A arquitetura evolui, sobretudo na forma como reflete as relações entre as pessoas, seu comportamento e o ambiente. Mesmo variações sutis nessas dinâmicas podem influenciar nossa maneira de pensar e viver em comunidade. Segundo o Banco Mundial, atualmente 56% da população vive em ambientes urbanos, e estima-se que até 2050 esse número chegue a 70%. Essa projeção reflete a velocidade e a magnitude do crescimento urbano, impondo desafios para arquitetos/as e escritórios de design — desde a viabilidade das edificações até a sustentabilidade do ambiente construído, englobando a arquitetura residencial e outras tipologias que influenciam a vida cotidiana.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142781/estudos-de-caso-em-habitacao-centrada-na-comunidade-design-residencial-inovadorEnrique Tovar
Shenzhen é a primeira Zona Econômica Especial (ZEE) da China, servindo como uma janela para a Reforma e Abertura do país e como uma cidade de imigrantes em ascensão. A cidade evoluiu para uma metrópole internacional influente e moderna, criando a mundialmente famosa "Velocidade de Shenzhen" e conquistando a reputação de "Cidade do Design". O projeto arquitetônico se destaca como a expressão mais intuitiva do espírito de integração e inovação de Shenzhen. Ao longo da última década (2015-2025), o desenvolvimento da arquitetura urbana em Shenzhen integrou-se estreitamente ao seu caráter urbano aberto e inclusivo, às suas vantagens ecológicas de estar situada entre as montanhas e o mar, e ao espírito local de fundir a cultura tradicional com a tecnologia inovadora, revelando o charme singular e a forte vitalidade de Shenzhen sob múltiplas dimensões.
O que significa construir com cuidado, utilizando aquilo que os outros deixam para trás? Essa pergunta molda o trabalho do Matter Matters Lab, uma iniciativa fundada pela arquiteta e pesquisadora Catherine Söderberg Esper durante o isolamento da pandemia. A partir de experiências multiculturais e motivada por uma transformação pessoal durante a maternidade, Catherine começou a investigar resíduos cotidianos como matéria-prima para sistemas construtivos regenerativos. Seu primeiro experimento consistiu em colar seus próprios cabelos cortados usando cola branca, dando início a uma abordagem radicalmente íntima e artesanal. Desde então, o laboratório tem se concentrado em transformar resíduos orgânicos em materiais arquitetônicos de baixo impacto, inspirando-se em sistemas de conhecimento indígenas e buscando romper com modelos extrativistas na construção civil. Projetos como os Avocado Bricks, feitos a partir de caroços de abacate descartados, exemplificam essa abordagem local, circular e enraizada na ideia de reciprocidade entre matéria, lugar e cuidado, oferecendo uma nova maneira de construir com resíduos.
Impresión de paredes exteriores. Image Cortesía de XWG Archi Studio at Tsinghua University
Segundo a empresa de análise Gartner, as vendas de impressoras 3D dispararam 75% por volta de 2014; no entanto, essa tecnologia ainda segue apresentando um forte crescimento. Embora existam múltiplos debates no campo da arquitetura sobre se a impressão 3D pode ser considerada artesanato ou se é viável a mistura de materiais locais com impressão 3D, sua implementação no meio acadêmico busca criar novas experiências, pesquisas e conhecimentos que colaborem para o desenvolvimento e a aplicação dessa tecnologia. Diante disso, como a integração da impressão 3D a partir da academia poderia provocar mudanças na indústria da construção no futuro? Como o ensino de arquitetura e design poderia fomentar a colaboração com outras disciplinas e criar novas aplicações em outros campos?
O design escandinavo há muito é admirado por sua estética minimalista e funcionalidade, que valorizam as coisas simples, com raízes profundas no conceito de Hygge. Esta reverência vai além do design de interiores, estendendo-se também ao mundo natural, o que resulta em projetos de arquitetura e instalações paisagísticas de alta qualidade que estreitam a conexão humana com ambientes intocados. Em vez de impor grandes estruturas ao meio ambiente, a abordagem escandinava propõe intervenções sutis e precisas. Estes projetos não buscam dominar, mas sim estabelecer um diálogo com a paisagem existente, valendo-se de um desenho sensível para potencializar suas formas, cores e texturas intrínsecas. O objetivo é complementar e valorizar a natureza, criando espaços funcionais que, ao mesmo tempo, aprofundam a relação de quem os visita com o entorno.
Em um mundo que enfrenta a escassez de recursos, uma rápida transformação digital e demandas sociais em constante evolução, a necessidade de um diálogo dinâmico entre profissionais da arquitetura, do design, do desenvolvimento de produtos e fabricantes nunca foi tão crucial. Em 2025, o ICONIC AWARDS irá ainda mais longe com uma plataforma ampliada e renovada que une arquitetura, design de interiores e inovação de produtos — abrangendo desde edifícios até mobiliário — tudo sob o mesmo teto. O German Design Council está unificando as antigas premiações "Innovative Architecture" e "Interior Products" para criar um novo e potente palco para ideias visionárias e soluções inovadoras.
Com a Fundação Hyatt prestes a anunciar o/a vencedor/a do Prêmio Pritzker 2025 no dia 4 de março, às 9h EST, crescem as especulações sobre qual arquiteto/a — ou arquitetos/as — receberá a honraria mais prestigiosa da arquitetura. Instituído em 1979, o Prêmio Pritzker de Arquitetura é amplamente considerado a "maior honraria da profissão", reconhecendo arquitetos/as vivos/as cujo trabalho tenha gerado um impacto profundo na humanidade e no ambiente construído.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142784/quem-deveria-ganhar-o-premio-pritzker-2025ArchDaily Team
Kampung Admiralty / Ramboll Studio Dreiseitl + WOHA. Imagem cortesia de WOHA
As visões verdejantes de Ebenezer Howard para as cidades expandiram-se em direção ao leste, muito além de suas origens britânicas. Na década de 1900, o planejamento urbano acolheu o Movimento das Cidades-Jardim como um paradigma do bom design — uma resposta à urbanização industrial do Ocidente. Pouco depois, as cidades asiáticas conceberam seus próprios arquétipos, lidando com condicionantes locais de clima e densidade. Projetos e empreendimentos, desde experimentos da era colonial até megaprojetos contemporâneos, abraçaram e reinventaram a visão de Howard no decorrer do século XXI.
Há muitos anos, a tecnologia vem moldando o futuro de diversos setores, e a indústria da arquitetura, engenharia e construção (AEC) não é exceção. No início, os/as profissionais da arquitetura desenhavam esboços no papel, evoluindo posteriormente para desenhos em 2D, representações digitais em 3D e, agora, o BIM — avanços tecnológicos que mudaram a forma como os/as arquitetos/as modernos/as abordam o projeto, tornando-o mais sustentável e eficiente. Segundo o estudo de IA da RIBA de 2024, 57% dos/as arquitetos/as acreditam que a IA melhorará a eficiência do processo de projeto, e 54% esperam integrá-la em suas práticas nos próximos dois anos.
Em 2025, o campo da arquitetura foi marcado por um calendário intenso de exposições, por uma desaceleração moderada na construção civil em diversas regiões e por um período de reflexão que examina o impacto da inteligência (artificial e natural) — tanto na prática profissional e na cultura do ambiente de trabalho quanto em seu uso como ferramenta pedagógica. Ao longo deste ano, o ArchDaily publicou mais de 30 entrevistas em diversos formatos — perguntas e respostas, conversas presenciais, vídeos especiais e muito mais. Esses diálogos abordaram temas como sustentabilidade e natureza, habitação e desenvolvimento urbano, IA e inteligência, reuso adaptativo e vida pública, além de terem acompanhado de perto importantes plataformas de exposição, incluindo a Bienal de Veneza, a Expo 2025 Osaka, a Semana de Design de Milão, o Concentrico, entre outras.
De novos desenvolvimentos em escala urbana a propostas de reuso adaptativo, esta edição do Architecture Now destaca uma série de projetos anunciados recentemente ao redor do mundo. O escritório Foster + Partners lidera a retomada de Amaravati, uma capital planejada na Índia; o Safdie Architects propõe uma nova torre no bairro histórico de Old Port, em Portland; e o SOM inicia as obras de um pavilhão cultural e acadêmico na Temple University. Outras atualizações incluem um plano de preservação para uma ponte histórica em Praga, um empreendimento hoteleiro costeiro em Abu Dhabi e um projeto residencial de grande escala no Brooklyn projetado por TenBerke. Em conjunto, esses projetos refletem as prioridades em constante evolução em habitação, sustentabilidade, patrimônio e espaço público em diversos contextos globais.
Esta edição do Architecture Now reúne projetos que exploram como a arquitetura está remodelando portais globais, destinos culturais e a vida urbana. O projeto do SOM para o novo Saguão de Embarque e Desembarque em Austin e a proposta da Scott Brownrigg para o Heathrow West destacam o aeroporto como um limiar cívico, enquanto o complexo de três torres do escritório Kerry Hill Architects em Brisbane prioriza o espaço público e as paisagens subtropicais na habitação de alta densidade. A torre à beira-mar do escritório Zaha Hadid Architects na Flórida dá continuidade à tradição costeira escultórica de Miami, e o Japa Valley Tokyo, de Pharrell Williams e NIGO, apresenta um distrito cultural temporário que mescla arte, hospitalidade e varejo. Juntas, essas iniciativas refletem como infraestrutura, estilo de vida e design se cruzam para definir a experiência urbana contemporânea.
A tipologia construtiva de andaimes de bambu — temporária, ágil e profundamente enraizada na tradição —, em especial a técnica de construção de teatros temporários de bambu, é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial em Hong Kong. Ao caminhar pela cidade, especialmente nos distritos urbanos mais movimentados, é quase impossível não se deparar com um andaime de bambu em um raio de cinco minutos. O andaime de bambu é, sem dúvida, o material de construção mais emblemático de Hong Kong, valorizado por sua abundância, sustentabilidade, flexibilidade, adaptabilidade e, acima de tudo, escalabilidade. Essas qualidades contribuíram para seu amplo uso na construção temporária, desde a manutenção e reforma de edifícios até palcos de festivais e eventos esportivos.
No entanto, essa característica outrora onipresente na paisagem urbana pode estar desaparecendo lentamente. A escassez de profissionais jovens e qualificados — somada à evolução das regulamentações de construção — tem contribuído para o seu declínio. Em 17 de março, o Departamento de Desenvolvimento (Development Bureau) anunciou planos para "promover uma maior adoção de andaimes metálicos em obras públicas". Na prática, isso significa que o Departamento de Serviços de Arquitetura (ArchSD) em breve exigirá que pelo menos 50% de seus projetos de obras de capital utilizem andaimes metálicos. Embora não represente uma proibição formal, a diretriz sinaliza o que muitos consideram o início de uma eliminação gradual dos andaimes de bambu na construção civil do setor público.
A antiga cidade de Veneza, na Itália, que sedia tanto as edições de arte quanto as de arquitetura da Bienal de Veneza, é conhecida por sua geografia singular como uma cidade insular de canais. Com sua proeminência naval e mercantil hoje reduzida, a cidade encontrou um novo propósito como centro de estudos, exposições e turismo. Ainda assim, sua morfologia urbana e, de fato, a maioria de seus edifícios são históricos e permanecem praticamente inalterados há centenas de anos. Sua aparência exibe um vernáculo veneziano específico que resistiu ao tempo e serve de pano de fundo para as atividades contemporâneas da cidade. Como as fachadas desses edifícios, em especial suas janelas, refletem essa história? E de que maneira as poucas construções modernas da cidade, como o Palazzo Nervi-Scattolin, respondem a esse peso histórico?
O hábito de sentar-se à mesa e compartilhar um momento específico com outras pessoas está presente há séculos nas mais diversas culturas. O Simpósio Grego, o Convivium Romano, os banquetes e festivais medievais e os salões parisienses são apenas alguns exemplos de como esse costume foi construído historicamente e tem sido relevante em negociações sociais e políticas, discussões intelectuais e debates filosóficos.
A comensalidade frequentemente serve como um ritual de socialização, negociação e celebração de eventos importantes. Em muitas culturas de língua espanhola, o período após a refeição em que toda a família permanece sentada conversando é tão marcante que existe uma palavra específica para isso: sobremesa — traduzida literalmente como "sobre a mesa" (embora, em espanhol, refira-se mais precisamente à conversa pós-refeição). No entanto, apesar de frequentemente associada ao ato de compartilhar uma refeição, a mesa pode ser considerada uma plataforma flexível, aberta a inúmeras possibilidades de apropriação e interação.
A Snaptrude anunciou o lançamento do Snaptrude Student Plan, uma oferta gratuita que concede a estudantes de arquitetura de todo o mundo acesso total à plataforma profissional da Snaptrude e a fluxos de trabalho inteligentes de IA. A iniciativa reflete o compromisso da Snaptrude em fortalecer o ensino de arquitetura e garantir que profissionais emergentes do design desenvolvam habilidades práticas ainda durante a graduação. O acesso irrestrito à plataforma profissional e às ferramentas de IA permite que estudantes projetem com maior agilidade e criem trabalhos prontos para o portfólio.
O modernismo indiano é frequentemente narrado sob uma perspectiva restrita: um punhado de instituições icônicas, grandes arquitetos/as e experimentos formais radicais que passaram a simbolizar as aspirações pós-independência da nação. No entanto, essa versão da história ignora um acervo muito maior de arquitetura modernista que, silenciosamente, moldou a vida cotidiana em todo o país. Para além de campi célebres e edifícios canônicos, existe uma paisagem vasta e dispersa de blocos habitacionais, escritórios, alojamentos, hospitais, mercados e vilas operárias — estruturas que foram projetadas para funcionar e durar.
O Pavilhão do Canadá na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia apresentou Picoplanktonics. Uma pesquisa que surgiu como um repensar radical de como a arquitetura pode se tornar uma plataforma que une biologia, computação e fabricação para propor um futuro alternativo — no qual os edifícios não apenas minimizam danos, mas participam ativamente da reparação do planeta. Em seu cerne está um organismo simples: a cianobactéria marinha, capaz tanto de capturar carbono quanto de contribuir para o crescimento material da estrutura que habita. O projeto foi desenvolvido ao longo de cinco anos por uma equipe de pesquisa na ETH Zurich, liderada por Andrea Shin Ling e um grupo multidisciplinar de colaboradores e colaboradoras. Juntos, formaram o Living Room Collective, fundado há um ano para dar continuidade a esse trabalho e apresentá-lo na Bienal de Veneza. A equipe principal inclui Nicholas Hoban, Vincent Hui e Clayton Lee. Esta entrevista com a equipe por trás do projeto compartilha a filosofia, os desafios técnicos e os horizontes especulativos que impulsionaram seu trabalho — desde a impressão de treliças de areia viva até a manutenção da vida microbiana em uma exposição pública. O objetivo do grupo é inspirar as pessoas a reconsiderarem a arquitetura não como um objeto estático, mas como um processo vivo e em evolução; um processo que exige cuidado, paciência e uma mudança radical de mentalidade.
Há uma revolução silenciosa acontecendo no banheiro. Esqueça o mármore brilhante e os metais dourados espalhafatosos; o novo tom do design é de uma confiança serena. Hoje, o luxo é sutil, sensorial e preciso. Valoriza-se o fazer artesanal em detrimento da extravagância, e a autenticidade em vez do espetáculo. O banheiro, outrora o cômodo mais funcional da casa, tornou-se um espaço onde materialidade, toque e luz se orquestram para criar uma sensação de calma.
Apesar dos grandes avanços em outros setores, com ferramentas como o Cursor remodelando a forma como softwares são desenvolvidos, ou o AlphaFold revolucionando a previsão de estruturas de proteínas, o setor de AEC ainda espera por seu momento divisor de águas na IA. De fato, muitas ferramentas de visualização causaram grande impacto, especialmente na geração de imagens belas. No entanto, elas se mostram insuficientes quando se trata de compreender o processo de projeto real. Elas não assimilam as restrições, a lógica e as decisões que transformam essas imagens em uma arquitetura real e viável.
E é exatamente aí que reside o caso de uso mais valioso da IA no setor de AEC: não na aparência de um edifício, mas em como ele se articula.
A funcionalidade é indispensável ao projetar, mas criar a atmosfera certa é crucial — especialmente em banheirose cozinhas, onde alguns acabamentos, tonalidades e metais bem escolhidos podem transformar completamente o ambiente e favorecer a composição de um espaço coeso. Conceitos como beleza, qualidade e variedade orientam grande parte do processo de design dessas áreas, estimulando o que se poderia chamar de busca pela perfeição em todas as dimensões. A interação desses fatores aprimora tanto a composição visual quanto a experiência de uso, moldando um cenário equilibrado e atraente que se adapta à constante evolução das linguagens da arquitetura e do design.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142821/criando-uma-aura-de-perfeicao-com-acabamentos-metalicos-intensos-em-interiores-modernosEnrique Tovar
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A mais recente família de cabines da Mute apresenta 30 modelos em 11 tamanhos, projetados para acomodar de 1 a 8 pessoas.
A Mute, pioneira em arquitetura corporativa adaptável, apresenta as Modular Pods—a maior e primeira coleção de cabines acústicas de escritório verdadeiramente adaptáveis do mercado. Ao oferecer uma variedade inigualável de tamanhos, opções ilimitadas de personalização e soluções pioneiras de acessibilidade, as Modular Pods da Mute estabelecem novos parâmetros para toda a categoria de produtos.
Nas salas das Ninfeias no Musée de l'Orangerie em Paris, Claude Monet concebeu uma galeria em 360 graus onde o público visitante se vê envolto por paisagens contínuas, dissolvendo as fronteiras entre pintura e ambiente. Ali, ele buscou não apenas representar a natureza por meio de seu estilo marcante, mas construir uma atmosfera, um estado perceptivo que se habita literalmente. A arquitetura, tradicionalmente associada à materialidade e à permanência, ganha assim uma nova dimensão de tempo, movimento e experiência sensorial.
De maneira semelhante, quando a arquitetura contemporânea transforma seus planos em superfícies ativas, ela expande essa busca por imersão e presença, agora amplificada pela tecnologia. Na entrada da nova Mammut Tower da SOPREMA em Oberroßbach, Alemanha, a arquitetura e a narrativa digital convergem. Projetado e executado por ASB GlassFloor, o recém-concluído saguão é um ambiente imersivo que combina vidro, luz e som em uma experiência espacial e sensorial completa, demonstrando como as tecnologias interativas podem se tornar materiais arquitetônicos por direito próprio.
Quando pensamos em cidades, costumamos assumir que a malha ortogonal é a norma: organizada, previsível e racional. No entanto, muitas áreas urbanas pelo mundo, sobretudo aquelas moldadas por colinas e terrenos acidentados, desafiam essa convenção. Em cidades como Lisboa, em Portugal, as malhas ortogonais aparecem apenas nas zonas mais planas, como a Baixa, ao passo que áreas no entorno, como Alfama, adaptam-se de forma orgânica à topografia. Essas áreas criam formas urbanas mais estratificadas, irregulares e visualmente dinâmicas. Yerevan, na Armênia, oferece outro exemplo urbano dessa adaptação: o Complexo Cascade transforma uma colina íngreme em um espaço público em terraços que conecta diferentes níveis da cidade ao mesmo tempo em que enquadra vistas panorâmicas. Para outros países, essa resposta à topografia torna-se ainda mais crítica. Cidades como Tegucigalpa, em Honduras, ou Valparaíso, no Chile, são definidas por terrenos íngremes e irregulares que exigem que profissionais de arquitetura se envolvam profundamente com o território. Projetar nesses contextos, especialmente em projetos residenciais, exige adaptação técnica e uma compreensão contextual que permite que o declive se torne um elemento gerador no processo de projeto.