Um lugar de renascimento, a cidade de Muharraq, no Bahrein, passou por uma visionária transformação cultural e urbana, emergindo como um modelo pioneiro de regeneração impulsionada pela cultura no mundo árabe, particularmente na região do Golfo. Outrora a capital da indústria de pérolas do país, Muharraq preservou, reinterpretou e reintegrou seu legado histórico em sua malha urbana em constante evolução.
Diante do desafio de redefinir seu futuro — marcado por um traçado urbano intacto, mas com estruturas arquitetônicas em deterioração — Muharraq vislumbrou uma narrativa urbana linear, tecendo a memória da indústria por meio de uma sequência de edifícios-chave. A cidade propôs-se a conectar as propriedades individuais ligadas ao seu passado perlífero, tais como as casas de mergulhadores/as, capitães de barcos e comerciantes de pérolas.
Há uma conscientização crescente em torno da sustentabilidade — e do custo ambiental de se demolir prematuramente edifícios seguros e estruturalmente íntegros apenas para substituí-los por novas construções. No esforço mais amplo para reduzir as emissões de carbono, corporações e instituições vêm dando maior ênfase ao desempenho ESG (impacto ambiental, responsabilidade social e governança). Muitas agora exigem inventários de carbono, definem metas "carbono neutro" ou compram créditos de carbono para compensar suas pegadas ecológicas.
Essa mudança, somada a uma onda de projetos exemplares de reúso adaptativo pelo mundo — como o Tai Kwun do Herzog & de Meuron em Hong Kong, o Powerhouse Arts no Brooklyn, o The Ned Doha de David Chipperfield e as transformações de fábricas, pedreiras e fortalezas de terra batida de Xu Tiantian na China —, acelerou uma revisão profunda do reúso como estratégia principal de desenvolvimento. No entanto, apesar de seus inúmeros benefícios, o reúso adaptativo ainda não é tão difundido quanto poderia ser. Por quê? E quais seriam os principais obstáculos e tensões envolvidos?
Em meio à grade ordenada do Giardini della Biennale, o Pavilhão Suíço surge quase reticente. Seus volumes brancos e baixos, concluídos in 1952 por Bruno Giacometti, parecem se distanciar da exibição de orgulho nacional que o cerca. O edifício encarna uma vertente do modernismo que resiste à monumentalidade, na qual a precisão e a contenção substituem o espetáculo, e a arquitetura se torna menos um objeto e mais uma estrutura para o encontro.
Surgido de uma Europa em reconstrução, o pavilhão reflete um momento em que as nações reimaginavam sua presença no mundo. Para a Suíça, a neutralidade era há muito tempo tanto uma postura política quanto uma condição cultural, e Giacometti traduziu essa identidade em uma sequência de salas comedidas dispostas em torno de um pátio aberto, definidas não pelo que contêm, mas por como acolhem a luz, o movimento e a pausa. O resultado é uma arquitetura que não clama por pertencimento, mas convida à atenção por meio do equilíbrio e do cuidado.
À medida que as cidades e as paisagens evoluem, a arquitetura é cada vez mais chamada a apoiar o bem-estar, o desempenho e a experiência coletiva. De estádios que honram uma profunda memória cultural a espaços de bem-estar intimistas que promovem a restauração e a conexão, as tipologias de esporte e bem-estar estão se expandindo para além da mera funcionalidade. Elas criam ambientes onde o movimento e a saúde se cruzam com a qualidade do design, a sustentabilidade e o significado social. Hoje, esses espaços vão desde centros de treinamento de elite e clubes recreativos até refúgios contemplativos e instalações públicas inclusivas, moldando a forma como as comunidades se reúnem, se recuperam e celebram sua identidade compartilhada.
Esta seleção de propostas não construídas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, ilustra essa diversidade. Em São Paulo, o escritório Luiz Volpato Arquitetura reinventa o histórico estádio do Santos Futebol Clube com uma geometria que preserva a memória da torcida e, ao mesmo tempo, introduz novos usos comerciais e sociais. Em Hanói, a equipe do Van Aelst I Nguyen and Partners traz luz filtrada e ar fresco a um complexo esportivo urbano denso. Em Dubai, o RSP propõe o Haven, um empreendimento residencial ancorado no bem-estar holístico e em experiências voltadas para a natureza, enquanto o escritório indiano Tropic Responses projeta o Aira Club como um centro de lazer consciente em relação ao clima. No alto do Himalaia, o Gadasu + Partners esculpe um spa meditativo na rocha da montanha, e em Isfahan, o Arsh4d Studio repensa os parques femininos segregados para criar um espaço cívico inclusivo e orientado para o futuro.
Os ambientes de trabalho e de aprendizado passaram por profundas transformações nas últimas décadas. Nos escritórios, as estações de trabalho fechadas e as salas compartimentadas deram lugar a layouts abertos e colaborativos. Em escolas e universidades, as salas de aula tradicionais, com configurações rígidas, lousas e fileiras de carteiras, foram substituídas por espaços mais dinâmicos, flexíveis e interativos. Em ambos os contextos, o objetivo era incentivar a integração, a criatividade e a troca constante. No entanto, essa abertura também trouxe novos desafios: o aumento das distrações, a sobrecarga sensorial e a dificuldade de encontrar momentos de foco ou introspecção. Quanto mais removemos barreiras em prol da fluidez e da colaboração, mais essencial se torna oferecer momentos de quietude, intimidade e equilíbrio sensorial para quem precisa se autorregular. O desafio é tanto espacial quanto psicológico, levantando uma questão fundamental para a arquitetura: como podemos apoiar a conexão e o recolhimento, a atividade e o silêncio, ao mesmo tempo?
A arquitetura é moldada não apenas por edifícios, mas pelas ideias que os tornam possíveis. Antes das restrições do capital, das regulamentações e das contratações, existe um momento em que a arquitetura tem a permissão de pensar em voz alta. O primeiro confronto com esse momento fértil costuma ocorrer no ambiente acadêmico, na tese. Não se trata de um mero requisito para a graduação, mas de um espaço de liberdade especulativa onde a arquitetura formula hipóteses, constrói argumentos e testa posicionamentos.
Para muitas pessoas, é também a primeira oportunidade de pensar além da estrutura dos programas acadêmicos — uma chance inédita de explorar algo mais pessoal, irresoluto ou até mesmo irracional. Embora seja frequentemente vista como um ponto de chegada, a tese é melhor compreendida como um ponto de partida: o primeiro engajamento com a arquitetura como uma forma de raciocínio, onde o projeto ainda não é uma resposta, mas uma pergunta.
Nos dias 23 e 24 de abril de 2025, no Campus ACCIONA, a segunda edição do NEXT IN Summit, organizada pela ACCIONA Living & Culture, reuniu líderes globais em museologia, arquitetura e arte. Inaugurado com a presença do prefeito de Madri, José Luis Martínez Almeida, o evento destacou as melhores práticas em projeto, gestão e inovação de espaços culturais. Figuras de destaque, como o arquiteto David Chipperfield, Glenn D. Lowry, diretor do MoMA, o artista digital Rafael Lozano-Hemmer e Mariët Westermann, diretora e CEO do Solomon R. Guggenheim Museum, lideraram as discussões sobre o futuro das instituições culturais.
Ellisse, local: Armando Cose, Designer: Philippe Malouin
Comunicar uma ideia utilizando apenas o essencial é um desafio muito maior do que costuma parecer. Dos haicais japoneses às esculturas refinadas de Constantin Brâncuși, muitas expressões artísticas têm buscado condensar o máximo de significado com o mínimo de elementos. Essa economia de forma não é um sinal de escassez, mas de intensidade: cada traço, cada palavra, cada silêncio ganha peso. Há algo de intrinsecamente atraente naquilo que se apresenta de forma simples e bem resolvida, seja um texto que não desperdiça palavras, um/a tenista que se move com gestos intencionais ou uma melodia que é ao mesmo tempo direta e inesperadamente profunda.
Esse mesmo princípio, que transcende diferentes linguagens artísticas, reverbera profundamente no design contemporâneo. Ao serem reduzidos ao essencial, móveis ou objetos cotidianos revelam uma beleza que surge da precisão e transcende sua própria função. Isso fica evidente em HUM, a nova coleção de torneiras desenvolvida pelo designer Philippe Malouin para a QuadroDesign, na qual um simples gesto se transforma em uma linguagem completa.
Detalhe da Rede de Quiosques Garifuna. Imagem cortesia de 24 Grados Arquitectura
Como a arquitetura pode devolver a relevância a lugares esquecidos? Que diálogos podem surgir quando edifícios e paisagens são tratados não como telas em branco, mas como camadas de memória, identidade e potencial? Para o escritório de arquitetura hondurenho 24 Grados, essas perguntas moldam uma abordagem enraizada na adaptação, no reuso e no desenho contextual. Seus projetos variam desde a restauração de antigas praças espanholas e centros culturais até intervenções em parques naturais e vilas costeiras em Honduras. Cada projeto se apoia na crença de que o desenho pode tecer novamente as relações entre as pessoas, o lugar e o patrimônio.
Os edifícios são físicos, estáticos e permanentes. Imaginá-los de outra maneira costuma exigir um esforço de criatividade. A indústria tem operado sob essa forte associação entre estruturas e permanência, limitando, sem perceber, as perspectivas sobre o ciclo de vida das construções. Inovações em materiais de construção abriram caminhos para o design circular, desafiando a antiga noção de que os edifícios devem durar indefinidamente. Abordagens emergentes promovem uma arquitetura que acompanha o fluxo e o refluxo da natureza.
À medida que os países da África se libertavam do colonialismo em meados do século XX, muitos expressaram suas identidades independentes por meio da arquitetura. Esse processo continua várias décadas depois, exemplificado por diversos novos museus na África Ocidental, recém-concluídos ou em fase de planejamento. Embora variem em propósito e forma, essas instituições compartilham objetivos comuns: responder à necessidade de restituição de inúmeros artefatos saqueados durante o período colonial e mantidos majoritariamente em museus europeus; e definir um modelo de museu com identidade local, em contraposição a uma importação descontextualizada.
A humanidade raramente aceita grandes transformações de imediato, sendo muitas vezes freada pelo medo, pelo ceticismo ou pelo apego ao que já funciona. A prensa de Gutenberg despertou o temor da desinformação; a eletrificação urbana gerou alertas por parte de médicos; e a informatização dos escritórios acendeu preocupações sobre a desvalorização da experiência humana. Tais rupturas frequentemente provocam resistência, mas tendem a abrir espaço para a reflexão crítica e para a inovação.
Hoje, com a ascensão da inteligência artificial e a rápida sucessão de inovações tecnológicas, vivemos mais um desses pontos de inflexão. O debate é amplo, inevitável e, como sempre, necessário. Na TRUE Conference 2025, realizada pela Midea Building Technologies (MBT), essa discussão assume dimensões práticas e estratégicas ao articular os avanços digitais a metas tangíveis de sustentabilidade, eficiência e qualidade de vida.
O Modernismo, movimento que buscou romper com as formas tradicionais e abraçar o futuro, lançou as bases para diversos avanços tecnológicos e digitais na arquitetura contemporânea. À medida que a Revolução Industrial trazia a produção em massa, novos materiais e inovações tecnológicas, nomes da arquitetura como Le Corbusier, Walter Gropius e Mies van der Rohe defenderam o princípio de que a "forma segue a função" e uma abordagem racional do projeto. Seus preceitos ressoam na era digital, na qual o projeto computacional e os materiais de alta tecnologia redefinem a forma e a construção.
Os ideais modernistas do século XX — eficiência, simplicidade e funcionalidade — criaram uma base para que arquitetos/as experimentassem a clareza estrutural e a honestidade dos materiais. A arquitetura high-tech, surgida no final do século XX, evoluiu a partir desses princípios, fundindo as linhas limpas do modernismo com engenharia e tecnologia avançadas. Isso abriu caminho para o parametricismo e para os processos de projeto baseados em algoritmos, revolucionando a arquitetura e viabilizando formas complexas anteriormente consideradas impossíveis.
A Buildner anunciou os resultados do Buildner's Unbuilt Award 2024, a edição inaugural de uma nova e instigante série anual que celebra projetos de arquitetura ainda não realizados. Com uma generosa premiação total de 100.000 euros, o concurso oferece uma plataforma para que arquitetos/as e designers apresentem seus projetos não construídos mais inspiradores — sejam eles conceituais, já publicados, inéditos ou totalmente desenvolvidos.
Acesse o site do concurso Buildner's Unbuilt Award 2025 para obter detalhes sobre a edição de 2025, que já está com inscrições abertas.
Faz quase três semanas que teve início um dos incêndios florestais mais devastadores da Califórnia, mobilizando um esforço imenso para combater as chamas e mitigar novos danos. Enquanto as equipes de bombeiros trabalham para conter os focos restantes, a cidade se prepara para as primeiras chuvas significativas de inverno, o que gera preocupações sobre inundações e deslizamentos de terra que podem agravar a destruição já generalizada.
Diante desses desafios, o incêndio desencadeou uma ampla reflexão tanto em nível local quanto global. Surgiram discussões sobre temas como o sistema de seguros, a infraestrutura de combate ao fogo, os recursos hídricos, o papel do aquecimento global nas condições de ventos fortes que propagam as chamas e o impacto do paisagismo, sobretudo o uso de vegetação não nativa.
Em um mundo que enfrenta o esgotamento ecológico e a saturação espacial, o ato de construir passou a representar tanto criação quanto consumo. Durante décadas, o progresso arquitetônico foi medido pelo novo: novos materiais, novas tecnologias, novos monumentos à ambição. Hoje, no entanto, a disciplina é cada vez mais moldada por outra forma de inteligência, que valoriza o que já existe. Profissionais da arquitetura estão aprendendo que fazer menos pode significar projetar mais, e essa mudança marca o surgimento do que se poderia chamar de uma arquitetura da contenção: uma prática definida pelo cuidado, pela manutenção e pela escolha deliberada de não construir.
Esse princípio reconhece que o edifício mais sustentável costuma ser aquele que já está de pé, e que a transformação pode ocorrer por meio da preservação, do reparo ou até mesmo da ausência. Escolher não construir torna-se um ato político e criativo, uma resposta aos limites materiais do planeta e aos limites éticos do crescimento infinito. Essa arquitetura vai além da produção de novas formas para abraçar a continuidade, prolongando a vida útil de estruturas, materiais e memórias que já habitam o mundo.
Muito antes de a humanidade construir seus primeiros abrigos permanentes, ela descobriu o poder protetor das peles de animais como barreira contra as condições climáticas adversas. Esse princípio fundamental de construir com materiais flexíveis influencia a arquitetura contemporânea, embora muitos dos precedentes históricos tenham se perdido no tempo. Os tecidos serviram como os primeiros elementos arquitetônicos da humanidade, antecedendo métodos de construção antigos, como a alvenaria de pedra. A relação entre os têxteis e o abrigo moldaria toda a história da arquitetura, desde os assentamentos pré-históricos até os arranha-céus modernos. Que lições essas origens ancestrais da arquitetura podem oferecer para os futuros avanços no projeto de edifícios?
É com imensa gratidão e entusiasmo que compartilho minha primeira carta na editoria-chefe. Dirigir-me diretamente a vocês marca uma mudança significativa em nossa abordagem habitual, e acredito ser a maneira ideal de começar o ano. Ao assumir esta nova função, é uma honra ter a oportunidade de liderar o ArchDaily em um novo capítulo, construindo sobre nossa base sólida para alcançar patamares ainda mais altos.
No ArchDaily, sempre acreditamos que a arquitetura tem o poder de transformar vidas e ambientes. Há 17 anos, somos mais do que uma simples plataforma; nos tornamos uma comunidade e uma voz para a arquitetura — uma rede colaborativa onde profissionais da arquitetura, do design e entusiastas se encontram para moldar o ambiente construído e redefinir a vida urbana. Ao refletir sobre essa jornada, sinto profunda inspiração pelas nossas conquistas compartilhadas, viabilizadas pela dedicação de nossa talentosa equipe global e pelo apoio inabalável do nosso público. Juntos, criamos um espaço onde as ideias prosperam e a inovação floresce.
A diplomacia cultural refere-se ao uso da expressão cultural e do intercâmbio criativo para promover a compreensão e construir relacionamentos entre as nações. Nesse contexto, a arquitetura desempenha, há muito tempo, um papel de destaque. Para além de suas dimensões funcionais e estéticas, ela serve como meio de comunicação — uma linguagem pela qual os países expressam identidade, valores e ambições no cenário global.
A arquitetura opera como uma forma de soft power — de caráter persuasivo, e não coercitivo —, permitindo que as nações projetem influência por meio de sua presença material. De embaixadas modernistas no pós-guerra a pavilhões monumentais em exposições mundiais, governos e instituições reconhecem o potencial do ambiente construído para moldar percepções. Ao contratar profissionais de destaque na arquitetura e adotar linguagens projetuais específicas, os países utilizam a arquitetura para sinalizar modernidade, tradição, inovação ou estabilidade.
Sistema de porta de correr SL500. Imagem cortesia de ASSA ABLOY
Ao longo da história, as portas — e, posteriormente, as portas automáticas — desempenharam um papel muito mais amplo do que a mera marcação de uma entrada ou saída. Elas definem limiares, guiam o fluxo de movimento e moldam sutilmente a maneira como as pessoas interagem em um espaço. É possível traçar sua evolução até o século I, quando Heron de Alexandria projetou uma porta movida a vapor — um exemplo pioneiro da fusão entre tecnologia e arquitetura. Desde então, os sistemas de portas automáticas sem toque incorporaram avanços tecnológicos que aprimoram sua operação e redefinem seu papel nos edifícios. Hoje, eles estão integrados a uma variedade de tipologias e escalas de edifícios, atuando como elementos de transição que aumentam o conforto, a eficiência energética e a qualidade geral dos espaços internos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143019/o-futuro-mais-verde-dos-sistemas-de-portas-automaticas-uma-mudanca-no-design-e-no-desempenhoEnrique Tovar
Na arquitetura, o efeito da cor raramente é neutro. Ela tem o poder de acalmar ou energizar, expandir ou comprimir o espaço, unificar ou dividir. Longe de ser apenas uma camada decorativa, a cor é uma ferramenta que arquitetos/as, designers de interiores e designers utilizam para estruturar a atmosfera e a percepção. Ao lado da luz, do material e da proporção, trata-se de um dos instrumentos mais precisos disponíveis para orientar a experiência espacial. Quando tratada de forma deliberada, torna-se um sistema — que permite aos/às profissionais articular relações entre espaços, estabelecer atmosferas e criar continuidade em várias escalas.
A cor não se limita à pintura. Superfícies, materiais, acabamentos e elementos técnicos possuem, todos, peso cromático. No entanto, na prática, a cor muitas vezes permanece irregular nos detalhes mais sutis — interruptores, tomadas, interfones —, surgindo frequentemente como interrupções neutras. Essa lacuna evidencia uma questão mais ampla: se a cor deve ser considerada uma verdadeira ferramenta arquitetônica, não deveria ela se estender a cada detalhe, por menor que seja? Diante disso, a fabricante alemã JUNG estendeu a Polychromie Architecturale de Le Corbusier para as instalações elétricas, permitindo que componentes essenciais da edificação falem a mesma linguagem da arquitetura circundante.
A visita a museus e galerias há muito tempo é uma experiência meticulosamente curada. O público é conduzido por uma sequência de salas cuidadosamente orquestrada, com obras selecionadas minuciosamente para contar uma narrativa específica, apoiada por sinalização, recursos gráficos, cenografia e iluminação calibrada. Mesmo as exposições que raramente mudam — como as coleções permanentes — costumam apoiar-se em uma forte voz curatorial — liderada por artistas ou curadores/as de destaque — para definir o posicionamento institucional e moldar a interpretação.
Paralelamente, as áreas de reserva técnica de museus e galerias costumam ser mantidas separadas — muitas vezes no mesmo edifício, mas sob acesso rigidamente controlado, e não raramente fora do local, em instalações dedicadas, como o Centro de Conservação do Louvre. Essas zonas são historicamente entendidas como espaços de controle rigoroso, não apenas em termos de acesso, mas também em relação ao clima, à umidade, à organização do acervo, aos protocolos de manuseio, à manutenção e à restauração. Por receio de furtos e de que as exigências espaciais, ambientais e de catalogação do acervo fossem perturbadas, a reserva técnica tradicionalmente manteve um caráter quase secreto, atendendo prioritariamente a pesquisadores/as acadêmicos/as e profissionais da arte sob solicitação. Raramente o público em geral tem uma visão abrangente das obras salvaguardadas por uma determinada instituição.
A Buildner anunciou os resultados de sua terceira edição anual do concurso internacional de ideias de arquitetura Home of Shadows. A série de concursos foi concebida para focar na interação vital entre luz e sombra na criação de espaços residenciais funcionais e acolhedores. A iniciativa destaca a importância da luz natural no projeto residencial, essencial para criar ambientes confortáveis, convidativos e práticos.
A luz é vista como uma linguagem através da qual arquitetos/as comunicam emoções em seus projetos, com as sombras desempenhando um papel igualmente significativo ao influenciar a atmosfera de um espaço. O equilíbrio entre luz e sombra permite criar espaços com profundidade e textura, definindo diferentes humores para propósitos diversos. Muitas vezes, esse equilíbrio pode ser alcançado através do posicionamento estratégico de janelas e portas.