos por si sós, com aeroportos como o Aeroporto Internacional de Hong Kong e o Aeroporto Internacional de Incheon registrando mais de 60 milhões de visitantes por ano. Os aeroportos costumam ser a primeira e a última impressão de uma cidade, e profissionais de design e planejamento urbano reconhecem cada vez mais seu papel em contar a história da marca de um lugar. Como hubs de viagem e turismo, esses aeroportos buscam conciliar funcionalidade e engajamento cultural, oferecendo aos/às passageiros/as uma prévia da identidade local antes mesmo de saírem do terminal.