A configuração da mesquita, local de culto da comunidade muçulmana, remonta sua história ao pátio do fundador da religião. As primeiras mesquitas eram, portanto, simples espaços abertos destinados às orações rituais. Ao longo dos anos e séculos, esses templos incorporaram diversos elementos funcionais e normativos, como o mihrab, um nicho que indica a direção da oração, e o minbar, o púlpito de onde o pregador profere o sermão. Outros elementos também se tornaram comuns, como as cúpulas e os minaretes, historicamente utilizados para o chamado à oração. Estes tinham o propósito adicional de sinalizar a função do edifício como mesquita e eram usados por governantes e benfeitores para exaltar sua imponência.
Na contemporaneidade, as mesquitas não estão imunes ao debate arquitetônico. Elementos que não possuem função religiosa direta são questionados, assim como a relação entre o templo e seu entorno. Essa discussão é especialmente acirrada em regiões do mundo com comunidades muçulmanas relativamente novas, onde alguns teóricos defendem a eliminação de elementos simbólicos sob o argumento de que se tratam de mero "pastiche", enquanto outros manifestam nostalgia em relação à carga afetiva associada às formas históricas. Contudo, arquitetos e arquitetas contemporâneos têm elevado com sucesso a arquitetura das mesquitas, atendendo aos requisitos funcionais com criatividade ao mesmo tempo em que deixam o contexto do edifício moldar sua volumetria.
De novos métodos de viabilização para reaproveitamento adaptativo e estruturas de madeira engenheirada à fabricação digital, novas pesquisas visam fornecer orientação sobre métodos e tecnologias de construção emergentes. Imagem cortesia de Perkins&Will
A inovação assume diversas formas. O ano de 2025 promete ser marcado por avanços contínuos nas áreas de inteligência artificial, sustentabilidade e biotecnologia. Essas transformações costumam surgir da experimentação em setores como tecnologia e saúde, nos quais as empresas dispõem de equipes robustas de pesquisa e desenvolvimento, além de orçamentos significativos. Isso as capacita a gerar novos produtos e serviços que atendem às necessidades em constante evolução da sociedade.
Em um mundo confrontado por desafios complexos, a inovação na arquitetura desempenha um papel singular. Diferente de setores movidos por ciclos rápidos de inovação, a arquitetura precisa equilibrar criatividade com soluções práticas profundamente enraizadas na experiência humana. O que será necessário para que o setor da arquitetura aproveite plenamente seu potencial para moldar o futuro do nosso ambiente construído?
O Museu de Desenho Arquitetônico em Berlim, Alemanha, apresentará uma nova exposição intitulada "Steven Holl – Drawing as Thought", com curadoria de Kristin Feireiss. A mostra explora o processo criativo do arquiteto de renome internacional Steven Holl com foco no uso do desenho como ferramenta fundamental no projeto de arquitetura. Além disso, a exposição destaca a extensa prática artística de Holl, que inclui mais de 50.000 esboços, desenhos em preto e branco e aquarelas, oferecendo uma visão de sua abordagem arquitetônica por meio da exploração visual.
A vida urbana tornou-se sinônimo de espaço limitado e soluções criativas para apartamentos compactos. À medida que as cidades se tornam cada vez mais dominadas por concreto e aço, observa-se um aumento empolgante, embora não surpreendente, no interesse pelo cultivo de plantas, mesmo sob as restrições de um ambiente urbano denso. Esse interesse não visa apenas atender a gostos estéticos, uma vez que estudos mostram consistentemente que a exposição à natureza reduz o estresse, melhora o foco e aumenta o bem-estar geral. Contudo, em ambientes urbanos densos, o desafio reside em encontrar maneiras inovadoras de tornar essa visão realidade em apartamentos onde cada centímetro importa.
O modernismo na arquitetura surgiu no início do século XX, impulsionado pelos avanços da ciência e da engenharia e por um distanciamento deliberado dos estilos históricos. O movimento defendia o foco na equidade social, no desenvolvimento urbano, na eficiência e no design funcional, marcando uma mudança significativa na filosofia arquitetônica. Com origem principalmente na Europa e nos Estados Unidos, o modernismo cativou a imaginação global com sua redefinição inovadora do espaço e da arquitetura. Sua disseminação pela Ásia foi facilitada por intercâmbios culturais — arquitetos/as do Leste Asiático que estudaram com modernistas de destaque e arquitetos/as europeus/ias que trabalharam no Leste Asiático por meio de colaborações internacionais ou sob influências do período colonial.
A arquitetura é, há muito tempo, enquadrada como o trabalho de mentes visionárias isoladas; no entanto, Beatriz Colomina, uma influente teórica, historiadora e curadora, desafia essa noção, defendendo que a arquitetura é, por natureza, um esforço colaborativo. Ela examina criticamente como o mito do gênio solitário — quase sempre representado como uma figura masculina — apagou as contribuições de inúmeras mulheres e de equipes inteiras envolvidas no processo de projeto. Para Colomina, repensar a arquitetura significa reconhecer as complexidades do trabalho coletivo e desmantelar os vieses históricos que moldaram as narrativas da disciplina.
Foto de Brasília. Créditos: Ana Volpe/Agência Senado
O que é melhor: uma cidade planejada do zero ou uma que se forma espontaneamente? No imaginário popular, existe a crença de que, se uma cidade foi planejada desde o início, ela deve ser melhor ou mais organizada que as outras. Na prática, contudo, isso não garante o sucesso de uma cidade.
Cidades como Tamansourt, no Marrocos, Songdo, na Coreia do Sul, e a King Abdullah Economic City, na Arábia Saudita, servem de alerta sobre o planejamento de novas cidades do zero que, posteriormente, enfrentam dificuldades para atrair o número esperado de moradores. Esses projetos demandaram investimentos significativos (tanto operacionais quanto financeiros) em desenho urbano, espaço e infraestrutura, mas negligenciaram as razões econômicas fundamentais pelas quais as cidades existem.
É quase impossível falar de Madri, a capital espanhola, que, além de seu evidente apelo turístico e de sua liderança como a cidade mais visitada do país — seguida por Barcelona —, é indissociável de sua longa história e evolução até os dias atuais. Em 2024, Madri recebeu mais de 11,2 milhões de visitantes, o que representou aproximadamente 11,9% do total de turistas que chegaram à Espanha naquele ano. Grande parte da identidade da cidade, a singularidade de cada um de seus bairros e as novas áreas desenvolvidas ao longo dos anos estão profundamente ligadas a um crescimento que, embora planejado e modernizado em muitos aspectos, conseguiu preservar o caráter diverso que define sua essência urbana.
David Lynch - Ph. Dean Hurley. Imagem cortesia de Salone del Mobile.Milano
O cineasta David Lynch, conhecido por suas obras surreais e influentes como Veludo Azul e Twin Peaks, faleceu aos 78 anos. A carreira de quase 50 anos de Lynch foi marcada por filmes distintos e estilizados, frequentemente caracterizados por elementos surreais e narrativas fragmentadas. Ele recebeu inúmeros prêmios, incluindo um Leão de Ouro por sua trajetória e um Oscar honorário. Sua carreira começou com a pintura e a animação experimental antes da transição para o cinema, culminando em filmes icônicos e na revolucionária série de televisão Twin Peaks. Seu impacto estendeu-se para além das telas de cinema; sua manipulação singular do espaço e da atmosfera influenciou profundamente o discurso arquitetônico.
O ano de 2025 promete ser um marco na arquitetura, anunciando um vibrante renascimento de criatividade e exploração. À medida que as sociedades enfrentam desafios como as mudanças climáticas, a rápida urbanização e a evolução tecnológica, a arquitetura atua tanto como um espelho dessas dinâmicas quanto como uma bússola apontando para um futuro sustentável e inclusivo. O calendário arquitetônico deste ano oferece ricas oportunidades para celebrar o poder transformador da disciplina — de festivais que desafiam limites a exposições instigantes que exploram narrativas culturais e ambientais urgentes.
A Espanha conta com uma vasta diversidade de paisagens, tanto naturais quanto urbanas, onde o espaço público desempenha um papel protagonista. Nos últimos anos, sua relevância cresceu, consolidando-se como um eixo fundamental para o encontro. Para além de suas qualidades arquitetônicas e paisagísticas, o espaço público oferece aos visitantes e cidadãos ambientes de qualidade que contribuem para melhorar as condições de vida, seja em um parque urbano, em um eixo de pedestres dentro da cidade ou em um espaço para simplesmente estar em um entorno natural e em conexão com o território.
SO-IL (Solid Objectives – Idenburg Liu) é um escritório de arquitetura sediado no Brooklyn, Nova York, fundado em 2008 por Florian Idenburg e Jing Liu. Reconhecido por uma arquitetura profundamente engajada com os contextos social, cultural e ambiental, o estúdio concentra-se em explorar materiais inovadores, criar experiências espaciais fluidas e priorizar a sustentabilidade ecológica. O trabalho do SO-IL abrange diversas escalas e programas, refletindo sua abordagem versátil de projeto. Em 2024, seu projeto residencial 450 Warren, no Brooklyn, foi eleito pelo público como a Obra do Ano do ArchDaily na categoria habitação.
Em seu livro mais recente, In Depth: Urban Domesticities Today, o SO-IL explora a evolução do conceito de lar nos contextos urbanos contemporâneos, transformando-o "de uma fonte de vulnerabilidade em uma ferramenta de empoderamento". A publicação redefine a domesticidade como uma experiência ativa e compartilhada, e examina como arquitetos e arquitetas podem enfrentar desafios urbanos urgentes, tais como acessibilidade econômica, densidade e sustentabilidade. O trabalho do SO-IL defende uma habitação flexível e resiliente, que fomente o senso de comunidade ao mesmo tempo em que integra as dimensões ecológica e social. O ArchDaily conversou com a equipe de arquitetura sobre as soluções e ideias inovadoras apresentadas no livro, aprofundando-se em como seus projetos desafiam os sistemas convencionais e vislumbram um futuro no qual a arquitetura é um instrumento de emancipação.
O World Monuments Fund (WMF) anunciou a sua lista do 2025 World Monuments Watch, destacando 25 locais que enfrentam desafios significativos. Este programa bienal, lançado em 1996, visa aumentar a conscientização e mobilizar ações para a preservação do patrimônio cultural em todo o mundo. A lista de 2025 inclui locais diversos em cinco continentes e, notavelmente, a Lua, representando a necessidade de proteger artefatos das primeiras missões lunares da humanidade. O processo de seleção envolveu mais de 200 indicações, revelando tendências regionais como os impactos das mudanças climáticas na África Subsaariana e os desafios da urbanização na Ásia e no Pacífico.
Em uma entrevista recente ao Louisiana Channel, o aclamado arquiteto japonês Shigeru Ban compartilhou suas perspectivas sobre a arquitetura, sua trajetória profissional e sua dedicação ao design socialmente responsável. Conhecido por seu uso inovador de materiais como o papel e a madeira, Ban passou grande parte de sua carreira criando soluções para comunidades afetadas por desastres e populações deslocadas em todo o mundo.
A indústria da construção civil, tradicionalmente dependente do uso intensivo de materiais naturais não renováveis, encontra-se em um momento decisivo para reavaliar seus processos e mitigar seu significativo impacto ambiental. Como atender à crescente demanda por infraestrutura, habitação, saúde e educação sem esgotar os recursos naturais? Embora as iniciativas de reciclagem estejam ganhando força, elas ainda se mostram insuficientes. Nesse cenário, surgem soluções mais inovadoras, que propõem o aproveitamento de resíduos agrícolas, como o bagaço da cana-de-açúcar, para criar alternativas sustentáveis e disruptivas para o setor.
Phyllis Lambert tem sido uma figura fundamental na preservação do patrimônio cultural do Canadá. Como arquiteta e defensora da conservação patrimonial, Lambert deixou uma marca indelével em Montreal e em outras cidades ao redor do mundo. Suas contribuições para o cenário arquitetônico de Montreal não devem ser avaliadas apenas em termos de edifícios individuais, mas sim pela perspectiva da cidade como um todo. Ela não apenas cofundou o Centro Canadense de Arquitetura (CCA), mas também ajudou a remodelar a forma como cidades como Montreal pensam sobre o patrimônio e sobre a importância das vozes da comunidade no planejamento urbano.
A evolução dos banheiros até sua configuração moderna remonta a civilizações antigas, como a otomana e a romana, nas quais o saneamento tinha grande importância cultural. Durante a Idade Média, contudo, as práticas de higiene pessoal entraram em declínio, atrasando o desenvolvimento do saneamento até que o Renascimento resgatasse o interesse pela limpeza. Essa mudança abriu caminho para inovações fundamentais no século XVIII, incluindo sistemas de encanamento modernos que viabilizaram a ampla adoção de espaços sanitários modernos. Hoje, é inimaginável conceber um projeto de arquitetura sem incorporar essas instalações, o que evidencia o papel essencial da higiene e do bem-estar, atualmente muito vinculados aos avanços tecnológicos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140886/o-que-impulsiona-50-anos-de-inovacao-em-secadores-de-maosEnrique Tovar
Os devastadores incêndios florestais em Los Angeles causaram destruição generalizada, desalojando milhares de pessoas e tornando necessária uma reconstrução rápida e eficiente. Dois decretos executivos foram emitidos para acelerar o processo, um pela prefeita de Los Angeles, Karen Bass, e outro pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom, ambos com o objetivo de eliminar barreiras regulatórias significativas e agilizar as aprovações de projetos.
A demolição do Hotel Jugoslavija, um exemplo notável da arquitetura modernista em Belgrado, teve início, abrindo caminho para novos empreendimentos na paisagem urbana em rápida transformação da cidade. Construído em 1969 em Nova Belgrado, o hotel já foi um dos maiores e mais proeminentes da Europa, refletindo as aspirações da República Socialista Federal da Iugoslávia (RSFI) em seu auge. Projetado pelo arquiteto de Zagreb Lavoslav Horvat, o edifício de oito andares foi um projeto fundamental sob a liderança de Josip Broz Tito. A obra exibia os princípios modernistas da época, aliando funcionalidade a formas arquitetônicas imponentes. Seus interiores apresentavam detalhes luxuosos, incluindo um lustre Swarovski composto por 40 mil cristais, que realçava a importância do edifício como símbolo da presença internacional da Iugoslávia.
Os museus e centros culturais ocupam uma posição única na sociedade como espaços de aprendizado, comunidade e conexão. Eles servem como plataformas para preservar a história e engajar o público com novas ideias e perspectivas. A arquitetura desempenha um papel fundamental na formação dessas experiências, proporcionando a estrutura física e emocional que aprimora a forma como as pessoas interagem com a arte, a cultura e entre si. De estruturas monumentais a projetos mais íntimos, esses edifícios culturais têm o potencial de refletir identidades locais, defender a sustentabilidade e inspirar visitantes, ao mesmo tempo que criam marcos culturais duradouros.
De Los Angeles a Turku e Vinh Long, esta seleção de projetos conceituais de museus e centros culturais enviados pela comunidade do ArchDaily destaca a diversidade e a criatividade de propostas não construídas. Todos os meses, a equipe editorial do ArchDaily seleciona um conjunto de projetos conceituais focados em um tema ou programa específico, enviados por arquitetos e arquitetas de todo o mundo. Nesta seleção, as propostas variam desde a expansão de um museu infantil nos Estados Unidos até um museu agrícola sustentável no Vietnã, demonstrando como a arquitetura pode responder a contextos locais distintos ao mesmo tempo que promove temas universais de educação, ludicidade e descoberta. Seja celebrando o patrimônio arqueológico no Chipre ou reimaginando espaços públicos na Finlândia, esses projetos exploram como os museus podem funcionar como polos culturais que engajam e transformam suas comunidades.
Durante décadas, o ciclo de vida dos edifícios seguiu uma fórmula simples: planejamento, projeto, construção, demolição e, claro, o grande vilão dessa história: o aterro sanitário. Com o tempo, a prática arquitetônica passou a incorporar conceitos como reuso, desmontagem e demolição circular — contudo, frequentemente como elementos secundários, integrantes de uma transição gradual em direção a uma economia circular na construção civil. Mas e se esses princípios deixassem de ser exceções? E se projetássemos ou escolhêssemos cada componente construtivo para manter seu valor e propósito muito além do uso original? A verdade é que existe vida após a demolição. Essa transição — da demolição para práticas focadas em reuso, ressignificação e desmontagem sustentável — está cada vez mais próxima da realidade. Até a chegada de 2030, poderemos remodelar fundamentalmente nossa abordagem sobre os processos, os edifícios e o próprio mercado. À medida que essas mudanças se desdobram, torna-se essencial avaliar como nossas estratégias se alinham às metas e aos desafios em constante evolução relacionados à sustentabilidade — e, evidentemente, às novas oportunidades que surgem com eles.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142725/e-se-cada-tijolo-tivesse-um-futuro-repensando-a-demolicao-e-o-reuso-de-materiais-na-economia-circularEnrique Tovar
Arquitetos/as de todo o mundo estão convidados/as a participar do concurso "Best House in the World", uma nova competição internacional criada para descobrir e premiar projetos de arquitetura residencial inovadores que ainda não foram construídos e seguem em fase de desenvolvimento. A marca inHAUS, com o patrocínio de Geberit, Porcelanosa, Schüco, Joquer e S&P, apresenta o desafio da construção industrializada para os projetos mais ousados e criativos. Trata-se de projetos reais, com clientes e terrenos reais, desenvolvidos por profissionais que buscam alcançar novos padrões de excelência e qualidade em suas construções residenciais. Desafie os limites com o inovador sistema de construção off-site da inHAUS!
O Danish Architecture Center (DAC) inaugurará em outubro de 2024 sua nova exposição, "Water is Coming", que permanecerá em cartaz até 12 de março de 2025. A mostra aborda a crescente crise global da água, impulsionada pelo derretimento do gelo polar, pela elevação dos níveis do lençol freático e por inundações cada vez mais frequentes e intensas. Diante da realidade do aumento do nível do mar e de eventos climáticos extremos, a exposição desloca o foco da mitigação para a adaptação. O objetivo é promover uma compreensão mais profunda de nossa complexa relação com a água, explorando seu papel vital tanto como recurso essencial à vida quanto como uma ameaça potencial aos assentamentos humanos.