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Highlight: O mais recente de arquitetura e notícia

Um novo olhar sobre o patrimônio moderno: ArchDaily firma parceria com o World Monuments Fund

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O que torna um edifício digno de preservação? A idade é a resposta mais comum, mas nem sempre a melhor. Um edifício das décadas de 1950 ou 1970 pode ter tanta relevância histórica quanto uma catedral medieval; a questão exige apenas uma abordagem diferente, que pondere o contexto político, o significado cultural e a inovação arquitetônica em vez da mera passagem do tempo. Isso se aplica sobretudo à arquitetura modernista no chamado Sul Global, onde o movimento assumiu formas de expressão singulares.

É justamente esse debate que o ArchDaily e o World Monuments Fund (WMF) estão abrindo juntos. O WMF traz sua expertise prática em conservação ao redor do mundo, enquanto o ArchDaily entra com a capacidade editorial para contextualizar esse trabalho e conectá-lo a um público global. O objetivo é atuar em duas frentes simultâneas: preservar lugares e contar suas histórias, moldando a compreensão do patrimônio modernista para muito além do próprio campo da preservação.

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20 Práticas que ampliam a atuação da arquitetura: os vencedores do ArchDaily 2026 Next Practices Awards

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O ArchDaily tem o orgulho de anunciar os/as vencedores/as do Next Practices Awards 2026, que reconhece 20 escritórios emergentes e inovadores que expandem as possibilidades da arquitetura contemporânea.

Em sua sexta edição, o Next Practices continua a olhar para além das definições convencionais da profissão a fim de identificar as pessoas, ideias e metodologias que impulsionam a disciplina. A edição de 2026 é a nossa mais robusta e globalmente representativa até o momento, reunindo diferentes abordagens, escalas e contextos que ampliam nossa compreensão sobre como e por quem a arquitetura é praticada.

De climas extremos a comunidades rurais, cidades informais e territórios afetados pelo deslocamento e pela vulnerabilidade ambiental, a seleção deste ano dialoga com uma ampla gama de realidades. Apoiando-se na engenharia, ecologia, fabricação digital, pesquisa de materiais, conhecimentos vernaculares e indígenas, ativismo e pesquisa crítica, estes escritórios refletem o que está por vir: a capacidade de responder a condições específicas e moldar ativamente o mundo ao seu redor.

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Uma casa sobre a água: a história da joia modernista de Amancio e Delfina Williams

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O que acontece com uma casa quando a vida para a qual ela foi projetada chega ao fim? Na Casa sobre el Arroyo, a resposta se desenrolou gradualmente à medida que o edifício mudou de uso, propriedade e estado de conservação ao longo de quase oito décadas. Mesmo diante dessas transformações, a estrutura, a circulação e a relação com o terreno permaneceram fundamentais para a compreensão da casa e, eventualmente, para seu restauro.

Projetada por Amancio Williams e Delfina Gálvez Bunge de Williams a partir de 1943 para o pai de Amancio, Alberto Williams, a Casa sobre el Arroyo nasceu diretamente das condicionantes de seu terreno em Mar del Plata, Argentina. Em vez de tratar o arroio Las Chacras como um obstáculo a ser contornado, o projeto o utiliza para organizar a própria casa. Um arco de concreto armado cruza as águas e eleva os espaços de permanência, transformando o curso d'água em parte da experiência de circulação e habitação da casa.

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Cinema-Estúdio Namibe: A Reabilitação de um Ícone do Modernismo Tropical Angolano

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O que sustenta o propósito de uma arquitetura que nunca foi ocupada? Durante décadas, essa foi a pergunta que rondou o Cinema-Estúdio de Namibe, construído na costa da Angola, em 1973. Concebido para ser um espaço de exibição cinematográfica, o edifício permaneceu fechado e abandonado sem nunca exercer o papel para o qual foi criado. Ainda assim, sobreviveu ao tempo, tornando-se um ícone da paisagem e da arquitetura angolana, até finalmente exibir seu primeiro filme quase cinquenta anos depois.

Mas o que manteve esse edifício vivo no imaginário coletivo durante tanto tempo? Teria sido justamente sua arquitetura ousada e singular capaz de atribuir significado a uma obra que nunca teve um uso?

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A Maison du Peuple: a reapropriação do brutalismo para a construção nacional

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Quando os países africanos conquistaram sua independência do domínio colonial europeu em meados do século XX, a construção nacional envolveu muito mais do que estabelecer novos governos e instituições políticas. Os novos Estados soberanos também precisavam estabelecer uma identidade edificada que os diferenciasse de seu passado colonial, e a arquitetura tornou-se uma ferramenta crucial nesse processo. Em todo o continente, edifícios cívicos monumentais, universidades, centros de convenções e instituições culturais foram encomendados para personificar o progresso e a unidade nacional. No entanto, isso criou uma contradição fundamental: muitos desses edifícios adotaram linguagens arquitetônicas modernistas e brutalistas de origem europeia, sendo que alguns foram inclusive projetados por profissionais de arquitetura das antigas potências coloniais. A Maison du Peuple em Ouagadougou, Burkina Faso, oferece um exemplo particularmente revelador de como uma linguagem arquitetônica associada à Europa pôde ser apropriada e transformada em uma expressão de independência pós-colonial.

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Modernismo sob vigilância: a preservação do Estádio Sardar Vallabhbhai Patel na Índia

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No coração do distrito de Navrangpura, em Ahmedabad, na Índia, ergue-se o Estádio Sardar Vallabhbhai Patel. Muito mais do que um campo de críquete, o estádio representa um dos primeiros experimentos da Índia em arquitetura pública modernista. Construída nas décadas que se seguiram à independência do país, a estrutura tornou-se não apenas um marco da engenharia, mas também um espaço público de destaque na malha urbana de Ahmedabad. Apesar do significado arquitetônico e histórico do edifício, bem como de sua profunda inserção na vida cotidiana da comunidade, a estrutura sofreu uma degradação física significativa devido a décadas de manutenção precária e falta de recursos. Essa fragilidade foi justamente o que atraiu a atenção internacional. Em 2020, o World Monuments Fund (WMF) incluiu o Estádio Sardar Vallabhbhai Patel no World Monuments Watch, uma lista global que destaca sítios de patrimônio cultural que enfrentam desafios urgentes de preservação.

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Escapando da demolição: a preservação da Casa A. Conger Goodyear

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Como pilares da nossa paisagem cultural, muitas obras-primas do Movimento Moderno são frequentemente demolidas, abandonadas ou alteradas, independentemente do contexto em que estão inseridas. Preservar esse legado arquitetônico destaca o papel dos/as profissionais de arquitetura e design na configuração de ambientes construídos onde a continuidade entre o passado e o presente reforça o senso de lugar das comunidades. Em Long Island, uma coalizão de defensores uniu forças para salvar a Casa A. Conger Goodyear, projetada em 1938 por Edward Durell Stone. Considerada um dos exemplos mais notáveis do Estilo Internacional nos Estados Unidos, a residência atraiu grande atenção ao longo da década de 1940, figurando em periódicos especializados, livros e publicações de grande circulação.

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Decisões arquitetônicas, implicações planetárias: entrevista com a equipe curatorial da UIA 2026 Barcelona

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Barcelona é a primeira cidade na história do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA a sediar o evento duas vezes. A edição de 1996, Presente e Futuros: Arquitetura nas Cidades, aconteceu em um momento de forte efervescência, quando a cidade pós-olímpica consolidava um modelo urbano que se tornaria um dos mais estudados e contestados do urbanismo contemporâneo, e quando a arquitetura aprendia a pensar a grande metrópole como seu principal campo de investigação. Trinta anos depois, a mesma cidade retoma a questão sob uma condição distinta: aquela em que o ambiente construído não pode mais ser compreendido como um objeto autônomo, mas apenas por meio dos sistemas ecológicos, materiais e políticos mais amplos que o sustentam. O tema do Congresso de 2026 — Devir. Arquiteturas para um Planeta em Transição — não abandona as preocupações urbanas de 1996; ele as reabre a partir de uma escala planetária.

A equipe de curadoria por trás desta edição, formada por Pau Bajet, Maria Giramé, Mariona Benedito, Tomeu Ramis, Pau Sarquella e Carmen Torres, aborda a arquitetura como uma ferramenta crítica e transformadora enraizada no território, atuando na intersecção entre prática profissional, pesquisa e ensino. Seu programa estrutura o Congresso em torno de seis linhas temáticas interconectadas (Devir Mais-que-humano, Devir Circular, Devir Incorporado, Devir Interdependente, Devir Hiperconsciente e Devir Sintonizado) e o distribui por três locais de características bastante distintas — Les Tres Xemeneies del Besòs, o Disseny Hub em Glòries e o CCIB —, cada um escolhido tanto pelo que representa quanto pelo que pode abrigar.

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Espaço Público em Uso: Región Austral e a Arquitetura do Cotidiano

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A arquitetura costuma ser avaliada pelo que é construído. No entanto, em muitos casos, o que realmente importa acontece depois: a forma como os espaços são usados, adaptados e integrados à vida cotidiana. Para o Región Austral, vencedor do prêmio 2025 Next Practices Awards do ArchDaily, é exatamente aí que o projeto começa. Trabalhando em múltiplos contextos, o escritório aborda o espaço público não como um objeto isolado, mas como algo que precisa ser ativado, negociado e mantido ao longo do tempo. Seus projetos focam menos na definição da forma e mais na criação de condições de uso, fazendo do projeto o ponto de partida.

Essa abordagem se manifesta em diferentes contextos, desde a Praça do Bairro Olímpico até a rede Playón de Chacarita. Embora cada projeto responda a uma situação específica, ambos exploram como o espaço público pode acolher a vida coletiva em áreas marcadas pela fragmentação e pela desigualdade. Em vez de adotar uma abordagem predefinida, o trabalho se adapta a diferentes condições urbanas, utilizando processos participativos e estratégias incrementais para moldar o funcionamento dos espaços ao longo do tempo.

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Leitura do território: as paisagens do Estudio Ome

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Sediado na Cidade do México, o Estudio Ome, fundado por Susana Rojas Saviñón e Hortense Blanchard, é um escritório de arquitetura e paisagismo que atua em florestas, terrenos vulcânicos, fragmentos urbanos e antigos sítios industriais. Vencedor do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o estúdio desenvolve projetos a partir da observação contínua das condições ecológicas e territoriais, em que as decisões de projeto decorrem diretamente do comportamento do solo, da água, da vegetação e do relevo.

Cada projeto começa com encontros sucessivos. O primeiro contato com o terreno se dá por meio de caminhadas e da observação prolongada, permitindo que os padrões de drenagem, a erosão e as variações sazonais se tornem legíveis antes de qualquer medição formal. Essas visitas constituem a base para interpretar tanto as camadas visíveis quanto as subterrâneas — a hidrologia e as transformações históricas que continuam a exercer influência sobre a superfície.

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Distração na Arquitetura: Em conversa com Smiljan Radić, Prêmio Pritzker 2026

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"Quero começar agradecendo à própria arquitetura." Com essas palavras, o arquiteto chileno Smiljan Radić, o 55º laureado do Prêmio Pritzker de Arquitetura, abriu seu discurso de aceitação na Cidade do México. Ao refletir sobre o que chama de "distrações", ele agradeceu pelos muitos encontros que o acompanharam ao longo de sua vida e prática profissional: da arte, cidades, materiais, estruturas e composições a paisagens, poesia, natureza, formas, histórias e memórias. Ele falou sobre o que, dentro de tudo isso, o instigou e sobre as marcas deixadas em sua imaginação arquitetônica.

Da luz negra em Chandigarh e do interior de San Salvatore em Rialto aos amontoados de pedra na ilha croata de Brač; das colunas caídas do Templo de Poseidon e dos vilarejos abandonados espalhados pelo Chile a People Meet in Architecture, a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2010 de Kazuyo Sejima, o circo itinerante chileno e o silêncio da água nas cisternas de Santa Sofia, seu discurso se desdobrou como um tributo a momentos, encontros e distrações. Uma colagem de memórias e impressões que, juntas, moldaram o arquiteto que ele se tornou.

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“A terra não é nostalgia”: Hand Over sobre design-build e materiais locais

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A cada ano, o ArchDaily Next Practices Awards destaca escritórios emergentes que estão expandindo os limites da arquitetura por meio de novos métodos, materiais e formas de trabalhar. Selecionadas a partir de um panorama global, essas práticas refletem um distanciamento de definições singulares da disciplina, voltando-se a questões mais amplas de construção, meio ambiente e impacto social. Em vez de operar em categorias rígidas, muitos desses escritórios se posicionam de forma transversal entre diferentes campos, combinando projeto, pesquisa e produção para responder às condições contemporâneas.

Escolhido como um dos vencedores da edição de 2025, o Hand Over é um escritório sediado no Cairo que atua na interseção entre projeto, construção e pesquisa. Fundado por Radwa Rostom, engenheira civil com mais de quinze anos de experiência em desenvolvimento e sustentabilidade, o estúdio trabalha por meio de um modelo integrado de projeto e construção, engajando-se com a construção com terra, materiais locais e processos de base comunitária.

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Primeiros Socorros para o Patrimônio Ameaçado: Entrevista com a Ambulância para Monumentos

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Ambulance for Monuments é uma iniciativa de primeiros socorros dedicada a salvaguardar o patrimônio edificado ameaçado da Romênia, operando em uma corrida contra o tempo para evitar desmoronamentos e perdas irreversíveis. O projeto responde à crescente vulnerabilidade de estruturas históricas, desde igrejas saxônicas fortificadas e casarões a igrejas de madeira e marcos rurais, muitos dos quais não contam mais com as redes comunitárias que antes os sustentavam. Em um país profundamente afetado pela emigração desde 1990, onde quase metade da população ainda vive em áreas rurais, vilarejos inteiros perderam as pessoas, os ofícios e o cuidado cotidiano que mantinham esses monumentos de pé.

Estruturada em torno de uma unidade móvel de intervenção — uma "Ambulância" equipada com ferramentas, andaimes e maquinários de campo —, a iniciativa realiza obras urgentes de estabilização que ganham tempo para os edifícios ameaçados. Longe de substituir uma restauração completa, essas intervenções estratégicas preservam o tecido histórico, garantem a segurança estrutural e mantêm viáveis a conservação a longo prazo e o reúso adaptativo. 

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Coreografando Lagos: Dele Adeyemo sobre dança, cosmologia e práticas espaciais

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Tendo atirado uma pedra hoje, Exu mata um pássaro de ontem. O provérbio iorubá conta tanto uma história de reparação quanto de ancestralidade ao dobrar alegremente as convenções de espaço-tempo e acessar sujeitos do passado com ações do presente. O ditado oferece um ponto de entrada poético para tradições mais amplas da África Ocidental e para a prática do artista e arquiteto escocês-nigeriano Dele Adeyemo. Nomeado um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o trabalho de Adeyemo reúne ecologia, espiritualidade, dança e território, examinando como as práticas culturais incorporadas podem gerar possibilidades espaciais alternativas dentro e contra a arquitetura do capitalismo racial.

Nascido na Nigéria e criado no Reino Unido, Adeyemo visita Lagos há muitos anos. A partir desse envolvimento, ele desenvolveu um extenso corpo de pesquisa sobre práticas de movimento coletivo que precedem o capitalismo e oferecem inteligências espaciais distintas e frequentemente imaginativas, operando em paralelo aos sistemas dominantes. O ArchDaily conversou com Dele sobre suas práticas artísticas e pedagógicas, e sobre como ele identifica sofisticação de projeto onde os/as arquitetos/as frequentemente enxergam apenas precariedade.

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Arquivo: Desconstrução e Reutilização de Materiais para uma Arquitetura Circular

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A indústria da construção civil enfrenta hoje um paradoxo inevitável: a necessidade urgente de soluções sustentáveis para o futuro das cidades colide com o esgotamento do próprio termo "sustentabilidade", muitas vezes reduzido a um selo comercial vazio. Nesse cenário, a Arquivo – uma das iniciativas vencedoras do ArchDaily's 2025 Next Practices Award – surge como uma facilitadora e mediadora entre diferentes agentes da construção civil por meio do desmonte – ou melhor, da desconstrução – e do reuso de componentes construtivos. Etimologicamente, se "construção" deriva do latim construere (amontoar, reunir), o prefixo "des-" impõe uma inversão conceitual: não se trata de destruir, mas de desmontar com inteligência para compreender a lógica das partes.

Enquanto as práticas convencionais de demolição geram um enorme volume de resíduos e alto consumo energético, a Arquivo propõe o reuso como uma alternativa viável para a economia circular. A empresa atua na lacuna entre o descarte e a nova construção, guiada por uma premissa clara: "O reuso só se realiza plenamente quando o material ganha uma nova vida."

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“O material é onde a história começa”: Studio NEiDA sobre construir através do ofício e do contexto

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O Studio NEiDA atua na intersecção entre prática arquitetônica, pesquisa e trabalho curatorial, com um foco constante em como os edifícios emergem das condições materiais e culturais de um lugar. Em vez de tratar a materialidade como uma linguagem de acabamento, o estúdio a define como o início de uma narrativa arquitetônica — partindo do que está disponível localmente, a equipe analisa qual conhecimento artesanal existe no território e como esses recursos e habilidades situam um projeto dentro de uma linhagem arquitetônica. Essa abordagem coloca as limitações e possibilidades em primeiro plano como forças produtivas, posicionando o projeto como um processo iterativo de alinhamento da intenção espacial com as realidades da cultura construtiva e da inteligência vernacular.

Ao longo de seu trabalho, os interesses do NEiDA vão além da forma, voltando-se para os contextos sociopolíticos e climáticos que moldam a maneira como a arquitetura é feita e habitada. A equipe enfatiza o aprendizado a partir de práticas de construção sem autoria, vernaculares e informais, como forma de estabelecer uma gramática comum para a intervenção, e descreve a continuidade entre interior e exterior não como uma preferência estilística, mas como uma resposta à vida local e às lógicas de ventilação — onde os espaços externos podem ser tão definidos espacialmente e programaticamente centrais quanto os internos. Nesse contexto, a colaboração não é um elemento acessório: o estúdio destaca a troca no canteiro de obras com artesãos/ãs e construtores/as como uma metodologia fundamental, na qual os projetos evoluem por meio da inteligência coletiva e da comunicação adaptativa.

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Mapeando o espaço sem a visão: Por dentro da arquitetura sensorial do SEAlab

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Fundado em 2015 em Ahmedabad por Anand Sonecha, o SEAlab é um escritório moldado por um envolvimento lento e contemplativo com o lugar, a proporção e a participação. Reconhecido como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o estúdio constrói com materiais simples e técnicas locais, buscando criar ambientes que são tanto vivenciados quanto vistos. Esse ethos tornou-se particularmente tangível em Gandhinagar, onde a Escola para Crianças Cegas e com Deficiência Visual não começou como uma instituição projetada sob medida para esse fim. A escola funcionava em um edifício escolar de ensino fundamental já existente, com salas de aula posicionadas acima dos dormitórios e doze crianças compartilhando um único quarto. O espaço era limitado, assim como as oportunidades de crescimento. O novo edifício acadêmico era necessário para expandir a capacidade, melhorar as condições de vida e apoiar uma maior independência dos/as estudantes.

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Quem é Smiljan Radić Clarke? 10 coisas a saber sobre o/a laureado/a do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2026

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Smiljan Radić Clarke, vencedor do Prêmio Pritzker 2026, é um arquiteto chileno contemporâneo conhecido por sua abordagem projetual experimental, com uma prática que equilibra o elementar e o íntimo, o monumental e o frágil. Ao longo de mais de três décadas, Radić desenvolveu uma arquitetura que resiste à repetição e às categorizações estilísticas convencionais, priorizando intervenções profundamente site-specific, atentas à materialidade e culturalmente reflexivas.

Sua obra articula a relação entre permanência e impermanência, memória e imaginação, criando edifícios que tratam tanto da experiência e da emoção humanas quanto de estrutura e forma. Em residências, instituições culturais e instalações temporárias, a arquitetura de Radić coloca em primeiro plano a interação entre contexto, materiais e os gestos sutis que moldam a maneira como os espaços são habitados e percebidos.

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