Uma pergunta: qual parte de um edifício permanece firme e imóvel? Embora paredes, pisos e apoios estruturais possam vir à mente, no mundo contemporâneo, até mesmo a arquitetura está entrando em movimento. Paredes móveis, portas de correr e coberturas retráteis foram os primeiros embaixadores do design cinético, permitindo que as estruturas se tornassem mais flexíveis sem perder resistência. O que começou nas civilizações antigas evoluiu hoje para uma dança futurista entre praticidade e natureza. Os edifícios já não são mais esculpidos em pedra—eles evoluem, respondem e se adaptam.
Localizado na junção da London Wall com a Aldersgate Street, no distrito de Barbican, na City de Londres, encontra-se o Museum of London. Construído em 1977, o edifício brutalista abrigava o maior acervo de história urbana do mundo, com mais de seis milhões de objetos selecionados para evidenciar a história social de Londres. O museu está fechado há mais de dois anos devido a planos de relocação, enquanto seu edifício histórico corre o risco de ser demolido para dar lugar a um novo empreendimento — o projeto London Wall West. A medida gerou reações divergentes entre os habitantes de Londres e de todo o país, motivando apelos pela revisão da proposta e campanhas que defendem o retrofit em vez da demolição deste singular edifício modernista. O/A fotógrafo/a Arnolt Smead visitou recentemente o museu para capturar seus belos momentos arquitetônicos e destacar suas características únicas.
Mais um ano, mais uma edição de sucesso do ArchDaily China Building of the Year Awards! Com mais de 50.000 votos computados nas últimas semanas, os resultados da edição de 2024 já estão definidos! Mais uma vez, a premiação se consolida como o maior prêmio de arquitetura baseado na opinião do público. Por meio de uma escolha coletiva, os projetos mais relevantes do ano foram indicados e selecionados por nossos leitores e leitoras.
O prêmio China Building of the Year 2024 é apresentado graças ao apoio da Dornbracht, marca reconhecida por seus designs inovadores para a arquitetura, presentes em banheiros e cozinhas de todo o mundo.
Quando pensamos em espaços que estimulam a meditação, nossa mente costuma viajar para os jardins Zen do Japão, onde linhas puras e um paisagismo meticulosamente planejado convidam à quietude, ou para o design escandinavo, com seus tons neutros e tecidos suaves. Esses estilos evocam uma sensação de calma por meio da simplicidade, característica frequentemente associada às linguagens arquitetônicas japonesa e do norte da Europa. No entanto, a quietude e a meditação não se limitam a esse tipo de cenário. As tradições arquitetônicas latino-americanas também oferecem abordagens potentes — embora muitas vezes preteridas — para os espaços de meditação. Com tons terrosos de terracota, texturas ásperas de adobe, pátios íntimos e uma forte conexão com a natureza, esses ambientes convidam à reflexão por meio do aconchego e da riqueza material, criando espaços que transmitem calma sem recorrer ao minimalismo extremo.
Projetos acadêmicos podem explorar novos rumos e contribuir para o debate público sobre questões globais e locais? O Prêmio Estudantil Politecnico di Torino 2024 buscou responder a essas perguntas, demonstrando como a pesquisa, a formação e a experimentação em arquitetura podem ser integradas ao currículo acadêmico.
O Politecnico di Torino está classificado entre as 10 melhores escolas de arquitetura da Europa (QS World University Rankings by Subject 2024 - Architecture and Built Environment). Com mais de 3.000 estudantes, o Departamento de Arquitetura e Design oferece graduação em Arquitetura e três programas de mestrado — Architecture for Sustainability, Architecture Construction City e Architecture for Heritage —, todos com percursos dedicados em inglês. O departamento também oferece dois cursos de graduação e um de mestrado em Design.
Há cerca de uma década, o termo "planejamento de resiliência" tornou-se onipresente nos círculos de debate sobre o clima. Essa mudança, impulsionada por eventos cada vez mais imprevisíveis, foi moldada em parte pelo programa 100 Cidades Resilientes da Fundação Rockefeller, um esforço de seis anos e 160 milhões de dólares para estabelecer diretores de resiliência em cidades de todo o mundo. Desse programa, encerrado em 2019, surgiu seu sucessor, o Resilient Cities Catalyst (RCC), uma organização sem fins lucrativos sediada em Nova York e dedicada a projetos de "desenvolvimento de capacidades". Por ocasião da Climate Week, conversei com Sam Carter, um dos diretores fundadores do RCC, sobre sua definição de resiliência, os métodos filantrópicos e de planejamento da organização e o desafio de escalar as ações climáticas.
A Índia é frequentemente reconhecida por sua próspera indústria de tecnologia, com a reputação de formar um número expressivo de profissionais qualificados no setor a cada ano. Esse cenário atraiu um ecossistema tecnológico dinâmico que atrai cada vez mais empresas globais para estabelecer operações no país. A ascensão dos parques tecnológicos tornou-se uma estratégia fundamental para canalizar esses talentos e recursos, cultivando um ambiente propício à inovação. Qual é o impacto desses parques tecnológicos na paisagem urbana das cidades indianas?
A arquitetura paisagísticamodernista marcou uma ruptura radical com o tradicional desenho de jardins, enfatizando a simplicidade, a funcionalidade e uma conexão mais estreita entre as pessoas e seus ambientes. Entre as décadas de 1930 e 1960, esse movimento testemunhou o surgimento de nomes visionários da arquitetura paisagística que integraram forma e função de modo a redefinir os espaços externos. Seus projetos respondiam às paisagens urbanas em rápida evolução da época, priorizando a usabilidade e criando ambientes capazes de acomodar a vida moderna. A influência duradoura desses princípios continua a moldar as práticas contemporâneas, ao mesmo tempo em que impõe desafios únicos de preservação à medida que essas paisagens envelhecem.
Após duas semanas intensas de indicações, o público do ArchDaily avaliou mais de 700 projetos e selecionou os 10 finalistas do Building of the Year Award China. Profissionais da arquitetura e entusiastas participaram do processo de votação, escolhendo projetos que exemplificam o que significa impulsionar a disciplina. Estes finalistas são as obras que mais inspiraram os leitores e leitoras do ArchDaily, revelando também a evolução e as tendências da arquitetura chinesa contemporânea.
Antes de apresentarmos os projetos finalistas, queremos destacar os valores fundamentais desta premiação. Sendo a maior plataforma de arquitetura do mundo, temos plena consciência de nossa responsabilidade em relação à profissão e ao avanço da arquitetura como disciplina. Como nossa missão está diretamente ligada ao futuro da arquitetura — inspirando e educando as pessoas que projetarão o tecido urbano do amanhã —, a confiança depositada em nós por nosso público para refletir as tendências arquitetônicas de diversas regiões do mundo gera desafios que assumimos com entusiasmo. Com votação democrática e centrada na comunidade, o prêmio Building of the Year é um dos pilares da nossa resposta a esses desafios, buscando romper com hierarquias estabelecidas e barreiras geográficas. Apresentamos a seguir os 10 finalistas do prêmio China Building of the Year 2024; o período de votação estará aberto de 27 de março a 3 de abril, às 23:59 (BJT). Os vencedores serão anunciados no dia 4 de abril de 2024. Clique aqui para conferir os detalhes e saber como votar.
Embora o trabalho híbrido e a flexibilidade de horários sejam as formas mais evidentes de melhorar esse equilíbrio para muitos, a perda de interações sociais e a falta de espaço ou funcionalidade em ambientes de home office pouco produtivos fazem com que a maioria dos jovens de 16 a 24 anos constitua a única faixa etária que prefere trabalhar presencialmente no escritório.
Com ênfase em potencializar a paisagem de maneira respeitosa e amigável ao meio ambiente, o processo criativo e arquitetônico do iHouse estudio, escritório de arquitetura com sede em Montevidéu, Uruguai, propõe uma forma de viver em contato com a natureza integrando um sistema construtivo industrializado. A partir do desenvolvimento de um design sustentável, seu objetivo central é contribuir para a preservação do meio ambiente. Além disso, ao reduzir o consumo de energia, aproveitar os recursos naturais de forma eficiente e realizar uma gestão adequada da água, buscam promover a saúde e o bem-estar dos habitantes, proporcionando amplos benefícios tangíveis no seu habitar diário.
O projeto de banheiros públicos e vestiários historicamente atendeu a uma noção generalizada das necessidades das pessoas usuárias, muitas vezes simplificando as complexidades dos requisitos específicos de gênero e deixando de contemplar as necessidades particulares das mulheres. Essas demandas vão além das diferenças biológicas — como a exigência de maior privacidade nas cabines e diferenças de altura e postura corporal — para incluir fatores culturais que influenciam o uso e as expectativas em relação aos banheiros ao longo do tempo.
Por exemplo, as roupas contemporâneas femininas muitas vezes carecem de bolsos adequados, o que gera a necessidade de carregar bolsas, mesmo para itens básicos como celulares e carteiras. Apesar dos esforços em projetos de arquitetura recentes para mitigar essas disparidades, as nuances multifacetadas dos fatores biológicos, culturais e de identidade de gênero apresentam um desafio complexo que resiste a soluções padronizadas.
O mundo pós-pandemia passou por transformações em diversos aspectos, entre os quais o turismo urbano e as novas modalidades de viagem. Com a ascensão do trabalho remoto e freelance, muitas pessoas agora têm a liberdade de se deslocar entre cidades sem a necessidade de estabelecer uma residência fixa. Isso transformou bares, restaurantes e cafés em mais do que simples espaços de consumo: agora eles funcionam como escritórios temporários e, em muitas ocasiões, cenários para as mais diversas atividades.
Por outro lado, as lojas e espaços de varejo evoluíram para oferecer mais do que a simples venda de produtos ou serviços. Eles se tornaram parte de uma experiência de consumo integrada, que se conecta emocionalmente com o público.
Edifício de 40 andares utilizando produtos BIPV ClearVue, vidros solares e revestimento solar. Imagem cortesia de ClearVue
Frequentemente se afirma que encontrar soluções inteligentes para os problemas exige uma abordagem criativa que envolva "pensar fora da caixa". Essa premissa tornou-se uma ideia amplamente aceita no campo da tecnologia, onde inúmeros avanços históricos surgiram a partir de métodos inovadores. Exemplos notáveis na geração de energia incluem a descoberta do efeito fotovoltaico por Edmund Becquerel em 1839 e o desenvolvimento do primeiro painel solar comercial por Charles Fritts no final daquele século. Esses marcos viabilizaram a integração de painéis solares como componentes essenciais da geração de energia limpa na arquitetura, impulsionando uma transição significativa em direção às fontes renováveis.
Atualmente, essa mudança se manifesta como um ponto de virada na relação entre a geração de energia e o ambiente construído, impulsionada por uma transição que promove o pensamento criativo e estimula novas perspectivas. Hoje, a produção de energia sustentável vai muito além da mera instalação de painéis solares em coberturas, buscando integrar diversos elementos da edificação ao sistema energético. O BIPV (Sistema Fotovoltaico Integrado a Edifícios) da ClearVue exemplifica essa inovação ao aproveitar quase todos os componentes da fachada como fontes de geração de energia. Essa visão abre novas possibilidades para o projeto de estruturas urbanas, promovendo uma abordagem mais sustentável e alinhada às demandas contemporâneas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140469/gerando-energia-atraves-da-fachada-maximizando-a-energia-com-fotovoltaicos-integrados-a-edificiosEnrique Tovar
Espaços expositivos transmitem conteúdos cuidadosamente selecionados com o objetivo de educar, inspirar e engajar as pessoas que os visitam, utilizando objetos e suportes para contar histórias. Além de promoverem a educação, a preservação cultural e a apreciação estética, esses ambientes estimulam a criatividade e a interação. Por meio de experiências imersivas e interativas, eles permitem que o público estabeleça conexões significativas com novos conhecimentos, diferentes perspectivas e importantes patrimônios culturais, gerando um engajamento tanto intelectual quanto emocional.
A arquitetura contemporânea em contextos de Patrimônio Mundial da UNESCO apresenta um desafio único: revitalizar locais de relevância histórica ao mesmo tempo em que se aderem a diretrizes rigorosas de preservação. De centros urbanos a paisagens naturais e tradições culturais imateriais, esses projetos demonstram o delicado equilíbrio entre inovação e conservação do patrimônio. Seja atuando em uma megacidade, em uma paisagem protegida ou em uma área rural de grande riqueza cultural, os/as arquitetos/as têm o desafio de reimaginar esses espaços sem comprometer seu valor histórico. Cada projeto oferece uma perspectiva renovada sobre como os sítios históricos podem evoluir e permanecer relevantes nos tempos atuais.
Há 25 anos, quando nasceu na Suíça o padrão de construção sustentável Minergie, projetado para reduzir o consumo energético e melhorar o conforto nas edificações, era difícil prever que ele se tornaria uma das certificações mais demandadas do país: atualmente, alcançou uma presença significativa, com mais de 50.000 edifícios certificados. Também era difícil imaginar o seu futuro na América Latina de hoje: como um sistema desenvolvido para as exigências de um país poderia responder aos requisitos de outra região com geografia e cultura tão diversas?
Na era pós-pandemia, o excedente de igrejas subutilizadas é uma realidade crescente. Para além de oferecer oportunidades de exploração em reuso adaptativo, o que essa tendência revela sobre a espiritualidade moderna? Será que a humanidade perdeu o interesse pelo sagrado? Em um artigo recente no Common Edge, Duo Dickinson abordou essa preocupação ao afirmar que "a mudança cultural que causa o abandono das igrejas não põe fim à busca humana pelo sagrado".
Embora declare acertadamente que nenhuma fórmula é capaz de transformar a arquitetura no "sagrado", ele parecia sugerir que uma nova espiritualidade ainda poderia ser encontrada na forma arquitetônica. Ao considerarmos o significado da transformação das formas do espaço sagrado na era moderna, buscar uma revitalização da espiritualidade apenas através da arquitetura corre o risco de repetir um erro do século passado: esperar demais da estética.
Na busca por expandir e atrair novas experiências naturais para o centro das cidades, o design, o planejamento e a revitalização de determinados espaços urbanos acompanham uma série de estratégias que visam melhorar a qualidade de vida de sua população e manter uma conexão com la natureza enraizada na paisagem local. Por meio de soluções técnicas de tratamento de efluentes e drenagem de águas pluviais, mejoras na acessibilidade, incorporação de atividades recreativas e introdução de vegetação nativa, entre outras ações, inúmeros parques, praças e jardins integram-se aos tecidos urbanos e rurais. O objetivo é filtrar a poluição e purificar o ar, enfrentar problemáticas sociais e promover experiências que estimulem as relações entre a natureza, a biodiversidade e a sociedade.
O que é a renaturalização urbana? Como é possível reintegrar a natureza no ambiente urbano? Diante de um acesso cada vez mais limitado da população à natureza e de uma exposição crescente a riscos ambientais como a poluição sonora ou do ar, a escassez de recursos, as mudanças climáticas e outros fatores, o desenvolvimento de espaços "renaturalizados" nas cidades surge como uma ferramenta capaz de melhorar a qualidade de vida da população e projetar espaços de encontro, descanso e lazer para o bem comum que permitam, ao mesmo tempo, equilibrar o desenvolvimento urbano com a biodiversidade e os benefícios dos ecossistemas. Entre as muitas firmas de arquitetura que trabalham com esse conceito, destaca-se o escritório 08014 arquitectura, sediado em Barcelona, que por meio de seus projetos "Praça-jardim Rocafort" e "Passeio Comte D'Ègara" busca revitalizar setores urbanos específicos, focando especialmente na melhoria da qualidade de vida da população e em sua relação com o ambiente natural.
A identidade global da Índia tem se desenvolvido paralelamente a suas aspirações por um futuro arquitetônico único. Ao longo do tempo, a paisagem arquitetônica do país evoluiu das tradições vernáculas para as influências estrangeiras, passando por resgates pós-coloniais até chegar às expressões digitais modernas. O design computacional tem desempenhado um papel influente na definição dos estilos contemporâneos, capacitando escritórios locais de arquitetura a experimentar com formas e estruturas.
Este ano consolidou mais um marco para os/as arquitetos/as indianos/as na ampliação dos limites da prática contemporânea em todo o país. Uma tendência notável entre os projetos apresentados no ArchDaily tem sido a adoção de formas fluidas, uma sutil homenagem às práticas vernáculas que caminha lado a lado com um distanciamento gradual do legado da retórica de design modernista da Índia. A práxis da arquitetura indiana evoluiu para refletir um compromisso mais profundo com os contextos locais, somado a uma disposição de experimentar influências globais. Essa abordagem provavelmente persistirá nos próximos anos, abrindo caminho para novas expressões arquitetônicas no país.
Ao transcender as geometrias rígidas para celebrar a fluidez, os/as arquitetos/as de todo o subcontinente reinventam as experiências espaciais com formas que fluem, se fundem e respiram. Ao desafiar os paradigmas arquitetônicos convencionais, esses projetos continuam a se inspirar e a proliferar narrativas culturais profundamente enraizadas. No caso da Índia, a adoção da fluidez na arquitetura reflete um jogo de influências entre temas como materialidade, memória, artesanato e o contexto vivo do espaço.
As viagens aéreas abriram novos caminhos para as experiências de viagem. Recentemente, esses espaços de transição se tornaram destinos por si sós, com aeroportos como o Aeroporto Internacional de Hong Kong e o Aeroporto Internacional de Incheon registrando mais de 60 milhões de visitantes por ano. Os aeroportos costumam ser a primeira e a última impressão de uma cidade, e profissionais de design e planejamento urbano reconhecem cada vez mais seu papel em contar a história da marca de um lugar. Como hubs de viagem e turismo, esses aeroportos buscam conciliar funcionalidade e engajamento cultural, oferecendo aos/às passageiros/as uma prévia da identidade local antes mesmo de saírem do terminal.